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domingo, 13 de maio de 2012

Duelos

Tenho imenso prazer nestes "duelos" vínicos, entre vinhos que tanto diferem na sua condição, e sobretudo no seu perfil. Estas diferenças automaticamente sugerem um debate aceso sobre a qualidade dos vinhos, sobre o seu perfil e sobre os gostos particulares de cada individualidade.
O certo é que um almoço sem grande preparação, se tornou num fantástico debate entre amigos. Até dá gosto assim.

Obviamente que para isto contribuíram, e muito, a qualidade geral dos vinhos, a fabulosa comida e a boa disposição, apesar de uma noite em cheio no dia anterior com um jantar vínico na Tasca do Joel. Assim ontem acabámos por rumar novamente para este "nosso" santuário, onde invariavelmente somos tratados como Reis.

Começámos com as entradas. Búzios gratinados, lulinhas e o habitual presunto, que harmonizámos com o único Borgonha do almoço, um sempre impecável Etienne Sauzet Puligny-Montrachet 2008. "Enrolaram-se" na Perfeição entre si.

Nas carnes, a escolha foi um excelente misto de carnes, que continha a novíssima carne maturada da tasca, Barrosã, Porco Preto, etc. Simplesmente divinal e no ponto. Acompanharam os vinhos tintos na Perfeição.


Quanto aos vinhos:


Etienne Sauzet Puligny Montrachet 2008
Muito fino, demorou algum tempo até começar a abrir. De repente, um Puligny generoso, puro e mineral.
Na boca contava com maior acidez, com mais nervo, mas adorei a sua largura, elegância e viscosidade.


Luciano Sandrone Barolo "Le Vigne" 1999
Fantástico na pureza. Um Barolo puro e duro. Estilo tradicional, rústico, de cor aberta e com sugestões de terra, alcatrão e especiarias.
Fino mas de taninos empertigados. Adorei


Penfolds Grange 1999
Colossal, muito jovem. Muito denso, profundo e mesmo austero ainda. Tudo muito primário, com fruto muito preto, tosta e especiarias. Impressiona em todos os aspectos. Másculo, generoso, envolvente. Grande vinho, grande Syrah. A guardar.


Château Léoville las Cases 1989
Que garrafa tão perfeita. Muito jovem na côr e nos aromas ainda bem marcantes de frutos maduros, de pimento e mineralidade. Muita profundidade. Denso
Intenso, saboroso, muito fino mas marcadamente largo. Final muito longo. Perfeito


Château Lafite Rothschild 1991
De um ano bem menor em Bordéus. Aparentava ter bem mais idade que os 21 anos de vida. Cor já muito marcada pelo tempo, ou por uma guarda pouco exemplar. Ainda subiu muito no copo, mas comparando com os vinhos anteriores, apenas deu prazer.


M. Chapoutier Hermitage Vin de Paille 1994
Aromáticamente muito complexo, com muitas notas de tangerina, de mel, canela.
Grande controlo no açúcar. Viscoso mas ao mesmo tempo elegante. Muito longo. Excelente


Olaszliszkai Borászati Emerencia Selection Tokaji Aszúeszencia 1995
Grande concentração, complexidade e frescura neste vinho. Muito doce, sem ser de maneira nenhuma enjoativo. Notas de mel, caramelo, nougat e especiarias.
Grande concentração na boca, viscoso, bom equilíbrio entre o açúcar e a acidez, apesar das cerca de 200g de açúcar residual. Fantástico

Dr Loosen Erdener Pralat Riesling Auslese 1976
Muito fino, complexo e fresco. Perdeu muito da sua doçura e é agora um espelho do equilíbrio e da longevidade destes rieslings. Fantástico como sempre.


Artur Barros e Sousa Terrantez 1980
Um dos meus produtores preferidos. Côr muito clara mas enorme complexidade do nariz. Este Terrantez é muito elegante, o que alguns até considerariam de magro. Acidez marcante e final muito longo. Adoro










sábado, 21 de maio de 2011

Les Coufis de Paille de L'Ardèche

Os Vin de Paille são saberes antigos da zona do Rhône Norte, verdadeiras pérolas. Raros, pois apenas alguns produtores os produzem. Michel Chapoutier é um desses produtores que por consideração a seu pai, ainda utiliza algumas das suas preciosas uvas de Marsanne de Hermitage para fazer o seu Vin de Paille. Este Coufis de Paille é também ele um Vin de Paille mas feito a partir da casta Viognier. São sempre vinhos feitos em quantidade muito pequenas sendo o de Hermitage, muito raro mesmo.
Como o próprio nome indica, o "Vinho de Palha" é um vinho doce natural onde as uvas são desidratadas ao sol, em esteiras de palha.

M. Chapoutier Les Coufis de Paille de L'Ardèche 2001
Bonita cor doirada. Aroma de fruto tropical a que se associam notas de mel e especiadas. Boa percepção de frescura..
Boca com volume, glicerinada. Docura mediana e acidez mediana. Mantém-se fresco mas sem a intensidade e explosão do "verdadeiro" Vin de Paille. Falta um pouco mais de acidez e de doçura para ser muito mais sério. Ainda assim não deixa de ser muito bom e de dar enorme prazer a ser bebido.
Nota 16,5

Chateau Pichon Longueville Comtesse de Lalande

A generosidade de amigos é sempre bem vinda. Foi num amigo que voltei a beber este mítico vinho e que esteve à altura de todas as expectativas.



Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande 1982
Decantado 4 horas antes. Impressionante a juventude de um vinho que faz agora 29 anos e que provem de uma colheita mítica, extremamente conhecida por ter trazido ao mundo o Astro maior da crítica de vinho, Robert Parker. Ao decantar as garrafas percebi que o vinho estava inicialmente, como previsível, algo preso e fechado. Após 4 horas no decanter mostrou então todo o seu esplendor com uma enorme complexidade de aromas, muitos dos quais não os conseguia identificar. A precisão e pureza nos aromas é assinalável, com muitas sugestões de pimento verde, ameixas, cassis e depois cedro, tabaco, especiarias, terra. Excelente frescura e equilibrio.
Na boca é enorme, mostra concentração, tensão e volume. Mostra frescura, precisão e amplitude. Final longuíssimo ainda com taninos e muito finos. Soberba textura. Impressionante sob qualquer ponto de vista. Inesquecível.
Nota 20

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Da Garrafeira

Foi num almoço entre amigos, em Peniche, na Tasca do Joel, onde confesso passar muitos dos meus fins de semana. O Cos Estournel 85 já aguardava há muito na minha garrafeira, esperando o dia D e o motivo para este almoço terá sido mesmo esse, abri-lo com bons amigos. Entretanto abriram-se mais uns vinhos:


Raúl Perez Ultreia La Claudina Godello 2008
Vem da região de Bierzo, onde o magnífico Raúl Pérez faz uma boa parte dos seus vinhos, com especial destaque para os Ultreia. Este vinho é feito a partir da casta Godello, e estagia em duas barricas de 700l e uma de 225l, por um período de 11 meses.
Aroma com evolução, sensação doce por vezes a lembrar um colheita tardia. Aroma de mel, ananás em calda, limão. Estava à espera de maior frescura. Ia melhorando no copo.
Boca bom volume, rico, muito saboroso e persistente.
Nota 16,5



Château Tayac Margaux 1976
Monocórdico no aroma com as notas herbácias e de pimento. Já perdeu a sua fruta, mas é ainda assim um vinho fresco e intenso.
Na boca um Bordéus evoluído, tudo muito soft, muito redondo e algo delgado, mas sem perder o interesse. Do alto dos seus 35 anos, está jeitoso, especialmente para um Cru Bourgeois.
Nota 16




Château Cos Estournel 1985
Enorme concentração na côr. Novamente um vinho que engana, pois parece bem mais jovem.
Grande concentração no aroma, com notas de fruto negro, pimento, especiarias, algum couro. Tudo muito sincronizado e muito fresco.
Fantástico na boca, a mostrar que ainda quer mais anos pela frente. Nervoso, poderoso , ainda com taninos férteis e voluntariosos. Excelente acidez num final médio/longo. Grande vinho, que acredito ainda aperfeiçoará por mais anos.
Nota 18,5



Grou 2004 Rótulo Cinzento
Grande surpresa na jovialidade deste vinho.
Os anos não passaram por ele. Ainda mantém fruto decadente, muita intensidade, fruto caloroso, muitas notas compotadas, algum floral e ainda notas de fumo..
Boca poderosa com taninos ainda muito presentes a mostrar que precisa ainda de tempo, precisa de garrafa. Confesso que não será o estilo de vinho que mais me comove, e até terá muitos adeptos, mas não deixa de ser muitíssimo bom e uma bela surpresa.
Nota 17

sexta-feira, 18 de março de 2011

Da Garrafeira

A ocasião, solene ou nem por isso, era a passagem e a celebração de mais um ano de vida, coisa muito importante e de assinalar dos dias que correm. Junta-se um pequeno grupo de amigos e toca a abrir uma garrafas valentes pela noite dentro. O que gosto nestas ocasiões é quando se abrem vinhos particularmente especiais numa mesa onde todos comungam da mesma paixão, o Vinho. Enquanto se janta falam-se sobre os vinhos que estamos a beber. Nesta casa, por hábito, aparece sempre tudo às cegas, o que se propicia a erros grosseiros mas também a momentos de pura diversão. A prova cega é mesmo assim, como uma espada de dois gumes, de um lado a suposta verdade do que achamos da qualidade do que bebemos, e no outro a possibilidade de não compreender um vinho por não estarmos na posse de todos os dados para que este ou aquele produtor de filosofia diferente possa ser identificado. Ainda assim, é sempre um excelente exemplo de conduzir uma prova, aliás um jantar, por menos formal que seja.



Deste jantar destaco como é óbvio a qualidade dos vinhos que foram chegando à mesa, praticamente todos estrangeiros e de nomes sobejamente reconhecidos. Mas no meio de todos estes vinhos não posso que houve um Vinho Português, da Bairrada, que se bateu de igual para igual com todos eles, e no meu entender, melhor que alguns deles.
Os vinhos foram todos bebidos às cegas e alguns vieram em parelha, numa espécie de duelo.


Etienne Sauzet Bienvenues-Bâtard-Montrachet Grand Cru 1997
A Maison Sauzet está sediada em Puligny-Montrachet, que é a village-estandarte, na produção de vinhos brancos da Borgônha, talvez para muitos, a par com a Village de Mersault. Nesta Appelation podemos encontrar as célebres vinhas Grand Cru de brancos, como a Le Montrachet, Chevalier-Montrachet, Bâtard-Montrachet e a Bienvenues, de onde provém este vinho. A única casta utilizada na produção destes brancos é a Chardonnay.
A cor já entra em uma espécie doirado, sem ser ainda carregado. Aroma com alguma oxidação, a lembrar algumas notas de mel. Muitas notas minerais e sugestões etéreas. Muito fino de aroma.
Na boca, um registo muito cordial, com o vinho a mostrar-se redondo, elegante, com uma textura fantástica e um final médio/longo. Estava à espera de mais nervo.
Nota 17


Vega Sicilia Único 1964
Completamente estoirado. Impróprio para consumo.
S/N



Duelo 1 - Bruno Giacosa Barbaresco Santo Stefano di Nieve 1998 vs Chateau Rayas Resérve Chateauneuf du Pape 1998


Bruno Giacosa Barbaresco Santo Stefano di Nieve 1998
Giacosa é um dos nomes mais sonantes da região Italiana do Piedmonte, de onde saem os Barolo e Barbaresco e também um "Old School" da região. A casta utilizada é a Nebbiolo.
Cor muito carregada, quase opaca, que sugere pouca evolução neste vinho. O oposto do Rayas, em termos de cor mas novamente um vinho com enorme carácter. A concentração na côr não é correspondida nos aromas, que se ficam por aromas de frutos silvestres, flores, ligeiro couro e tabaco.
A boca é massiva na concentração de taninos e acidez. muito jovem mas cheio de nervo. Final muito longo. Belo vinho.
Nota 18


Chateau Rayas Resérve Chateauneuf du Pape 1998
É o nome mítico de Chateauneuf du pape, o vinho que todos querem alcançar. A "sede" pelos vinhos deste produtor foi tanta, que hoje em dia custam um pequeno balúrdio. Quanto ao estilo, este produtor é simplesmente o mais tradicionalista de todos da região, e para além de tradicionalista eu quase diria que obscuro.
O vinho acabou, no meu entender de ganhar o duelo, pelo carácter do vinho. A cor tem muito pouca concentração, a lembrar um borgonha. Apesar da cor, este vinho é tudo menos frágil. Aroma muito rico, perfumado, com notas de morangos, framboesas, tudo muito fresco, tudo muito equilibrado e sobretudo com uma limpidez deslumbrante.
Na boca, o vinho é fino mas com enorme concentração de sabor, quase uma sensação carnal que não consigo explicar, alguns notas fumadas e vegetais. Final muito longo com taninos de veludo. Adorei este vinho pelo seu carácter, pela sua diferença.
Nota 18,5


Gonçalves Faria Tonel Especial 3 Reserva 1991
Feito de Baga, no coração da Bairrada, este é um dos produtores que infelizmente saiu de cena precocemente, deixando-nos um legado vivo através do seus vinhos. Infelizmente, poucos poderão ter acesso a estes vinhos, pelo que alguma vez passarem por eles não hesitem em batalhar por eles.
Ora, este vinho deixou-me emocionado pela simples razão de se ter batido de igual com todos estes nomes mundiais. Ninguém conseguiu sequer se aproximar da colheita. Ninguém baixou de 2001 nas suas previsões. O vinho tinha uma cor absolutamente impressionante para um vinho com 20 anos. Aroma a lembrar a Baga, com notas de eucalipto, notas mentoladas, vegetal seco, fruto ainda presente e maduro. Profundo, fresco e equilibrado.
Boca cheia de sabor, de vinosidade, final ainda cheio de taninos firmes e acidez. A prova que os vinhos portugueses podem envelhecer tanto quanto os restantes e que a Baga, e a Bairrada, pode e deve dar grandes vinhos. Entre este e o Garrafeira Tonel 5 1990, fiquei com sérias dúvidas de qual gostei mais.
Nota 18



Chateau Fonsalette Côtes du Rhône 1998
Grande concentração na côr. Aroma algo confuso, pouco limpo. Notas de fruto maduro, carne assada e vegetal.
Boca aguerrida, jovem, com boa acidez num final médio/longo. Esperava mais deste vinho.
Nota 16



Duelo 2 - Domaine Fourrier Gevrey Chambertin 1er Cru Clos St Jacques 1999 vs Domaine de la Romanée Conti La Tâche 1999

Domaine Fourrier Gevrey Chambertin 1er Cru Clos St Jacques 1999
Adoro este produtor. Sempre que proveis os seus vinhos, achei sempre que este é um perfil que mexe comigo. E mais uma vez, este vinho não se fez rogar, pela sua leveza, pelo aroma perfumado que nos prende, pela frescura que emana.
Tudo nele é fino, sem ser fraco, delgado, mas com potência. Tudo arrumado, tudo direitinho, tudo preciso. Adoro vinhos assim.
Nota 17,5



Domaine de la Romanée Conti La Tâche Grand Cru 1999
Penso que este produtor dispensará apresentação, ou não fosse o produtor mais conhecido e requisitado em todo o mundo.
Na cor nem parecia um borgonha, pela concentração que apresentava. No nariz disse logo tudo, mas este vinho é mesmo especial. Como mostrar um aroma tão fino, tão expressivo, mas ao mesmo tempo mostrar densidade, profundidade. Como mostra toda uma fineza num vinho de músculo, de potência desmedida. Tenho bebidos muito vinhos ao longo desta minha ainda curta viagem, mas é quando estamos perante um vinho destes que nos desarmamos e achamos que a natureza é tão preciosa. É obra fazer isto. Um gigante com luvas de cetim.
Nota 20



Croft Vintage 1955
Apesar do rótulo ser uma fotocopia, a rolha confirmava o vinho. Aroma complexo com muitas notas de frutos silvestres, cravinho, canela, notas licoradas e frutos secos. Equilibrado, com o espírito integrado e fresco.
Boca elegante, com doçura proeminente. No copo ia ganhando volume. Excelente acidez num final muito, mas muito, longo.
Nota 18,5

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Da Garrafeira

Por vezes é isto mesmo que apetece. Ir à garrafeira, humilde é certo, e trazer algumas coisas que estão religiosamente guardadas. Ao mesmo tempo aproveitar a garrafeira de um ou outro a migo, e em torno do vinho fazer um almoço simples mas de enorme satisfação. Foi o que aconteceu nesta Sábado, como de costume, na Tasca do Joel.



Sem grandes preparações, sem vaguear num mar de incertezas, até porque não há assim tanto por onde escolher, sobre que vinho levar. Assim que olhei para uma das garrafas de Gonçalves Faria Garrafeira Tonel Especial 5 1990, foi imediata a certeza de que era mesmo isto que me apetecia beber. Voltar a ver como está este vinho que sempre me trouxe boas novas, ano após ano. Ora esta garrafa esta simplesmente sublime, não sendo de esperar outra coisa, face à sua guarda exemplar.
Ainda cheio de vida, de concentração e de inicio quase opulento no vigor. Decantado, acabou a mostrar um nervo de quem ainda quer estar por aqui mais uns anos. Um Bairrada, um Baga, perfeito.

Ainda havia de levar outro vinho, quase como descarga de consciência, não fosse o vinho faltar. Foi um Campo al Mare Bolgheri 2005. Das 3 garrafas que tinha, sendo esta a ultima, todas apresentaram o mesmo estilo. Um vinho que apresenta sempre notas lácteas de inicio, deixando depois um pendor compotado, opulento. Não aprecio na totalidade este tipo de vinhos. São excessivos. Apesar deste meu desabafo em termos de gosto, creio que este vinho terá sempre adeptos. O vinho mantém-se muito jovem.

Para a mesa veio uma Magnum de um Joseph Drouhin Clos de Vougeot 2000. Este sim, estava fantástico. Fino, expressivo, elegante, delicado e fresco. Fantástico vinho, que apesar de nem parecer um Vougeot, pela falta de estrutura que geralmente apresentam, esteve à altura de 4 amigos que com a maior das facilidades a "despacharam", sem olhar para trás. Belo vinho.



Terminámos com dois hinos aos vinhos de sobremesa. Primeiro, um Weingut Eduard Haut-Herpen Graacher Domprobst Riesling Auslese 1976, que apesar de não conhecer o produtor, acabou por se cifrar num dos melhores Mosel que bebi na vida. Muito botrytis no aroma, associado a intensas notas petroladas. O aroma é inesquecível. Ainda com doçura apesar de um equilíbrio e frescura notáveis. Que grande vinho.

Para o final estava reservado um madeira muito especial. Um F.M.A Bual 1964. Um madeira de grande classe e qualidade. Grande complexidade de aromas num vinho onde a "sua boca" é portento. Acidez vincada mas que nos prende ao vinho. Doçura equilibrada com a acidez, funcionando num conjunto perfeito. Enorme final, longo e vibrante. Excelente

sábado, 26 de junho de 2010

Chateau D'Yquem

Voltamos a mais uma prova de um vinhos que encanta tudo e todos. O caso não é para menos, pois estamos a falar de um dos grandes vinhos do mundo, que quando atinge a plenitude, que quando o ano assim o permite, torna-se extremamente procurado por todos os que podem comprar uma simples garrafa a preços astronómicos.
A verdade é que a dificuldade para chegar ao produto final é tanta, que realmente este vinho só poderia ser caro.


Château D'Yquem 1976
Produtor - Château d'Yquem
Região - Sauternes (França)
Grau - N/D
Preço - "Escandaloso"
Feito a partir das castas Sémillon e Sauvignon Blanc, atacadas pelo fungo Botrytis Cinerea.
Cor âmbar/cobre. Se tivesse de caracterizar numa palavra este vinho, bastava apenas perfume. Nariz absurdamente complexo onde consegui vislumbrar notas de mel, pêssego, côco, baunilha, caramelo e especiarias. Cada vez que o levava ao nariz o vinho estava diferente. Enorme complexidade numa toada sempre fresca. Impressiona.
Na boca, o céu. É difícil de explicar a riqueza e intensidade deste vinho na boca. Volumoso, sedoso, untuoso, doce, fresco, de enorme acidez e com um final que nunca mais acaba. Tudo isto num vinho completamente equilibrado. É obra.
A volúpia numa só garrafa. Um pecado.
Nota 19

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Billecart-Salmon



Foi no passado dia 14 de Junho que a oportunidade de estar presente numa prova dos Champagnes Billecart-Salmon, conduzida por um dos proprietários e descendente da família, o Sr Antoine Billecart.
Tenho que confessar que sempre gostei dos Champagnes desta casa. São vinhos muito precisos, de carácter vincado e sempre com grande acidez. Esta prova, mais que um prova, foi uma lição, foi um passar a pente fino pela filosofia da casa, pelas técnicas de vinificação, pelas castas e pela região.



A Maison Billecart-Salmon, sediada em Mareuil-Sur-Aÿ, foi fundada em 1818 e vai hoje na 7ª geração da família à frente dos destinos da Casa. O saber foi passado de geração em geração, criando uma dinastia e um nome de peso na região e no mundo. Estamos perante um pequeno produtor, à escala de Champagne, que tem uma produção a rondar as cerca de 2 milhões de garrafas. A Billecart-Salmon possui cerca de 22ha de vinha própria, onde se inclui a vinha de onde nasce o Clos Saint-Hilaire, e comprando ainda uvas de um total de 240ha.
Todo o vinho é feito com o único propósito da qualidade, desde os vinhos base até ao engarrafamento. Muitas técnicas ancestrais se juntam a pequenas particularidades exclusivas da casa, que vão desde as tardias e invulgares longas fermentações, até à selecção criteriosa das leveduras indígenas, que apenas são utilizadas na 2ªa fermentação, para mim uma novidade.
Bom, mas poderão consultar o site do produtor aqui, para obterem muitas mais informações.

Passemos então à prova comentada, onde se provaram os seguintes vinhos:



Billecart-Salmon Reservée
Representa cerca de 65% da produção da casa. A indicação reservée provem do facto de serem utilizados vinhos de reserva, com estágio em barricas, no blend, que no caso desta garrafa foram utilizados vinhos de 2004, 2005 e 2006.
O vinho apresentou-se com enorme frescura, muitas notas de maçã, ligeira tosta e alguma evolução positiva, que provavelmente provém de alguns dos vinhos mais antigos do lote.
Na boca, alguma intensidade na acidez e no final algo austero. Excelente para a mesa.
Nota 16.5



Billecart-Salmon Extra Brut
Este vinho foi feito com os mesmos lotes do anterior, apenas se tratando da versão extra brut, ou seja, menor açúcar residual.
Muito vincado e austero no aroma. Causa impacte quando o provamos. Muito seco, mas mineral e quase obtuso.
A austeridade mantém-se na boca quer pela acidez quer pela secura. Perde um pouco na persistência face ao anterior. Excelente com um presunto ou enchidos.
Nota 16



Billecart-Salmon Vintage 2004
Neste vinho, colheita de 2004, foram usados 70% de Pinot Noir e 30% de Chardonnay. Do lote, apenas 25% foi estagiado em barrica usada, que provém da Borgonha.
Bolha fina e persistente.Muitas notas vegetais, alguma salinidade, pão e aromas de baunilha. Um aroma muito completo e de bela intensidade.
Mantém-se um perfil ácido e seco, com um final muito nervoso.
Nota 17



Billecart-Salmon Nicolas François 1998
Vinho com cerca de 60% Pinot Noir e 40% de Chardonnay.
Bolha muito fina e persistente. Aromas iniciais a lembrarem um queijo intenso que desde logo dão lugar a notas citrinas de maças, laranjas e lima. Muito mineral e algumas sugestões tostadas e amendoadas. Muito fino nos aromas.
Na boca mantém-se uma postura de fineza, de complexidade que associa a uma acidez judiciosa e um final longo. Belo Champagne.
Nota 17,5


Billecart-Salmon Brut Rosé
No blend entram vinhos base de 2006 e 2007, com maior percentagem do último.
Não consigo esconder a predilecção por este Champagne Rosé. Foram tantas as vezes que o bebi, sem nunca se desviar da excelência.
Bolha fina e persistente com bastante efervescência. muito intenso nos aromas de framboesa, cereja, ameixa branca, mineralidade e algumas tosta.
Na boca, uma explosão inicial dá lugar a uma cremosidade divinal, com notas de leveduras, acidez franca e um final longo e saboroso. Fabuloso.
Nota 18



Billecart-Salmon Blanc de Blancs 1986 (Magnum)
E para o fim estava guardado o "bom bocado". Um hino aqueles que possam ter dúvidas que Champagne pode ser fenomenal com alguma idade, que se pode guardar perfeitamente, desde que observadas as condições ideais de guarda.
Ainda pouco ou nada oxidado na côr, a mostrar um esverdeado carregado. Ainda com bastante efervescência e bolha muito fina e persistente.
Uma explosão, contida, de aromas a gás, maçãs, mineral e sugestões petroladas. Muito fresco.
Muito vivo, cremoso e com acidez nervosa. Inesquecível.
Nota 19

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O carismático Petrvs

Não é nada fácil ter um vinho destes, que por pura sorte cacei, na garrafeira e não sentir-se tentado a abrir a única e preciosa garrafa que lá mora. A pressão é diária, abre-se todos os dias a cave climatizada, coloca-se a mão em cima e diz-se para dentro, é hoje, para logo de seguida vir o bom senso que nos diz, espera, guarda-a mais um pouco. Foram assim os meus dias durante duas semanas, o tempo que consegui resistir à tentação imediata. Para isso também contribuiu um bom amigo, que não parava de dizer, traz isso pá.


E assim lá foi o dia de "São Petrvs". Éramos seis amigos para o desvendar, seis almas ansiosas por sentir a transformação . Poder-se-à afirmar que isto são só manias à volta de um vinho, que nem merece o preço que dão por ele, mas, todos aqueles que gostam de vinho, que conhecem um pouco de vinho, gostariam de um dia provar um destes monstros sagrados. Eu afirmo, sem qualquer demagogia, que faço parte daqueles que procuram o "Santo Graal".

A colheita era de 96, um dos grandes anos no Médoc, mas nada mau em Pomerol. Os mais conceituados críticos internacionais, afirmam que apesar de não se tratar de um clássico, a esses nunca chegarei, é daqueles que perdurará por muitos e muitos anos. Robert Parker chamou-lhe de Mamute. Infelizmente lá tive de o "matar" ainda muito jovem, mas sem qualquer arrependimento. O vinho estava soberbo. Amor à primeira vista e à primeira cheiradela. Complexo, bruto e profundo. Confesso que esperava algo mais exótico, mas não, nada disso, este vinho é precisão e nervo. Fechado de início, desenvolveu mais tarde aromas de terra, sugestões minerais, de flores e de ervas aromáticas. Na boca "caiu o Carmo e a Trindade." Poderosíssimo, muito jovem, os taninos são impressionantes, absolutamente impressionantes, firmes mas muito fineza e precisão incríveis. Estava mesmo muito bom este vinho, e a julgar pelo que bebi, parece que só agora começa a dar os seus primeiros passos.

Não bebemos o vinho todo e guardámos um pouco para ver a evolução no dia seguinte. Maldita hora o fizemos. O vinho estava muito mau, oxidado, desconjuntado, nem parecia a madrinha. Um aviso à navegação, não deixem para amanhã, o que podem fazer hoje. Lição aprendida.



quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Billecart-Salmon

Confesso que quanto mais bebo champagne mais viciado fico neste tipo de vinho. Embora goste muito de alguns espumantes feitos em Portugal, é no champagne francês que encontro os melhores vinhos e os "State of the Art". Desta feita, uma incursão pela casa Billecart-Salmon.
"Em 1818, Nicholas François Billecart e sua esposa Elisabeth Salmon fundaram a sua casa de Champagne em Mareuil-sur-Ay, onde a sua família estava estabelecida desde o Século 17.
Cerca de 200 anos depois, na actualidade, a sétima geração mantém-se em Mareuil-sur-Ay e a sua independência como casa de Champagne." (Informação retirada, e traduzida, do Site www.champagne-billecart.fr)


Champagne Billecart-Salmon Brut Réserve
Produtor - Billecart-Salmon
Região - Champagne (França)
Grau -
Feito a partir das castas Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier, apresentou uma bonita cor palha com perlage média e boa persistência. No aroma surgem de imediato os aromas de citrinos e fermento com notas de tosta como pano de fundo. O aroma é muito persistente e fresco.
Na boca mostra-se um pouco austero e seco mas ainda assim um fresco e bem vivo champagne. Excelente acidez e persistência final.
Para o preço a que se costumam encontrar os mais usuais Champagnes, este é uma na minha opinião um excelente compra face à qualidade apresentada.
Nota 17


Champagne Billecart-Salmon Brut Rosé
Produtor - Billecart-Salmon
Região - Champagne (França)
Grau -

Feito a partir das castas Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier vinificadas como vinho branco e um percentagem do Pinot Noir vinificada como tinto.
Lindíssima cor salmão com perlage finíssima. Começa o vinho a escorrer no copo e começamos imediatamente a salivar, tal a apresentação da cor e do perfume que emana. Notas de morangos, de fruto silvestre, de citrinos, brioche e flores são a componente deste exuberante aroma.
Na boca a textura que nos confere um vinho suave, ainda que encorpado, um vinho delicado e fantasticamente fresco. Todo este esplendor termina com uma persistência longuíssima.
O que dizer de um champagne de crivo superior? Que venham mais como este ou deste :).
Nota 18


Este foi o meu primeiro encontro com os vinhos desta casa e a ver pelas minhas impressões, fiquei fã. Atenção que estes 2 vinhos são a entrada de gama da Casa Billecart-Salmon pelo que, a ver por estes, o que vem a seguir.......

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Trimbach

Cuvée des Seigneurs de Ribeaupierre Gewurztraminer 1999
Produtor - Trimbach
Região - Alsácia (França)
Grau - 13,5% vol
Provado em prova cega. Mal se encosta o nariz junto a este vinho, o aroma "a Colheita Tardia" inunda-nos as narinas e de imediato a associação que se faz é de um vinho estrangeiro e cujas uvas já deviam ter estado avançado de maturação, quando vindimadas.
Na cor está um dourado brilhante. No nariz uma complexidade muito bem vinda com notas de muita lichia, algum citrino onde se reconhece de imediato o limão, muita especiaria e agradável fragrância de rosas.
Na boca um vinho denso, intenso e xaropado, com ataque adocicado e final ligeiramente amargo de boa persistência. No meu entender e talvez pelos anos que já passaram, peca apenas por alguma falta de acidez. Estamos perante um bom Gewurztraminer mas que no meu entender será uma opção mais válida para um final de refeição.
Nota 17

terça-feira, 6 de novembro de 2007

E quando um vinho nos deixa sem palavras?

Domaine de la Janasse Châteauneuf du Pape "Chaupin" 2004
Produtor - Domaine de la Janasse
Origem - Châteauneuf du Pape, Ródano(Rhône), França
Grau - 15,4% vol
Este vinho vem de uma região que apesar de ainda um pouco desconhecida para mim, já me despertou muita atenção aquando da prova de alguns dos seus vinhos. é uma região que produz vinhos muito concentrados e carnudos, que podem envelhecer muito bem.
Este vinho feito a partir da casta Grenache, apresentou um côr opaca, carregadissíma. No nariz foi amor à primeira vista tal a concentração de fruta madura que apresentava. Amoras, Cereja Preta, Cassis e Mirtilhos compunham a "frutaria" deste vinho, a sensação de licôr estava bem presente e com o desvaneio das especiarias tornavam este vinho numa sensação única. Na boca mais uma daquelas sensações unicas. Concentrado, cheio, maduro, um vinho especial. Taninos gulosos, redondos mas com potência e acidez suficiente para suportar este vinho. Termina longo com a sensação densa da fruta e da especiaria. Belíssimo
Nota 18,5

sábado, 29 de setembro de 2007

O meu primeiro Sylvaner

França (Alsácia)- Domaine Scherb Sylvaner 2001 Vielles Vignes Cuvée Christiane
Este Vinho de garrafa azul, com 13%vol e uma bonita côr dourada, ostenta um aroma muito melado, cheio de fruto tropical, doce e com nuances vegetais. Na boca temos um vinho algo gordo, com boa acidez e que termina longo mas ligeiramente amargo. Este é um vinho que não é possivel encontrar no nosso país.
Nota 15,5

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