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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Envelhecer com qualidade

A quinta de Roriz, de João Van Zeller, é uma das mais bonitas Quintas do Douro vinhateiro. Tem de ocupação 200 Hectares, dos quais 42 são de vinha. A vinha estende-se desde os 450m de altitude até à beira do rio Douro. A quinta engarrafou e comercializou pela primeira vez em 1996, o seu Quinta de Roriz tinto, que veio a ser aclamado na altura pela critica nacional e internacional. Felizmente encontrei este vinho e tive o privilégio de o beber. Aqui estão as minhas humildes considerações:

Quinta de Roriz 1996
Produtor - João Van Zeller
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Impressiona logo pela côr, que se encontra carregada e jovial para um vinho que nasceu à 11 anos. No aroma mostra um vinho adulto, que soube envelhecer apesar das possiveis condições adversas na sua guarda. Mostra pedigree, mostra complexidade, no aroma sobressaem notas de verniz e de fruta muito delicada. O vinho esteve 8 horas decantado e a cada hora que passava estava diferente, e mais, aguentava-se.
Na boca impressionava pela fescura, pelo sabor e pela pura seda que se envolvia na boca. Um vinho que como muito poucos, soube envelhecer, um vinho que emociona, um clássico do mais alto pedigree do Douro, um vinho que felizmente não morri sem provar. Voltarei a ele daqui a mais uns anitos.
Ainda que seja quase uma injustiça pontuar um vinho destes.....
Nota 17,5

sábado, 1 de dezembro de 2007

Touriga Chã

Quinta da Touriga Chã 2004
Produtor - Jorge Rosas
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Praticamente opaco na côr. Apresenta-se um vinho com fruta densa e madura, extremamente madura, onde situamos as notas de cereja preta e ameixa acompanhadas por intensas notas florais de violetas e bergamota e ainda algum cacau. Um aroma intenso, aprazível e cativante.
Na boca é encorpado, sedoso, com taninos nobres e final longo. Vinho de guarda mas que merece prova cuidada desde já. Resumindo......um vinhão
Nota 17,5

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Estrémuas

Quinta das Estrémuas Touriga Nacional 2004
Produtor - Vinícola de Nelas
Região - Dão
Grau - 15% vol
Feito a partir ca Casta Touriga Nacionel e com um estágio de 11 meses em barricas de carvalho francês, este vinho apresenta uma bonita côr violácea. No nariz está ligeiramente diferente do que tinha encontrado há uns meses. Mostra-se mais frutado. com notas de cereja preta, amora e framboesa sob um pano de fundo com ligeiro floral, especiaria e muito cacau.
Na boca mostra-se macio, guloso e com notas de barrica que conferem algum "appeal". Mais um bom vinho das Estrémuas que se encontra prontinho para dar prazer.
Nota 16

domingo, 18 de novembro de 2007

Estrémuas

A Vinícola de Nelas produz vinhos no Dão e onde lhe conhecemos os vinhos da Quinta das Estrémuas. Na sua gama estão incluidos o Estrémuas, o Quinta das Estrémuas Reserva e ainda um varietal, o Quinta das Estrémuas Touriga Nacional. Tive a oportunidade de provar duas dessas referências, que agora partilho:


Estrémuas 2005
Produtor - Vinícola de Nelas
Região - Dão
Grau - 13% vol
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz e Jaen.
Cor ruby. Mostra-se um pouco tímido de inicio, pelo que um minuto lhe devemos dar para que se comece a mostrar. Assim que se encontra à vontade descortina aromas de fruta vermelha e algum vegetal. Mais alguns minutos e fica no copo a lembrança floral e interessante iogurte.
Na boca está bem, mostra-se redondo, fácil e fresco. Ora aqui está um bom vinho para o dia a dia.
Nota 14


Quinta das Estrémuas Reserva 2003
Produtor - Vinícola de Nelas
Região - Dão
Grau - 13,5% vol
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz e Jaen este vinho estagiou durante 9 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Ruby escuro. Este é um vinho que mostra já outro nível. No nariz mostra-se sóbrio com notas de fruta madura, vegetal, fumo e ainda algum chocolate de leite.
Na boca tem estrutura, é aguerrido com os seus taninos presentes mas que não ferem de maneira nenhuma o conjunto, que se complementa com uma boa acidez, conferindo assim uma certa frescura final. Um vinho interessante que mostra a diferença na utilização de estágio em madeira.
Nota 15

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Pradinhos

Tudo começa com Manuel Pinto de Azevedo que elege para seu refugio, da vida de industrial no porto, esta propriedade (Valle Pradinhos) em Macedo de Cavaleiros. A herdade era utilizada para caçadas e reuniões familiares até que se decidiu pela plantação de vinha e a construção de uma adega para poder com o vinho que fazia, saciar a "sede" dos amigos e familiares. Entretanto começa o vinho a ganhar reputação e começa a ganhar consistência e qualidade ano após ano. Neste momento é Maria Antónia Mascarenhas quem encabeça este projecto juntamente com o enólogo Rui Cunha.


Valle Pradinhos 2004
Produtor - Maria Antónia Mascarenhas
Região - Trás-os-Montes
Grau - 14% vol
Feito a partir das castas Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Tinta Amarela, este vinho apresenta cor ruby. No nariz, no ataque apresenta um interessantissimo aroma de queijo especiado que é de seguida acompanhado por notas de fruta madura, ligeiro floral e um vegetal reconfortante.
Na boca está ainda a necessitar de tempo. Mostra-se ainda com os taninos algo selvagens sugerindo que a afinação está em curso.
Este vinho é para mim uma das melhores relações preço-qualidade. Está um "furinho" abaixo da colheita anterior mas penso que ainda tem muito para mostrar. Neste momento fará delicias quando acompanhado por um prato forte.
Nota 16,5

terça-feira, 6 de novembro de 2007

E quando um vinho nos deixa sem palavras?

Domaine de la Janasse Châteauneuf du Pape "Chaupin" 2004
Produtor - Domaine de la Janasse
Origem - Châteauneuf du Pape, Ródano(Rhône), França
Grau - 15,4% vol
Este vinho vem de uma região que apesar de ainda um pouco desconhecida para mim, já me despertou muita atenção aquando da prova de alguns dos seus vinhos. é uma região que produz vinhos muito concentrados e carnudos, que podem envelhecer muito bem.
Este vinho feito a partir da casta Grenache, apresentou um côr opaca, carregadissíma. No nariz foi amor à primeira vista tal a concentração de fruta madura que apresentava. Amoras, Cereja Preta, Cassis e Mirtilhos compunham a "frutaria" deste vinho, a sensação de licôr estava bem presente e com o desvaneio das especiarias tornavam este vinho numa sensação única. Na boca mais uma daquelas sensações unicas. Concentrado, cheio, maduro, um vinho especial. Taninos gulosos, redondos mas com potência e acidez suficiente para suportar este vinho. Termina longo com a sensação densa da fruta e da especiaria. Belíssimo
Nota 18,5

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Quinta do Carmo

Quinta do Carmo 1998
Produtor - Domaines Baron de Rothchild & Joe Berardo
Região - Alentejo
Grau - 13% vol
Tinha alguma curiosidade na prova deste vinho que há bem pouco me tinham oferecido. As coisas mudaram um pouco desde a compra da Quinta do Carmo, em 1992, por esta joint-venture, à familia Bastos. Nos vinhos foram introduzidas castas novas (a partir de 2000) e com estas mudanças também o perfil dos vinhos. Este vinho, o 4º da nova dinastia, ainda terá sido feito com as castas que já existiam. O ano de 1998 "foi marcado por excesso de chuva na Primavera que provocaram fortes desavinhos e por 4 meses de seca estival"- in Quinta do Carmo website.
Este vinho apresenta uma cor muito evoluida com fortes notas de caramelo queimado e muita torrefacção sob um ténue fundo de fruta. Na boca mantém o registo de sensação a queimados e mostra um vinho algo "cansado" e totalmente amaciado. Indica que o seu melhor tempo já terá passado, no entanto não deixa de ser interessante provar um vinho com quase 10 anos.
Nota 15

Nuestro Hermano

Abadal Reserva 3.9 2000
Produtor - Masies D'Avinyo
Região - Pla de Bages (Espanha)
Grau - 13% vol
De uma região espanhola, pouco conhecida, chega-nos este vinho feito a partir das castas Cabernet Sauvignon e Syrah, que tiveram um estágio de 12 meses em barricas novas, antes do blend final.
Na cor já mostra alguma evolução e brinda-nos com aromas de fruta ainda madura, muito caramelo, azeitona e alguma sensação de verniz. Na boca está um belissimo vinho que mostra jovialidade apesar da evolução sentida. Está fino e macio mas ao mesmo mostra tanino e acidez suficientes para mostrar que pretende permanecer vivaço por mais uns anos.
Nota 17

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Syrah vs Shiraz

Este é um duelo em que todos muitas vezes pensamos. Casta contra Casta, Velho contra Novo Mundo e País contra País. Apesar de terem estado mais alguns intevenientes, venho aqui destacar um frente a frente entre dois vinhos da mesma casta, de "mundos" diferentes e de países geográficamente opostos. Por um lado o nosso alentejo que digamos que importou uma variedade de castas internacionais, que felizmente se dão muitos bem com os nossos solos e que se podem cada vez mais considerar como nossas. Por outro, a grande Austrália que cada vez mais se assume um dos principais países produtores de vinhos no mundo inteiro e de onde provêm grandes vinhos das grandes castas internacionais.


Incógnito 2003
Produtor - Cortes de Cima
Região - Alentejo
Grau - 14,5% vol
Feito a partir da casta Syrah, este vinho estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Provado em prova cega, este vinho apresentou uma côr retinta. O aroma sugeria à partida a casta e mostrava-se com aromas de fruta muito madura, alguma especiaria e principalmente aromas de cacau, chocolate, torrefacção e sensação tostada sob ligeira sensação de licôr. Se o aroma já podia sugerir um vinho algo madurão, na boca veio a confirmação sob a forma de um vinho encorpado, espesso e doce, que mostra taninos redondos e polidos sob final de boa persistência.
Nota 17,5


Mitolo Jester Shiraz 2004
Produtor - Mitolo Wines
Região - Austrália (Maclaren Vale)
Grau -
Também feito a partir da casta Syrah, este vinho estagiou 9 meses em barricas de 2º a 4º ano, de carvalho francês.
Provado em prova cega, apresentou uma cor carregada, opaca. No nariz um vinho que também mostra bem a casta de que provém, com aroma de muita fruta a sugerir amoras e cerejas que ombreiam com as especiarias, o cacau e a baunilha. Na boca é um está harmonioso, fino, redondo e sobretudo equilibrado. Não sendo um vinho muito complexo, é extremamente agradável e muito bem feito.
Nota 16,5


Como resumo, pode-se dizer que o nosso Incógnito levou a melhor, mas teremos neste caso de ter em conta o preço de cada uma das partes. Se por um lado o Incógnito rondará os 45-50€ numa garrafeira, o Jester não deve passar dos 19€. O que nos permite afirmar que não havendo muita diferença na qualidade entre estes vinhos, levando a melhor o alentejano, no preço, o australiano é rei e senhor.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Um dia com Zambujeiro

A minha primeira visita, desde que por aqui escrevo uma linhas, foi à Quinta do Zambujeiro. Assim, e já com o caminho feito desde Peniche até Rio de Moinhos, em Borba, fomos recebidos pelo Nuno Malta e Luis Lourinho. A paisagem onde se insere a quinta é muito bonita, com a vinha muito bem tratada e ainda com a particularidade de o terreno ser composto também por xisto, o que acabará por se revelar uma mais valia para os vinho produzidos. Passámos para a explicação de todo o processo de vinificação, onde destaco pela positiva, que a linha de "tratamento" dos vinhos acaba por ser tão parecida que permite, quase, a mesma qualidade em toda a gama de vinhos que esta Quinta produz.

Passemos então aos vinhos:

Amostra de Casco, Alicante Bouschet 2006 - Este Alicante começou por ser a minha primeira surpresa, uma vez que não sendo uma casta que aprecio muito, cada vez que provo os seus bons exemplares, mais me convenço que só posso estar enganado. Aroma muito especiado, muita canela, muita pimenta. Não tem a estrutura que estava à espera, mas penso que reflecte o ano difícil para a casa nesta casta. Ainda assim muito fino e a dar uma bela prova.

Blend final Zambujeiro 2005 - Já com a prevista "equação" que dará origem ao Zambujeiro 2005, se passar no Exame final, este vinho mostrou-se muito potente, muito taninoso e ainda com a madeira muito evidente mas a já dar conta que teremos um vinho super estruturado e um zambujeiro de categoria. Ressalvo que nestas provas a temperatura do vinho é muito baixa e a barrica está aqui a marcar o vinho, o que é perfeitamente normal.


Os vinhos já engarrafados:

Terra do Zambujeiro 2004
Produtor - Quinta do Zambujeiro
Região - Alentejo
Grau - 15% vol
Este Terra é a 2ª marca do produtor, é feito a partir das castas Aragonez(26%), Periquita(25%), Trincadeira(23%), Cabernet Sauvignon(17%) e Alicante Bouschet(9%) e estagiou 24 meses em 65% de barricas novas de carvalho francês.
Mostra uma bonita e brilhante cor ruby. No nariz começa por mostrar a especiaria e la no fundo a fruta madura. Na boca é macio, redondo, guloso. Um vinho muito bem feito, e feito simplesmente para arrebatar quem o bebe. Gostei muito.
Nota 16

Zambujeiro 2003
Produtor - Quinta do Zambujeiro
Região - Alentejo
Grau - 15% vol
Começamos pelo topo da casa que se encontra neste momento em comercialização. Este Zambujeiro foi feito a partir das castas Touriga Nacional(25%), Aragonêz(25%), Cabernet Sauvignon(25%), Alicante Bouschet(17%) e Trincadeira(8%) e estagiou 24 meses em barricas novas de carvalho francês.
Com uma cor carregada, apresenta no nariz uma qualidade superior, com notas de muita especiaria(a canela e as pimentas), fruta escondida mas muito madura a lembrar amora e ameixa, e isto tudo numa concentração impar. Na boca é potente, cheio, guloso e com taninos ainda a mostrarem que são jovens e pretendem crescer. Um vinho de retoque superior.
Nota 17,5


Zambujeiro 2004
Produtor - Quinta do Zambujeiro
Região - Alentejo
Grau - 15% vol
Este Zambujeiro sairá provavelmente, para o mercado, no início de 2008. Feito a partir de Touriga Nacional(48%), Aragonêz(24%), Alicante Bouschet(24%) e Trincadeira(4%), estagiou também 24 meses em barricas novas de carvalho francês.
Carregadissímo na cor, este vinho apresenta uma aroma mais interessante que o seu antecessor. Na linha da frente nada de novo, com a especiaria a mostrar o seu quê de exótico neste vinho e lá bem no fundo a fruta madura como que a cobrir a retaguarda. è então que tudo começa a mudar, com as notas florais a começarem a aparecer, alguma sensação de licôr e muito cacau a mostrar que a barrica ainda está muito presente. Na boca é muito estruturado, muito cheio mas já com alguma finesse no seu conjunto total. Interessante que não se nota o grau nestes vinhos pois a estrutura como que os ampara. Ainda algo proeminente de taninos, mas a mostrar que com uma comida forte, temos a receita que nos deixará de rastos. Foi o vinho que mais gostei dos que provei.
Nota 18


Termino com uma pequena nota para com os anfitriões, que muito bem nos receberam, e ainda para o repasto (Feijoada de Lebre) que acompanhou também os vinhos sublimemente. A eles o meu obrigado foi um privilégio e acima de tudo aprendi.

domingo, 21 de outubro de 2007

Herdade do Porto da Bouga Reserva 2006
Produtor - Herdade do Porto da Bouga
Região - Alentejo
Grau - 13,5% vol
Mais um vinho pela mão do enólogo António Saramago. Feito a partir das Castas, Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Syrah, este vinho estagiou durante 8 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Com um cor brilhante cor granada, este vinho oferece-nos uma bela "prova de nariz" em que nos mostra fruta muito madura, intenso floral e especiaria, que mais tarde, no copo, são completadas por notas de algum rebuçado e ligeira compota. Na boca o rumo mantém-se nas notas de fruta e flores sustentadas por boa acidez e taninos jovens. Para um vinho que custará à volta dos 5€, está muito bem e mostra uma RPQ que confirma a excepção nos dias de hoje. Não é propriamente, pelo seu preço, um vinho para o dia-a-dia mas para quem tenha essa hipótese este será um candidato sério.
Nota 15,5

domingo, 14 de outubro de 2007

Um vinho Esmerado

Esmero 2003
Produtor - Rui Xavier Soares
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Este vinho nasce a partir de uma pequena parcela com menos de 1 hectare, de vinha muito velha com cerca de 80 anos. O lote é constituido por Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela e ainda, mas com menor expressão, o Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Tinto Cão, entre outras.
Com uma bonita cor carregada, este vinho premeia-nos com aroma de fruta vermelha madura onde se destacam as amoras, groselhas e framboesas, sugestões florais, especiarias (canela e pimenta) e ainda notas de café. Na boca está um vinho cada vez mais elegante à medida que os anos passam, está cada vez mais guloso, mais bonito. Está realmente melhor que ultima vez que o tinha provado, na sua apresentação no Tavares, e penso que ainda poderá melhorar apesar de já estar fabuloso. Nota-se que foi feito com esmero.
Nota 17,5

Channel nº 5

Quinta das Marias Reserva Touriga Nacional 2005
Produtor - Peter Viktor Eckert
Grau - 15% vol
Não é obviamente do perfume per se que estou a falar, mas decerto que aqueles que já tiveram a oportunidade, aliás o privilégio de provar este vinho saberão do que estou a falar.
De côr ruby carregada este foi um vinho que me emocionou. No nariz é puro perfume, altivo, brilhante, este vinho mostra-nos o que de melhor esta casta representa, o floral intenso, as bolachas de gengibre e de canela, a compota e a terminar um conjunto sedutor as notas de barrica, enfim um colosso. Na boca todo ele é fino, ainda perfumado e guloso. Um grande mas grande dão. Como já disse noutro vinho.....quase perfeito. Parabéns porque se tem deste Quinta das Marias guardado, é um privilegiado.
Nota 18

sábado, 13 de outubro de 2007

Alentejo nos Anos 90

A ideia era de poder verificar como estariam os vinhos alentejanos que foram feitos na década de 90. Teriam envelhecido bem? Estariam já os chamados "vinagres? Obviamente que o espectro da amostra não permitiria tirar grandes conclusões, no entanto ficaria com uma ideia de como estão alguns deles. Assim foram provados vinhos de 1996, 97 e 99 cujo alinhamento foi o seguinte:

Cartuxa Colheita 1999
Produtor - Fundação Eugénio de Almeida
Região - Alentejo
Quem não conhece este vinho? Pois bem, penso que quase todos saberão responder a este pergunta. Este vinho é já um dos consagrados do panorama viníco português e foi até por causa de um seu antecessor que me apaixonei novamente pelo vinho. Sempre foram vinhos que dariam a ideia de que iriam durar uns bons anos. Vejamos então este......
Provado em prova cega. Na côr tira-se logo o indício que o vinho tem já alguma idade, no nariz este vinho mostra também idade, com notas de fruta vermelha e depois apontamentos de cedro, acetona, couro, algum café e caramelo. Na boca está um vinho completamente feito, completamente macio a denotar provavélmente que a sua melhor altura para ser bebido já terá passado.
Nota 16


José de Sousa Mayor 1999
Produtor - José Maria da Fonseca
Região - Alentejo
Este será outro dos grandes nomes desta região. É proveniente das vinhas velhas plantadas pelo Sr José Rosado Fernandes (aquele que fez os célebres Tinto Velho) por volta de 1950 em Reguengos. É feito a partir das castas Trincadeira, Aragonez e Grand Noir.
Provado em prova cega. Apresenta uma côr também a demonstrar algum envelhecimento. No nariz está um vinho mais completo e mais jovial, monstrando no ataque notas de caramelo e bolacha, que depois dão lugar às cerejas, framboesas e alguma compota para terminar com sugestões de cedro, e verniz. Na boca é sedoso, macio, um vinho que mostra que está pronto para ser consumido, um vinho que envelheceu bem mas que se calhar não quer envelhecer muito mais pois quer é dar prazer agora.
Nota 16,5


Herdade do Peso Colheita 1997
Produtor - Sogrape
Região - Alentejo
A Sogrape tem investido ao longo dos anos nas principais regiões vitivinícolas portuguesas. Estando garantida a sua presença no dãp, no douro e nos verdes, a próxima aposta foi feita no Alentejo com esta herdade em 1997. Este vinho é o primeiro da era Sogrape nesta Herdade.
Provado em prova cega. Na côr um vinho acastanhado com brilho. No nariz denota-se um vinho algo estranho, com notas de funcho e marmelada sob um fundo que só lebra queimados intensos a denotar que algo de errado está com este vinho e que provavelmente terá defeito. A boca confirma a questão mostrando que o vinho "morreu", já não há ali nada, os taninos secaram e o vinho tournou-se plano. Enfim, este vinho também não seria um vinho propriamente para guarda. O que me faz lembrar a eterna questão de quem possui uma garrafeira com muitos vinhos e que acaba por deixar passar vinhos que nunca seriam vinhos de guarda.
S/N



Tapada do Chaves Reserva Especial 1996
Produtor - Tapada do Chaves
Região - Alentejo
Também um dos vinhos emblemáticos do Alentejo e mais propriamente da zona que o viu nascer, Portalegre. Este Reserva Especial era o Vinho-Bandeira da casa, que o produzia em anos de qualidade superior. A curiosidade neste vinho é a de, no rótulo, dizer que é o Reserva Especial para Rui Nabeiro ( Sr Comendador, Sr Delta Cafés).
Provado em prova cega. Com uma côr acastanhada apresenta inicialmente aromas de muita azeitona que passado um pouco dão lugar a notas de fruta vermelha, alguma pimenta, caça e uma sensação de caramelizado. Na boca mostra-se mais vivo que se suporia, com corpo e tanino presente mas discreto. A sensação ao beber este vinho foi a de que poderia ou deveria estar melhor. Neste campo entra a qualidade da guarda a que foi submetido, uma vez que sinceramente pensei que poderia não estar bom, face ao local onde esteve durante anos e anos guardado.
Nota 16

As impressões com que fiquei desta pequena prova foram, que os vinhos alentejanos estão a envelhecer, ou envelhecem, bem e que as condições de guarda condicionam e muito a qualidade do envelhecimento.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Aliança no Dão

Quinta da Garrida Reserva Touriga Nacional 2003
Produtor - Caves Aliança
Região - Dão
Grau - 13,5% vol
Adquirida pelas Caves Aliança em 1998, serviu para colmatar uma lacuna existente na empresa, que era a de garantirem representação de qualidade no Dão. A qualidade essa vem-se mantido ano após ano e na colheita de 2003, este Touriga estagiou por 12 meses em barricas novas de carvalho francês e russo.
Com uma bonita côr ruby, apresenta-se com aromas de muita fruta madura, a sugerir amoras, framboesas e groselhas pretas, apontamentos florais que intensificam com algum arejamento do vinho, e alguns fumados consequentes do seu estágio. Na boca um vinho jovem, com bom volume, um vinho fresco e una taninos muito finos e ainda muito presentes que sugerem ainda a possiblidade de guarda por mais tempo.
Nota 17

Em paz com o Dão

Vinha Paz Reserva 2004
Produtor - Dr António Canto Moniz
Região - Dão
Grau - 14% vol
Um dos vinhos com alguma consistência na qualidade e de uma região que no meu entender está a começar a funcionar, apesar de ainda muito haver para fazer. Este Vinha Paz é composto, na sua maioria, por uvas da casta Touriga Nacional (80%) e estagiou 19 meses em meias pipas de carvalho francês e americano.
Com uma côr violácea carregada, este vinho está bastante interessante no nariz. Mostra toda uma fruta madura a lembrar framboesas e amoras e uma especiaria que embeleza o conjunto, que termina a subtileza da madeira onde estagiou. Na boca está um vinho feito, macio e afinado que perfaz um conjunto de perfil nobre.
Nota 17

Vinha do Fojo 2001
Produtor - Margarida Serôdio Borges
Região - Douro
Grau - 14% vol
O Vinha do Fojo é um duriense feito a partir das castas típicas do Douro (Tinta Roriz 80%, Touriga Nacional 7%, Touriga Franca 7% e ainda 6% de outras várias castas). Estagiou cerca de 18 meses em barricas de carvalho francês novo e seminovo e resultaram 15000 garrafas deste vinho.
Provado em prova cega. Apresenta uma bonita côr granada carregada. Como primeira impressão, este vinho mostra-se ainda muito fechado. Tudo muito escondidinho, apenas mostrando alguns aromas de fruta vermelha madura acompanhadas por especiarias, feno e leve toque químico. Apesar de sisudo apresenta-se um vinho encorpado, quente, cheio, muito potente mas ainda assim elegante que, pela acidez, demonstra que o seu tempo estará ainda para vir. Final muito longo. A Guardar sem receios.
Nota 17,5

O que faz falta p'ANIMA(R) a malta......

Anima L4
Produtor - José Mota Capitão
Região - Sem Região associada por se tratar de um vinho de mesa
Grau - 13,5% vol
Ora aqui temos uma "novidade" feita a partir de uma casta italiana sobejamente conhecida, de nome, entre os enófilos e que é responsável por grandes vinhos no seu pais de origem, nomeadamente os Super Toscanos e os Brunelos Di Montalcino. Estou a falar da casta Sangiovese, que aqui pelo nosso país ainda não tinha aparecido, até que um produtor da zona do Torrão, que se situa geográficamente no Alentejo mas cuja influência vínica está em Terras do Sado, decidiu por mãos à obra e plantar um vinhedo desta casta. Passados 2 anos de idade da vinha, engarrafa este Anima L4 (em 2004).
Provado em prova cega. Apresentou um bonita côr Granada não muito carregada. No nariz o ataque é generoso e exótico com notas de caril e côco, depois vem então a fruta e a compota a tornar ainda mais apelativo o conjunto que termina sob fundo especiado. Na boca tudo está muito certinho a mostrar muita elegência, muita finesse e muita frescura que se despedem com boa persistência. Um vinho obviamente atípico mas ainda assim um belo vinho que foi feito a partir de videiras com apenas 2 anos, deixando no ar o que será quando estes tiverem mais de 5. Aguardemos.
Nota 17,5

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Do outro lado do mundo

Koonunga Hill Shiraz Cabernet 2003
Produtor - Penfolds
Região - Austrália
Grau - 14% vol
Este é quase um emblema dos vinhos australianos que se vendem aqui no nosso "quintal", tal a sua desseminação entre os locais de vendas de vinhos. É um vinho que pode ser considerado como um bom exemplo de vinhos Australianos e que é feito a partir de 2 castas sobejamente conhecidas entre nós, a Shiraz ou Syrah e o Cabernet Sauvignon. A primeira colheita remonta a 1976. Este vinho apresenta uma côr ruby carregada, quase opaca. No aroma está um vinho com boas notas de fruto maduro a lembrar amoras e alguma especiaria sob fundo de alcaçuz (o que tenho vindo a chamar de licorado, não sei se correctamente) que me agrada e que dá uma certa alegria ao vinho. Na boca um vinho com corpo, bons taninos e alguma sensação de álcool a torna-lo algo quente. Penso serem vinhos para apreciar em jovens mas que poderão ter alguma (pequena) guarda em cave.
Nota 15,5

Elegância

Chryseia 2000
Produtor - Prats & Symington
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Esta é a primeira colheita deste vinho de culto que resultou de uma associação, feliz, entre a familia Symington e Bruno Prats (Cos d'Estornel). Esta é também, na minha opinião, a versão mais conseguida em virtude de também se ter alterado o perfil do vinho a partir da edição de 2003. Este vinho é feito a partir das castas usuais do Douro, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e tinto Cão. O vinho estagiou em barricas novas de carvalho francês.
Provado em Prova cega. De côr granada com rebordo acastanhado, trata-se de um vinho já demonstrando alguma evolução no aspecto visual. Na boca está tudo muito bem, intenso, fino e elegante, monstrando aromas de fruta mas sendo a dominância pelos aromas de café, tosta, especiaria e alguns aromas animais e quimicos. Na boca a mostrar-se um vinho muito completo, profundo e macio que demonstra que envelheceu com calma e serenidade. Ligeiro ardor final por causa do álcool. Termina longo.
Nota 17,5

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