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domingo, 13 de maio de 2012

Duelos

Tenho imenso prazer nestes "duelos" vínicos, entre vinhos que tanto diferem na sua condição, e sobretudo no seu perfil. Estas diferenças automaticamente sugerem um debate aceso sobre a qualidade dos vinhos, sobre o seu perfil e sobre os gostos particulares de cada individualidade.
O certo é que um almoço sem grande preparação, se tornou num fantástico debate entre amigos. Até dá gosto assim.

Obviamente que para isto contribuíram, e muito, a qualidade geral dos vinhos, a fabulosa comida e a boa disposição, apesar de uma noite em cheio no dia anterior com um jantar vínico na Tasca do Joel. Assim ontem acabámos por rumar novamente para este "nosso" santuário, onde invariavelmente somos tratados como Reis.

Começámos com as entradas. Búzios gratinados, lulinhas e o habitual presunto, que harmonizámos com o único Borgonha do almoço, um sempre impecável Etienne Sauzet Puligny-Montrachet 2008. "Enrolaram-se" na Perfeição entre si.

Nas carnes, a escolha foi um excelente misto de carnes, que continha a novíssima carne maturada da tasca, Barrosã, Porco Preto, etc. Simplesmente divinal e no ponto. Acompanharam os vinhos tintos na Perfeição.


Quanto aos vinhos:


Etienne Sauzet Puligny Montrachet 2008
Muito fino, demorou algum tempo até começar a abrir. De repente, um Puligny generoso, puro e mineral.
Na boca contava com maior acidez, com mais nervo, mas adorei a sua largura, elegância e viscosidade.


Luciano Sandrone Barolo "Le Vigne" 1999
Fantástico na pureza. Um Barolo puro e duro. Estilo tradicional, rústico, de cor aberta e com sugestões de terra, alcatrão e especiarias.
Fino mas de taninos empertigados. Adorei


Penfolds Grange 1999
Colossal, muito jovem. Muito denso, profundo e mesmo austero ainda. Tudo muito primário, com fruto muito preto, tosta e especiarias. Impressiona em todos os aspectos. Másculo, generoso, envolvente. Grande vinho, grande Syrah. A guardar.


Château Léoville las Cases 1989
Que garrafa tão perfeita. Muito jovem na côr e nos aromas ainda bem marcantes de frutos maduros, de pimento e mineralidade. Muita profundidade. Denso
Intenso, saboroso, muito fino mas marcadamente largo. Final muito longo. Perfeito


Château Lafite Rothschild 1991
De um ano bem menor em Bordéus. Aparentava ter bem mais idade que os 21 anos de vida. Cor já muito marcada pelo tempo, ou por uma guarda pouco exemplar. Ainda subiu muito no copo, mas comparando com os vinhos anteriores, apenas deu prazer.


M. Chapoutier Hermitage Vin de Paille 1994
Aromáticamente muito complexo, com muitas notas de tangerina, de mel, canela.
Grande controlo no açúcar. Viscoso mas ao mesmo tempo elegante. Muito longo. Excelente


Olaszliszkai Borászati Emerencia Selection Tokaji Aszúeszencia 1995
Grande concentração, complexidade e frescura neste vinho. Muito doce, sem ser de maneira nenhuma enjoativo. Notas de mel, caramelo, nougat e especiarias.
Grande concentração na boca, viscoso, bom equilíbrio entre o açúcar e a acidez, apesar das cerca de 200g de açúcar residual. Fantástico

Dr Loosen Erdener Pralat Riesling Auslese 1976
Muito fino, complexo e fresco. Perdeu muito da sua doçura e é agora um espelho do equilíbrio e da longevidade destes rieslings. Fantástico como sempre.


Artur Barros e Sousa Terrantez 1980
Um dos meus produtores preferidos. Côr muito clara mas enorme complexidade do nariz. Este Terrantez é muito elegante, o que alguns até considerariam de magro. Acidez marcante e final muito longo. Adoro










sábado, 14 de abril de 2012

Entre os Grandes, emergiu um dos nossos

Provavelmente já se aperceberam que apesar de gostar bastante dos nossos vinhos, que em vários casos ombreiam com o que de melhor se faz além fronteiras, tenho uma predilecção também por vinhos que não são feitos em Portugal. Um das minhas regiões de eleição é a Borgonha, que me fascina pela sua complexidade, que me fascina sobretudo pelo estilo de vinhos.
Na verdade tenho sido abençoado com a possibilidade rara de poder beber alguns dos grandes vinhos desta região, aliás, para ser sincero tenho sido sobejamente afortunado por beber os grandes vinhos de várias regiões, alguns dos quais suspeito que nunca repetirei a façanha.

Há umas semanas tive novamente o prazer de deambular durante uma semana pela Borgonha, onde tive a honra de ser convidado para jantar, por uma família de amigos, que sempre tão bem me recebem em sua casa. A condição é apenas uma! Beber vinhos da Borgonha. Já estão provavelmente a ver a minha cara de sacrifício. Este ano preparei uma surpresa, e acabei por trazer um vinho Português, que acabou por ser o vinho que mais suscitou o espanto dos presentes, onde se incluíam os anfitriões, um produtor de Chassagne-Montrachet, o Jean Marc Pillot e Directores da Maison Delas, no Rhône.

Este vinho que levei, era um Vinho da Madeira, um Boal, 18?? (presumidamente 1895), da Companhia Vinícola da Madeira. Pois entre alguns titãs da borgonha, o nosso Madeira acabou por ser o vinho que maior distinção teve, ao ser considerado pelos presentes como o grande vinho. Enche-me o peito de orgulho quando isto acontece com um vinho que é nosso, e deixa-me um calor especial, por ser um Vinho da Madeira. Em vinhos fortificados, podemos gritar bem alto. Somos os melhores do Mundo.




Os vinhos:


Domaine Ramonet Chassagne-Montrachet 1er Cru Morgeot 2009
Apesar do ano não ser de grande frescura e acidez, este Ramonet mostrou-se de enorme mineralidade e frescura. Na boca muito fino, mas incisivo. Pureza e elegância. Adorei

Domaine Coche-Dury Meursault 2004
Sempre que me coloco em frente dos vinhos deste produtor, fico sempre sem palavras. Coche-Dury é muito especial, encerra em si um estilo muito próprio, inimitável. Seja em que ano for, quente ou fresco, os seus vinhos mostram enorme rigor na frescura, na acidez abundante. Complexo e preciso é um hino à arte de fazer grandes vinhos. Pouco mais a dizer.

Joseph Drouhin Beaune Clos des Mouches Blanc 2001
Excepcionalmente muito jovem na cor. Muito fino, apesar do seu perfil gordo e volumoso. Mostra algumas notas de evolução positiva. Estará provavelmente ao seu melhor, mas ainda permanecerá nesta condição por muitos mais anos. Um surpresa de elevado nível.

Jean Noel Gagnard Chassagne-Montrachet 1er Cru Les Caillerets 2003
Evoluiu precocemente, o que tendo em conta a colheita seria de esperar. Ainda bebe-se com prazer, sendo no entanto o vinho menos interessante do jantar. 

Domaine des Comtes Lafon 1er Cru Volnay-Champans 2007
A precisar de tempo. Bem austero, um pouco diferente do que seria de esperar de vinhos desta colheita, que são mais abertos. Mostrou muito pouco, ainda muito fechado. Pareceu-me precisar de tempo.

Domaine des Lambrays Clos de Lambrays Grand Cru 2007
A perfeição num jovem borgonha. Muito perfumado, terrivelmente sedutor. Fino, muito fino, mas sempre com um estilo sumarento, de concentração. Adorei. Que momento fantástico

Domaine de la Romanée-Conti Richebourg Grand Cru  2002
Um colosso de vinho. Muito perfumado, cheio de sugestões de flores e especiarias. Ainda muito primário no aroma.
Muito fino, textura de cetim mas potente, num estilo musculado. Taninos ainda algo presentes. Um infanticídio, mas que me aconchegou o coração. São efectivamente vinhos muito especiais.

Domaine Tollot-Beaut Corton Bressandes Grand Cru 2003
Especialmente depois do anterior vinho, este surgiu algo "fora do baralho". Muito concentrado, muito maduro. A fruta é muito densa, sem ser compotada. Todo ele é redondo, carnudo e opulento. É muito saboroso efectivamente, mas o estilo é pouco transparente e puro.
Terá alguns adeptos, com toda a certeza, mas não é certamente o meu estilo.


Companhia de Vinhos da Madeira Boal 1895
A apoteose para todos os presentes, e um peito inchado para mim. A generosidade de um Vinho da Madeira, que mostra que apesar de tantos anos passados, ainda se ergue com raça e firmeza, que mostra uma complexidade indecifrável. O perfeito resultado da simbiose entre o que a natureza dá e o que o homem constrói.



terça-feira, 10 de abril de 2012

Foi Você que pediu uma experiência inesquecivel?


Como já o afirmei, por diversas vezes, o Vinho, o Mundo do Vinho, tem coisas fabulosas. Tem uma capacidade de desembaraço social enorme. Junta pessoas que se conhecem, que não se conhecem, tudo na mesma mesa e coloca-os a falar, alegremente, como se de velhos amigos se tratassem. Esta capacidade será porventura apenas verificada no desporto e pouco mais. Por vezes, no meu estádio de futebol, do Sporting de Clube de Portugal, dou por mim a conversar animadamente com pessoas que nunca conheci, pessoas com quem nunca me cruzei. Obviamente que esta conversa tanto melhor é, consoante o resultado nos favoreça. Futebol à parte, no vinho, quer ele seja bom, quer seja mau, ou menos bom, dá sempre tema de conversa. Ora, agora imaginem um jantar, onde todos os vinhos têm algo a acrescentar à nossa vida, imaginem um jantar onde passamos por alguns vinhos que muito certamente nunca mais os beberemos. Uma grande honra. Agora, juntemos a isto amigos, bons amigos, que comungam connosco esta paixão, esta "loucura". Que se prostram silenciosos quando chega cada um dos vinhos, que se emocionam, e que sobretudo partilham entre si estes mágicos momentos, aqui e ali bafejados com risos e gargalhadas de lembranças de outros tempos, de outras passagens com outros vinhos e outras epopeias vínicas. Temos a perfeita receita para um jantar inesquecível, e sobretudo uma experiência enriquecedora.

Ora, foi neste fim de semana passado, um pouco maior por sinal, de Páscoa. Que voltei a ter o privilégio de um grande jantar, um enorme jantar onde os vinhos foram o mote, reis e senhores da noite. Uma singela homenagem a todos eles, que cumpriram o propósito da sua criação, dando um enorme prazer a nós meros mortais e sobretudo privilegiados, por termos cruzado caminho com estes.
 

1995 Pol Roger Cuvée Sir Winston Churchill
Brilhante e ainda jovem. Cremoso e fino. Adorei

1952 Lafite Rothschild
Ano mau para bordéus. A lembrar o 56 bebido no ano novo. Bebe-se com prazer, mas é magro e sem grande complexidade. Vale como curiosidade.

1931 Niepoort Porto
Nunca comercializado nem declarado. Novamente às cegas embirrei com a década de 60, engana-me sempre este vinho, de tão jovem que parece.

1979 Pernod-Fourrier Gevrey Chambertin Clos St Jacques
Hoje em dia chama-se Domaine Fourrier, um dos mais procurados na Borgonha. Provavelmente pouca gente deve saber disto e comprei por uma bagatela.
F-A-B-U-L-O-S-O, incrivelmente fino, mas ao mesmo tempo com volume e textura. Verdadeiro na expressão do terroir de Gevrey.

1964 R. López de Heredia Rioja Gran Reserva Viña Tondonia
Vem depois de um vinho memorável e perdeu um pouco isso. Discutiu-se muito as preferências. Eu preferi o anterior. Obviamente que discutir a este nível Muito jovem na cor, fino, mas ao mesmo tempo potente. Estilo velho Rioja em definido. Adorei

1962 Domaine Armand Rousseau Père et Fils Chambertin
Pois, de uma garrafa com nível baixo, saiu um Borgonha de Antologia, com a vida, com a plenitude, que muitos poucos vinhos poderão ter aos 50 anos. Incrivelmente complexo, doce, generoso e por incrível que pareça, uma garrafa muito bem guardada, terá de certeza muitos anos pela frente. Inesquecível

1993 Bonneau du Martray Corton-Charlemagne
Ahh, nada de premox aqui. Excelente, e muito jovem na cor. Muito fino no nariz, viscoso na boca, com volume e largura. "Fantástique"

1997 Bruno Giacosa Barolo
Ficou mesmo nas covas no confronto geral. Aroma inicialmente pouco definido. Deveria ter tido mais tempo. Se fosse bebido sozinho, seria excelente, mas no meio disto tudo....é a vida.

1985 Château Ausone
Outro vinho fantástico. Tão jovem, tão equilibrado. Tem tudo o que um grande vinho deve ter, a fruta, a concentração, a patine, a acidez, os taninos, e em equilíbrio perfeito. Maravilha.

1993 Domaine de la Romanée-Conti Richebourg
Muito jovem ainda. Incrivelmente perfumado, denso e profundo. Um mimo. Um Richebourg cheio de nervo. Ainda com taninos jovens. Precisa de tempo.

1927 JMF Moscatel de Setúbal Superior
Outro vinho de antologia. A complexidade, o vinagrinho, a doçura e depois de isto tudo o equilíbrio. Longo, longo, longo. Que maravilha de vinhos. Grande Moscatel.

2003 Quinta da Pellada
Muito bem e ainda a precisar de garrafa. Nota-se o ano quente, notamos a concentração, mas este vinho está cheio de vida, perfumado e sobretudo cheio de sabor. A Guardar ainda

2004 Quinta do Vale Meão
Uns furitos acima do anterior, mas também ainda muito jovem para ser aberto. Muito fino no nariz, austero na boca. Precisa de tempo, pois tem margem para melhorar e muito. Adorei

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Garrafeira GN Cellar

Foi apenas há uns dias, mais propriamente no dia 26 de Setembro, que inaugurou a nova garrafeira de Lisboa, a GN Cellar, cujo proprietário Jaime Vaz, é o mesmo que já detém a melhor Garrafeira de Portugal, a Garrafeira Nacional.
Se por um lado fiquei contente por mais este projecto, na Baixa Lisboeta, que anda a precisar de um "face lift", por outro lado, senti-me um felizardo por ter estado nesta inauguração.
Em verdade vos digo que foram preciso apenas 3 vinhos para me deixarem num estado de êxtase completa, ao ponto de passados 4 dias, ainda sonhar com cada um deles. Por certo esta terá sido a primeira e ultima vez que tive a honra de os beber, mas anseio pela oportunidade de os ver mais uma vez, quando quer que seja.




Os vinhos foram um Ramos Pinto Vintage 1931, José Maria da Fonseca Moscatél Supeior 1955 e Barbeito Malvazia 1875, servidos por esta ordem.
Começámos pelo Vintage 31, que foi apresentado pelo Engº João Nicolau de Almeida, que começou por falar um pouco da célebre colheita de 31, que deu origem ao mais raro e misterioso Vintage da história, o Noval Nacional 31. Como tive o privilégio de abrir e decantar este Vintage, desde logo percebi que ali se encerrava um vinho maravilhoso. Na abertura mostrava uma cor muito aberta, mas cheia de intensidade aromática, a lembrar ainda muita cereja. No evento já mostrava mais cor e mais corpo, ganhava nova vida, sempre elegante e com um final muito longo. Belo Vintage.


De seguida, o grande vinho da noite, apresentado pelo Engº Domingos Soares Franco, o Moscatel Superior 1955 (que irá a leilão no próximo dia 8 de Novembro). É-me tão difícil escrever, ou descrever, este vinho simplesmente incrível. A cor acastanhada escura, com laivos esverdeados, remete-nos de imediato para um espesso liquido assim que o envolvemos no copo. A soberba complexidade e frescura, a textura, o corpo, a absolutamente magnífica acidez e o final explosivo, fazem deste moscatel, o melhor que bebi até hoje e um dos grandes vinhos da minha vida. Simplesmente inesquecível. Os meus sinceros parabéns à José Maria da Fonseca, pelo monumento que criou, e que esta ultima geração soube manter. Uma obra prima.

Ainda não refeito do vinho anterior, chega-nos o madeira, um Barbeito Malvazia de 1875, que tinha sido engarrafado, especialmente para este evento, no dia 19 de Setembro, apenas uma semana antes. Seria sempre necessário um enorme vinho para ser servido depois do anterior, no entanto, este Madeira, cumpriu a sua parte e manteve intacta a necessidade de os madeiras serem sempre servidos por ultimo. Soberbo pela sua complexidade aromática, soberbo pela sua frescura e soberbo pela sua acidez penetrante. Outro hino aos vinhos Portugueses e aos Vinhos da Madeira.

Se por um lado eu, e todos os demais presentes, ficaram deliciados com tamanha grandeza de vinhos, por outro lado custa-me pensar que por exemplo, o Moscatel de Setúbal, continua a ser um eterno desconhecido lá fora. Poderíamos pensar que está bem assim, pois ficam cá dentro, mas por outro lado, qualquer um destes vinhos, em qualquer mesa, em qualquer parte do mundo, elevariam bem alto o nome dos Vinhos Portugueses. Que grandes vinhos se fazem em Portugal, que grandes vinhos nos foram deixados pelos nossos antepassados, a quem deixo a minha singela homenagem.

Se este evento, pelo vinhos apresentados foi um estrondoso sucesso, falta também dizer que a GN Cellar é uma bonita, bem iluminada e bem desenhada garrafeira. É um novo espaço, com um target de clientela bem específico e numa zona que precisa de reabilitação e investimento. Tendo a chancela da Garrafeira Nacional, o sucesso é mais que certo.

Um sincero muito obrigado pela noite mágica que me foi proporcionada. Bem hajam

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Quinta do Soque

Já por várias vezes escrevi acerca desta Quinta, deste produtor e do caminho que vem fazendo no Douro. Agora, importa falar de uma constatação, que a mim muito me agrada e que é a revolução que tem vindo a ser lavada a cabo por parte da equipa de enologia, DuploPR (2PR), neste e em todos os seus produtores. A verdade é que os vinhos mudaram radicalmente de perfil, tornando-se muito mais elegantes, mais frescos, mais "puros", o que no meu entender veio a beneficiar estes vinhos, especialmente as entradas de gama e média gama.

Quinta do Soque Colheita 2008
75% do lote, estagiou em barricas usadas (500l) de carvalho francês, sendo que os restantes 25% foram estagiados em inox. As castas utilizadas são a Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca.
Apresenta uma cor granada de moderada concentração. Aroma fino de frutos vermelhos e silvestres, algum floral e boa frescura.
Boca cordata, redonda e cheia de sabor. Um vinho bem feito e prazenteiro.
Nota 15

Quinta do Soque Reserva 2008
Estagiou em barricas novas e usadas (500l) de carvalho francês. As castas utilizadas são a Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca.
Apresenta uma cor granada de moderada concentração. Muito bem no aroma, com frutos vermelhos, citrinos, muita frescura, associada a sugestões balsâmicas e especiadas.
Fino e elegante na boca, cheio de frescura e sabor. Final médio/Longo. Muito bem.
Nota 16,5

Quinta do Soque Vinhas Velhas 2008
Estagiou em barricas novas (500l) de carvalho francês por 18 meses. Existem cerca de 20 castas tradicionais, nesta vinha com cerca de 80 anos.
Cor violácea com boa concentração. Aroma cheio de profundidade, musculado mas ao mesmo tempo subtil. O fruto aparece mais tarde no copo, perfumado. Sugestões terrosas. Barrica muito bem integrada.
Excelente a elegância na prova, taninos muito vinhos, excelente textura. Final longo e muito assertivo. Belo vinho. A beber em copos largos.
Nota 17,5

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Prova Garrafeira Nacional

Para quem gosta do vinho, por certo já esteve em várias provas, vários encontros, vários eventos. Nunca é demais uma oportunidade para provar os vinhos deste ou daquele produtor pelo qual nutrimos um gosto especial.
Hoje em dia, é quase obrigatório para uma boa Garrafeira, ter no seu espaço provas mensais, em alguns casos semanais, com produtores conhecidos, com o intento de poder escoar o seu stock e dar a oportunidade de dar a conhecer esses mesmos produtores e seus vinhos. Ora, apesar do advento das redes sociais, e da sua capacidade de contactar com as mais diversas pessoas, chamando a atenção para estas provas, acho que na maioria das vezes, talvez por serem tantas as provas que se anunciam, as garrafeiras não chegam a ter mais que uma dezena ou duas de interessados a marcar presença.

Ora, já há algum tempo que achava que a Garrafeira Nacional tinha todo o potencial para começar a trazer os seus clientes à Rua de Santa Justa em Lisboa, sob o pretexto de uma prova de vinhos. Após ter recebido o convite via Facebook e SMS, decidi então ver como seria uma prova destas na Garrafeira Nacional. Pois não estão bem a ver, mas é que estiveram cerca de 60/70 pessoas nesta prova, o que sinceramente não me lembra nenhuma, onde eu tenha estado, e que tenha sido tão participada. Só por este motivo, por si só, já é algo a destacar, no entanto, foi mesmo o ambiente informal, jovem, despretensioso e de cavaqueira, que mais me marcou. Ambiente muito jovem, com muitas caras bonitas, muitas mesmo, descomplexado e descontraído, onde se alia um copo de vinho a uma boa conversa.
Não se ouvia falar em barricas, em descritores, em estágio, nada disso, uma conversa de fim de dia onde também entravam os gostos pessoais pelos vinhos que estavam a ser provados.
Os Vinhos em prova, estavam a cargo da Colinas de São Lourenço, que me pareceu agradarem aos convivas. Eu já os tinha provado aqui
Apenas um reparo, que merece ser revisto. As temperaturas dos vinhos com especial destaque para os tintos, neste caso não era a mais adequada.
Em suma, uma excelente casa onde ainda agora começaram as provas de vinhos e já tem uma legião de assíduos. A próxima é já na próxima Quinta, dia 7 de Abril, com os vinhos Pedro Cancela. É só aparecer....

quinta-feira, 24 de março de 2011

A Nova Colinas de São Lourenço


Foi com entusiasmo que recebi o convite para a apresentação dos novos vinhos, aliás do novo projecto, do produtor Colinas de São Lourenço. Obviamente que aceitei de imediato, no entanto tentei saber quem seria o novo proprietário e qual a sua ligação com o Vinho. Bom, a história é bastante interessante e desde logo me aguçou o apetite para esta prova, que teve lugar no Restaurante DOP do Rui Paula.



As Colinas de São Lourenço estão hoje em dia associadas a Carlos Dias. O nome deste Bairradino não nos dirá muito, pelo menos a mim não me dizia, no entanto trata-se de um Português de enorme sucesso, e que fez fortuna entre vários negócios, com destaque para a criação dos ultra requintados relógios Roger Dubois (http://www.rogerdubuis.com). O que é certo é que, embora não precisando de grandes investimentos em Portugal, veio à sua região e investiu na compra desta quinta, com o intuito de fazer o melhor vinho do Mundo. Esta afirmação pode parecer uma voz de arrogância, no entanto, espelha um pouco a personalidade deste compatriota, que onde coloca as mão, quer ser o melhor do mundo. Um personalidade à Mourinho?

Para ser sincero, depois de conhecer estes detalhes, fiquei inicialmente algo incomodado pela afirmação perentória atrás descrita e a bem da verdade fiquei sem esperar muito dos seus vinhos. Agora, após os ter provado, tenho de me retrair, pois os vinhos foram uma grande surpresa e penso que nos próximos tempos, já com os vinhos a serem feitos de raiz por esta nova equipa, virão a dar que falar. Assim o espero, pois é sempre bom ver grandes vinhos a nascer em Portugal e na Região da Bairrada.





Colina de São Lourenço Principal Branco 2009
Aroma ainda algo contido, fruto branco, muito fino e mineral.
Novamente elegante na boca, apresentando ainda assim uma cremosidade que é muito muito bem vinda, pois trás maior volume de boca. Termina com excelente acidez e final longo e saboroso.
Nota 17

Colina de São Lourenço Rosé "Tête de Cuvée" 2009
Cor salmonada a fazer lembrar um Champagne. Aroma muito fino, com frescura, excelentes notas de morangos e Framboesas. Tudo muito fino e equilibrado
Boca plena de sabor, excelente no volume, pouco habitual nos nossos rosés, e final ácido e prazenteiro. Um Rosé muito sério.
Nota 17

Royal Palmeira "Sur Lies Fines" Loureiro 2009
Aroma limonado, ananás, vegetal, mineral. Aroma fresco e exuberante.
Boca com excelente volume, final muito fresco e mediano.
Nota 16,5


Colina de São Lourenço Principal Reserva 2007
Quando o bebi, sem saber de que castas era feito, fez-me de imediato lembrar um Bordéus, com boa complexidade. Nota de tabaco, chocolate, cogumelos e algum vegetal.
Excelente na boca, com belíssima textura e taninos muito finos e persistentes. Um vinho muito focado. Belo Tinto.
Nota 17


O que mais gostei, em todos os vinhos foi realmente o equilíbrio que os vinhos transmitiam, o exemplar trabalho com as barricas. Não vi vinhos amadeirados, em que a madeira suplantasse os aromas. Muito bem neste aspecto. Um produtor a seguir de perto. Falta agora é saber os preços de cada um deles.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Crasto, Mouchão e Roda apresentam os seus vinhos




O dia estava perfeito, em Gaia, para mais uma prova de vinhos. Após alguns dias de chuva e frio intenso, parece que um dia com algum sol vinha mesmo a calhar. E assim foi, pois quando cheguei ao local da prova, o novíssimo e muito badalado, Hotel Yeatman, já o sol queria descobrir.



Antes de irmos aos vinhos, saliento o local onde foi conduzida a prova. Integrado no meio das centenárias caves, ergue-se este imponente hotel, que pese embora não fira a paisagem onde se encontra integrado, pareceu-me também não sair disfarçado. A verdade é que o hotel é grande e moderno no seu exterior. No interior a coisa muda de figura, e a influência inglesa faz-se de imediato notar. Muito bonito, aliás, tudo muito bonito. Apetece entrar e usufruir.
Os quartos como provavelmente saberão, são patrocinados por produtores de vinhos e ostentam os seus nomes. Dentro de cada um deles, entramos suavemente no mundo do seu "sponsor", com alusões ao produtor e seus vinhos.

Já depois de ter passado e bisbilhotado um pouco enquanto esperava, fui então levado para o local da prova. Bem, o impacto não se podia deixar de fazer sentir. A sala de provas é absolutamente genial. Virada para a fabulosa vista do Rio Douro e da Cidade Invicta, através de um vidro enorme que acompanha toda a frente da sala, esta terá sido uma das mais relaxantes salas que conheci. Uma vista deslumbrante.

A ocasião chegou-nos através da Distribuidora de Vinhos, detida pelo Grupo Fladgate, para a apresentação dos vinhos da Quinta do Crasto, Herdade do Mouchão e Bodegas Roda (Espanha). Ainda antes de se iniciar a prova, já nos havia sido informado, que também teria lugar uma prova comparativa de Portos Vintage, da Colheita de 2001, do Grupo Fladgate Partnership.


Tomás Roquette, Director de Enologia da Quinta do Crasto


Quinta do Crasto

Por inúmeras ocasiões tive oportunidade de escrever sobre este produtor, que hoje em dia dispensa qualquer tipo de apresentações. Qualquer pessoa, por mais distraída que esteja, conhece ou já ouviu falar desta Quinta, deste Produtor ou dos seus Vinhos. A Quinta do Crasto atingiu em Portugal, e no mundo, um estatuto que a muito poucos está destinado. Em Portugal está, no meu entender, num merecido lugar de topo, apenas acompanhada por um punhado de outros produtores. O segredo? Esse reduz-se às fantásticas vinhas que detêm e ao soberbo trabalho de Viticultura, Enologia e Gestão de toda a Equipa da Quinta do Crasto.



Crasto Branco 2010
Tudo muito fresco, muito equilibrado de aroma, com notas limonadas e vegetais. Se por um lado mantém o perfil aromático das anteriores edições, na boca, vem sendo afinado, ano após ano. Esta edição ganhou mais volume, mais untuosidade, mais tensão na acidez. Um excelente feito, numa vindima difícil. Este branco, perfila-se com um dos melhores, senão o melhor branco sem estágio em barrica. Muitíssimo bem.
Nota 16,5


Crasto 2009
Um aroma maduro e intenso, é panache deste vinho. No entanto não perde o seu equilíbrio nem mostra que sabe ter frescura no seu conjunto. Floral
Na boca tem textura, densidade e sobretudo sabor, num conjunto redondo, com alguns taninos a mostrarem que poderá ser guardado por uns bons pares de anos. No entanto, foi pensado para ser bebido desde já.
Nota 16

Quinta do Crasto Superior 2009
Algo fechado de início. Demorou a mostrar toda a sua profundidade. Decadente no fruto, consegue mostrar um veio de frescura sempre que alcançamos o copo. Muito bem
Boca de excelente concentração, numa toada de finura e firmeza de taninos. Final intenso e longo. Precisa de garrafa.
Nota 17

Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2008
Ganha complexidade cada vez que o provo. Mantém ainda as notas de barricas usuais neste vinho, auxiliadas por notas de grafite, café, Fruto Negro e Giz. Muito sedutor. Equilibrado.
Boca com volume, sumarenta, taninos finos ainda muito presentes. Final longo. Excelente vinho, que mostrará todo o seu esplendor daqui a uma mão cheia de anos.
Nota 17,5

Herdade do Mouchão

Será por ventura o mais interessante produtor do Alentejo. Na sua história, em certas alturas atribulada, contou sempre com vinhos enormes, de grande longevidade. Quem provou vinhos com o 1954, 1963, 1970, 1974 e outros, conseguirá certamente perceber o que pretendo dizer. Numa zona que tem vindo ao longo dos anos a dar mostras da enorme capacidade para a produção de grandes Tintos, os Mouchão serão porventura as suas estrelas mais cintilantes.


John Forsythe, a cara dos vinhos Mouchão


Dom Rafael Branco 2009
Aroma muito Novo Mundo, com com sugestões de Alperce, Relva Cortada, a fazer lembra um Sauvignon.
Boca assertiva, com sabor e alguma sensação de doçura. Ainda assim com alguma frescura e uma boa acidez.
Nota 15,5

Dom Rafael 2009
Aroma de fruto maduro, notas de licor. Intenso mas algo quente.
Boca com sabor e equilíbrio. Final de boa persistência.
Nota 15,5

Ponte da Canas 2008
Aroma com profundidade, sugestões de barrica, bacon, fumo, e fruto negro. Intenso
Rebelde na boca, largo e denso. Final cheio de vida, firme e com taninos ainda muito jovens. Precisa de tempo.
Nota 17

Mouchão 2006
Aí está o estilo Mouchão, já a mostrar alguma borracha queimada, fruto denso e mato seco. Tudo num estilo concentrado e cheio de vigor.
Grande concentração na boca, vigoroso. Taninos finos mas muito empertigados a mostrarem que precisam de garrafa para acalmar. Um conjunto de belo efeito, que por certo melhorará daqui a uns anos.
Nota 17,5


Bodegas Roda (Espanha)

Apesar de relativamente recente, este tem sido um projecto que começou por dar nas vistas mal se instalou na Rioja. A razão poderá parecer simples mas baseia-se sobretudo na filosofia das vinhas velhas e nas castas autóctones.



Corimbo 2008
Perfumado, com fruto silvestre.
Boa frescura de conjunto mas com taninos demasiado evidentes, que prejudicam de certo modo o equilíbrio deste vinho. Uma pena.
Nota 15


Roda 2006
Aroma com alguma complexidade, que oscila entre o fruto maduro, as sugestões de tabaco, ligeiro couro e baunilha.
Melhor na boca, com alguma elegância num conjunto que termina longo e com taninos bem secos.
Nota 16,5

Roda I Reserva 2004
Excelente no aroma. Sem vestígios de evolução, este vinho ainda se mantém primário. Por esta altura a barrica já integrou, ficando penas alguns vestígios da mesma, que dão carácter ao vinho. Equilibrado e com frescura.
Boca assertiva. Fino mas com volume e potência. Taninos muito finos e final bem longo.
Nota 17,5

Cirsion 2007
Aroma muito rico, opulência e profundidade em pessoa. Complexo, cheio de camadas de aromas, que se entregam num vai e vem. Sugestões de ameixas, amoras, menta, eucalipto e notas licoradas.
Boca de excelente envergadura e profundidade. Tudo ainda muito compacto, muito preso. Muito tenso, num final cheio de taninos que seguram-nos ao vinho. Impressiona desde já mas é um exercício inglório perante esta capacidade de evolução em garrafa.
Nota 18,5


Portos Vintage 2001

Para o final estava guardada uma prova de enorme carácter didáctico, ainda para mais quando esta seria conduzida pelo David Guimaraens, que é a pedra Basilar de todos os Vinho do Porto do Grupo.
O ideia foi colocar frente a frente três Vintage da Colheita de 2001, um ano Single Quinta, e tentar perceber as suas diferenças, no conjunto em prova.





Fonseca Quinta do Panascal Vintage 2001
Num momento fantástico de consumo. É o vinho que mais se mostra neste momento, pela jovialidade da fruta, com muitas notas de framboesa, melancia.
A boca apresenta-se com doçura e volume. Tudo num registo de equilíbrio. Esta perfeito para ser consumido desde já, mas irá manter-se assim por mais anos.
Nota 16,5

Taylor's Quinta de Vargellas Vintage 2001
Muito mais austero e reserva do que o anterior. Mostra-se ainda algo tímido.
Na prova de boca, mostrou-se muito bem com muitos taninos envoltos no corpo do vinho. Final muito longo.
Nota 17,5

Fonseca Guimaraens Vintage 2001
Um pequeno jovem que ainda não deixou o seu lado químico.
Boca ainda com o espírito por integrar. Taninos muito presentes ainda. Um Vintage cheio de vida e com muita vida pela frente.
Nota 18


Nota final para o almoço que nos foi servido no restaurante do Hotel Yeatman, que pura e simplesmente deslumbrou. Mas disso falarei mais tarde.
Nesse almoço acabámos por abrir alguns vinhos especiais, nomeadamente a primeira garrafa Double Magnum de Maria Teresa 2005 que foi aberta em Portugal, que estava tão jovem que me deu pena de ter sido aberta. Um Mouchão Tonel 3-4 2005 que já me tinha deliciado no Jantar da revista de Vinhos. Estava em grande. E ainda um dos meus Vintage preferidos, o Fonseca 1985, que apesar de estar muito bom, não se mostrou ao nível do que já tenho bebido em outras ocasiões.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Concerto de Verão em Cortes de Cima


Há dias que perduram na nossa memória para sempre, dias que nos levam ao limite da emoção, que farão parte das histórias que contamos aos nossos filhos, aos nossos netos. O vinho tem destas coisas e felizmente tenho na minha memória, ainda em plenas capacidades, de dias em que uma apenas uma garrafa de vinho, um jantar ou um evento que me emocionaram de tal maneira que estarão para sempre na minha lembrança.
Este 8º Concerto de Verão de Cortes de Cima, que teve lugar no passado dia 18 de Junho, foi um desses eventos. Foi um fim de tarde magnifico, em que Cortes de Cima se engalanou para um evento ímpar e cheio de glamour, associando vinhos, música, uma Quinta muito bonita e um grupo de pessoas bem dispostas.
Mas vamos por partes:

(Da esquerda para a direita: Hans, Ulla, Mats, Thomas e Carrie)

A Música
Confesso que nunca fui a uma opera e que salvo erro nunca tinha presenciado ao vivo, um concerto de música erudita, acompanhada ao piano. Os artistas eram a Sra Ulla Kudst Jensen, que todos os anos marca presença neste evento, o Tenor Thomas Praestegard, acompanhados ao piano por Mats Knudsson. Acreditem que passei o concerto inteiro com "pele de galinha". Que grandes artistas, todos eles. O repertório era leve, passando pelas pequenas operas, a musicais (My Fairlady, por exemplo), e até a algum improviso e humor. Numa palavra, soberbo.




Cortes de Cima
Grande organização da Carrie do Hans e de toda a sua equipa, que decerto tiveram bastante trabalho em montar este evento. O dia estava fantástico e a Quinta é muito bonita, toda muito bem tratada, com as vinhas a cercarem todo o perímetro da adega, um lago que serve de habitat a umas dezenas de patos e os caminhos ladeados por vinha e pinheiros.


Os Vinhos
Foram servidas as recentes colheitas da casa, como o Chaminé 2009, Syrah 2007, Aragonês 2005, Touriga Nacional 2005, Reserva 2004 e ainda Reserva 2003 e Touriga Nacional 2003 ao Jantar. Não houve tempo, nem seria suposto, de tirar grandes notas, mas dos que bebi, destaco 0 Cortes de Cima Syrah 2007 pela sua genuinidade à casta e à região, o Cortes de Cima 2004 e 2003, que não sendo o meu estilo de vinho preferido, é impossível não os considerar grandes vinhos e entre os melhores dos melhores Alentejanos. Deixo para o final um grande vinho. que ainda quase ninguém conhece. Trata-se de um Cortes de Cima Petit Verdot 2008, que acabou de ser engarrafado e que me surpreendeu muito. Um vinho cheio de tensão e potência mas num apontamento contido e profundo, o tempo que passar em garrafa vai torná-lo num caso sério. Teremos de esperar ainda vários meses até lhe colocarmos a vista em cima, no entanto, face à reduzida quantidade, sugiro que se mantenham atentos.

O Jantar
Como é habitual, o Chef Bjarne Otto foi o responsável pelo repasto no final do concerto. Os jantares são como são, cheios de boa disposição, neste caso cheio de bons vinhos e boa comida comida e excelente companhia. Mas este jantar teve uma particularidade para mim por ter sido nele que comi o melhor Rosbife de toda a minha vida. Não consegui comer de mais nada.
Este pequeno texto não é mais do que uma desculpa para deixar aqui a minha singela homenagem a Bjarne Otto.

E assim, cravei na minha memória mais um grande evento no qual tive a enorme honra de participar. Bem hajam a Família Jorgensen e a Equipa Cortes de Cima que honraram sobremaneira a casa que representam. Muito obrigado.

Termino com mais algumas imagens do evento:



quinta-feira, 24 de junho de 2010

Billecart-Salmon



Foi no passado dia 14 de Junho que a oportunidade de estar presente numa prova dos Champagnes Billecart-Salmon, conduzida por um dos proprietários e descendente da família, o Sr Antoine Billecart.
Tenho que confessar que sempre gostei dos Champagnes desta casa. São vinhos muito precisos, de carácter vincado e sempre com grande acidez. Esta prova, mais que um prova, foi uma lição, foi um passar a pente fino pela filosofia da casa, pelas técnicas de vinificação, pelas castas e pela região.



A Maison Billecart-Salmon, sediada em Mareuil-Sur-Aÿ, foi fundada em 1818 e vai hoje na 7ª geração da família à frente dos destinos da Casa. O saber foi passado de geração em geração, criando uma dinastia e um nome de peso na região e no mundo. Estamos perante um pequeno produtor, à escala de Champagne, que tem uma produção a rondar as cerca de 2 milhões de garrafas. A Billecart-Salmon possui cerca de 22ha de vinha própria, onde se inclui a vinha de onde nasce o Clos Saint-Hilaire, e comprando ainda uvas de um total de 240ha.
Todo o vinho é feito com o único propósito da qualidade, desde os vinhos base até ao engarrafamento. Muitas técnicas ancestrais se juntam a pequenas particularidades exclusivas da casa, que vão desde as tardias e invulgares longas fermentações, até à selecção criteriosa das leveduras indígenas, que apenas são utilizadas na 2ªa fermentação, para mim uma novidade.
Bom, mas poderão consultar o site do produtor aqui, para obterem muitas mais informações.

Passemos então à prova comentada, onde se provaram os seguintes vinhos:



Billecart-Salmon Reservée
Representa cerca de 65% da produção da casa. A indicação reservée provem do facto de serem utilizados vinhos de reserva, com estágio em barricas, no blend, que no caso desta garrafa foram utilizados vinhos de 2004, 2005 e 2006.
O vinho apresentou-se com enorme frescura, muitas notas de maçã, ligeira tosta e alguma evolução positiva, que provavelmente provém de alguns dos vinhos mais antigos do lote.
Na boca, alguma intensidade na acidez e no final algo austero. Excelente para a mesa.
Nota 16.5



Billecart-Salmon Extra Brut
Este vinho foi feito com os mesmos lotes do anterior, apenas se tratando da versão extra brut, ou seja, menor açúcar residual.
Muito vincado e austero no aroma. Causa impacte quando o provamos. Muito seco, mas mineral e quase obtuso.
A austeridade mantém-se na boca quer pela acidez quer pela secura. Perde um pouco na persistência face ao anterior. Excelente com um presunto ou enchidos.
Nota 16



Billecart-Salmon Vintage 2004
Neste vinho, colheita de 2004, foram usados 70% de Pinot Noir e 30% de Chardonnay. Do lote, apenas 25% foi estagiado em barrica usada, que provém da Borgonha.
Bolha fina e persistente.Muitas notas vegetais, alguma salinidade, pão e aromas de baunilha. Um aroma muito completo e de bela intensidade.
Mantém-se um perfil ácido e seco, com um final muito nervoso.
Nota 17



Billecart-Salmon Nicolas François 1998
Vinho com cerca de 60% Pinot Noir e 40% de Chardonnay.
Bolha muito fina e persistente. Aromas iniciais a lembrarem um queijo intenso que desde logo dão lugar a notas citrinas de maças, laranjas e lima. Muito mineral e algumas sugestões tostadas e amendoadas. Muito fino nos aromas.
Na boca mantém-se uma postura de fineza, de complexidade que associa a uma acidez judiciosa e um final longo. Belo Champagne.
Nota 17,5


Billecart-Salmon Brut Rosé
No blend entram vinhos base de 2006 e 2007, com maior percentagem do último.
Não consigo esconder a predilecção por este Champagne Rosé. Foram tantas as vezes que o bebi, sem nunca se desviar da excelência.
Bolha fina e persistente com bastante efervescência. muito intenso nos aromas de framboesa, cereja, ameixa branca, mineralidade e algumas tosta.
Na boca, uma explosão inicial dá lugar a uma cremosidade divinal, com notas de leveduras, acidez franca e um final longo e saboroso. Fabuloso.
Nota 18



Billecart-Salmon Blanc de Blancs 1986 (Magnum)
E para o fim estava guardado o "bom bocado". Um hino aqueles que possam ter dúvidas que Champagne pode ser fenomenal com alguma idade, que se pode guardar perfeitamente, desde que observadas as condições ideais de guarda.
Ainda pouco ou nada oxidado na côr, a mostrar um esverdeado carregado. Ainda com bastante efervescência e bolha muito fina e persistente.
Uma explosão, contida, de aromas a gás, maçãs, mineral e sugestões petroladas. Muito fresco.
Muito vivo, cremoso e com acidez nervosa. Inesquecível.
Nota 19

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Indepdendent Winegrowers Association

Foi no passado dia 1 de Junho que os Independent Winegrowers Association (IWA) apresentaram as suas novas colheitas.
Tal como nos anos anteriores, esta apresentação teve lugar no Hotel Ritz, e contou com todos os seus representantes. De notar a triste ausência do projecto Covela, que terminou no inicio deste ano. Assim, os IWA contam agora com os produtores Quinta do Ameal, Casa de Cello, Alves de Sousa, Luís Pato e Quinta dos Roques.
Este é um grupo muito especial, por integrar 5 produtores, que então entre os melhores em cada uma das suas regiões e mesmo em Portugal. É um projecto assente em bases bem sólidas, mas sobretudo assente na amizade entre cada um dos intervenientes. Esta amizade, visível por onde quer que andem, será porventura uma das mais valias deste agrupamento de produtores. Não se consideram concorrentes mas criaram uma simbiose entre si, que permite que mesmo cá dentro, em Portugal, se possam juntar para promover os seus vinhos. É uma raridade nos dias que correm, mas um projecto que deveria ser seguido por muitos mais produtores portugueses. Um exemplo a seguir.



Casa de Cello

Quinta de Sanjoanne Vinho Verde 2009
Um vinho muito bem feito, com muitas notas vegetais, de hortelã. Elegante e com acidez vibrante.
Nota15


Quinta de Sanjoanne Escolha 2004
Que prazer voltar a provar e ver como tem evoluído este vinho. Apresentava-se com ligeira oxidação positiva, muitas notas petroladas e sugestões de menta.
Excelente a acidez e cremosidade. Quem disse que o Vinho Verde não envelhece bem?
Nota 17


Quinta de Sanjoanne Superior 2007
Excelente no aroma. Não é muito exuberante e nem precisa de ser. Apresenta muitos aromas anizados, sugestões minerais e uma excelente concentração do fruto.
Excelente acidez, vibrante e muito longo.
Nota 17


Quinta de Sanjoanne Passi 2008
É o vinho doce da casa. Muito original nos aromas, cheirar este vinho leva-me aos meus tempos passados no Pinhal, quando as árvores eram sangradas para aqueles pequenos vazos de recolha da seiva. é a isso mesmo que cheira, a seiva de pinheiro, resina e ainda sugestões de frutos em compota.
Na boca não é pesado, não é muito doce, mas sim, fresco e longo. Estreia Auspiciosa.
Nota 16,5


Vegia 2008
Muito bem recebida a substituição do antigo "Porta Fronha", por este Vegia. Dá uma melhor integração deste vinho na própria gama da Marca.
Todo ele assenta sobre a fruta, de excelente densidade e concentração. Não precisa de mais.
Muito saboroso na boca, equilibrado, redondo, e com taninos dóceis. Muito bom
Nota 16


Quinta da Vegia 2006
Muito difícil no aroma. Aroma algo sujo, a sugestionar alguma arejamento. Estranho
Muito melhor na boca com raça, taninos presentes mas que não endurecem a prova. Gostei bem mais do anterior.
Nota 15


Quinta da Vegia Reserva 2007
Belo Vinho. Grande concentração de aromas. Denso, nas notas de fruto, notas florais e sugestões de barrica.
Poderoso, mas ao mesmo tempo fino. Expressivo, mas ao mesmo tempo profundo. Termina longo e com taninos muito jovens. Precisa de algum tempo.
Nota 17,5





Alves de Sousa

Branco da Gaivosa 2009
Foi o único branco seco apresentado pelo produtor. Ligeira percepção de doçura no aroma, notas vegetais e de fruto branco.
Boca de bom amplitude, acidez correcta e final médio.
Nota 15


Quinta do Vale da Raposa Touriga Nacional 2007
Muito maduro e denso, a sugerir alguma extracção. Amoras, cassis, sugestões minerais e notas de barrica.
Boca de grande volume e porte. Não é agressivo mas aguerrido. Termina com persistência média.
Nota 16


Tapadinha Grande Reserva 2007
Excelente na profundidade dos aromas. Muitas notas florais, de fruto maduro.
Energético, com taninos muito presentes, mas finos. Termina longo
Nota 17

Quinta da Gaivosa 2005
A austeridade do Douro. Aromas de fruto maduro, notas vegetais, mato seco, tudo numa toada de austeridade.
Delicioso na boca, com taninos ainda por resolver, mas finos, vivos e final longo. Continuo a achar este, um dos grandes vinhos portugueses.
Nota 18


Alves de Sousa Reserva Pessoal 2005
O tempo trouxe-lhe algum bonança. Acalmou-lhe o nervo inicial, deixou de ser espevitado, para ser um vinho com taninos mais resolvidos e finos. Está num momento excelente para ser bebido.
Nota 17


Quinta da Gaivosa Vinha do Lordelo 2007
Um pequeno Jovem que ainda precisa de muito tempo na garrafa para acalmar toda a sua impetuosidade. Tem volume, tem profundidade e um final longo.
Nota 17,5


Abandonado 2007
Impressiona pela concentração, aroma singular, denso, profundo. O frtudo é maduro, com sugestões de amoras, groselhas e ameixas. Boa integração da barrica.
Na boca tem bom porte, é sumarento e concentrado. Termina muito longo. Um vinho muito especial
Nota 18





Luís Pato

Espumante Maria Gomes 2009
Sugestões adocicadas a fazer lembrar o branco seco da mesma casta. Notas de maçãs e algum vegetal. Cremoso e muito agradável.
Nota 15


Espumante Baga 2009
Aroma de Morangos e Framboesas.
Seco e mais fino mas muito saboroso.
Nota 15,5


Espumante Formal 2009
Continua a ser um espumante muito especial, pela diferença. Aromas minerais, notas de maça, limão.
Excelente no volume de boca, na explosão de toda a mousse envolvente. Excelente na acidez e na persistência final
Nota 17


Vinhas Velhas 2009
Como curiosidade, este vinho fermentou e estagiou em inox, ao contrário dos seus antecessores. Aromas de laranja, algum herbáceo. Fresco, muito fresco.
Bom volume de boca, acidez e boa persistência final.
Nota 15,5


Vinha Pan 2008
Apresentou-se muito bem no aroma, com muito fruto maduro, notas de pinho, sugestões de barrica e alguma frescura.
Muita raça na prova de boca, taninos muito finos mas muito persistentes.
Nota 17


Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2008
Grande concentração de aromas, já a mostrar complexidade com notas de fruto maduro, notas minerais, e vegetais e perfeita integração de barrica.
Muito jovem na boca, denso, com volume, taninos ainda muito jovens mas finos e aristocráticos. Adorei. Grande Vinho.
Nota 18,5





Quinta do Ameal


Quinta do Ameal Loureiro 2009
Muito fresco, com aromas de vegetais e de lima. Tudo muito fino, muito preciso.
Boca de grande fineza. Acidez presente e boa persistência.
Nota 16


Quinta do Ameal Escolha Loureiro 2008
Toada de frescura. Excelente o trabalho de barrica, perfeitamente integrada. Intenso nos aromas.
Boca cremosa com volume mas muito fina e elegante. Final muito saboroso.
Nota 17


Quinta do Ameal Loureiro 2003
Aromas de mel, queijo e vegetal.
Boca com poucos sinais de oxidação mas ainda assim com um final algo "aguado".
Nota 15


Quinta do Ameal Escolha 2003
Curiosamente mantém o mesmo perfil aromático que o vinho anterior, no entanto oferece mais volume de boca e maior persistência final. É muito mais saboroso.
Nota 16


Quinta do Ameal Special Harvest 2007
Vinho doce, feito a partir de uvas que se colocaram ao sol a secar.
Muito figo no aroma, muita especiaria e gengibre. Muito intenso e a sugerir um vinho muito doce.
Boca com doçura acentuada, untuoso e final longuíssimo.
Nota 17,5





Quinta dos Roques

Quinta das Maias Malvasia Fina 2009
Muito fresco no aroma, com maior substância que a versão de 2008. Sugestões anisadas, vegetais.
Muito fino, apesar de ter bom volume. boa intensidade, saboroso. Boa persistência.
Nota 16


Quinta das Maias Verdelho 2009
Já há algum tempo que não aparecia um Verdelho nas Maias.
Muito bonito de aroma, com notas vegetais minerais e citrinas. Tudo muito fresco e fino.
Boca de muita fineza e excelente persistência.
Nota 16


Quinta dos Roques Encruzado 2009
Ainda algo fechado, sugestões minerais, algumas notas de barrica.
Fino e elegante na boca, final repleto de sabor. Longo e final intenso com notas de barrica. Um vinho à minha maneira.
Nota 17,5


Quinta das Maias Jaen 2007
A lembrar um Borgonha. Fruto silvestre, muita elegância, mas muito sabor. Gostei muito deste Jaen.
Nota 16,5


Quinta dos Roques Alfrocheiro 2007
Maior concentração que no vinho anterior, sobretudo na concentração do fruto. Mantém uma toada de fineza e elegância mas não tem desta feita o equilíbrio e sabor do primeiro.
Nota 16


Quinta dos Roques Touriga Nacional 2007
Ainda me lembro quando provei este vinho há uns largos meses. Quase imberbe pela força de taninos. Hoje, está mais calmo. Mudou muito e para melhor.
Aroma com alguma austeridade, mas muita profundidade. Não é exuberante, mas sim profundo. Barrica de classe.
Boca muito jovem ainda, a sugerir que este vinho precisa de tempo em garrafa. Muito longo. Grande Touriga.
Nota 18


Flor das Maias 2007
Este sim, tem um perfil mais exuberante, com muitas notas de violetas e fruto muito maduro.
Ainda muito jovem na boca e a precisar de tempo em garrafa, no entanto já se conseguirá beber com comidas fortes. O vinho é muito saboroso e tem um final muito longo.
Nota 17

quinta-feira, 29 de abril de 2010

De partida para a Borgonha


Pois é, já só faltam 2 dias para iniciar a minha peregrinação, de 6 dias, à Borgonha. Uma semana de sonho, numa região de sonho. Desde há um mês, altura em que comecei a preparar esta visita, que não penso noutra coisa. Têm sido horas infindáveis a imaginar cenários, a imaginar as paisagens, os vinhos, as pessoas, o tempo, etc, etc. Não tem sido fácil todo este tempo de ansiedade.
Espero voltar, isto se voltar :), com umas boas reportagens do que vi, do que provei, de quem conheci, mas, sobretudo voltar com um pouco da Borgonha, cujos vinhos me encantam sobremaneira.
Até breve.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Campolargo Reserva da Nação 2005

Hoje foi lançado um vinho muito especial, um vinho cuja data de lançamento e a efeméride a que está ligada, acabou por ser o mote para a criação deste mesmo vinho, que penso que já estivesse "na manga" há já algum tempo.
Carlos Campolargo, um dos nomes mais sonantes da Bairrada lançou hoje o Reserva da Nação 2005 tinto, neste ano de comemoração 100 anos da implantação da República. Curioso, ou não, foi o lançamento coincidir com o dia de Reis e no próprio rótulo encontrar-se a alusão à bandeira da Monarquia. Uma pequena "maldade" deste dinâmico e destemido produtor.



Trata-se de um vinho tinto da colheita de 2005, estagiado em garrafa por dois anos após igual período de permanência em madeira nova e usada (barricas de trezentos litros de carvalho francês). As castas Baga, Touriga Nacional, Tinta Barroca e Trincadeira da Bairrada, parcialmente fermentadas em conjunto e provenientes da nossa Quinta de Valle d'Azar, compõem o lote apresentado.
Deste vinho foram feitas apenas 3222 garrafas, que serão vendidas à porta da adega por um preço a rondar os 10€. Boas notícias portanto.

Bom, só falta mesmo é provar o vinho, e isso conto fazê-lo em breve.

domingo, 1 de novembro de 2009

European Wine Bloggers Conference


Terminou hoje um périplo de 3 dias à volta do vinho e dos Wine Bloggers.
Foram muitos que responderam à chamada deste evento, aliás, foram bem mais do que se estava à espera. Estavam presentes muitos Blogs de Vinho (obviamente), produtores, distribuidores, Entidades responsáveis pela promoção do Vinho, Traders e até mesmo responsáveis por Portais associados ao sector. Muitas ideias diferentes e maneiras de pensar diferentes. O que ajudou e bastante a discussão.

Hoje muita conversa em torno do Vinho, muitas conversas em torno da comunidade Wine Blogger. Foram boas conversas. Fiquei a perceber um pouco melhor como são vistos os blogs lá fora e até mesmo cá dentro.

Ora bem, mas então do que é que se falou? Além das sessões tecnológicas, que não presenciei, uma vez que funcionavam ao mesmo tempo que as relacionadas com a comunidade, houve muita conversa em torno da comunidade Wine Blogger e a sua relação com o consumidor e com os produtores. Foi nestas sessões, que pecaram por ser pouco longas, que saíram ideias bem interessantes, nomeadamente, a ideia de que os produtores, distribuidores e entidades dos sector que estavam presentes, consideram os Blogs como Crítica e Jornalismo de Vinho. A ideia era de que se alguém que escreve sobre um vinho, está a dizer se é bom ou se é mau, está a criticá-lo, ou a questão amostras, a eterna questão das amostras, onde fiquei com a ideia de que a maioria dos produtores não percebe bem como chegar a um blog, no sentido de enviar amostras. Ou seja, os produtores ainda não percebem se podem/devem enviar amostras para os diversos blogs, uma vez que também não percebem quem quer receber amostras e quem quer apenas falar sobre vinhos que consome. Interessante esta dualidade de blogs que pode existir.


Mas falou-se muito mais, falou-se da necessidade de um blog trabalhar muito mais, de bloggar mais, de criar uma união internacional com outros blogs, de se acercar de entidades e de se relacionar com produtores, sob o pretexto de obter uma melhor qualidade no que escreve, uma melhor audiência e sobretudo uma melhor reputação junto de quem o lê e sobre o que escreve.

Houve ainda tempo para várias provas. Houve a prova dos Douro Boys, houve prova livre com algumas dezenas de produtores que quiseram estar presentes. Houve prova comentada pelo Charles Metcalfe, e vários vinhos que acompanharam as refeições. Ao todo foram umas largas dezenas de vinhos que todos tiveram oportunidade de provar. Assim de repente, além dos Douro Boys, passaram por lá o Esporão, José Maria da Fonseca, Cortes de Cima, Quevedo, Sogrape, Luis Pato, Covela, àlvaro Castro, Quinta dos Termos, Provam, Borges, Vale d'Algares, Lagar de Darei, Quinta dos Roques, etc.

Acabei por falar com a maioria dos produtores e a todos perguntei o que fazim por ali, e o que pensavam deste tipo de comuniação. As respostam foram sempre positivas, mas fiquei sempre com a sensação de que uma boa parte dos produtores estaria ali para verificar como funcionava a coisa. Acredito que sairam com excelente opinião, pois todos encontraram uma comunidade muito interessada, muito proactiva e muito aberta.

Também se notou muito a esmagadora ausência da comunidade Wine Blogger Nacional, ainda por cima, por parte de alguns produtores nacionais. Enfim, não ve a pena falar muito mais sobre essa questão. Mas fiquei com imensa pena de não poder contar com eles.

Foi um excelente evento, um evento divertido, conheceram-se outras pessoas com os mesmos gostos que nós, conheceram-se outros produtores. Foi muito proveitoso e espero poder estar na próxima.
A organização esteve impecável, especialmente no timming, com praticamente nenhum atraso. O suporte tecnológico, que esteve a cargo dos Addega, esteve ao nível de qualquer outra conferência.

Algumas imagens:

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Grande Prova Porto Vintage 2007

Está será uma das raras oportunidades de se provarem tantos Porto Vintage, cerca de 40 casas vão estar representadas, num só espaço.
O Instituto do Vinho do Douro e Porto (IVDP), a Associação de Empresas do Vinho do Porto (AEVP) e a Essência do Vinho, organizam esta Grande Prova de Vintage Porto, no dia 23 de Outubro, a partir das 17h, no Palácio da Bolsa, no Porto.
Uma excelente oportunidade para provar os vinhos desta fantástica colheita.
A não perder.....


A entrada tem um valor de 5€, que inclui um copo Siza Vieira de Vinho do Porto.


Ver notícia original aqui

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Hoje despedi-me de um Amigo




Foi com muito pesar que nos despedimos hoje de António Carvalho.
Uns conhecerão a sua obra, seus vinhos, na sua querida Casal Figueira, outros conhecerão o Homem e o seu carácter, e alguns, conhecerão porventura a Obra e o Homem. Eu tive o privilégio de conhecer ambas.
Na sua obra, ou seja, nos seus vinhos conheci vinhos impressionantes, na singularidade, na irreverência e no carácter. Sempre espelharam o seu criador.
No Homem, conheci um dos seres humanos mais apaixonados, pela terra, pelo seu fruto, pela família, enfim, pela sua vida. Pois foi por ironia do destino que, a fazer o que mais amava, sucumbiu. Perdeu-se um amigo, uma obra e finalmente um grande Homem.

Nunca lhe vi tristeza, nunca lhe vi desilusão, nunca lhe vi qualquer espécie de desânimo. O António não era desses. Sempre de cabeça levantada, sempre risonho e sempre amigo. Lembro-me que desde que o conheci, que cada vez que me ligava, antes mesmo de um cumprimento verbal, soltava sempre uma gargalhada que invariavelmente acabava por ser o nosso inicio de conversa.
Tenho óptimas lembranças dele nos nossos jantares, almoços ou lanches, que duravam horas e horas e sempre cheios de boa disposição. Era contagiante para todos os que privavam com ele.

Tudo boas recordações do António, mas sempre houve algo com que me deleitava quando estava com ele. A sua paixão pelos seus vinhos. É certo que nunca fez os melhores vinhos do mundo, pois não existem, mas para ele eram tudo. Na sua simplicidade, outra grande virtude dele, sempre afirmou que adorava os seus vinhos, e no seu coração sei que eram enormes.
Pois eu digo-te amigo que fui tocado por eles e que sinto muito que não possas continuar a tocar-me.
Haveria tanto para dizer sobre o António, tanta coisa boa, mas acabam-se por me faltar palavras.
Já sinto imenso a sua falta. Mas creio que aquilo que fez, aquilo que nos deixou, jamais será esquecido.

A ti António, o meu profundo agradecimento pela Amizade, pelo enorme sorriso, pela irreverência, pela simplicidade, pela verdade. Como disse ontem, e muitíssimo bem, Luís Ramos Lopes, o Vinhos em Portugal, sem ti, fica muito mais igual. Todos irão nós, amantes do vinho, iremos sentir a tua falta. Até sempre.....

Algumas imagens que espelham bem os momentos que passámos juntos.










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