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domingo, 13 de maio de 2012

Duelos

Tenho imenso prazer nestes "duelos" vínicos, entre vinhos que tanto diferem na sua condição, e sobretudo no seu perfil. Estas diferenças automaticamente sugerem um debate aceso sobre a qualidade dos vinhos, sobre o seu perfil e sobre os gostos particulares de cada individualidade.
O certo é que um almoço sem grande preparação, se tornou num fantástico debate entre amigos. Até dá gosto assim.

Obviamente que para isto contribuíram, e muito, a qualidade geral dos vinhos, a fabulosa comida e a boa disposição, apesar de uma noite em cheio no dia anterior com um jantar vínico na Tasca do Joel. Assim ontem acabámos por rumar novamente para este "nosso" santuário, onde invariavelmente somos tratados como Reis.

Começámos com as entradas. Búzios gratinados, lulinhas e o habitual presunto, que harmonizámos com o único Borgonha do almoço, um sempre impecável Etienne Sauzet Puligny-Montrachet 2008. "Enrolaram-se" na Perfeição entre si.

Nas carnes, a escolha foi um excelente misto de carnes, que continha a novíssima carne maturada da tasca, Barrosã, Porco Preto, etc. Simplesmente divinal e no ponto. Acompanharam os vinhos tintos na Perfeição.


Quanto aos vinhos:


Etienne Sauzet Puligny Montrachet 2008
Muito fino, demorou algum tempo até começar a abrir. De repente, um Puligny generoso, puro e mineral.
Na boca contava com maior acidez, com mais nervo, mas adorei a sua largura, elegância e viscosidade.


Luciano Sandrone Barolo "Le Vigne" 1999
Fantástico na pureza. Um Barolo puro e duro. Estilo tradicional, rústico, de cor aberta e com sugestões de terra, alcatrão e especiarias.
Fino mas de taninos empertigados. Adorei


Penfolds Grange 1999
Colossal, muito jovem. Muito denso, profundo e mesmo austero ainda. Tudo muito primário, com fruto muito preto, tosta e especiarias. Impressiona em todos os aspectos. Másculo, generoso, envolvente. Grande vinho, grande Syrah. A guardar.


Château Léoville las Cases 1989
Que garrafa tão perfeita. Muito jovem na côr e nos aromas ainda bem marcantes de frutos maduros, de pimento e mineralidade. Muita profundidade. Denso
Intenso, saboroso, muito fino mas marcadamente largo. Final muito longo. Perfeito


Château Lafite Rothschild 1991
De um ano bem menor em Bordéus. Aparentava ter bem mais idade que os 21 anos de vida. Cor já muito marcada pelo tempo, ou por uma guarda pouco exemplar. Ainda subiu muito no copo, mas comparando com os vinhos anteriores, apenas deu prazer.


M. Chapoutier Hermitage Vin de Paille 1994
Aromáticamente muito complexo, com muitas notas de tangerina, de mel, canela.
Grande controlo no açúcar. Viscoso mas ao mesmo tempo elegante. Muito longo. Excelente


Olaszliszkai Borászati Emerencia Selection Tokaji Aszúeszencia 1995
Grande concentração, complexidade e frescura neste vinho. Muito doce, sem ser de maneira nenhuma enjoativo. Notas de mel, caramelo, nougat e especiarias.
Grande concentração na boca, viscoso, bom equilíbrio entre o açúcar e a acidez, apesar das cerca de 200g de açúcar residual. Fantástico

Dr Loosen Erdener Pralat Riesling Auslese 1976
Muito fino, complexo e fresco. Perdeu muito da sua doçura e é agora um espelho do equilíbrio e da longevidade destes rieslings. Fantástico como sempre.


Artur Barros e Sousa Terrantez 1980
Um dos meus produtores preferidos. Côr muito clara mas enorme complexidade do nariz. Este Terrantez é muito elegante, o que alguns até considerariam de magro. Acidez marcante e final muito longo. Adoro










sábado, 14 de abril de 2012

Entre os Grandes, emergiu um dos nossos

Provavelmente já se aperceberam que apesar de gostar bastante dos nossos vinhos, que em vários casos ombreiam com o que de melhor se faz além fronteiras, tenho uma predilecção também por vinhos que não são feitos em Portugal. Um das minhas regiões de eleição é a Borgonha, que me fascina pela sua complexidade, que me fascina sobretudo pelo estilo de vinhos.
Na verdade tenho sido abençoado com a possibilidade rara de poder beber alguns dos grandes vinhos desta região, aliás, para ser sincero tenho sido sobejamente afortunado por beber os grandes vinhos de várias regiões, alguns dos quais suspeito que nunca repetirei a façanha.

Há umas semanas tive novamente o prazer de deambular durante uma semana pela Borgonha, onde tive a honra de ser convidado para jantar, por uma família de amigos, que sempre tão bem me recebem em sua casa. A condição é apenas uma! Beber vinhos da Borgonha. Já estão provavelmente a ver a minha cara de sacrifício. Este ano preparei uma surpresa, e acabei por trazer um vinho Português, que acabou por ser o vinho que mais suscitou o espanto dos presentes, onde se incluíam os anfitriões, um produtor de Chassagne-Montrachet, o Jean Marc Pillot e Directores da Maison Delas, no Rhône.

Este vinho que levei, era um Vinho da Madeira, um Boal, 18?? (presumidamente 1895), da Companhia Vinícola da Madeira. Pois entre alguns titãs da borgonha, o nosso Madeira acabou por ser o vinho que maior distinção teve, ao ser considerado pelos presentes como o grande vinho. Enche-me o peito de orgulho quando isto acontece com um vinho que é nosso, e deixa-me um calor especial, por ser um Vinho da Madeira. Em vinhos fortificados, podemos gritar bem alto. Somos os melhores do Mundo.




Os vinhos:


Domaine Ramonet Chassagne-Montrachet 1er Cru Morgeot 2009
Apesar do ano não ser de grande frescura e acidez, este Ramonet mostrou-se de enorme mineralidade e frescura. Na boca muito fino, mas incisivo. Pureza e elegância. Adorei

Domaine Coche-Dury Meursault 2004
Sempre que me coloco em frente dos vinhos deste produtor, fico sempre sem palavras. Coche-Dury é muito especial, encerra em si um estilo muito próprio, inimitável. Seja em que ano for, quente ou fresco, os seus vinhos mostram enorme rigor na frescura, na acidez abundante. Complexo e preciso é um hino à arte de fazer grandes vinhos. Pouco mais a dizer.

Joseph Drouhin Beaune Clos des Mouches Blanc 2001
Excepcionalmente muito jovem na cor. Muito fino, apesar do seu perfil gordo e volumoso. Mostra algumas notas de evolução positiva. Estará provavelmente ao seu melhor, mas ainda permanecerá nesta condição por muitos mais anos. Um surpresa de elevado nível.

Jean Noel Gagnard Chassagne-Montrachet 1er Cru Les Caillerets 2003
Evoluiu precocemente, o que tendo em conta a colheita seria de esperar. Ainda bebe-se com prazer, sendo no entanto o vinho menos interessante do jantar. 

Domaine des Comtes Lafon 1er Cru Volnay-Champans 2007
A precisar de tempo. Bem austero, um pouco diferente do que seria de esperar de vinhos desta colheita, que são mais abertos. Mostrou muito pouco, ainda muito fechado. Pareceu-me precisar de tempo.

Domaine des Lambrays Clos de Lambrays Grand Cru 2007
A perfeição num jovem borgonha. Muito perfumado, terrivelmente sedutor. Fino, muito fino, mas sempre com um estilo sumarento, de concentração. Adorei. Que momento fantástico

Domaine de la Romanée-Conti Richebourg Grand Cru  2002
Um colosso de vinho. Muito perfumado, cheio de sugestões de flores e especiarias. Ainda muito primário no aroma.
Muito fino, textura de cetim mas potente, num estilo musculado. Taninos ainda algo presentes. Um infanticídio, mas que me aconchegou o coração. São efectivamente vinhos muito especiais.

Domaine Tollot-Beaut Corton Bressandes Grand Cru 2003
Especialmente depois do anterior vinho, este surgiu algo "fora do baralho". Muito concentrado, muito maduro. A fruta é muito densa, sem ser compotada. Todo ele é redondo, carnudo e opulento. É muito saboroso efectivamente, mas o estilo é pouco transparente e puro.
Terá alguns adeptos, com toda a certeza, mas não é certamente o meu estilo.


Companhia de Vinhos da Madeira Boal 1895
A apoteose para todos os presentes, e um peito inchado para mim. A generosidade de um Vinho da Madeira, que mostra que apesar de tantos anos passados, ainda se ergue com raça e firmeza, que mostra uma complexidade indecifrável. O perfeito resultado da simbiose entre o que a natureza dá e o que o homem constrói.



terça-feira, 10 de abril de 2012

Foi Você que pediu uma experiência inesquecivel?


Como já o afirmei, por diversas vezes, o Vinho, o Mundo do Vinho, tem coisas fabulosas. Tem uma capacidade de desembaraço social enorme. Junta pessoas que se conhecem, que não se conhecem, tudo na mesma mesa e coloca-os a falar, alegremente, como se de velhos amigos se tratassem. Esta capacidade será porventura apenas verificada no desporto e pouco mais. Por vezes, no meu estádio de futebol, do Sporting de Clube de Portugal, dou por mim a conversar animadamente com pessoas que nunca conheci, pessoas com quem nunca me cruzei. Obviamente que esta conversa tanto melhor é, consoante o resultado nos favoreça. Futebol à parte, no vinho, quer ele seja bom, quer seja mau, ou menos bom, dá sempre tema de conversa. Ora, agora imaginem um jantar, onde todos os vinhos têm algo a acrescentar à nossa vida, imaginem um jantar onde passamos por alguns vinhos que muito certamente nunca mais os beberemos. Uma grande honra. Agora, juntemos a isto amigos, bons amigos, que comungam connosco esta paixão, esta "loucura". Que se prostram silenciosos quando chega cada um dos vinhos, que se emocionam, e que sobretudo partilham entre si estes mágicos momentos, aqui e ali bafejados com risos e gargalhadas de lembranças de outros tempos, de outras passagens com outros vinhos e outras epopeias vínicas. Temos a perfeita receita para um jantar inesquecível, e sobretudo uma experiência enriquecedora.

Ora, foi neste fim de semana passado, um pouco maior por sinal, de Páscoa. Que voltei a ter o privilégio de um grande jantar, um enorme jantar onde os vinhos foram o mote, reis e senhores da noite. Uma singela homenagem a todos eles, que cumpriram o propósito da sua criação, dando um enorme prazer a nós meros mortais e sobretudo privilegiados, por termos cruzado caminho com estes.
 

1995 Pol Roger Cuvée Sir Winston Churchill
Brilhante e ainda jovem. Cremoso e fino. Adorei

1952 Lafite Rothschild
Ano mau para bordéus. A lembrar o 56 bebido no ano novo. Bebe-se com prazer, mas é magro e sem grande complexidade. Vale como curiosidade.

1931 Niepoort Porto
Nunca comercializado nem declarado. Novamente às cegas embirrei com a década de 60, engana-me sempre este vinho, de tão jovem que parece.

1979 Pernod-Fourrier Gevrey Chambertin Clos St Jacques
Hoje em dia chama-se Domaine Fourrier, um dos mais procurados na Borgonha. Provavelmente pouca gente deve saber disto e comprei por uma bagatela.
F-A-B-U-L-O-S-O, incrivelmente fino, mas ao mesmo tempo com volume e textura. Verdadeiro na expressão do terroir de Gevrey.

1964 R. López de Heredia Rioja Gran Reserva Viña Tondonia
Vem depois de um vinho memorável e perdeu um pouco isso. Discutiu-se muito as preferências. Eu preferi o anterior. Obviamente que discutir a este nível Muito jovem na cor, fino, mas ao mesmo tempo potente. Estilo velho Rioja em definido. Adorei

1962 Domaine Armand Rousseau Père et Fils Chambertin
Pois, de uma garrafa com nível baixo, saiu um Borgonha de Antologia, com a vida, com a plenitude, que muitos poucos vinhos poderão ter aos 50 anos. Incrivelmente complexo, doce, generoso e por incrível que pareça, uma garrafa muito bem guardada, terá de certeza muitos anos pela frente. Inesquecível

1993 Bonneau du Martray Corton-Charlemagne
Ahh, nada de premox aqui. Excelente, e muito jovem na cor. Muito fino no nariz, viscoso na boca, com volume e largura. "Fantástique"

1997 Bruno Giacosa Barolo
Ficou mesmo nas covas no confronto geral. Aroma inicialmente pouco definido. Deveria ter tido mais tempo. Se fosse bebido sozinho, seria excelente, mas no meio disto tudo....é a vida.

1985 Château Ausone
Outro vinho fantástico. Tão jovem, tão equilibrado. Tem tudo o que um grande vinho deve ter, a fruta, a concentração, a patine, a acidez, os taninos, e em equilíbrio perfeito. Maravilha.

1993 Domaine de la Romanée-Conti Richebourg
Muito jovem ainda. Incrivelmente perfumado, denso e profundo. Um mimo. Um Richebourg cheio de nervo. Ainda com taninos jovens. Precisa de tempo.

1927 JMF Moscatel de Setúbal Superior
Outro vinho de antologia. A complexidade, o vinagrinho, a doçura e depois de isto tudo o equilíbrio. Longo, longo, longo. Que maravilha de vinhos. Grande Moscatel.

2003 Quinta da Pellada
Muito bem e ainda a precisar de garrafa. Nota-se o ano quente, notamos a concentração, mas este vinho está cheio de vida, perfumado e sobretudo cheio de sabor. A Guardar ainda

2004 Quinta do Vale Meão
Uns furitos acima do anterior, mas também ainda muito jovem para ser aberto. Muito fino no nariz, austero na boca. Precisa de tempo, pois tem margem para melhorar e muito. Adorei

sexta-feira, 18 de março de 2011

Da Garrafeira

A ocasião, solene ou nem por isso, era a passagem e a celebração de mais um ano de vida, coisa muito importante e de assinalar dos dias que correm. Junta-se um pequeno grupo de amigos e toca a abrir uma garrafas valentes pela noite dentro. O que gosto nestas ocasiões é quando se abrem vinhos particularmente especiais numa mesa onde todos comungam da mesma paixão, o Vinho. Enquanto se janta falam-se sobre os vinhos que estamos a beber. Nesta casa, por hábito, aparece sempre tudo às cegas, o que se propicia a erros grosseiros mas também a momentos de pura diversão. A prova cega é mesmo assim, como uma espada de dois gumes, de um lado a suposta verdade do que achamos da qualidade do que bebemos, e no outro a possibilidade de não compreender um vinho por não estarmos na posse de todos os dados para que este ou aquele produtor de filosofia diferente possa ser identificado. Ainda assim, é sempre um excelente exemplo de conduzir uma prova, aliás um jantar, por menos formal que seja.



Deste jantar destaco como é óbvio a qualidade dos vinhos que foram chegando à mesa, praticamente todos estrangeiros e de nomes sobejamente reconhecidos. Mas no meio de todos estes vinhos não posso que houve um Vinho Português, da Bairrada, que se bateu de igual para igual com todos eles, e no meu entender, melhor que alguns deles.
Os vinhos foram todos bebidos às cegas e alguns vieram em parelha, numa espécie de duelo.


Etienne Sauzet Bienvenues-Bâtard-Montrachet Grand Cru 1997
A Maison Sauzet está sediada em Puligny-Montrachet, que é a village-estandarte, na produção de vinhos brancos da Borgônha, talvez para muitos, a par com a Village de Mersault. Nesta Appelation podemos encontrar as célebres vinhas Grand Cru de brancos, como a Le Montrachet, Chevalier-Montrachet, Bâtard-Montrachet e a Bienvenues, de onde provém este vinho. A única casta utilizada na produção destes brancos é a Chardonnay.
A cor já entra em uma espécie doirado, sem ser ainda carregado. Aroma com alguma oxidação, a lembrar algumas notas de mel. Muitas notas minerais e sugestões etéreas. Muito fino de aroma.
Na boca, um registo muito cordial, com o vinho a mostrar-se redondo, elegante, com uma textura fantástica e um final médio/longo. Estava à espera de mais nervo.
Nota 17


Vega Sicilia Único 1964
Completamente estoirado. Impróprio para consumo.
S/N



Duelo 1 - Bruno Giacosa Barbaresco Santo Stefano di Nieve 1998 vs Chateau Rayas Resérve Chateauneuf du Pape 1998


Bruno Giacosa Barbaresco Santo Stefano di Nieve 1998
Giacosa é um dos nomes mais sonantes da região Italiana do Piedmonte, de onde saem os Barolo e Barbaresco e também um "Old School" da região. A casta utilizada é a Nebbiolo.
Cor muito carregada, quase opaca, que sugere pouca evolução neste vinho. O oposto do Rayas, em termos de cor mas novamente um vinho com enorme carácter. A concentração na côr não é correspondida nos aromas, que se ficam por aromas de frutos silvestres, flores, ligeiro couro e tabaco.
A boca é massiva na concentração de taninos e acidez. muito jovem mas cheio de nervo. Final muito longo. Belo vinho.
Nota 18


Chateau Rayas Resérve Chateauneuf du Pape 1998
É o nome mítico de Chateauneuf du pape, o vinho que todos querem alcançar. A "sede" pelos vinhos deste produtor foi tanta, que hoje em dia custam um pequeno balúrdio. Quanto ao estilo, este produtor é simplesmente o mais tradicionalista de todos da região, e para além de tradicionalista eu quase diria que obscuro.
O vinho acabou, no meu entender de ganhar o duelo, pelo carácter do vinho. A cor tem muito pouca concentração, a lembrar um borgonha. Apesar da cor, este vinho é tudo menos frágil. Aroma muito rico, perfumado, com notas de morangos, framboesas, tudo muito fresco, tudo muito equilibrado e sobretudo com uma limpidez deslumbrante.
Na boca, o vinho é fino mas com enorme concentração de sabor, quase uma sensação carnal que não consigo explicar, alguns notas fumadas e vegetais. Final muito longo com taninos de veludo. Adorei este vinho pelo seu carácter, pela sua diferença.
Nota 18,5


Gonçalves Faria Tonel Especial 3 Reserva 1991
Feito de Baga, no coração da Bairrada, este é um dos produtores que infelizmente saiu de cena precocemente, deixando-nos um legado vivo através do seus vinhos. Infelizmente, poucos poderão ter acesso a estes vinhos, pelo que alguma vez passarem por eles não hesitem em batalhar por eles.
Ora, este vinho deixou-me emocionado pela simples razão de se ter batido de igual com todos estes nomes mundiais. Ninguém conseguiu sequer se aproximar da colheita. Ninguém baixou de 2001 nas suas previsões. O vinho tinha uma cor absolutamente impressionante para um vinho com 20 anos. Aroma a lembrar a Baga, com notas de eucalipto, notas mentoladas, vegetal seco, fruto ainda presente e maduro. Profundo, fresco e equilibrado.
Boca cheia de sabor, de vinosidade, final ainda cheio de taninos firmes e acidez. A prova que os vinhos portugueses podem envelhecer tanto quanto os restantes e que a Baga, e a Bairrada, pode e deve dar grandes vinhos. Entre este e o Garrafeira Tonel 5 1990, fiquei com sérias dúvidas de qual gostei mais.
Nota 18



Chateau Fonsalette Côtes du Rhône 1998
Grande concentração na côr. Aroma algo confuso, pouco limpo. Notas de fruto maduro, carne assada e vegetal.
Boca aguerrida, jovem, com boa acidez num final médio/longo. Esperava mais deste vinho.
Nota 16



Duelo 2 - Domaine Fourrier Gevrey Chambertin 1er Cru Clos St Jacques 1999 vs Domaine de la Romanée Conti La Tâche 1999

Domaine Fourrier Gevrey Chambertin 1er Cru Clos St Jacques 1999
Adoro este produtor. Sempre que proveis os seus vinhos, achei sempre que este é um perfil que mexe comigo. E mais uma vez, este vinho não se fez rogar, pela sua leveza, pelo aroma perfumado que nos prende, pela frescura que emana.
Tudo nele é fino, sem ser fraco, delgado, mas com potência. Tudo arrumado, tudo direitinho, tudo preciso. Adoro vinhos assim.
Nota 17,5



Domaine de la Romanée Conti La Tâche Grand Cru 1999
Penso que este produtor dispensará apresentação, ou não fosse o produtor mais conhecido e requisitado em todo o mundo.
Na cor nem parecia um borgonha, pela concentração que apresentava. No nariz disse logo tudo, mas este vinho é mesmo especial. Como mostrar um aroma tão fino, tão expressivo, mas ao mesmo tempo mostrar densidade, profundidade. Como mostra toda uma fineza num vinho de músculo, de potência desmedida. Tenho bebidos muito vinhos ao longo desta minha ainda curta viagem, mas é quando estamos perante um vinho destes que nos desarmamos e achamos que a natureza é tão preciosa. É obra fazer isto. Um gigante com luvas de cetim.
Nota 20



Croft Vintage 1955
Apesar do rótulo ser uma fotocopia, a rolha confirmava o vinho. Aroma complexo com muitas notas de frutos silvestres, cravinho, canela, notas licoradas e frutos secos. Equilibrado, com o espírito integrado e fresco.
Boca elegante, com doçura proeminente. No copo ia ganhando volume. Excelente acidez num final muito, mas muito, longo.
Nota 18,5

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Da Garrafeira

Por vezes é isto mesmo que apetece. Ir à garrafeira, humilde é certo, e trazer algumas coisas que estão religiosamente guardadas. Ao mesmo tempo aproveitar a garrafeira de um ou outro a migo, e em torno do vinho fazer um almoço simples mas de enorme satisfação. Foi o que aconteceu nesta Sábado, como de costume, na Tasca do Joel.



Sem grandes preparações, sem vaguear num mar de incertezas, até porque não há assim tanto por onde escolher, sobre que vinho levar. Assim que olhei para uma das garrafas de Gonçalves Faria Garrafeira Tonel Especial 5 1990, foi imediata a certeza de que era mesmo isto que me apetecia beber. Voltar a ver como está este vinho que sempre me trouxe boas novas, ano após ano. Ora esta garrafa esta simplesmente sublime, não sendo de esperar outra coisa, face à sua guarda exemplar.
Ainda cheio de vida, de concentração e de inicio quase opulento no vigor. Decantado, acabou a mostrar um nervo de quem ainda quer estar por aqui mais uns anos. Um Bairrada, um Baga, perfeito.

Ainda havia de levar outro vinho, quase como descarga de consciência, não fosse o vinho faltar. Foi um Campo al Mare Bolgheri 2005. Das 3 garrafas que tinha, sendo esta a ultima, todas apresentaram o mesmo estilo. Um vinho que apresenta sempre notas lácteas de inicio, deixando depois um pendor compotado, opulento. Não aprecio na totalidade este tipo de vinhos. São excessivos. Apesar deste meu desabafo em termos de gosto, creio que este vinho terá sempre adeptos. O vinho mantém-se muito jovem.

Para a mesa veio uma Magnum de um Joseph Drouhin Clos de Vougeot 2000. Este sim, estava fantástico. Fino, expressivo, elegante, delicado e fresco. Fantástico vinho, que apesar de nem parecer um Vougeot, pela falta de estrutura que geralmente apresentam, esteve à altura de 4 amigos que com a maior das facilidades a "despacharam", sem olhar para trás. Belo vinho.



Terminámos com dois hinos aos vinhos de sobremesa. Primeiro, um Weingut Eduard Haut-Herpen Graacher Domprobst Riesling Auslese 1976, que apesar de não conhecer o produtor, acabou por se cifrar num dos melhores Mosel que bebi na vida. Muito botrytis no aroma, associado a intensas notas petroladas. O aroma é inesquecível. Ainda com doçura apesar de um equilíbrio e frescura notáveis. Que grande vinho.

Para o final estava reservado um madeira muito especial. Um F.M.A Bual 1964. Um madeira de grande classe e qualidade. Grande complexidade de aromas num vinho onde a "sua boca" é portento. Acidez vincada mas que nos prende ao vinho. Doçura equilibrada com a acidez, funcionando num conjunto perfeito. Enorme final, longo e vibrante. Excelente

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Borgonha

Cruz na Vinha La Tâche


Após uma aventura, chuvosa e fria, de 5 dias pela Borgonha.....

A Borgonha é um dilema. Assim de repente não estou a ver nenhuma outra região vitivinícola com as características e a complexidade da Borgonha. A Borgonha é realmente paradoxal mas no meu entender, é daí que vem todo o seu charme.
Mas de onde vem toda essa complexidade? Bom, pelo que vi e no meu entender, de várias situações:
A primeira pode começar nas vinhas. Imagine-se uma imensidão de vinhas, separada por pequenos caminhos e estradas, cada uma com seu nome, cada uma a resultar em vinhos com perfis completamente distintos. Parece-me uma tarefa impossível saber os nomes de todas as vinhas e conhecer o perfil de vinhos que cada uma dá.
Depois, imagine-se que cada uma dessas vinhas é detida, com a óbvia excepção dos monopólios, por um punhado de "vignerons" onde cada qual tem uma filosofia própria. Por exemplo, o Clos de Vogeot, está fragmentado em 82 pequenas parcelas detidas pelo mesmo numero de produtores. Ou seja, podemos organizar uma prova de uma só vinha, neste caso do Clos Vogeot, e ter 82 vinhos no alinhamento. É obra....
Os produtores também não facilitam a coisa, uma vez que cada produtor, para poder ter um negócio rentável, tem de ter na sua posse várias vinhas, de Regional a Grand Cru, de várias proveniências. Ora se contarmos os largos milhares de produtores que existem na Borgonha, cada um a deter várias parcelas de vinha, isto dá uma enorme e complexa teia.
Finalmente há ainda a diferença entre colheitas que de certo modo condicionam também o estilo dos vinhos, pois temos anos de grande estrutura e opulência, para uma guarda longa, como o 2005, anos de vinhos absolutamente irresistíveis para serem bebidos em novos como o 2007 ou anos em que todos afirmam que são os anos para os verdadeiros amantes da Borgonha, como o 2008. E isto só para relembrar as três ultimas colheitas.

Como disse anteriormente, toda esta complexidade, todas estas possibilidades revestem a Borgonha de um carácter muito especial. Todas estas nuances, podem de certo modo afastar muitas pessoas na hora de escolher, na prateleira, um vinho da borgonha, no entanto, para os mais insistentes, a recompensa é enorme, quando em frente a um grande vinho Borgonhês.

Adega Domaine Anne Gros


As adegas/caves

Entrar nas adegas da Borgonha é entrar num mundo completamente à parte. Se viermos de Portugal então, é a plena antítese do que temos por cá. Quer seja no Douro, quer seja no Alentejo, Algarve, Tejo, etc, uma coisa que vamos ver são as edificações das nossas adegas, quase sempre rodeadas pelas vinhas da própria casa, adegas modernas, por gravidade, com grandes tecnologias, etc, etc. Ora, na Borgonha, a grande maioria dos produtores tem a sua adega e cave, exactamente por baixo das suas casas. Uma delícia. Lembro-me do grande Emmanuel Rouget, quando chegamos ao seu reduto, olhámos para uma vivenda familiar, normalíssima, com uma garagem e um armazém. Entrámos exactamente pelo que parecia ser a garagem, com muitas ferramentas e uma ligação à casa do produtor, e de repente, uma zona escura onde existiam duas câmaras por baixo da casa, e onde estavam todas as barricas ali expostas. Na Borgonha, é basicamente tudo assim. Quem olha de fora, não consegue imaginar o que se passa por baixo. Outro do charme da Borgonha.


Vinhas Montrachet, junto, lá no alto Chevalier-Montrachet

As vinhas
A estrutura complexa de vinhas que existe na borgonha pareceu-me de certo modo um pouco simplificada, pelo menos da maneira que se apresentam no terreno. De um modo geral, junto às vilas, encontramos as vinhas que dão origem aos "Regional" e "Villages", à medida que nos afastamos para junto do topo dos montes, aparecem os "Premier Cru", e lá bem em cima, num certo pedestal, as vinhas de "Grand Cru", como que se olhassem de sombreio para todas as outras vinhas. É realmente aqui que a exposição solar favorece em maior quantidade estas vinhas. Existem em alguns casos algumas vinhas Premier Cru, que estão lado a lado com vinhas de Grand Cru. Essas são as tais grande vinhas de Premier Cru, e que em determinadas condições podem, em alguns anos, dar vinhos que ombreiam com os vizinhos Grand Cru. E aqui lembro-me de mais um paradoxo da Borgonha, pois por exemplo, um Village de determinada apelação, pode muito bem ser superior, em qualidade, a um Premier de uma apelação menos conhecida. Ou seja, provei por exemplo, um village de Vosne-Romanée que no meu entender era superior a Premiers de Pommard. Mais uma acha para a fogueira da complexidade.

Resumindo, a Borgonha é mágica pelas vinhas, pelos seus nomes e localizações, pelos seus intervenientes, os produtores, uns com estilo mais aberto, outros extremamente difíceis de lidar, pelos seus vinhos que podem ser intensos, elegantes, austeros, minerais, vibrantes, etc, mas no final, toda esta charmosa complexidade é apelativa, desconcertante, mas apelativa. A questão é aprender, provar, e, sobretudo para quem tiver a oportunidade de a visitar, sair de lá com a certeza de que se aprendeu, mas que continuamos sem saber nada.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

De partida para a Borgonha


Pois é, já só faltam 2 dias para iniciar a minha peregrinação, de 6 dias, à Borgonha. Uma semana de sonho, numa região de sonho. Desde há um mês, altura em que comecei a preparar esta visita, que não penso noutra coisa. Têm sido horas infindáveis a imaginar cenários, a imaginar as paisagens, os vinhos, as pessoas, o tempo, etc, etc. Não tem sido fácil todo este tempo de ansiedade.
Espero voltar, isto se voltar :), com umas boas reportagens do que vi, do que provei, de quem conheci, mas, sobretudo voltar com um pouco da Borgonha, cujos vinhos me encantam sobremaneira.
Até breve.

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