terça-feira, 10 de abril de 2012

Foi Você que pediu uma experiência inesquecivel?


Como já o afirmei, por diversas vezes, o Vinho, o Mundo do Vinho, tem coisas fabulosas. Tem uma capacidade de desembaraço social enorme. Junta pessoas que se conhecem, que não se conhecem, tudo na mesma mesa e coloca-os a falar, alegremente, como se de velhos amigos se tratassem. Esta capacidade será porventura apenas verificada no desporto e pouco mais. Por vezes, no meu estádio de futebol, do Sporting de Clube de Portugal, dou por mim a conversar animadamente com pessoas que nunca conheci, pessoas com quem nunca me cruzei. Obviamente que esta conversa tanto melhor é, consoante o resultado nos favoreça. Futebol à parte, no vinho, quer ele seja bom, quer seja mau, ou menos bom, dá sempre tema de conversa. Ora, agora imaginem um jantar, onde todos os vinhos têm algo a acrescentar à nossa vida, imaginem um jantar onde passamos por alguns vinhos que muito certamente nunca mais os beberemos. Uma grande honra. Agora, juntemos a isto amigos, bons amigos, que comungam connosco esta paixão, esta "loucura". Que se prostram silenciosos quando chega cada um dos vinhos, que se emocionam, e que sobretudo partilham entre si estes mágicos momentos, aqui e ali bafejados com risos e gargalhadas de lembranças de outros tempos, de outras passagens com outros vinhos e outras epopeias vínicas. Temos a perfeita receita para um jantar inesquecível, e sobretudo uma experiência enriquecedora.

Ora, foi neste fim de semana passado, um pouco maior por sinal, de Páscoa. Que voltei a ter o privilégio de um grande jantar, um enorme jantar onde os vinhos foram o mote, reis e senhores da noite. Uma singela homenagem a todos eles, que cumpriram o propósito da sua criação, dando um enorme prazer a nós meros mortais e sobretudo privilegiados, por termos cruzado caminho com estes.
 

1995 Pol Roger Cuvée Sir Winston Churchill
Brilhante e ainda jovem. Cremoso e fino. Adorei

1952 Lafite Rothschild
Ano mau para bordéus. A lembrar o 56 bebido no ano novo. Bebe-se com prazer, mas é magro e sem grande complexidade. Vale como curiosidade.

1931 Niepoort Porto
Nunca comercializado nem declarado. Novamente às cegas embirrei com a década de 60, engana-me sempre este vinho, de tão jovem que parece.

1979 Pernod-Fourrier Gevrey Chambertin Clos St Jacques
Hoje em dia chama-se Domaine Fourrier, um dos mais procurados na Borgonha. Provavelmente pouca gente deve saber disto e comprei por uma bagatela.
F-A-B-U-L-O-S-O, incrivelmente fino, mas ao mesmo tempo com volume e textura. Verdadeiro na expressão do terroir de Gevrey.

1964 R. López de Heredia Rioja Gran Reserva Viña Tondonia
Vem depois de um vinho memorável e perdeu um pouco isso. Discutiu-se muito as preferências. Eu preferi o anterior. Obviamente que discutir a este nível Muito jovem na cor, fino, mas ao mesmo tempo potente. Estilo velho Rioja em definido. Adorei

1962 Domaine Armand Rousseau Père et Fils Chambertin
Pois, de uma garrafa com nível baixo, saiu um Borgonha de Antologia, com a vida, com a plenitude, que muitos poucos vinhos poderão ter aos 50 anos. Incrivelmente complexo, doce, generoso e por incrível que pareça, uma garrafa muito bem guardada, terá de certeza muitos anos pela frente. Inesquecível

1993 Bonneau du Martray Corton-Charlemagne
Ahh, nada de premox aqui. Excelente, e muito jovem na cor. Muito fino no nariz, viscoso na boca, com volume e largura. "Fantástique"

1997 Bruno Giacosa Barolo
Ficou mesmo nas covas no confronto geral. Aroma inicialmente pouco definido. Deveria ter tido mais tempo. Se fosse bebido sozinho, seria excelente, mas no meio disto tudo....é a vida.

1985 Château Ausone
Outro vinho fantástico. Tão jovem, tão equilibrado. Tem tudo o que um grande vinho deve ter, a fruta, a concentração, a patine, a acidez, os taninos, e em equilíbrio perfeito. Maravilha.

1993 Domaine de la Romanée-Conti Richebourg
Muito jovem ainda. Incrivelmente perfumado, denso e profundo. Um mimo. Um Richebourg cheio de nervo. Ainda com taninos jovens. Precisa de tempo.

1927 JMF Moscatel de Setúbal Superior
Outro vinho de antologia. A complexidade, o vinagrinho, a doçura e depois de isto tudo o equilíbrio. Longo, longo, longo. Que maravilha de vinhos. Grande Moscatel.

2003 Quinta da Pellada
Muito bem e ainda a precisar de garrafa. Nota-se o ano quente, notamos a concentração, mas este vinho está cheio de vida, perfumado e sobretudo cheio de sabor. A Guardar ainda

2004 Quinta do Vale Meão
Uns furitos acima do anterior, mas também ainda muito jovem para ser aberto. Muito fino no nariz, austero na boca. Precisa de tempo, pois tem margem para melhorar e muito. Adorei

domingo, 27 de novembro de 2011

Velhos são os trapos

São inúmeras as vezes que me encontro perante a situação de estar a agarrar numa garrafa de um vinho velho, numa loja, e logo aparecer um individuo a exclamar; Ahhh isso já está vinagre!!!!!!
Se há preconceito que mais me dói, é esse mesmo. Para o português em geral, apenas o Vinho do Porto, graças ao ditado, quanto mais velho melhor, é reconhecido como o único vinho capaz de ser bebido em velho. Nem mesmo o eterno Vinho da Madeira, é reconhecido com essa capacidade e não poucas vezes as pessoas se intrigam como é possível já ter bebido um vinho do Séc. XIX ou mesmo XVIII, ficam atónitas, desconfiando sempre do que lhes digo. Se por um lado nos fortificados ainda ficam desconfiadas, nos vinhos de mesa, com especial relevo nos Vinhos Brancos, a possibilidade de um vinho, digamos que com 10 anos, estar bom é algo que nem sequer colocam em questão. Está vinagre e pronto!!!!!

Pois eu, adoro vinhos velhos. Adoro a complexidade e a plenitude de um vinho que esperou dezenas de anos dentro de uma garrafa, à espera daquela pessoa a quem estava destinado. E quando essa pessoa gosta de vinhos velhos, parece uma electrizante mística que envolve este dueto Vinho/Bebedor.
Há umas semanas agendei com amigos, bons amigos, que gostam tanto de vinhos velhos como eu, uma "limpeza de garrafeira" (não é bem limpeza de garrafeira, mas sim uma desculpa para estar com os amigos e abrir vinhos que sei que irei gostar, aliás, que iremos gostar) dos vinhos velhos que andam cá por casa. A ideia foi de pegar em vinhos de várias décadas, começando pela década de 50 e chegar aos anos 90.
A prova foi emocionante, muito graças aos vinhos que estavam em fantásticas condições, muitos deles em patamares de excelência, estando apenas um prejudicado pela presença de TCA. As vezes pergunto-me se não poderia ter um rasgo de ganância e beber uma destas garrafas sozinho. Poder, podia, mas não era a mesma coisa. Estas tardes assim passadas, aprendendo, dissertando, e sobretudo bebendo belos vinhos velhos, tem muito mais interesse, se for num ambiente de partilha e de amizade.

Como já disse, os vinhos, eram 21, estavam em magníficas condições, na sua maioria e souberam deixar uma grande certeza; Há belíssimos vinhos velhos Portugueses, ou se quiserem, existem garrafas magníficas de vinhos velhos Portugueses.

O alinhamento e respectivas notas que tomei:

Pommery Millesime 1955
Evoluído, com notas de caramelo. Excelente acidez e percepção ténue do gás. Muito bom

Pommery Millesime 1962
Muito menos evoluído, com notas resinosas. Complexo. Excelente frescura e soberba acidez. Fantástico.

Caves são João 1967
Uma garrafa de antologia. Simplesmente perfeito, equilibrado e no auge máximo.

Tinto velho Cartaxo 1966
Vivo, ainda a mostrar fruto ligeiro. Demorou muito pouco no copo até desintegrar-se. Uma pena.

José Rosado Fernandes Tinto velho 1975
Muito bem, no estilo Rosado Fernandes, apesar da volátil alta. Grande concentração e pujança.

Centro de Estudos de Nelas Dão 1975
Espectacular. Foi bebido ao lado do tinto velho e mostrou a antítese deste. Complexidade, elegância no seu expoente máximo. Um dos vinhos da noite, para mim.

José Rosado Fernandes Tinto velho 1980
Pareceu-me com menos volátil que o 75 mas também com menos concentração. Num estilo mais fino, numa prova onde mostrou-se estar no limite.

Cooperativa do Vilarinho do Bairro Garrafeira Bairrada 1980
Soberbo e para mim o vinho da noite. Esta é a segunda garrafa que bebi deste vinho, anteriormente já o tinha sido o vinho da noite entre vinhos como Gruaud Larose 92, Latour Martillac 81, e em ambas foi considerado o melhor. Impressiona pela juventude, pela complexidade, pela elegância. Um vinho magnifico.

Herdade do Mouchão 1985
O estilo não engana ninguém, e apesar de não ser dos melhores exemplares, está lá tudo o que estou á espera. A potência do Alentejo

Quinta do Carmo Garrafeira 1987
Soberbo. Um grande Carmo, cheio de fruto, muito eloquente no aroma. Cheio e vigoroso na boca. Delicioso.

Valdarcos 1985
Pena que o TCA estivesse a esconder o grande vinho que estava por baixo.

Gonçalves Faria Tonel Especial 5 Garrafeira 1990
Como sempre, magistral, delicioso, potente mas elegante, austero mas redondo.

Quinta da Dôna 1991
Um caso serio de um vinho que ainda agora começou a levantar voo. Um vinho que poderá muito bem sobreviver todos os anteriores. Magnifico.

Romeira Garrafeira 1976 (Magnum)
Muito bem no aroma mas algo metálico na boca.

Borgogno Barolo 1993
Ligeiramente turvo, floral, fruto Silvestre. Alguma evolução. Taninos empertigados. Muito bom.

Quinta do Todão Vinho Velho
Um colheita sem indicação de data. Muito complexo no aroma, doçura controlada. Muito fino. Muito bom.

A.J da Silva 1880 (Quinta do Noval)
Novamente Magistral. Complexidade, frescura, volúpia.
Boca com enorme frescura, acidez magistral a pedir copo atrás de copo. Longo, longo, longo. Ligeiro desvio alcoólico. Quase perfeito.

Laurent Perrier Grand Siécle
Evoluído mas com muita complexidade. Enorme acidez. Muito bem. Ao nível do Pommery Millesime 1962.

1º Prémio da Confraria dos Enófilos Alentejo Branco 1991
Grande surpresa num branco cheio de vida, com notas de resinas, notas petroladas. Boca assertiva e nervosa. Excelente.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Taylor's, Fonseca & Croft Vintage - Trilogia Fladgate


Foram muitas as dissertações que decorreram, simplesmente do facto da Fladgate ter declarado os seus "Vintage Clássico", quando o que se esperava seria um ano de Single Quinta. A verdade é que esta suposição estava confirmada pela tradição de três "Vintages Clássico" por década e nesta já terem sido declarados 2000, 2003 e 2007. Alguns autores chegaram mesmo a criticar esta decisão, no entanto, o que terá levado a Fladgate a colocar no mercado estes 3 vintages? Bem, segundo me pareceu, e tendo em conta o prestigio imaculado desta casa, terá mesmo sido a qualidade do "líquido" que encerra cada uma destas garrafas.

A colheita de 2009, quente, correu de feição para o Vinho do Porto e neste caso para os Vintage. Lembro-me de na altura das vindimas vários produtores a exaltarem com a cor e concentração das massas que tinham na adega. Lembro-me também dos primeiros vintage 2009 que provei, num périplo já neste blog relatado, no qual constatei que algumas casas, em meu entender, conseguiram melhorar a qualidade dos seus Vintage, em relação aos que tinham declarado em 2007. Confesso que vi uma qualidade excepcional no que ia provando.

Croft Vintage Porto 2009
Muito concentrado na cor. No aroma o fruto é intenso, maduro, de figos e ameixa preta a que se juntam sugestões florais. Ligeiro desvio alcoólico.
Boa concentração na boca, com volume, algo quente. Final longo e saboroso. É o vinho mais cordato e mais disponível de todos. Um Vintage que poderá guardar, mas que não poderá ser esquecido na garrafeira.
Nota 17

Fonseca Vintage Porto 2009
Concentrado na cor, opaco. Compacto, uma bomba de fruto preto, negro. Ainda muito pouco dialogante. Algumas sugestões vegetais. Austero e químico.
Longo e poderoso na boca mas com taninos muito finos. Adorei. Este sim, o vinho com enorme futuro e para ser esquecido na garrafeira.
Nota 18,5


Taylor's Vintage Porto 2009
Cor de grande concentração. Também muito compacto no aroma, com muito ainda dizer, ainda por ser desvendado. Para já muitas notas de fruto preto, denso, e sugestões florais.
Na boca, mais doce que o Fonseca, um misto de vigor com suplesse, de potência com elegância. Taninos sedosos e final muito, mas muito longo.
Nota 18,5

Difícil escolher entre os dois últimos da prova. É certo que são estilos bem diferentes, mas não deixam de ser dois belos exemplos de Porto Vintage. O tempo encarrega-se das razões mas para já confesso que me agradou esta decisão. Parabéns.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Esporão Syrah 2008 vs Esporão Petit Verdot 2008



Continuando com os novos monocasta do esporão, desta feita com a prova em simultâneo do Syrah e Petit Verdot, ambos da colheita de 2008.


Esporão Syrah 2008
Este 100% Syrah, fermentou em cubas de inox, estagiando depois 12 meses em barricas de carvalho americano, e ainda mais 12 meses de estágio em garrafa.
Cor rubi de grande concentração. Começa muito bem, com sugestões de fruto preto denso, a que se associam notas de carne assada e chocolate. Boa frescura.
Pleno de sabor, na boca, com o fruto preto, doce, a dominar toda a prova. Muito guloso, excelente na acidez e no seu final redondo e longo. Um vinho feito para agradar a todos, e principalmente aos que gostam deste "estilo australiano". Muito bem, um Syrah muito bom.
Nota 17


Esporão Petit Verdot 2008
Este 100% Petit Verdot, fermentou em cubas de inox, estagiando depois 12 meses em barricas de carvalho francês e ainda 12 meses em garrafa.
Cor rubi de boa concentração. Alguma austeridade no aroma, com muitas sugestões de vegetal seco, mineral e de couro. A fruta, madura, fica relegada para segundo plano, num vinho de grande carácter e com boa frescura.
Excelente na boca, nervoso, com taninos muito jovens, excelente acidez e final longo. Poderá não ser do gosto de todos, tenho a plena consciência que não será, mas este Petit Verdot, merece sem dúvida ser conhecido e apreciado, pelo carácter que demonstra em toda a prova. Poderá ser guardado por mais uns anos até acalmar os seus taninos e atingir a sua forma ideal.
Nota 17,5

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Altas Quintas Branco 2010

Do alentejo, a nova colheita do Altas Quintas branco 2010.


Altas Quintas branco 2010
Da Serra de São Mamede nasce este vinho, feito a partir das castas Verdelho e Arinto, que fermentam em barricas novas de carvalho francês e nelas estagiam por 4 meses.
Cor palha esverdeada, aromas de citrinos, laranjas, a que se juntam sugestões de mel e alguma especiaria. Barrica bem integrada.
Boca com volume, encorpado, branco de inverno, mas onde falta alguma frescura de conjunto, apesar mesmo da acidez excelente que tem. Final Longo. Vai precisar de comida por perto. Pessoalmente estava à espera de outro estilo.
Nota 16

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