segunda-feira, 25 de maio de 2009

O Mitíco Yquem

Sempre tive sonhos no que respeita aos vinhos, sempre existiram vinhos que a todo o custo gostava de provar, é como uma demanda, a procura da oportunidade, o não saber quando, onde e como.
O Chateau D'Yquem é um desses vinhos que eu, e qualquer enófilo gostava de provar uma vez na vida. A minha vez chegou este fim de semana, quando fui presenteado com a possibilidade de provar este vinho.

Muito já se falou, muito já escreveu sobre este vinho. A sua longevidade, a sua qualidade está mais que documentada, por amantes deste vinho, do seu estilo e da região que o viu nascer.

A história do Chateau D'Yquem remonta à idade média, altura em que pertenceu aos ingleses. Só mais tarde, quando o sudoeste de França voltou a ser reconquistado, o Chateau voltou a ser propriedade de franceses.
Em 1826 tornava-se numa empresa de sucesso e de enorme reputação e em 1855 entrava na classificação de bordéus, com uma classificação única de " Premier Grand Cru Superieur".
Hoje em dia é um dos Chateaus mais conceituados em todo o mundo, os seus vinhos são ambicionados por tantos, as suas melhores colheitas são vendidas a preços milionários.

O vinho resulta de um pequeno milagre que acontece na região de Sauternes, onde as condições climatéricas muito especiais, proporcionam que um fungo, o Botrytis Cinerea, dê seguimento ao pequeno milagre da natureza , que consiste na desidratação dos bagos das uvas Semillon e Sauvignon. São as uvas afectadas por este fungo, grande parte das vezes colhidas manualmente, bago a bago, que dão origem a este precioso néctar, intemporal.


Chateu D'Yquem 1999 (375ml)
Produtor - Chateu D'Yquem
Região - Sauternes (França)
Grau - 14% vol
Preço -
Não é fácil provar, quando estamos perante um vinho destes e como tal eu acabei por não o provar, mas sim beber.
Feito a partir das castas Semillon e Sauvignon Blanc, com bagos afectados pelo fungo Botrytis (podridão Nobre), este vinho fermenta e estagia em barricas novas de carvalho francês.
A intensidade de aromas impressiona. Os aromas são mais do que os que consigo identificar e fico por ali prostrado perante tantas sensações. Ainda assim, aromas de flores, de alperce, de especiarias e de citrinos invadem completamente as minhas narinas. Identifica-se um vinho doce, com poucos indicadores de botrytis, mas muito fresco. Podia ficar eternamente a cheirar este vinho mas a boca clama por ele, a boca saliva.
Na boca, corpo médio, numa explosão de sabor, há untuosidade, há uma intensidade impressionante. Voltam as notas citrinas, volta a frescura e espreitam as notas de mel. Aparecem a acidez e o açúcar num conjunto completamente harmonioso, numa sinfonia uniforme. Não é muito doce mas tem boa acidez que contrabalança com o açúcar. O final é mesmo muito longo, qualquer coisa como 40 segundos de enorme prazer.
Embora as minha palavras possam não fazer justiça ao que senti quando bebi este vinho, fiquei sempre com uma dúvida que me assolava. Fiquei a querer mais, fiquei a querer beber um dos grandes vintages deste vinho. É que se há muito melhor que isto, deve ser absolutamente divinal. Fica para próximas núpcias.......é que o preço destes vinhos é proporcional à experiência que transmitem.
Nota 18



3 comentários:

Chapim segunda-feira, maio 25, 2009 11:08:00 da tarde  

Pumadão,
uma bela maneira de retomar as lides...
Grande abraço

Copo de 3 segunda-feira, maio 25, 2009 11:52:00 da tarde  

Sempre me disseram que há muita coisa que o dinheiro ajuda a comprar, outras coisas nem tanto e outras é impossível.

O mundo do vinho, não é um mundo de sonhos mas sim de desejos, caprichos, ainda que dependendo muito da vontade e predisposição de cada um de nós... esses mesmos desejos são sempre possíveis ser tornados realidade, só que alguns custam mais a pagar que outros, mais procura menos procura, mais espera menos espera, mais oportunidade menos oportunidade...
É um mundo de desejos ao virar da esquina, com preço marcado e que basta querer para que tudo se torne realidade.

Já os sonhos são aqueles que ambicionamos uma vida inteira e que muitas vezes não passam de isso mesmo... sonhos.

Joel Carvalho terça-feira, maio 26, 2009 11:54:00 da manhã  

Olá João,

Este vinho pode-se chamar um digno nectar dos Deuses...
O nome também é muito sugestivo (isto, imaginação minha).

"Y quem" comprará isto?

Abraços, Joel Carvalho

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