quinta-feira, 26 de junho de 2008

Altas Quintas - Os Crescendo

Ainda me lembro quando se começou a falar de um produtor que produzia um vinho chamado Altas Quintas. Haviam 2 aspectos, entre muitos, que despertavam a atenção de todos e dos quais todos falavam. Eram eles, as vinhas a 600m de altitude em plena serra de S. Mamede, no alentejo, e a qualidade que apresentava o vinho Altas Quintas. Penso que foi isto mesmo que João Lourenço idealizou para este projecto quando chamou para junto de si Paulo Laureano. Ambos tiveram muito trabalho, muita paciência, muitas horas de sono perdidas para que assim que se festejasse a primeira colheita, viesse desde logo um vinho muito especial. Foi assim desde o inicio e esperemos que continue por muito mais tempo.
De toda esta envolvente especial nasceu a gama Altas Quintas Crescendo que veio colmatar a ausência deste produtor num segmento muito próprio e cheio de adeptos. Os Altas Quintas Crescendo:


Altas Quintas Crescendo Branco 2007
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 13,5% vol
Preço -
Feito a partir das castas Verdelho, Arinto e Fernão Pires, este vinho estagiou, após fermentação a baixas temperaturas, em inox sendo posteriormente engarrafado.
Apresentou uma bonita e brilhante cor palha.
Todo o aroma deste vinho parece deambular entre notas vegetais, notas de hortelã e curiosamente sugestões de pinheiro. É muito exuberante e muito jovem no aroma. Todo este vegetal dá uma frescura incessante ao vinho. A fruta existe mas neste momento está algo escondida e não tardará em aparecer. Com algum tempo no copo apareceram notas ananás.
Boca de bom volume, muito fresca com acidez bem colocada e final de boa persistência.
Bonito este branco. Muito fresco e exuberante. É mesmo o perfil que este verão já está a pedir. Guarde uma ou outra garrafa para ver o que vai mostrar depois do verão.
Nota 15,5


Altas Quintas Crescendo Rosé 2007
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 13,5% vol
Preço -

Este Rosé, na colheita inaugural, deu muito que falar. Feito a partir da casta Aragonês este vinho estagiou em inox por 3 meses e sendo depois engarrafado.
Cor vermelha viva.
Em equipa que ganha não se mexe e como seria de esperar, esta 2007 mantém o perfil do seu antecessor. Logo no ataque, uma explosão de notas de café e mesmo de capucino. Só de tempo a tempo aparecem algumas notas de fruto silvestre.
Boca com boa estrutura sem que se torne muito pesada. Final de boa persistência.
Um Rosé diferente. Se me perguntassem com que beber este Rosé, de imediato a minha resposta seria com comida. Este será no meu entender um vinho mais gastronómico. Ainda assim tenho que dizer que não me ficou mal de todo.
Nota 14,5


Altas Quintas Crescendo Tinto 2005
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço -
Feito a partir das castas Aragonês e Trincadeira, este vinho estagiou por 12 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Belíssimo da sua cor carregada, quase opaca.
Muito bem no aroma. Cheio de intensidade. Aromas de fruto maduro e de muita especiaria são a imagem de marca que se integram com boas sugestões de barrica.
Boca com estrutura e sensação de frescura. Taninos redondos, num conjunto bem atractivo e dócil, que termina com um final de boa persistência com notas de chocolate amargo.
Muito atractivo este vinho. Nada pesado e no meu entender a mostra uma certa frescura. Acho que será muito boa altura para ser começado a beber pois para já satisfaz plenamente.
Nota 15,5


quarta-feira, 18 de junho de 2008

Dia 5 (21 de Maio)

Era o meu ultimo dia no Douro. Só iria estar em visita a um produtor, e que produtor, no entanto foi um dia fantástico por ter realizado 2 sonhos meus. Eu sou uma pessoa com muitos sonhos no mundo dos vinhos, e na vida. Quem não os tiver, provavelmente já não terá também a paixão. Dos vários sonhos que vou tendo, e criando à medida que outros se vão realizando, existiam 2 que para mim teriam sempre uma sensação de conquista associada. Eram eles, provar o Quinta do Noval Nacional 1963, que é O Vintage, e um garrafeira da Niepoort. Acreditem que os realizei num só dia.
Mas vamos então à visita. O único produtor que iria visitar nesse dia seria a Niepoort. Já por várias vezes tive o privilégio de visitar aquela magnifica adega, mas não estava de maneira nenhuma preparado para o que me iria ser apresentado:

Brancos

Redoma 2002
Aroma com ligeira oxidação, que trás alguma mais valia ao conjunto. Notas de petroladas e de fruto que se associam a sensações de mel.
Boca redonda e de boa textura. Parece-me que vem vindo a melhorar mas também me parece que está pronto.

Redoma 2006
Nariz de excelente intensidade. Este sim, vem a melhorar e muito.
Muito sabor e intensidade na boca. Gostei

Redoma 2007
Muito mineral, muito fresco.
Boca cheia de frescura e acidez. Fantástico

Redoma Reserva 2005
A profundidade deste vinho é impressionante. Elegante e com um equilíbrio notável da madeira.
Gordo, muito gordo na boca com final longuíssimo. Acreditem que me pareceu estar agora na fase de definição do que está para vir. Espero muito deste vinho.

Redoma Reserva 2006
O que inicialmente, quando o provei pela primeira vez, me parecia ser o "Patinho Feio", acabou por se tornar realmente num Cisne. O vinho melhorou drasticamente e apresenta-se cheio de intensidade, com muitas notas de fruto, notas florais e sensações anisadas.
Boca cheia, elegante e intensa. Final longo.

Redoma Reserva 2007
Um reserva de belíssima intensidade. Muito mineral, muito fresco. Equilibrado e com notável trabalho com a madeira.
Boca com acidez notável. Corpo e frescura incessante. Uma reedição do 2005? Humm, senão não me enganar, penso que estará para melhor ou pelo menos terá igualmente fantásticos adjectivos. A seguir de muito perto.


Tintos

Redoma 1999
Ainda que se achasse que estaria "esquisito", eu até achei nele bons argumentos para ter gostado do que estava a provar. Aroma de fruto vermelho, especiaria e alguma torrefacção e caramelo. A oxidação parecia estar algo presente mas no meu entender sem prejudicar a prova.
Melhor na boca, mostrava intensidade e final persistente.

Redoma 2001
Aroma algo afastado do que eu estava à espera. Encontrei-o algo "verde" ou se quiserem, muito vegetal.
Melhor na boca, apresentava-se encorpado e cheio de sabor.

Redoma 2004
Aroma de grande intensidade e profundidade. Poderoso no aroma, dava mostras de fruto maduro e de notas especiadas.
Boca enorme, com final em grande. Fantástico

Redoma 2005
Aroma algo fechado ainda. Com alguns minutos começou a "disparar" aromas de fruto maduro de especiarias e mentolados.
Muito intenso na prova de boca, com uma certa elegância. Novamente fantástico.

Batuta 2005
Aroma muito fechado e duro.
Elegantérrimo na boca e com um final de intensidade incrível. Ainda está a meio gás, mas como tive oportunidade de comprovar esta mesma garrafa, 2 dias após a abertura, posso dizer-vos que acabei por apanhar um vinho monstruoso. Complexo, rico, denso, profundo. Um vinho de top.

Batuta 2004
Que carmoso o aroma deste vinho. Todo ele é elegância e finesse. Um vinho sem excessos, sem qualquer ponta solta e onde tudo esta equilibrado.
Boca novamente elegante. Intenso, saboroso e com final apoteótico. Um batuta com tudo no sitio. Genial.

Charme 2004
Começou algo discreto com notas vegetais, alguma sensação de fosforo e fruto silvestre.
Boca com elegãncia, sossego e plenitude de um vinho que tem um final intenso e longo.

Charme 2005
Nariz de boa intensidade. São notas de fruto vermelho, de algum vegetal, indelével coco, ervas secas e ligeiras notas florais que compõem o complexo aroma deste vinho.
Na boca não me pareceu ter tanta "calma" como o anterior. Aliás até o achei com uma certa pujança num conjunto ainda assim elegante.

Charme 2006
Fechado no aroma. Elegante. Apenas conseguiu mostrar algumas notas de groselha fresca e ligeiras sensações florais.
Boca também ela elegante. Difícil de avaliar nesta fase.

Robustus 2004
Fantástica a intensidade deste vinho. Aroma muito denso com muito fruto preto, floral e notas tostadas.
Encorpado, rijo e com potência pronunciada. Muito jovem ainda mas com um final muito longo. Este é para guardar.







Uma bela prova de um produtor que dispensa apresentações. A Niepoort tem entre o seu portefólio alguns dos melhores vinhos portugueses, no entanto não dorme à sombra da bananeira e ainda tem tempo para pequenas experiências, vinhos de garagem ou pequenos projectos. Não se fazem vinhos para outrem gostar. Fazem-se vinhos de acordo com a filosofia e perfil pretendidos. Provavelmente, aliás invariavelmente, quando se fala em Niepoort, fala-se em Dirk Niepoort, mas deixe-me dizer que apesar da importância de Dirk Niepoort, ou não fosse ele que iniciou em 1990 uma fabulosa viragem para os vinhos tranquilos do Douro, a Niepoort vale com uma equipa. Vale pelo Luis Seabra, vale pela gabriela, vale por todos os que diariamente trabalham afincadamente para que a maquina funcione.


Agora os vinhos que não pertenciam à prova mas que durante o dia e noite tive oportunidade de provar:

Quinta do Noval Vintage Nacional 1963
Impressiona logo na cor que apresenta. Sinceramente que pensaria num vintage de 85 ou superior. Aroma distinto, nobre, complexo e surpreendentemente fresco e vivo.
Boca untuosa de uma riqueza indescritível e impar. Senti algo de solene a medida que ia passando este vinho por toda a boca. Aqui tudo está magnificamente integrado, tal qual um puzzle. A acidez e o açúcar envolvem-se entre si resultando numa magnifica sensação de frescura em final doce e intenso. Soberbo

Quinta do Noval Colheita 1964
Se por um lado o vintage já me tinha "deixado de rastos", este colheita foi o fim da picada. Intenso, intenso e intenso. Não me lembro de muitos vinhos assim. Notas de tabaco, torrefacção e até mesmo alguma especiaria, eram apenas alguns dos aromas identificáveis que passavam pelo meu nariz.
Boca glicerinada, quase mastigável. Completamente decadente, este colheita. Puro deleite. Soberbo

Niepoort Garrafeira 1952
Foi decantado em 1974. Aroma rico e complexo, com notas de cereja, carvão, torrefacção e especiaria.
Fantástico na boca. Muito elegante, delicado, fino e com final longuíssimo. Puramente delicioso. Nunca tinha bebido nada com este perfil. Magnifico

Niepoort Colheita 1957
Engarrafado em 1977. Aromas que deambulavam entre notas de farripas de laranja, torrefacção, caramelo, nougat e amendoim.
Boca aveludada e untuosa com final longo. Belo colheita



E foi assim um dia cheio de intensidade e sensações magnificas. Estava na hora de voltar e no dia seguinte lé regressei à realidade do dia a dia. Abraço a todos e principalmente o meu sincero obrigado a todos os produtores que amavelmente me incluiam na visita e que nos receberam como reis. Abraço ao Mark e ao Bob, pois foram eles que permitiram que eu pudesse estar nesta fantástica aventura.

Dia 4 (20 de Maio) - Parte 2 de 2

De saida de Penalva do Castelo, o nosso destino estava agora mais a Norte. Era a vez de visitar o Douro. Infelizmente apenas fiquei 2 dias, mas como não era para ficar nenhum, posso dar-me bem por contente. Aliás mal sabia eu que nestes 2 dias iria realizar 2 "sonhos". Já lá iremos.
Agora era a vez de provar, tudo em conjunto, os vinhos de La Rosa, Lavradores de Feitoria e os vinhos de Jorge Nobre Moreira.


Brancos

Quinta de la Rosa "Dourosa" 2007
Aroma muito frutado, muito fresco. Discreto.
Boca com boa acidez e persistência.

Quinta de La Rosa "La Rosa" 2007
Nariz muito equilibrado, com muitas notas de fruto e notas vegetais.
Boca de excelente acidez e estrutura. Final Longo. Belo Branco

Lavradores de Feitoria 3 Bagos Viosinho 2007
Algumas notas vegetais saíam de um aroma muito fechado. O vinho tinha acabado de ser engarrafado pelo que poderá estar ai a causa desta "falta de aromas"
Boca com intensidade e bem frutada. A rever em breve

Tintos

Lavradores de Feitoria 2006
Boa intensidade no aroma, com boa dose de fruta.
Boca redonda de fácil trato.

Lavradores de Feitoria Quinta da Costa das Aguaneiras 2005
Muita intensidade no aroma. Notas de fruto maduro que se associam a sensações especiadas.
Excelente estrutura na boca, com taninos finos mas ainda bem presentes.

Meruge 2005
Aroma ainda marcado pelas notas de barrica, que para já se mostram intensas. Fruto maduro.
Boca muito jovem, com taninos presentes mas finos. Denotou frescura mas precisa de algum tempo.

Lavradores de Feitoria Grande Escolha 2005
Muito fechado no aroma. Para já ainda só mostra o fruto maduro e algumas notas de barrica. Está tudo ainda por integrar.
Extremamente potente ainda. Muito jovem e com a obrigatoriedade de se esperar que acalme e se defina.

La Rosa/Moreira "Passagem" 2005
Muita intensidade neste aroma. Fruto maduro, especiaria e notas de barrica muito bem integradas no conjunto.
Boca jovem com taninos poderosos mas finos. Excelente

La Rosa 2006
Nariz de boa intensidade, com sugestões de fruto maduro e alguma especiaria.
Boca redonda, frutada. Tem taninos redondos e mostrou frescura.

La Rosa Reserve 2006
Pareceu-me mais floral que o costume, mostra ainda notas de fruto maduro e alguma especiaria. Boa intensidade neste conjunto.
Boca de boa estrutura, com taninos finos e final longo.

Pó de Poeira 2006
Aroma de fruto maduro, chocolate e notas tostadas.
Boca de boa estrutura e intensidade. Final de boa persistência

Poeira 2006
Ainda algo fechado. Com algum tempo mostra notas de fruto maduro, notas florais e notas tostadas.
Na boca mostra-se elegante mas com potência. Viril, mostra taninos cheios de vigor mas nobres e aristocráticos. Não terá certamente o gabarito do seu antecessor, mas foi provavelmente o vinho que mais gostei, desta colheita.


Que bela maneira de começar a visita ao Douro. 3 grandes produtores durienses.
A Lavradores de Feitoria confirmou mais uma vez a decisão acertada de juntar vários produtores/quintas para que em conjunto e mediante um objectivo, fazerem vinhos interessantes, intensos e grandiosos.
La Rosa, continua a mostrar um perfil bem duriense. Vinhos com perfil próprio mas que facilmente agradam a todos. A mestria do Jorge Moreira está bem patente nestes vinhos.
Jorge Moreira, iniciou um projecto só seu, um projecto onde pôde colocar em prática as suas ideias, um projecto onde colocou tudo em jogo e lhe dedicou muito carinho. Desse projecto nasceu o ícone Poeira e nasce agora o Pó de Poeira, que na versão tinto não é mais que um Poeira de maior facilidade na aproximação, enquanto jovem. Não sendo tão complexo, mostra a virilidade da vinha nova. É fantástico colocá-los lado a lado.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Dia 4 (20 de Maio) - Parte 1 de 2

Era a ultima visita por terras do dão e pensava eu que seria o meu ultimo dia nesta aventura. Como costumam dizer nas americas, the last but not the least, a ultima visita iria ser feita a Penalva do Castelo, mais propriamente à Quinta da Vegia.
Nesta visita, além dos vinhos do Dão, iriam ser provados os vinhos verdes da Casa de Cello, que igualmente são pertença da família de João Pedro Araújo, que conduz o destino destas casas.
Mal chegados e recebidos, por João Pedro Araújo, passamos então para a prova dos vinhos.

Espumantes

Quinta de Sanjoanne 2000
Aroma com boa intensidade, cheio de notas petroladas e notas de fruta branca. Intenso.
Boca de excelente acidez, bolha persistente e cheio de finura.

Quinta de Sanjoanne Reserva 2001
Pouco dialogante no nariz.
Na boca é muito cremoso, de bolha fina e persistente. Frutado e com excelente acidez e intensidade. Belo espumante

Quinta de Sanjoanne Reserva 2002
Fantástico no aroma com notas de casca de marisco e muitas notas minerais.
Boca de bela intensidade, fresco e com excelente acidez. Fantástico

Brancos (Minho)

Quinta de Sanjoanne 2007
Aromas muito tropicais.
Muita frescura na boca e excelente acidez. Final de bela persistência

Quinta de Sanjoanne 2002
Aroma com ligeira oxidação. Notas de caramelo, algum mel e algumas notas petroladas.
Boca com excelente acidez e final persistente.

Quinta de Sanjoanne Escolha 2004
Notas verdes, de maça, notas florais.
Boca de boa intensidade e cremosidade. Final longo

Quinta de Sanjoanne Escolha 2003
Ligeiramente oxidado no aroma. Notas petroladas e sensações minerais.
Boca redonda, muito gulosa e de boa persistência.

Quinta de Sanjoanne Escolha 2001
Ainda que seja o vinho que mais se apresentou oxidado, no meu entender não "atirou a toalha ao chão". Os aromas de caramelo são inevitáveis mas encontro-lhe ainda algumas notas de hortelã e algum fruto em calda.
Boca redonda com alguma acidez.

Quinta de Sanjoanne Superior 2005
Muito intenso no aroma. Profundo. Apresenta notas de flores, notas vegetais e notas de menta.
Boca com excelente estrutura e final longo e frutado.

Tintos

Porta Fronha 2003
Notas de fruto maduro de boa intensidade.
Boca com boa estrutura e com belos taninos já integrados. Redondo e sedoso.

Porta Fronha 2004
Fresco no aroma apesar das notas quentes de especiaria e notas florais.
Boca de bom porte ainda que possa ser algo insípida por momentos. Bons taninos e final.

Porta Fronha 2005
Interessante sensação de ligeiro animal. Fruto maduro, algumas especiaria e ligeiras notas mentoladas.
Boca jovem, com taninos bem presentes que se entregam na perfeição ao conjunto.

Porta Fronha 2006
Algo fechado no aroma. Com alguns dedos de conversa, aparecem notas de fruto maduro e notas florais.
Boca intensa e potente. Na minha opinião precisa ainda de algum tempo em garrafa.

Quinta da Vegia 2003
Muito frutado no aroma, com notas de groselha preta e frutos maduros.
Boca ainda com muita juventude e de boa intensidade. Taninos jovens no final.

Quinta da Vegia 2004
Aroma com muita intensidade a mostras fruto maduro e especiarias.
Boca com certa elegância mas sem a potência e os taninos do 2003.

Quinta da Vegia 2005
Muito exuberante no aroma. Notas florais e a fruta madura dominam todo o conjunto aromático.
Boca com suficiente frescura e excelente intensidade. Taninos nobres.

Quinta da Vegia 2006
Muito fechado no aroma. Estranho, mas interessante, aroma a alho e fruto maduro.
Potente na boca e com taninos muito jovens. Ainda precisa de algum tempo.

Quinta da Vegia Reserva 2003
Fruto preto macerado inicia-se na prova. Ainda fechado mas denota-se um vinho de cariz superior.
Muito elegante e fresco na boca. Final longo

Quinta da Vegia Reserva 2005
Muitas flores, muita especiaria e intensas notas de café.
Frutado na boca e com final de taninos presentes, mas de gabarito. Belo vinho.




Vinhos com uma expressão muito singular são a marca dos vinhos da Quinta da Vegia e mesmo da Quinta de Cello (Sanjoanne). São vinhos que vou apreciando e que os tenho entre as minhas preferências. Não tenho duvidas em afirmar que são vinhos muito bem feitos e no caso dos Vegia, são vinhos que não denotam uma hierarquia tão visível quanto isso, uma vez que as diferenças de qualidade entre os patamares da gama não são muito acentuadas. Ou seja, os Porta Fronha e os Quinta da Vegia são fantásticas relação preço qualidade.
Os Verdes são vinhos com fantástica acidez, que se traduz em frescura senhores de fantástica mineralidade. Vinhos singulares mas muito bons.


Resumindo, esta foi uma "aventura" que me permitiu perceber um pouco mais 2 regiões que lutam, no meu entender, em frentes algo diferentes, mas que tem entre si produtores e vinhos de qualidade.
Se por um lado a Bairrada acho que tenha todo o seu potencial no lado dos branco muito singulares que faz, e não me quero desfazer dos tintos onde se contam vinhos fantásticos, o Dão já é uma região com grandes vinhos e com enormes potencialidades nos brancos e nos tintos. Será no meu entender um grande concorrente dos vinhos do vizinho Douro. É preciso muito trabalho, muita imaginação e muita vontade para que se chegue a bom porto. Para já, vamos ficando com uma "mão cheia" de belos vinhos em ambas a regiões.
Acaba-se então a Bairrada e o Dão, ruma-se então para o Douro. Até já.....





domingo, 15 de junho de 2008

Dia 3 (19 de Maio) - Parte 3 de 3

Saídos de uma grande prova em Pinhanços, era a vez da Quinta dos Roque mostrar todo o seu trabalho:

Brancos

Quinta dos Roques 2007
Aromático. Notas de fruto branco e citrinos. Bom equilíbrio na boca.

Quinta dos Maias Malvasia-Fina 2007
Citrino no aroma, com notas de alguma fruta branca e algum vegetal.
Boca com ligeiro amargor no final. Equilibrado

Quinta dos Roques Encruzado 2007
Ainda algo fechado no aroma.
Boca fresca com notas de barrica muito bem integradas. Bela acidez. Belo Encruzado


Quinta dos Roques Encruzado 2005

Aroma com notas de mel, ligeira oxidação, algumas notas tropicais e ligeiro vegetal.
Boca cheia e untuosa. Bela acidez. Muito bem


Tintos

Quinta dos Roques 2005
Aroma floral e de fruto maduro. Boca com boa intensidade e taninos. Equilibrado

Quinta das Maias Jaen 2005
Aroma de fruto silvestre, alguma sensação de doçura.
Boca com boa estrutura e acidez. Bom vinho

Quinta das Maias Jaen 2003
Aroma rico e algo exótico. Notas de fruto maduro e de algum côco.
Redondo na boca e com final longo

Quinta das Maias Jaen 1997
Novamente alguma doçura no aroma. Notas de caramelo, alguma fruta e algum côco.
Boca com bom equilíbrio, redonda e final longo.

Quinta dos Roques Alfrocheiro Preto 1997
Aroma algo oxidado. Notas de caramelo muito evidentes.
Boca redonda já com taninos domados.

Quinta dos Roques Alfrocheiro Preto 2003
Aromas de fruto maduro e notas especiadas.
Boca de boa estrutura e potência

Quinta dos Roques Tinto Cão 2003
Aroma de média intensidade com notas de fruto e especiaria.
Boca muito jovem, cheia de tanino e de boa acidez.

Quinta dos Roques Touriga Nacional 1996
Aroma de grande intensidade, com notas de fruto, torrefacção, sugestões confitadas e notas mentoladas.
Muito intenso na boca com bela estrutura, denso e com taninos ainda bem presentes. Muito Saboroso

Quinta dos Roques Touriga Nacional 2003
Grande exuberância ainda. Flores, fruto e algum vegetal.
Boca ainda muito jovem com grande dose de tanino e acidez. Denota frescura este conjunto. Belo vinho

Quinta dos Roques Touriga Nacional 2005
Muito floral e muito fruto maduro. Intensidade e exuberância.
Jovem na boca. Ainda um "Bebé"

Quinta dos Roques Tinto Cão 2003
Aroma de média intensidade com notas de fruto e especiaria.
Boca muito jovem, cheia de tanino e de boa acidez.

Quinta dos Roques Reserva 2005
Algo fechado no aroma. Com algum arejamento renascem as notas florais, notas de fruto maduro, tudo em grande intensidade e equilíbrio.
Boca muito jovem e muito concentrada. Grande vinho

Quinta dos Roques Reserva 2003
Com o mesmo perfil do vinho anterior, parece ser um vinho mais duro.
Pareceu-me ainda estar algo longe do equilíbrio mas penso que lá chegará. É ainda muito jovem.


Quinta das Maias Garrafeira 2003
Aroma de fruto maduro associado a notas de barrica muito presentes ainda.
Boca muitíssimo jovem em todos os aspectos mas com uma curiosa frescura. Um vinho de paciência.

Flor das Maias 2005
Aromas de fruto maduro, muitas notas florais e notas mentoladas.
Boca jovem e com taninos ainda muito presentes no final mas que não prejudicam de certa forma o conjunto. Bom vinho


Na Quinta dos Roques estivemos perante uma bela prova que nos foi apresentada pela alma desta Quinta, o Engº Luís Lourenço. Com uma gama alargada, onde se contam vários varietais e vinhos de lote, podemos encontrar vinhos em todos os patamares de preços sendo que a qualidade, essa, está garantida. Produz vinhos com uma definição muito própria, que jogam mais pelo lado da sobriedade e complexidade do que pelo lado da exuberância. Ainda que concorde que os varietais tragam uma mais valia ao portefólio, são na minha opinião os vinhos loteados que mais denotam esforço e qualidade.


Nota - Nesta visita, e na do Álvaro Castro, a conversa era tão boa e interessante que sinceramente não me lembrei mesmo de tirar uma foto que fosse. As minhas desculpas.

Dia 3 (19 de Maio) - Parte 2 de 3

Após Carvalhais estávamos agora a caminho de Pinhanços para visitar nem mais nem menos que o Sr Touriga, Álvaro Castro.
À chegada, fomos recebidos pelo Álvaro que de seguida nos conduziu para uma visita às vinhas que originam os seus vinhos. De regresso, chegamos ao local onde se iria dar a prova:

Rosés

Quinta de Saes Rosé 2007
Aromático, muito tipo morango rebuçado. Boca com acidez perfeita e final gostoso



Brancos

Quinta de Saes Reserva 2007
Muito aromático, com notas vegetais, de fruto e boas sensações minerais.
Boca frutada e equilibrada com bela acidez.

Primus Reserva 2007
Aroma muito delicado mas ao mesmo tempo muito sóbrio. Ainda parece estar algo fechado.
Boca cheia e de bela intensidade. Sente-se uma frescura muito agradavel neste vinho. Belo branco


Tintos

Quinta de Saes Estágio Prolongado Reserva 2006
Aroma de boa intensidade com muitas notas de fruto maduro, notas florais e alguma especiaria.
Boca de bom porte e redonda.

Quinta de Pellada 2006
Aroma muito floral que é acompanhado por notas de fruto maduro e alguma especiaria.
Boca com muitas notas de chocolate, intenso e com taninos firmes.

PAPE 2006
Aroma muito equilibrado, com notas de fruto maduro, de flores e interessantes notas de chocolate e especiaria.
Boca com intensidade e potência. Taninos jovens mas nobres. Termina longo e especiado. Gostei muito

Quinta da Pellada Carrocel 2006
Já mostra mais sobriedade e menos exuberância no aroma. Não está tão floral de inicio e mostra até muita fruta.
Boca ainda muito jovem com os taninos a sobressaírem do conjunto. Belo vinho

Pelada 2003
Nariz de boa intensidade com ligeiras notas de envelhecimento que dão certa complexidade ao conjunto.
Boca ainda com alguma potência mas muito saborosa.

Quinta da Pellada 2003
Fruto maduro, notas mentoladas. Jovem na boca e com boa estrutura. Promete

PAPE 2005
Um colosso de vinho. Aromático, complexo, intenso e muito, mas muito, guloso. Que grande PAPE.

Quinta da Pellada 2005
Aroma muito floral, intenso e de grande gabarito.
Boca saborosa de bela estrutura. Belo vinho


Após a prova dirigimo-nos para um fantástico almoço onde além das iguarias, provamos os seguintes vinhos:

PAPE 2003 (Magnum)
Inicialmente muito fechado. Precisava de arejar um pouco para mostrar todo o seu esplendor. Muito aromáticvo e complexo.
Muito saboroso na boca e cheio de vida. Fantástico

Quinta da Pellada Touriga Nacional 1996
Impressionou desde logo pela cor jovem que apresentou.
Também jovem nos aromas de fruto maduro e de algum vegetal, ligeiro animal e notas mentoladas.
Boca jovem com taninos presentes a darem vivacidade ao conjunto. Fantástico



É dificil, senão impossivel, não gostar dos vinhos de Álvaro Castro. É um Artista. Rei do experimentalismo e das ideias quase mirabolantes. Não se contenta com pouco e quer sempre chegar ao vinho que pretende fazer, mesmo que por vezes tenha de afirmar que determinado vinho não está ao seu gosto. Sabe o que quer e o que tem para fazer. Em conjunto com a sua filha Maria, forma uma dupla de sucesso.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Dia 3 (19 de Maio) - Parte 1 de 3

Bom, após um pequeno interregno para podes escrever sobre a prova de dia 10 de Junho, volto aos relatos da visita do Mark Squires.
Já estávamos no penúltimo dia no Dão e fomos ao encontro da Quinta dos Carvalhas que seria a primeira visita deste dia.


Brancos

Quinta dos Carvalhais Encruzado 2006
Um vinho aromático onde predominam notas vegetais, de alguma fruta em calda e tangerinas.
Boca fresca com excelente acidez.

Duque de Viseu 2007
Aroma muito intenso e jovial com notas de fruto e notas vegetais.
Boca com boa dose de frescura. Um vinho franco mas com boa RQP

Tintos

Quinta dos Carvalhais Alfrocheiro 2004
Vinho com boa fruta madura e curiosamente sensações minerais.
Boca aveludada com taninos macios mas bem saborosos. Equilibrado.

Quinta dos Carvalhais Touriga Nacional 2004
Muito exuberante no aroma. Fruto maduro, notas florais e uma boa deose de intensidade compõem aromaticamente este vinho.
Boca com boa estrutura e alguma potência que se alia a uma tendencia elegante.

Quinta dos Carvalhais Reserva 2002
Aroma de fruto confitado, especiarias e alguma, ainda que ligeira, oxidação parecem marcar o ritmo deste vinho na prova de nariz.
Na boca , novamente um vinho que parece ter passado já pelo seu melhor. Salvo melhor opinião, penso que o melhor será ser bebido desde já. Foi aberta uma segunda garrafa que pareceu-me bem meis concentrada na boca mas que apresentava ainda assim as mesmas indicações.

Quinta dos Carvalhais Único 2005
Muito exuberante no aroma com muitas flores, alfazema, fruto maduro e uma grande dose de intensidade.
Boca poderosa e muito jovem. Taninos vigorosos mas com uma envolvente muito saborosa. Belo vinho que precisa acima de tudo de tempo em garrafa.


A quinta dos Carvalhais, empresa que pertence à Sogrape, é hoje em dia um produtor de referêdncia no Dão. Tem uma gama alargada com vinhos de lote e varietais para todos os gostos. Em minha opinião, nos vinhos de entrada de gama mostra um grande potencial para as RPQ. Nos vinhos de topo e varietais mostra em alguns casos vinhos de grande qualidade. Não estou muito certo desta tendência para lançar os reservas mais tarde. Sinceramente que me pareceu que o Reserva 2002 já esteve no seu melhor. Pontos de vista.




quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia de Portugal (As minhas impressões)

A medida que se desenrolava a prova, ia eu, e todos os outros,tirando notas dos vinhos que passavam à nossa frente. São meras impressões e como tal muito resumidas. Nem todos os vinhos enunciados vão estar descritos, uma vez que optei por colocar apenas os que mais gostei ou que possam ter alguma particularidade interessante.


Os Brancos


Grandjó 1925
Um dos vinhos que colocou todos os presentes "em sentido". Era altura de poucas palavras mas de muita contemplação por um vinho raro e lendário. O vinho em si não defraudou as expectativas até porque estaríamos perante um dos poucos exemplares que estaria em perfeitas condições. Na cor ondulava um amarelo bem torrado com reflexos esverdeados. Aroma com sugestões especiadas, nomeadamente de açafrão e sugestões de algo medicinal. Boca um tanto delgada mas rica pela perfeita sincronização entre a já pouca doçura e a não menos desvanecida acidez. O que é certo é que um vinho com esta idade e ainda estar vivo, é um perfeito milagre.

Marquis de Soveral 1958
Começou algo estranho. Inicialmente afastei-me um pouco dele mas à medida que arejava, tornou-se num vinho sério e com uma frescura reconfortante e uma vivacidade invejável.

Marquis de Soveral 1967
Muito aromático e intenso, este vinho mostrou notas resinosas interessantíssimas.
Muito vivo na boca, com boa acidez e frescura.

Real Vinícola Dão 1980
Uma bela surpresa para um vinho que ainda tem muito para dar. Nariz rico com sugestões petroladas, vegetais e resinosas.
Boca de enorme frescura, acidez penetrante e final longo. Fantástico

Centro de Estudos de Nelas 1994
Aroma muito interessante. Muito aromático, com notas de resinas, ervas aromáticas, alguma fruta e muita mineralidade.
Boca intensa e de uma acidez fantástica. Belíssimo vinho

Resumindo, apesar de não estarem aqui todos os brancos provados, foi uma prova que me surpreendeu muito, pela vivacidade de quase todos os vinhos. Ainda há quem diga que os nossos brancos não sabem envelhecer. Esta prova mostrou de certa forma, o contrário.


Os Tintos

Luís Pato 1985
Aroma muito interessante de notas de caramelo, de madeira velha e de alguma erva doce.
Vinho com boa estrutura e com taninos ainda suficientes para não nos esquecermos deles.

Sidónio Sousa Caves Valdarcos 1985
Por esta não esperava. Um vinho concentrado, cheio de fruta, com notas de verniz e notas tostadas.
Boca ainda com juventude a mostra taninos vigorosos e cheios de pujança. Impressionante este vinho que não parece estar sequer no seu melhor.

Grupo dos 8 Bairrada 1988
Aroma muito intendo e especiado. Mostrou ligeira oxidação no aroma. Muito saboroso e com final algo taninoso e seco.

Buçaco Reserva 1983
Aroma muito delicado e intenso. Boca muito sensual e saborosa. Uma surpresa

Mouchão 1962
Há bem pouco tinha provado a colheita de 63, que me tinha deixado completamente embeiçado. Este Mouchão estará, no meu entender, alguns furos abaixo do seu sucessor mas ainda assim é um vinho cheio de vida e que nos dá um prazer enorme a ser bebido.

Mouchão 1970
São porventura aqueles vinhos dos quais não esperamos grande coisa, que quando nos surpreendem, nos deixam em completa êxtase. Este Mouchão é um desses vinhos. Impressiona logo pela cor concentrada que sugere um vinho muito mais recente.
Nariz muito concentrado, pleno de aromas frutados, de aromas especiados.
Na boca é tão saboroso, com uma frescura incessante e final longo e de enorme categoria. Um hino ao grande vinhos portugueses.

Colares Visconde de Salreu 1967
Aroma intenso a torrefacção, café, madeira velha e chá preto.
Boca com muita acidez e vivacidade.

Viuva José Gomes da Silva Reserva Velho 1965
Aroma de boa intensidade com notas de erva doce, muita madeira velha e algumas sugestões mentoladas.
Boca redonde a com alguma acidez.

Grantom Garrafeira 1958
Muito fresco e aromático.
Boca repleta de vivacidade e com tanino ainda presente

Ferreirinha Reserva Especial 1974
A segunda colheita da magistral carreira dos Reserva Especial. Se tivesse que identificar este vinho com apenas uma palavra, essa seria sem margem para dúvida a Elegância. Este vinho é elegante, delicado e com uma frescura impar.
Na boca novamente elegância, intensidade e frescura. Fantástico

Quinta do Côtto Bastardo 1973
Apresentava uma belissima cor. Muito bem no aroma com sugestões de caruma, café, alguma ameixa e alguns fumados.
Boca equilibrada e de boa frescura. Redondo e saboroso. Belo vinho

Quinta do Carmo Garrafeira 1986
Muito bem no aroma. Não parece ter perdido muita da sua intensidade apesar dos anos que passaram. Mostra um aroma profundo e imaculado.
Muito saboroso na boca. É equilibrado e com robustez fantástica. Final longo. Grande vinho.

Quinta do Carmo Garrafeira 1987
A mim pareceu-me perder alguns pontos para o 86. Mantém o perfil dos Quinta do Carmo mas desta feita já mostra algumas notas de oxidação e poderei até considerar um vinho menos rico e interessante que o seu antecessor. Ainda assim considero-o um belo vinho.
Ressalvo que esta garrafa terá sido algo maltratada durante a sua guarda. Por isso dou-lhe o beneficio da duvida.

Valle Pradinhos 1986
Foi provado às cegas com os dois Garrafeiras da Quinta do Carmo e pareceu-me ser o que estaria em menores condições. No nariz facilmente se identificava a casta Cabernet Sauvignon mas pareceu-me já algo cansado.



Fortificados

Delaforce Corte Vintage 1997
Cor sem evolução significativa. Aroma concentrado com notas de fruto maduro e preto, Sugestões de baunilha e notas florais.
Muito bem na boca onde mostra bom equilíbrio entre a doçura e a acidez. Taninos sedosos que permitem dar grande prova desde já. Belo vintage

Smith Woodhouse Vintage 1980
Muito bem na cor, as cegas como foi provado, levava-me para anos da década de 90. Aroma de ameixas, uva passa e cerejas que se associam a notas de tabaco.
Não sendo um colosso de estrutura, na boca, mantém uma certa untuosidade. Pareceu-me algo quente no final. Precisava de mais tempo de decantação para se encaixar. Gostei deste vintage

Niepoort Tawny 1927
Este vinho é pertença de Rolf Niepoort, que o recebeu como homenagem de seu pai, quando nasceu. Nunca foi comercializado e apenas foram engarrafadas 350 garrafas.
Nem sei por onde começar. Fantástica cor para um vinho deste ano. Não é âmbar devido as nuances avermelhadas que apresenta.
No nariz é a complexidade que comanda. Rico e intenso apresenta muitasa notas de torrefacção, caramelo, cerejas e ainda algumas especiarias e bolo inglês.
Boca acetinada, riquissima, profunda e intensa que com um final apoteótico. Nunca bebi nada assim e não tenho duvidas em colocar no cimo das minhas preferências. Foi uma honra para mim ter bebido deste grande homenagem.


Estrangeiros

Vega Sicilia Único 1986
Os anos não parecem passar por este vinho. Cor muito carregada ainda.
Após a decantação, ao escorrer para o copo soltava de imediato notas de azeitonas pretas. Entretanto iniciavam-se as notas de tabaco, de fruto maduro, especiarias e um certo couro.
Muito encorpado este vinho quase que explodia na boca com sensações de fruto maduro. Terminava perfeito e longo. Ainda com muita vida pela sua frente este é realmente um dos grandes do Mundo.

Weingut Keller Westhofener Kirschspiel Riesling 2004
Aroma muito intenso com muitas notas minerais, fruto tropical, Pêssego e flores.
Boca cremosa com excelente acidez. É difícil parar de beber este Riesling. Absolutamente viciante.

Donnhoff Niederhauser Hermannshohle Riesling Auslese 2001
Cor amarela. Aroma de fruta confitada, sensação de botritys e muita mas muita mineralidade.
Boca cheia e vigorosa mas ao mesmo tempo delicada que se redobra em notas tão saborosas. Final longuíssimo e cheio de prazer. Um grande mas grande vinho

Champagne R&L Legras Cuvée St Vincent Blanc de Blancs 1996
Aqui vai o prémio para o mais fantástico nariz. No ataque um fabuloso aroma de massa folhada a sair do forno que se associa a maças e baunilha. Tudo isto em uma intensidade fenomenal.
Bolha fina e mousse delicada trazem-nos para bem perto da perfeição. Que belo champagne.

Coche-Dury Mersault 1999
Bonita e brilhante cor amarelada. Aroma muito complexo com notas minerais de citrinos. No nariz a elegância é a nota predominante onde o perfeito equilíbrio entre o vinho e a madeira é elevado ao extremo.
Boca cremosa, explosiva, intensa e profunda. Termina longo e com classe. Soberbo.

Domaine Rousseau Gevrey-Chambertin 2004
Muito delicado no aroma, misterioso. Notas de fruto silvestre, especiarias e algum vegetal.
Boca sedosa e elegante que termina com perfeito equilíbrio.

Domaine Rousseau Gevrey-Chambertin 2005
Mais concentrado que o anterior, mesmo até na cor, é um vinho cujos aromas são bem mais fáceis de gostar. As notas de morangos e especiarias dão intensidade no aroma.
Boca mais facil e provavelmente mais saborosa que o seu antecessor. Gostei mais do 2004

Domaine de la Romanée-Conti La Tâche 2002
Foi provado às cegas depois dos Rousseau e de imediato senti mais intensidade e mais complexidade. Aroma fino e delicado com notas de fruto silvestre, especiaria, algum vegetal. Muito complexo pois tive a contemplar este vinho por mais de uma hora e tudo se mostrava cada vez melhor e sempre tendendo para uma maior elegância.
Boca em tudo harmoniosa e equilibrada. Mais elegância, agora na prova de boca. Soberbo

Giacomo Conterno Barolo Riserva 1995
Cor de grande concentração. Aromas de fruto maduro, notas licoradas e de tosta.
Boca de grande potência e estrutura. Um vinho para muitos anos. Um grndioso vinho.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

O meu dia de Portugal

A convite do produtor de vinhos Dirk Niepoort, o dia 10 de Junho, dia de Portugal e das Comunidades, foi passado quase em exclusivo em torno dos nossos vinhos.
Nesta prova/evento, estava presente o critico de vinhos Norueguês, Tom Marthinsen, que se encontra em Portugal para escrever um livro sobre o nosso vinho.
A prova consistia em provar vinhos velhos, ou seja vinhos com pelo menos 14 anos. Nesta prova entravam vinhos desde 1925 a 1994, todos vinhos tranquilos brancos e tintos. na maioria quase todos os presentes foram contribuindo com preciosidades e raridades que se encontravam nas suas garrafeiras. O evento iniciou-se pelas 11 da manhã, para só terminar já noite dentro.

Os convivas:

Dirk Niepoort
Tom Marthisen
Helge Hansen (fotografo que acompanha Tom)
Luís Seabra
Nick Delaforce
Rita Ferreira
Vítor Claro
Luís Ferreira
Paulo Silva (Blog Vinho da Casa)
Nuno Gonçalves
Nina
Joana


Os Vinhos:


Brancos

Douro
Grandjó 1925
Marquis de Soveral 1967
Marquis de Soveral 1964
Ermida 1965
Marquis de Soveral 1958
Pérola Garrafeira 1980
Lamego 1963
Lamego 1964

Dão
Real Vinícola 1980
Centro de Estudos de Nelas 1994

Colares
Colares Chitas 1974


Tintos

Bairrada
Luís Pato 1980
Luís Pato 1985
Luís Pato 1988
Luís Pato Vinhas Velhas 1990
Luís Pato Vinhas Velhas 1992
Luís Pato Vinhas Velhas 1995
Sidónio Sousa Caves Valdarcos 185
Valdarcos Garrafeira 1985
Grupo dos 8 1988
Caves Montanha 1967
Adega Cooperativa de Souselas 1965

Bairrada/Dão
Buçaco Reserva 1983
Buçaco Reserva 1970
Buçaco Reserva 1962
Buçaco Reserva 1959

Palmela
Periquita 1970

Colares
Colares Visconde de Salreu 1933
Visconde de Salreu Garrafeira Particular 1968
Viúva José Gomes da Silva Reserva Velho 1965
Chitas 1968
Visconde de Salreu Garrafeira Particular 1967

Dão
Dão Pipas (63 ou 67, era assim o rotulo)
Dão Cabido 1970
Dão Cabido 1967

Alentejo
Mouchão 1962
Mouchão 1970
Quinta do Carmo Garrafeira 1986
Quinta do Carmo Garrafeira 1987

Douro e Trás os Montes
Evel Garrafeira 1964
Real Vinicola Granleve 1965
Vinha Grande 1962
Montaria 1966 (este vinho é da Taylor's)
Gramtom Garrafeira 1958
Marquis de Soveral Garrafeira 1958
Ferreirinha Reserva Especial 1974
Quinta do Côtto Bastardo 1973
Quinta do Côtto Bastardo 1974
Valle Pradinhos 1986



Ainda que fora do âmbito da prova, foram provados alguns vinhos estrangeiros e portugueses que iam sendo provados ao longo do dia e ao jantar, depois da prova principal:

Portugueses


Branco dos Cozinheiros 2004
Luis Pato Vinha Formal 2006
Luis Pato Vinha Formal 2007

Casa Agrícola Horácio Simões Moscatel Roxo Excellent
Delaforce Corte 1997 Vintage
Smith Woodhouse 1980 Vintage
Niepoort (Vinho de Família) 1927



Estrangeiros
Weingut St. Johannishof Erderner Pralat Riesling Auslese 1979
Egly-Ouriet Blanc de Noir Grand Cru
Giacomo Conterno Monfortino Barolo Riserva 1995
Domaine de la Romanée-Conti La Tâche 2002
Armand Rousseau Gevrey-Chambertin 2004
Armand Rousseau Gevrey-Chambertin 2005
Chateau Grand-Puy-Ducasse 1966
Coche-Dury Mersault 1999
Duplessis Chablis Les Clos 2000
R&L Legras Cuvée St Vincent 1996
Keller Westhofen Kirchspiel Trocken 2004
Macforbes Riesling RS9 2006
Donnhoff Niederhauser Hermannshohle Riesling Auslese 2001
Vega Sicilia Unico 1986


Foram estes os vinhos que acabaram por fazer parte do meu dia de Portugal, um dia que nunca esquecerei. Foi para mim fantástico quer pelo convívio, pela futebolada e pelos grandes e raros vinhos com que fomos presenteados. Existem nesta lista vinhos sublimes que me tocaram profundamente.

Algumas imagens:


Um alinhamento de sonho......


Alguns dos vinhos em prova


O autor deste blog


No comments!!!!


Os nossos brancos do antigamente


Classe mundial!!!!


Absolutamente divinal.....


Fantástico este Barolo. Full Power!!!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Dia 2 (18 de Maio) - Parte 3 de 3

Após a visita memorável à Casa de Santar dirigimo-nos para um dos mais badalados, pelo menos ultimamente, produtores do Dão. A Quinta das Marias
Numa Região onde praticamente todos os que produzem vinho são Portugueses com ligação à região ou que tenham investido nela e no vinho, existe um produtor Suíço que tem tido uma intensa e interessante aventura.
Peter Eckert é um apaixonado pelo vinho e pela sua Quinta. Contou-nos que teve várias hipóteses de comprar uma quinta em vários locais mas diz que a Quinta das Marias foi amor à primeira vista. É realmente um homem apaixonado em tudo o que faz, mas quando começa a falar de vinho e especialmente das experiências que vai fazendo na adega, então aí o brilho em seus olhos mostra o interior do seu coração.
Ora bem, depois de uma visita curta pela adega, até porque não é muito grande, e de nos mostrar as suas ultimas inovações e experiências, entramos então na provas de vinhos:


Brancos

Quinta das Marias Encruzado 2007
Aroma de intenso vegetal, com notas de de hortelã. Muito equilibrado e com excelente acidez, denota muita frescura.

Quinta das Marias Encruzado "Barricas" 2007
Mantém o perfil aromático do "sem barricas". Denota um vinho muito jovem que ainda não acalmou toda esta vertente vegetal. Boca de bom volume mas muito fresca e equilibrada. Denota um belo trabalho com a madeira. Um belo vinho

Rosés

Quinta das Marias Rosé 2007
Aromático, com notas de morango e alguma sugestão de rebuçado. Boca de frescura e boa acidez.


Tintos

Quinta das Marias Garrafeira 2005
Curiosamente não tinha a mesma intensidade que constatei da ultima vez, achei-o ainda fechado, até mesmo sisudo, mas isso terá eventualmente a ver com o facto de o vinho ter sido aberto no momento. Boca cheia e de potência. Termina longo

Quinta das Marias Alfrocheiro 2006
Muito interessante o perfil deste vinho. Não fosse a certeza de ser um Alfrocheiro, apostava na casta Pinot Noir. Muito delicado e elegante no aroma. Boca equilibrada e elegante. Uma surpresa.

Quinta das Marias Cuvée TT 2006
Aroma muito interessante e boa intensidade. Fruto maduro e especiarias. Boca de boa estrutura e intensidade.

Quinta das Marias Touriga Nacional 2006
Este era o vinho que ansiosamente esperava por provar, face ao sucesso do seu antecessor. Muito menos exuberante é a constatação a que cheguei de imediato. Mas e a qualidade? Bom, penso que ainda que eventualmente estará uns furinhos abaixo do 2005 mas não deixando de ser um belo vinho. 2006 continua a ser um ano, com derrotismo por parte dos nossos produtores, um ano difícil e isso pode ser a principal razão na pequena diferença entre as duas colheitas. Neste momento temos um aroma de fruto maduro, um aroma mais sóbrio mas que continua evidencias as notas florais. A estrutura e potência do vinho mantém-se.



Em jeito de resumo, continuo a achar que este produtor sabe muito bem o que está a fazer e mesmo o que quer no futuro. A curiosidade é o facto dos seus brancos de 2007 serem completamente diferentes dos anteriores, aliás completamente diferentes não, o Encruzado mostra é uma das suas outras facetas, a vegetal. Em breve estes brancos estarão muito melhores. A surpresa é um Alfrocheiro com invocações da casta Pinot Noir. No mínimo interessante.
Parece-me que este produtor consegue manter uma qualidade invejável mesmo em anos mais difíceis, o que é de louvar. Espero ainda que mantenha esta alma experimentalista e apaixonada pois é desse espírito que resultam os vinhos que tem feito.

Após a prova, fomos brindados com um fantástico jantar, na companhia de Peter e de sua adorável Esposa. Neste jantar pude verificar a cumplicidade dos vinhos da Quinta das Marias com a comida. O "Barricas", para as entradas de presunto e de queijo da serra, e o Garrafeira, para o cabrito, encaixaram na perfeição.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Dia 2 (18 de Maio) - Parte 2 de 3

A vila de Santar era o nosso próximo destino, e a Casa de Santar, o produtor que estaria no centro das nossas atenções. Esta era uma visita que antecipava há muito, pela sua história vínica, que me foi de certo modo apresentada num copo onde já estava vertido um Santar 1965, aquando das provas temáticas do Encontro com Vinhos e Sabores, do ano passado.
Apesar de toda a expectativa, não estava perto de imaginar o que nas próximas horas iria passar diante dos meus olhos. E não me estou apenas a referir a vinhos.
Chegados ao local fomos recebidos pela equipa da Casa de Santar/Dão Sul, o Engº Carlos Lucas e o Sr Engº Pedro Vasconcellos e Souza (enólogo da Casa de Santar). Ao entramos não consigo esquecer o que disse o Engº Carlos Lucas. A Casa de Santar é o único Chateau Português. Estava dado o mote para uma visita fantástica.

As imagens do Chateau Casa de Santar:


O Brasão da Casa de Santar



Um mini Museu dos Coches e do Traje, pertencente à família



Uma cozinha que tem uma fonte sobre a qual se diz que quem beber daquela fonte, em um ano estará casado(a). Um fogão secular, que ainda funciona e no qual foram cozinhadas as iguarias que tivemos para almoço.





A lindíssima capela da família, os jardins da Casa de Santar e a história vínica de Santar.

Após este pequeno passeio fomos recebidos dentro de casa pela Dona Maria Teresa Lancastre de Melo, 3ª Condessa de Santar. Entrámos a seu convite na sua magnifica casa. Não tirei fotografias do interior da casa, como é óbvio, pois nem sequer me atreveria a tal. É difícil explicar por palavras o que ia sentindo ao passar por tantos e tantos pormenores da nossa grandiosa historia. Uma casa lindíssima.
Mas se por um lado a Casa de Santar por si só já era para mim algo fascinante, foi na Condessa de Santar que vi um ser humano como poucos tenho visto em toda a minha vida. No meio de um palácio sóbrio e histórico, tudo ganhava vida com a sua contagiante simpatia, com a sua desconcertante alegria e sentido de humor. Mostrou-nos todos, ou quase todos, os cantos da casa, alertando-nos sempre para as histórias que cada parede, cada inscrição ou cada passagem secreta continham. Foram 30 minutos em que sorvi cada pedaço de informação.

Bom, mas o trabalho eram os vinhos pelo que após a visita, estávamos então prontos a provar os vinhos da Casa de Santar e restantes quintas da Dão Sul.


Brancos

Casa de Santar 2007
Muito aromático, excelente acidez e frescura.

Quinta de Cabriz Encruzado 2006
Um Encruzado com aromas anisados, fruta tropical, mineralidade e frescura. Boca com excelente acidez.

Quinta de Cabriz Encruzado 2007
Pareceu-me na altura ainda algo fechado. Muito mineral, e com uma acidez enervante. Face ao seu preço normal, é um achado.

Casa de Santar Reserva 2007
Aromas de fruto branca, baunilha e algum vegetal. Boca assertiva de boa estrutura e acidez.

Condessa de Santar 2006
Muito elegante no aroma. Intenso, com notas de citrinos, sugestões anisadas e também vegetais. Boca também elegante, requintada e em perfeita harmonia. Adorei este vinho. Faz-me esperar pelo 2007

Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2006
Aroma ainda algo marcado pela madeira onde estagiou. Ainda que não prejudique demasiado, parece pedir tempo. Boca cheia e glicerinada.

Quinta do Encontro Encontro 1 2006 (Bairrada)
Feito de Bical e Arinto. Apresenta alguns aromas de oxidação habituais neste tipo de vinhos. Muitas notas de barrica presentes no aroma mas curiosamente não tornam o vinho pesado. Boca cheia e intensa. Outro que gostei, bastante mas o preço....


Tintos

Casa de Santar 2005
Aroma de frutado e de boa intensidade. Boca redonda com taninos macios

Quinta de Cabriz Touriga Nacional 2004
Aroma intenso com sugestões florais incessantes que se unem a notas de fruto maduro e algumas especiarias. Boca ainda com jovialidade nos taninos. Boa acidez e persistência final.

Quinta de Cabriz Pedro & Inês 2003
Fantástico no aroma. Notas especiadas, de chocolate e tostadas. Boca com elegãncia mas com taninos e acidez ainda jovens. Belo vinho

Quinta de Cabriz Four C (CCCC) 2003
As notas de barrica ainda estão bem presentes, com notas de caramelo, de chocolate de leite. O fruto parece estar ainda algo escondido. Tudo ainda por se criar neste vinho. Muito jovem na boca e com um potencial enorme.

Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2004
Intenso mas ao mesmo tempo um vinho sóbrio. Notas de barrica e de fruto bem integradas. Boca fantástica com harmonia e potência. Belo vinho

Pião 2003
Mistura das castas Nebbiolo de Piedmonte e Touriga Nacional do Dão. Muita intensidade no aroma e na boca. Melhora muito mas muito com o arejamento. Belo vinho

Dourat 2003
Mistura de uvas Garnatxa Roja vindas de Priorato e Touriga Nacional do Douro.
Aroma muito intenso com invocação obvia aos vinhos do Rhône. Bom volume de boca e final intenso. Senti ligeira oxidação nestre vinho.

Quinta das Tecedeiras Reserva 2005 (Douro)
Aroma complexo e muito rico. Muito jovem na boca mas muito equilibrado também. Promete

Quinta do Encontro Encontro 1 2003 (Bairrada)
Muita intensidade no aroma. Chocolate, floral, fruto maduro, torrefacção e alguma sugestão animal. Boca com notas de couro, com enorme robustez e final intenso.

Quinta do Encontro Grande Encontro 2005 (Bairrada)
Algo fechado no aroma. Boca macia e redonda mas mostrando taninos nobres. Boa acidez e estrutura.

Herdade Monte da Cal Vinha do Saturno 2004 (Alentejo)
Muitíssimo intenso no nariz. Aromas de fruto decadente aliam-se a notas de barrica muito bem integradas. Boca de boa estrutura e com excelente sabor. Saboroso este belo vinho


Centro de Estudos de Nelas Touriga Nacional 1963
Bem, nem sei o que escrever, uma vez que também fiquei sem palavras. Uma surpresa, que sei que foi dificil de conseguir, mas um vinho enorme. Não tem explicação o facto de um vinho com 45 anos de vida estar ainda tão fresco, frutado, com uma boca incrivel e cheia de sabor. Um vinhão absolutamente fenomenal

Centro de Estudos de Nelas 1987
Outro fantástico vinho. Muito fresco. Aromas confitados, mentolados e balsâmicos. Boca serena mas mais uma vez com uma frescura de fazer inveja a muitos jovens vinhos.

Santar 1955
Apesar do seu aroma algo Tawny, mostrou um vinho que ainda assim conseguia melhorar e mostrar que manem atributos ao fim dos seus 53 anos de vida. Antologia.

Quinta das Tecedeiras Vintage 2004
Aroma de muita densidade e extracção a fazer-me lembrar o perfil Vesúvio. Notas de uva passa, ameixas, laranjas, baunilha e floral. Boca com elegância a denotar um vintage com margem de progressão mas que dá desde já excelente prova.



Após uma prova deste calibre pegamos em alguns destes vinhos e fomos para um almoço a convite da Sra Condessa. Um almoço todo ele dedicado à gastronomia local mas que nos soube tão bem e tão reparador. Escusado será de dizer que os vinhos que levamos foram os mais antigos e ainda alguns actuais. pareceu-me terem todos melhorado com a decantação e o arejamento no copo.
Uma refeição abrilhantada com uns talheres com uns meros 200 anos de idade e com uns pratos com uma história deliciosa.
Enfim, o mundo do vinho também tem destas coisas. Uma visita magnifica que não mais esquecerei. O meu profundo agradecimento aos que nos receberam, com especial relevo para uma fantástica Senhora. Bem hajam


Quanto aos vinhos, apenas posso dizer que fiquei com uma ideia diferente dos vinhos de Santar e da Dão Sul. A gama de vinhos pretende alcançar o maior numero de pessoas que bebem vinho e está bem estruturada. Existem, vinhos fantásticos e que me impressionaram bastante. Muito trabalho para fazer estes vinhos, mas penso que se podem orgulhar deles.

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