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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Taylor's, Fonseca & Croft Vintage - Trilogia Fladgate


Foram muitas as dissertações que decorreram, simplesmente do facto da Fladgate ter declarado os seus "Vintage Clássico", quando o que se esperava seria um ano de Single Quinta. A verdade é que esta suposição estava confirmada pela tradição de três "Vintages Clássico" por década e nesta já terem sido declarados 2000, 2003 e 2007. Alguns autores chegaram mesmo a criticar esta decisão, no entanto, o que terá levado a Fladgate a colocar no mercado estes 3 vintages? Bem, segundo me pareceu, e tendo em conta o prestigio imaculado desta casa, terá mesmo sido a qualidade do "líquido" que encerra cada uma destas garrafas.

A colheita de 2009, quente, correu de feição para o Vinho do Porto e neste caso para os Vintage. Lembro-me de na altura das vindimas vários produtores a exaltarem com a cor e concentração das massas que tinham na adega. Lembro-me também dos primeiros vintage 2009 que provei, num périplo já neste blog relatado, no qual constatei que algumas casas, em meu entender, conseguiram melhorar a qualidade dos seus Vintage, em relação aos que tinham declarado em 2007. Confesso que vi uma qualidade excepcional no que ia provando.

Croft Vintage Porto 2009
Muito concentrado na cor. No aroma o fruto é intenso, maduro, de figos e ameixa preta a que se juntam sugestões florais. Ligeiro desvio alcoólico.
Boa concentração na boca, com volume, algo quente. Final longo e saboroso. É o vinho mais cordato e mais disponível de todos. Um Vintage que poderá guardar, mas que não poderá ser esquecido na garrafeira.
Nota 17

Fonseca Vintage Porto 2009
Concentrado na cor, opaco. Compacto, uma bomba de fruto preto, negro. Ainda muito pouco dialogante. Algumas sugestões vegetais. Austero e químico.
Longo e poderoso na boca mas com taninos muito finos. Adorei. Este sim, o vinho com enorme futuro e para ser esquecido na garrafeira.
Nota 18,5


Taylor's Vintage Porto 2009
Cor de grande concentração. Também muito compacto no aroma, com muito ainda dizer, ainda por ser desvendado. Para já muitas notas de fruto preto, denso, e sugestões florais.
Na boca, mais doce que o Fonseca, um misto de vigor com suplesse, de potência com elegância. Taninos sedosos e final muito, mas muito longo.
Nota 18,5

Difícil escolher entre os dois últimos da prova. É certo que são estilos bem diferentes, mas não deixam de ser dois belos exemplos de Porto Vintage. O tempo encarrega-se das razões mas para já confesso que me agradou esta decisão. Parabéns.

sábado, 23 de abril de 2011

Taylor, Fonseca e Croft Declaram Vintage 2009


As casas Taylor, Fonseca e Croft anunciaram intenção de declarar vintage clássico de 2009. A Taylor irá também engarrafar uma pequena quantidade de vintage Quinta de Vargellas Vinha Velha.

Relativamente à declaração, Adrian Bridge, director-geral da Fladgate, comenta: “Ao longo dos nossos mais de três séculos de produção de grandes vinhos do Porto, é muito raro sucederem-se quatro vintages excepcionais na mesma década.” E acrescenta: “À semelhança dos grandes vinhos do Porto vintage do início do século 20, os vintage de 2009 são vinhos de longa guarda.”
No Douro o ano de 2009 foi marcado pela baixa fertilidade das videiras e por uma época de maturação muito seca. Os rendimentos foram muito baixos e os mostos excepcionalmente densos e concentrados, com grande intensidade de cor e elevados teores de taninos e açúcar.
É num ano como este que a pisa tradicional revela as suas verdadeiras vantagens qualitativas, conferindo aos vinhos maior densidade mas assegurando uma extracção muito equilibrada”, refere Adrian Bridge.

Como é habitual, o lote do vintage Taylor’s tem por base os vinhos das quintas de Vargellas e Terra Feita. Desde 2000 que a quinta do Junco também contribui, em menor proporção, para os lotes de vintage Taylor, é também o caso do 2009.

O Fonseca 2009 é constituído por vinhos das quintas do Panascal e do Cruzeiro, entrando também no lote uma pequena quantidade de vinho da quinta de Santo António, convertida recentemente para a viticultura biológica.

O 2009 da Croft provém inteiramente da quinta da Roêda.
David Guimaraens, enólogo do grupo, comenta: “Há mais de vinte anos que não vemos uma intensidade de cor e um índice fenólico como este. Para mais, a qualidade da fruta é excepcional e os vinhos apresentam uma acidez excelente.
Seguindo a tradição das três casas, a declaração do novo vintage é anunciada no dia da São Jorge, dia 23 de Abril.

O vintage de 2009 tem a particularidade de ser o primeiro terminado em nove, a ser declarado por qualquer uma das três casas desde o século XIX.
Devido aos baixos rendimentos na vindima, as quantidades a engarrafar são significativamente inferiores às dos últimos três vintages declarados, sendo de prever que tenham de ser rigorosamente rateadas.

Os 2009 da Taylor, Fonseca e Croft estarão disponíveis no mercado a partir do Outono, altura em que também será lançada uma quantidade limitada do Quinta de Vargellas Vinha Velha 2009.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Crasto, Mouchão e Roda apresentam os seus vinhos




O dia estava perfeito, em Gaia, para mais uma prova de vinhos. Após alguns dias de chuva e frio intenso, parece que um dia com algum sol vinha mesmo a calhar. E assim foi, pois quando cheguei ao local da prova, o novíssimo e muito badalado, Hotel Yeatman, já o sol queria descobrir.



Antes de irmos aos vinhos, saliento o local onde foi conduzida a prova. Integrado no meio das centenárias caves, ergue-se este imponente hotel, que pese embora não fira a paisagem onde se encontra integrado, pareceu-me também não sair disfarçado. A verdade é que o hotel é grande e moderno no seu exterior. No interior a coisa muda de figura, e a influência inglesa faz-se de imediato notar. Muito bonito, aliás, tudo muito bonito. Apetece entrar e usufruir.
Os quartos como provavelmente saberão, são patrocinados por produtores de vinhos e ostentam os seus nomes. Dentro de cada um deles, entramos suavemente no mundo do seu "sponsor", com alusões ao produtor e seus vinhos.

Já depois de ter passado e bisbilhotado um pouco enquanto esperava, fui então levado para o local da prova. Bem, o impacto não se podia deixar de fazer sentir. A sala de provas é absolutamente genial. Virada para a fabulosa vista do Rio Douro e da Cidade Invicta, através de um vidro enorme que acompanha toda a frente da sala, esta terá sido uma das mais relaxantes salas que conheci. Uma vista deslumbrante.

A ocasião chegou-nos através da Distribuidora de Vinhos, detida pelo Grupo Fladgate, para a apresentação dos vinhos da Quinta do Crasto, Herdade do Mouchão e Bodegas Roda (Espanha). Ainda antes de se iniciar a prova, já nos havia sido informado, que também teria lugar uma prova comparativa de Portos Vintage, da Colheita de 2001, do Grupo Fladgate Partnership.


Tomás Roquette, Director de Enologia da Quinta do Crasto


Quinta do Crasto

Por inúmeras ocasiões tive oportunidade de escrever sobre este produtor, que hoje em dia dispensa qualquer tipo de apresentações. Qualquer pessoa, por mais distraída que esteja, conhece ou já ouviu falar desta Quinta, deste Produtor ou dos seus Vinhos. A Quinta do Crasto atingiu em Portugal, e no mundo, um estatuto que a muito poucos está destinado. Em Portugal está, no meu entender, num merecido lugar de topo, apenas acompanhada por um punhado de outros produtores. O segredo? Esse reduz-se às fantásticas vinhas que detêm e ao soberbo trabalho de Viticultura, Enologia e Gestão de toda a Equipa da Quinta do Crasto.



Crasto Branco 2010
Tudo muito fresco, muito equilibrado de aroma, com notas limonadas e vegetais. Se por um lado mantém o perfil aromático das anteriores edições, na boca, vem sendo afinado, ano após ano. Esta edição ganhou mais volume, mais untuosidade, mais tensão na acidez. Um excelente feito, numa vindima difícil. Este branco, perfila-se com um dos melhores, senão o melhor branco sem estágio em barrica. Muitíssimo bem.
Nota 16,5


Crasto 2009
Um aroma maduro e intenso, é panache deste vinho. No entanto não perde o seu equilíbrio nem mostra que sabe ter frescura no seu conjunto. Floral
Na boca tem textura, densidade e sobretudo sabor, num conjunto redondo, com alguns taninos a mostrarem que poderá ser guardado por uns bons pares de anos. No entanto, foi pensado para ser bebido desde já.
Nota 16

Quinta do Crasto Superior 2009
Algo fechado de início. Demorou a mostrar toda a sua profundidade. Decadente no fruto, consegue mostrar um veio de frescura sempre que alcançamos o copo. Muito bem
Boca de excelente concentração, numa toada de finura e firmeza de taninos. Final intenso e longo. Precisa de garrafa.
Nota 17

Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2008
Ganha complexidade cada vez que o provo. Mantém ainda as notas de barricas usuais neste vinho, auxiliadas por notas de grafite, café, Fruto Negro e Giz. Muito sedutor. Equilibrado.
Boca com volume, sumarenta, taninos finos ainda muito presentes. Final longo. Excelente vinho, que mostrará todo o seu esplendor daqui a uma mão cheia de anos.
Nota 17,5

Herdade do Mouchão

Será por ventura o mais interessante produtor do Alentejo. Na sua história, em certas alturas atribulada, contou sempre com vinhos enormes, de grande longevidade. Quem provou vinhos com o 1954, 1963, 1970, 1974 e outros, conseguirá certamente perceber o que pretendo dizer. Numa zona que tem vindo ao longo dos anos a dar mostras da enorme capacidade para a produção de grandes Tintos, os Mouchão serão porventura as suas estrelas mais cintilantes.


John Forsythe, a cara dos vinhos Mouchão


Dom Rafael Branco 2009
Aroma muito Novo Mundo, com com sugestões de Alperce, Relva Cortada, a fazer lembra um Sauvignon.
Boca assertiva, com sabor e alguma sensação de doçura. Ainda assim com alguma frescura e uma boa acidez.
Nota 15,5

Dom Rafael 2009
Aroma de fruto maduro, notas de licor. Intenso mas algo quente.
Boca com sabor e equilíbrio. Final de boa persistência.
Nota 15,5

Ponte da Canas 2008
Aroma com profundidade, sugestões de barrica, bacon, fumo, e fruto negro. Intenso
Rebelde na boca, largo e denso. Final cheio de vida, firme e com taninos ainda muito jovens. Precisa de tempo.
Nota 17

Mouchão 2006
Aí está o estilo Mouchão, já a mostrar alguma borracha queimada, fruto denso e mato seco. Tudo num estilo concentrado e cheio de vigor.
Grande concentração na boca, vigoroso. Taninos finos mas muito empertigados a mostrarem que precisam de garrafa para acalmar. Um conjunto de belo efeito, que por certo melhorará daqui a uns anos.
Nota 17,5


Bodegas Roda (Espanha)

Apesar de relativamente recente, este tem sido um projecto que começou por dar nas vistas mal se instalou na Rioja. A razão poderá parecer simples mas baseia-se sobretudo na filosofia das vinhas velhas e nas castas autóctones.



Corimbo 2008
Perfumado, com fruto silvestre.
Boa frescura de conjunto mas com taninos demasiado evidentes, que prejudicam de certo modo o equilíbrio deste vinho. Uma pena.
Nota 15


Roda 2006
Aroma com alguma complexidade, que oscila entre o fruto maduro, as sugestões de tabaco, ligeiro couro e baunilha.
Melhor na boca, com alguma elegância num conjunto que termina longo e com taninos bem secos.
Nota 16,5

Roda I Reserva 2004
Excelente no aroma. Sem vestígios de evolução, este vinho ainda se mantém primário. Por esta altura a barrica já integrou, ficando penas alguns vestígios da mesma, que dão carácter ao vinho. Equilibrado e com frescura.
Boca assertiva. Fino mas com volume e potência. Taninos muito finos e final bem longo.
Nota 17,5

Cirsion 2007
Aroma muito rico, opulência e profundidade em pessoa. Complexo, cheio de camadas de aromas, que se entregam num vai e vem. Sugestões de ameixas, amoras, menta, eucalipto e notas licoradas.
Boca de excelente envergadura e profundidade. Tudo ainda muito compacto, muito preso. Muito tenso, num final cheio de taninos que seguram-nos ao vinho. Impressiona desde já mas é um exercício inglório perante esta capacidade de evolução em garrafa.
Nota 18,5


Portos Vintage 2001

Para o final estava guardada uma prova de enorme carácter didáctico, ainda para mais quando esta seria conduzida pelo David Guimaraens, que é a pedra Basilar de todos os Vinho do Porto do Grupo.
O ideia foi colocar frente a frente três Vintage da Colheita de 2001, um ano Single Quinta, e tentar perceber as suas diferenças, no conjunto em prova.





Fonseca Quinta do Panascal Vintage 2001
Num momento fantástico de consumo. É o vinho que mais se mostra neste momento, pela jovialidade da fruta, com muitas notas de framboesa, melancia.
A boca apresenta-se com doçura e volume. Tudo num registo de equilíbrio. Esta perfeito para ser consumido desde já, mas irá manter-se assim por mais anos.
Nota 16,5

Taylor's Quinta de Vargellas Vintage 2001
Muito mais austero e reserva do que o anterior. Mostra-se ainda algo tímido.
Na prova de boca, mostrou-se muito bem com muitos taninos envoltos no corpo do vinho. Final muito longo.
Nota 17,5

Fonseca Guimaraens Vintage 2001
Um pequeno jovem que ainda não deixou o seu lado químico.
Boca ainda com o espírito por integrar. Taninos muito presentes ainda. Um Vintage cheio de vida e com muita vida pela frente.
Nota 18


Nota final para o almoço que nos foi servido no restaurante do Hotel Yeatman, que pura e simplesmente deslumbrou. Mas disso falarei mais tarde.
Nesse almoço acabámos por abrir alguns vinhos especiais, nomeadamente a primeira garrafa Double Magnum de Maria Teresa 2005 que foi aberta em Portugal, que estava tão jovem que me deu pena de ter sido aberta. Um Mouchão Tonel 3-4 2005 que já me tinha deliciado no Jantar da revista de Vinhos. Estava em grande. E ainda um dos meus Vintage preferidos, o Fonseca 1985, que apesar de estar muito bom, não se mostrou ao nível do que já tenho bebido em outras ocasiões.

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