sábado, 18 de julho de 2009

Herdade do Rocim

Trata-se de um dos recentes projectos no Alentejo, em termos de produção de vinhos. A Herdade do Rocim já existia e já tinha vinha há muito tempo, no entanto, foi em 2000 que o grupo movicortes, de Leiria, liderado José Ribeiro Vieira, a adquiriu. Liderando um Grupo sem ligação ao vinho, tive de perceber que José Vieira quis voltar a ter de volta um pouco dos seus tempos de menino, onde acompanhava seus pais nas vindimas da casa, em Cortes (Leiria). Outra razão será a de sua filha, Catarina Vieira, estar intimamente ligada ao vinho pela formação que detém. "Os bons filhos à casa retornam".
A escolha recaiu sobre o baixo Alentejo, mais propriamente na zona da Vidigueira. Partiu-se então para a construção de uma adega moderna, de um complexo enoturistico. Não se pouparam a pormenores de qualidade, mercê de capitais próprios do Grupo Movicortes. Mas não se pense que se criou um projecto megalómano sem alicerces, não, tudo foi pensado, cada passo foi dado sabendo que ia assentar em terra firme. Trabalho árduo, que entretanto começou a dar os seus frutos. Os cerca de 60 hectares de vinha, nem toda a produzir por ser muito nova, são suficientes, para já, ao projecto que abraçaram e que é liderado por Catarina Vieira.
Provei então os vinhos hoje e fiquei muito agradado e num dos casos bastante surpreso. Estão-se a fazer vinhos com muita qualidade na Herdade do Rocim.


Olho de Mocho Reserva branco 2008
Produtor - Herdade do Rocim
Região - Alentejo
Grau - 13% vol
Preço - Apartir dos 9€
Apesar de ser considerado monovarietal de Antão Vaz, este vinho conta com 10% de Arinto, para poder conferir mais acidez ao conjunto. 25% do Antão Vaz fermentou e estagiou, por 6 meses em barricas novas de carvalho francês.
Aroma contido, sem propensão à exuberância. Mais sóbrio, que exuberante, o que não belisca em nada o vinho em si. São aromas de citrinos, de fruto de caroço e de algum vegetal, que se manifestam em primeiro lugar. Passados alguns minutos as marcas do estágio na madeira, com algumas notas fumadas, que conferem brilhantismo ao conjunto. Muito fresco no aroma.
Muito bem na boca, a mostrar-se um vinho de bom porte, glicerinado, untuoso, onde se mostram novamente algumas notas de barrica. Apesar do seu perfil, mostra-se fresco, virtude esta ganha pela excelente acidez que apresenta. O final está muito bem, com excelente persistência a terminar com ligeiro amargor.
Muito bom branco, mais um branco a provar que a colheita de 2008 no Alentejo foi profícua em excelentes brancos. Um vinho muito versátil pelo carácter que apresenta e pela frescura que detém. Uma boa relação da qualidade e preço. Mais um vinho que recomendo e que deverá ser equacionado.
Nota 16,5


Olho de Mocho Reserva 2007
Produtor - Herdade do Rocim
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço - Apartir dos 16€
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Syrah, este vinho fermentou e estagiou, por 11 meses, em barricas novas de carvalho francês, e uma pequena quantidade em carvalho americano.
Que agradável surpresa, este vinho. Muito intenso nos aromas , que de inicio oscilam entre notas de violetas, os frutos maduros e os aromas balsâmicos, que de imediato indicam a grande presença da Touriga, que parece comandar nesta fase. O aroma está muito bem desenhado, com o perfil floral, com as notas tostadas muito bem integradas e com algumas notas curiosas de castanhas. e côco Após algum tempo, o Alicante finca o pé, e mostra que também quer protagonismo, também ele quer mostrar as suas notas de exotismo, os aromas de alcaçuz. Belo aroma.
Também muito bem no aroma, mas ainda a precisar de afinação com o tempo em garrafa. Ainda muito marcado pelas notas de barrica. Ainda assim, mostra-se um vinho com corpo e sensação de frescura. Apetece mais um copo. Termina longo e pleno de sabor. Muito bom vinho.
Um vinho que recomendo vivamente. Muito bem feito e na minha opinião ainda por melhorar se mantido por mais uns meses na garrafa.
Nota 17



Rocim 2006
Produtor - Herdade do Rocim
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço - Apartir dos 8€
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Syrah. 50% estagiou em barricas de 2º ano de carvalho francês.
Aroma de boa intensidade, parece que neste caso é o Alicante a mostrar-se mais. O aroma esta muito bem, embora a fruta não seja o seu forte principal. Os aromas tostados são evidentes e a fruta pareceu-me esconder-se um pouco. No entanto não deixa de ser um vinho interessante, até pela frescura que aparenta.
Na boca esta melhor, apresenta-se com fruta, com volume médio e com taninos redondos. O final até tem boa persistência e termina com muitos fumados.
Considero, também face ao preço, que se trata de um bom vinho, no entanto alerto que pode não ser ao gosto de todos. Nada como provar para confirmar. Estou curioso com a futura saída do 2007.
Nota 15

Fiquei com a percepção de que se continua a melhorar na Herdade do Rocim. Começam-se a conhecer melhor os solos, as vinhas e as castas, percebe-se melhor o clima, e com o talento na adega, não há porque não melhorar. Continuem......

1 comentários:

Miguel Pereira domingo, julho 19, 2009 11:24:00 da tarde  

São vinhos que já queria provar.
Com esta tua opinião, vejo que é mesmo pioritário.

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