terça-feira, 3 de junho de 2008

Dia 2 (18 de Maio) - Parte 2 de 3

A vila de Santar era o nosso próximo destino, e a Casa de Santar, o produtor que estaria no centro das nossas atenções. Esta era uma visita que antecipava há muito, pela sua história vínica, que me foi de certo modo apresentada num copo onde já estava vertido um Santar 1965, aquando das provas temáticas do Encontro com Vinhos e Sabores, do ano passado.
Apesar de toda a expectativa, não estava perto de imaginar o que nas próximas horas iria passar diante dos meus olhos. E não me estou apenas a referir a vinhos.
Chegados ao local fomos recebidos pela equipa da Casa de Santar/Dão Sul, o Engº Carlos Lucas e o Sr Engº Pedro Vasconcellos e Souza (enólogo da Casa de Santar). Ao entramos não consigo esquecer o que disse o Engº Carlos Lucas. A Casa de Santar é o único Chateau Português. Estava dado o mote para uma visita fantástica.

As imagens do Chateau Casa de Santar:


O Brasão da Casa de Santar



Um mini Museu dos Coches e do Traje, pertencente à família



Uma cozinha que tem uma fonte sobre a qual se diz que quem beber daquela fonte, em um ano estará casado(a). Um fogão secular, que ainda funciona e no qual foram cozinhadas as iguarias que tivemos para almoço.





A lindíssima capela da família, os jardins da Casa de Santar e a história vínica de Santar.

Após este pequeno passeio fomos recebidos dentro de casa pela Dona Maria Teresa Lancastre de Melo, 3ª Condessa de Santar. Entrámos a seu convite na sua magnifica casa. Não tirei fotografias do interior da casa, como é óbvio, pois nem sequer me atreveria a tal. É difícil explicar por palavras o que ia sentindo ao passar por tantos e tantos pormenores da nossa grandiosa historia. Uma casa lindíssima.
Mas se por um lado a Casa de Santar por si só já era para mim algo fascinante, foi na Condessa de Santar que vi um ser humano como poucos tenho visto em toda a minha vida. No meio de um palácio sóbrio e histórico, tudo ganhava vida com a sua contagiante simpatia, com a sua desconcertante alegria e sentido de humor. Mostrou-nos todos, ou quase todos, os cantos da casa, alertando-nos sempre para as histórias que cada parede, cada inscrição ou cada passagem secreta continham. Foram 30 minutos em que sorvi cada pedaço de informação.

Bom, mas o trabalho eram os vinhos pelo que após a visita, estávamos então prontos a provar os vinhos da Casa de Santar e restantes quintas da Dão Sul.


Brancos

Casa de Santar 2007
Muito aromático, excelente acidez e frescura.

Quinta de Cabriz Encruzado 2006
Um Encruzado com aromas anisados, fruta tropical, mineralidade e frescura. Boca com excelente acidez.

Quinta de Cabriz Encruzado 2007
Pareceu-me na altura ainda algo fechado. Muito mineral, e com uma acidez enervante. Face ao seu preço normal, é um achado.

Casa de Santar Reserva 2007
Aromas de fruto branca, baunilha e algum vegetal. Boca assertiva de boa estrutura e acidez.

Condessa de Santar 2006
Muito elegante no aroma. Intenso, com notas de citrinos, sugestões anisadas e também vegetais. Boca também elegante, requintada e em perfeita harmonia. Adorei este vinho. Faz-me esperar pelo 2007

Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2006
Aroma ainda algo marcado pela madeira onde estagiou. Ainda que não prejudique demasiado, parece pedir tempo. Boca cheia e glicerinada.

Quinta do Encontro Encontro 1 2006 (Bairrada)
Feito de Bical e Arinto. Apresenta alguns aromas de oxidação habituais neste tipo de vinhos. Muitas notas de barrica presentes no aroma mas curiosamente não tornam o vinho pesado. Boca cheia e intensa. Outro que gostei, bastante mas o preço....


Tintos

Casa de Santar 2005
Aroma de frutado e de boa intensidade. Boca redonda com taninos macios

Quinta de Cabriz Touriga Nacional 2004
Aroma intenso com sugestões florais incessantes que se unem a notas de fruto maduro e algumas especiarias. Boca ainda com jovialidade nos taninos. Boa acidez e persistência final.

Quinta de Cabriz Pedro & Inês 2003
Fantástico no aroma. Notas especiadas, de chocolate e tostadas. Boca com elegãncia mas com taninos e acidez ainda jovens. Belo vinho

Quinta de Cabriz Four C (CCCC) 2003
As notas de barrica ainda estão bem presentes, com notas de caramelo, de chocolate de leite. O fruto parece estar ainda algo escondido. Tudo ainda por se criar neste vinho. Muito jovem na boca e com um potencial enorme.

Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2004
Intenso mas ao mesmo tempo um vinho sóbrio. Notas de barrica e de fruto bem integradas. Boca fantástica com harmonia e potência. Belo vinho

Pião 2003
Mistura das castas Nebbiolo de Piedmonte e Touriga Nacional do Dão. Muita intensidade no aroma e na boca. Melhora muito mas muito com o arejamento. Belo vinho

Dourat 2003
Mistura de uvas Garnatxa Roja vindas de Priorato e Touriga Nacional do Douro.
Aroma muito intenso com invocação obvia aos vinhos do Rhône. Bom volume de boca e final intenso. Senti ligeira oxidação nestre vinho.

Quinta das Tecedeiras Reserva 2005 (Douro)
Aroma complexo e muito rico. Muito jovem na boca mas muito equilibrado também. Promete

Quinta do Encontro Encontro 1 2003 (Bairrada)
Muita intensidade no aroma. Chocolate, floral, fruto maduro, torrefacção e alguma sugestão animal. Boca com notas de couro, com enorme robustez e final intenso.

Quinta do Encontro Grande Encontro 2005 (Bairrada)
Algo fechado no aroma. Boca macia e redonda mas mostrando taninos nobres. Boa acidez e estrutura.

Herdade Monte da Cal Vinha do Saturno 2004 (Alentejo)
Muitíssimo intenso no nariz. Aromas de fruto decadente aliam-se a notas de barrica muito bem integradas. Boca de boa estrutura e com excelente sabor. Saboroso este belo vinho


Centro de Estudos de Nelas Touriga Nacional 1963
Bem, nem sei o que escrever, uma vez que também fiquei sem palavras. Uma surpresa, que sei que foi dificil de conseguir, mas um vinho enorme. Não tem explicação o facto de um vinho com 45 anos de vida estar ainda tão fresco, frutado, com uma boca incrivel e cheia de sabor. Um vinhão absolutamente fenomenal

Centro de Estudos de Nelas 1987
Outro fantástico vinho. Muito fresco. Aromas confitados, mentolados e balsâmicos. Boca serena mas mais uma vez com uma frescura de fazer inveja a muitos jovens vinhos.

Santar 1955
Apesar do seu aroma algo Tawny, mostrou um vinho que ainda assim conseguia melhorar e mostrar que manem atributos ao fim dos seus 53 anos de vida. Antologia.

Quinta das Tecedeiras Vintage 2004
Aroma de muita densidade e extracção a fazer-me lembrar o perfil Vesúvio. Notas de uva passa, ameixas, laranjas, baunilha e floral. Boca com elegância a denotar um vintage com margem de progressão mas que dá desde já excelente prova.



Após uma prova deste calibre pegamos em alguns destes vinhos e fomos para um almoço a convite da Sra Condessa. Um almoço todo ele dedicado à gastronomia local mas que nos soube tão bem e tão reparador. Escusado será de dizer que os vinhos que levamos foram os mais antigos e ainda alguns actuais. pareceu-me terem todos melhorado com a decantação e o arejamento no copo.
Uma refeição abrilhantada com uns talheres com uns meros 200 anos de idade e com uns pratos com uma história deliciosa.
Enfim, o mundo do vinho também tem destas coisas. Uma visita magnifica que não mais esquecerei. O meu profundo agradecimento aos que nos receberam, com especial relevo para uma fantástica Senhora. Bem hajam


Quanto aos vinhos, apenas posso dizer que fiquei com uma ideia diferente dos vinhos de Santar e da Dão Sul. A gama de vinhos pretende alcançar o maior numero de pessoas que bebem vinho e está bem estruturada. Existem, vinhos fantásticos e que me impressionaram bastante. Muito trabalho para fazer estes vinhos, mas penso que se podem orgulhar deles.

1 comentários:

Nuno de Oliveira Garcia quarta-feira, junho 04, 2008 10:49:00 da manhã  

A última vez que provei o Dourat também o achei oxidado. Não parece ser coincidência!

ab.

N.

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