quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Hoje despedi-me de um Amigo




Foi com muito pesar que nos despedimos hoje de António Carvalho.
Uns conhecerão a sua obra, seus vinhos, na sua querida Casal Figueira, outros conhecerão o Homem e o seu carácter, e alguns, conhecerão porventura a Obra e o Homem. Eu tive o privilégio de conhecer ambas.
Na sua obra, ou seja, nos seus vinhos conheci vinhos impressionantes, na singularidade, na irreverência e no carácter. Sempre espelharam o seu criador.
No Homem, conheci um dos seres humanos mais apaixonados, pela terra, pelo seu fruto, pela família, enfim, pela sua vida. Pois foi por ironia do destino que, a fazer o que mais amava, sucumbiu. Perdeu-se um amigo, uma obra e finalmente um grande Homem.

Nunca lhe vi tristeza, nunca lhe vi desilusão, nunca lhe vi qualquer espécie de desânimo. O António não era desses. Sempre de cabeça levantada, sempre risonho e sempre amigo. Lembro-me que desde que o conheci, que cada vez que me ligava, antes mesmo de um cumprimento verbal, soltava sempre uma gargalhada que invariavelmente acabava por ser o nosso inicio de conversa.
Tenho óptimas lembranças dele nos nossos jantares, almoços ou lanches, que duravam horas e horas e sempre cheios de boa disposição. Era contagiante para todos os que privavam com ele.

Tudo boas recordações do António, mas sempre houve algo com que me deleitava quando estava com ele. A sua paixão pelos seus vinhos. É certo que nunca fez os melhores vinhos do mundo, pois não existem, mas para ele eram tudo. Na sua simplicidade, outra grande virtude dele, sempre afirmou que adorava os seus vinhos, e no seu coração sei que eram enormes.
Pois eu digo-te amigo que fui tocado por eles e que sinto muito que não possas continuar a tocar-me.
Haveria tanto para dizer sobre o António, tanta coisa boa, mas acabam-se por me faltar palavras.
Já sinto imenso a sua falta. Mas creio que aquilo que fez, aquilo que nos deixou, jamais será esquecido.

A ti António, o meu profundo agradecimento pela Amizade, pelo enorme sorriso, pela irreverência, pela simplicidade, pela verdade. Como disse ontem, e muitíssimo bem, Luís Ramos Lopes, o Vinhos em Portugal, sem ti, fica muito mais igual. Todos irão nós, amantes do vinho, iremos sentir a tua falta. Até sempre.....

Algumas imagens que espelham bem os momentos que passámos juntos.










1 comentários:

Fernando Souto segunda-feira, outubro 05, 2009 11:23:00 da tarde  

Tive a felicidade de conhecer este romântico apaixonado pela sua arte e perceber o carácter da sua obra.

FSouto

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