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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Prova Garrafeira Nacional

Para quem gosta do vinho, por certo já esteve em várias provas, vários encontros, vários eventos. Nunca é demais uma oportunidade para provar os vinhos deste ou daquele produtor pelo qual nutrimos um gosto especial.
Hoje em dia, é quase obrigatório para uma boa Garrafeira, ter no seu espaço provas mensais, em alguns casos semanais, com produtores conhecidos, com o intento de poder escoar o seu stock e dar a oportunidade de dar a conhecer esses mesmos produtores e seus vinhos. Ora, apesar do advento das redes sociais, e da sua capacidade de contactar com as mais diversas pessoas, chamando a atenção para estas provas, acho que na maioria das vezes, talvez por serem tantas as provas que se anunciam, as garrafeiras não chegam a ter mais que uma dezena ou duas de interessados a marcar presença.

Ora, já há algum tempo que achava que a Garrafeira Nacional tinha todo o potencial para começar a trazer os seus clientes à Rua de Santa Justa em Lisboa, sob o pretexto de uma prova de vinhos. Após ter recebido o convite via Facebook e SMS, decidi então ver como seria uma prova destas na Garrafeira Nacional. Pois não estão bem a ver, mas é que estiveram cerca de 60/70 pessoas nesta prova, o que sinceramente não me lembra nenhuma, onde eu tenha estado, e que tenha sido tão participada. Só por este motivo, por si só, já é algo a destacar, no entanto, foi mesmo o ambiente informal, jovem, despretensioso e de cavaqueira, que mais me marcou. Ambiente muito jovem, com muitas caras bonitas, muitas mesmo, descomplexado e descontraído, onde se alia um copo de vinho a uma boa conversa.
Não se ouvia falar em barricas, em descritores, em estágio, nada disso, uma conversa de fim de dia onde também entravam os gostos pessoais pelos vinhos que estavam a ser provados.
Os Vinhos em prova, estavam a cargo da Colinas de São Lourenço, que me pareceu agradarem aos convivas. Eu já os tinha provado aqui
Apenas um reparo, que merece ser revisto. As temperaturas dos vinhos com especial destaque para os tintos, neste caso não era a mais adequada.
Em suma, uma excelente casa onde ainda agora começaram as provas de vinhos e já tem uma legião de assíduos. A próxima é já na próxima Quinta, dia 7 de Abril, com os vinhos Pedro Cancela. É só aparecer....

quinta-feira, 24 de março de 2011

A Nova Colinas de São Lourenço


Foi com entusiasmo que recebi o convite para a apresentação dos novos vinhos, aliás do novo projecto, do produtor Colinas de São Lourenço. Obviamente que aceitei de imediato, no entanto tentei saber quem seria o novo proprietário e qual a sua ligação com o Vinho. Bom, a história é bastante interessante e desde logo me aguçou o apetite para esta prova, que teve lugar no Restaurante DOP do Rui Paula.



As Colinas de São Lourenço estão hoje em dia associadas a Carlos Dias. O nome deste Bairradino não nos dirá muito, pelo menos a mim não me dizia, no entanto trata-se de um Português de enorme sucesso, e que fez fortuna entre vários negócios, com destaque para a criação dos ultra requintados relógios Roger Dubois (http://www.rogerdubuis.com). O que é certo é que, embora não precisando de grandes investimentos em Portugal, veio à sua região e investiu na compra desta quinta, com o intuito de fazer o melhor vinho do Mundo. Esta afirmação pode parecer uma voz de arrogância, no entanto, espelha um pouco a personalidade deste compatriota, que onde coloca as mão, quer ser o melhor do mundo. Um personalidade à Mourinho?

Para ser sincero, depois de conhecer estes detalhes, fiquei inicialmente algo incomodado pela afirmação perentória atrás descrita e a bem da verdade fiquei sem esperar muito dos seus vinhos. Agora, após os ter provado, tenho de me retrair, pois os vinhos foram uma grande surpresa e penso que nos próximos tempos, já com os vinhos a serem feitos de raiz por esta nova equipa, virão a dar que falar. Assim o espero, pois é sempre bom ver grandes vinhos a nascer em Portugal e na Região da Bairrada.





Colina de São Lourenço Principal Branco 2009
Aroma ainda algo contido, fruto branco, muito fino e mineral.
Novamente elegante na boca, apresentando ainda assim uma cremosidade que é muito muito bem vinda, pois trás maior volume de boca. Termina com excelente acidez e final longo e saboroso.
Nota 17

Colina de São Lourenço Rosé "Tête de Cuvée" 2009
Cor salmonada a fazer lembrar um Champagne. Aroma muito fino, com frescura, excelentes notas de morangos e Framboesas. Tudo muito fino e equilibrado
Boca plena de sabor, excelente no volume, pouco habitual nos nossos rosés, e final ácido e prazenteiro. Um Rosé muito sério.
Nota 17

Royal Palmeira "Sur Lies Fines" Loureiro 2009
Aroma limonado, ananás, vegetal, mineral. Aroma fresco e exuberante.
Boca com excelente volume, final muito fresco e mediano.
Nota 16,5


Colina de São Lourenço Principal Reserva 2007
Quando o bebi, sem saber de que castas era feito, fez-me de imediato lembrar um Bordéus, com boa complexidade. Nota de tabaco, chocolate, cogumelos e algum vegetal.
Excelente na boca, com belíssima textura e taninos muito finos e persistentes. Um vinho muito focado. Belo Tinto.
Nota 17


O que mais gostei, em todos os vinhos foi realmente o equilíbrio que os vinhos transmitiam, o exemplar trabalho com as barricas. Não vi vinhos amadeirados, em que a madeira suplantasse os aromas. Muito bem neste aspecto. Um produtor a seguir de perto. Falta agora é saber os preços de cada um deles.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Da Garrafeira

A ocasião, solene ou nem por isso, era a passagem e a celebração de mais um ano de vida, coisa muito importante e de assinalar dos dias que correm. Junta-se um pequeno grupo de amigos e toca a abrir uma garrafas valentes pela noite dentro. O que gosto nestas ocasiões é quando se abrem vinhos particularmente especiais numa mesa onde todos comungam da mesma paixão, o Vinho. Enquanto se janta falam-se sobre os vinhos que estamos a beber. Nesta casa, por hábito, aparece sempre tudo às cegas, o que se propicia a erros grosseiros mas também a momentos de pura diversão. A prova cega é mesmo assim, como uma espada de dois gumes, de um lado a suposta verdade do que achamos da qualidade do que bebemos, e no outro a possibilidade de não compreender um vinho por não estarmos na posse de todos os dados para que este ou aquele produtor de filosofia diferente possa ser identificado. Ainda assim, é sempre um excelente exemplo de conduzir uma prova, aliás um jantar, por menos formal que seja.



Deste jantar destaco como é óbvio a qualidade dos vinhos que foram chegando à mesa, praticamente todos estrangeiros e de nomes sobejamente reconhecidos. Mas no meio de todos estes vinhos não posso que houve um Vinho Português, da Bairrada, que se bateu de igual para igual com todos eles, e no meu entender, melhor que alguns deles.
Os vinhos foram todos bebidos às cegas e alguns vieram em parelha, numa espécie de duelo.


Etienne Sauzet Bienvenues-Bâtard-Montrachet Grand Cru 1997
A Maison Sauzet está sediada em Puligny-Montrachet, que é a village-estandarte, na produção de vinhos brancos da Borgônha, talvez para muitos, a par com a Village de Mersault. Nesta Appelation podemos encontrar as célebres vinhas Grand Cru de brancos, como a Le Montrachet, Chevalier-Montrachet, Bâtard-Montrachet e a Bienvenues, de onde provém este vinho. A única casta utilizada na produção destes brancos é a Chardonnay.
A cor já entra em uma espécie doirado, sem ser ainda carregado. Aroma com alguma oxidação, a lembrar algumas notas de mel. Muitas notas minerais e sugestões etéreas. Muito fino de aroma.
Na boca, um registo muito cordial, com o vinho a mostrar-se redondo, elegante, com uma textura fantástica e um final médio/longo. Estava à espera de mais nervo.
Nota 17


Vega Sicilia Único 1964
Completamente estoirado. Impróprio para consumo.
S/N



Duelo 1 - Bruno Giacosa Barbaresco Santo Stefano di Nieve 1998 vs Chateau Rayas Resérve Chateauneuf du Pape 1998


Bruno Giacosa Barbaresco Santo Stefano di Nieve 1998
Giacosa é um dos nomes mais sonantes da região Italiana do Piedmonte, de onde saem os Barolo e Barbaresco e também um "Old School" da região. A casta utilizada é a Nebbiolo.
Cor muito carregada, quase opaca, que sugere pouca evolução neste vinho. O oposto do Rayas, em termos de cor mas novamente um vinho com enorme carácter. A concentração na côr não é correspondida nos aromas, que se ficam por aromas de frutos silvestres, flores, ligeiro couro e tabaco.
A boca é massiva na concentração de taninos e acidez. muito jovem mas cheio de nervo. Final muito longo. Belo vinho.
Nota 18


Chateau Rayas Resérve Chateauneuf du Pape 1998
É o nome mítico de Chateauneuf du pape, o vinho que todos querem alcançar. A "sede" pelos vinhos deste produtor foi tanta, que hoje em dia custam um pequeno balúrdio. Quanto ao estilo, este produtor é simplesmente o mais tradicionalista de todos da região, e para além de tradicionalista eu quase diria que obscuro.
O vinho acabou, no meu entender de ganhar o duelo, pelo carácter do vinho. A cor tem muito pouca concentração, a lembrar um borgonha. Apesar da cor, este vinho é tudo menos frágil. Aroma muito rico, perfumado, com notas de morangos, framboesas, tudo muito fresco, tudo muito equilibrado e sobretudo com uma limpidez deslumbrante.
Na boca, o vinho é fino mas com enorme concentração de sabor, quase uma sensação carnal que não consigo explicar, alguns notas fumadas e vegetais. Final muito longo com taninos de veludo. Adorei este vinho pelo seu carácter, pela sua diferença.
Nota 18,5


Gonçalves Faria Tonel Especial 3 Reserva 1991
Feito de Baga, no coração da Bairrada, este é um dos produtores que infelizmente saiu de cena precocemente, deixando-nos um legado vivo através do seus vinhos. Infelizmente, poucos poderão ter acesso a estes vinhos, pelo que alguma vez passarem por eles não hesitem em batalhar por eles.
Ora, este vinho deixou-me emocionado pela simples razão de se ter batido de igual com todos estes nomes mundiais. Ninguém conseguiu sequer se aproximar da colheita. Ninguém baixou de 2001 nas suas previsões. O vinho tinha uma cor absolutamente impressionante para um vinho com 20 anos. Aroma a lembrar a Baga, com notas de eucalipto, notas mentoladas, vegetal seco, fruto ainda presente e maduro. Profundo, fresco e equilibrado.
Boca cheia de sabor, de vinosidade, final ainda cheio de taninos firmes e acidez. A prova que os vinhos portugueses podem envelhecer tanto quanto os restantes e que a Baga, e a Bairrada, pode e deve dar grandes vinhos. Entre este e o Garrafeira Tonel 5 1990, fiquei com sérias dúvidas de qual gostei mais.
Nota 18



Chateau Fonsalette Côtes du Rhône 1998
Grande concentração na côr. Aroma algo confuso, pouco limpo. Notas de fruto maduro, carne assada e vegetal.
Boca aguerrida, jovem, com boa acidez num final médio/longo. Esperava mais deste vinho.
Nota 16



Duelo 2 - Domaine Fourrier Gevrey Chambertin 1er Cru Clos St Jacques 1999 vs Domaine de la Romanée Conti La Tâche 1999

Domaine Fourrier Gevrey Chambertin 1er Cru Clos St Jacques 1999
Adoro este produtor. Sempre que proveis os seus vinhos, achei sempre que este é um perfil que mexe comigo. E mais uma vez, este vinho não se fez rogar, pela sua leveza, pelo aroma perfumado que nos prende, pela frescura que emana.
Tudo nele é fino, sem ser fraco, delgado, mas com potência. Tudo arrumado, tudo direitinho, tudo preciso. Adoro vinhos assim.
Nota 17,5



Domaine de la Romanée Conti La Tâche Grand Cru 1999
Penso que este produtor dispensará apresentação, ou não fosse o produtor mais conhecido e requisitado em todo o mundo.
Na cor nem parecia um borgonha, pela concentração que apresentava. No nariz disse logo tudo, mas este vinho é mesmo especial. Como mostrar um aroma tão fino, tão expressivo, mas ao mesmo tempo mostrar densidade, profundidade. Como mostra toda uma fineza num vinho de músculo, de potência desmedida. Tenho bebidos muito vinhos ao longo desta minha ainda curta viagem, mas é quando estamos perante um vinho destes que nos desarmamos e achamos que a natureza é tão preciosa. É obra fazer isto. Um gigante com luvas de cetim.
Nota 20



Croft Vintage 1955
Apesar do rótulo ser uma fotocopia, a rolha confirmava o vinho. Aroma complexo com muitas notas de frutos silvestres, cravinho, canela, notas licoradas e frutos secos. Equilibrado, com o espírito integrado e fresco.
Boca elegante, com doçura proeminente. No copo ia ganhando volume. Excelente acidez num final muito, mas muito, longo.
Nota 18,5

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Da Garrafeira

Por vezes é isto mesmo que apetece. Ir à garrafeira, humilde é certo, e trazer algumas coisas que estão religiosamente guardadas. Ao mesmo tempo aproveitar a garrafeira de um ou outro a migo, e em torno do vinho fazer um almoço simples mas de enorme satisfação. Foi o que aconteceu nesta Sábado, como de costume, na Tasca do Joel.



Sem grandes preparações, sem vaguear num mar de incertezas, até porque não há assim tanto por onde escolher, sobre que vinho levar. Assim que olhei para uma das garrafas de Gonçalves Faria Garrafeira Tonel Especial 5 1990, foi imediata a certeza de que era mesmo isto que me apetecia beber. Voltar a ver como está este vinho que sempre me trouxe boas novas, ano após ano. Ora esta garrafa esta simplesmente sublime, não sendo de esperar outra coisa, face à sua guarda exemplar.
Ainda cheio de vida, de concentração e de inicio quase opulento no vigor. Decantado, acabou a mostrar um nervo de quem ainda quer estar por aqui mais uns anos. Um Bairrada, um Baga, perfeito.

Ainda havia de levar outro vinho, quase como descarga de consciência, não fosse o vinho faltar. Foi um Campo al Mare Bolgheri 2005. Das 3 garrafas que tinha, sendo esta a ultima, todas apresentaram o mesmo estilo. Um vinho que apresenta sempre notas lácteas de inicio, deixando depois um pendor compotado, opulento. Não aprecio na totalidade este tipo de vinhos. São excessivos. Apesar deste meu desabafo em termos de gosto, creio que este vinho terá sempre adeptos. O vinho mantém-se muito jovem.

Para a mesa veio uma Magnum de um Joseph Drouhin Clos de Vougeot 2000. Este sim, estava fantástico. Fino, expressivo, elegante, delicado e fresco. Fantástico vinho, que apesar de nem parecer um Vougeot, pela falta de estrutura que geralmente apresentam, esteve à altura de 4 amigos que com a maior das facilidades a "despacharam", sem olhar para trás. Belo vinho.



Terminámos com dois hinos aos vinhos de sobremesa. Primeiro, um Weingut Eduard Haut-Herpen Graacher Domprobst Riesling Auslese 1976, que apesar de não conhecer o produtor, acabou por se cifrar num dos melhores Mosel que bebi na vida. Muito botrytis no aroma, associado a intensas notas petroladas. O aroma é inesquecível. Ainda com doçura apesar de um equilíbrio e frescura notáveis. Que grande vinho.

Para o final estava reservado um madeira muito especial. Um F.M.A Bual 1964. Um madeira de grande classe e qualidade. Grande complexidade de aromas num vinho onde a "sua boca" é portento. Acidez vincada mas que nos prende ao vinho. Doçura equilibrada com a acidez, funcionando num conjunto perfeito. Enorme final, longo e vibrante. Excelente

sábado, 29 de março de 2008

Campolargo

Acabei inevitavelmente por voltar aos vinhos da Casa Campolargo, para mais umas dissertações sobre alguns deles:


Calda Bordaleza 2005
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 24€
Feito a partir da conjunção de castas usuais no Médoc, em Bordéus, Merlot, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot, este vinho estagiou em barricas novas de carvalho francês por 13 meses.
Opaco na cor.
Tal como na cor, este vinho começa com uma fruta muito densa e muito madura que se encontram aliadas a notas vegetais, cacau e café. Este vinho apresenta uma desenvoltura de aromas enorme, aguentando largo tempo no copo com a mesma linha aromática.
Muito bem na boca. Um vinho com profundidade e com corpo a que se complementam boas notas de barrica que se apresentam perfeitamente integradas durante toda a prova de boca.Termina com um final muito longo e bem saboroso.
Não consigo esconder uma certa predilecção por este vinho, não pela sua invocação a Médoc, mas pela sua energia e pela sua excelente vertente gastronómica.
Nota 17,5


Campolargo 2004
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada

Grau - 14% vol

Preço - A partir de 15€
Feito a partir da casta Pinot Noir, vindimada a 16 de Agosto, estagiou em madeira usada.
Como panóplia dos vinhos desta casta, apresentou uma cor bem aberta.
Aroma muito amplo e rico. Inicia com notas de frutos silvestres, algumas notas caramelizadas, depois passa para uma componente mentolada e termina com intensidade de notas de especiarias, às quais se associam finalmente algumas notas de barrica. Tudo muito em finesse, tudo muito elegante.
Na boca a "pauta" mantém-se pelo mesmo ritmo. Elegância, classe e delicadeza. Um vinho pouco encorpado, mas muito fértil em emoção. Termina longo e com subtilezas.
Aqui está um vinho que poderá fugir ao nossos parâmetros usuais e que por ai poderá perder alguns adeptos. Começa logo na cor. No entanto este vinho r
eserva, aos mais audazes, uma série de surpresas. Elegância qb, complexidade (basta saber esperar e "espreitar" de vez em quando ao copo) e uma classe notável. Do melhor que se faz, com esta casta, por cá.
Nota 17




Rol de Coisas Antigas 2005
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada

Grau - 13,5% vol

Preço - A partir de 10€
Este Rol de Coisas Antigas, é nada mais nada menos que uma selecção do que antigamente, muito antigamente, existia bem disseminado na região.
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Sousão, Tinta Pinheira, Bastardo, Alicante e Baga. A fermentação deu-se em pequenos lagares de granito, com tudo em conjunto, e depois o vinho e
stagiou por 10 meses em barricas de carvalho.
Quase opaco na cor.
Dos aromas mais particulares que tive oportunidade de sentir. Uma mão cheia de emoções são desvendadas de imediato com notas de fruto, muita especiaria com destaque para o cravinho, ligeiras notas licoradas e ainda notas florais. Tudo isto a alternar de minuto a minuto, durante uma noite inteira. Um aroma "camaleão".
Na boca alguma rusticidade volta a surpreender e a dar ânimo à prova. Tudo muito bem integrado e equilibrado.Termina com intensa e notável persistência.
Um hino à singularidade. Numa altura em que tudo se parece standarizar, este vinho aparece como uma lufada de ar fresco, para aqueles que procuram em cada garrafa um rol de sensações singulares. Muito bom e muito bem. A não perder
Nota 17


Campolargo Espumante Bruto Rosé 2006
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada

Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 10€
Feito a partir da casta Pinot Noir.
Vermelho vivo na cor, e com bolha fina e persistente.
Aroma muito exuberante com notas de morango, framboesa que são apoiadas por interessantes notas florais.
Na boca apresenta estrutura, boa acidez como garante de alguma frescura e final de boa persistência.
Mais um espumante que se apresenta na senda dos bons espumantes da Bairrada. Uma boa solução para acompanhar uma refeição bem como uma sobremesa.
Nota 15,5


Entre II Santos branco 2006
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada

Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 3€
Feito a partir das Castas Sauvignon Blanc (90%) e Chardonnay (10%), este vinho apenas em uma pequena parte (penso que no Chardonnay) teve estágio em barricas.
Cor citrina.
Aroma fresco de citrinos e vegetal. Á medida que a temperatura sobe, tenderá em mostrar o resultado do tal pequeno estágio em madeira, conferindo uma ligeira sensação tostada.
Na boca tem bom volume e boa frescura. Termina com final mediano mas saboroso.
Um branco de entrada de gama que se admite como sendo um branco de dia a dia. Penso que poderá ter o seu auge na altura do Verão.
Nota 14,5

segunda-feira, 17 de março de 2008

Manuel Campolargo - Termeão

Deste produtor bairradino, provo agora os vinhos que provêem da vinha homónima, vinha do Termeão.
No Termeão estão plantadas as castas Touriga Nacional, Castelão Nacional e Sousão (que substituiu o Cabernet Sauvignon) que não mais contará entre as castas que fazem os vinhos Termeão.
Os vinhos:


Termeão Pássaro Vermelho 2006
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região -Bairrada
Grau - 12,5% vol
Preço - A partir de 15€
Nasce a partir das castas Touriga Nacional, Castelão Nacional e Cabernet Sauvignon e estagiou por 14 meses em barricas de carvalho francês de 2º ano.
Cor rubi de boa concentração.
Aroma muito fechado e sisudo. Ainda que tenha demorado, acabou por mostrar fruto maduro, alguma sugestão de aparas de lápis, notas florais e vegetais.
Na boca bem equilibrado, com acidez aguerrida e taninos algo rebeldes mas gulosos.
Ainda que fechado, este vinho mostrou ter garra e força que lhe permitirão continuar a subir de forma. O seu tempo ainda está para vir e como tal penso ser um vinho a guardar. Se o beber desde já decante-o e acompanhe com comida forte.
Nota 16,5



Termeão Pássaro Branco 2006
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região -Bairrada
Grau - 12,5% vol
Preço - A partir de 6€
Tal como o seu "irmão" este vinho é resultante das castas Touriga Nacional, Castelão Nacional e Cabernet Sauvignon e estagiou por cerca 12 meses em barricas usadas de carvalho francês.
Cor rubi de boa concentração.
Novamente um Termeão algo fechado. Alguns minutos, muitos, depois começam a aparecer as notas de fruto maduro, sugestões mentoladas e vegetais.
Na boca, bem mais fácil e redondo que o "vermelho". Aqui a coisa já esta bem mais integrada e resulta num conjunto mais apetecível, pelo menos para já.
As mesmas castas, estágio diferente e resultado algo diferente. Talvez em melhores condições de ser consumido desde já, mas penso que não virará costas a alguma guarda. Para todos os efeitos, mais uma excelente relação entre a qualidade e o preço.
Nota 16

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Campolargo Tintos

Manuel dos Santos Campolargo é sinónimo de Bairrada, de uma Bairrada sem fronteiras, uma Bairrada que rompeu com o "sagrado" elo, nos seus tintos, da casta Baga e decide por conta e risco, e contra a corrente da altura, alinhar num enriquecimento ampleográfico.
Os vinhas, e obviamente os vinhos, de Campolargo espelham isso mesmo. Nas suas 2 quintas, a de S. Mateus e a Vale de Azar, encontramos uma panóplia enorme de castas, onde se contam, nas tintas, Baga, Touriga Nacional, Tinta Barroca, Pinot Noir, Trincadeira da Bairrada (Periquita), Cabernet Sauvignon, Castelão Nacional, Syrah, Merlot, Tinta Roriz, Alfrocheiro, Tinto Cão, Alvarelhão, Tinta Francisca, Touriga Francesa e Alicante Bouschet. Nas brancas, Arinto, Bical, Cerceal, Verdelho, Sauvignon Blanc e Viognier.
Todo este património é vinificado em São Mateus na nova, e soberba, adega de Campolargo. O produtor conta ainda com Enoturismo na Casa de Mogofores (http://www.casademogofores.com/).
Informação retirada de http://www.campolargovinhos.com/).


Vinha da Costa 2005
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada
Grau - 13,5% vol
Preço - a partir de 15€
Feito a partir das castas Syrah (34%), Tinta Roriz (33%) e Merlot (33%) este vinho estagiou por 20 meses em barricas de carvalho francês, parcialmente novas.
Apresentou uma bonita cor rubi.
O aroma distinto e delicado é o ponto onde assenta este vinho. Notas de fruto maduro, especiarias, coco ralado, chocolate, mentolados e algum fumo, são o garante de um aroma bem moderno e intenso.
Muito bem na boca onde prima pela elegância, pela sobriedade e por uma integração de todo um conjunto que no final termina com excelente intensidade.
Ora aqui está um belíssimo vinho. Este vinho é um registo de uma Bairrada moderna que, sem ignorar o passado, mostra que também tem futuro, tal como este vinho. Decante-o antes de o beber e prepare-se para passar uns bons momentos na sua companhia. Guarde sem hesitar algumas garrafas.
Nota 17


Contra a Corrente 2005
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada
Grau - 13,5% vol
Preço - a partir de 8€
Feito, nesta colheita, a partir das castas Tinto Cão e Cabernet Sauvignon, este vinho estagiou cerca de 10 meses em barricas de carvalho francês.
Apresentou uma cor rubi.
Nariz com alguma intensidade onde inicialmente contamos com a fruta madura e alguma especiaria, sendo que com algum arejamento o inevitável pimento e as notas de barrica se apresentam ao conjunto.
Na boca tem boa estrutura e boa intensidade, onde encontramos novamente o pimento que se alia a uma sensação de frescura de conjunto.
Um vinho que apesar de estar pronto, poderá ainda melhorar significativamente nos próximos tempos, pelo que guarde algumas para ver como se porta. Ainda que seja um vinho "Contra a corrente", acho desta vez nos podemos deixar levar.
Nota 15

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Luis Pato e Vinhas Velhas


Luís Pato é sem margem para qualquer dúvida um nome incontornável do panorama vínico Nacional e particularmente da Bairrada, ainda que por determinadas vissicitudes ostente nos seus rótulos a denominação Regional Beiras.
Situada no coração da Bairrada, toda a máquina de produção de Luís Pato conta com uma bonita , e acima de tudo funcional, adega bem como toda uma panóplia de castas plantadas, onde se contam as castas Baga, Touriga Nacional, Maria Gomes, Arinto, etc.
Luís Pato foi, é e será sempre, o que mais "puxará" pela aceitação universal da Casta Baga, uma casta bem difícil mas que pode resultar em vinhos extraordinários se tivermos paciencia e "vistas Largas". No entanto este produtor é bem mais que isso e nos brancos terá também uma palavra a dizer.



Luís Pato Vinhas Velhas Branco 2007
Produtor - Luís Pato

Região - Beiras

Grau - 12% vol

Feito a partir das castas Bical, Cerceal e Sercialinho este fermentou em cubas de inox e em pipos de castanho por 4 meses.
Apresenta uma brilhante cor amarelo palha.
Aroma intenso e com alguma complexidade que nos brinda com excelentes notas de citrinos, e vegetais que se associam a notas de baunilha muito bem integradas no conjunto.
Na boca está muitíssimo bem. Mostra untuosidade que baste, excelente acidez e assinalável frescura que acompanha com boa persistência final.
Um branco bem mais sério que o Maria Gomes, que se apresenta muito bem desenhado e com uma frescura e baixo grau assinaláveis. A não perder.
Nota 16



Luís Pato Maria Gomes 2007
Produtor - Luís Pato
Região: Beiras
Grau - 12% vol
Feito, maioritariamente, a partir de casta Maria Gomes (Fernão Pires) e com algum Arinto, este vinho fermentou em cubas de inox.
Apresenta uma brilhante cor amarelo palha.
Aroma exuberante e intenso onde de imiscuem notas de fruto em calda, algum citrino sob ligeiro pendor vegetal. Curiosamente ainda lhe encontrei notas anisadas.
Na boca é bem macio, directo e extremamente fácil de beber. Sem defeitos.
Um vinho bem feito, que no meu entender peca pela falta de alguma acidez que garantisse ainda mais frescura ao conjunto, no entanto face à baixa percentagem de álcool podemos afirmar que este é um branco para o verão e ainda por cima nosso amigo.
Nota 14,5

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

A Baga segundo Luis Pato

Luís Pato é um nome incontornável do panorama vínico Português. Obviamente que este reconhecimento se deve à qualidade de seus vinhos mas penso que também pelo facto de ser actor principal na luta diária pelo reconhecimento dos vinhos Bairradinos e da sua Casta Rainha, a Baga.
A vinha Barrosa é uma vinha, da Casta Baga, com mais de 80 anos, que se situa na freguesia de Aguim, e que se encontra rodeada por floresta de pinheiros e eucaliptos.


Vinha Barrosa 1996
Produtor - Luís Pato
Região - Bairrada
Grau - 13% vol
Feito a partir da Casta Baga, este vinho estagiou por 12 meses em pipos de carvalho francês Allier. Numa das vezes que estive na adega do Luís Pato, dizia-me que estes vinhos mostravam o seu potencial com 10 anos de guarda. Na realidade este vinho está agora a dar os seus primeiros passos, pois não imagino que seria bebível quando foi lançado no mercado. A cor não mostra muitos sinais de envelhecimento. A fruta começa agora a mostrar-se, a caruma, a sensação de frescura pela mineralidade do vinho e o aroma de terra intenso indiciam um vinho de estirpe superior.
Na boca é de salientar juventude para um vinho com mais de 10 anos e onde a acidez e os taninos são o esqueleto que suporta todo este magistral liquido.
Um Grande Baga e um Grande Bairrada, por muitos mais anos.
Nota 17,5

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

um Mito que afinal.......

Bussaco Reserva 2001
Produtor - Alexandre Almeida
Região - Sem região associada (Vinho de Mesa)
Imaginem que quando ouvi falar pela primeira vez nestes vinhos do Bussaco, fiquei imediatamente com a sensação de que se tratavam de vinhos obscuros, pouco conhecidos, muito longevos e ainda produzidos por receita super secreta, ou seja um dos vinhos miticos Portugueses. Na realidade e apesar de ter provado já alguns vinhos mais antigos (decada de 80) e agora pela segunda vez este vinho, fico com a sensação que estes vinhos (brancos e tintos) não parecem envelhecer muito bem e não parecem demonstrar qualidade que valha o preço pedido por eles.
Este este agora, provado em Prova Cega, apresentou uma côr granada com laivos acastanhados. No nariz ainda apresenta alguns predicados, com aromas de fruta vermelha (cerejas, framboesas e groselhas) e ainda sugestões de pinho, verniz, alguma tosta e torrefacção que terminam com notas de baunilha e manteiga. É na boca que infelizmente cai o pano, com o vinho a demonstrar que os taninos secaram e de certa maneira a ficar chato. Infelizmente parece que 2001 não está nas melhores condições, visto que já provei o branco e está completamente oxidado. Pelo que se ainda tiver destes vinhos em casa, aproveite antes que o aroma desapareça, pois ai é que fica sem nada.
Nota 14

Uma dôna com 10 Anos

Bairrada - Quinta da Dôna 1997
Provado em Prova Cega. Com 13,5% vol e uma côr ligeiramente acastanhada, este bairrada "puro e duro" denota já alguma evolução quer na cor, que nos aromas. No nariz apresenta-se ainda com alguma fruta, no entanto com aroma já desviado para notas de cedro, verniz, couro, alcatrão, fumo, borracha e algum tabaco. Na boca apresenta-se um vinho perfeitamente evoluido e macio que apesar de agradavel, é prejudicado por um final que se apresenta ligeiramente amargo. Vinho pronto a consumir desde já visto que parece não evoluir no sentido positivo.
Nota 16,5

domingo, 30 de setembro de 2007

B de Branco e de Bairrada

Bairrada - Diga? Branco 2006
Mais um branco, a estreia na marca Diga?, da casa Campolargo. Com apenas 1350 garrafas e 12,5% vol, este branco, feito apenas de viognier, apresenta uma côr citrina e um aroma exuberante de fruta digamos que exótica (pêssego, pêra e algum ananás), alguma amendoa e bastante vegetal. Na boca é fresquissimo e com uma excelente acidez. Termina muito longo. Em suma mais um belo branco desta casa.
Nota 17

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