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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Brites de Aguiar


Foi no passado dia 16 que fui à apresentação das novas colheitas da Casa Brites de Aguiar, que detém as marcas Brites de Aguiar e Bafarela. Para esta apresentação, o produtor, trouxe as colheitas antigas de cada uma das suas marcas, mostrando assim a evolução dos seus vinhos.

Situada no Douro, mais propriamente no Concelho de S. João da Pesqueira, esta é uma empresa familiar pertencente a três irmãos (Lúcia, Paulo e Tomy).
A Enologia está a cargo da 2PR (Pedro Sequeira e António Rosas)

Mais informações aqui


Os vinhos:


Bafarela Colheita. Foram os primeiros a serem servidos, numa vertical do vinho de entrada da casa. Acabou por ser uma prova mais didáctica, mostrando que são vinhos para um consumo a curto prazo.


Bafarela colheita 2003
13% vol
Aroma da frutos maduros, terroso, ligeiras notas de evolução e estranhas notas de sabão. Tendo em conta o ano, esperava um conjunto mais quente.
Na boca está delgado, com algumas características de um Porto. A mostrar sinais que já começou a sua fase descendente.
Nota 13


Bafarela Colheita 2004
14% vol
O vinho não esteve em condições.
Sem Nota


Bafarela Colheita 2005
13%vol
Muitos aromas de oxidação ao qual se juntavam notas de mofo. Numa segunda garrafa, manteve-se com aroma indefinido, sujo.
Na boca, desequilibrado e sem grande interesse. O seu tempo já passou, a ver pelas garrafas que foram disponibilizadas.
Nota 11


Bafarela Colheita 2006
13%vol
O mais novo e o mais interessante do conjunto. Aroma com notas de frutos silvestres, morangos, framboesas, e ainda algumas sugestões florais a conferirem alguma frescura ao conjunto.
Na boca alguma frescura, acidez correcta e taninos redondos.
Nota 14


Bafarela Reserva. Um passo à frente dos anteriores, especialmente na colheita de 2007


Bafarela Reserva 2006
13,5% vol
Cor ruby de media concentração.
Aroma de frutos silvestres, notas florais e alguma sugestão de barrica.
Boca com corpo médio, taninos redondos e final de média persistência com sugestões tostadas. Pronto a ser bebido.
Nota 14


Bafarela Reserva 2007
14% vol
Cor ruby de boa concentração.
Ainda algo marcado pelas notas de barrica. Bastam alguns minutos para aparecerem as notas florais, de esteva e o fruto maduro.
Boca de bom porte e desenho, boa acidez e taninos redondos. Um vinho que mostrou mais garra e frescura. Final médio com sugestões de café.
Nota 15


Bafarela Reserva 2008
14% vol
Cor ruby de boa concentração.
Algo primário e jovem, com algumas notas de iogurte. Logo aparecem as notas de fruto maduro, muitas notas florais. Um conjunto com boa dose de frescura.
Muito bem na boca. Ainda a mostrar muitas notas de barrica, é o único Bafarela Reserva que contactou com barricas novas. Ganhou estrutura, e garra. Final saboroso, com taninos empertigados. A beber ou guardar por mais um ano
Nota 15,5


Brites de Aguiar. Foram os vinhos que mais gostei, e onde inclusive esteve o melhor vinho da prova, no meu entender. Atenção pois estes vinhos precisam de algum rigor na temperatura a que são servidos.


Brites de Aguiar 2004
15,5% vol
Cor de excelente concentração, sem denotar grande evolução.
Complexo no aroma, quente, aconchegador. Sugestões de café fresco, fruto maduro, cogumelos e terra.
Boca envolvente, com excelente densidade e sabor. Final longo ainda com taninos bem presentes. Muito bem e no meu entender, o vinho da prova por estar num excelente momento para ser bebido, sem no entanto parecer que poderá ser guardado por mais una anos em cave.
Nota 17


Brites de Aguiar 2006
15,5% vol
Cor de excelente concentração.
Ganhou alguma complexidade no aroma desde a última vez que o provei. O aroma assenta agora mais sobre as notas florais, de alcaçuz e ainda sugestões mentoladas e de barrica.
Na boca todo ele é quente, com notas de café torrado. O final tem boa persistência mas é dominado pelo álcool.
Nota 16


Brites de Aguiar 2007
Cor de excelente concentração.
Será porventura o Brites de Aguiar com o perfil menos quente de todos mas também, para já, o menos complexo.
Para já apresenta-se com muitas notas florais e de fruto maduro. A barrica está bem integrada , sem exageros. Um conjunto com boa dose de frescura.
A boca confirma alguma frescura. Taninos envolventes, acidez excelente e um final longo, com sugestões tostadas. Muito bem.
Nota 17


Bafarela 17 (Grande Escolha e Grande Reserva). Os vinhos com 17% vol. Um enorme sucesso, entre os fieis clientes da Casa. Se nos Brites de Aguiar existe a necessidade de rigor na temperatura de serviço, nestes, é imperioso que o vinho seja servido a cerca de 15-15,5 ºC. sob pena de mostrarem todo o seu álcool.


Bafarela 17 Grande Escolha 2004
17%vol
Acho que não me lembro de alguma vez ter provado um vinho sem rigorosamente nenhum aroma. Com algum aumento de temperatura, fez-me lembrar um Vinho do Porto sem açúcar, sem a fortificação.
Muito alcoólico na boca.
Nota 12,5


Bafarela 17 2006
17%vol
Muitos aromas florais, de fruto maduro e especiaria. Graças a uma boa temperatura de serviço, não existe uma percepção exagerada do álcool.
Boca glicerinada, doce e redonda. Final com grande desvio alcoólico mas muito mais interessante que o anterior.
Nota 14,5


Bafarela 17 2008
17%vol
Um vinho cheio de intensidade, com fruto maduro e muita especiaria. Quer nos aromas, quer na boca, todo ele lembra um estilo "Vinho do Porto".
Nota 15


Bafarela 17 Grande Reserva 2006
17%vol
Aroma algo confuso, pouco definido. Para já, são apenas as notas de barrica a a sugestão de álcool que comandam no aroma.
Na boca existe muita percepção alcoólica, tornando o vinho redondo e adocicado.
Nota 14


Bafarela 17 Grande Reserva 2008
17%vol
Muito carregado na cor.
Ainda algo fechado e para já só a apresentar um fruto muito maduro e muitas notas florais.
Na boca aparecem taninos finos, excelente persistência e uma percepção alcoólica menos evidente. O melhor Bafarela no meu entender, no entanto continua a necessitar de rigor na temperatura de serviço.
Nota 16

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Brites Aguiar e 2PR apresentam novidades

Foi no passado dia 10 de Julho que o produtor de vinhos, Brites Aguiar apresentou a nova colheita do seu vinho homónimo, Brites Aguiar 2006.
Ainda neste evento, foi também apresentada uma novidade e surpresa, pela equipa 2PR, que aliás também é responsável técnica pelos vinhos Brites Aguiar.
A apresentação teve lugar no Gemelli, que elaborou um menu de acordo com os vinhos que iriam ser provados.


A Casa Brites Aguiar é uma empresa familiar, composta por 3 irmãos, Lucia, Paulo e Tomy. Localizada no Cima Corgo, no Douro, esta empresa possui 45ha de vinha, com cota entre os 230 e 450m, dos quais resultam os vinhos Bafarela e Brites de Aguiar.
Pode encontrar mais Informações em www.britesaguiar.com
O vinho Brites Aguiar é o vinho mais emblemático da empresa, e o também o que foi apresentado, na sua versão de 2006:

Brites Aguiar 2006
Produtor - Brites Aguiar
Região - Douro
Grau - 15% vol
Preço - Recomendado 28€
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, este vinho estagiou por 18 meses em barricas novas, de 500l, de carvalho francês.
Muito concentrado na cor.
A sugestão de um vinho com aromas algo concentrados, algo maduros, é óbvia e como tal, apresentam-se aromas de fruto muito maduro, chocolate, caramelo a que se associam algumas notas florais e de barrica.
Na boca, muito mineral. Contrariamente ao que pressupunha a prova de nariz, este vinho apresenta rasgos de frescura e esconde bem todo o seu volume alcoólico. Os seus taninos são dóceis, maduros mas estão presentes. Termina com boa persistência com subtil ligeiro amargor.
Tive a oportunidade de dizer que gostei muito deste vinho. Tem personalidade, tem taninos muito agradáveis. Penso que no patamar de preço onde se situa, a originalidade seria muito mas premiada, ainda assim considero-o como muito bom vinho.
Nota 16



A 2PR (Duplo PR) é uma empresa de consultoria enológica que desenvolve todo o seu trabalho na Região do Douro. Neste momento lideram projectos como Brites Aguiar, Bajancas, Quita do Soque e ainda têm tempo para fazer vinhos por sua conta e risco.
Os mentores desta empresa são Pedro Sequeira e António Rosas, que alem de partilharem amizade, partilham da paixão pelo vinho.
A apresentação de um vinho branco muito especial, trouxe-nos neste dia ao Gemelli, uma vez que este vinho é obra deste trio de amigos.
O Vinho, 2PR Vinho Branco Unfiltered Gemelli, é nada mais nada menos que um encontro de amigos e resultou de um desafio lançado por Augusto Gemelli, aos 2PR, para a execução de um branco que não sofresse qualquer filtração nem estabilização. A ideia parece de loucos, e inclusive quando o Pedro Sequeira me disse o que seria apresentado, olhei para ele com algum cepticismo.


2PR Vinho Branco Unfiltered Gemelli 2007
Produtor - 2PR e Augusto Gemelli
Região - Vinho de Mesa
Grau - 12% vol
Preço - Apenas à venda na Galeria Gemelli
Feito a partir das castas Rabigato, Códega do Larinho e Gouveio, este vinho, sem sofrer qualquer filtração ou estabilização, estagiou por 6 meses em barricas novas de carvalho francês.
Na cor está tudo dito. Turvo e mesmo com algumas partículas em suspensão.
Muito bem no aroma. Intensidade e sobretudo muita frescura e originalidade. Aroma de fruto branco, vegetal, muito mineral e citrino a que se associam algumas de baunilha.
Boca com boa dose de cremosidade ou untusidade, vibrante graças a uma fantástica acidez e muita fruta no final. Curiosamente, e apesar do seu pouco álcool, este vinho apresentou um final algo quente, mas persistente, que quase desmanchou todo o prazer.
Uma experiência? Vontade de alterar algo? Bem, isto é o que chamo de novidades. Na realidade mantenho algumas reservar quanto ao sucesso de um vinho destes numa prateleira de uma garrafeira. Ainda que esteticamente, aliás visualmente, possa parecer algo repugnante a ideia, este vinho é um belíssimo vinho e isso a mim bastou para ser convencido. Bonito no aroma e electrizante na boca, só mesmo um final algo quente borrou a pintura. Para já, terá de se deslocar à Galeria Gemelli para o provar. No futuro......quem sabe?
Nota 17

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