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sábado, 3 de setembro de 2011

Portugal Tour - O Final

Em jeito de resumo, apenas umas ideias acerca do que poderão esperar, de uma forma, generalizada das colheitas de 2009 em tintos e 2010 em brancos.
Isto não será propriamente futurologia, nem sequer serão umas conclusões. São sim impressões de alguém que teve a oportunidade de provar uma boa amostra de vinhos, mais de 1000 garrafas foram abertas, com especial destaque nas regiões do Douro e Alentejo.

É fácil estar duas semanas a provar vinhos, intensamente de manhã à noite a provar vinhos, quando estes pertencem a produtores que são considerados os melhores de cada região que representam. É fácil, pois à partida sabemos que o que provamos terá sempre uma qualidade média bastante elevada, e em alguns casos, tudo o que é feito é mesmo bom. Mas a verdade é que esta viagem também se centrou em produtores menos representativos e menos conhecidos, o que também serviu para perceber o que se anda a passar fora das luzes da ribalta do mundo vínico. Foram também provados "grandes" e "pequenos", ou seja, desde as grandes empresas produtoras, até ao mais singelo e nobre produtor que apenas faz uns poucos milhares de garrafas.


A ano de 2010
Depois das excelentes colheitas de 2007, 2008 e 2009 (apenas em Tintos), chega-nos a colheita de 2010. Se bem me lembro, foi um ano bastante diferente dos anteriores, que foram bastante secos, sendo 2009 o mais quente de todos. Em 2010 o que não faltou foi água, pelo menos até Julho, quando simplesmente parou de chover. Pelo meio de tanta chuva, algum míldio, e mais tratamentos que o "normal". Setembro e Outubro, novamente sem grandes percalços, pouca chuva e já só em Outubro, quando já não traria grandes dissabores. O resultado foi acabou por ser bem melhor do que se esperaria e os enólogos acabaram por ter excelentes uvas a entrarem dentro de casa.



Brancos 2010
Gostei bastante do que provei. Alguns produtores conseguiram, no meu entender, fazer os seus melhores brancos de sempre, também por cada vez conhecerem melhor as suas vinha, mas porque conseguiram fazer vinhos finos, com excelente acidez e frescura. No meu entender, estes brancos conseguem ser o oposto de 2009, que são volumosos e com falta de acidez em muitos dos casos. Os brancos de topo de 2010 começarão a sair em breve e vale mesmo a pena apostar neles, sobretudo nas regiões mais a norte, como o Dão, Douro e Vinho Verde. Estão excelentes, com excelente acidez e muito equilibrados.


Tintos 2009
Belíssima colheita esta de 2009, em tintos. Fiquei agradavelmente surpreendido com a qualidade geral dos vinhos e em vários casos, transversais a todas as regiões que visitámos, alguns produtores excederam-se mesmo, no bom sentido. São vinhos com excelente concentração, saborosos, largos, no entanto não perderam frescura e tensão. Muito bons. No Vinho do Porto, polémicas à parte, também uma excelente colheita com Vintage muito sérios e austeros. São 3 anos seguidos, 2007, 2008 e 2009, em que se fizeram grandes tintos por Portugal inteiro.

Numa época difícil, de contenção, e onde provavelmente o mercado interno abrandará, falta gerar reconhecimento internacional aos vinhos portugueses. Metade do trabalho está feito, ou seja, os vinhos têm qualidade, os vinhos portugueses estão cada vez melhores. Falta agora o empenho de cada produtor, de cada organismo promotor, na promoção de Portugal como um país com vinhos de excelência, de vinhos com carácter e diferenciados. Falta evangelizar lá fora, as nossas castas e as nossas regiões.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Portugal Tour IV

Continuando, desta feita pelas planícies Alentejanas. Foi uma viagem muito interessante, na sua esmagadora maioria por excelentes produtores, com excelentes vinhos, no entanto houve para mim uma mão cheia de produtores, o "Quinteto Maravilha", que se destacaram dos demais pela sua enorme qualidade e em alguns deles, pela mudança de estilo que operaram. Difícil foi mesmo escolher entre tantos bons produtores, mas adiante.


Herdade da Malhadinha
Este produtor, aliás, esta família sempre teve tudo para colocar sucesso na fabulosa Herdade que adquiriram. Podíamos começar por falar na idílica Herdade, no seu excelente projecto de Enoturismo ou na sua Country House, onde nada foi deixado ao acaso, no sentido de proporcionar o maior conforto aos seus clientes. No vinho, e desde o início, tem sido colocado um enorme esforço para trazer o melhor que as suas vinha dão, aos seus clientes. O objectivo tem sido amplamente conseguido, e graças a alguma afinação de perfil, no meu entender, nesta ultima colheita foi mesmo superado. A verdade é que por vezes parecerá algo fútil dizer que este, ou aquele, produtor conseguiram fazer o melhor vinho de sempre, mas, nunca esta afirmação foi tão verdadeira para esta produtor.
Tudo isto para dizer que o Malhadinha Tinto 2009 é, no meu entender, o melhor vinho que foi feito até hoje na Herdade. O vinho impressiona pela sua precisão e enorme profundidade. Remete-nos para algo misterioso, obrigando-nos a incessantemente procurar nas profundidades dos seu aroma. Por outro lado, a grande concentração de aromas e na boca, tornam-no no mais opulento Malhadinha, e isto sem perder, também um grande feito, a sua frescura e taninos. Adorei.
Ainda assim, isto não completa o cenário, uma vez que os brancos também são de especial interesse falar neles, uma vez que foi nestes, com destaque para o Malhadinha Branco 2010, que foi operada a grande mudança de perfil na casa. Quem costuma seguir atentamente os vinhos desta casa, certo reparou que o Malhadinha Branco sempre foi um branco muito bom, mas que sempre teve na sua juventude uma madeira que demorava a integrar (o 2008, recentemente bebido, mostra precisamente um branco ainda muito pouco evoluído, mas também ainda com a madeira por integrar), no entanto, 2010 é exactamente o contrário, um vinho cuja madeira aparece desde já muito bem integrada, e por isso mesmo torna-o mais fino, mais elegante. Excelente branco. De ressalvar ainda a qualidade apresentada, também, nos Peceguina, que se perfilam como uma excelente escolha para a gama/preço onde se inserem, apoiando-se na fruta e na frescura para darem enorme prazer. Finalmente, a recente gama de varietais da casa e o Pequeno João, que deixou de ser o vinho mais extraído da casa, para também ele, se tornar mais elegante. No varietais, fico sempre com um "sensação agridoce", pois se por um lado são vinhos muito bons, todos eles, por outro, não se destacam dos demais. Ainda assim, de entre eles, o meu destaque vai mesmo para o Alicante Bouschet, por ser um fiel depositário do perfil da casta, sem exagerar na extracção.
Os meus sinceros parabéns pelos belos vinhos que apresentaram.


Quinta do Mouro
O "Enfant Terrible" do Alentejo está no seu auge de forma, e é no meu entender o produtor que mais se destaca na região, muito por culpa do carácter e individualidade que imprime nos seus vinhos, tornando-os em vinhos que se desmarcam do Alentejo, com o seu estilo muito próprio.
Tivemos oportunidade de provar os Rótulo Dourado 2005/06/07/08, que pura e simplesmente deixaram-me siderado, de tão bons que são. Todos eles atingiam patamares de excelência, sendo que o 2005 e 2007, extrapolavam-se para grandiosos vinhos que estão ao alcance de muito poucos produtores atingirem. São vinhos profundos, que depositam na sua acidez e taninos, associados a uma textura invulgar, todo o seu esplendor. Mas é enganador pensar que apenas o RD é o que se faz na casa, com enorme qualidade, nada disso, os colheita e mesmo os Casa de Zagalos também impressionam pela sua qualidade, e no primeiro caso, as colheitas de 2007 e 2008, mostraram vinhos irrepreensíveis no sabor e nos deliciosos taninos. Um must, conhecer este produtor.


Dona Maria
Tenho mesmo por começar pelo magnífico Château que é a Quinta do Carmo, não confundir com a marca Quinta do Carmo que se encontra na posse da Bacalhôa Vinhos, o lindíssimo palácio de onde nascem os vinhos Dona Maria. Andar dentro de casa é remontar a tempos idos do Séc. XIX. Magnífico.
No que aos vinhos diz respeito, este é o produtor, a par do anterior e da Quinta de Zambujeiro, que lidera a região de Estremoz. Em toda a sua gama podemos encontrar vinhos excelentes. Começando pelo Rosé, um dos melhores do Alentejo, onde a secura e frescura o tornam numa excelente escolha de verão, podendo eventualmente integrar-se na meia estação. Bom Rosé.
No brancos da casta Viognier, o Dona Maria e o Amantis, a diferença entre o Inox e a Barrica. Se por um lado a frescura assenta no primeiro, no segundo a mineralidade, associada às notas de barrica. Não sendo uma casta que admiro, tenho a consciência que os apreciadores desta, irão encontrar o que pretendem nestes vinhos.
No tintos, dois colossos foram-nos foram apresentados, o Dona Maria Reserva 2007 e o JB 2007. Nestes, a capacidade de envelhecimento é evidente, pelos taninos que apresentam. São ainda muito jovens e vão precisar de muito tempo para chegarem ao seu auge, no entanto garanto-vos que são tão, mas tão bons. Adorei estes dois vinhos, que infelizmente parecem estar a dar que fazer ao Júlio Bastos, que pondera se os deve ou não lançar. Por mim era já, que eu quero-os na minha garrafeira.
Tive ainda a oportunidade de estar perante a difícil escolha dos lotes para o Amantis Tinto 2009, mas garanto-vos que está delicioso, cheio de sabor e com taninos redondinhos. Fácil de gostar e muito difícil de resistir.


Herdade do Esporão
Um dos maiores produtores portugueses mas cuja consistência dos seus vinhos, sejam ele o Monte Velho ou o Private Selection, é levada ao limite. Não se provou tudo desta casa, mas o que se provou, dá excelentes indicações do que são as próximas colheitas.
Impressiona-me sempre a qualidade dos Esporão Reserva, onde a qualidade notável, face à quantidade de vinho produzido. Atenção ao Esporão Reserva tinto 2009, que está excelente e é uma excelente RQP. Nos Private Selection, de destacar a cremosidade e amplitude aromática do branco 2010 e a densidade do fruto maduro e a estrutura de boca, aliada à elegância, no tinto. São sempre um porto seguro para quem procura um grande vinho. Excelentes.
Finalmente o novo Torre, de 2007, com aroma muito compacto de fruto negro, denso e profundo, grande amplitude na prova de boca, com toneladas de taninos, muito potente e longo. Um "Vin de Guarde" sem tirar nem pôr. Muito bem.


Zambujeiro
Um produtor "estranho", no sentido de infelizmente ser pouco conhecido, apesar da qualidade que apresenta nos seus vinhos. A verdade é que os seus vinhos, na minha humilde opinião, estão entre os melhores do Alentejo e mesmo de Portugal. Não são vinhos baratos, é certo, e será provavelmente essa a razão deste aparente desconhecimento. Outra razão poderá ser encontrada na sua enorme percentagem de exportação a que são sujeitos, em virtude do proprietário ser suiço. Os Terra do Zambujeiro são vinhos muito bons, com capacidade de guarda mas os tesouros deste produtor são mesmo os Zambujeiro, que atingem facilmente em todas as colheitas um patamar de excelência. São belíssimos vinhos que envelhecem muito bem. Enorme o Zambujeiro 2007, um caso sério de vinho, onde a Touriga Nacional mostra toda a sua arte, como componente de um lote, e onde a estrutura de boca e taninos mostra um vinho que precisará ainda de tempo em garrafa. Grande vinho, com carácter e enorme frescura. Adorei.




Continua......

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Portugal Tour III

Continuando pelo Douro......


Alves de Sousa
Outro dos meus produtores preferidos. Difícil sempre de avaliar e conseguir perceber qual o melhor vinho, tal a consistência que apresenta em todos os vinhos, com especial destaque para os seus topos de gama. O portefólio é extenso, no entanto, o vinho que mais me encanta, invariavelmente, é o Quinta da Gaivosa. Provámos a edição de 2008 que se mostrou, no meu entender, o mais aristocrático de sempre. Talvez o mais elegante de todos, mas explosivo na prova de boca. Maravilhoso.
Em excelente nível também se mostraram o Tapadinha TTT 2008, a mostrar que merece tempo em garrafa, o expansivo e largo Sousão 2008 (Uma reedição do 1999?), o sedutor Vinha do Lordelo 2009 que mostrou todo o seu perfume e finalmente o presumível Abandonado 2009, com uma profundidade e nervo ímpares a fazer lembrar o 2004. Um grande produtor duriense.


Quinta do Noval e Romaneira
Provavelmente, a prova mais impressionante da visita ao Douro. Porquê? Bem, se retirar da equação o sublime Noval Nacional 1970 e o fantástico Noval Colheita 1971, tive a oportunidade de provar em verticais os Quinta do Noval, Cedro do Noval, Labrador e Quinta do Noval Touriga Nacional, R de Romaneira, Romaneira e Romaneira Reserva. Que prova maravilhosa esta. No entanto, contrariamente ao que se pode pensar, a razão de toda esta euforia foi mesmo por causa da qualidade que apresentaram os Cedro do Noval. Imagine-se que todos as colheitas estavam pura e simplesmente ainda longe do seu auge, e com um destaque mais que merecido para as colheitas de 2007, 2008 e 2009. Fantásticos vinhos e soberbas relação qualidade/preço.
Começámos com os Romaneira, talvez a vertente mais elegante da prova, menos estruturados, mais finos e elegantes. os "R" a mostrarem-se muito prazenteiros, sem no entanto impressionarem. O Quinta da Romaneira, muito melhores, a mostrarem-se de grande nível nas versões de 2007 e 2008. Curiosamente, ambos os vinhos eram parecidos, não se notando a diferença do ano. Ambos a mostrarem que a guarda será boa conselheira.
Do alinhamento do Noval, começámos com os Labrador Syrah, que se mostraram muito bem, todos ainda jovens, mas com o 2009 a mostrar-se o mais fiel nas sugestões florais da casta, muito encontradas no Rhône.
Nos Quinta do Noval, outro excelente alinhamento. O 2005 ainda está jovem, apesar de se ter mostrado algo maduro. A seguir, 2007/8/9, a mostrarem-se muito jovens ainda mas com um enorme destaque para o 2008 que está um portento de vinhos. Impressiona na potência e na profundidade. Soberbo. Na senda deste, o 2009, ainda se mostrava algo fechado no nariz, apesar de dar uma lição na prova de boca. Excelente volume e potência aliada a uma sensação de elegância. Acidez penetrante. Um must para uma guarda prolongada.
Finalmente os Noval Touriga Nacional. Se tivesse que eleger a melhor Touriga Nacional do Douro, sem grandes dificuldades elegeria a da Quinta do Noval. Se tivesse que eleger o melhor Touriga Nacional que bebi até hoje, provavelmente em paridade com os Touriga do Álvaro Castro, seria mesmo o Quinta do Noval Touriga Nacional 2004. Esqueçam a vertente floral da casta, esqueçam a sedução quase enjoativa que por vezes ela representa e pensem numa Touriga cheia de profundidade, quase austera, cheia de tensão e de enorme precisão, para chegarem ao perfil destes Tourigas. São um exemplo fenomenal do que esta casta também pode ser.


Duorum
Outra excelente prova. Se eu tivesse que eleger o produtor do Douro que na colheita de 2009 terá dado o maior salto qualitativo, tinha de ser este. É que todas as garrafas que abrimos da colheita de 2009 estavam muito acima da média, e se considerarmos o Duorum colheita 2009, então, a diferença é abismal. Este vinho está simplesmente fantástico, com uma densidade e sedução abismais. Belíssimo vinho, que pelo seu preço é imperdível, nesta colheita.
Se já tinha ficado "gago" com o vinho anterior, o Reserva veio ainda trazer um novo patamar de excelência. O Duorum Reserva Vinhas Velhas 2009 apresentou-se muito jovem, profundo, denso, mas cheio de frescura (repare-se que estou a falar do 2009, uma colheita bem quente), mas, o que mais me impressionou foi mesmo a textura tão sedosa, num vinho com um final de taninos muito jovens. Apresentaram-se ainda duas grandes novidades, que não sei bem o que serão, mas que prometem e muito. Grande colheita para este produtor.


Symington
Ia com enorme expectativa para a visita a este gigante, pelo simples facto de ir visitar a lindíssima Quinta de Roriz, e pela primeira vez ir provar, lado a lado, todos os seus vinhos. Desta visita retive a qualidade que os Altano começam a apresentar em relação ao preço a que são comercializados. Seria de esperar vinhos simples, de consumo diário, mas, estiveram perante mim vinhos muito bons, com raça, muito bem feitos e cheios de sabor. Muito bem, Muito bem mesmo.
Noutra vertente, a qualidade da colheita de 2009, nos seus vinhos intermédios e com isto quero dizer que o PS 2009 e o Prazo de Roriz 2009 estão mesmo muito bons. Destes, o PS ganha pontos pela sua mineralidade, acidez e enorme sedução aromática. Vai ser difícil resistir a este vinho. Também no Chryseia 2009 um salto em relação à anterior colheita, este mostra-se mais amplo, com fruto decadente, bem ao estilo deste vinho. Está muito bem.
De notar ainda a excelente forma em que se encontram os Quinta do Vesúvio 2007 e 2008.

Continua.....

terça-feira, 19 de julho de 2011

Portugal Tour II

Continuando........


Dia 3 (29 de Junho de 2011)


Valle Pradinhos
Começámos muito cedo a provar. Eram 9h da manhã e já estávamos prontos. Começámos muito bem. Para mim, uma alegria pelo facto do branco de 2010 ter deixado aquele estilo "enjoativo", que ,e fez abandonar os brancos da casa. Parece-me uma reedição da colheita 2005, que aponta mais para o lado mineral do vinho. Muito bem.
Nos tintos um excelente Pradinhos 1990, ainda cheio de força e vigor, e um Pradinhos 2007 que se mantém fiel ao estilo da casa, muito terroso. É bom, quando as coisas ainda são o que eram, ou pelo menos aproximam.se disso.


Quinta das Apegadas
Para esta Quinta, um sonho de um casal, era a minha primeira prova a sério. Não me desiludiu, é certo, mas fiquei ainda com a sensação que há lugar a melhorar. Convenceu-me um estilo de branco de entrada de gama, muito fresco e muito descomprometido. Também precisamos de vinhos assim. No branco Reserva, a colheita 2010 pareceu-me muito melhor que a anterior, que já apresentava alguns traços de oxidação. Convenceu-me ainda um vinho, com o nome de código D60, que será o topo da casa. Muita profundidade e muita força num registo muito duriense.
Um produtor a seguir de perto.


Aneto
Não é para mim muito difícil provar vinhos que há partida sei que vou gostar. Eu sempre gostei dos Aneto quer fossem brancos quer fossem tintos. Ora, 2009 pareceu-me ter sido um grande ano para o Francisco Montenegro, o seu branco reserva está fantástico e a pedir mais alguma garrafa, o Aneto tinto está excelente, com tudo no seu sitio e também ele a pedir garrafa por mais uns meses pois vai ainda melhorar.
No final, os Grande Reserva 2008 e 2009 acabaram por me convencer. São vinhos no limite mas não podem deixar de ser considerados excelentes vinhos. Nenhum quis mostrar que está para beber e devem ser guardados por um par de anos. Os taninos ainda são colossais. Gosto deste produtor


Quinta Nova
Outro grande projeto do Francisco Montenegro. Esta foi uma prova muito iluminadora para mim. Em primeiro lugar porque fizémos duas verticais, de Touriga Nacional e de Grande Reserva, onde estes últimos mostraram-se todos excelentes. Desde a sua primeira colheita, a de 2005, os Grande Reserva mostraram-se ainda cheios de vigor, com taninos ainda jovens e muito saborosos. Todos em excelente forma. O 2007 mostrou-se diferente dos demais, com muito carácter no perfil aromático e o 2009 promete ser um dos grandes vinhos do Douro. Os Touriga são também muito bons, no entanto, não mostram a complexidade e os taninos dos grande Reserva. Nestes, também o 2009 se mostrou num nível muito bem. Excelente prova e um produtor que está a dar cartas no Douro. Muito bem.


Durante a tarde, visitámos a Quinta de la Rosa, onde tivemos oportunidade de provar os vinhos da Casa, os Poeira, os Real Companhia Velha e ainda os Lavradores de Feitoria. Em suma, uma tarde em cheio.


Lavradores de Feitoria
Ainda me lembro dos vários vinhos lançados por esta marca, que compreende mais de 20 produtores, que se associaram. Sempre gostei dos seus vinhos e agora fez algumas alterações no estilo de alguns dos seus vinhos. Nos brancos, excita-me a qualidade dos seus 3 bagos, que apesar de serem bastante baratos, são vinhos que dão enorme prazer e são muitíssimo bem feitos. Grandes RPQ. O Meruge 2007, está um vinho completamente diferente no estilo que o viu nascer. Apresenta-se super fino, super elegante, mas cheio de sabor e decadência. Irresistível.
Num estilo mais austero, apresenta-se o Quinta da Costa das Aguaneiras 2008, que quer ser um vinho que mostra de certo modo a dureza do Douro, as suas dificuldades. Está um vinhão, que precisa de tempo. Por fim o Grande Escolha, que me pareceu neste edição, a de 2008, muito completo, aliando a elegância à profundidade, à opulência e à largura de boca. Belo vinho. Uma prova muito consistente.


Poeira
É-me difícil falar deste produtor, sem me entusiasmar. Não é por mero acaso que se trata de um dos meus produtores preferidos no Douro, e tudo por causa do fabuloso Poeira. Por falar nele, um "aviso à navegação", o Poeira 2009 é enorme e imperdível.
Feito o aviso anterior, segue aqui um outro, o Pó de Poeira branco 2010 é provavelmente o melhor que o Jorge Moreira fez até à data e como tal vai entrar diretamente para os meus preferidos. Na versão tinto, o 2009, mostrou-se também ele de nível superior, encurtando um pouco a distância para o seu "irmão", o que no meu entender não é nada fácil. Magistral trabalho nestas novas colheitas.


Quinta de la Rosa
Mais uma emblemática Quinta no Douro. Associado a um enoturismo de charme, os seus vinhos continuam a melhorar ano após ano, e a sua colheita de 2009 está melhor que nunca. O Quinta de la Rosa Reserva 2009 é um vinhão, que alia a concentração e os taninos muito jovens, a uma frescura pouco habitual neste vinho. Pareceu-me muito bem mesmo. O La Rosa 2009 está delicioso, a mostrar que não será necessário gastar muito para termos à nossa frente um vinho que nos dá imenso prazer. Nos brancos a coisa é diferente e acabei por não ficar tão entusiasmado, apesar de se terem apresentado muito bem.


Real Companhia Velha
Ora aqui está uma das provas que aguardava com maior ansiedade, para sentir o pulso a este gigante do Douro, ainda para mais já com o Jorge Moreira (Poeira, La Rosa) à frente da enologia da Casa. A prova acabou por ser um pouco ensombrada com alguma peripécias mas de uma forma geral deu para perceber que existe muita vontade e talento para melhorar. Alguns vinhos, nomeadamente nas gamas de entrada, como os Murça ou Evel, estavam muitíssimo bons e a mostrarem que vale a pena gastar o pouco que pedem por eles. Nos topos, os taninos jovens indicavam que são vinhos de guarda, vinhos que ainda o tempo os terá de amaciar. A Companhia parece estar a querer voltar aos seus tempos áureos. A seguir de bem perto.


Continua.....

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Portugal Tour

Foram 2 semanas intensas, foram cerca de 3.000 Kms percorridos e mais de 1000 vinhos provados. Uma semana muito elucidativa quanto à colheita 2009 que se apresta, na maioria dos casos, para ser lançada no mercado. Serviu também para revisitar e consolidar a minha opinião pessoal acerca de alguns produtores e regiões, com destaque para os Vinhos Verdes, Douro e Alentejo.
Em suma, os Vinhos Portugueses estão muito bem e recomendam-se. A trilogia de excelentes colheitas, 2007, 2008 e 2009 veio mesmo demonstrar inequivocamente que este final de década acabou por beneficiar os nossos vinhos, no entanto, lá fora, continua-se a desconhecer este país vitivinícola.
Finalmente, obviamente que não vou escrever sobre todos os vinhos que provei e sobre todos os produtores que visitei, apenas me irei restringir aos produtores que mais me entusiasmaram. Que acabaram por ser bastantes.

1º Dia (27 de Junho de 2011)

Começou-se pela Região Lisboa, e com a visita a 2 produtores, Quinta de Sant'Ana e Quinta do Monte D'Oiro.

Quinta de Sant'Ana
Foi a minha primeira a este produtor. James Frost é o proprietário da casa, muito bonita, onde nascem estes vinhos. O encepamento passa por castas estrangeiras, onde se contam Riesling, Sauvignon, Merlot ou Pinot Noir e castas nacionais, Alvarinho, Verdelho, Touriga Nacional ou Aragonez (Tinta Roriz). Acabei por achar os vinhos francamente interessantes, destacando os Riesling, nomeadamente o 2009, o Pinot Noir 2009, e os Reserva. A seguir com atenção.

Quinta do Monte D'Oiro
Não podia ser mais diferente que a anterior visita. Em relação a este produtor apenas a confirmação da sua excelência. A verdade é que me parece que cada vez estão melhores os seus vinhos e alguma inflexão de estilo, no meu entender muito bem vinda, trouxe vinhos mais finos e elegantes, sem no entanto prejudicar a longevidade que aparentam. Por outro lado parece-me que a relação com Michel Chapoutier tem dado os seus frutos. Todos os vinhos apresentam estilos diferentes mas apresentam uma homogeneidade qualitativa impressionante. Para mim acaba por ser difícil destacar este ou aquele vinhos mas achei que o Lybra Branco muito bem feito e ajustado ao preço que vai apresentar. Por outro lado, os Reserva, o Syrah 24 e o Ex-Aequo, são vinhos que impressionam. Atenção, que as novas colheitas que se apresentaram são ainda muito jovens e precisam de algum tempo em garrafa e paciência, o que é difícil hoje em dia. Muito bem


2º Dia (28 de Junho de 2011)

Começou-se a odisseia pelo Douro. Este dia foi dedicado aos Douro Boys, Wine & Soul, Passadouro e Chocapalha


Quinta do Crasto
É sempre difícil escrever sobre este produtor, uma vez que já disse tudo sobre ele. A ideia que me fica sempre que provo os seus vinhos é a qualidade extrema e sobretudo uma consistência ímpar. Colheita após colheita estão entre os produtores de maior sucesso. A legião de fãs, eu incluído, continua e continuará a crescer. Por certo saberão do pedestal em que coloco o Vinha da Ponte e de certo modo fico triste quando não é produzido. Adoro a profundidade desse vinho. A colheita de 2009 apenas trará o Vinha Maria Teresa que está igual a si mesmo, sumarento, delicioso e balsâmico, apesar da juventude com que o provei, em amostra de casco. A qualidade está toda lá, como sempre.
Mas, é o Reserva Vinhas Velhas que mais impressiona pela sua consistência e qualidade, ano após ano, e se consideramos a quantidade de garrafas produzidas, então ainda mais. A verdade é que a preocupação com a qualidade é transversal a toda a gama deste produtor. Podemos encontra-la também no Crasto, branco e tinto, que são difíceis de não gostar e no Crasto Superior, que agora começa a dar os seus primeiros passos mas que promete. 2009 voltou a ser um belíssimo ano para a Quinta do Crasto.


Quinta do Vale Meão
Outro produtor de exceção, outro produtor ao qual não podemos apontar um vinho menos conseguido, um vinhos com desvio de qualidade. Impressionante que estes vinhos venham do Douro Superior. Tem de ser graças a um Terroir de exceção e a uma família talentosa que este vinho é o que é. Não conheço nenhum vinho no Douro com a textura aveludada que o Vale Meão tem, mesmo quando jovem. Os taninos aristocráticos são outra marca muito particular deste vinho. Se o Vale Meão já é por si só um "blockbuster", que dizer do excelente Meandro do Vale Meão, que perfila-se como um dos líderes no seu segmento de preço e onde ano a pós ano continua a encurtar a distância de qualidade para o seu irmão mais velho. Impressionante.
Nesta visita, tudo na mesma, ou seja, ambos excelentes os vinhos da colheita de 2009, onde o Vale Meão se destaca pela excelente concentração, sem perder a frescura e elegância. Ainda se revisitou o Quinta do Vale Meão 2005, que se mostrou enorme no seu potencial de guarda pois ainda está muito novo. Felizardo quem ainda tenha garrafas guardadas. Grande Vinho.

Quinta do Vallado
Tal como a Quinta do Vale Meão, esta é uma das quintas que pertenceu à da Dona Antónia, a Ferreirinha. Este produtor tem sido uma agradável surpresa nos últimos anos, onde saiu de uma situação monótona, um pouco inconstante, para a ribalta. A verdade é que em tempos fiz uma vertical dos seus Reserva e fiquei absolutamente rendido à qualidade e longevidade dos vinhos. Desde essa altura, fiquei sempre atento à evolução dos seus vinhos e à apresentação das suas novas colheitas. Penso que a mais valia deste produtor está nos seus vinhos de topo. Não quero dizer com isto que todos os restantes sejam maus, muito pelo contrário. A verdade é que os Reserva e o Adelaide são vinhos fantásticos e que se destacam dos demais. O produtor também faz alguns varietais e ainda brancos. Atenção ao Adelaide 2009, Reserva Field Blend 2009 e Sousão 2009. São todos eles vinhos fantásticos, no meu entender. Apesar de falar pouco dos brancos da casa, considero-os muito bons, mas penso que os tintos são os mais interessantes.


Quinta do Vale Dona Maria
Este produtor, cuja alma está sediada no Cristiano Vanzeller e mais umas quantas lindíssimas senhoras, é quem produz um dos vinhos mais sexy do Douro, talvez pela forte presença feminina, que é o Quinta do Vale Dona Maria. Como eu adoro este vinho de volúpia, elegância, feminino. A verdade é que enquanto o CV, o topo da casa, é habitualmente um vinho mais fechado, mais austero, em novo, este Vale Dona Maria é pura diversão.
A Casa ainda produz a gama Van Zellers, que nasce de uvas provenientes do Douro mas que são compradas a lavradores. Na prova foram apresentadas também as novidade em vinho do Porto, com a integração de tawny 10 e 20 anos, que garanto-vos são muito bons, com especial destaque para o 20 Anos. Também aqui pareceu-me que a colheita de 2009 deu bons frutos. O Rufo pareceu-me mais saboroso que em anos anteriores, o Vale Dona Maria é o Vale Dona Maria, que nunca deixa ficar mal, está estupendo, e o CV que será um senhor vinho daqui a uns anos. A gama Van Zellers mantém a sua qualidade/preço muito correta. Uma nota especial para os brancos deste produtor, que têm vindo a melhorar significativamente. Vale a pena apostar no VZ 2010.


A segunda parte do dia contemplou os vinhos do Jorge Borges e da Sandra Tavares da Silva e que compreenderam os Chocapalha, Passadouro e os seus próprios vinhos Pintas e a recente entrada Quinta da Manuela.


Wine & Soul
"Vinho e Alma" é o nome da empresa de Jorge Borges e Sandra Tavares da Silva e de onde nascem vinhos como os Pintas, Guru, Pintas Character e agora o novíssimo Quinta da Manoella VV (sim, passou de Manuela para Manoella). É sobre este projeto que gostaria de falar pois este Quinta da Manoella VV 2009 é um vinhão. A proveniência é a já conhecida Quinta da Manuela, que em tempos andava pelas prateleiras nacionais, e que agora, por herança, passa para a família Wine & Soul. Tive oportunidade de colocar frente a frente o Quinta da Manuela 2001 e este novo vinho. A comparação não é possível sob vários aspetos mas afianço-vos que este Manuela 2001 estava cheio de vigor, de vida, de complexidade. Está um senhor vinho. Por outro lado, o Manoella VV é realmente um belo vinho, ainda muito jovem, quase imbatível, onde os taninos ainda muito jovens e empertigados dominam o conjunto. Habemus Vinum
Quanto aos restantes, mais do mesmo.... Continuamos a ter um Pintas 2009, que alia a concentração à elegância, tornando-se num vinho sumptuoso e irresistível, continuamos a ter um Pintas Character 2009 que parece ter um pouco mais de nervo e de tensão associada à concentração da colheita, ao mesmo tempo que encurta a distância para o seu "irmão". Está muito bom este Character 2009.

Continua........




segunda-feira, 10 de maio de 2010

Borgonha

Cruz na Vinha La Tâche


Após uma aventura, chuvosa e fria, de 5 dias pela Borgonha.....

A Borgonha é um dilema. Assim de repente não estou a ver nenhuma outra região vitivinícola com as características e a complexidade da Borgonha. A Borgonha é realmente paradoxal mas no meu entender, é daí que vem todo o seu charme.
Mas de onde vem toda essa complexidade? Bom, pelo que vi e no meu entender, de várias situações:
A primeira pode começar nas vinhas. Imagine-se uma imensidão de vinhas, separada por pequenos caminhos e estradas, cada uma com seu nome, cada uma a resultar em vinhos com perfis completamente distintos. Parece-me uma tarefa impossível saber os nomes de todas as vinhas e conhecer o perfil de vinhos que cada uma dá.
Depois, imagine-se que cada uma dessas vinhas é detida, com a óbvia excepção dos monopólios, por um punhado de "vignerons" onde cada qual tem uma filosofia própria. Por exemplo, o Clos de Vogeot, está fragmentado em 82 pequenas parcelas detidas pelo mesmo numero de produtores. Ou seja, podemos organizar uma prova de uma só vinha, neste caso do Clos Vogeot, e ter 82 vinhos no alinhamento. É obra....
Os produtores também não facilitam a coisa, uma vez que cada produtor, para poder ter um negócio rentável, tem de ter na sua posse várias vinhas, de Regional a Grand Cru, de várias proveniências. Ora se contarmos os largos milhares de produtores que existem na Borgonha, cada um a deter várias parcelas de vinha, isto dá uma enorme e complexa teia.
Finalmente há ainda a diferença entre colheitas que de certo modo condicionam também o estilo dos vinhos, pois temos anos de grande estrutura e opulência, para uma guarda longa, como o 2005, anos de vinhos absolutamente irresistíveis para serem bebidos em novos como o 2007 ou anos em que todos afirmam que são os anos para os verdadeiros amantes da Borgonha, como o 2008. E isto só para relembrar as três ultimas colheitas.

Como disse anteriormente, toda esta complexidade, todas estas possibilidades revestem a Borgonha de um carácter muito especial. Todas estas nuances, podem de certo modo afastar muitas pessoas na hora de escolher, na prateleira, um vinho da borgonha, no entanto, para os mais insistentes, a recompensa é enorme, quando em frente a um grande vinho Borgonhês.

Adega Domaine Anne Gros


As adegas/caves

Entrar nas adegas da Borgonha é entrar num mundo completamente à parte. Se viermos de Portugal então, é a plena antítese do que temos por cá. Quer seja no Douro, quer seja no Alentejo, Algarve, Tejo, etc, uma coisa que vamos ver são as edificações das nossas adegas, quase sempre rodeadas pelas vinhas da própria casa, adegas modernas, por gravidade, com grandes tecnologias, etc, etc. Ora, na Borgonha, a grande maioria dos produtores tem a sua adega e cave, exactamente por baixo das suas casas. Uma delícia. Lembro-me do grande Emmanuel Rouget, quando chegamos ao seu reduto, olhámos para uma vivenda familiar, normalíssima, com uma garagem e um armazém. Entrámos exactamente pelo que parecia ser a garagem, com muitas ferramentas e uma ligação à casa do produtor, e de repente, uma zona escura onde existiam duas câmaras por baixo da casa, e onde estavam todas as barricas ali expostas. Na Borgonha, é basicamente tudo assim. Quem olha de fora, não consegue imaginar o que se passa por baixo. Outro do charme da Borgonha.


Vinhas Montrachet, junto, lá no alto Chevalier-Montrachet

As vinhas
A estrutura complexa de vinhas que existe na borgonha pareceu-me de certo modo um pouco simplificada, pelo menos da maneira que se apresentam no terreno. De um modo geral, junto às vilas, encontramos as vinhas que dão origem aos "Regional" e "Villages", à medida que nos afastamos para junto do topo dos montes, aparecem os "Premier Cru", e lá bem em cima, num certo pedestal, as vinhas de "Grand Cru", como que se olhassem de sombreio para todas as outras vinhas. É realmente aqui que a exposição solar favorece em maior quantidade estas vinhas. Existem em alguns casos algumas vinhas Premier Cru, que estão lado a lado com vinhas de Grand Cru. Essas são as tais grande vinhas de Premier Cru, e que em determinadas condições podem, em alguns anos, dar vinhos que ombreiam com os vizinhos Grand Cru. E aqui lembro-me de mais um paradoxo da Borgonha, pois por exemplo, um Village de determinada apelação, pode muito bem ser superior, em qualidade, a um Premier de uma apelação menos conhecida. Ou seja, provei por exemplo, um village de Vosne-Romanée que no meu entender era superior a Premiers de Pommard. Mais uma acha para a fogueira da complexidade.

Resumindo, a Borgonha é mágica pelas vinhas, pelos seus nomes e localizações, pelos seus intervenientes, os produtores, uns com estilo mais aberto, outros extremamente difíceis de lidar, pelos seus vinhos que podem ser intensos, elegantes, austeros, minerais, vibrantes, etc, mas no final, toda esta charmosa complexidade é apelativa, desconcertante, mas apelativa. A questão é aprender, provar, e, sobretudo para quem tiver a oportunidade de a visitar, sair de lá com a certeza de que se aprendeu, mas que continuamos sem saber nada.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

As novas tecnologias dão dores de cabeça

Sim é verdade, quantas vezes não damos por nós a coçar a cabeça para por a trabalhar este ou aquele aparelho, quantas vezes nos apetece partir tudo porque andamos horas para resolver qualquer situação relacionada com a utilização de um determinado aparelho.
Bem, eu pensava que tinha tudo controlado. Confiança no telemóvel/pda, para colocar todas as minha notas de prova, resumos de visita, enfim, tudo o que tinha sobre as minhas experiências vinícas estava no meu PDA (Samsung Omnia). Deixei a minha Moleskine, já ia na terceira, e passei a colocar tudo no PDA, sobre forma de notas. Poupava assim, dinheiro, também escusava de estar muitas vezes a escrever em pé numa letra quase ilegível para depois ter de chegar a casa e andar a decifrar os gatafunhos que tinha escrito.
Mas o pior acabou por acontecer. A minha confiança no equipamento, que levou a que não fizesse sincronizações regulares, acabou por ser a minha "morte". Com uma série de notas de prova por colocar e sobretudo com umas verticais e visitas a alguns produtores, o meu telemóvel acabou por "fritar". Com alguma esperança, ainda dei voltas e voltas para ver se mesmo avariado, conseguia sincronizar uma ultima vez. Tudo em vão. Foi para arranjar e logo me teceram aquelas palavras, que degluti em seco, "atenção que vai perder todos os dados que tem no equipamento", fiquei cá com uma azia......
Enfim, a vida continua, mas acho mesmo que vou voltar à Moleskine ou então sincronizar o equipamento assim que chegue de uma prova ou viagem.
Tal como referi, tinha no telemóvel as minhas impressões sobre 3 Verticais de vinhos do Douro, a saber, Quinta do Crasto Vinhas Velhas (2001 a 2007), Quinta do Vallado Reserva (1999 a 2007) e Quinta do Vale Dona Maria (2001 a 2007) e que vou acabar por não escrever sobre elas, no entanto, queria aqui referir as impressões que ficaram na minha memória:


Quinta do Crasto Vinhas Velhas
Foi uma prova fantástica, mesmo no meio das cubas de fermentação, por se ter podido verificar a coerência na qualidade, quase independente do ano de colheita. Lembro de um 2001, ainda cheio de vigor, numa fase excelente de consumo, um 2002, que estava muito bom, mas que acabava por não entusiasmar (aconteceu em todos os produtores), um 2003 a dar excelente prova apesar do perfil mais maduro, um 2004 simplesmente fantástico, o meu preferido de sempre, e com muito tempo pela frente. Ficaram 2005, 2006, e 2007, como vinhos muito jovens, a precisarem de tempo e de arejamento quando abertos. O 2007, muda cada vez que o provo, mas ainda lhe falta mostrar alguns predicados, que o tempo se encarregará de desvendar.


Quinta do Vallado Reserva
Esta foi uma prova muito reveladora para mim, pois na generalidade quase todos os vinhos apresentados, note-se que foi uma vertical completa, e com algumas colheitas a serem apresentadas em magnum, mostraram-se muito jovens e em alguns casos a mostrarem manifestamente necessidade de descanso na garrafeira. 2005 e 2007 foram os que mais gostei. Belíssimos vinhos.
2003 e 2006 a mostrarem-se em muito boa forma, 2003 numa toada mais quente, mais "jammy", mas a mostrar um equilíbrio notável. Estava muito bom. 1999 e 2000, ainda que algo diferentes, tinham em comum o facto de estarem muito bons para ser bebidos agora, não querendo com isso dizer que há pressa em consumi-los.
Fiquei bem impressionado com os Vallado Reserva. Notam-se algumas mudanças, no perfil dos vinhos, com o aumento substancial de Touriga Nacional no lote, mas creio que neste caso trouxe alguma mais valia aos vinhos.


Quinta do Vale Dona Maria
Não consigo esconder uma certa predilecção por este vinho. O Vale Dona Maria, costuma ser um vinho muito guloso, muito apelativo, e nesta vertical foi essa mesma a percepção que retirei.
2004 e 2005 continuam a ser os meus preferidos, com alguma vantagem para 2004, no entanto, 2007 esta tão perfeito, tão saboroso, que me leva a contar com ele para o futuro. Belos vinhos.
2003, continua a ser o vinho que não deverá evoluir como os restantes, mas, cada vez que o provo dá uma excelente prova. Está muito bem e recomenda-se.
2002, é muito bom vinho, mas falta-lhe a alma dos companheiros de anos seguintes e mesmo anteriores, pois 2001 estava absolutamente divinal. Belíssimo vinho, a mostrar que evoluiu bem, mas que ainda aguenta muito mais tempo.
Resumindo, são realmente vinhos muito saborosos, apelativos, sexy, se quiserem, têm aquele toque feminino, aquela sensação de luxuria.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Quinta do Vale Meão


Após o termino da European Wine Bloggers Conference, ainda houve tempo, para 30 felizardos, apanharem um autocarro de visita aos Douro Boys, no Douro.
Eu fui um dos sortudos que passou 2 dias no Douro, numa altura em que as vinhas começas a despir-se para enfrentar o inverno.
Já fui muitas vezes ao Douro, mas desta feita haviam 3 razões para não faltar a esta oportunidade. Em primeiro, poder pela primeira vez visitar a Quinta do Vale Meão, em segundo, andar pela primeira vez de comboio no Douro e fazendo o percurso bem junto ao Rio, e terceiro, o facto de o douro estar repleto das mais variadas côres nas vinhas.

E assim foi que, após uma longa, mas gratificante viagem, chegámos à Quinta do Vale Meão. Saídos das estradas principais, em direcção à quinta, passamos por caminhos bem estreitos, que não são mais que um teste à capacidade de atenção do condutor do nosso autocarro. A entrada na quinta apresenta-se numa placa de pedra.

Para nos receber estavam o Francisco "Vito" Olazabal e seu filho, o enólogo da casa, Francisco "Xito" Olazabal. Dois dos quatro pilares da casa. O terceiro, acabou por se juntar a nós, já na casa, a Luisa Olazabal. É ela quem trata logistica e da parte comercial dos vinhos do Vale Meão.

Mal chegamos e fomo-nos dirigindo para a adega. Esta, a ultima a ser construida, pois existe ainda uma outra adega, que o tempo disponível acabou por não permitir visitar, é uma adega de humildes dimensões, mas que permite ao produtor vir fazendo em condições perfeitas todo o vinho que produz. Estou muito habituado a ver adegas e pode parecer que são sempre a mesma coisa, mas cada uma é sempre diferente da vizinha. Nesta, nasce um vinho chamado Vale Meão, que nenhuma outra, em lugar algum do mundo o faz. E assim, fico sempre contente quando tenho a oportunidade visitar mais uma adega.
Do pouco tempo que passámos na adega, ouvimos as explicações do Xito, explicando um pouco a filosofia da casa e dos seus vinhos. Interessantes as explicações do trabalho de barricas, que me fizeram todo o sentido. Aqui, pretende-se o uso de barricas para trazer algo mais aos vinhos, mas não se pretendem vinhos marcados pelas mesmas.

Saídos da adega, acabamos por entra numa camionete. Fez-me lembrar os meus tempos de Militar, onde por inumeras vezes entrava, acompanhado pelo pelotão que dirigia, para de seguida avançar para o mato. Boas recordações. Curiosamente, mais tarde, no Crasto, acabámos por novamente entrar numa destas camionetes, mas desta feita de caixa aberta.

Chegavamos à casa que pertenceu a Dona Antónia Ferreira, a Ferreirinha. Esta foi a ultima casa a ser construída, e a unica que acabaou por ser construida de raiz. Na altura, nada havia por estes lados. Não havias estradas, não haviam construções. Nada. Um deserto. Foram 10 anos que levou a Ferreirinha a construir estradas e casas para os seus trabalhadores. Hoje, a casa pertencente aos Olazabal, Vito é descendente directo da Ferreirinha, é um recanto de história relacionada com a Grande Senhora do Douro. Nesta casa ainda se mantêm todas as mobilias originais que a Dona antónia ali colocou. É uma casa senhorial lindissima, de traços rectos mas generosos, onde hoje em dia, tem como comandante a Maria Luísa "Zinha" Olazabal, o quarto pilar da Quinta do Vale Meão, e esposa de Vito. Quis os destino que duas enormes familias do Douro e do Vinho do Porto, se unissem. Vito é, como já escrevi, descendente da linhagem de Dona Antónia, e Zinha apenas e só, como se não bastasse, filha do criador do Barca Velha, Fernando Nicolao de Almeida e simultâneamente uma Ramos Pinto.
Poderá estar explicada então a ligação, que todos conhecem, do Barca Velha à Quinta do Vale Meão.

Embora estivesse ansioso por entrar na Casa que pertenceu à Grande Senhora, não consegui, mal cheguei, desviar a vista de toda a vinha que está em frente da casa. Uma sensação de conforto, de nostalgia, de sossego, me assolava. A visão era linda, apenas um pouco perturbada pelos postes de alta tensão. Mas todo este lugar me transmitia calma e serenidade. Lindo.

Após umas entradas, onde se contavam umas Bolas de Carne, uns frutos secos e uns enchidos assados voltamos à casa para um almoço que se veio a tornar revelador para mim. Sentámos-nos à mesa e a acompanhar um belíssimo repasto, iam chegando os vinhos:

O primeiro foi o Meandro do Vale Meão 2006. O vinho apresentou-se em boa forma, pouco evidenciando um vinho de um ano mais difícil. Repleto de fruto maduro, muitas sugestões florais e especiadas, este vinho mostrava-se quente nos aromas. Na boca mostrava potência mas sem abusar. Ainda vislumbrei fineza no conjunto. Estava equilibrado, a mostrar que estava a dar uma excelente prova. Na boca mostra uma vertente compotada e com taninos muito sumarentos e redondos. Não sendo o cumulo da complexidade, é muito bom vinho.
Nota 16,5

O primeiro Vale Meão a chegar, em garrafa Double Magnum (3l), foi o 2004. Estava fantástico. Muito jovem na côr, sem mostrar qualquer indicio do peso da idade, este Meão mostrava um nariz cheio de fruto maduro (amoras, ameixas), sugestões de cogumelos, ervas aromáticas e ainda algumas especiarias.
Na boca mostrava toda a sua juventude, com taninos muito presentes, mas muito finos. e arstocráticos. Excelente na acidez, Terminava longo e cheio de vigor. Ainda com muitoas anos pela frente. Grande Vinho.
Nota 18,5

Para o fim estava guardado outro "bom bocado". Servido em Magnum, chegava o Vale Meão 2000. Delirante no aroma. Complexo, muitas notas de cogumelos e de trufas a sobreporem-se à fruta densa e madura, cabedal e ainda alguma confitura. Dá lembranças de um Porto, sem a aguardente. Impressiona.
Na boca é pura seda, puro veludo. Os taninos são dóceis, aveludados e sedosos. O vinho tem corpo, tem taninos, tem acidez, mas tudo se conjunga para o enorme prazer de quem tem a oportunidade de o beber. Termina longo e cheio de sabor. Belo vinho.
Nota 18,5

Acabou-se com um vintage. Mas acreditem que me fixei de tal maneira numa tarde de Limão merengada, que quando já tinha saído é que reparei que nem o tinha bebido. Enfim, nem só de vinho vive o Homem. Grande visita e sobretudo grande recepção por parta da família Olazabal.

Ficaram para o caminho, e para o combóio, as castanhas assadas, no Meão.......



terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um oásis em Albernoa




Estavam chegadas as férias e como em todos os anos, pelo menos ultimamente, começo a tentar convencer a família a ir para um lugar, onde haja piscina, praia, sol, calor e no meu caso pricipalmente, vinho. Esta é uma tarefa àrdua pois a atenção que é desviada da familía em muitos fins de semana, durante um ano quase inteiro, é reclamada na sua totalidade agora em férias.
Este ano, até que foi fácil. Bastou ir ao site da Malhadinha, e...pimba, já estavam convencidos. O site da desta Herdade é de tal maneira "guloso", que se torna difícil resistir.

O caminho para a Malhadinha, pelo IC2 que liga a A2 a Beja, é bem alentejano. Quase, e só, a dourada planície de pasto repleta de sobreiros, e aqui e ali, pincelada por pequenas manadas e populações. Após umas dezenas de quilómetros e já ansiava pelo verde das vinhas. Alguns minutos antes de Albernoa, eis que se vislumbra o oásis de verde, a contrastar completamente com a paisagem a que estávamos habituados pelo caminho.

O Herdade da Malhadinha é composta por duas realidades bem distintas, a do Vinho, onde se conta a adega, e a do Country House & SPA. Comecemos pois pela segunda:




O Country House & SPA, é simplesmente uma delicia. Tudo pensado ao pormenor para agradar que lá passa uns calmos e revigorantes dias. Dá para pensar, olhando para os limites dos montes, dá para ler os inúmeros livros dedicados ao Vinho, que por lá clamam quem lhes pegue. Dá para adormecer, numas das camas ao ar livre. Ali, tudo tem como único propósito, agradar os clientes. Tudo é pensado para o nosso conforto. Um Show.


A Piscina, que me fez lembrar de certa maneira a da Quinta do Crasto, é um ex-libris. Debruça-se sobre as vinhas e tem uma temperatura controlada, que nos dias de mais calor refresca sobremaneira e nos dias mais frios torna-se acolhedora.


O staff é incansável e atencioso. O pequeno almoço é genial, com recurso a excelentes produtos feitos na casa. Conta-se o pão, a fruta sempre fresca, as compotas, os enchidos e imagine-se, o presunto Sanchez Romero, que é simplesmente um vício.
Nas horas de menos calor, nomeadamente logo pela manhã, existem inúmeras actividades como, passeios de bicicleta ou de jipe, pela Herdade e ainda acções mais variadas como Workshops de cozinha, dança do ventre ou mesmo de trabalhos em barro. Todas as semanas é diferente, o que diz bem do dinamismo que imprimem neste "Hotel de Charme".


À noite começa a magia e o mágico de serviço é o Chef Vitor Claro, que com a simplicidade que lhe é característica e com a excelente matéria prima de que dispõe, consegue manter junto de si, todos os clientes alojados no Country House. Cheguei a pensar inúmeras vezes como era possível, com tal simplicidade, ter uma cozinha tão arrebatadora. O Chef Vitor Claro foi feito para este lugar e este lugar para ele. Brilhante na cozinha, sem grande protagonismos e excessos desnecessários, podemos ter a certeza de que cada jantar será diferente, mas repleto de sabor. Aconselho vivamente.

Não há muitas palavras que possam descrever fielmente os dias que por ali passei, mas fica aqui a sugestão para que, quem possa, assim a carteira o permita, ir deliciar-se "in loco" com este idílico lugar, bem no meio do Alentejo. Fabuloso.




Quando lá estive, a meio de Agosto, já se vindimava forte e feio. O calor abrasador, e a consequente escalada nas maturações, ditou que as vindimas começassem mais cedo. Quando lá cheguei já os brancos já estavam na sua maioria dentro da adega e começavam a chegar os tintos em força. Provei algumas uvas, que me pareceram muito bem de saúde. A ver vamos o resultado desta vindima de 2009.

Mas estas duas vertentes são apenas as principais que compõem a Herdade da Malhadinha. Existem ainda mais áreas de negócio, como o Porco Preto, que é na sua totalidade adquirido pela Sanchez Romero Carvajal, com excepção de uma quantidade residual que serve o Restaurante da Casa. As Vacas Alentejanas e ainda a velha paixão, mas ainda um pequeno e recente negócio, da família Soares, que é a criação de Cavalos Lusitanos.

Em conversa com João Soares cheguei a perguntar-lhe como tinha chegado até aqui? Poderia dizer que foi o destino, que foi a paixão, mas na realidade o João e seu irmão Paulo já conheciam bem esta herdade deste muito jovens. Contou-me que era ali mesmo que com 15 anos vinham caçar, outra paixão dos irmão Soares. Na altura, esta Herdade, que já tinha o nome de Malhadinha, estava completamente abandonada, com apenas a lembrança do que em tempos foi uma casa, e desde que se lembram, uma ruína que por ali teimava em permanecer. Quando procuravam um local para assentar arrais, voltaram ao mesmo local onde sempre caçaram, que sempre conheceram, e, mesmo sem quaisquer vinhedos como referência nas imediações (curiosamente bem pertinho, e ao mesmo tempo, nasceu um projecto de vinho e enoturismo)., iniciaram um projecto de vida. Um tiro no escuro? Não, nada disso. Acercaram-se, aliás, convenceram o Enólogo Luís Duarte, fizeram análises aos solos e meteram de imediato mãos à obra. Como sempre, e tendo como referência o próspero negócio de sempre, das Garrafeiras Soares, conseguiram levar a cabo mais um projecto de enorme sucesso.

Como é óbvio, não podia deixar de falar dos vinhos, que acabei por beber no Restaurante. Fiquei com excelente impressão dos brancos de 2008 e dos tintos de 2007.

O Peceguina branco 2008
Está imbatível na relação qualidade/preço. Ganhou alguma complexidade, mercê da inclusão de Viognier no lote, mostra notas anisadas, citrinas e vegetais, mas é na frescura que tem o maior aliado. Na boca tem tem bom volume, frescura e equilíbrio.
Nota 16

O Malhadinha 2008 branco
Ganhou mais frescura, maior profundidade e está um senhor branco.
Aroma muito fresco, com notas vegetais reconfortantes. Fruto delicado e definido. Mineral e com as notas de barrica muito bem integradas. Aqui houve trabalho. Na boca mostra-se com excelente volume e alguma contenção. Acidez perfeita e equilíbrio excelente. Belo branco.
Nota 17,5

Malhadinha 2007
Pareceu muito mais intenso que nos anos anteriores, mercê de uma Touriga Nacional de enorme qualidade. É fresco, de fruto bem maduro. É preciso e bem desenhado.
Enorme no sabor e na persistência. Muito bem.
Nota 17

Ainda bebi o Malhadinha 2003, que esteve muito bem e achei que estava num momento excelente para se beber e o Marias da Malhadinha 2004, que junta o exotismo e o carácter com uma enorme complexidade. Estava soberbo no nariz. Na boca, ainda jovem e algo quente, a mostrar que pode muito bem aguentar mais uns anos em cave.


Resumindo, um local maravilhoso para se passarem uns dias, para relaxar e ser literalmente servido do melhor. Para quem gosta de vinho, uma adega e uns vinhos de enorme categoria. Que mais se pode querer? Fiquei com enorme vontade de voltar ao Country House e também à adega pois provei boas coisas nas barricas.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

E foi assim há 214 anos......


Já contava as semanas, os dias, as horas para o chegar deste dia. Cheguei a sonhar com o momento. A ansiedade, o nervosismo, a antecipação, tomavam conta de mim. Não era caso para menos, pois ia satisfazer um sonho de há muito. Beber um madeira do Séc. 18.
Ainda mesmo antes do evento, para mim solene, de beber um vinho histórico, pesquisei o que se passou pelo ano de 1795, o ano em que nasceu este vinho, um Real Vinícola da Madeira Terrantez 1795.
Em Portugal era D. João VI, O Clemente, que como regente, em virtude da doença de Sua Alteza Real D. Maria I, governava Portugal. Na Europa fervilhavam as revoluções, e em França, morria Luís XVII, filho de Maria Antonieta, com apenas 10 anos. Em breve iniciaria-se a era Napoleão Bonaparte. Enfim, foi há 214 que nasceu este vinho.
Estava chegado o dia. Cada um dos presentes, todos amigos, tinha a missão de trazer algo especial, que pudesse acompanhar o actor principal da noite, também ele trazido por um dos presentes. Uma noite inesquecível....





Começávamos, ainda com luz solar, com o Champagne da praxe. O eleito foi um Billecart Salmon Blanc de Blancs 1998. Que bela maneira de começar. O vinho nem parece já ter 11 anos. Jovem, muito jovem, ainda muito primário e explosivo na boca. É bom que se farta, mas precisa de tempo para ganhar muito mais.
Sem mais demoras, e já com o primeiro prato às mãos, veio um duelo, às cegas. Leoville las Cases 92 vs Chateau Montelena Cabernet Sauvignon 92. Apontámos quase todos, no caso do Leoville, para anos 80. O vinho estava algo evoluído, mas mostrava uma fineza, uma precisão invejável. Já o Montelena, menos evoluído na cor, mostrava-se um vinho quente, algo bruto, mas ainda assim, equilibrado, vivo e com enorme potencial. Gostei mais do Leoville, pelo momento perfeito em que se encontra para ser bebido, no entanto o Montelena, pareceu-me que terá um futuro mais brilhante.



Chegava um Foie Gras, e com ele o primeiro fortificado da noite. Uma entrada triunfal do grande Noval 1880. Impressionante a jovialidade, o sabor, o final quase eterno num vinho fino, delicado, mas cheio de nervo e profundidade. Foi simplesmente mágico beber este vinho.



Após algum tempo de conversa e deleite pelo vinho anterior, chegava a altura dos brancos. A ideia era começar com um Champagne Perrier Jouet de 64, mas este, estava completamente imbebível. Assim, partimos para os brancos secos. Às cegas, chegou o primeiro. Um Domaine Gauby Vieilles Vignes 2004. Que bela surpresa. Apostei na Borgonha. O vinho tinha um equilibrio notavel, uma mineralidade evidente e algo de etéreo, apesar de ainda estar muito jovem e fechado. Muito bom. De seguida, dois brancos de renome. Um Coche-Dury Mersault 2000 e um Roulot Mersault-Perriéres 2001. Se por um lado o Coche-Dury apresentou uma má garrafa, muito evoluída, com notas caramelizadas e uma boca chata, que evidenciava um problema, comparativamente às anteriores que provei, o Roulot, encheu-me as medidas. O vinho tem tudo: tem elegância, tem intensidade, tem mineralidade, tem precisão, tem charme, tem profundidade, tem sabor e tem nervo. Impressionante este vinho.



Três tintos se seguiam na continuação da noite. Vieram os dois primeiros, um Chateau Le Gay 88 e um Domaine Dujac Charmes Chambertin 95. O Le Gay, foi o vinho que mais conversas gerou. No primeiro impacto exclamei que se tratada de novo de um Bordéus. De repente, fecha-se em copas, e começamos a divagar a sua origem. Não me impressionou especialmente, este vinho, mercê de alguma falta de profundidade, de intensidade. O oposto do Dujac. Mais uma vez, a emoção de provar um grande vinho. Sinto alguma vaidade por ter acertado no produtor. O seu perfume é inconfundível (já tinha bebido este mesmo vinho 2 meses antes). Ligeiro volátil no nariz e uma sensação de confusão, marcam o de inicio, o aroma deste vinho. O vinho começa então a desabrochar, a tornar-se cada vez mais limpo, cada vez mais preciso, cada vez mais expressivo. Podia passar horas e horas a cheirá-lo. Elegante, profundo e sedutor. Que mais se pode querer num só vinho. Melhor que isto só mesmo......:). A terminar a série veio um Batuta 2001. Em forma, e para mim, o melhor Batuta.




Port time.....Aqui tivemos um frente a frente, em espécie de tira teimas. Já por várias ocasiões se falava neste confronto, por muitas vezes se "encostou o enólogo à parede" a fim de tirar satisfações. No mínimo foi elucidativo. Ora aqui tínhamos um Fonseca Guimaraens Vintage 76 e um Fonseca Vintage 77. O Fonseca 76 é um dos grandes portos que já tive oportunidade de beber e não consigo ficar indiferente a este vinho cada vez que o bebo. O Fonseca 77, de um ano clássico, de um ano maior, sempre foi também um vinho que adorei, sem no entanto alguma vez o ter provado junto com o seu rival de hoje. Não foram fáceis as conclusões, no entanto, para mim, acabou por, "ganhar" o 77. É quase a história da Bela e do Monstro entre um vinho delicado, fino, elegante, expressivo e profundo contra um outro possante, denso e volumoso. Duas versões distintas, de dois grandes vinhos.



Decantado há cerca de 5 horas, esperava por nós o Rei da festa. falava-se muito e de muita coisa, parecendo que ninguém se sentia com coragem para o chamar. O anfitrião deu a palavra de ordem. Um simples "vá"!!! E já se corria para escorrer o precioso liquido para os copos. Aquando da sua abertura, todos o provámos, ficando desde logo uma total ideia de que teríamos algo grande. Para mim, que estava ansioso, sem saber o que esperar, apenas almejando ter a fortuna que outros já tiveram em vinhos tão antigos, a minha primeira impressão foi de alívio. Reconhecia-lhe pedigree, mas já estava decantado há 5 horas. Teria-se desmoronado? Era a altura de ver como estava. O primeiro impacto caía que nem uma bomba. O vinho estava mais expressivo, mostrava enorme exotismo e frescura. Sem pensar levei-o à boca. Monumental. Tornou-se mais espesso, mais saboroso, mais vivo e fresco. Faltavam-me palavras e sorria de alegria, para não chorar. Um episódio que jamais esquecerei. Estava perante um vinho monumental, que nasceu há 214 anos, e que ainda por cima nasceu no meu país. Inesquecível.

Foi uma noite única, pelo alinhamento dos vinhos, uma noite de sonho, por ter tido finalmente a honra de beber alguns deles, mas sinceramente que todos estes sentimentos, todas estas emoções, tiveram um sabor muito maior, muito mais especial, por tê-los partilhado à mesa com amigos, de quem gosto muito. O vinho é mesmo isto, partilha de emoções. Novamente..... Inesquecível.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Volta a Portugal em 3 dias - Quinta de La Rosa




Ainda não estávamos refeitos da noite anterior, que terminou já depois das 3h da manhã, e já estávamos de saída do Hotel Vintage House, no Pinhão, a caminho da Quinta de La Rosa. Com algum atraso, mesmo, assim, lá chegamos à quinta, que se situa apenas a 3Km do Pinhão.
Para nos receber, estava já pronta a Sophia Bergqvist, que é nada mais nada menos, que a actual administradora da Quinta e bisneta do fundador da mesma. O Douro estava lindo, sem pinga de nuvem, com um calor matinal a prometer. A Sophia parecia também ela estar radiosa e bem disposta, pois recebeu-nos com uma enorme simpatia, que aliás lhe é característica. Tudo nos conformes para uma visita de sucesso e plena de interesse.


Começámos com a história da Quinta, onde fomos-nos apercebendo dos altos e baixos da família Bergqvist e os altos e baixos da Quinta, que quase sempre coincidiam com as graves crises económicas pelo qual o mundo passou. A meninice de Sophia foi passada ali, naquele lugar, que tem uma enorme magia, mercê da história que respira, basta ver o museu que é a Quinta de la Rosa, e também da vista exclusiva, como poucas quintas poderão alguma vez ter. Na altura, o que hoje é asfalto, era poeira, o que hoje é limpo, era sujo, no entanto, tal como nos confidenciou, havia sempre algo que a chamava para o Douro, havia já o chamamento para o seu destino, que já estava traçado há muito. Uma Consultora, que ganhava muito dinheiro, acabou por ser chamada para gerir a quinta da família. Não deve ter sido decisão nada fácil, pois por um lado o apelo forte do dinheiro, a vida já feita e prospera, mas por outro o coração, a paixão e o dever para com os seus antepassados. Começou obviamente por ser difícil, mas a sua paixão por aquela Quinta, por aquele Rio, e por aqueles vales, acabou por falar mais alto.
Bem haja, pois hoje é uma das poucas mulheres, de "Barba Rija", que governam os destinos de casas emblemáticas no Douro.

Um autentico museu é o que poderíamos chamar ao interior das habitações da Quinta de la Rosa. Cada canto, cada divisão está repleta de história da família. Ali, tudo é guardado com o maior carinho e devoção, desde a colecção de livros, passando pela mobília histórica e terminando na extraordinária varanda de cortiça, com uma incrível vista para o douro, que o avô de Sophia ofereceu à sua mulher. Cada passo que se percorre nestas casas, confunde-se com a própria história do Douro Vinhateiro. O meu primeiro apelo é realmente, para que quem nunca visitou, não hesite em entrar no espaço histórico da Quinta de la Rosa. Monumental.
A adega ainda mantém os traços dos tempos idos, onde se contam os velhos tonéis de vinho do Porto, o espaço reduzido de trabalho, mas que vai chegando para a encomendas e os lagares entretanto já adaptados a novas eras.
Muito bonita esta Quinta de La Rosa, que curiosamente já lá tinha estado, mas não tinha tido a oportunidade de a varrer a pente fino. Deslumbrante.

Passámos aos vinhos, obviamente, que a vontade já apertava. Acabámos por provar as novidades da casa, da ultima colheita.
A Quinta de la Rosa é daquelas quintas que tem uma matéria prima invejável, no entanto nada se faz sozinho, e no caso da la Rosa, existe um maestro, de seu nome, Jorge Moreira, que conduz, o destino dos vinhos desta casa.
Começámos pelos brancos, onde o Dourosa 2007 se mostrava bem fresco, bem apetecível, com notas vegetais e de citrinos. Por outro lado o Quinta de la Rosa 2008, mostrava-se fresco mas com uma excelente estrutura e equilíbrio. É um vinho mais sério, um vinho onde a barrica está cada vez mais afinada e cuja frescura e acidez mostram um vinho com possível guarda para os próximos anos. Muito bem feito e saboroso. Gostei bastante.

Nos tintos, o Pó de Poeira 2006, do Jorge Moreira, abria o caminho. Um vinho com um aroma fantástico e cada vez mais bem definido, onde sobressaem as notas florais, de frutos maduros e apontamentos minerais. Um vinho intenso, quanto rebelde. Mostra a natureza das vinhas mais jovens. Um vinho de irresistível sabor, um pouco quente, mas que não belisca o conjunto.
De volta aos vinhos da Quinta, foi a vez do La Rosa Reserve 2007. Mostrava-se um pouco fechado ainda, no entanto, as notas minerais, o fruto maduro e as notas de barrica mostravam o que nos vai aparecer dentro de alguns meses. Um belo vinho. O equilíbrio já é notório, e o final longo afiança a qualidade. Excelente.

Nos portos, o Vintage 2007, era o que mais aplausos agarrava. Está muito bem, com as suas notas de fruto preto bem maduro, licor, notas florais e as invocações minerais. Pareceu-me um perfil mais doce, mas equilibrado.
Parece estar já bem disponível para a prova, mas tem austeridade, taninos e estrutura para as próximas décadas. Muito bem.

sábado, 1 de agosto de 2009

Volta a Portugal em 3 dias - Parte 1

Não, não se trata da conhecida volta a Portugal em Bicicleta. Tratou-se sim, de uma viagem com principal tema, os vinhos Portugueses. Conseguimos em 3 dias visitar quase todas as regiões vitivinícolas Portuguesas e provar os vinhos destas. A comitiva era internacional, composta por 3 Portugueses, 2 Ingleses (Tamlyn Currin e Richard Siddle, da Jancis Robinson Team e Harper's Magazine, respectivamente) e 1 Brasileiro (Guilherme Rodrigues da Revista Gosto). Foi uma experiência alucinante, frenética e divertida. Para mim ainda teve uma dose mais de stress, uma vez que fui quem estruturou e organizou o programa das visitas e tinha de andar sempre preocupado com os horários. No entanto, acabou por ser uma experiência divertida, cheia de humor, de ocasionais gargalhadas (ahhh grande humor britânico) e obviamente de cansaço à mistura.
A ideia foi de mostrar um pouco do melhor que se faz por Portugal. Obviamente que tantos produtores teríamos de visitar, tantos vinhos teríamos de provar, para que a amostra do que de melhor se faz por cá, fosse completa. Missão impossível em apenas 3 dias.
Ainda antes de iniciarr-mos o periplo, foi-me perguntado, pelos Ingleses, o que eu esperava deles nesta visita. Eu respondi apenas, que se divirtam, que abram a mente e recebam os nossos vinhos. Não quis reportagens, não quis notas de prova, apesar de saber que afinal e-lhes impossivel não o fazer, apenas que se divertissem com os nossos vinhos, com as nossas paisagens. É assim que deve ser o vinho, um motivo de alegria, de bem estar. Foi mesmo assim que passamos todos estes dias. Cansados mas alegres e felizes.

Começámos no dia 27 de Julho, pelo Norte, mais propriamente pelo Douro. Saídos pelo final da tarde, a nosso destino, e único neste dia, seria a Quinta do Crasto. Atraso para aqui e para ali, acabámos por chegar à Quinta, já perto das 23h. Coitados dos anfitriões, que esperavam por nós. Infelizmente as viagens em grupo têm destas coisas, quase incontroláveis. No entanto lá estavam o Pedro Almeida e o Tomás Roquette, à nossa espera, com um sorriso para nos receber. A noite estava óptima, calorosa e amena, o breu já espalhado totalmente, circundava o Crasto e não permitia vislumbrar aquela vista maravilhosa. Os escassos reflexos do Rio Douro e a sombras da habituação da nossa vista ao escuro só permitiam ver os contornos das curvas do Douro. Melancólico mas ao mesmo tempo uma sensação de algo imponente, pela nossa frente.
A visita começou com uma prova, nocturna, das ultimas colheitas. Provaram-se os vinhos que estão no mercado e os que se aprestam a sair em breve. Crasto 2008, Crasto Vinhas Velhas 2007, Maria Teresa 2007, Vinha da Ponte 2007, Crasto LBV 2005 e Crasto Vintage 2007.
Foi uma bela maneira de começar, por uma casa onde tudo o que se faz, faz-se muito bem. Voltei a provar os vinhos de 2007 (escrevi há pouco tempo aqui) e mantenho a minha percepção da altura. No entanto, ao voltar a provar o Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2007 reparei que já estava menos floral, apresentando já alguns vestígios das notas de café, que tanto o caracterizam. Impressionante a maneira como os vinhos evoluem, são realmente algo vivo.
Dos que não tinha provado, destaque para o Crasto 2008, que está em forma. Apresentava um aroma sedutor de frutos maduros, mirtilhos, laranja e prestações florais. Redondo, saboroso, com taninos macios. Pelo preço, e pela quantidade é caso para dizer, "Melhor é Impossível".
Nos Portos, o Vintage 2007 surpreendia. Um Vintage com um aroma maduro, de passas, de ameixas pretas, com notas florais. Fresco. Depois uma boa concentração, taninos muito presentes mas saborosos e um final bem seco. Muito bem, belo Vintage
Por fim o LBV 2005, num registo diferente, com um perfil aromático também ele maduro, redondo mas cheio de sabor e intensidade. Um vinho bem guloso que está pronto para ser "devorado".
Acabava a prova e era servido o jantar tardio, qual ceia, com uma volta por colheitas antigas, em garrafas magnum. Voltei a provar o Touriga Nacional 2005, que se mostrou novamente mágico. Uma das excepções que me levam a pensar na Touriga a "solo". Veio o Maria Teresa 2005, que acaba sempre por arrebatar os presentes, eu incluido. É a "Claudia Schiffer" dos vinhos portugueses. Passámos pelo grande Vinha da Ponte 2004 e terminámos com o fabuloso Colheita de 1970. Terminámos pelas 3 da manhã, mas ainda havia vida, ainda havia vontade de ficar mais um pouco de volta dos vinhos e dos anfitriões. Belíssima noite.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Espanha - Dia 4 - Grupo Yllera


Foi a vez de visitar um produtor já com uma estrutura muito maior. Foi na DO Rueda que fomos ao encontro do Grupo Yllera.
Foi uma visita muito interessante, não pela sua grandeza, pela sua estrutura, mas sim, e não é pouco, pela vida que conseguiram dar ao local de visita obrigatória de que dispõem, que são as antigas adegas subterrâneas do século 15. Mas a elas vamos daqui a nada.

Apesar da sua considerável grandeza, a empresa é gerida pela família, que deu o seu nome a este projecto. Já a contar com quase 30 anos de existência, este produtor incide a sua produção em várias DO's como Rueda, Ribera del Duero, Toro, Rioja e ainda os Tierra de Castilla e León.



Começamos por uma breve visita à adega principal, uma vez que dispões de mais duas, e ouvimos um pouco as explicações normais de como funciona a adega e o seu método de trabalho. Até aqui nada de novo, e às vezes fico a pensar que uma adega é uma adega, só muda a dimensão e este ou aquele pormenor, mas ainda assim acabo sempre por ver algo diferente e gosto sempre de as visitar.



Passámos para o enorme parque de barricas, que parecia não acabar. Na maioria dos produtores que visitámos, notei que usam sempre as barricas empilhadas em enormes estruturas. Pouco se vê por cá.




Passámos então para a sala de provas, muito interessante, com a sua invocação de "taberna" à moda espanhola, e com uma pequena garrafeira familiar, logo ao lado. O pormenor mais interessante, além dos vinhos obviamente, foi que a mesma garrafeira servia para manter os presuntos. Muito à Espanhol.....




Hora de ir para o almoço, onde íamos não só provar os vinhos mas também ver a estrutura enoturística, o chamariz se quisermos, que têm à disposição dos seus visitantes.
Entramos e começa uma pequena visita à parte térrea, onde encontramos muitas mais barricas, presumo de algum vinho mais especial, de pouca produção. O que estava em baixo de nós era o tesouro da casa, o ai jesus do director financeiro da empresa, a maior fonte de investimento do grupo.
Por baixo de nós estava um labirinto, isso mesmo, um labirinto de adegas, de corredores que nunca mais acabava e a que os proprietários deram o nome de "El Hilo de Ariadna",.
Os Yllera transformaram, e digo-vos que muito bem, este legado histórico, num pólo de atracção para quem quer visitar estruturas ligadas ao vinho, mas com uma enorme componente histórica e cultural.
Este labirinto, que aliás, cada vez mais vai aumentando a sua extensão, mercê do facto de todos os dias descobrirem mais galerias, nos seus trabalhos, quase diários de perfuração, já conta com 3 km de extensão.
Se já de si o facto de estarmos algumas dezenas debaixo de terra, num labirinto com mais de quinhentos anos, já é de si algo que posso considerar de muito interesse, o produtor ainda teve a fantástica ideia de lhe dar vida, de lhe associar uma história, neste caso da mitologia grega, associando este labirinto ao labirinto mais famoso, o labitinto do Minotauro. Aliás, o próprio nome indica esta ideia, uma vez que "El Hilo de Ariadna", em Português significa o "Fio de Ariadne", é segundo a mitologia Grega, o fio que esta ofereceu a Teseu para que este, depois de matar o Minotauro, pudesse voltar para fora do labirinto.
Toda a estrutura está então ornamentada com alusões à história de Ariadne, de seu pai Rei Minos, de Teseu e do próprio Minotauro.
Obviamente que vimos muito pouco, pois muito existe para ver e penso que nem toda a extensão é visitável. Mas o que deu para ver, foi realmente muito interessante, muito compensador. Estava-se bem ali em baixo. Deixo-vos algumas imagens do local, que são bem mais interessantes que a minha escrita.


O almoço acabou por chegar e decorreu numa das galerias. Ai tivemos oportunidade de conhecer um pouco mais da história da casa e confraternizar com os seus responsáveis. Bela sopa e maravilhosas as "chuletas".

~

Os vinhos, estiveram em bom plano durante o almoço. Começámos com as bolhinhas da casa, um Cantosan, que se mostrou bem fresco, franco e prazenteiro.

Os tintos eram mais interessantes, mesmo os de entrada de gama, os Bracamonte, com maior tiragem, mostravam-se muito bem feitos, cumpridores e saborosos. Nos vinhos com maior estágio, tinham maior complexidade e mostravam algum potencial de guarda.
Não provámos nenhum dos vinhos de topo naquela altura, mas acabei por os provar mais tarde na Vinexpo, e confesso que tive alguma surpresa no que provei. Os vinhos eram mesmo bons. Algo duros e potentes em jovens, mas com enorme potencial de guarda.

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