quinta-feira, 29 de abril de 2010

De partida para a Borgonha


Pois é, já só faltam 2 dias para iniciar a minha peregrinação, de 6 dias, à Borgonha. Uma semana de sonho, numa região de sonho. Desde há um mês, altura em que comecei a preparar esta visita, que não penso noutra coisa. Têm sido horas infindáveis a imaginar cenários, a imaginar as paisagens, os vinhos, as pessoas, o tempo, etc, etc. Não tem sido fácil todo este tempo de ansiedade.
Espero voltar, isto se voltar :), com umas boas reportagens do que vi, do que provei, de quem conheci, mas, sobretudo voltar com um pouco da Borgonha, cujos vinhos me encantam sobremaneira.
Até breve.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Brites de Aguiar


Foi no passado dia 16 que fui à apresentação das novas colheitas da Casa Brites de Aguiar, que detém as marcas Brites de Aguiar e Bafarela. Para esta apresentação, o produtor, trouxe as colheitas antigas de cada uma das suas marcas, mostrando assim a evolução dos seus vinhos.

Situada no Douro, mais propriamente no Concelho de S. João da Pesqueira, esta é uma empresa familiar pertencente a três irmãos (Lúcia, Paulo e Tomy).
A Enologia está a cargo da 2PR (Pedro Sequeira e António Rosas)

Mais informações aqui


Os vinhos:


Bafarela Colheita. Foram os primeiros a serem servidos, numa vertical do vinho de entrada da casa. Acabou por ser uma prova mais didáctica, mostrando que são vinhos para um consumo a curto prazo.


Bafarela colheita 2003
13% vol
Aroma da frutos maduros, terroso, ligeiras notas de evolução e estranhas notas de sabão. Tendo em conta o ano, esperava um conjunto mais quente.
Na boca está delgado, com algumas características de um Porto. A mostrar sinais que já começou a sua fase descendente.
Nota 13


Bafarela Colheita 2004
14% vol
O vinho não esteve em condições.
Sem Nota


Bafarela Colheita 2005
13%vol
Muitos aromas de oxidação ao qual se juntavam notas de mofo. Numa segunda garrafa, manteve-se com aroma indefinido, sujo.
Na boca, desequilibrado e sem grande interesse. O seu tempo já passou, a ver pelas garrafas que foram disponibilizadas.
Nota 11


Bafarela Colheita 2006
13%vol
O mais novo e o mais interessante do conjunto. Aroma com notas de frutos silvestres, morangos, framboesas, e ainda algumas sugestões florais a conferirem alguma frescura ao conjunto.
Na boca alguma frescura, acidez correcta e taninos redondos.
Nota 14


Bafarela Reserva. Um passo à frente dos anteriores, especialmente na colheita de 2007


Bafarela Reserva 2006
13,5% vol
Cor ruby de media concentração.
Aroma de frutos silvestres, notas florais e alguma sugestão de barrica.
Boca com corpo médio, taninos redondos e final de média persistência com sugestões tostadas. Pronto a ser bebido.
Nota 14


Bafarela Reserva 2007
14% vol
Cor ruby de boa concentração.
Ainda algo marcado pelas notas de barrica. Bastam alguns minutos para aparecerem as notas florais, de esteva e o fruto maduro.
Boca de bom porte e desenho, boa acidez e taninos redondos. Um vinho que mostrou mais garra e frescura. Final médio com sugestões de café.
Nota 15


Bafarela Reserva 2008
14% vol
Cor ruby de boa concentração.
Algo primário e jovem, com algumas notas de iogurte. Logo aparecem as notas de fruto maduro, muitas notas florais. Um conjunto com boa dose de frescura.
Muito bem na boca. Ainda a mostrar muitas notas de barrica, é o único Bafarela Reserva que contactou com barricas novas. Ganhou estrutura, e garra. Final saboroso, com taninos empertigados. A beber ou guardar por mais um ano
Nota 15,5


Brites de Aguiar. Foram os vinhos que mais gostei, e onde inclusive esteve o melhor vinho da prova, no meu entender. Atenção pois estes vinhos precisam de algum rigor na temperatura a que são servidos.


Brites de Aguiar 2004
15,5% vol
Cor de excelente concentração, sem denotar grande evolução.
Complexo no aroma, quente, aconchegador. Sugestões de café fresco, fruto maduro, cogumelos e terra.
Boca envolvente, com excelente densidade e sabor. Final longo ainda com taninos bem presentes. Muito bem e no meu entender, o vinho da prova por estar num excelente momento para ser bebido, sem no entanto parecer que poderá ser guardado por mais una anos em cave.
Nota 17


Brites de Aguiar 2006
15,5% vol
Cor de excelente concentração.
Ganhou alguma complexidade no aroma desde a última vez que o provei. O aroma assenta agora mais sobre as notas florais, de alcaçuz e ainda sugestões mentoladas e de barrica.
Na boca todo ele é quente, com notas de café torrado. O final tem boa persistência mas é dominado pelo álcool.
Nota 16


Brites de Aguiar 2007
Cor de excelente concentração.
Será porventura o Brites de Aguiar com o perfil menos quente de todos mas também, para já, o menos complexo.
Para já apresenta-se com muitas notas florais e de fruto maduro. A barrica está bem integrada , sem exageros. Um conjunto com boa dose de frescura.
A boca confirma alguma frescura. Taninos envolventes, acidez excelente e um final longo, com sugestões tostadas. Muito bem.
Nota 17


Bafarela 17 (Grande Escolha e Grande Reserva). Os vinhos com 17% vol. Um enorme sucesso, entre os fieis clientes da Casa. Se nos Brites de Aguiar existe a necessidade de rigor na temperatura de serviço, nestes, é imperioso que o vinho seja servido a cerca de 15-15,5 ºC. sob pena de mostrarem todo o seu álcool.


Bafarela 17 Grande Escolha 2004
17%vol
Acho que não me lembro de alguma vez ter provado um vinho sem rigorosamente nenhum aroma. Com algum aumento de temperatura, fez-me lembrar um Vinho do Porto sem açúcar, sem a fortificação.
Muito alcoólico na boca.
Nota 12,5


Bafarela 17 2006
17%vol
Muitos aromas florais, de fruto maduro e especiaria. Graças a uma boa temperatura de serviço, não existe uma percepção exagerada do álcool.
Boca glicerinada, doce e redonda. Final com grande desvio alcoólico mas muito mais interessante que o anterior.
Nota 14,5


Bafarela 17 2008
17%vol
Um vinho cheio de intensidade, com fruto maduro e muita especiaria. Quer nos aromas, quer na boca, todo ele lembra um estilo "Vinho do Porto".
Nota 15


Bafarela 17 Grande Reserva 2006
17%vol
Aroma algo confuso, pouco definido. Para já, são apenas as notas de barrica a a sugestão de álcool que comandam no aroma.
Na boca existe muita percepção alcoólica, tornando o vinho redondo e adocicado.
Nota 14


Bafarela 17 Grande Reserva 2008
17%vol
Muito carregado na cor.
Ainda algo fechado e para já só a apresentar um fruto muito maduro e muitas notas florais.
Na boca aparecem taninos finos, excelente persistência e uma percepção alcoólica menos evidente. O melhor Bafarela no meu entender, no entanto continua a necessitar de rigor na temperatura de serviço.
Nota 16

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Grandes Quintas

É na sub-região do Douro Superior, entre Vila Flor, Moncorvo e Foz Côa que o projecto é desenvolvido com a paixão e o envolvimento cultural de quem tem uma ligação secular ao Douro. O administrador da Casa d'Arrochella, Bernardo de Arrochela Alegria, é o grande impulsionador deste projecto, encarado, também, como um desafio cultural, através do qual procura deixar um legado para as gerações vindouras.
As vinhas da Sociedade Agrícola Casa d'Arrochella – Quinta do Cerval, Quinta do Nabo, Quinta das Trigueiras, Quinta de Vale d'Arcos e Quinta da Peça – estendem-se ao longo de 115 hectares. A adega tem capacidade para a produção de cerca de 300 000 litros, com dois lagares de granito e cubas de fermentação em inox.
A primeira produção lançada no mercado conta com um total de 38 500 garrafas, com uma aposta forte no Grandes Quintas Tinto, que terá 25 mil garrafas à venda. O Grandes Quintas Branco terá 8 000 unidades, enquanto o Grandes Quintas Reserva estará no mercado com 5 500 garrafas.


Os Vinhos:



Grandes Quintas Reserva 2007
Produtor - Sociedade Agrícola Casa d’Arrochella
Região - Douro
Grau - 14,5% vol
Preço - N/D
Este vinho foi feito a partis das castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinta Amarela. Estagiou em barricas de carvalho francês.
Cor muito carregada, opaco.
Começa fechado de aromas, precisa de algum tempo, a principio, começam as notas de baunilha, coadjuvadas por sugestões de tinta da china. Em breve chegam as notas florais, incenso, canela, num conjunto profundo e denso. Aroma com sugestões de frescura, apesar da indicação algo quente do aromas.
Na boca, reina o equilíbrio, o volume, sem mostrar uma potência impiedosa como poderia sugerir o primeiro impacto. O vinho tem estrutura, tem taninos redondos, mas tem recortes de elegância. Termina longo e apimentado. Muito interessante este conjunto.
Nota 17



Grandes Quintas 2007
Produtor - Sociedade Agrícola Casa d’Arrochella
Região - Douro
Grau - 13% vol
Preço - N/D
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca, este vinho estagiou em barricas de carvalho francês.
Cor muito carregada, quase opaca.
Feito para agradar logo de início, expedito de aromas, com as notas florais e de bergamota a chegarem em primeiro lugar e em segundo plano algumas sugestões tostadas e minerais. Conjunto de boa frescura.
Na boca mantém uma toada de frescura, alia o sabor a um conjunto jovial e muito prazenteiro. Termina com excelente persistência e boa acidez.
Um daqueles vinhos feito para agradar a todos os que atravessam à sua frente.
Nota 16

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Douro Family Estates (DFE)


Foi no passado dia 24 de Março, no Gemelli, que foi feita a apresentação dos Vinhos dos Douro Family Estates (DFE).
A DFE é uma empresa, inovadora, composta por 4 sócios, podemos dizer, por 4 produtores; Brites Aguiar, Quinta do Soque, Quinta das Bajancas e Quinta dos Poços. A razão desta união, parece-me óbvia. Ou seja, os produtores juntaram-se, criaram uma marca de vinhos e, juntos, comercializam os vinhos nos mercados de exportação.
O que é interessante é que estes produtores uniram-se, como poucos infelizmente fazem em Portugal, criaram uma marca, criaram os vinhos e conjuntamente comercializam os vinhos DFE.

Todo o trabalho de enologia está a cargo da 2PR (Duplo PR), que é composta por António Rosas e Pedro Sequeira, que também são a equipa que toma conta dos vinhos de cada um dos produtores envolvidos, individualmente.

Portanto, boas notícias e um grupo que se espera traga valor e sucesso nos mercados onde se propõe penetrar.

Quanto aos vinhos, foram apresentados 4 vinhos, 1 branco e 3 tintos, divididos por 3 nomenclaturas estratégicas de gama/preço. A gama Classic, Premium e Signature.
Gostei do perfil dos vinhos, curiosamente todos muito elegantes, muito bem feitos é certo, mas muito elegantes. Não era bem o que estava à espera de encontrar.


DFE Classic branco 2008
Produtor - Douro Family Estates
Região - Douro
Grau - 12% vol
Preço - 7,5€
Os vinhos que compõem este lote, foram feitos a partir das castas tradicionais do Douro, fermentados em inox, sendo depois estagiados por cerca de 6 meses em barricas de carvalho francês.
Bonita côr palha. Aroma muito limpo e definido, com notas de fruto, citrinos e algum vegetal. Conjunto cheio de frescura.
A boca está muito bem, com algum volume dado, pelo estágio em barrica, que está muito integrada, quase imperceptível. Excelente acidez e consequente frescura, tornam este conjunto extremamente apelativo para os meses vindouros. Muito bem feito.
Nota 15,5




DFE Classic 2006
Produtor - Douro Family Estates
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Preço - 4,5€
Este vinho, da colheita de 2006, fermentou e estagiou em inox. foi talvez o vinho que menos me cativou, talvez fruto de uma colheita difícil, ainda assim, pelo preço que se pede por ele, não se dá tudo como perdido. Ligeiro nos aromas, a frutos silvestres, alguma esteva e caramelo.
Na boca dei por mim distraído com algum amargor no final de boca. Mediano no corpo e no final, mostra-se também ligeiro de corpo. Um vinho barato, que penso que irá melhorar em colheitas mais frescas.
Nota 14



DFE Premium 2007
Produtor - Douro Family Estates
Região - Douro
Grau - 14,5% vol
Preço - 11,5€
Feito a partir das castas tradicionais do Douro, este vinho teve estágio em barricas.
Mostra-se uma bonita côr ruby de boa concentração.
É talvez o conjunto mais fresco dos tintos apresentados. Muito mais intenso que o vinho anterior, mostra notas de fruto silvestre e fruto vermelho. A barrica está bem integrada, com ligeiras notas de café.
Muito fino na boca, elegante, sem grandes concentrações, taninos redondos e gulosos. Boa acidez e final médio/longo assente sobre uma toada de fruto e frescura. Durante o almoço mostrou-se mais desenvolto nas notas florais e vegetais. Bem feito e curioso no perfil.
Nota 15


DFE Signature 2007
Produtor - Douro Family Estates
Região - Douro
Grau - 15,5% vol
Preço - 17€
É o vinho estandarte, o vinho elaborado do melhor que os produtores que integram este grupo, têm para dar. O vinho, feito a partir das castas tradicionais do Douro, fermentou e estagiou em barricas de carvalho francês.
Excelente concentração de cor.
É realmente o vinho mais interessante do conjunto. Ainda está algo fechado, e como tal esperei pelo almoço para o ver já com alguma "disponibilidade" pois presumo que o vinho tenha sido decantado. Melhorou bastante. O compasso é marcado pelas notas de barrica que ainda se mostram numa toada de classe. Fruto maduro, alguns florais, balsâmicos e ligeiro vegetal são os senhores que se seguem. O conjunto é quente sem no entanto ser pesado, bem pelo contrário.
Na boca novamente uma toada de elegância com taninos finos, expressivos e generosos. Não é tão fresco como o vinho anterior, mas é mais generoso e proporcionado. O final é quente e com alguma percepção alcoólica.
Apesar do elevado grau alcoólico, este vinho mostrou-se, de uma maneira geral, equilibrado, no entanto, para conseguir que se mostre assim, é necessário prestar maior atenção à temperatura em que é servido. No meu entender, não muito acima dos 16ºC.
Nota 16



Em jeito de resumo, confesso que fiquei agradado com os vinhos, sobretudo com o seu perfil. Elegantes, nunca encontrei nenhum exagero nas concentrações e na rigidez dos vinhos. Tirando o grau alcoólico de alguns vinhos, que de certo modo me perturbou, achei um perfil bem interessante, com frescura, elegância e boa definição de fruto. Obviamente que ainda há por melhorar, nisto dos vinhos há sempre, mas parece-me um futuro risonho para este novo grupo que agora "se levanta". Os meus parabéns pela iniciativa.

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