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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um oásis em Albernoa




Estavam chegadas as férias e como em todos os anos, pelo menos ultimamente, começo a tentar convencer a família a ir para um lugar, onde haja piscina, praia, sol, calor e no meu caso pricipalmente, vinho. Esta é uma tarefa àrdua pois a atenção que é desviada da familía em muitos fins de semana, durante um ano quase inteiro, é reclamada na sua totalidade agora em férias.
Este ano, até que foi fácil. Bastou ir ao site da Malhadinha, e...pimba, já estavam convencidos. O site da desta Herdade é de tal maneira "guloso", que se torna difícil resistir.

O caminho para a Malhadinha, pelo IC2 que liga a A2 a Beja, é bem alentejano. Quase, e só, a dourada planície de pasto repleta de sobreiros, e aqui e ali, pincelada por pequenas manadas e populações. Após umas dezenas de quilómetros e já ansiava pelo verde das vinhas. Alguns minutos antes de Albernoa, eis que se vislumbra o oásis de verde, a contrastar completamente com a paisagem a que estávamos habituados pelo caminho.

O Herdade da Malhadinha é composta por duas realidades bem distintas, a do Vinho, onde se conta a adega, e a do Country House & SPA. Comecemos pois pela segunda:




O Country House & SPA, é simplesmente uma delicia. Tudo pensado ao pormenor para agradar que lá passa uns calmos e revigorantes dias. Dá para pensar, olhando para os limites dos montes, dá para ler os inúmeros livros dedicados ao Vinho, que por lá clamam quem lhes pegue. Dá para adormecer, numas das camas ao ar livre. Ali, tudo tem como único propósito, agradar os clientes. Tudo é pensado para o nosso conforto. Um Show.


A Piscina, que me fez lembrar de certa maneira a da Quinta do Crasto, é um ex-libris. Debruça-se sobre as vinhas e tem uma temperatura controlada, que nos dias de mais calor refresca sobremaneira e nos dias mais frios torna-se acolhedora.


O staff é incansável e atencioso. O pequeno almoço é genial, com recurso a excelentes produtos feitos na casa. Conta-se o pão, a fruta sempre fresca, as compotas, os enchidos e imagine-se, o presunto Sanchez Romero, que é simplesmente um vício.
Nas horas de menos calor, nomeadamente logo pela manhã, existem inúmeras actividades como, passeios de bicicleta ou de jipe, pela Herdade e ainda acções mais variadas como Workshops de cozinha, dança do ventre ou mesmo de trabalhos em barro. Todas as semanas é diferente, o que diz bem do dinamismo que imprimem neste "Hotel de Charme".


À noite começa a magia e o mágico de serviço é o Chef Vitor Claro, que com a simplicidade que lhe é característica e com a excelente matéria prima de que dispõe, consegue manter junto de si, todos os clientes alojados no Country House. Cheguei a pensar inúmeras vezes como era possível, com tal simplicidade, ter uma cozinha tão arrebatadora. O Chef Vitor Claro foi feito para este lugar e este lugar para ele. Brilhante na cozinha, sem grande protagonismos e excessos desnecessários, podemos ter a certeza de que cada jantar será diferente, mas repleto de sabor. Aconselho vivamente.

Não há muitas palavras que possam descrever fielmente os dias que por ali passei, mas fica aqui a sugestão para que, quem possa, assim a carteira o permita, ir deliciar-se "in loco" com este idílico lugar, bem no meio do Alentejo. Fabuloso.




Quando lá estive, a meio de Agosto, já se vindimava forte e feio. O calor abrasador, e a consequente escalada nas maturações, ditou que as vindimas começassem mais cedo. Quando lá cheguei já os brancos já estavam na sua maioria dentro da adega e começavam a chegar os tintos em força. Provei algumas uvas, que me pareceram muito bem de saúde. A ver vamos o resultado desta vindima de 2009.

Mas estas duas vertentes são apenas as principais que compõem a Herdade da Malhadinha. Existem ainda mais áreas de negócio, como o Porco Preto, que é na sua totalidade adquirido pela Sanchez Romero Carvajal, com excepção de uma quantidade residual que serve o Restaurante da Casa. As Vacas Alentejanas e ainda a velha paixão, mas ainda um pequeno e recente negócio, da família Soares, que é a criação de Cavalos Lusitanos.

Em conversa com João Soares cheguei a perguntar-lhe como tinha chegado até aqui? Poderia dizer que foi o destino, que foi a paixão, mas na realidade o João e seu irmão Paulo já conheciam bem esta herdade deste muito jovens. Contou-me que era ali mesmo que com 15 anos vinham caçar, outra paixão dos irmão Soares. Na altura, esta Herdade, que já tinha o nome de Malhadinha, estava completamente abandonada, com apenas a lembrança do que em tempos foi uma casa, e desde que se lembram, uma ruína que por ali teimava em permanecer. Quando procuravam um local para assentar arrais, voltaram ao mesmo local onde sempre caçaram, que sempre conheceram, e, mesmo sem quaisquer vinhedos como referência nas imediações (curiosamente bem pertinho, e ao mesmo tempo, nasceu um projecto de vinho e enoturismo)., iniciaram um projecto de vida. Um tiro no escuro? Não, nada disso. Acercaram-se, aliás, convenceram o Enólogo Luís Duarte, fizeram análises aos solos e meteram de imediato mãos à obra. Como sempre, e tendo como referência o próspero negócio de sempre, das Garrafeiras Soares, conseguiram levar a cabo mais um projecto de enorme sucesso.

Como é óbvio, não podia deixar de falar dos vinhos, que acabei por beber no Restaurante. Fiquei com excelente impressão dos brancos de 2008 e dos tintos de 2007.

O Peceguina branco 2008
Está imbatível na relação qualidade/preço. Ganhou alguma complexidade, mercê da inclusão de Viognier no lote, mostra notas anisadas, citrinas e vegetais, mas é na frescura que tem o maior aliado. Na boca tem tem bom volume, frescura e equilíbrio.
Nota 16

O Malhadinha 2008 branco
Ganhou mais frescura, maior profundidade e está um senhor branco.
Aroma muito fresco, com notas vegetais reconfortantes. Fruto delicado e definido. Mineral e com as notas de barrica muito bem integradas. Aqui houve trabalho. Na boca mostra-se com excelente volume e alguma contenção. Acidez perfeita e equilíbrio excelente. Belo branco.
Nota 17,5

Malhadinha 2007
Pareceu muito mais intenso que nos anos anteriores, mercê de uma Touriga Nacional de enorme qualidade. É fresco, de fruto bem maduro. É preciso e bem desenhado.
Enorme no sabor e na persistência. Muito bem.
Nota 17

Ainda bebi o Malhadinha 2003, que esteve muito bem e achei que estava num momento excelente para se beber e o Marias da Malhadinha 2004, que junta o exotismo e o carácter com uma enorme complexidade. Estava soberbo no nariz. Na boca, ainda jovem e algo quente, a mostrar que pode muito bem aguentar mais uns anos em cave.


Resumindo, um local maravilhoso para se passarem uns dias, para relaxar e ser literalmente servido do melhor. Para quem gosta de vinho, uma adega e uns vinhos de enorme categoria. Que mais se pode querer? Fiquei com enorme vontade de voltar ao Country House e também à adega pois provei boas coisas nas barricas.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Herdade da Malhadinha Nova - Brancos

Estou de volta a este produtor, mas desta feita com a prova de brancos.


Malhadinha Branco 2006
Produtor - Herdade da Malhadinha Nova
Região - Alentejo
Grau - 14,5% vol
Feito a partir das castas Antão Vaz (60%), Arinto (20%) e Chardonnay (20%), este vinho estagiou por 5 meses em barricas novas de carvalho francês.
Apresentou uma brilhante cor dourada.
Nariz amplo, rico e complexo, onde encontramos a notas de fruta branca, algum citrino, sensação vegetal e subtis fumados da barrica. O Aroma por si não é exuberante mas cativa pela frescura que apresenta.
Na boca é cheio e gordo, com notas de barrica muito bem integradas e onde se destaca uma acidez muito bem colocada sobre um final longo e prazenteiro.
Um belíssimo branco alentejano que peca apenas por algum "calor" evidente. De todas as vezes que o provei, esta foi a melhor prova, o que me faz supor que tem vindo a ganhar qualidades e que me permitirá afirmar que ainda tem potencial.
Nota 17



Antão Vaz da Peceguina
Produtor - Herdade da Malhadinha Nova
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Feito a partir da Casta Antão Vaz, este extreme apresentou uma cor palha carregada.
Nariz com alguma exuberância a mostrar que não é esta a sua estação. Predominam os aromas de fruto e alguma frescura que tornam o vinho bastante agradável.
Na boca mostra boa dose de corpo remetendo-nos para um vinho cheio de final mediano.
Um bom Antão Vaz, bem feito e que proporciona bons momentos. Acho que a primavera poderá ser a sua altura de ouro.
Nota 14,5

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Herdade da Malhadinha Nova - Tintos

A Herdade da Malhadinha é para mim sinónimo de inovação, empreendedorismo, bom gosto e sobretudo muita paixão. É curioso verificar como começou e no que está transformada agora.
Nesta Herdade nem tudo é vinho, mas praticamente tudo gira à volta desta paixão pelo vinho. Encontramos criações de animais com certificação, Enoturismo e inserido neste, a perola do Baixo Alentejo, um Country House e Spa.
Fruto da paixão da Família Soares (Garrafeira Soares), a Herdade da Malhadinha surge em Albernôa, a escassos 20 quilómetros a sul de Beja. Nesta herdade com os seus 200 hectares e com uma adega extremamente funcional, são vinificados 150 000 litros ao ano. Os seus solos são xistosos, onde foram plantadas as castas tintas de Touriga Nacional, Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Syrah, Cabernet Sauvignon e Alfrocheiro, sendo que nas brancas temos Arinto, Antão Vaz, Roupeiro e Chardonnay.


Malhadinha 2005
Produtor - Herdade da Malhadinha Nova
Região - Alentejo
Grau - 14,5% vol
Este vinho foi feito a partir das castas, Alicante Bouschet, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional e estagiou por 14 meses em barricas novas de carvalho francês, de 225 Llts.
Apresentou uma bonita cor Rubi.
Longe de grandes extracções que apresentam alguns vinhos de topo alentejanos, este Malhadinha apresenta um aroma bem sóbrio e vincado, com fruta madura, as sempre bem vindas especiarias, algum vegetal e excelentes notas de barrica que introduzem intensidade ao conjunto aromático.
Na boca ainda que o pendor se mantenha frutado, este vinho é bem mais que isso e apresenta-se no seu conjunto um vinho pleno de frescura, com corpo e com excelente acidez e taninos.
Penso sinceramente que estamos na presença de um belo vinho que está mais elegante que as edições anteriores mas que precisa ainda de alguma definição e consistência nas suas colheitas. Face às pessoas envolvidas neste projecto, não tenho duvidas que em breve será alcançado.
Nota 17


Monte da Peceguina 2006
Produtor - Herdade da Malhadinha Nova
Região - Alentejo

Grau - 14% vol

Este vinho foi feito a partir das castas, Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Trincadeira e Syrah, e estagiou parcialmente por 6 meses em barricas de carvalho francês, de 225 Llts.
Apresentou-se com uma cor rubi.
No nariz esta um vinho muito intenso onde predominam as notas de fruto vermelho maduro e onde se apresentam notas especiadas sob um fundo de sensação de café. No entanto, toda esta intensidade também mostra algum do seu "calor" alcoólico, tornando este nariz algo quente.
Na boca está um vinho muito macio, redondo e bastante agradável que termina com sabor e novamente algum calor.
Ainda que seja algo quente este vinho pareceu-me muito bem feito e com boa intensidade, pelo que o recomendo para acompanhar refeições.
Nota 15

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