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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Chegou o novo Barca Velha

Aí está a 17ª edição do mítico Barca Velha, da colheita de 2004, que foi apresentada no dia 16 de Maio, efeméride celebrada também lá em casa e a razão por não ter estado "in loco" nesta apresentação.
Tudo começou em 1952, com o lançamento da primeira edição, pela mão de Fernando Nicolau de Almeida, o grande mentor deste projecto. Certo é que este vinho acabou por se tornar o ícone maior, o grande estandarte, dos vinhos portugueses, durante estes 60 anos que passaram, desde o primeiro lançamento do Barca Velha.

Algum sururu foi criado em torno deste lançamento, no sentido de tentar adivinhar qual seria então a colheita escolhida para ser lançada. A escolha acabou por recair sobre a colheita de 2004, uma colheita que aprecio bastante. Portanto, se pensarmos bem, seria previsível que fosse mesmo o 2004.

Seja então bem vindo o novo Barca Velha, que muitos já esfregarão as mãos de contentamento enquanto esperam que tome o seu lugar nas prateleiras.

© Sogrape Vinhos, SA

terça-feira, 10 de abril de 2012

Foi Você que pediu uma experiência inesquecivel?


Como já o afirmei, por diversas vezes, o Vinho, o Mundo do Vinho, tem coisas fabulosas. Tem uma capacidade de desembaraço social enorme. Junta pessoas que se conhecem, que não se conhecem, tudo na mesma mesa e coloca-os a falar, alegremente, como se de velhos amigos se tratassem. Esta capacidade será porventura apenas verificada no desporto e pouco mais. Por vezes, no meu estádio de futebol, do Sporting de Clube de Portugal, dou por mim a conversar animadamente com pessoas que nunca conheci, pessoas com quem nunca me cruzei. Obviamente que esta conversa tanto melhor é, consoante o resultado nos favoreça. Futebol à parte, no vinho, quer ele seja bom, quer seja mau, ou menos bom, dá sempre tema de conversa. Ora, agora imaginem um jantar, onde todos os vinhos têm algo a acrescentar à nossa vida, imaginem um jantar onde passamos por alguns vinhos que muito certamente nunca mais os beberemos. Uma grande honra. Agora, juntemos a isto amigos, bons amigos, que comungam connosco esta paixão, esta "loucura". Que se prostram silenciosos quando chega cada um dos vinhos, que se emocionam, e que sobretudo partilham entre si estes mágicos momentos, aqui e ali bafejados com risos e gargalhadas de lembranças de outros tempos, de outras passagens com outros vinhos e outras epopeias vínicas. Temos a perfeita receita para um jantar inesquecível, e sobretudo uma experiência enriquecedora.

Ora, foi neste fim de semana passado, um pouco maior por sinal, de Páscoa. Que voltei a ter o privilégio de um grande jantar, um enorme jantar onde os vinhos foram o mote, reis e senhores da noite. Uma singela homenagem a todos eles, que cumpriram o propósito da sua criação, dando um enorme prazer a nós meros mortais e sobretudo privilegiados, por termos cruzado caminho com estes.
 

1995 Pol Roger Cuvée Sir Winston Churchill
Brilhante e ainda jovem. Cremoso e fino. Adorei

1952 Lafite Rothschild
Ano mau para bordéus. A lembrar o 56 bebido no ano novo. Bebe-se com prazer, mas é magro e sem grande complexidade. Vale como curiosidade.

1931 Niepoort Porto
Nunca comercializado nem declarado. Novamente às cegas embirrei com a década de 60, engana-me sempre este vinho, de tão jovem que parece.

1979 Pernod-Fourrier Gevrey Chambertin Clos St Jacques
Hoje em dia chama-se Domaine Fourrier, um dos mais procurados na Borgonha. Provavelmente pouca gente deve saber disto e comprei por uma bagatela.
F-A-B-U-L-O-S-O, incrivelmente fino, mas ao mesmo tempo com volume e textura. Verdadeiro na expressão do terroir de Gevrey.

1964 R. López de Heredia Rioja Gran Reserva Viña Tondonia
Vem depois de um vinho memorável e perdeu um pouco isso. Discutiu-se muito as preferências. Eu preferi o anterior. Obviamente que discutir a este nível Muito jovem na cor, fino, mas ao mesmo tempo potente. Estilo velho Rioja em definido. Adorei

1962 Domaine Armand Rousseau Père et Fils Chambertin
Pois, de uma garrafa com nível baixo, saiu um Borgonha de Antologia, com a vida, com a plenitude, que muitos poucos vinhos poderão ter aos 50 anos. Incrivelmente complexo, doce, generoso e por incrível que pareça, uma garrafa muito bem guardada, terá de certeza muitos anos pela frente. Inesquecível

1993 Bonneau du Martray Corton-Charlemagne
Ahh, nada de premox aqui. Excelente, e muito jovem na cor. Muito fino no nariz, viscoso na boca, com volume e largura. "Fantástique"

1997 Bruno Giacosa Barolo
Ficou mesmo nas covas no confronto geral. Aroma inicialmente pouco definido. Deveria ter tido mais tempo. Se fosse bebido sozinho, seria excelente, mas no meio disto tudo....é a vida.

1985 Château Ausone
Outro vinho fantástico. Tão jovem, tão equilibrado. Tem tudo o que um grande vinho deve ter, a fruta, a concentração, a patine, a acidez, os taninos, e em equilíbrio perfeito. Maravilha.

1993 Domaine de la Romanée-Conti Richebourg
Muito jovem ainda. Incrivelmente perfumado, denso e profundo. Um mimo. Um Richebourg cheio de nervo. Ainda com taninos jovens. Precisa de tempo.

1927 JMF Moscatel de Setúbal Superior
Outro vinho de antologia. A complexidade, o vinagrinho, a doçura e depois de isto tudo o equilíbrio. Longo, longo, longo. Que maravilha de vinhos. Grande Moscatel.

2003 Quinta da Pellada
Muito bem e ainda a precisar de garrafa. Nota-se o ano quente, notamos a concentração, mas este vinho está cheio de vida, perfumado e sobretudo cheio de sabor. A Guardar ainda

2004 Quinta do Vale Meão
Uns furitos acima do anterior, mas também ainda muito jovem para ser aberto. Muito fino no nariz, austero na boca. Precisa de tempo, pois tem margem para melhorar e muito. Adorei

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Bétula 2010

Chega-nos a nova colheita deste Bétula 2010, um branco feito pelo enólogo Francisco Montenegro (Aneto e Quinta Nova), que colocou em cima da mesa alguma polémica relativamente às castas utilizadas.



Bétula 2010 Branco
Feito a partir de duas castas pouco usuais no douro, Viognier e Sauvignon Blanc. Em percentagem idêntica, o Viognier fermentou em barricas e o Sauvignon em inox.
Cor palha carregada. O vinho apresentou-se muito bem de aroma, muito ao estilo Sauvignon, com sugestões de relva cortada e muita frescura. Do Viognier chegam também as sugestões de barrica e com o aumentar da temperatura no copo, as inevitáveis sugestões anisadas.
Na boca temos um vinho com volume e excelente acidez, numa toada de elegância e equilíbrio. Final médio-Longo com muito sabor.
Nota 16,5

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Portugal Tour III

Continuando pelo Douro......


Alves de Sousa
Outro dos meus produtores preferidos. Difícil sempre de avaliar e conseguir perceber qual o melhor vinho, tal a consistência que apresenta em todos os vinhos, com especial destaque para os seus topos de gama. O portefólio é extenso, no entanto, o vinho que mais me encanta, invariavelmente, é o Quinta da Gaivosa. Provámos a edição de 2008 que se mostrou, no meu entender, o mais aristocrático de sempre. Talvez o mais elegante de todos, mas explosivo na prova de boca. Maravilhoso.
Em excelente nível também se mostraram o Tapadinha TTT 2008, a mostrar que merece tempo em garrafa, o expansivo e largo Sousão 2008 (Uma reedição do 1999?), o sedutor Vinha do Lordelo 2009 que mostrou todo o seu perfume e finalmente o presumível Abandonado 2009, com uma profundidade e nervo ímpares a fazer lembrar o 2004. Um grande produtor duriense.


Quinta do Noval e Romaneira
Provavelmente, a prova mais impressionante da visita ao Douro. Porquê? Bem, se retirar da equação o sublime Noval Nacional 1970 e o fantástico Noval Colheita 1971, tive a oportunidade de provar em verticais os Quinta do Noval, Cedro do Noval, Labrador e Quinta do Noval Touriga Nacional, R de Romaneira, Romaneira e Romaneira Reserva. Que prova maravilhosa esta. No entanto, contrariamente ao que se pode pensar, a razão de toda esta euforia foi mesmo por causa da qualidade que apresentaram os Cedro do Noval. Imagine-se que todos as colheitas estavam pura e simplesmente ainda longe do seu auge, e com um destaque mais que merecido para as colheitas de 2007, 2008 e 2009. Fantásticos vinhos e soberbas relação qualidade/preço.
Começámos com os Romaneira, talvez a vertente mais elegante da prova, menos estruturados, mais finos e elegantes. os "R" a mostrarem-se muito prazenteiros, sem no entanto impressionarem. O Quinta da Romaneira, muito melhores, a mostrarem-se de grande nível nas versões de 2007 e 2008. Curiosamente, ambos os vinhos eram parecidos, não se notando a diferença do ano. Ambos a mostrarem que a guarda será boa conselheira.
Do alinhamento do Noval, começámos com os Labrador Syrah, que se mostraram muito bem, todos ainda jovens, mas com o 2009 a mostrar-se o mais fiel nas sugestões florais da casta, muito encontradas no Rhône.
Nos Quinta do Noval, outro excelente alinhamento. O 2005 ainda está jovem, apesar de se ter mostrado algo maduro. A seguir, 2007/8/9, a mostrarem-se muito jovens ainda mas com um enorme destaque para o 2008 que está um portento de vinhos. Impressiona na potência e na profundidade. Soberbo. Na senda deste, o 2009, ainda se mostrava algo fechado no nariz, apesar de dar uma lição na prova de boca. Excelente volume e potência aliada a uma sensação de elegância. Acidez penetrante. Um must para uma guarda prolongada.
Finalmente os Noval Touriga Nacional. Se tivesse que eleger a melhor Touriga Nacional do Douro, sem grandes dificuldades elegeria a da Quinta do Noval. Se tivesse que eleger o melhor Touriga Nacional que bebi até hoje, provavelmente em paridade com os Touriga do Álvaro Castro, seria mesmo o Quinta do Noval Touriga Nacional 2004. Esqueçam a vertente floral da casta, esqueçam a sedução quase enjoativa que por vezes ela representa e pensem numa Touriga cheia de profundidade, quase austera, cheia de tensão e de enorme precisão, para chegarem ao perfil destes Tourigas. São um exemplo fenomenal do que esta casta também pode ser.


Duorum
Outra excelente prova. Se eu tivesse que eleger o produtor do Douro que na colheita de 2009 terá dado o maior salto qualitativo, tinha de ser este. É que todas as garrafas que abrimos da colheita de 2009 estavam muito acima da média, e se considerarmos o Duorum colheita 2009, então, a diferença é abismal. Este vinho está simplesmente fantástico, com uma densidade e sedução abismais. Belíssimo vinho, que pelo seu preço é imperdível, nesta colheita.
Se já tinha ficado "gago" com o vinho anterior, o Reserva veio ainda trazer um novo patamar de excelência. O Duorum Reserva Vinhas Velhas 2009 apresentou-se muito jovem, profundo, denso, mas cheio de frescura (repare-se que estou a falar do 2009, uma colheita bem quente), mas, o que mais me impressionou foi mesmo a textura tão sedosa, num vinho com um final de taninos muito jovens. Apresentaram-se ainda duas grandes novidades, que não sei bem o que serão, mas que prometem e muito. Grande colheita para este produtor.


Symington
Ia com enorme expectativa para a visita a este gigante, pelo simples facto de ir visitar a lindíssima Quinta de Roriz, e pela primeira vez ir provar, lado a lado, todos os seus vinhos. Desta visita retive a qualidade que os Altano começam a apresentar em relação ao preço a que são comercializados. Seria de esperar vinhos simples, de consumo diário, mas, estiveram perante mim vinhos muito bons, com raça, muito bem feitos e cheios de sabor. Muito bem, Muito bem mesmo.
Noutra vertente, a qualidade da colheita de 2009, nos seus vinhos intermédios e com isto quero dizer que o PS 2009 e o Prazo de Roriz 2009 estão mesmo muito bons. Destes, o PS ganha pontos pela sua mineralidade, acidez e enorme sedução aromática. Vai ser difícil resistir a este vinho. Também no Chryseia 2009 um salto em relação à anterior colheita, este mostra-se mais amplo, com fruto decadente, bem ao estilo deste vinho. Está muito bem.
De notar ainda a excelente forma em que se encontram os Quinta do Vesúvio 2007 e 2008.

Continua.....

terça-feira, 19 de julho de 2011

Portugal Tour II

Continuando........


Dia 3 (29 de Junho de 2011)


Valle Pradinhos
Começámos muito cedo a provar. Eram 9h da manhã e já estávamos prontos. Começámos muito bem. Para mim, uma alegria pelo facto do branco de 2010 ter deixado aquele estilo "enjoativo", que ,e fez abandonar os brancos da casa. Parece-me uma reedição da colheita 2005, que aponta mais para o lado mineral do vinho. Muito bem.
Nos tintos um excelente Pradinhos 1990, ainda cheio de força e vigor, e um Pradinhos 2007 que se mantém fiel ao estilo da casa, muito terroso. É bom, quando as coisas ainda são o que eram, ou pelo menos aproximam.se disso.


Quinta das Apegadas
Para esta Quinta, um sonho de um casal, era a minha primeira prova a sério. Não me desiludiu, é certo, mas fiquei ainda com a sensação que há lugar a melhorar. Convenceu-me um estilo de branco de entrada de gama, muito fresco e muito descomprometido. Também precisamos de vinhos assim. No branco Reserva, a colheita 2010 pareceu-me muito melhor que a anterior, que já apresentava alguns traços de oxidação. Convenceu-me ainda um vinho, com o nome de código D60, que será o topo da casa. Muita profundidade e muita força num registo muito duriense.
Um produtor a seguir de perto.


Aneto
Não é para mim muito difícil provar vinhos que há partida sei que vou gostar. Eu sempre gostei dos Aneto quer fossem brancos quer fossem tintos. Ora, 2009 pareceu-me ter sido um grande ano para o Francisco Montenegro, o seu branco reserva está fantástico e a pedir mais alguma garrafa, o Aneto tinto está excelente, com tudo no seu sitio e também ele a pedir garrafa por mais uns meses pois vai ainda melhorar.
No final, os Grande Reserva 2008 e 2009 acabaram por me convencer. São vinhos no limite mas não podem deixar de ser considerados excelentes vinhos. Nenhum quis mostrar que está para beber e devem ser guardados por um par de anos. Os taninos ainda são colossais. Gosto deste produtor


Quinta Nova
Outro grande projeto do Francisco Montenegro. Esta foi uma prova muito iluminadora para mim. Em primeiro lugar porque fizémos duas verticais, de Touriga Nacional e de Grande Reserva, onde estes últimos mostraram-se todos excelentes. Desde a sua primeira colheita, a de 2005, os Grande Reserva mostraram-se ainda cheios de vigor, com taninos ainda jovens e muito saborosos. Todos em excelente forma. O 2007 mostrou-se diferente dos demais, com muito carácter no perfil aromático e o 2009 promete ser um dos grandes vinhos do Douro. Os Touriga são também muito bons, no entanto, não mostram a complexidade e os taninos dos grande Reserva. Nestes, também o 2009 se mostrou num nível muito bem. Excelente prova e um produtor que está a dar cartas no Douro. Muito bem.


Durante a tarde, visitámos a Quinta de la Rosa, onde tivemos oportunidade de provar os vinhos da Casa, os Poeira, os Real Companhia Velha e ainda os Lavradores de Feitoria. Em suma, uma tarde em cheio.


Lavradores de Feitoria
Ainda me lembro dos vários vinhos lançados por esta marca, que compreende mais de 20 produtores, que se associaram. Sempre gostei dos seus vinhos e agora fez algumas alterações no estilo de alguns dos seus vinhos. Nos brancos, excita-me a qualidade dos seus 3 bagos, que apesar de serem bastante baratos, são vinhos que dão enorme prazer e são muitíssimo bem feitos. Grandes RPQ. O Meruge 2007, está um vinho completamente diferente no estilo que o viu nascer. Apresenta-se super fino, super elegante, mas cheio de sabor e decadência. Irresistível.
Num estilo mais austero, apresenta-se o Quinta da Costa das Aguaneiras 2008, que quer ser um vinho que mostra de certo modo a dureza do Douro, as suas dificuldades. Está um vinhão, que precisa de tempo. Por fim o Grande Escolha, que me pareceu neste edição, a de 2008, muito completo, aliando a elegância à profundidade, à opulência e à largura de boca. Belo vinho. Uma prova muito consistente.


Poeira
É-me difícil falar deste produtor, sem me entusiasmar. Não é por mero acaso que se trata de um dos meus produtores preferidos no Douro, e tudo por causa do fabuloso Poeira. Por falar nele, um "aviso à navegação", o Poeira 2009 é enorme e imperdível.
Feito o aviso anterior, segue aqui um outro, o Pó de Poeira branco 2010 é provavelmente o melhor que o Jorge Moreira fez até à data e como tal vai entrar diretamente para os meus preferidos. Na versão tinto, o 2009, mostrou-se também ele de nível superior, encurtando um pouco a distância para o seu "irmão", o que no meu entender não é nada fácil. Magistral trabalho nestas novas colheitas.


Quinta de la Rosa
Mais uma emblemática Quinta no Douro. Associado a um enoturismo de charme, os seus vinhos continuam a melhorar ano após ano, e a sua colheita de 2009 está melhor que nunca. O Quinta de la Rosa Reserva 2009 é um vinhão, que alia a concentração e os taninos muito jovens, a uma frescura pouco habitual neste vinho. Pareceu-me muito bem mesmo. O La Rosa 2009 está delicioso, a mostrar que não será necessário gastar muito para termos à nossa frente um vinho que nos dá imenso prazer. Nos brancos a coisa é diferente e acabei por não ficar tão entusiasmado, apesar de se terem apresentado muito bem.


Real Companhia Velha
Ora aqui está uma das provas que aguardava com maior ansiedade, para sentir o pulso a este gigante do Douro, ainda para mais já com o Jorge Moreira (Poeira, La Rosa) à frente da enologia da Casa. A prova acabou por ser um pouco ensombrada com alguma peripécias mas de uma forma geral deu para perceber que existe muita vontade e talento para melhorar. Alguns vinhos, nomeadamente nas gamas de entrada, como os Murça ou Evel, estavam muitíssimo bons e a mostrarem que vale a pena gastar o pouco que pedem por eles. Nos topos, os taninos jovens indicavam que são vinhos de guarda, vinhos que ainda o tempo os terá de amaciar. A Companhia parece estar a querer voltar aos seus tempos áureos. A seguir de bem perto.


Continua.....

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Portugal Tour

Foram 2 semanas intensas, foram cerca de 3.000 Kms percorridos e mais de 1000 vinhos provados. Uma semana muito elucidativa quanto à colheita 2009 que se apresta, na maioria dos casos, para ser lançada no mercado. Serviu também para revisitar e consolidar a minha opinião pessoal acerca de alguns produtores e regiões, com destaque para os Vinhos Verdes, Douro e Alentejo.
Em suma, os Vinhos Portugueses estão muito bem e recomendam-se. A trilogia de excelentes colheitas, 2007, 2008 e 2009 veio mesmo demonstrar inequivocamente que este final de década acabou por beneficiar os nossos vinhos, no entanto, lá fora, continua-se a desconhecer este país vitivinícola.
Finalmente, obviamente que não vou escrever sobre todos os vinhos que provei e sobre todos os produtores que visitei, apenas me irei restringir aos produtores que mais me entusiasmaram. Que acabaram por ser bastantes.

1º Dia (27 de Junho de 2011)

Começou-se pela Região Lisboa, e com a visita a 2 produtores, Quinta de Sant'Ana e Quinta do Monte D'Oiro.

Quinta de Sant'Ana
Foi a minha primeira a este produtor. James Frost é o proprietário da casa, muito bonita, onde nascem estes vinhos. O encepamento passa por castas estrangeiras, onde se contam Riesling, Sauvignon, Merlot ou Pinot Noir e castas nacionais, Alvarinho, Verdelho, Touriga Nacional ou Aragonez (Tinta Roriz). Acabei por achar os vinhos francamente interessantes, destacando os Riesling, nomeadamente o 2009, o Pinot Noir 2009, e os Reserva. A seguir com atenção.

Quinta do Monte D'Oiro
Não podia ser mais diferente que a anterior visita. Em relação a este produtor apenas a confirmação da sua excelência. A verdade é que me parece que cada vez estão melhores os seus vinhos e alguma inflexão de estilo, no meu entender muito bem vinda, trouxe vinhos mais finos e elegantes, sem no entanto prejudicar a longevidade que aparentam. Por outro lado parece-me que a relação com Michel Chapoutier tem dado os seus frutos. Todos os vinhos apresentam estilos diferentes mas apresentam uma homogeneidade qualitativa impressionante. Para mim acaba por ser difícil destacar este ou aquele vinhos mas achei que o Lybra Branco muito bem feito e ajustado ao preço que vai apresentar. Por outro lado, os Reserva, o Syrah 24 e o Ex-Aequo, são vinhos que impressionam. Atenção, que as novas colheitas que se apresentaram são ainda muito jovens e precisam de algum tempo em garrafa e paciência, o que é difícil hoje em dia. Muito bem


2º Dia (28 de Junho de 2011)

Começou-se a odisseia pelo Douro. Este dia foi dedicado aos Douro Boys, Wine & Soul, Passadouro e Chocapalha


Quinta do Crasto
É sempre difícil escrever sobre este produtor, uma vez que já disse tudo sobre ele. A ideia que me fica sempre que provo os seus vinhos é a qualidade extrema e sobretudo uma consistência ímpar. Colheita após colheita estão entre os produtores de maior sucesso. A legião de fãs, eu incluído, continua e continuará a crescer. Por certo saberão do pedestal em que coloco o Vinha da Ponte e de certo modo fico triste quando não é produzido. Adoro a profundidade desse vinho. A colheita de 2009 apenas trará o Vinha Maria Teresa que está igual a si mesmo, sumarento, delicioso e balsâmico, apesar da juventude com que o provei, em amostra de casco. A qualidade está toda lá, como sempre.
Mas, é o Reserva Vinhas Velhas que mais impressiona pela sua consistência e qualidade, ano após ano, e se consideramos a quantidade de garrafas produzidas, então ainda mais. A verdade é que a preocupação com a qualidade é transversal a toda a gama deste produtor. Podemos encontra-la também no Crasto, branco e tinto, que são difíceis de não gostar e no Crasto Superior, que agora começa a dar os seus primeiros passos mas que promete. 2009 voltou a ser um belíssimo ano para a Quinta do Crasto.


Quinta do Vale Meão
Outro produtor de exceção, outro produtor ao qual não podemos apontar um vinho menos conseguido, um vinhos com desvio de qualidade. Impressionante que estes vinhos venham do Douro Superior. Tem de ser graças a um Terroir de exceção e a uma família talentosa que este vinho é o que é. Não conheço nenhum vinho no Douro com a textura aveludada que o Vale Meão tem, mesmo quando jovem. Os taninos aristocráticos são outra marca muito particular deste vinho. Se o Vale Meão já é por si só um "blockbuster", que dizer do excelente Meandro do Vale Meão, que perfila-se como um dos líderes no seu segmento de preço e onde ano a pós ano continua a encurtar a distância de qualidade para o seu irmão mais velho. Impressionante.
Nesta visita, tudo na mesma, ou seja, ambos excelentes os vinhos da colheita de 2009, onde o Vale Meão se destaca pela excelente concentração, sem perder a frescura e elegância. Ainda se revisitou o Quinta do Vale Meão 2005, que se mostrou enorme no seu potencial de guarda pois ainda está muito novo. Felizardo quem ainda tenha garrafas guardadas. Grande Vinho.

Quinta do Vallado
Tal como a Quinta do Vale Meão, esta é uma das quintas que pertenceu à da Dona Antónia, a Ferreirinha. Este produtor tem sido uma agradável surpresa nos últimos anos, onde saiu de uma situação monótona, um pouco inconstante, para a ribalta. A verdade é que em tempos fiz uma vertical dos seus Reserva e fiquei absolutamente rendido à qualidade e longevidade dos vinhos. Desde essa altura, fiquei sempre atento à evolução dos seus vinhos e à apresentação das suas novas colheitas. Penso que a mais valia deste produtor está nos seus vinhos de topo. Não quero dizer com isto que todos os restantes sejam maus, muito pelo contrário. A verdade é que os Reserva e o Adelaide são vinhos fantásticos e que se destacam dos demais. O produtor também faz alguns varietais e ainda brancos. Atenção ao Adelaide 2009, Reserva Field Blend 2009 e Sousão 2009. São todos eles vinhos fantásticos, no meu entender. Apesar de falar pouco dos brancos da casa, considero-os muito bons, mas penso que os tintos são os mais interessantes.


Quinta do Vale Dona Maria
Este produtor, cuja alma está sediada no Cristiano Vanzeller e mais umas quantas lindíssimas senhoras, é quem produz um dos vinhos mais sexy do Douro, talvez pela forte presença feminina, que é o Quinta do Vale Dona Maria. Como eu adoro este vinho de volúpia, elegância, feminino. A verdade é que enquanto o CV, o topo da casa, é habitualmente um vinho mais fechado, mais austero, em novo, este Vale Dona Maria é pura diversão.
A Casa ainda produz a gama Van Zellers, que nasce de uvas provenientes do Douro mas que são compradas a lavradores. Na prova foram apresentadas também as novidade em vinho do Porto, com a integração de tawny 10 e 20 anos, que garanto-vos são muito bons, com especial destaque para o 20 Anos. Também aqui pareceu-me que a colheita de 2009 deu bons frutos. O Rufo pareceu-me mais saboroso que em anos anteriores, o Vale Dona Maria é o Vale Dona Maria, que nunca deixa ficar mal, está estupendo, e o CV que será um senhor vinho daqui a uns anos. A gama Van Zellers mantém a sua qualidade/preço muito correta. Uma nota especial para os brancos deste produtor, que têm vindo a melhorar significativamente. Vale a pena apostar no VZ 2010.


A segunda parte do dia contemplou os vinhos do Jorge Borges e da Sandra Tavares da Silva e que compreenderam os Chocapalha, Passadouro e os seus próprios vinhos Pintas e a recente entrada Quinta da Manuela.


Wine & Soul
"Vinho e Alma" é o nome da empresa de Jorge Borges e Sandra Tavares da Silva e de onde nascem vinhos como os Pintas, Guru, Pintas Character e agora o novíssimo Quinta da Manoella VV (sim, passou de Manuela para Manoella). É sobre este projeto que gostaria de falar pois este Quinta da Manoella VV 2009 é um vinhão. A proveniência é a já conhecida Quinta da Manuela, que em tempos andava pelas prateleiras nacionais, e que agora, por herança, passa para a família Wine & Soul. Tive oportunidade de colocar frente a frente o Quinta da Manuela 2001 e este novo vinho. A comparação não é possível sob vários aspetos mas afianço-vos que este Manuela 2001 estava cheio de vigor, de vida, de complexidade. Está um senhor vinho. Por outro lado, o Manoella VV é realmente um belo vinho, ainda muito jovem, quase imbatível, onde os taninos ainda muito jovens e empertigados dominam o conjunto. Habemus Vinum
Quanto aos restantes, mais do mesmo.... Continuamos a ter um Pintas 2009, que alia a concentração à elegância, tornando-se num vinho sumptuoso e irresistível, continuamos a ter um Pintas Character 2009 que parece ter um pouco mais de nervo e de tensão associada à concentração da colheita, ao mesmo tempo que encurta a distância para o seu "irmão". Está muito bom este Character 2009.

Continua........




sábado, 11 de junho de 2011

Esporão no Douro - Assobio e Murças

A noticia oficial foi dada há 3 anos, mas há muito se falava que o esporão queria ir para o Douro. A verdade é que fazia todo o sentido que o Esporão, à semelhança das outras empresas da sua envergadura, começasse a alargar os seus horizontes. Com o seu enólogo a conhecer tão bem a região foi uma questão de tempo até o Esporão assentar praça no Douro.
A escolha recaiu sobre a Quinta dos Murças, em Covelinhas. Organizaram-se as vinhas velhas, plantaram-se vinhas novas e saíram para o mercado os frutos deste trabalho, que aqui estão:

Esporão Assobio Douro 2009
Cor de boa concentração. Feito a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, 20% deste vinho estagiou em barricas novas e usadas.
Aroma de frutos vermelhos e maduros, algum vegetal seco e ligeira tosta. Fresco.
Melhor na boca com bom volume, taninos presentes, muito finos e final de boa persistência. Um bom vinho, que não precisa de ser bebido no ano de lançamento. Aliás, ao contrario da maioria dos vinhos desta gama, este pode ser mesmo guardado por um par de anos antes de começas a ser bebido.
Nota 15,5

Quinta dos Murças Reserva 2008
Cor de excelente concentração. Vinho feito a partir das vinhas velhas dos Murças, fermentação em lagares tradicionais e estágio por 12 meses em barricas novas de carvalho francês e americano.
Comparando com o Assobio, entramos numa outra dimensão. Algo fechado de inicio mas com muitas sugestões minerais, flores, fruto maduro e uma barrica muito bem integrada. Profundidade no aroma.
Boca volumosa, texturada. Final longo com taninos jovens e secos a mostrarem que este vinho melhorará em garrafa. Muito bem.
Nota 17


Quinta do Murças Tawny 10 Anos
Bonita cor âmbar, este vinho mostra algumas notas queimadas, café, caramelo.
Na boca gostei do volume e retrogosto cheio de notas de caramelo. Final medio/longo. Esperava mais deste 10 anos. Excelente apresentação do produto.
Nota 16

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Quinta do Soque

Já por várias vezes escrevi acerca desta Quinta, deste produtor e do caminho que vem fazendo no Douro. Agora, importa falar de uma constatação, que a mim muito me agrada e que é a revolução que tem vindo a ser lavada a cabo por parte da equipa de enologia, DuploPR (2PR), neste e em todos os seus produtores. A verdade é que os vinhos mudaram radicalmente de perfil, tornando-se muito mais elegantes, mais frescos, mais "puros", o que no meu entender veio a beneficiar estes vinhos, especialmente as entradas de gama e média gama.

Quinta do Soque Colheita 2008
75% do lote, estagiou em barricas usadas (500l) de carvalho francês, sendo que os restantes 25% foram estagiados em inox. As castas utilizadas são a Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca.
Apresenta uma cor granada de moderada concentração. Aroma fino de frutos vermelhos e silvestres, algum floral e boa frescura.
Boca cordata, redonda e cheia de sabor. Um vinho bem feito e prazenteiro.
Nota 15

Quinta do Soque Reserva 2008
Estagiou em barricas novas e usadas (500l) de carvalho francês. As castas utilizadas são a Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca.
Apresenta uma cor granada de moderada concentração. Muito bem no aroma, com frutos vermelhos, citrinos, muita frescura, associada a sugestões balsâmicas e especiadas.
Fino e elegante na boca, cheio de frescura e sabor. Final médio/Longo. Muito bem.
Nota 16,5

Quinta do Soque Vinhas Velhas 2008
Estagiou em barricas novas (500l) de carvalho francês por 18 meses. Existem cerca de 20 castas tradicionais, nesta vinha com cerca de 80 anos.
Cor violácea com boa concentração. Aroma cheio de profundidade, musculado mas ao mesmo tempo subtil. O fruto aparece mais tarde no copo, perfumado. Sugestões terrosas. Barrica muito bem integrada.
Excelente a elegância na prova, taninos muito vinhos, excelente textura. Final longo e muito assertivo. Belo vinho. A beber em copos largos.
Nota 17,5

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Vertical Quinta do Crasto Vinhas Velhas

Uma vertical de um vinho é sempre um momento de emoção, de grande expectativa. Neste tipo de provas temos sempre a possibilidade de provar alguns vinhos que não provamos à muito, mas, mais que uma prova onde provamos um numero considerável de vinhos, uma vertical é uma prova bastante didática, que nos ensina sempre algo sobre o produtor, o perfil dos seus vinhos e sobre as perspetivas de evolução dos mesmo.
Desta feita foi sobre um dos vinhos de referência para muitos consumidores e provavelmente o estandarte da Quinta do Crasto, pois é um vinho com uma considerável produção e de enorme qualidade, como pudemos comprovar.

A qualidade dos vinhos, apenas com a exceção do 1995, que se mostrou aquém do esperado, foi realmente muito uniforme, e com os vinhos a ficarem sempre em patamares de qualidade muito elevados.
A prova deu grandes indicações quanto à longevidade dos Vinhas Velhas. Por esta amostra, pareceu-me que estes vinhos começam a entrar numa fase distinta, após os 10 anos de vida, altura em que começam a perder o seu perfil habitual, a fruta densa e as notas balsâmicas muito características. Mesmo os mais "velhos", apesar de resolvidos em termos de taninos, pareceram-me não estar a evoluir muito depressa.
Também, e facilmente chegámos a essa conclusão, consideramos que estamos perante uma grande Casa e um grande Vinho. Obrigado




Quinta do Crasto Vinhas Velhas 1994
Alguma evolução na côr, sem no entanto perder a sua côr avermelhada. Aroma distinto, de pó talco, frutos silvestres como a cereja e framboesa, fresco. Aroma muito fino e suave.
Boca resolvida, com taninos redondos mas com muito sabor. Evoluiu muito bem e está pronto a ser bebido.
Nota 17


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 1995
Ligeira evolução na côr. Aroma de tomate confitado, fruto silvestre, ligeiro couro e aniz.
Muito descontrolado na boca, com uma acidez descompensada. Desequilibrado. Uma pena, pois o aroma sugeria algo diferente. A beber desde já.
Nota 15,5


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 1997
Pouca evolução na côr. Aroma com ligeiro volátil, ligeiro desvio alcoólico mas ainda cheio de fruto denso, especiarias e notas balsâmicas.
Muito bem na prova de boca, a mostrar que ainda está cheio de força, com taninos ainda presentes e muito finos. Muito bem.
Nota 17


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 1999
Excelente concentração na Cõr, para um vinho com cerca de 12 anos. Foram poucas as vezes que um vinho se portou como este 1999. Começou com um aroma cheio de força, mas sem definição, algo sujo e com sugestões de naftalina e armário velho. Na boca mostrava algum desequilíbrio, quer ao nível do álcool, quer ao nível da acidez. Mais tarde, no final de todos os vinhos provados, um vinho completamente novo com um aroma cheio de precisão, fruto e notas balsâmicas, numa toada de frescura e finesse.
A boca parece que ganhou equilíbrio e volume. Tudo se conjugou, tudo se harmonizou. Valeu pela 2ª prova.
Nota 17


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2000
Muito jovem na côr. Aroma cheio de complexidade, com muitas notas de café, fruto bem maduro, ainda uma barrica por integrar na totalidade. Sugestões balsâmicas, algum floral.
Boca com estrutura e acidez no ponto, final longo e nervoso. Jovem e excelente.
Nota 17,5


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2001
Muito jovem na côr, com excelente concentração. Muitas sugestões minerais, fruto compotado, ervas aromáticas e notas especiadas. Algum calor mas sem prejudicar o aroma.
Excelente textura na boca, encorpado e guloso. Longo
Nota 17


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2002
Uma boa surpresa, de um ano considerado menor. Aroma muito delicado, com notas de café, fruto silvestre e especiarias. Tudo muito fino e com boa frescura.
Alguma falta de concentração na boca, neste vinho que é delgado e que só perde para os anteriores com a falta de sabor e força na prova de boca. Ainda assim, esteve muito bem.
Nota 16,5


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2003
Muito jovem na côr, com grande concentração. A antítese do anterior.Aroma muito compotado, fruto denso e opulento, notas balsâmicas.
Boca com volume, robustez e cheia de concentração. Final mediano, em que os taninos envolvem-se com o corpo do vinho.
Nota 16


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2004
Muito jovem na côr. Ainda a ganhar complexidade, muitas notas de café, notas balsâmicas, fruto denso. Aroma cheio de profundidade e tensão. É um vinho nervoso, mas ao mesmo tempo com austeridade. Cheio de frescura. Ainda quer ser criança.
Emoção na prova de boca, ainda jovem, com taninos muito presentes e uma acidez vibrante. Final muito longo, num equilíbrio impressionante.
Nota 18


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2005
Muito jovem na côr. Não tem a decadência do anterior, no entanto mostra-se um vinho com maior austeridade. É um vinho mais preciso e rigoroso, sem perder complexidade para o 2004. Está fenomenal no aroma, cheio de frescura.
Grande prova de boca com taninos ainda muito jovens. Excelente final, cheio de sabor e muito longo. Outro grande vinhas velhas.
Nota 18


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2006
Outro VV com muita concentração. Notas compotadas, sugestões florais e balsâmicas. Algum desvio alcoólico, algo quente.
Boca jovem com muita concentração, final compotado mas longo. Não tendo a frescura dos anteriores, este 2006, parece-me que ainda merece ser guardado e consumido a uma temperatura ligeiramente inferior aos restantes. Não deixa de ser muito bom.
Nota 16,5


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2007
Ainda muito jovem. Aroma muito floral, com notas de fruto maduro a que se associam sugestões de bagas frescas pisadas. Sugestões balsâmicas, ligeiras notas de côco e baunilha. Aroma muito fresco
Grande toada de frescura na prova de boca. Muito jovem, com taninos muito presentes mas muito finos. Final Longo e muito fresco.
Nota 17,5


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2008
Mantém o mesmo perfil que as anteriores notas de prova. Mantém ainda as notas de barricas usuais neste vinho, auxiliadas por notas de grafite, café, Fruto Negro e Giz. Muito sedutor. Equilibrado.
Boca com volume, sumarenta, taninos finos ainda muito presentes. Final longo. Excelente vinho, que mostrará todo o seu esplendor daqui a uma mão cheia de anos.
Nota 17,5

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Provas

Aproveito para lançar aqui algumas notas de provas que tenho pendentes. São as novidades recentes da Fiuza (Tejo), Altas Quintas (Alentejo), Quinta das Bajancas e Quinta do Soque (Douro).


Brancos

Fiuza 3 castas Branco 2010
São 3 castas, como o nome indica, que fazem parte do lote que deu origem a este vinhos. São elas a Chardonnay, Arinto e Vital, que fermentaram e estagiaram em cubas de inox.
Cor palha. Aroma frutado com sugestões de ananás, limão a toranja. Fresco.
Boca assertiva, frutada e redonda, com um final mediano mas saboroso.
Nota 14


Altas Quintas 600 Branco 2010
Feito a partir das castas Verdelho, Arinto e Fernão Pires, com fermentação e estágio em inox.
Pouco expressivo no aroma, com sugestões de fruto em calda e ligeira tropicalidade. Fresco mas esperava maior frescura.
Excelente acidez a marcar o palato, trazendo mais raça ao vinho. final saboroso e frutado.
Nota 14,5


Tintos


Fiuza 3 castas Tinto 2010
Novamente 3 castas, Syrah, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional. Fermentação em Inox, com 3 meses de estágio em barrica nova e 3 meses em barrica usada.
Cor Ruby de pouca concentração. Aroma de bagas frescas, e ligeiro vegetal.
Boca com maior interesse, fresco, tudo muito redondo mas pleno de sabor, Final mediano e acidez correcta.
Nota 14,5


Bajancas Tinto 2008
Feito a partir das castas Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca.
São as notas fumadas que conduzem a prova de início, escondendo de certa forma o fruto. Pouco depois aparecem as sugestões de ameixa e amoras, que se associam a alguma mineralidade.
Boca com volume e taninos finos. Pareceu-me algo curto mas ainda assim está muito bem.
Nota 15,5


Bajancas Reserva 2008
Feito a partir das castas Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca.
Ligeiramente fechado de início. Alguma austeridade. Fruto maduro, groselhas e amoras, notas fumadas e sugestões minerais.
Muito fino na boca. Parece mais redondo que o colheita, apesar dos taninos que tem. Excelente na acidez que acompanha o final médio/longo.
Nota 16


Quinta do Soque 2008
Feito a partir das castas Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca.
Aroma de fruto maduro a complementar-se com sugestões silvestres. Algum fumado e ligeiro calor.
Mais fresco na boca com muito boa acidez e taninos redondos.
Nota 15

segunda-feira, 14 de março de 2011

Crasto, Mouchão e Roda apresentam os seus vinhos




O dia estava perfeito, em Gaia, para mais uma prova de vinhos. Após alguns dias de chuva e frio intenso, parece que um dia com algum sol vinha mesmo a calhar. E assim foi, pois quando cheguei ao local da prova, o novíssimo e muito badalado, Hotel Yeatman, já o sol queria descobrir.



Antes de irmos aos vinhos, saliento o local onde foi conduzida a prova. Integrado no meio das centenárias caves, ergue-se este imponente hotel, que pese embora não fira a paisagem onde se encontra integrado, pareceu-me também não sair disfarçado. A verdade é que o hotel é grande e moderno no seu exterior. No interior a coisa muda de figura, e a influência inglesa faz-se de imediato notar. Muito bonito, aliás, tudo muito bonito. Apetece entrar e usufruir.
Os quartos como provavelmente saberão, são patrocinados por produtores de vinhos e ostentam os seus nomes. Dentro de cada um deles, entramos suavemente no mundo do seu "sponsor", com alusões ao produtor e seus vinhos.

Já depois de ter passado e bisbilhotado um pouco enquanto esperava, fui então levado para o local da prova. Bem, o impacto não se podia deixar de fazer sentir. A sala de provas é absolutamente genial. Virada para a fabulosa vista do Rio Douro e da Cidade Invicta, através de um vidro enorme que acompanha toda a frente da sala, esta terá sido uma das mais relaxantes salas que conheci. Uma vista deslumbrante.

A ocasião chegou-nos através da Distribuidora de Vinhos, detida pelo Grupo Fladgate, para a apresentação dos vinhos da Quinta do Crasto, Herdade do Mouchão e Bodegas Roda (Espanha). Ainda antes de se iniciar a prova, já nos havia sido informado, que também teria lugar uma prova comparativa de Portos Vintage, da Colheita de 2001, do Grupo Fladgate Partnership.


Tomás Roquette, Director de Enologia da Quinta do Crasto


Quinta do Crasto

Por inúmeras ocasiões tive oportunidade de escrever sobre este produtor, que hoje em dia dispensa qualquer tipo de apresentações. Qualquer pessoa, por mais distraída que esteja, conhece ou já ouviu falar desta Quinta, deste Produtor ou dos seus Vinhos. A Quinta do Crasto atingiu em Portugal, e no mundo, um estatuto que a muito poucos está destinado. Em Portugal está, no meu entender, num merecido lugar de topo, apenas acompanhada por um punhado de outros produtores. O segredo? Esse reduz-se às fantásticas vinhas que detêm e ao soberbo trabalho de Viticultura, Enologia e Gestão de toda a Equipa da Quinta do Crasto.



Crasto Branco 2010
Tudo muito fresco, muito equilibrado de aroma, com notas limonadas e vegetais. Se por um lado mantém o perfil aromático das anteriores edições, na boca, vem sendo afinado, ano após ano. Esta edição ganhou mais volume, mais untuosidade, mais tensão na acidez. Um excelente feito, numa vindima difícil. Este branco, perfila-se com um dos melhores, senão o melhor branco sem estágio em barrica. Muitíssimo bem.
Nota 16,5


Crasto 2009
Um aroma maduro e intenso, é panache deste vinho. No entanto não perde o seu equilíbrio nem mostra que sabe ter frescura no seu conjunto. Floral
Na boca tem textura, densidade e sobretudo sabor, num conjunto redondo, com alguns taninos a mostrarem que poderá ser guardado por uns bons pares de anos. No entanto, foi pensado para ser bebido desde já.
Nota 16

Quinta do Crasto Superior 2009
Algo fechado de início. Demorou a mostrar toda a sua profundidade. Decadente no fruto, consegue mostrar um veio de frescura sempre que alcançamos o copo. Muito bem
Boca de excelente concentração, numa toada de finura e firmeza de taninos. Final intenso e longo. Precisa de garrafa.
Nota 17

Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2008
Ganha complexidade cada vez que o provo. Mantém ainda as notas de barricas usuais neste vinho, auxiliadas por notas de grafite, café, Fruto Negro e Giz. Muito sedutor. Equilibrado.
Boca com volume, sumarenta, taninos finos ainda muito presentes. Final longo. Excelente vinho, que mostrará todo o seu esplendor daqui a uma mão cheia de anos.
Nota 17,5

Herdade do Mouchão

Será por ventura o mais interessante produtor do Alentejo. Na sua história, em certas alturas atribulada, contou sempre com vinhos enormes, de grande longevidade. Quem provou vinhos com o 1954, 1963, 1970, 1974 e outros, conseguirá certamente perceber o que pretendo dizer. Numa zona que tem vindo ao longo dos anos a dar mostras da enorme capacidade para a produção de grandes Tintos, os Mouchão serão porventura as suas estrelas mais cintilantes.


John Forsythe, a cara dos vinhos Mouchão


Dom Rafael Branco 2009
Aroma muito Novo Mundo, com com sugestões de Alperce, Relva Cortada, a fazer lembra um Sauvignon.
Boca assertiva, com sabor e alguma sensação de doçura. Ainda assim com alguma frescura e uma boa acidez.
Nota 15,5

Dom Rafael 2009
Aroma de fruto maduro, notas de licor. Intenso mas algo quente.
Boca com sabor e equilíbrio. Final de boa persistência.
Nota 15,5

Ponte da Canas 2008
Aroma com profundidade, sugestões de barrica, bacon, fumo, e fruto negro. Intenso
Rebelde na boca, largo e denso. Final cheio de vida, firme e com taninos ainda muito jovens. Precisa de tempo.
Nota 17

Mouchão 2006
Aí está o estilo Mouchão, já a mostrar alguma borracha queimada, fruto denso e mato seco. Tudo num estilo concentrado e cheio de vigor.
Grande concentração na boca, vigoroso. Taninos finos mas muito empertigados a mostrarem que precisam de garrafa para acalmar. Um conjunto de belo efeito, que por certo melhorará daqui a uns anos.
Nota 17,5


Bodegas Roda (Espanha)

Apesar de relativamente recente, este tem sido um projecto que começou por dar nas vistas mal se instalou na Rioja. A razão poderá parecer simples mas baseia-se sobretudo na filosofia das vinhas velhas e nas castas autóctones.



Corimbo 2008
Perfumado, com fruto silvestre.
Boa frescura de conjunto mas com taninos demasiado evidentes, que prejudicam de certo modo o equilíbrio deste vinho. Uma pena.
Nota 15


Roda 2006
Aroma com alguma complexidade, que oscila entre o fruto maduro, as sugestões de tabaco, ligeiro couro e baunilha.
Melhor na boca, com alguma elegância num conjunto que termina longo e com taninos bem secos.
Nota 16,5

Roda I Reserva 2004
Excelente no aroma. Sem vestígios de evolução, este vinho ainda se mantém primário. Por esta altura a barrica já integrou, ficando penas alguns vestígios da mesma, que dão carácter ao vinho. Equilibrado e com frescura.
Boca assertiva. Fino mas com volume e potência. Taninos muito finos e final bem longo.
Nota 17,5

Cirsion 2007
Aroma muito rico, opulência e profundidade em pessoa. Complexo, cheio de camadas de aromas, que se entregam num vai e vem. Sugestões de ameixas, amoras, menta, eucalipto e notas licoradas.
Boca de excelente envergadura e profundidade. Tudo ainda muito compacto, muito preso. Muito tenso, num final cheio de taninos que seguram-nos ao vinho. Impressiona desde já mas é um exercício inglório perante esta capacidade de evolução em garrafa.
Nota 18,5


Portos Vintage 2001

Para o final estava guardada uma prova de enorme carácter didáctico, ainda para mais quando esta seria conduzida pelo David Guimaraens, que é a pedra Basilar de todos os Vinho do Porto do Grupo.
O ideia foi colocar frente a frente três Vintage da Colheita de 2001, um ano Single Quinta, e tentar perceber as suas diferenças, no conjunto em prova.





Fonseca Quinta do Panascal Vintage 2001
Num momento fantástico de consumo. É o vinho que mais se mostra neste momento, pela jovialidade da fruta, com muitas notas de framboesa, melancia.
A boca apresenta-se com doçura e volume. Tudo num registo de equilíbrio. Esta perfeito para ser consumido desde já, mas irá manter-se assim por mais anos.
Nota 16,5

Taylor's Quinta de Vargellas Vintage 2001
Muito mais austero e reserva do que o anterior. Mostra-se ainda algo tímido.
Na prova de boca, mostrou-se muito bem com muitos taninos envoltos no corpo do vinho. Final muito longo.
Nota 17,5

Fonseca Guimaraens Vintage 2001
Um pequeno jovem que ainda não deixou o seu lado químico.
Boca ainda com o espírito por integrar. Taninos muito presentes ainda. Um Vintage cheio de vida e com muita vida pela frente.
Nota 18


Nota final para o almoço que nos foi servido no restaurante do Hotel Yeatman, que pura e simplesmente deslumbrou. Mas disso falarei mais tarde.
Nesse almoço acabámos por abrir alguns vinhos especiais, nomeadamente a primeira garrafa Double Magnum de Maria Teresa 2005 que foi aberta em Portugal, que estava tão jovem que me deu pena de ter sido aberta. Um Mouchão Tonel 3-4 2005 que já me tinha deliciado no Jantar da revista de Vinhos. Estava em grande. E ainda um dos meus Vintage preferidos, o Fonseca 1985, que apesar de estar muito bom, não se mostrou ao nível do que já tenho bebido em outras ocasiões.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Esporão lança primeiros vinhos do Douro

O Esporão apresentou ontem, ao mercado, os vinhos da Quinta dos Murças, Reserva 2008, Assobio 2009 e Tawny 10 anos, marcando o início de um projecto onde pretende contribuir para a realização do enorme potencial daquela região vitivinícola. Todos os vinhos têm origem na Quinta dos Murças, propriedade emblemática com 156 hectares situada perto da aldeia de Covelinhas, no coração da região vitivinícola, com 60 hectares de vinha e propriedade da empresa desde 2008.

Para João Roquette, Administrador Delegado do Grupo Esporão, “apesar de ser a região demarcada mais antiga do mundo, o Douro tem ainda um enorme potencial de crescimento e espaço para inovação”. Sobre a abordagem diferenciadora que dita a entrada do Esporão na região, João Roquette salienta que “todas as fases deste projecto foram pensadas e trabalhadas para que a nossa chegada a esta magnífica região contribua com algo de verdadeiramente novo e relevante. Acredito que os primeiros vinhos que agora apresentamos são o reflexo dessa vontade”.

Quinta dos Murças: Os vinhos



Produzido com base nas castas nativas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, provenientes de solos xistosos característicos desta região, este o Assobio 2009 fez estágio parcial em barricas de carvalho antes de ser engarrafado em Novembro de 2010. A colheita de 2009 é a primeira a ser engarrafada com a marca Assobio, nome de uma encosta da propriedade, onde se encontram as vinhas de maior altitude. Todos os anos convidaremos um fotógrafo para ilustrar o rótulo deste vinho.




O Quinta dos Murças Reserva 2008 nasceu nas nossas vinhas velhas a 100 m e 380 m de altitude, viradas a sul e sudoeste, em solos xistosos, respeitando a natureza e seguindo uma agricultura sustentável. Na nossa adega, as uvas foram escolhidas manualmente, pisadas a pé em lagares de granito e prensadas numa antiga prensa vertical. Depois do estágio em barricas de carvalho, o vinho foi engarrafado em Fevereiro de 2010.

Graças à frescura do seu microclima, Covelinhas tem tradição na produção de tawnies de grande qualidade. O Quinta dos Murças Tawny 10 Anos é o exemplo do prestígio acumulado nos Portos envelhecidos em madeira, uma vez que se trata de um vinho elegante, denso, de acidez equilibrada e boas notas de fruta. Este tawny foi produzido com uvas de qualidade superior (letra A), colhidas na Quinta dos Murças.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Bétula 2009

É a segunda colheita deste novo branco do Douro.
O vinho chega-nos do Douro, mais propriamente da Quinta do Torgal, na Freguesia do Barrô. É um vinho resultante de umas vinhas situadas em solos graníticos e feito a partir de duas castas internacionais, Viognier e Sauvignon Blanc. O enólogo é o sobejamente conhecido, e reconhecido, Francisco Montenegro, que perpetua os vinhos Aneto e Quinta Nova.


Bétula Branco 2009
Produtor - Catarina Montenegro Santos
Região - Douro (Vinho Regional Duriense)
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir dos 12€
Feito equitativamente a partir das castas Viognier, que fermentou e estagiou em barricas de carvalho francês, e Sauvignon Blanc, que fermentou e estagiou em inox.
Mais nervoso que no ano anterior, o que de certa forma é um contra-senso em face da tipicidade dos anos, no entanto poderá significar que o Francisco Montenegro afinou o perfil que queria com este vinho. O certo é que gosto bastante mais desta edição. Apesar de ter ganho um pouco mais de volume, encontrei mais nervo, mais sugestões minerais e uma acidez vincada e muito refrescante. Parece-me mais equilibrado que a anterior versão, apesar de ligeiros apontamentos da barrica em que o Viognier fermentou. Muito bem.
Nota 17

sábado, 28 de agosto de 2010

Vindouro 2010


É já na próxima semana que chega a Festa Pombalina Vindouro. Esta festa terá lugar, como habitualmente, em São João da Pesqueira, nos dias 2, 3, 4 e 5 de Setembro de 2010.
Esta será a 5ª edição de uma festa que inclui um programa variadíssimo de actividades de onde se destacam inúmeras acções relacionadas com os vinhos.

Poderão ver o programa aqui

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Bajancas Private Selection 2008

A Quinta das Bajancas, pertença de António Alfredo Lamas, é um projecto Duriense que começou a ser delineado em 1993, quando por iniciativa própria, o proprietário decidiu partir na aventura de fazer vinho. Escolheram-se as castas a plantar, e em 1994 iniciaram-se as plantações. Em 2004 tem lugar a primeira colheita, nesta Quinta, já com a consultoria da 2PR.
A Quinta das Bajancas apresenta agora o seu mais recente projecto, da responsabilidade enológica da 2PR, o novíssimo Bajancas Private Selection 2009, que integrará o topo da casa em matéria de brancos.


Bajancas Private Selection Branco 2008
Produtor - Alfredo Lamas
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Preço - 15€
AVIN -
AVIN9772511879864
Feito a partir das castas Rabigato, Gouveio e Códega do Larinho, este vinho fermentou em inox, para depois estagiar em barricas usadas de carvalho.
Apresentou uma brilhante côr palha.
Aroma rico e complexo, o primeiro impacto é fantástico, com notas de citrinos, pêras e algum vegetal, a que se juntam sugestões de anis, ervas aromáticas, amêndoas e massapan. Excelente conjunto, onde a barrica surge perfeitamente integrada, mal se dando por ela.
Também se mostrou num excelente registo na prova de boca, com volume e untuosidade, suportados por uma excelente acidez e final longo.
Não é um vinho imediato, de aroma fácil, não, mas precisamos que seja sempre tudo facilitado? E então a criatividade, o carácter e a originalidade? Poderá não agradar a tudo e todos, mas eu gostei muito. Belo Branco.
Nota 17,5



segunda-feira, 5 de julho de 2010

Douro4u



Assim nasceu mais um "agrupamento" de produtores durienses, cuja apresentação teve lugar no passado dia 13 de Julho, no Porto.

Os Douro4u são a união de 5 produtores Durienses (Aneto, Esmero, Quinta da Prelada, Quinta de Tourais e Terrus) cuja ideia é a união de esforços para a promoção, dentro e fora de portas, dos vinhos de cada produtor.

Fica assim apresentado este grupo, que a meu ver, e pela qualidade dos intervenientes, tem todas as condições para um enorme sucesso. Mais informações acerca dos Douro4u, podem ser retiradas do site.

sábado, 26 de junho de 2010

Cistus Reserva 2007

A Quinta do Vale da Perdiz situa-se no coração do Douro Superior nas proximidades de Torre de Moncorvo. Os quatorze hectares de vinha da Quinta encontram-se dispostos em socalcos de ambos os lados do vale que lhe dá o nome. Na vinha, plantada em terreno xistoso, com exposição a sul, norte e nascente, encontram-se as castas nobres tradicionais da região demarcada do Douro: Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz e Tinta Barroca. As vinhas da Quinta do Vale da Perdiz têm uma idade média superior a 13 anos.
Informação retirada do site do Produtor. Para mais informações sobre o Produtor e a Quinta, ver aqui


Cistus Reserva 2007
Produtor - Quinta do Vale da Perdiz
Região - Douro
Grau - 14,5% vol
Preço - 9.99€
AVIN - AVIN3083422626321
Este vinho foi feito a partir das castas Tinta Roriz (40%), Touriga Franca (40%) e Touriga Nacional (20%) e estagiou em barricas de carvalho americano, francês e húngaro, por um período de 15 meses.
Opaco na côr. Para já é a Touriga Nacional que marca o compasso com muitas notas de esteva e de violetas, a que se associam sugestões de fruto maduro, ameixas e amoras, e morangos. Algumas notas de baunilha, madeira muito bem integrada.
Mais carácter na prova de boca. O vinho é encorpado, com boa acidez e taninos presentes. Mantém as sugestões de fruto vermelho e algum vegetal. Madeira bem integrada. Termina com boa persistência.
Nota 16

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Brites de Aguiar


Foi no passado dia 16 que fui à apresentação das novas colheitas da Casa Brites de Aguiar, que detém as marcas Brites de Aguiar e Bafarela. Para esta apresentação, o produtor, trouxe as colheitas antigas de cada uma das suas marcas, mostrando assim a evolução dos seus vinhos.

Situada no Douro, mais propriamente no Concelho de S. João da Pesqueira, esta é uma empresa familiar pertencente a três irmãos (Lúcia, Paulo e Tomy).
A Enologia está a cargo da 2PR (Pedro Sequeira e António Rosas)

Mais informações aqui


Os vinhos:


Bafarela Colheita. Foram os primeiros a serem servidos, numa vertical do vinho de entrada da casa. Acabou por ser uma prova mais didáctica, mostrando que são vinhos para um consumo a curto prazo.


Bafarela colheita 2003
13% vol
Aroma da frutos maduros, terroso, ligeiras notas de evolução e estranhas notas de sabão. Tendo em conta o ano, esperava um conjunto mais quente.
Na boca está delgado, com algumas características de um Porto. A mostrar sinais que já começou a sua fase descendente.
Nota 13


Bafarela Colheita 2004
14% vol
O vinho não esteve em condições.
Sem Nota


Bafarela Colheita 2005
13%vol
Muitos aromas de oxidação ao qual se juntavam notas de mofo. Numa segunda garrafa, manteve-se com aroma indefinido, sujo.
Na boca, desequilibrado e sem grande interesse. O seu tempo já passou, a ver pelas garrafas que foram disponibilizadas.
Nota 11


Bafarela Colheita 2006
13%vol
O mais novo e o mais interessante do conjunto. Aroma com notas de frutos silvestres, morangos, framboesas, e ainda algumas sugestões florais a conferirem alguma frescura ao conjunto.
Na boca alguma frescura, acidez correcta e taninos redondos.
Nota 14


Bafarela Reserva. Um passo à frente dos anteriores, especialmente na colheita de 2007


Bafarela Reserva 2006
13,5% vol
Cor ruby de media concentração.
Aroma de frutos silvestres, notas florais e alguma sugestão de barrica.
Boca com corpo médio, taninos redondos e final de média persistência com sugestões tostadas. Pronto a ser bebido.
Nota 14


Bafarela Reserva 2007
14% vol
Cor ruby de boa concentração.
Ainda algo marcado pelas notas de barrica. Bastam alguns minutos para aparecerem as notas florais, de esteva e o fruto maduro.
Boca de bom porte e desenho, boa acidez e taninos redondos. Um vinho que mostrou mais garra e frescura. Final médio com sugestões de café.
Nota 15


Bafarela Reserva 2008
14% vol
Cor ruby de boa concentração.
Algo primário e jovem, com algumas notas de iogurte. Logo aparecem as notas de fruto maduro, muitas notas florais. Um conjunto com boa dose de frescura.
Muito bem na boca. Ainda a mostrar muitas notas de barrica, é o único Bafarela Reserva que contactou com barricas novas. Ganhou estrutura, e garra. Final saboroso, com taninos empertigados. A beber ou guardar por mais um ano
Nota 15,5


Brites de Aguiar. Foram os vinhos que mais gostei, e onde inclusive esteve o melhor vinho da prova, no meu entender. Atenção pois estes vinhos precisam de algum rigor na temperatura a que são servidos.


Brites de Aguiar 2004
15,5% vol
Cor de excelente concentração, sem denotar grande evolução.
Complexo no aroma, quente, aconchegador. Sugestões de café fresco, fruto maduro, cogumelos e terra.
Boca envolvente, com excelente densidade e sabor. Final longo ainda com taninos bem presentes. Muito bem e no meu entender, o vinho da prova por estar num excelente momento para ser bebido, sem no entanto parecer que poderá ser guardado por mais una anos em cave.
Nota 17


Brites de Aguiar 2006
15,5% vol
Cor de excelente concentração.
Ganhou alguma complexidade no aroma desde a última vez que o provei. O aroma assenta agora mais sobre as notas florais, de alcaçuz e ainda sugestões mentoladas e de barrica.
Na boca todo ele é quente, com notas de café torrado. O final tem boa persistência mas é dominado pelo álcool.
Nota 16


Brites de Aguiar 2007
Cor de excelente concentração.
Será porventura o Brites de Aguiar com o perfil menos quente de todos mas também, para já, o menos complexo.
Para já apresenta-se com muitas notas florais e de fruto maduro. A barrica está bem integrada , sem exageros. Um conjunto com boa dose de frescura.
A boca confirma alguma frescura. Taninos envolventes, acidez excelente e um final longo, com sugestões tostadas. Muito bem.
Nota 17


Bafarela 17 (Grande Escolha e Grande Reserva). Os vinhos com 17% vol. Um enorme sucesso, entre os fieis clientes da Casa. Se nos Brites de Aguiar existe a necessidade de rigor na temperatura de serviço, nestes, é imperioso que o vinho seja servido a cerca de 15-15,5 ºC. sob pena de mostrarem todo o seu álcool.


Bafarela 17 Grande Escolha 2004
17%vol
Acho que não me lembro de alguma vez ter provado um vinho sem rigorosamente nenhum aroma. Com algum aumento de temperatura, fez-me lembrar um Vinho do Porto sem açúcar, sem a fortificação.
Muito alcoólico na boca.
Nota 12,5


Bafarela 17 2006
17%vol
Muitos aromas florais, de fruto maduro e especiaria. Graças a uma boa temperatura de serviço, não existe uma percepção exagerada do álcool.
Boca glicerinada, doce e redonda. Final com grande desvio alcoólico mas muito mais interessante que o anterior.
Nota 14,5


Bafarela 17 2008
17%vol
Um vinho cheio de intensidade, com fruto maduro e muita especiaria. Quer nos aromas, quer na boca, todo ele lembra um estilo "Vinho do Porto".
Nota 15


Bafarela 17 Grande Reserva 2006
17%vol
Aroma algo confuso, pouco definido. Para já, são apenas as notas de barrica a a sugestão de álcool que comandam no aroma.
Na boca existe muita percepção alcoólica, tornando o vinho redondo e adocicado.
Nota 14


Bafarela 17 Grande Reserva 2008
17%vol
Muito carregado na cor.
Ainda algo fechado e para já só a apresentar um fruto muito maduro e muitas notas florais.
Na boca aparecem taninos finos, excelente persistência e uma percepção alcoólica menos evidente. O melhor Bafarela no meu entender, no entanto continua a necessitar de rigor na temperatura de serviço.
Nota 16

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Grandes Quintas

É na sub-região do Douro Superior, entre Vila Flor, Moncorvo e Foz Côa que o projecto é desenvolvido com a paixão e o envolvimento cultural de quem tem uma ligação secular ao Douro. O administrador da Casa d'Arrochella, Bernardo de Arrochela Alegria, é o grande impulsionador deste projecto, encarado, também, como um desafio cultural, através do qual procura deixar um legado para as gerações vindouras.
As vinhas da Sociedade Agrícola Casa d'Arrochella – Quinta do Cerval, Quinta do Nabo, Quinta das Trigueiras, Quinta de Vale d'Arcos e Quinta da Peça – estendem-se ao longo de 115 hectares. A adega tem capacidade para a produção de cerca de 300 000 litros, com dois lagares de granito e cubas de fermentação em inox.
A primeira produção lançada no mercado conta com um total de 38 500 garrafas, com uma aposta forte no Grandes Quintas Tinto, que terá 25 mil garrafas à venda. O Grandes Quintas Branco terá 8 000 unidades, enquanto o Grandes Quintas Reserva estará no mercado com 5 500 garrafas.


Os Vinhos:



Grandes Quintas Reserva 2007
Produtor - Sociedade Agrícola Casa d’Arrochella
Região - Douro
Grau - 14,5% vol
Preço - N/D
Este vinho foi feito a partis das castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Amarela. Estagiou em barricas de carvalho francês.
Cor muito carregada, opaco.
Começa fechado de aromas, precisa de algum tempo, a principio, começam as notas de baunilha, coadjuvadas por sugestões de tinta da china. Em breve chegam as notas florais, incenso, canela, num conjunto profundo e denso. Aroma com sugestões de frescura, apesar da indicação algo quente do aromas.
Na boca, reina o equilíbrio, o volume, sem mostrar uma potência impiedosa como poderia sugerir o primeiro impacto. O vinho tem estrutura, tem taninos redondos, mas tem recortes de elegância. Termina longo e apimentado. Muito interessante este conjunto.
Nota 17



Grandes Quintas 2007
Produtor - Sociedade Agrícola Casa d’Arrochella
Região - Douro
Grau - 13% vol
Preço - N/D
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca, este vinho estagiou em barricas de carvalho francês.
Cor muito carregada, quase opaca.
Feito para agradar logo de início, expedito de aromas, com as notas florais e de bergamota a chegarem em primeiro lugar e em segundo plano algumas sugestões tostadas e minerais. Conjunto de boa frescura.
Na boca mantém uma toada de frescura, alia o sabor a um conjunto jovial e muito prazenteiro. Termina com excelente persistência e boa acidez.
Um daqueles vinhos feito para agradar a todos os que atravessam à sua frente.
Nota 16

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Douro Family Estates (DFE)


Foi no passado dia 24 de Março, no Gemelli, que foi feita a apresentação dos Vinhos dos Douro Family Estates (DFE).
A DFE é uma empresa, inovadora, composta por 4 sócios, podemos dizer, por 4 produtores; Brites Aguiar, Quinta do Soque, Quinta das Bajancas e Quinta dos Poços. A razão desta união, parece-me óbvia. Ou seja, os produtores juntaram-se, criaram uma marca de vinhos e, juntos, comercializam os vinhos nos mercados de exportação.
O que é interessante é que estes produtores uniram-se, como poucos infelizmente fazem em Portugal, criaram uma marca, criaram os vinhos e conjuntamente comercializam os vinhos DFE.

Todo o trabalho de enologia está a cargo da 2PR (Duplo PR), que é composta por António Rosas e Pedro Sequeira, que também são a equipa que toma conta dos vinhos de cada um dos produtores envolvidos, individualmente.

Portanto, boas notícias e um grupo que se espera traga valor e sucesso nos mercados onde se propõe penetrar.

Quanto aos vinhos, foram apresentados 4 vinhos, 1 branco e 3 tintos, divididos por 3 nomenclaturas estratégicas de gama/preço. A gama Classic, Premium e Signature.
Gostei do perfil dos vinhos, curiosamente todos muito elegantes, muito bem feitos é certo, mas muito elegantes. Não era bem o que estava à espera de encontrar.


DFE Classic branco 2008
Produtor - Douro Family Estates
Região - Douro
Grau - 12% vol
Preço - 7,5€
Os vinhos que compõem este lote, foram feitos a partir das castas tradicionais do Douro, fermentados em inox, sendo depois estagiados por cerca de 6 meses em barricas de carvalho francês.
Bonita côr palha. Aroma muito limpo e definido, com notas de fruto, citrinos e algum vegetal. Conjunto cheio de frescura.
A boca está muito bem, com algum volume dado, pelo estágio em barrica, que está muito integrada, quase imperceptível. Excelente acidez e consequente frescura, tornam este conjunto extremamente apelativo para os meses vindouros. Muito bem feito.
Nota 15,5




DFE Classic 2006
Produtor - Douro Family Estates
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Preço - 4,5€
Este vinho, da colheita de 2006, fermentou e estagiou em inox. foi talvez o vinho que menos me cativou, talvez fruto de uma colheita difícil, ainda assim, pelo preço que se pede por ele, não se dá tudo como perdido. Ligeiro nos aromas, a frutos silvestres, alguma esteva e caramelo.
Na boca dei por mim distraído com algum amargor no final de boca. Mediano no corpo e no final, mostra-se também ligeiro de corpo. Um vinho barato, que penso que irá melhorar em colheitas mais frescas.
Nota 14



DFE Premium 2007
Produtor - Douro Family Estates
Região - Douro
Grau - 14,5% vol
Preço - 11,5€
Feito a partir das castas tradicionais do Douro, este vinho teve estágio em barricas.
Mostra-se uma bonita côr ruby de boa concentração.
É talvez o conjunto mais fresco dos tintos apresentados. Muito mais intenso que o vinho anterior, mostra notas de fruto silvestre e fruto vermelho. A barrica está bem integrada, com ligeiras notas de café.
Muito fino na boca, elegante, sem grandes concentrações, taninos redondos e gulosos. Boa acidez e final médio/longo assente sobre uma toada de fruto e frescura. Durante o almoço mostrou-se mais desenvolto nas notas florais e vegetais. Bem feito e curioso no perfil.
Nota 15


DFE Signature 2007
Produtor - Douro Family Estates
Região - Douro
Grau - 15,5% vol
Preço - 17€
É o vinho estandarte, o vinho elaborado do melhor que os produtores que integram este grupo, têm para dar. O vinho, feito a partir das castas tradicionais do Douro, fermentou e estagiou em barricas de carvalho francês.
Excelente concentração de cor.
É realmente o vinho mais interessante do conjunto. Ainda está algo fechado, e como tal esperei pelo almoço para o ver já com alguma "disponibilidade" pois presumo que o vinho tenha sido decantado. Melhorou bastante. O compasso é marcado pelas notas de barrica que ainda se mostram numa toada de classe. Fruto maduro, alguns florais, balsâmicos e ligeiro vegetal são os senhores que se seguem. O conjunto é quente sem no entanto ser pesado, bem pelo contrário.
Na boca novamente uma toada de elegância com taninos finos, expressivos e generosos. Não é tão fresco como o vinho anterior, mas é mais generoso e proporcionado. O final é quente e com alguma percepção alcoólica.
Apesar do elevado grau alcoólico, este vinho mostrou-se, de uma maneira geral, equilibrado, no entanto, para conseguir que se mostre assim, é necessário prestar maior atenção à temperatura em que é servido. No meu entender, não muito acima dos 16ºC.
Nota 16



Em jeito de resumo, confesso que fiquei agradado com os vinhos, sobretudo com o seu perfil. Elegantes, nunca encontrei nenhum exagero nas concentrações e na rigidez dos vinhos. Tirando o grau alcoólico de alguns vinhos, que de certo modo me perturbou, achei um perfil bem interessante, com frescura, elegância e boa definição de fruto. Obviamente que ainda há por melhorar, nisto dos vinhos há sempre, mas parece-me um futuro risonho para este novo grupo que agora "se levanta". Os meus parabéns pela iniciativa.

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