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domingo, 27 de novembro de 2011

Velhos são os trapos

São inúmeras as vezes que me encontro perante a situação de estar a agarrar numa garrafa de um vinho velho, numa loja, e logo aparecer um individuo a exclamar; Ahhh isso já está vinagre!!!!!!
Se há preconceito que mais me dói, é esse mesmo. Para o português em geral, apenas o Vinho do Porto, graças ao ditado, quanto mais velho melhor, é reconhecido como o único vinho capaz de ser bebido em velho. Nem mesmo o eterno Vinho da Madeira, é reconhecido com essa capacidade e não poucas vezes as pessoas se intrigam como é possível já ter bebido um vinho do Séc. XIX ou mesmo XVIII, ficam atónitas, desconfiando sempre do que lhes digo. Se por um lado nos fortificados ainda ficam desconfiadas, nos vinhos de mesa, com especial relevo nos Vinhos Brancos, a possibilidade de um vinho, digamos que com 10 anos, estar bom é algo que nem sequer colocam em questão. Está vinagre e pronto!!!!!

Pois eu, adoro vinhos velhos. Adoro a complexidade e a plenitude de um vinho que esperou dezenas de anos dentro de uma garrafa, à espera daquela pessoa a quem estava destinado. E quando essa pessoa gosta de vinhos velhos, parece uma electrizante mística que envolve este dueto Vinho/Bebedor.
Há umas semanas agendei com amigos, bons amigos, que gostam tanto de vinhos velhos como eu, uma "limpeza de garrafeira" (não é bem limpeza de garrafeira, mas sim uma desculpa para estar com os amigos e abrir vinhos que sei que irei gostar, aliás, que iremos gostar) dos vinhos velhos que andam cá por casa. A ideia foi de pegar em vinhos de várias décadas, começando pela década de 50 e chegar aos anos 90.
A prova foi emocionante, muito graças aos vinhos que estavam em fantásticas condições, muitos deles em patamares de excelência, estando apenas um prejudicado pela presença de TCA. As vezes pergunto-me se não poderia ter um rasgo de ganância e beber uma destas garrafas sozinho. Poder, podia, mas não era a mesma coisa. Estas tardes assim passadas, aprendendo, dissertando, e sobretudo bebendo belos vinhos velhos, tem muito mais interesse, se for num ambiente de partilha e de amizade.

Como já disse, os vinhos, eram 21, estavam em magníficas condições, na sua maioria e souberam deixar uma grande certeza; Há belíssimos vinhos velhos Portugueses, ou se quiserem, existem garrafas magníficas de vinhos velhos Portugueses.

O alinhamento e respectivas notas que tomei:

Pommery Millesime 1955
Evoluído, com notas de caramelo. Excelente acidez e percepção ténue do gás. Muito bom

Pommery Millesime 1962
Muito menos evoluído, com notas resinosas. Complexo. Excelente frescura e soberba acidez. Fantástico.

Caves são João 1967
Uma garrafa de antologia. Simplesmente perfeito, equilibrado e no auge máximo.

Tinto velho Cartaxo 1966
Vivo, ainda a mostrar fruto ligeiro. Demorou muito pouco no copo até desintegrar-se. Uma pena.

José Rosado Fernandes Tinto velho 1975
Muito bem, no estilo Rosado Fernandes, apesar da volátil alta. Grande concentração e pujança.

Centro de Estudos de Nelas Dão 1975
Espectacular. Foi bebido ao lado do tinto velho e mostrou a antítese deste. Complexidade, elegância no seu expoente máximo. Um dos vinhos da noite, para mim.

José Rosado Fernandes Tinto velho 1980
Pareceu-me com menos volátil que o 75 mas também com menos concentração. Num estilo mais fino, numa prova onde mostrou-se estar no limite.

Cooperativa do Vilarinho do Bairro Garrafeira Bairrada 1980
Soberbo e para mim o vinho da noite. Esta é a segunda garrafa que bebi deste vinho, anteriormente já o tinha sido o vinho da noite entre vinhos como Gruaud Larose 92, Latour Martillac 81, e em ambas foi considerado o melhor. Impressiona pela juventude, pela complexidade, pela elegância. Um vinho magnifico.

Herdade do Mouchão 1985
O estilo não engana ninguém, e apesar de não ser dos melhores exemplares, está lá tudo o que estou á espera. A potência do Alentejo

Quinta do Carmo Garrafeira 1987
Soberbo. Um grande Carmo, cheio de fruto, muito eloquente no aroma. Cheio e vigoroso na boca. Delicioso.

Valdarcos 1985
Pena que o TCA estivesse a esconder o grande vinho que estava por baixo.

Gonçalves Faria Tonel Especial 5 Garrafeira 1990
Como sempre, magistral, delicioso, potente mas elegante, austero mas redondo.

Quinta da Dôna 1991
Um caso serio de um vinho que ainda agora começou a levantar voo. Um vinho que poderá muito bem sobreviver todos os anteriores. Magnifico.

Romeira Garrafeira 1976 (Magnum)
Muito bem no aroma mas algo metálico na boca.

Borgogno Barolo 1993
Ligeiramente turvo, floral, fruto Silvestre. Alguma evolução. Taninos empertigados. Muito bom.

Quinta do Todão Vinho Velho
Um colheita sem indicação de data. Muito complexo no aroma, doçura controlada. Muito fino. Muito bom.

A.J da Silva 1880 (Quinta do Noval)
Novamente Magistral. Complexidade, frescura, volúpia.
Boca com enorme frescura, acidez magistral a pedir copo atrás de copo. Longo, longo, longo. Ligeiro desvio alcoólico. Quase perfeito.

Laurent Perrier Grand Siécle
Evoluído mas com muita complexidade. Enorme acidez. Muito bem. Ao nível do Pommery Millesime 1962.

1º Prémio da Confraria dos Enófilos Alentejo Branco 1991
Grande surpresa num branco cheio de vida, com notas de resinas, notas petroladas. Boca assertiva e nervosa. Excelente.

sábado, 21 de maio de 2011

Les Coufis de Paille de L'Ardèche

Os Vin de Paille são saberes antigos da zona do Rhône Norte, verdadeiras pérolas. Raros, pois apenas alguns produtores os produzem. Michel Chapoutier é um desses produtores que por consideração a seu pai, ainda utiliza algumas das suas preciosas uvas de Marsanne de Hermitage para fazer o seu Vin de Paille. Este Coufis de Paille é também ele um Vin de Paille mas feito a partir da casta Viognier. São sempre vinhos feitos em quantidade muito pequenas sendo o de Hermitage, muito raro mesmo.
Como o próprio nome indica, o "Vinho de Palha" é um vinho doce natural onde as uvas são desidratadas ao sol, em esteiras de palha.

M. Chapoutier Les Coufis de Paille de L'Ardèche 2001
Bonita cor doirada. Aroma de fruto tropical a que se associam notas de mel e especiadas. Boa percepção de frescura..
Boca com volume, glicerinada. Docura mediana e acidez mediana. Mantém-se fresco mas sem a intensidade e explosão do "verdadeiro" Vin de Paille. Falta um pouco mais de acidez e de doçura para ser muito mais sério. Ainda assim não deixa de ser muito bom e de dar enorme prazer a ser bebido.
Nota 16,5

Chateau Pichon Longueville Comtesse de Lalande

A generosidade de amigos é sempre bem vinda. Foi num amigo que voltei a beber este mítico vinho e que esteve à altura de todas as expectativas.



Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande 1982
Decantado 4 horas antes. Impressionante a juventude de um vinho que faz agora 29 anos e que provem de uma colheita mítica, extremamente conhecida por ter trazido ao mundo o Astro maior da crítica de vinho, Robert Parker. Ao decantar as garrafas percebi que o vinho estava inicialmente, como previsível, algo preso e fechado. Após 4 horas no decanter mostrou então todo o seu esplendor com uma enorme complexidade de aromas, muitos dos quais não os conseguia identificar. A precisão e pureza nos aromas é assinalável, com muitas sugestões de pimento verde, ameixas, cassis e depois cedro, tabaco, especiarias, terra. Excelente frescura e equilibrio.
Na boca é enorme, mostra concentração, tensão e volume. Mostra frescura, precisão e amplitude. Final longuíssimo ainda com taninos e muito finos. Soberba textura. Impressionante sob qualquer ponto de vista. Inesquecível.
Nota 20

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Da Garrafeira

Foi num almoço entre amigos, em Peniche, na Tasca do Joel, onde confesso passar muitos dos meus fins de semana. O Cos Estournel 85 já aguardava há muito na minha garrafeira, esperando o dia D e o motivo para este almoço terá sido mesmo esse, abri-lo com bons amigos. Entretanto abriram-se mais uns vinhos:


Raúl Perez Ultreia La Claudina Godello 2008
Vem da região de Bierzo, onde o magnífico Raúl Pérez faz uma boa parte dos seus vinhos, com especial destaque para os Ultreia. Este vinho é feito a partir da casta Godello, e estagia em duas barricas de 700l e uma de 225l, por um período de 11 meses.
Aroma com evolução, sensação doce por vezes a lembrar um colheita tardia. Aroma de mel, ananás em calda, limão. Estava à espera de maior frescura. Ia melhorando no copo.
Boca bom volume, rico, muito saboroso e persistente.
Nota 16,5



Château Tayac Margaux 1976
Monocórdico no aroma com as notas herbácias e de pimento. Já perdeu a sua fruta, mas é ainda assim um vinho fresco e intenso.
Na boca um Bordéus evoluído, tudo muito soft, muito redondo e algo delgado, mas sem perder o interesse. Do alto dos seus 35 anos, está jeitoso, especialmente para um Cru Bourgeois.
Nota 16




Château Cos Estournel 1985
Enorme concentração na côr. Novamente um vinho que engana, pois parece bem mais jovem.
Grande concentração no aroma, com notas de fruto negro, pimento, especiarias, algum couro. Tudo muito sincronizado e muito fresco.
Fantástico na boca, a mostrar que ainda quer mais anos pela frente. Nervoso, poderoso , ainda com taninos férteis e voluntariosos. Excelente acidez num final médio/longo. Grande vinho, que acredito ainda aperfeiçoará por mais anos.
Nota 18,5



Grou 2004 Rótulo Cinzento
Grande surpresa na jovialidade deste vinho.
Os anos não passaram por ele. Ainda mantém fruto decadente, muita intensidade, fruto caloroso, muitas notas compotadas, algum floral e ainda notas de fumo..
Boca poderosa com taninos ainda muito presentes a mostrar que precisa ainda de tempo, precisa de garrafa. Confesso que não será o estilo de vinho que mais me comove, e até terá muitos adeptos, mas não deixa de ser muitíssimo bom e uma bela surpresa.
Nota 17

sexta-feira, 18 de março de 2011

Da Garrafeira

A ocasião, solene ou nem por isso, era a passagem e a celebração de mais um ano de vida, coisa muito importante e de assinalar dos dias que correm. Junta-se um pequeno grupo de amigos e toca a abrir uma garrafas valentes pela noite dentro. O que gosto nestas ocasiões é quando se abrem vinhos particularmente especiais numa mesa onde todos comungam da mesma paixão, o Vinho. Enquanto se janta falam-se sobre os vinhos que estamos a beber. Nesta casa, por hábito, aparece sempre tudo às cegas, o que se propicia a erros grosseiros mas também a momentos de pura diversão. A prova cega é mesmo assim, como uma espada de dois gumes, de um lado a suposta verdade do que achamos da qualidade do que bebemos, e no outro a possibilidade de não compreender um vinho por não estarmos na posse de todos os dados para que este ou aquele produtor de filosofia diferente possa ser identificado. Ainda assim, é sempre um excelente exemplo de conduzir uma prova, aliás um jantar, por menos formal que seja.



Deste jantar destaco como é óbvio a qualidade dos vinhos que foram chegando à mesa, praticamente todos estrangeiros e de nomes sobejamente reconhecidos. Mas no meio de todos estes vinhos não posso que houve um Vinho Português, da Bairrada, que se bateu de igual para igual com todos eles, e no meu entender, melhor que alguns deles.
Os vinhos foram todos bebidos às cegas e alguns vieram em parelha, numa espécie de duelo.


Etienne Sauzet Bienvenues-Bâtard-Montrachet Grand Cru 1997
A Maison Sauzet está sediada em Puligny-Montrachet, que é a village-estandarte, na produção de vinhos brancos da Borgônha, talvez para muitos, a par com a Village de Mersault. Nesta Appelation podemos encontrar as célebres vinhas Grand Cru de brancos, como a Le Montrachet, Chevalier-Montrachet, Bâtard-Montrachet e a Bienvenues, de onde provém este vinho. A única casta utilizada na produção destes brancos é a Chardonnay.
A cor já entra em uma espécie doirado, sem ser ainda carregado. Aroma com alguma oxidação, a lembrar algumas notas de mel. Muitas notas minerais e sugestões etéreas. Muito fino de aroma.
Na boca, um registo muito cordial, com o vinho a mostrar-se redondo, elegante, com uma textura fantástica e um final médio/longo. Estava à espera de mais nervo.
Nota 17


Vega Sicilia Único 1964
Completamente estoirado. Impróprio para consumo.
S/N



Duelo 1 - Bruno Giacosa Barbaresco Santo Stefano di Nieve 1998 vs Chateau Rayas Resérve Chateauneuf du Pape 1998


Bruno Giacosa Barbaresco Santo Stefano di Nieve 1998
Giacosa é um dos nomes mais sonantes da região Italiana do Piedmonte, de onde saem os Barolo e Barbaresco e também um "Old School" da região. A casta utilizada é a Nebbiolo.
Cor muito carregada, quase opaca, que sugere pouca evolução neste vinho. O oposto do Rayas, em termos de cor mas novamente um vinho com enorme carácter. A concentração na côr não é correspondida nos aromas, que se ficam por aromas de frutos silvestres, flores, ligeiro couro e tabaco.
A boca é massiva na concentração de taninos e acidez. muito jovem mas cheio de nervo. Final muito longo. Belo vinho.
Nota 18


Chateau Rayas Resérve Chateauneuf du Pape 1998
É o nome mítico de Chateauneuf du pape, o vinho que todos querem alcançar. A "sede" pelos vinhos deste produtor foi tanta, que hoje em dia custam um pequeno balúrdio. Quanto ao estilo, este produtor é simplesmente o mais tradicionalista de todos da região, e para além de tradicionalista eu quase diria que obscuro.
O vinho acabou, no meu entender de ganhar o duelo, pelo carácter do vinho. A cor tem muito pouca concentração, a lembrar um borgonha. Apesar da cor, este vinho é tudo menos frágil. Aroma muito rico, perfumado, com notas de morangos, framboesas, tudo muito fresco, tudo muito equilibrado e sobretudo com uma limpidez deslumbrante.
Na boca, o vinho é fino mas com enorme concentração de sabor, quase uma sensação carnal que não consigo explicar, alguns notas fumadas e vegetais. Final muito longo com taninos de veludo. Adorei este vinho pelo seu carácter, pela sua diferença.
Nota 18,5


Gonçalves Faria Tonel Especial 3 Reserva 1991
Feito de Baga, no coração da Bairrada, este é um dos produtores que infelizmente saiu de cena precocemente, deixando-nos um legado vivo através do seus vinhos. Infelizmente, poucos poderão ter acesso a estes vinhos, pelo que alguma vez passarem por eles não hesitem em batalhar por eles.
Ora, este vinho deixou-me emocionado pela simples razão de se ter batido de igual com todos estes nomes mundiais. Ninguém conseguiu sequer se aproximar da colheita. Ninguém baixou de 2001 nas suas previsões. O vinho tinha uma cor absolutamente impressionante para um vinho com 20 anos. Aroma a lembrar a Baga, com notas de eucalipto, notas mentoladas, vegetal seco, fruto ainda presente e maduro. Profundo, fresco e equilibrado.
Boca cheia de sabor, de vinosidade, final ainda cheio de taninos firmes e acidez. A prova que os vinhos portugueses podem envelhecer tanto quanto os restantes e que a Baga, e a Bairrada, pode e deve dar grandes vinhos. Entre este e o Garrafeira Tonel 5 1990, fiquei com sérias dúvidas de qual gostei mais.
Nota 18



Chateau Fonsalette Côtes du Rhône 1998
Grande concentração na côr. Aroma algo confuso, pouco limpo. Notas de fruto maduro, carne assada e vegetal.
Boca aguerrida, jovem, com boa acidez num final médio/longo. Esperava mais deste vinho.
Nota 16



Duelo 2 - Domaine Fourrier Gevrey Chambertin 1er Cru Clos St Jacques 1999 vs Domaine de la Romanée Conti La Tâche 1999

Domaine Fourrier Gevrey Chambertin 1er Cru Clos St Jacques 1999
Adoro este produtor. Sempre que proveis os seus vinhos, achei sempre que este é um perfil que mexe comigo. E mais uma vez, este vinho não se fez rogar, pela sua leveza, pelo aroma perfumado que nos prende, pela frescura que emana.
Tudo nele é fino, sem ser fraco, delgado, mas com potência. Tudo arrumado, tudo direitinho, tudo preciso. Adoro vinhos assim.
Nota 17,5



Domaine de la Romanée Conti La Tâche Grand Cru 1999
Penso que este produtor dispensará apresentação, ou não fosse o produtor mais conhecido e requisitado em todo o mundo.
Na cor nem parecia um borgonha, pela concentração que apresentava. No nariz disse logo tudo, mas este vinho é mesmo especial. Como mostrar um aroma tão fino, tão expressivo, mas ao mesmo tempo mostrar densidade, profundidade. Como mostra toda uma fineza num vinho de músculo, de potência desmedida. Tenho bebidos muito vinhos ao longo desta minha ainda curta viagem, mas é quando estamos perante um vinho destes que nos desarmamos e achamos que a natureza é tão preciosa. É obra fazer isto. Um gigante com luvas de cetim.
Nota 20



Croft Vintage 1955
Apesar do rótulo ser uma fotocopia, a rolha confirmava o vinho. Aroma complexo com muitas notas de frutos silvestres, cravinho, canela, notas licoradas e frutos secos. Equilibrado, com o espírito integrado e fresco.
Boca elegante, com doçura proeminente. No copo ia ganhando volume. Excelente acidez num final muito, mas muito, longo.
Nota 18,5

quarta-feira, 16 de março de 2011

Dr. Loosen Erdener Pralat Riesling Auslese 1976

Riesling. Se há casta que nos últimos anos me tenha dado tantas alegrias, esta foi com certeza uma delas. Tem sido uma felicidade poder acompanhar os mais diversos vinhos destas castas, sejam eles doces ou secos, e com especial relevo nas regiões, Alemãs e Austríacas, onde expressa todo o seu esplendor.
Dr. Loosen é "Ernie" Loosen, actual proprietário da Casa, que se encontra na sua família há mais de 200 anos. Com o seu ar rebelde, quiça com algo de "maluco", conseguiu fazer do nome da sua Casa, um nome sobejamente conhecido na Alemanha, e em todo o Mundo. É na região do Mosel, apesar de ter uma Joint Venture nos "States" com o Chateau Ste Michelle, que opera e onde consegue fazer os seus maravilhosos Riesling.
A Antecipação por beber este vinho era muita por duas razões. A Primeira, porque o tinha comprado no Ebay, e apesar de até hoje não ter tido nenhuma desagradável surpresa, é sempre uma incógnita e um risco. A segunda, porque gosto de beber Rieslings "Velhos" e não se encontram à mão de semear, especialmente destes produtores muito procurados. Assim, coloquei mãos à obra, aliás copos à obra...




Dr. Loosen Erdener Pralat Riesling Auslese 1976
O ano de 76 foi um ano com muita botrytis, pelo se esperava que este vinho tivesse na sua composição, uvas afectadas por este maravilhoso Fungo. Ao primeiríssimo impacto e pronto, sou desarmado de imediato e largo um sorriso enorme. Com uma cor dourada, apresentava um aroma intenso com muitas notas de mel, sugestões petroladas, especiarias e ainda notas de citrinos. O aroma mostrava que o vinho não estava demasiado evoluído, aliás, pareceu-me ainda bastante jovial para um vinho com 35 anos.
Na boca tudo se passa em tom apoteótico. Glicerinado, sem perder fineza, doçura controlada por uma acidez enervante. Final muito longo e de perdição. Que belo vinho.
É por esta razão que muitas vezes, ao abrir um jovem Auslese, que me encho de nostalgia por acabar com algo que se guardado me dará tanto mais prazer.
Nota 18,5

terça-feira, 15 de março de 2011

Léoville las Cases 1982

Este é um dos meus produtores preferidos no que respeita a vinhos de Bordéus. É considerado um "Super Second" como forma de afirmar que em muitas colheitas se comporta como um "First Growth". Este facto deve-se à consistência deste produtor, onde mesmo em colheitas pouco favoráveis, consegue fazer grandes vinhos.
Léoville Las Cases, está inserido na pequena Appelattion de St Julien, na margem esquerda do Rio Gironde, onde terá poucos rivais, no que respeita à consistência, colheita após colheita.
A colheita de 1982 terá sido uma das mais importantes do século passado e por várias razões, sendo as mais importantes o facto de ter sido uma colheita que trouxe novamente Bordéus para a ribalta no mercado Norte Americano, após uma década de 70, cheia de sobressaltos e com colheitas absolutamente desastrosas, mas principalmente por ser a colheita que deu a conhecer ao mundo um tal de Robert Parker, que sozinho, contra tudo e contra todos, mudou o mundo do vinho, o negócio de Bordéus de forma radical e iniciou a travessia até ao que conhecemos hoje em dia.




Léoville las Cases Clos du Maquis St Julien1982 (Magnum)
Decantado por 4 horas antes. Bebido às cegas. Excelente no aroma, limpo, cheio de notas de pimento, folhas de chá, fruto maduro, menta, cedro, tabaco e ervas aromáticas. Tudo muito fino, absolutamente equilibrado e fresco. Impressionante.
Na boca eleva-nos o espírito, a potência aliada à elegância. O Equilíbrio é notável, os taninos a dizerem que ainda continua no seu ascendente e o seu final ainda longe, muito longe. Que vinho enorme, que nos puxa, puxa para mais um trago, para mais uma viagem ao seu mundo.
Nota 19,5

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Da Garrafeira

Por vezes é isto mesmo que apetece. Ir à garrafeira, humilde é certo, e trazer algumas coisas que estão religiosamente guardadas. Ao mesmo tempo aproveitar a garrafeira de um ou outro a migo, e em torno do vinho fazer um almoço simples mas de enorme satisfação. Foi o que aconteceu nesta Sábado, como de costume, na Tasca do Joel.



Sem grandes preparações, sem vaguear num mar de incertezas, até porque não há assim tanto por onde escolher, sobre que vinho levar. Assim que olhei para uma das garrafas de Gonçalves Faria Garrafeira Tonel Especial 5 1990, foi imediata a certeza de que era mesmo isto que me apetecia beber. Voltar a ver como está este vinho que sempre me trouxe boas novas, ano após ano. Ora esta garrafa esta simplesmente sublime, não sendo de esperar outra coisa, face à sua guarda exemplar.
Ainda cheio de vida, de concentração e de inicio quase opulento no vigor. Decantado, acabou a mostrar um nervo de quem ainda quer estar por aqui mais uns anos. Um Bairrada, um Baga, perfeito.

Ainda havia de levar outro vinho, quase como descarga de consciência, não fosse o vinho faltar. Foi um Campo al Mare Bolgheri 2005. Das 3 garrafas que tinha, sendo esta a ultima, todas apresentaram o mesmo estilo. Um vinho que apresenta sempre notas lácteas de inicio, deixando depois um pendor compotado, opulento. Não aprecio na totalidade este tipo de vinhos. São excessivos. Apesar deste meu desabafo em termos de gosto, creio que este vinho terá sempre adeptos. O vinho mantém-se muito jovem.

Para a mesa veio uma Magnum de um Joseph Drouhin Clos de Vougeot 2000. Este sim, estava fantástico. Fino, expressivo, elegante, delicado e fresco. Fantástico vinho, que apesar de nem parecer um Vougeot, pela falta de estrutura que geralmente apresentam, esteve à altura de 4 amigos que com a maior das facilidades a "despacharam", sem olhar para trás. Belo vinho.



Terminámos com dois hinos aos vinhos de sobremesa. Primeiro, um Weingut Eduard Haut-Herpen Graacher Domprobst Riesling Auslese 1976, que apesar de não conhecer o produtor, acabou por se cifrar num dos melhores Mosel que bebi na vida. Muito botrytis no aroma, associado a intensas notas petroladas. O aroma é inesquecível. Ainda com doçura apesar de um equilíbrio e frescura notáveis. Que grande vinho.

Para o final estava reservado um madeira muito especial. Um F.M.A Bual 1964. Um madeira de grande classe e qualidade. Grande complexidade de aromas num vinho onde a "sua boca" é portento. Acidez vincada mas que nos prende ao vinho. Doçura equilibrada com a acidez, funcionando num conjunto perfeito. Enorme final, longo e vibrante. Excelente

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