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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Vertical Quinta do Crasto Vinhas Velhas

Uma vertical de um vinho é sempre um momento de emoção, de grande expectativa. Neste tipo de provas temos sempre a possibilidade de provar alguns vinhos que não provamos à muito, mas, mais que uma prova onde provamos um numero considerável de vinhos, uma vertical é uma prova bastante didática, que nos ensina sempre algo sobre o produtor, o perfil dos seus vinhos e sobre as perspetivas de evolução dos mesmo.
Desta feita foi sobre um dos vinhos de referência para muitos consumidores e provavelmente o estandarte da Quinta do Crasto, pois é um vinho com uma considerável produção e de enorme qualidade, como pudemos comprovar.

A qualidade dos vinhos, apenas com a exceção do 1995, que se mostrou aquém do esperado, foi realmente muito uniforme, e com os vinhos a ficarem sempre em patamares de qualidade muito elevados.
A prova deu grandes indicações quanto à longevidade dos Vinhas Velhas. Por esta amostra, pareceu-me que estes vinhos começam a entrar numa fase distinta, após os 10 anos de vida, altura em que começam a perder o seu perfil habitual, a fruta densa e as notas balsâmicas muito características. Mesmo os mais "velhos", apesar de resolvidos em termos de taninos, pareceram-me não estar a evoluir muito depressa.
Também, e facilmente chegámos a essa conclusão, consideramos que estamos perante uma grande Casa e um grande Vinho. Obrigado




Quinta do Crasto Vinhas Velhas 1994
Alguma evolução na côr, sem no entanto perder a sua côr avermelhada. Aroma distinto, de pó talco, frutos silvestres como a cereja e framboesa, fresco. Aroma muito fino e suave.
Boca resolvida, com taninos redondos mas com muito sabor. Evoluiu muito bem e está pronto a ser bebido.
Nota 17


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 1995
Ligeira evolução na côr. Aroma de tomate confitado, fruto silvestre, ligeiro couro e aniz.
Muito descontrolado na boca, com uma acidez descompensada. Desequilibrado. Uma pena, pois o aroma sugeria algo diferente. A beber desde já.
Nota 15,5


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 1997
Pouca evolução na côr. Aroma com ligeiro volátil, ligeiro desvio alcoólico mas ainda cheio de fruto denso, especiarias e notas balsâmicas.
Muito bem na prova de boca, a mostrar que ainda está cheio de força, com taninos ainda presentes e muito finos. Muito bem.
Nota 17


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 1999
Excelente concentração na Cõr, para um vinho com cerca de 12 anos. Foram poucas as vezes que um vinho se portou como este 1999. Começou com um aroma cheio de força, mas sem definição, algo sujo e com sugestões de naftalina e armário velho. Na boca mostrava algum desequilíbrio, quer ao nível do álcool, quer ao nível da acidez. Mais tarde, no final de todos os vinhos provados, um vinho completamente novo com um aroma cheio de precisão, fruto e notas balsâmicas, numa toada de frescura e finesse.
A boca parece que ganhou equilíbrio e volume. Tudo se conjugou, tudo se harmonizou. Valeu pela 2ª prova.
Nota 17


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2000
Muito jovem na côr. Aroma cheio de complexidade, com muitas notas de café, fruto bem maduro, ainda uma barrica por integrar na totalidade. Sugestões balsâmicas, algum floral.
Boca com estrutura e acidez no ponto, final longo e nervoso. Jovem e excelente.
Nota 17,5


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2001
Muito jovem na côr, com excelente concentração. Muitas sugestões minerais, fruto compotado, ervas aromáticas e notas especiadas. Algum calor mas sem prejudicar o aroma.
Excelente textura na boca, encorpado e guloso. Longo
Nota 17


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2002
Uma boa surpresa, de um ano considerado menor. Aroma muito delicado, com notas de café, fruto silvestre e especiarias. Tudo muito fino e com boa frescura.
Alguma falta de concentração na boca, neste vinho que é delgado e que só perde para os anteriores com a falta de sabor e força na prova de boca. Ainda assim, esteve muito bem.
Nota 16,5


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2003
Muito jovem na côr, com grande concentração. A antítese do anterior.Aroma muito compotado, fruto denso e opulento, notas balsâmicas.
Boca com volume, robustez e cheia de concentração. Final mediano, em que os taninos envolvem-se com o corpo do vinho.
Nota 16


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2004
Muito jovem na côr. Ainda a ganhar complexidade, muitas notas de café, notas balsâmicas, fruto denso. Aroma cheio de profundidade e tensão. É um vinho nervoso, mas ao mesmo tempo com austeridade. Cheio de frescura. Ainda quer ser criança.
Emoção na prova de boca, ainda jovem, com taninos muito presentes e uma acidez vibrante. Final muito longo, num equilíbrio impressionante.
Nota 18


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2005
Muito jovem na côr. Não tem a decadência do anterior, no entanto mostra-se um vinho com maior austeridade. É um vinho mais preciso e rigoroso, sem perder complexidade para o 2004. Está fenomenal no aroma, cheio de frescura.
Grande prova de boca com taninos ainda muito jovens. Excelente final, cheio de sabor e muito longo. Outro grande vinhas velhas.
Nota 18


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2006
Outro VV com muita concentração. Notas compotadas, sugestões florais e balsâmicas. Algum desvio alcoólico, algo quente.
Boca jovem com muita concentração, final compotado mas longo. Não tendo a frescura dos anteriores, este 2006, parece-me que ainda merece ser guardado e consumido a uma temperatura ligeiramente inferior aos restantes. Não deixa de ser muito bom.
Nota 16,5


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2007
Ainda muito jovem. Aroma muito floral, com notas de fruto maduro a que se associam sugestões de bagas frescas pisadas. Sugestões balsâmicas, ligeiras notas de côco e baunilha. Aroma muito fresco
Grande toada de frescura na prova de boca. Muito jovem, com taninos muito presentes mas muito finos. Final Longo e muito fresco.
Nota 17,5


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2008
Mantém o mesmo perfil que as anteriores notas de prova. Mantém ainda as notas de barricas usuais neste vinho, auxiliadas por notas de grafite, café, Fruto Negro e Giz. Muito sedutor. Equilibrado.
Boca com volume, sumarenta, taninos finos ainda muito presentes. Final longo. Excelente vinho, que mostrará todo o seu esplendor daqui a uma mão cheia de anos.
Nota 17,5

segunda-feira, 14 de março de 2011

Crasto, Mouchão e Roda apresentam os seus vinhos




O dia estava perfeito, em Gaia, para mais uma prova de vinhos. Após alguns dias de chuva e frio intenso, parece que um dia com algum sol vinha mesmo a calhar. E assim foi, pois quando cheguei ao local da prova, o novíssimo e muito badalado, Hotel Yeatman, já o sol queria descobrir.



Antes de irmos aos vinhos, saliento o local onde foi conduzida a prova. Integrado no meio das centenárias caves, ergue-se este imponente hotel, que pese embora não fira a paisagem onde se encontra integrado, pareceu-me também não sair disfarçado. A verdade é que o hotel é grande e moderno no seu exterior. No interior a coisa muda de figura, e a influência inglesa faz-se de imediato notar. Muito bonito, aliás, tudo muito bonito. Apetece entrar e usufruir.
Os quartos como provavelmente saberão, são patrocinados por produtores de vinhos e ostentam os seus nomes. Dentro de cada um deles, entramos suavemente no mundo do seu "sponsor", com alusões ao produtor e seus vinhos.

Já depois de ter passado e bisbilhotado um pouco enquanto esperava, fui então levado para o local da prova. Bem, o impacto não se podia deixar de fazer sentir. A sala de provas é absolutamente genial. Virada para a fabulosa vista do Rio Douro e da Cidade Invicta, através de um vidro enorme que acompanha toda a frente da sala, esta terá sido uma das mais relaxantes salas que conheci. Uma vista deslumbrante.

A ocasião chegou-nos através da Distribuidora de Vinhos, detida pelo Grupo Fladgate, para a apresentação dos vinhos da Quinta do Crasto, Herdade do Mouchão e Bodegas Roda (Espanha). Ainda antes de se iniciar a prova, já nos havia sido informado, que também teria lugar uma prova comparativa de Portos Vintage, da Colheita de 2001, do Grupo Fladgate Partnership.


Tomás Roquette, Director de Enologia da Quinta do Crasto


Quinta do Crasto

Por inúmeras ocasiões tive oportunidade de escrever sobre este produtor, que hoje em dia dispensa qualquer tipo de apresentações. Qualquer pessoa, por mais distraída que esteja, conhece ou já ouviu falar desta Quinta, deste Produtor ou dos seus Vinhos. A Quinta do Crasto atingiu em Portugal, e no mundo, um estatuto que a muito poucos está destinado. Em Portugal está, no meu entender, num merecido lugar de topo, apenas acompanhada por um punhado de outros produtores. O segredo? Esse reduz-se às fantásticas vinhas que detêm e ao soberbo trabalho de Viticultura, Enologia e Gestão de toda a Equipa da Quinta do Crasto.



Crasto Branco 2010
Tudo muito fresco, muito equilibrado de aroma, com notas limonadas e vegetais. Se por um lado mantém o perfil aromático das anteriores edições, na boca, vem sendo afinado, ano após ano. Esta edição ganhou mais volume, mais untuosidade, mais tensão na acidez. Um excelente feito, numa vindima difícil. Este branco, perfila-se com um dos melhores, senão o melhor branco sem estágio em barrica. Muitíssimo bem.
Nota 16,5


Crasto 2009
Um aroma maduro e intenso, é panache deste vinho. No entanto não perde o seu equilíbrio nem mostra que sabe ter frescura no seu conjunto. Floral
Na boca tem textura, densidade e sobretudo sabor, num conjunto redondo, com alguns taninos a mostrarem que poderá ser guardado por uns bons pares de anos. No entanto, foi pensado para ser bebido desde já.
Nota 16

Quinta do Crasto Superior 2009
Algo fechado de início. Demorou a mostrar toda a sua profundidade. Decadente no fruto, consegue mostrar um veio de frescura sempre que alcançamos o copo. Muito bem
Boca de excelente concentração, numa toada de finura e firmeza de taninos. Final intenso e longo. Precisa de garrafa.
Nota 17

Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2008
Ganha complexidade cada vez que o provo. Mantém ainda as notas de barricas usuais neste vinho, auxiliadas por notas de grafite, café, Fruto Negro e Giz. Muito sedutor. Equilibrado.
Boca com volume, sumarenta, taninos finos ainda muito presentes. Final longo. Excelente vinho, que mostrará todo o seu esplendor daqui a uma mão cheia de anos.
Nota 17,5

Herdade do Mouchão

Será por ventura o mais interessante produtor do Alentejo. Na sua história, em certas alturas atribulada, contou sempre com vinhos enormes, de grande longevidade. Quem provou vinhos com o 1954, 1963, 1970, 1974 e outros, conseguirá certamente perceber o que pretendo dizer. Numa zona que tem vindo ao longo dos anos a dar mostras da enorme capacidade para a produção de grandes Tintos, os Mouchão serão porventura as suas estrelas mais cintilantes.


John Forsythe, a cara dos vinhos Mouchão


Dom Rafael Branco 2009
Aroma muito Novo Mundo, com com sugestões de Alperce, Relva Cortada, a fazer lembra um Sauvignon.
Boca assertiva, com sabor e alguma sensação de doçura. Ainda assim com alguma frescura e uma boa acidez.
Nota 15,5

Dom Rafael 2009
Aroma de fruto maduro, notas de licor. Intenso mas algo quente.
Boca com sabor e equilíbrio. Final de boa persistência.
Nota 15,5

Ponte da Canas 2008
Aroma com profundidade, sugestões de barrica, bacon, fumo, e fruto negro. Intenso
Rebelde na boca, largo e denso. Final cheio de vida, firme e com taninos ainda muito jovens. Precisa de tempo.
Nota 17

Mouchão 2006
Aí está o estilo Mouchão, já a mostrar alguma borracha queimada, fruto denso e mato seco. Tudo num estilo concentrado e cheio de vigor.
Grande concentração na boca, vigoroso. Taninos finos mas muito empertigados a mostrarem que precisam de garrafa para acalmar. Um conjunto de belo efeito, que por certo melhorará daqui a uns anos.
Nota 17,5


Bodegas Roda (Espanha)

Apesar de relativamente recente, este tem sido um projecto que começou por dar nas vistas mal se instalou na Rioja. A razão poderá parecer simples mas baseia-se sobretudo na filosofia das vinhas velhas e nas castas autóctones.



Corimbo 2008
Perfumado, com fruto silvestre.
Boa frescura de conjunto mas com taninos demasiado evidentes, que prejudicam de certo modo o equilíbrio deste vinho. Uma pena.
Nota 15


Roda 2006
Aroma com alguma complexidade, que oscila entre o fruto maduro, as sugestões de tabaco, ligeiro couro e baunilha.
Melhor na boca, com alguma elegância num conjunto que termina longo e com taninos bem secos.
Nota 16,5

Roda I Reserva 2004
Excelente no aroma. Sem vestígios de evolução, este vinho ainda se mantém primário. Por esta altura a barrica já integrou, ficando penas alguns vestígios da mesma, que dão carácter ao vinho. Equilibrado e com frescura.
Boca assertiva. Fino mas com volume e potência. Taninos muito finos e final bem longo.
Nota 17,5

Cirsion 2007
Aroma muito rico, opulência e profundidade em pessoa. Complexo, cheio de camadas de aromas, que se entregam num vai e vem. Sugestões de ameixas, amoras, menta, eucalipto e notas licoradas.
Boca de excelente envergadura e profundidade. Tudo ainda muito compacto, muito preso. Muito tenso, num final cheio de taninos que seguram-nos ao vinho. Impressiona desde já mas é um exercício inglório perante esta capacidade de evolução em garrafa.
Nota 18,5


Portos Vintage 2001

Para o final estava guardada uma prova de enorme carácter didáctico, ainda para mais quando esta seria conduzida pelo David Guimaraens, que é a pedra Basilar de todos os Vinho do Porto do Grupo.
O ideia foi colocar frente a frente três Vintage da Colheita de 2001, um ano Single Quinta, e tentar perceber as suas diferenças, no conjunto em prova.





Fonseca Quinta do Panascal Vintage 2001
Num momento fantástico de consumo. É o vinho que mais se mostra neste momento, pela jovialidade da fruta, com muitas notas de framboesa, melancia.
A boca apresenta-se com doçura e volume. Tudo num registo de equilíbrio. Esta perfeito para ser consumido desde já, mas irá manter-se assim por mais anos.
Nota 16,5

Taylor's Quinta de Vargellas Vintage 2001
Muito mais austero e reserva do que o anterior. Mostra-se ainda algo tímido.
Na prova de boca, mostrou-se muito bem com muitos taninos envoltos no corpo do vinho. Final muito longo.
Nota 17,5

Fonseca Guimaraens Vintage 2001
Um pequeno jovem que ainda não deixou o seu lado químico.
Boca ainda com o espírito por integrar. Taninos muito presentes ainda. Um Vintage cheio de vida e com muita vida pela frente.
Nota 18


Nota final para o almoço que nos foi servido no restaurante do Hotel Yeatman, que pura e simplesmente deslumbrou. Mas disso falarei mais tarde.
Nesse almoço acabámos por abrir alguns vinhos especiais, nomeadamente a primeira garrafa Double Magnum de Maria Teresa 2005 que foi aberta em Portugal, que estava tão jovem que me deu pena de ter sido aberta. Um Mouchão Tonel 3-4 2005 que já me tinha deliciado no Jantar da revista de Vinhos. Estava em grande. E ainda um dos meus Vintage preferidos, o Fonseca 1985, que apesar de estar muito bom, não se mostrou ao nível do que já tenho bebido em outras ocasiões.

sábado, 1 de agosto de 2009

Volta a Portugal em 3 dias - Parte 1

Não, não se trata da conhecida volta a Portugal em Bicicleta. Tratou-se sim, de uma viagem com principal tema, os vinhos Portugueses. Conseguimos em 3 dias visitar quase todas as regiões vitivinícolas Portuguesas e provar os vinhos destas. A comitiva era internacional, composta por 3 Portugueses, 2 Ingleses (Tamlyn Currin e Richard Siddle, da Jancis Robinson Team e Harper's Magazine, respectivamente) e 1 Brasileiro (Guilherme Rodrigues da Revista Gosto). Foi uma experiência alucinante, frenética e divertida. Para mim ainda teve uma dose mais de stress, uma vez que fui quem estruturou e organizou o programa das visitas e tinha de andar sempre preocupado com os horários. No entanto, acabou por ser uma experiência divertida, cheia de humor, de ocasionais gargalhadas (ahhh grande humor britânico) e obviamente de cansaço à mistura.
A ideia foi de mostrar um pouco do melhor que se faz por Portugal. Obviamente que tantos produtores teríamos de visitar, tantos vinhos teríamos de provar, para que a amostra do que de melhor se faz por cá, fosse completa. Missão impossível em apenas 3 dias.
Ainda antes de iniciarr-mos o periplo, foi-me perguntado, pelos Ingleses, o que eu esperava deles nesta visita. Eu respondi apenas, que se divirtam, que abram a mente e recebam os nossos vinhos. Não quis reportagens, não quis notas de prova, apesar de saber que afinal e-lhes impossivel não o fazer, apenas que se divertissem com os nossos vinhos, com as nossas paisagens. É assim que deve ser o vinho, um motivo de alegria, de bem estar. Foi mesmo assim que passamos todos estes dias. Cansados mas alegres e felizes.

Começámos no dia 27 de Julho, pelo Norte, mais propriamente pelo Douro. Saídos pelo final da tarde, a nosso destino, e único neste dia, seria a Quinta do Crasto. Atraso para aqui e para ali, acabámos por chegar à Quinta, já perto das 23h. Coitados dos anfitriões, que esperavam por nós. Infelizmente as viagens em grupo têm destas coisas, quase incontroláveis. No entanto lá estavam o Pedro Almeida e o Tomás Roquette, à nossa espera, com um sorriso para nos receber. A noite estava óptima, calorosa e amena, o breu já espalhado totalmente, circundava o Crasto e não permitia vislumbrar aquela vista maravilhosa. Os escassos reflexos do Rio Douro e a sombras da habituação da nossa vista ao escuro só permitiam ver os contornos das curvas do Douro. Melancólico mas ao mesmo tempo uma sensação de algo imponente, pela nossa frente.
A visita começou com uma prova, nocturna, das ultimas colheitas. Provaram-se os vinhos que estão no mercado e os que se aprestam a sair em breve. Crasto 2008, Crasto Vinhas Velhas 2007, Maria Teresa 2007, Vinha da Ponte 2007, Crasto LBV 2005 e Crasto Vintage 2007.
Foi uma bela maneira de começar, por uma casa onde tudo o que se faz, faz-se muito bem. Voltei a provar os vinhos de 2007 (escrevi há pouco tempo aqui) e mantenho a minha percepção da altura. No entanto, ao voltar a provar o Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2007 reparei que já estava menos floral, apresentando já alguns vestígios das notas de café, que tanto o caracterizam. Impressionante a maneira como os vinhos evoluem, são realmente algo vivo.
Dos que não tinha provado, destaque para o Crasto 2008, que está em forma. Apresentava um aroma sedutor de frutos maduros, mirtilhos, laranja e prestações florais. Redondo, saboroso, com taninos macios. Pelo preço, e pela quantidade é caso para dizer, "Melhor é Impossível".
Nos Portos, o Vintage 2007 surpreendia. Um Vintage com um aroma maduro, de passas, de ameixas pretas, com notas florais. Fresco. Depois uma boa concentração, taninos muito presentes mas saborosos e um final bem seco. Muito bem, belo Vintage
Por fim o LBV 2005, num registo diferente, com um perfil aromático também ele maduro, redondo mas cheio de sabor e intensidade. Um vinho bem guloso que está pronto para ser "devorado".
Acabava a prova e era servido o jantar tardio, qual ceia, com uma volta por colheitas antigas, em garrafas magnum. Voltei a provar o Touriga Nacional 2005, que se mostrou novamente mágico. Uma das excepções que me levam a pensar na Touriga a "solo". Veio o Maria Teresa 2005, que acaba sempre por arrebatar os presentes, eu incluido. É a "Claudia Schiffer" dos vinhos portugueses. Passámos pelo grande Vinha da Ponte 2004 e terminámos com o fabuloso Colheita de 1970. Terminámos pelas 3 da manhã, mas ainda havia vida, ainda havia vontade de ficar mais um pouco de volta dos vinhos e dos anfitriões. Belíssima noite.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Um dia na Quinta do Crasto

Resolvi passar uns dias pelo Douro, as saudades apertam. O motivo férias depressa se desvaneceu pela proximidade de tantas quintas fabulosas que se podem visitar. O motivo da visita à Quinta do Crasto era bastante informal mas havia uma razão que me deixava ansioso por esta visita em particular. Uma vertical completa de Maria Teresa e Vinha da Ponte. É certo que já tinha provado quase todas as colheitas destes vinhos mas nunca os tinha provado lado a lado.

Assim, na passada sexta-feira, lá rumei à Quinta do Crasto. O dia começou em Peniche a adivinhar chuva, mercê das previsões meteorológicas, mas depressa me apercebi que não passava de uma previsão, pois o sol brilhava lá no alto e emanava um calor abrasador.
Chegava perto da régua e já sentia a antecipação, no entanto um trajecto sinuoso e cheio de curvas aguardava por mim. Era curva e mais curva, subidas e descidas, bem pelo coração do Douro. Ainda não se vislumbrava aquele maravilhoso Rio Douro, que tem tanto de beleza como de mistério.
Chagámos. Cansados da viagem, mas chegámos. Mal saía do carro e já se entranhavam os cheiros do Douro, da flores. O calor apertava, mas não incomodava. Estava ali para fazer duas verticais do que de melhor se faz por Portugal. Vinhos raros, das colheitas anteriores, vinhos de tal modo cobiçados que sempre arranjam problemas a quem os vende e a quem os quer vender. Produções pequenas a quanto obrigam....

Falando do produtor, este é provavelmente um dos produtores mais em voga actualmente. Não é por acaso, pois os seus vinhos falam por si, no entanto recentemente, o facto do Crasto Vinhas Velhas ter chegado ao terceiro lugar do top 100 da Winespectator, ainda consolidou mais a ideia e veio trazer uma avalanche de novos admiradores do vinho em questão, e por arrasto, de todos os vinhos da casa. Até mesmo o Crasto 2007 acabou por ser nomeado "wine of the week", pela prestigiada critica de vinhos Jancis Robinson. Só boas notícias, no entanto volto a frisar que nada vem ao acaso. É que neste Quinta muito se trabalha pela qualidade dos vinhos. A vinha, com destaque para as vinhas velhas, é tratada com todos os mimos, o enólogo, o Manuel Lobo, é um poço de trabalho, raras foram as vezes que visitei esta quinta, em que ele não estava a trabalhar, e olhem que quase sempre lá fui ao fim de semana.



Não vou discorrer sobre a história da casa, quem pretender saber um pouco mais da história da quinta, pode visita-la em http://www.quintadocrasto.pt.
Alerto ainda para a beleza do local onde se encontra edificada a Quinta do Crasto. O local é de uma beleza inebriante. Bem lá no cimo, com uma vista fenomenal e privilegiada para o Rio Douro. Uma bonita capela marca um local, onde ao pôr-do-sol tudo se torna mágico. A piscina, que serve a família, tem uma vista fantástica, e por fim as duas vinhas, a Maria Teresa, e a Ponte com os seus terraços, completam todo um cenário idílico.
Para terminar, apenas uma curiosidade que sinceramente não tinha conhecimento. Sabias que a Dona Maria Teresa, a mesma senhora que deu o nome à famosa vinha e ao vinho ainda é viva? É verdade, esta senhora que conta 94 fantásticos anos ainda se encontra entre nós. Presumo que já tenha bebido do vinho que a honra, e espero que por mais anos fique por cá. Que pormenor delicioso.

E é com esta deliciosa curiosidade que sigo para os vinhos:


Antes de ter iniciado as verticais, quis provar as novidades:



Crasto Branco 2008
Na senda da colheita anterior, mostra-se um branco que todo ele é frescura. O fruto transmite alegria, as notas vegetais ajudam na frescura e na vontade de puxar de mais um copo. A boca tem um equilíbrio fantástico, com a acidez a manter enorme frescura na boca. A boca traz citrinos e novamente sugestões vegetais. Curiosamente este 2008, ainda que na senda da anterior colheita pareceu-me ainda mais afinado, mais equilibrado e ainda mais fresco. Não há que enganar com este vinho. Como escrevi anteriormente, um branco de verão e para o verão, apesar de que por vezes, nas outras estações não me enjeitar em tê-lo à mesa. Parece-me um vinho com versatilidade na cozinha.
Nota 16

Crasto Vinhas Velhas 2007
Como pequena nota, este vinho tinha sido engarrafado há muito pouco tempo e como tal pareceu-me estar ainda a sofrer da "operação".
Pareceu-me algo diferente de todas as versões anteriores. O vinho ainda me parecia timido, no entanto mostrava já um fruto maduro, notas florais, pendor vegetal e por sinal muita frescura. Muito longe das notas fumadas, de tabaco, de café, que as versões anteriores sempre mostraram. A não ser do engarrafamento, confesso que esta mudança não me desagradaria mas seria uma certa inflexão no perfil. Na boca estava muito bem, tinha grande estrutura, acidez vincada e os taninos presentes mas já muito bem integrados. Só agora sentia as subtis notas de barrica aparecerem no final, que era muito persistente. Apesar de estar muito bem delineado na boca, acabei por achar que ainda faltam algumas arestas por limar, que o tempo em garrafa se encarregará de as resolver. Precisa mesmo de tempo este vinho.
Nota 16,5-18


A vertical de Vinha da Ponte




Vinha da Ponte 1998

Foi a primeira vez que provei este vinho. A cor mostrava alguma evolução. O nariz impressionava, com notas de frutos silvestres, tomate, vegetação seca e café. Foi o Ponte que mostrou mais finesse, delicadeza. Na boca estava muito bem, nada cansado, mas manteve a delicadeza que o nariz fazia supor. Estava muito saboroso, com taninos domesticados, redondos mas de classe. O final era longo mas com ligeiras notas amargas, que pessoalmente me agradam. Para um vinho com 11 anos, esteve muito bem. Fiquei com a sensação de estar no ponto para ser bebido.
Nota 17,5

Vinha da Ponte 2000
O meu "Wine of the Day". Impressionante em todos os aspectos. Muito pouca ou nenhuma evolução na cor. Impressionante no aroma, na complexidade, este vinho ainda mostrava austeridade, densidade e profundidade. Misterioso.
Na boca um portento de vinho, vivaço, de enorme porte e recorte. Um senhor vinho. O puzzle da acidez, do corpo e do álcool complementavam-se na perfeição. Sem arestas, perfeito . Final longo, muito longo e seco. Numa palavra apenas, enorme. Com muitos anos pela frente, pareceu-me mesmo ser o que maior potencial tem para enfrentar os muitos anos vindouros.
Nota 19

Vinha da Ponte 2003
Também muito bem na cor pouco evoluída. O mais quente de todos. Intenso de aromas, denso no fruto maduro, cheio de notas de especiaria e de baunilha.
Muito melhor na boca, explosivo, com notas de café e um final longo, longo, longo e quente. Ainda está a evoluir, a melhorar. Pode ser guardado, não há pressas.
Nota 18

Vinha da Ponte 2004
O mais discreto dos aromas. Mostra pouca intensidade mas mostra sobretudo complexidade. Muito mineral, fruto maduro, cheio de raça, profundo e novamente misterioso. É o mais discreto de todos mas o que poderá vir a ser maior. Boca de enorme porte, vigoroso, robusto, com notável equilíbrio e com final apoteótico. Impressiona pela juventude, pelo mistério e pelo equilíbrio. No mesmo patamar do 2000, mas ainda não quer mostrar aquilo de que é capaz. A guardar sem qualquer receio.
Nota 19

Vinha da Ponte 2007 (amostra de casco)
Ainda um projecto, ainda um bebé, mas já mostra o quão grande virá a ser. Muito jovem, cheio de nuances, cheio de particularidades, no fruto, nas notas florais. Mostra já profundidade, as notas de barrica ainda estão à solta mas nada fere neste harmoniosos conjunto. Marcante. Cheio de estrutura, de taninos ainda arrebitados que não ferem e com final longo. Muito de tudo, ainda por delinear, mas a promessa de grandeza está bem patente neste vinho aristocrático. Vai ser grande e confesso que me encheu as medidas.
Nota 18-19


A vertical de Vinha Maria Teresa



Vinha Maria Teresa 1998
Tinha provado há cerca de um mês atras um Maria Teresa desta colheita, que me deixou completamente embeiçado pela jovialidade, pela cor e pela profundidade. Neste dia provei um Maria Teresa bem mais discreto, quer na côr, quer nos aromas. Ainda assim, mostrou alguns predicados. O vinho estava aberto desde a manhã e eram já 15h quando iniciamos a prova. Ainda assim a cor esbatida a mostrar evolução, contrariava o que tinha bebido anteriormente.
Notava-se maior evolução nos aromas, com o vinho a mostrar mais fruto silvestre, notas minerais e vegetais. A boca era saborosa, com notas de menta, de côco, equilibrada e tinha um final muito longo.
Nota 17

Vinha Maria Teresa 2001
Muito intenso nos aromas. Perfil muito "Maria Teresa", muito perfumado com notas de fruto maduro, côco, notas de licôr e de feijão. Decadente e elegante. Boca repleta de taninos finos, aristocráticos, mas ainda a mostrarem vigor. É um vinho muito harmonioso, eloquente e com um final bem longo e cheio de sabor. Excelente.
Nota 18

Vinha Maria Teresa 2003
Estranho. Parece desmarcar-se dos demais. Não é perfumado, pelo contrario, é algo sisudo. Dificil aproximação. Notas de figos, de ameixa preta, de café. Muito melhor na boca, a mostrar harmonia, intensidade, sabor. Taninos finos mas muito presentes. Parece ainda estar a dar os primeiros passos. Salva o final muito longo.
Nota 17

Vinha Maria Teresa 2005
Ora ai está novamente um grande Maria Teresa. Incansável no perfume. Apetece estar horas de copo ao nariz. São os frutos maduros, as notas licoradas, o café, o côco, Depois há as notas florais, vegetais. Tudo em intensidade. Aroma distinto, fino.
Boca explosiva com tanto, mas tanto sabor e frescura. taninos muito finos e elegantes. Fantástico.
Nota 18,5

Vinha Maria Teresa 2006
Sempre me questionei se seria pertinente engarrafar um Maria Teresa num ano tão difícil e proclamado pelos produtores com sendo péssimo. Sem medo, a Quinta do Crasto decidiu engarrafar um vinho muito elegante. Um vinho que perde na intensidade para o 2005, mas ganha na fineza, ganha na elegância. O vinho é fresco, mantém o cunho Maria Teresa. Muitíssimo bem na boca, com taninos delicados, presentes, final longo cheio de prazer e de sabor. Quem faz assim num ano "mau", não merece castigo. Belo Vinho
Nota 18

Vinha Maria Teresa 2007 (Amostra de Casco)
Fez-me logo lembrar o 2005, mas com maior frescura. Cheio de notas de flores, de fruto maduro, nuances silvestres. Na boca todo ele é sabor, todo ele é fineza e aristocracia. O final longo não me deixou indiferente, de tão bom e intenso que era. Outro grande vinho que se está por delinear. Vai ser fantástico, mas o Ponte......
Nota 17,5-18,5

Resumo: Não é fácil beber estes vinhos todos "uns contra os outros", a comparação é inevitável. Obviamente que se estivesse a beber qualquer um deles a solo, as percepções seriam diferentes e andaria a vangloriar-me por ter bebido este ou aquele, no entanto estava convicto de estar a provar vinhos fantásticos, vinhos que impressionam por vários pormenores que cada um nos mostra. Em ultima análise serviu esta prova para confirmar a grandiosidade dos Vinha da Ponte. Enormes vinhos.

A surpresa:



Quinta do Crasto Colheita 1970
Nem sabia que existia. Nunca foi nem será comercializado. Apenas para consumo interno.
Não sabia o que esperar deste colheita. Superou todas as expectativas.
Que belo colheita. Bonita cor acobreada. Cheira a idade, é sedutor. Mostra notas de mel, laranja, caramelo e frutos secos. Que boca....Delicioso, uma acidez vibrante e um final longo. Muito bom



Resta-me agradecer a oportunidade, o privilégio, de ter sido tão bem recebido e em tão boa hora pela Família Crasto. O meu sincero agradecimento.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Crasto Roriz

Quinta do Crasto Tinta Roriz 1997
Produtor - Quinta do Crasto
Região - Douro
Grau - 14% vol
Cor Granada. Para um vinho com 10 anos, apresentou-se em impecáveis condições. Muita fruta de cereja e framboesa, muita especiaria e a terminar com sugestões de rebuçado e algum vegetal que faziam as delicias deste aroma que começava a cativar logo no nariz.
Na boca novamente motivos de alegria, com o vinho a mostrar-se macio, sedoso, ainda com excelente acidez e taninos nobres.
Que vinho mais guloso. Acho que está no auge da sua vida util mas ainda dá boas indicações para o futuro. Eu pelo menos vou já tratar de arranjar novas "recargas" deste vinho.
Nota 17,5

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