terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Herdade da Malhadinha Nova - Tintos

A Herdade da Malhadinha é para mim sinónimo de inovação, empreendedorismo, bom gosto e sobretudo muita paixão. É curioso verificar como começou e no que está transformada agora.
Nesta Herdade nem tudo é vinho, mas praticamente tudo gira à volta desta paixão pelo vinho. Encontramos criações de animais com certificação, Enoturismo e inserido neste, a perola do Baixo Alentejo, um Country House e Spa.
Fruto da paixão da Família Soares (Garrafeira Soares), a Herdade da Malhadinha surge em Albernôa, a escassos 20 quilómetros a sul de Beja. Nesta herdade com os seus 200 hectares e com uma adega extremamente funcional, são vinificados 150 000 litros ao ano. Os seus solos são xistosos, onde foram plantadas as castas tintas de Touriga Nacional, Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Syrah, Cabernet Sauvignon e Alfrocheiro, sendo que nas brancas temos Arinto, Antão Vaz, Roupeiro e Chardonnay.


Malhadinha 2005
Produtor - Herdade da Malhadinha Nova
Região - Alentejo
Grau - 14,5% vol
Este vinho foi feito a partir das castas, Alicante Bouschet, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional e estagiou por 14 meses em barricas novas de carvalho francês, de 225 Llts.
Apresentou uma bonita cor Rubi.
Longe de grandes extracções que apresentam alguns vinhos de topo alentejanos, este Malhadinha apresenta um aroma bem sóbrio e vincado, com fruta madura, as sempre bem vindas especiarias, algum vegetal e excelentes notas de barrica que introduzem intensidade ao conjunto aromático.
Na boca ainda que o pendor se mantenha frutado, este vinho é bem mais que isso e apresenta-se no seu conjunto um vinho pleno de frescura, com corpo e com excelente acidez e taninos.
Penso sinceramente que estamos na presença de um belo vinho que está mais elegante que as edições anteriores mas que precisa ainda de alguma definição e consistência nas suas colheitas. Face às pessoas envolvidas neste projecto, não tenho duvidas que em breve será alcançado.
Nota 17


Monte da Peceguina 2006
Produtor - Herdade da Malhadinha Nova
Região - Alentejo

Grau - 14% vol

Este vinho foi feito a partir das castas, Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Trincadeira e Syrah, e estagiou parcialmente por 6 meses em barricas de carvalho francês, de 225 Llts.
Apresentou-se com uma cor rubi.
No nariz esta um vinho muito intenso onde predominam as notas de fruto vermelho maduro e onde se apresentam notas especiadas sob um fundo de sensação de café. No entanto, toda esta intensidade também mostra algum do seu "calor" alcoólico, tornando este nariz algo quente.
Na boca está um vinho muito macio, redondo e bastante agradável que termina com sabor e novamente algum calor.
Ainda que seja algo quente este vinho pareceu-me muito bem feito e com boa intensidade, pelo que o recomendo para acompanhar refeições.
Nota 15

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Subsídio

Esta Casa possui a sua Quinta no Alto Alentejo, Distrito de Portalegre e concelho de Monforte. Com relevo suave e solos graníticos é em grande parte revestida por um montado de azinho e sobro, com alguns afloramentos rochosos. É limitada por duas ribeiras, que para além de contribuirem com recursos hídricos para a vinha, conferem também beleza paisagística.
Na vinha estão plantadas as castas, Syrah, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Alicante Bouschet. (Informação retirada de www.limamayer.com)
Como Informação suplementar, no seu site, por sinal muito bem feito, já tem o desenho da loja online do produtor.


Subsídio 2006
Produtor Lima Mayer e Companhia
Região - Alentejo
Grau - 14& vol
Feito a partir das castas, Syrah, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet, este vinho estagiou por 8 meses em inox e ainda 2 meses em garrafa.
Apresentou uma cor rubi de boa concentração.
De inicio, tudo muito escondido, inclusive tive que esperar cerca de 15 minutos até que começassem-se a desembrulhar aromas. Aberto o caminho, os aromas compotados são os primeiros a chegar sendo de seguida acompanhados por notas de leite condensado cozido.
Na boca uma boa estrutura permite que este vinho nos envolva as paredes bucais com seu liquido macio e redondo.

Irmão mais novo e mais simples, este subsidio não o deixará ficar mal, aliás tendo em conta que o seu preço rondará os 5€, tem todas as condições para ser o seu parceiro do dia a dia.
Nota 15

Lima Mayer

Esta Casa possui a sua Quinta no Alto Alentejo, Distrito de Portalegre e concelho de Monforte. Com relevo suave e solos graníticos é em grande parte revestida por um montado de azinho e sobro, com alguns afloramentos rochosos. É limitada por duas ribeiras, que para além de contribuirem com recursos hídricos para a vinha, conferem também beleza paisagística.
Na vinha estão plantadas as castas, Syrah, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Alicante Bouschet. (Informação retirada de www.limamayer.com)
Como Informação suplementar, no seu site, por sinal muito bem feito, já tem o desenho da loja online do produtor.


Lima Mayer 2005
Produtor - Lima Mayer e Companhia
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Feito a partir das castas Syrah, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Alicante Bouschet, este vinho estagiou por 12 meses em barricas de carvalho francês.
Apresenta-se com uma cor rubi carregada, quase opaca.
No ataque a sugestão da presença do Alicante é inolvidável e passa o testemunho para um aroma intenso e quente onde se sobressaem as notas de fruta madura e algum morango, que se aliam a notas interessantes de noz moscada e de boa barrica.
Na boca está muitíssimo bem. Mostra estrutura, está muito equilibrado e apresenta uns jovens taninos nobres que antecedem um final bem gostoso.

Ora aqui está um belíssimo vinho Alentejano de que gostei muito. O preço andará entre os 11 e 15€, que se ajustam na perfeição à qualidade que apresentou. Decante-o antes das refeições pois este, no segundo dia ainda estava a melhorar. Guarde algumas garrafas pelo menos nos próximos 2 anos.
Nota 16

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Castelinho Vintage 1997

Quinta do Castelinho Vintage 1997
Produtor - Quinta do Castelinho
Região - Porto
Grau - 20% vol
Cor rubi com rebordos violáceos.
Nariz de requinte com notas de figos e de ameixas soberbamente acompanhadas por notas de bolo inglês, baunilha e fundo de especiaria.
Na boca é cheio e ainda um pouco rebelde a mostrar que tem taninos de bom porte que nos dizem que o melhor ainda está para vir. No entanto o final é no meu entender curto demais para o que mostra o restante. Pura e simplesmente em milésimos de segundo cai a pique.
Não sei se será a "fase estúpida" dos vintages, mas acho este final algo deslocado do vinho em si, que ainda assim deu muito prazer de beber.
Nota 16,5

Pellada

Quinta da Pellada 1999
Produtor - Álvaro Castro
Região - Dão
Grau - 12,5% vol
No contra-Rotulo a indicação de que o vinho estagiou por 5 meses em carvalho americano.
Cor granada com rebordos atijolados.
No nariz tudo começou com notas de couro num aroma algo confuso e pouco limpo. Tive de esperar alguns minutos até tornar-se num aroma limpo e muito interessante, com notas de fruta acompanhadas com notas vegetais e especiadas e de repente um vinho que parecia desinteressante começa a melhorar e inclusive no 2º dia onde dominavam as notas mentoladas.
A coisa parecia muito bem encaminhada até que levando o vinho à boca, esta mostrou-se em completa discordância com a sua outra metade. Vinho muito mas muito macio, onde se pedia algo mais vivo, e onde parece que existiu ali algo só já só lá esta o seu lugar vazio, ou seja falta qualquer coisa que alegre.
Ainda que a boca não cumpra com o que o vinho prometeu, não é razão para que não travemos conhecimento com este vinho.
Nota 15,5

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Revisitando Pradinhos em branco

Valle Pradinhos Branco 2005
Produtor - Maria Antónia Mascarenhas
Região - Trás-os-Montes
Grau -14% vol
Feito a partir das castas Gewurztraminer, Riesling e Malvasia fina este vinho apresenta uma côr palha carregada.
No nariz, o vinho está marcado pela Gewurztraminer onde apresenta imensas notas de lychias, flores, notas anisadas e um refrescante fundo vegetal que parece querer também ele mostrar-se e que dá um toque especial no meio de tanta doçura.
Na boca é cheio, com volume mas impressiona pela marcante acidez, subtil amargor final e ainda pela frescura e comprimento final.
Adorei poder revisitar este vinho, que por tantas vezes o bebi aquando da sua saída. Está bem e recomenda-se, no entanto não beba todas pois acho que ainda está para durar mais qualquer coisinha. Eu pelo menos vou guardar a ultima que ainda tenho.
Nota 16,5

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Quinta do Alqueve Tradicional

Quinta do Alqueve Tradicional 2005
Produtor - Pinhal da Torre
Região - Ribatejo
Grau - 13% vol
Produzido pelo processo tradicional de curtimenta, este vinho foi feito a partir das castas Touriga Nacional, Trincadeira, Tinta Roriz e Castelão, e estagiou por 12 meses em barricas de carvalho francês.
Brilhante e translucida cor rubi. No nariz apresenta uma boa dose de fruto silvestre, onde salientamos bagas vermelhas frescas maceradas, depois, é a vez do caramelo, das especiarias e uma sensação reconfortante de calor a mostrarem serviço e um final onde os fumados da barrica mostram o seu ar de graça.
Na boca, apresenta-se-nos um vinho completamente redondo com taninos macios e saborosos, que se mostra com final de boa persistência e intensidade.
Um vinho muito bem feito e pronto a pedir para ser bebido desde já, pois neste momento está a "dar cartas".
Nota 16

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Poças

Poças Vintage 1996
Produtor - Poças
Região - Porto
Grau -
O de ano 1996 não terá sido um grande ano de vintage, no entanto é para mim sempre importante que se passem de vez em quando a revista por estes vintages cujo preço é bem menor e portanto provavelmente ainda existirão em muitas garrafeiras e casas.
Carregado na cor. Aroma de muito figo e passa aliados a uma vertente química e especiada.
Na boca está absolutamente pronto para nos dar aquilo que queremos dele, ou seja prazer. Macio e aveludado, este vintage mantém uma boa estrutura e um final muito saboroso. Atravessa um bom momento. A satisfação essa, é garantida.
Nota 17

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Em 2002 Jorge Roquette (Quinta do Crasto) e Jean-Michel Cazes (Château Lynch Bages), decidiram criar uma joint venture vínica para poderem fazer um grande vinho no douro. O que se pretendia era fazer um vinho a partir das castas do Douro mas com a experiência da Casa Cazes. Nasce então, em 2003, uma estrela no Douro.......o Xisto.


Xisto 2004
Produtor - Roquette e Cazes
Região - Douro
Grau - 14% vol
Este vinho teve a participação dos enólogos de cada uma das casas, Susana Esteban pelo Crasto e Daniel Llose por Lynch Bages. Feito a partir das castas Touriga Nacional (60%), Touriga Franca (15%) e Tinta Roriz (25%), este vinho estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês (60% novas e 40% com 1 ano).
Apresenta uma cor carregada. Intenso no nariz, este vinho apresenta aromas de fruta muito madura, onde se destacam a ameixa e a amora, o eterno pendente floral e sugestões de café.
Na boca o mote é a elegância como aliado de uma certa potência. O vinho é extremamente equilibrado e macio e dá desde já uma prova em pleno. Termina longo e com classe.
Um vinho arrebatador que não me deixou indiferente. Um grande vinho que permite-nos dizer que assim, venham mais parcerias destas.
Nota 18

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

"Oásis" no Torrão

Este foi um dos produtores de vinho que mais me surpreendeu, pelo segundo ano consecutivo, no ano de 2007. Surpreendeu-me por se tratar de um produtor audaz e que não teve receio de fazer vinhos da maneira que sempre quis. Estou a falar da Herdade do Portocarro, a alma e sonho de José Mota Capitão.
Ainda que o torrão se encontre já bem no litoral alentejano, a Herdade do Portocarro está integrada numa exploração agrícola que se situa dentro da Região Demarcado Terras do Sado. Situa-se junto à aldeia de S. Romão, na Freguesia do Torrão. Conta com 142Ha onde passa tranquilamente o Rio Sado e onde em tempos remotos, época romana, serviu de porto de carga e descarga.
A vinha, plantada em 2003, ocupa 12Ha e é composta pelas castas Cabernet Sauvignon, Aragonêz, Alfrocheiro Preto, Sangiovese, Petit Verdot, Touriga Franca e Touriga Nacional.

Herdade do Portocarro 2005
Produtor - José Mota Capitão
Região - Terras do Sado
Grau - 14% vol
Feito a partir das castas Aragonês (30%), Alfrocheiro Preto (30%), Cabernet Sauvignon (30%), Touriga Nacional (5%) e Touriga Franca (5%).
Cor rubi. Nariz algo quente onde se mostram frutas maduras, muita especiaria e notas de barrica.
Na boca o vinho é muito prazenteiro, onde mostra uma prontidão eficaz, com taninos domados e acidez bem colocada.
Não sendo propriamente um vinho para o dia-a-dia, este Herdade do Portocarro vai com toda a certeza agradar. A mim agradou e tenho-o como um bom vinho.
Nota 15,5


Anima L5
Produtor - José Mota Capitão
Região - Sem região associada por se tratar de um vinho de mesa
Grau - 14% vol
Feito a partir da casta Sangiovese.
De uma bonita cor rubi. O seu antecessor foi um dos vinhos que mais gostei de provar, no entanto ao provar este, fico com a sensação que tudo o que caracterizava o seu antecessor está agora aqui outra vez, mas desta feita numa visão diferente. No início mostrou-se algo tímido, fechado. Tudo o que este vinho tem está escondido, no entanto não tardam em começar a aparecer as notas de cereja, as notas de côco e caril. Não sei se teremos vinho tão exótico como este em Portugal.
Na boca, começam as diferenças para o seu antecessor. O vinho mantém a mesma linha de pensamento, mas desta feita está mais vinho, está menos pronto é certo, mas está com mais capacidade evolutiva. Os taninos mantêm-se nobres mas são agora mais rebeldes e mais atrevidos.
Em suma, mantenho a minha convicção de se tratar de um belíssimo vinho que ainda peca pela pouca tiragem.
Nota 17,5


Antes de mais, gostaria de vos apresentar o novo vinho da casa. O Cavalo Maluco.
Cavalo Maluco (Crazy Horse) foi um grande chefe Sioux que resistiu à ocupação e destruição das terras e cultura do seu povo pelos pioneiros americanos. Mesmo depois de Preso permanceu sempre fiél às sua crenças e código de honra.
José mota capitão quis com este vinho prestar homenagem a todos os Cavalos Malucos deste mundo. Neste sentido, cada ano de Cavalo Maluco vai ser dedicado a uma personalidade que encarne o espírito do vinho, pelo que as suas iniciais farão parte do rótulo e o seu nome do contra rótulo. A primeira edição do Cavalo Maluco é dedicada a Luis Mota Capitão, pai do produtor.


Cavalo Maluco 2005
Produtor - José Mota Capitão
Região - Terras do Sado
Grau - 14% vol
Feito a partir das castas Touriga Franca (45%), Touriga Naciona (45%) e Petit Verdot(10%).
Praticamente opaco na cor. No nariz mostra-se um vinho extraído onde se sobressaem notas de fruta densa e notas licoradas. Entretanto começam por aparecer as notas de cacau e bergamota apoiadas sobre notas de barrica muito bem integradas.
Na boca é denso, cheio, encorpado mas ao mesmo tempo mostra-se dócil, com taninos nobres que completam um quadro de harmonia.
Este será provavelmente um dos vinhos mais interessantes que tive a oportunidade de beber e provar. Interessante por vir de uma região que nem sempre nos trás algo de novo, interessante por vir de uma terra onde até há bem pouco não tinha qualquer referência digna de registo e finalmente interessante porque vem de um produtor que se iniciou nestas lides há bem pouco e tem no seu portfólio vinho notáveis como este cavalo maluco. Belo vinho, bela homenagem a Luís Mota Capitão.
Nota 17,5

O Mitico Barca Velha

O nome Barca Velha é conhecido pelos quatro cantos do nosso país, e não só, como sendo o nosso vinho estandarte. Produzido pela Casa Ferreirinha, agora pertença da Sogrape, o Barca Velha já era considerado assim, ainda quase não existiam vinhos tranquilos no Douro.
Este nobre vinho deverá ter estado presente em algumas das maiores tomadas de decisão em Portugal e nas mais importantes recepções que cá ocorreram e é hoje em dia símbolo de prestigio e alvo de cobiça.
Foi criado em 1952 e até ao dia de hoje foram lançadas apenas 15 edições deste vinho. Em 1952, 1953, 1954, 1957, 1964, 1965, 1966, 1978, 1981, 1982, 1983, 1985, 1991, 1995 e, o mais recente, e que agora provo, o 1999.


Barca Velha 1999
Produtor - Casa Ferreirinha
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Feito a partir das castas Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinto Cão, provenientes da Quinta da Lêda e de outras quintas. Estagiam em barricas novas de carvalho francês por 12 a 18 meses, em Vila Nova de Gaia.
Lindíssima cor rubi carregada, onde não mostra sinais de evolução. No nariz mostra todo o esplendor da fruta madura onde descortinamos a cereja preta, o cassis e a amora que são complementados com notas de especiaria, apontamentos florais e com algum arejamento, intensas notas de boa barrica.
Na boca, um jovenzinho de contrastes, assim como o Douro que o viu nascer. Aguerrido mas suave, elegante mas estruturado, este vinho apresenta-se sedoso e incrivelmente intenso no seu final.
Um vinho com 8 anos que ainda nem sequer tem todos os seus componentes integrados na perfeição. Ainda assim sinto-me feliz por o ter conhecido nesta fase de jovialidade e rebeldia. Se por um lado, alguns dos Barca Velha anteriores me deixaram de certa maneira algo indeciso, este por seu lado não me deixa margem para dúvidas pois, é um Grande Barca Velha, um Grande vinho e um Grande Douro.
Nota 18,5

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

A Baga segundo Luis Pato

Luís Pato é um nome incontornável do panorama vínico Português. Obviamente que este reconhecimento se deve à qualidade de seus vinhos mas penso que também pelo facto de ser actor principal na luta diária pelo reconhecimento dos vinhos Bairradinos e da sua Casta Rainha, a Baga.
A vinha Barrosa é uma vinha, da Casta Baga, com mais de 80 anos, que se situa na freguesia de Aguim, e que se encontra rodeada por floresta de pinheiros e eucaliptos.


Vinha Barrosa 1996
Produtor - Luís Pato
Região - Bairrada
Grau - 13% vol
Feito a partir da Casta Baga, este vinho estagiou por 12 meses em pipos de carvalho francês Allier. Numa das vezes que estive na adega do Luís Pato, dizia-me que estes vinhos mostravam o seu potencial com 10 anos de guarda. Na realidade este vinho está agora a dar os seus primeiros passos, pois não imagino que seria bebível quando foi lançado no mercado. A cor não mostra muitos sinais de envelhecimento. A fruta começa agora a mostrar-se, a caruma, a sensação de frescura pela mineralidade do vinho e o aroma de terra intenso indiciam um vinho de estirpe superior.
Na boca é de salientar juventude para um vinho com mais de 10 anos e onde a acidez e os taninos são o esqueleto que suporta todo este magistral liquido.
Um Grande Baga e um Grande Bairrada, por muitos mais anos.
Nota 17,5

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Hero dos Avós

Inicialmente conhecido como uma das primeiras industrias de moagem de cereais do Concelho de Palmela, o Monte ou Moinho de Castanheiro dedica-se actualmente, em exclusivo, à produção e comercialização de vinhos. No seguimento da já longa tradição familiar, os actuais responsáveis pela Hero do Castanheiro representam a quarta geração de produtores.
A vinha, dividida em 3 parcelas, está situada numa das melhores áreas do Concelho de Palmela. Os terrenos são arenosos e estão ocupados, quase exclusivamente(95%), pela casta Castelão.


Hero do Avós Garrafeira 2001
Produtor - Monte do Castanheiro
Região - Palmela
Grau - 14% vol
Feito a partir da casta Castelão Francês, este garrafeira estagiou, segundo o contra-rótulo, por 12 meses em carvalho francês.
Cor granada a mostrar ligeira evolução. No nariz mostra ao primeiro impacte uma invejável mineralidade que torna tudo muito mais apelativo. Depois é tempo de mostrar a fruta silvestre, algum leite, muita especiaria e belíssimas notas de barrica.
Na boca, um vinho macio, fresco, muito equilibrado e acima de tudo saboroso e intenso. Termina intensamente.
Delicioso, é o adjectivo que melhor enquadra este vinho. Os anos não parecem passar por ele e aí está para as curvas. Está no ponto este belo exemplar de Castelão Francês.
Nota 17

Billecart-Salmon

Confesso que quanto mais bebo champagne mais viciado fico neste tipo de vinho. Embora goste muito de alguns espumantes feitos em Portugal, é no champagne francês que encontro os melhores vinhos e os "State of the Art". Desta feita, uma incursão pela casa Billecart-Salmon.
"Em 1818, Nicholas François Billecart e sua esposa Elisabeth Salmon fundaram a sua casa de Champagne em Mareuil-sur-Ay, onde a sua família estava estabelecida desde o Século 17.
Cerca de 200 anos depois, na actualidade, a sétima geração mantém-se em Mareuil-sur-Ay e a sua independência como casa de Champagne." (Informação retirada, e traduzida, do Site www.champagne-billecart.fr)


Champagne Billecart-Salmon Brut Réserve
Produtor - Billecart-Salmon
Região - Champagne (França)
Grau -
Feito a partir das castas Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier, apresentou uma bonita cor palha com perlage média e boa persistência. No aroma surgem de imediato os aromas de citrinos e fermento com notas de tosta como pano de fundo. O aroma é muito persistente e fresco.
Na boca mostra-se um pouco austero e seco mas ainda assim um fresco e bem vivo champagne. Excelente acidez e persistência final.
Para o preço a que se costumam encontrar os mais usuais Champagnes, este é uma na minha opinião um excelente compra face à qualidade apresentada.
Nota 17


Champagne Billecart-Salmon Brut Rosé
Produtor - Billecart-Salmon
Região - Champagne (França)
Grau -

Feito a partir das castas Pinot Noir, Chardonnay e Pinot Meunier vinificadas como vinho branco e um percentagem do Pinot Noir vinificada como tinto.
Lindíssima cor salmão com perlage finíssima. Começa o vinho a escorrer no copo e começamos imediatamente a salivar, tal a apresentação da cor e do perfume que emana. Notas de morangos, de fruto silvestre, de citrinos, brioche e flores são a componente deste exuberante aroma.
Na boca a textura que nos confere um vinho suave, ainda que encorpado, um vinho delicado e fantasticamente fresco. Todo este esplendor termina com uma persistência longuíssima.
O que dizer de um champagne de crivo superior? Que venham mais como este ou deste :).
Nota 18


Este foi o meu primeiro encontro com os vinhos desta casa e a ver pelas minhas impressões, fiquei fã. Atenção que estes 2 vinhos são a entrada de gama da Casa Billecart-Salmon pelo que, a ver por estes, o que vem a seguir.......

Crasto Roriz

Quinta do Crasto Tinta Roriz 1997
Produtor - Quinta do Crasto
Região - Douro
Grau - 14% vol
Cor Granada. Para um vinho com 10 anos, apresentou-se em impecáveis condições. Muita fruta de cereja e framboesa, muita especiaria e a terminar com sugestões de rebuçado e algum vegetal que faziam as delicias deste aroma que começava a cativar logo no nariz.
Na boca novamente motivos de alegria, com o vinho a mostrar-se macio, sedoso, ainda com excelente acidez e taninos nobres.
Que vinho mais guloso. Acho que está no auge da sua vida util mas ainda dá boas indicações para o futuro. Eu pelo menos vou já tratar de arranjar novas "recargas" deste vinho.
Nota 17,5

Vallegre

Porto Tawny Vallegre 30 Anos
Produtor - Vallegre
Região - Porto
Grau - 19% vol
Mostra uma cor ambâr carregada. No nariz encontramos um vinho algo sui generis onde a aposta centra-se nas notas de caramelo, torrefacção, nougat e muito, mas muito, fumo onde chegaria com facilidade a sugestões, algo intensas demais, de carvão ou alcatrão.
Na boca encontramos um vinho de média intensidade, com corpo médio e final também ele mediano.
Confesso que não desagrada, mas também não será um bom exemplo de um 30 anos, também no preço é claro.
Nota 16

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