segunda-feira, 29 de junho de 2009

Espanha - Dia 3 - Liberalia Enológica


Costuma-se dizer que o "3 é a conta que deus fez", como alusão à perfeição desse mesmo numero. Pois bem, foi no nosso 3º dia, no dia 3 de Junho que também tivemos o nosso dia perfeito.
Começamos por visitar a adega Liberalia, e quando já clamávamos por simpatia, quando já clamávamos por um singelo sorriso, eis que surge Juan Fernandez, o alegre proprietário desta adega.



Juan, o "homem dos "beiços tremelicantes" (quem lá esteve sabe do que estou a falar), era dono de uma energia contagiante, de uma alegria ímpar e de um humor sagaz. Enamorado pela vida, pela musica clássica (que ouvíamos dentro da sala de barricas), pela ópera, pela pintura e pelo vinho, soube contagiar-nos a nós, que já desesperávamos por um sorriso. Que personagem esta, que deixou saudades. Era vê-lo, qual criança a mostrar o seu novo brinquedo, a chamar por cada um de nós para mostrar uma fotografia, a sua fotografia, onde pousava, com um sorriso rasgado , ao lado de Plácido Domingo. Seus olhos brilhavam de emoção ao mostrar que já teve bem perto do seu ídolo.


O seu coração dividia-se em três, em três paixões, a Pintura, que cobria as paredes da sua sala de provas, o Violino, que segundo sua filha, tocava muito bem, aliás, deu a um dos seus vinhos, um espumante, o nome de Ariane, que vem da mitologia grega, e que foi imortalizada em inúmeras operas, e finalmente o vinho, que me pareceu receber todas estas influências do seu criador.



A Liberalia é uma empresa bem familiar, que em 1996 iniciou a sua actividade. A adega pareceu-me à medida de um empreendimento desse mesmo tipo. Não tinha grandes pontos de interesse, com excepção de uma torre antiga, que se instalou muito antes desta adega existir e que vem servindo como um ponto atractivo aos que visitam.
Lá fora, as vinhas pareciam extremamente bem cuidadas, vinhas estas com cepas que chegavam aos 100 anos de idade, muito velhas portanto. O encepamento era na sua maioria, Tinta de Toro, a conhecida Tempranillo, que por cá se chama de Tinta Roriz ou Aragonês.
Na sala de barricas andava-se ao som de musica clássica, que provinha de um moderno leitor de CD's, e que transmitia uma sensação de bem estar.




Quando nos foram apresentados os produtos que a casa vende, e sim, não são só vinhos, pois a casa vende azeites, cosméticos derivados de uvas e do vinho, tais como perfumes e ainda produtos tradicionais da região, reparei num rótulo completamente familiar, o Duradero,.
Este é um vinho que resulta de uma parceria entre a Quinta do Portal e a Liberália Enológica e que facilmente encontramos nas nossas garrafeiras.
Obviamente que provámos o Duradero e confesso que esta ultima colheita, a de 2007, me pareceu a mais equilibrada de todas, que até então tinha provado. Bem desenhado no aroma e com frescura na boca, desmarcava-se de um pendor algo pesado que me pareceu indicar a edição anterior. Penso que esta melhoria se deva à excelente colheita de 2007 , no Douro.
Provámos ainda o Liberalia Tres, este produtor numera quase todos os seus vinhos, que me pareceu também ele um vinho alegre, fresco, bem desenhado, bem feito e que transmitia prazer.
Gostei do que vi e do que bebi, pelo que acabei por trazer alguns dos seus vinhos de gama alta para os provar. Assim que os abrir, postarei aqui as minha impressões.

Para já aqui fica um relato de uma passagem breve, mas que nos deixou com saudades de voltar a rever este Grande Senhor Juan Fernandez. Esta foto, em baixo, apesar de ter sido tirada logo de inicio, espelha bem a alegria com que fizemos esta visita.







domingo, 28 de junho de 2009

Vinexpo 2009

Faço uma pequena pausa nas minhas aventuras por Espanha, para falar um pouco deste evento, que se realizou entre o dia 21 e 25 de Junho de 2009, e onde estive todos os dias.
Em primeiro lugar para dizer que estas feiras, "não matam mas moem". É verdade, 10 horas sempre em pé, é obra. Ainda assim, quando acaba, sinto sempre a nostalgia de ter de vir embora e de ter de esperar 2 anos para que lá volte. Bordeaux Rocks.....

Este ano esteve-se muito bem. Esta afirmação pode ser demasiado optimista, face ao período económico que passamos, mas na realidade esteve-se mesmo muito bem, no ponto de vista de quem trabalhou. Em primeiro lugar, ao contrário da edição anterior, o ar condicionado funcionou. Sim é verdade, estava fresquinho dentro dos pavilhões, ainda que provavelmente por causa de uma menor afluência, de que falarei mais adiante. Também, por força deste fenómeno, nada de encontrões e de filas para provar vinhos. Quem foi, mesmo sendo só para provar, não deve ter dado o seu tempo por perdido. Dava tempo para tudo.
Apesar de pouca gente nos expositores e nos corredores, as provas temáticas, nomeadamente a dos Grand Crus de Bordéus, estavam apinhadas. Parece que ainda despertam muito interesse.....e eu obviamente que também lá fui.



Mas, nem tudo foi um mar de rosas, que o digam os produtores portugueses, que sobre a alçada da Viniportugal, foram relegados para um dos pavilhões mais pequenos e que mais não eram do que lugar de passagem para o pavilhão central. Lembro-me de há cerca de dois anos, no rescaldo da edição anterior, ler acerca dos queixumes por parte de várias entidades, responsáveis pela promoção dos vinhos de seus países, lançando um ultimato que jamais estariam presentes na Vinexpo, caso voltassem a esses pavilhões. Parece que surtiu efeito e esses países estavam agora no pavilhão central. Tenho em crer que esta situação só aconteceu, por força de uma dupla representação de Portugal, pelaViniportugal e IVDP. É que assim foi bem mais fácil decidir quem iria para os tais pavilhões, já que não podemos dizer que os vinhos portugueses não estiveram no pavilhão central. Há que repensar e sobretudo unir as entidades que promovem os nossos vinhos.

Ainda que a afluência tenha sido bem menor, deparei com muitos negociantes ou importadores, com vontade de investir, nomeadamente de países de leste, como a Sérvia, Cazaquistão, Rússia, Estónia ou Letónia e ainda países sul americanos como a Argentina e Chile. Pareceu-me que a afluência quase se resumia a profissionais.

Do pouco tempo que tive para "passear/provar", deu para fazer o gosto ao dedo e tirar umas fotos à nossa representação:



E para finalizar, a boa disposição do costume.....



terça-feira, 16 de junho de 2009

Espanha - Dia 2 - Bodegas Arzuaga Navarro



Saídos da Abadia Retuerta, andámos meia dúzia de quilómetros e já estávamos em Ribera del Duero, nas Bodegas Arzuaga Navarro.
O complexo enoturístico é enorme, para não dizer gigantesco.
Uma adega, uma coutada de caça ao javali e veado, um hotel & Spa de 5 estrelas, zonas verdes de passeio e um restaurante são os atractivos para o enoturista que se aventure por estas bandas São 1500ha para serem explorados.



As coutadas eram enormes. Os veados e Javalis tinham uma enorme área, onde andavam livres. Serviam para os visitantes os verem em liberdade, mas também para os que os iam caçar. Curiosamente mal se aproximava o Jipe do Patrão, também de imediato se chegavam junto das cercas limitadores dos espaços.



Depois existiam espaços verdes, uma casa de coutada, que exibia troféus de caçadas antigas. Nada do meu estilo, mas que o espaço exterior tinha uma certa beleza e quietude, lá isso tinha. Segundo o Director de Enoturismo, muitas pessoas chegavam ali no fim de semana, vindas de toda a Espanha e do países como os Estados Unidos, Brasil, etc, para passar em sossego os 2 dias de descanso semanais e umas merecidas férias.




Passámos ao Hotel, um complexo de muito bom gosto, que interiormente está dividido em 2 tipor de decoração. A zona moderna, com quartos amplos e de decoração actual e uma zona de decoração clássica, com muitos quadros, espelhos e madeiras trabalhadas. À vontade do freguês.
O Spa dividia-se por temas, com espaços diversificados consoante os tratamentos que ali se propunham.




Chegou a vez da Adega. Bom, a adega não me pareceu o local onde depositassem as maiores das inovações. Era uma adega regular, não muito grande, bem estruturada, e funcional. O suficiente para fazerem o vinho a as quantidades a que se propõem.



Provamos o Arzuaga Navarro Crianza 2007 e o branco da casa, um branco em terra de tintos, o Fan D'Oro 2007.
Confesso que ambos achei interessantes, mas especial destaque para o branco, Chardonnay, de que gostei bastante.
O tinto era um vinho carregado de aromas fumados, de aromas maduros. Com boca ampla, de bom porte e com final persistente e saboroso. Um bom vinho
O branco, feito de Chardonnay, fermentado em barricas, tinha um equilíbrio notável. Tinha notas de barrica sim, mas estavam bem integradas e o conjunto denotava uma frescura e uma acidez muito interessantes. As vinhas de onde resulta este vinho estão situadas na zona mais alta da Finca, a 900mts de altitude. Gostei muito deste vinho. Uma lufada de ar fresco até à data.










domingo, 14 de junho de 2009

Espanha - Dia 2 - Abadia Retuerta



Depois da estafa que tinha sido o dia anterior, que terminou já pela madrugada dentro com uma refeição no Restaurante Ramiro's em Valladolid, já estavamos a pé para começar o dia em Ribera del Duero. Os dias eram muito preenchidos e este não ia fugir à regra. Tinhamos 3 adegas para ver, contando ainda com as refeições e uma visita ao museu/castelo de peñafiel.
A primeira paragem suscitava-me enorme ansiedade e apreensão pois íamos visitar um produtor muito conhecido, um produtor de alto gabarito, de seu nome Abadia Retuerta.
Chegamos sobre um calor abrasador. Na parte de fora, muitas obras, sinal de restauração, de ampliações ou melhoramentos.


Iniciou-se a visita, que inesperadamente se tornou na pior visita que fizemos em todos os dias, a antipatia era de tal maneira visível, que me incomodava. Cheguei a perguntar, ao organizador, se estariam chateados connosco ou sem vontade de nos receber. Enfim, humores, ou outra situação que não estava dentro das minhas capacidades de compreensão.
O que é certo é que um produtor que podia ser interessante, acabou por passar um pouco ao lado. Ainda assim, gostei de nos terem levado a ver as vinhas.



Fomos então no final, fazer a prova dos vinhos. A Abadia por dentro é muito bonita, é um lugar que tem enorme potencial turístico, e ao que parece, será em breve aproveitado para melhorar a experiência de enoturismo da casa, com construção de um restaurante e um hotel.



Os vinhos deste produtor não ostentam a denominação Ribera de Duero, em seus rótulos, pois os vinhedos deste produtor não se encontram ainda dentro dos limites interiores da DO, mas sim rigorosamente colado aos limites exteriores da mesma. Assim, os vinhos apresentam-se como Sardon de Duero.
Provámos três vinhos, que iniciam a gama do produtor. Um Arnoldo 2008, um vinho sem qualquer passagem por madeira e também sem grandes predicados. É fresco, mas tem um aroma muito simples. Cordato será o melhor termo para apelidar este vinho.
De seguida, um Rívola 2007, um vinho com algum estágio em barrica, um vinho com 60% Tempranillo e 40% Cabernet. Achei bem interessante, já mais completo e muito saboroso.
Finalmente, um Seleccion Especial 2006. Vinho que passou 18 meses em barricas de carvalho americano e francês. Um blend de Tempranillo, Cabernet e Merlot. Foi realmente o que mais gostei, no entanto não achei muito superior ao vinho anterior, considerando que custa o dobro. Ainda assim um vinho bem interessante.
Faltaram obviamente os vinhos varietais, de vinha, ou de Pago, como lhes chamam em Espanha. São vinhos que completam a gama do produtor e que são vendido por preços muito superiores.





quinta-feira, 11 de junho de 2009

Esporão Reserva Branco 2008

Há bem pouco tinha começado por provar o Vinha da Defesa Branco da colheita de 2008, e acabei por saudar a nova imagem ilustrada no rótulo do mesmo. Acabei por receber este Reserva Branco 2008 e novamente um rótulo moderno, ainda de melhor efeito. Sinceramente que não sou daqueles que quando se muda o rótulo, cai o Carmo e a Trindade, no entanto sei que por muitas vezes, os novos rótulos acabam por ser versões demasiadamente infelizes e pouco compensadoras. Gostei destes novos rótulos do Esporão, pois dão jovialidade e modernidade à empresa. No entanto, considero que o liquído, o vinho, seja mesmo a razão principal deste enredo, não podendo ser esquecido.

Vamos então ao vinho:


Esporão Reserva Branco 2008
Produtor - Esporão
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço - A apartir dos 9€
Feito a partir das castas Antão Vaz, Arinto e Roupeiro, que fermentaram e estagiaram parcialmente em barricas novas de carvalho francês, este vinho apresentou uma cor palha carregada.
No nariz apresentou-se um vinho rico de aromas, com alguma complexidade, dada pelas notas de mel, de anis e de frutos exóticos, como a toranja e as curiosas notas de lichias. Mostrou-se, apesar de tantas notas "quentes", um vinho com frescura e já com a barrica já com toques indeléveis.
Na boca tem volume, tem fruto e tem notas de barrica ainda presentes. A acidez é correcta e confere frescura ao conjunto, apesar do grau alcoólico que este vinho tem. Termina com boa persistência.
Acabei por gostar bastante deste vinho. O conjunto está muito bem, é equilibrado, tem frescura, tem complexidade para nos agarrar ao copo e tem volume. Parece que a colheita de 2008, nos brancos, trouxe coisas boas para o esporão. Dos que já provei, dos reserva Branco, este foi o que mais gostei, e como tal recomendo vivamente.
Nota 16,5

terça-feira, 9 de junho de 2009

Espanha - Dia 1 - DO Cigales


Chegávamos após umas bem redondas quatro horas de viagem. O sol já se queria pôr mas ainda havia luz suficiente para visitar a primeira adega. Foi numa DO (Denominacion de Origen) praticamente desconhecida, a de Cigales, que ancorámos pela primeira vez.

A DO Cigales, situa-se a norte da cidade de Valladolid, e acredito que seja uma desconhecida entre as restantes DO's que visitámos, aliás, acredito que alguns dos presentes nunca tivessem sequer ouvido tal nome. Pessoalmente, apesar de me ser familiar, enquanto nome, nunca me foi familiar nos vinhos e tipos produzidos e nem sequer me lembro de um nome sonante que viesse desta região, no entanto nada como a visitar e perceber o que por lá se faz.
Primeira curiosidade......a maioria das vinhas que ali andam foram plantadas há muito. São vinhas velhas que podem chegar a ultrapassar a fasquia dos 100 anos.
Segunda curiosidade.....Cigales sempre foi terra de Vinhos Rosados.

A adega que visitámos, a Finca Museum, ao que parece foge ao estilo de vinhos proclamado. É que segundo o responsável que nos recebeu, esta Finca só faz mesmo vinhos tintos. Porquê? Bom, ao que parece, e segundo o mesmo, o consumo de Rosés caiu em força na vizinha Espanha.

Lá entrámos então na Adega, pela zona onde também entram as sagradas uvas, directamente para a zona operacional, repleta de cubas, imaculadamente limpas.



De seguida passámos à enorme sala de barricas, parece que o espaço é algo pouco preocupante para este produtor, onde a formula, aparentemente seguida por quase todos os que visitámos, é a de ter carvalho francês e Americano, de uma panóplia de marcas.


Passámos ainda pela linha de engarrafamento e pelo local onde as garrafas já descansam, ou aguardam por cliente. No final, numa sala fantástica, tínhamos à nossa espera um dos dois vinhos que esta adega produz.






























O vinho:






















Bom, o o cansaço já tomava conta de nós, a fome já despertava, o vinho estava quente e sinceramente a disposição não seria a ideal por aquela altura. Ainda assim, deu para perceber um vinho aparentemente com algum desvio alcoólico, com intensas notas tostadas, o que aliás pareceia mesmo ser o estilo dele, e boca demasiado redonda e cumpridora. Um vinho "nin", que não sendo mau, que não era, não me entusiasmou minimamente. E por 12€.......


Deixo-vos finalmente com umas imagens do exterior:





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