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domingo, 13 de maio de 2012

Duelos

Tenho imenso prazer nestes "duelos" vínicos, entre vinhos que tanto diferem na sua condição, e sobretudo no seu perfil. Estas diferenças automaticamente sugerem um debate aceso sobre a qualidade dos vinhos, sobre o seu perfil e sobre os gostos particulares de cada individualidade.
O certo é que um almoço sem grande preparação, se tornou num fantástico debate entre amigos. Até dá gosto assim.

Obviamente que para isto contribuíram, e muito, a qualidade geral dos vinhos, a fabulosa comida e a boa disposição, apesar de uma noite em cheio no dia anterior com um jantar vínico na Tasca do Joel. Assim ontem acabámos por rumar novamente para este "nosso" santuário, onde invariavelmente somos tratados como Reis.

Começámos com as entradas. Búzios gratinados, lulinhas e o habitual presunto, que harmonizámos com o único Borgonha do almoço, um sempre impecável Etienne Sauzet Puligny-Montrachet 2008. "Enrolaram-se" na Perfeição entre si.

Nas carnes, a escolha foi um excelente misto de carnes, que continha a novíssima carne maturada da tasca, Barrosã, Porco Preto, etc. Simplesmente divinal e no ponto. Acompanharam os vinhos tintos na Perfeição.


Quanto aos vinhos:


Etienne Sauzet Puligny Montrachet 2008
Muito fino, demorou algum tempo até começar a abrir. De repente, um Puligny generoso, puro e mineral.
Na boca contava com maior acidez, com mais nervo, mas adorei a sua largura, elegância e viscosidade.


Luciano Sandrone Barolo "Le Vigne" 1999
Fantástico na pureza. Um Barolo puro e duro. Estilo tradicional, rústico, de cor aberta e com sugestões de terra, alcatrão e especiarias.
Fino mas de taninos empertigados. Adorei


Penfolds Grange 1999
Colossal, muito jovem. Muito denso, profundo e mesmo austero ainda. Tudo muito primário, com fruto muito preto, tosta e especiarias. Impressiona em todos os aspectos. Másculo, generoso, envolvente. Grande vinho, grande Syrah. A guardar.


Château Léoville las Cases 1989
Que garrafa tão perfeita. Muito jovem na côr e nos aromas ainda bem marcantes de frutos maduros, de pimento e mineralidade. Muita profundidade. Denso
Intenso, saboroso, muito fino mas marcadamente largo. Final muito longo. Perfeito


Château Lafite Rothschild 1991
De um ano bem menor em Bordéus. Aparentava ter bem mais idade que os 21 anos de vida. Cor já muito marcada pelo tempo, ou por uma guarda pouco exemplar. Ainda subiu muito no copo, mas comparando com os vinhos anteriores, apenas deu prazer.


M. Chapoutier Hermitage Vin de Paille 1994
Aromáticamente muito complexo, com muitas notas de tangerina, de mel, canela.
Grande controlo no açúcar. Viscoso mas ao mesmo tempo elegante. Muito longo. Excelente


Olaszliszkai Borászati Emerencia Selection Tokaji Aszúeszencia 1995
Grande concentração, complexidade e frescura neste vinho. Muito doce, sem ser de maneira nenhuma enjoativo. Notas de mel, caramelo, nougat e especiarias.
Grande concentração na boca, viscoso, bom equilíbrio entre o açúcar e a acidez, apesar das cerca de 200g de açúcar residual. Fantástico

Dr Loosen Erdener Pralat Riesling Auslese 1976
Muito fino, complexo e fresco. Perdeu muito da sua doçura e é agora um espelho do equilíbrio e da longevidade destes rieslings. Fantástico como sempre.


Artur Barros e Sousa Terrantez 1980
Um dos meus produtores preferidos. Côr muito clara mas enorme complexidade do nariz. Este Terrantez é muito elegante, o que alguns até considerariam de magro. Acidez marcante e final muito longo. Adoro










quarta-feira, 16 de março de 2011

Dr. Loosen Erdener Pralat Riesling Auslese 1976

Riesling. Se há casta que nos últimos anos me tenha dado tantas alegrias, esta foi com certeza uma delas. Tem sido uma felicidade poder acompanhar os mais diversos vinhos destas castas, sejam eles doces ou secos, e com especial relevo nas regiões, Alemãs e Austríacas, onde expressa todo o seu esplendor.
Dr. Loosen é "Ernie" Loosen, actual proprietário da Casa, que se encontra na sua família há mais de 200 anos. Com o seu ar rebelde, quiça com algo de "maluco", conseguiu fazer do nome da sua Casa, um nome sobejamente conhecido na Alemanha, e em todo o Mundo. É na região do Mosel, apesar de ter uma Joint Venture nos "States" com o Chateau Ste Michelle, que opera e onde consegue fazer os seus maravilhosos Riesling.
A Antecipação por beber este vinho era muita por duas razões. A Primeira, porque o tinha comprado no Ebay, e apesar de até hoje não ter tido nenhuma desagradável surpresa, é sempre uma incógnita e um risco. A segunda, porque gosto de beber Rieslings "Velhos" e não se encontram à mão de semear, especialmente destes produtores muito procurados. Assim, coloquei mãos à obra, aliás copos à obra...




Dr. Loosen Erdener Pralat Riesling Auslese 1976
O ano de 76 foi um ano com muita botrytis, pelo se esperava que este vinho tivesse na sua composição, uvas afectadas por este maravilhoso Fungo. Ao primeiríssimo impacto e pronto, sou desarmado de imediato e largo um sorriso enorme. Com uma cor dourada, apresentava um aroma intenso com muitas notas de mel, sugestões petroladas, especiarias e ainda notas de citrinos. O aroma mostrava que o vinho não estava demasiado evoluído, aliás, pareceu-me ainda bastante jovial para um vinho com 35 anos.
Na boca tudo se passa em tom apoteótico. Glicerinado, sem perder fineza, doçura controlada por uma acidez enervante. Final muito longo e de perdição. Que belo vinho.
É por esta razão que muitas vezes, ao abrir um jovem Auslese, que me encho de nostalgia por acabar com algo que se guardado me dará tanto mais prazer.
Nota 18,5

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Da Garrafeira

Por vezes é isto mesmo que apetece. Ir à garrafeira, humilde é certo, e trazer algumas coisas que estão religiosamente guardadas. Ao mesmo tempo aproveitar a garrafeira de um ou outro a migo, e em torno do vinho fazer um almoço simples mas de enorme satisfação. Foi o que aconteceu nesta Sábado, como de costume, na Tasca do Joel.



Sem grandes preparações, sem vaguear num mar de incertezas, até porque não há assim tanto por onde escolher, sobre que vinho levar. Assim que olhei para uma das garrafas de Gonçalves Faria Garrafeira Tonel Especial 5 1990, foi imediata a certeza de que era mesmo isto que me apetecia beber. Voltar a ver como está este vinho que sempre me trouxe boas novas, ano após ano. Ora esta garrafa esta simplesmente sublime, não sendo de esperar outra coisa, face à sua guarda exemplar.
Ainda cheio de vida, de concentração e de inicio quase opulento no vigor. Decantado, acabou a mostrar um nervo de quem ainda quer estar por aqui mais uns anos. Um Bairrada, um Baga, perfeito.

Ainda havia de levar outro vinho, quase como descarga de consciência, não fosse o vinho faltar. Foi um Campo al Mare Bolgheri 2005. Das 3 garrafas que tinha, sendo esta a ultima, todas apresentaram o mesmo estilo. Um vinho que apresenta sempre notas lácteas de inicio, deixando depois um pendor compotado, opulento. Não aprecio na totalidade este tipo de vinhos. São excessivos. Apesar deste meu desabafo em termos de gosto, creio que este vinho terá sempre adeptos. O vinho mantém-se muito jovem.

Para a mesa veio uma Magnum de um Joseph Drouhin Clos de Vougeot 2000. Este sim, estava fantástico. Fino, expressivo, elegante, delicado e fresco. Fantástico vinho, que apesar de nem parecer um Vougeot, pela falta de estrutura que geralmente apresentam, esteve à altura de 4 amigos que com a maior das facilidades a "despacharam", sem olhar para trás. Belo vinho.



Terminámos com dois hinos aos vinhos de sobremesa. Primeiro, um Weingut Eduard Haut-Herpen Graacher Domprobst Riesling Auslese 1976, que apesar de não conhecer o produtor, acabou por se cifrar num dos melhores Mosel que bebi na vida. Muito botrytis no aroma, associado a intensas notas petroladas. O aroma é inesquecível. Ainda com doçura apesar de um equilíbrio e frescura notáveis. Que grande vinho.

Para o final estava reservado um madeira muito especial. Um F.M.A Bual 1964. Um madeira de grande classe e qualidade. Grande complexidade de aromas num vinho onde a "sua boca" é portento. Acidez vincada mas que nos prende ao vinho. Doçura equilibrada com a acidez, funcionando num conjunto perfeito. Enorme final, longo e vibrante. Excelente

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