quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Vinhos do Alentejo em Lisboa

É a terceira edição do evento, organizado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), que traz a Lisboa os Vinhos Alentejanos.

Os Vinhos do Alentejo vão estar em prova no Centro Cultural de Belém (CCB), nos próximos dias 30 de Setembro e 1 de Outubro, num evento que é dirigido a todos os consumidores.
Neste evento estarão em prova, mais de 300 vinhos desta região. Face à possibilidade que terá, de provar uma boa parte dos mais emblemáticos Vinhos Alentejanos, este evento é imperdível.

domingo, 4 de setembro de 2011

Varietais Esporão

Há bem pouco tempo estive na Herdade do Esporão e ao provar alguns dos seus vinhos que em breve serão lançados, fiquei a pensar que por vezes esquecemo-nos das "grandes" empresas produtoras e do que elas fazem. É verdade que a quantidade é inimiga da qualidade, é verdade que um vinho como, por exemplo,o Monte Velho, nunca poderá ser considerado como um grande vinho, um vinho especial, até porque nem sequer foi feito a pensar nessa possibilidade. No entanto, e se olharmos para o Esporão, vemos uma gama bem definida, e sobretudo, a máxima de fazer o melhor possível com cada uva que entre na adega. Este trabalho dá os seus frutos e hoje teremos de considerar o Esporão como um produtor de solidez e consistência, muitas vezes ao nível do pequeno produtor de vinhos de pequenas produções. É obra.

No esporão sempre houve lugar à criatividade, à ousadia e à experimentação. Os varietais, agora com nove imagem, são o exemplo desta ultima. Embora não seja, em Portugal, o maior fã dos vinhos varietais, salvo honrosas excepções, também compreendo o porquê de existirem. Penso que poderão ser bastante importantes no conhecimento das castas, importantes para saber como se comportam em determinados anos e como evoluirão na garrafa. No entanto, na minha opinião, deveriam servir um propósito maior de ajudar à melhoria dos vinhos de lote. Ora, ainda assim, o vinho não pode ficar nas adegas, só por se tratar de experiências, e tem de ser vendido. A verdade é que também a nós, estes vinhos, podem ensinar um pouco mais sobre as castas.
Para a colheita de 2008 foram apresentados os varietais de Touriga Nacional, Petit Verdot, Alicante Bouschet e Syrah, por serem as que melhor se apresentaram. Vamos então começar pelo Touriga Nacional.


Esporão Touriga Nacional 2008
Feito exclusivamente a partir da casta Touriga Nacional, este vinho fermentou em cubas de inox, passando depois por um estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês e 12 meses em garrafa.
Côr violácea de grande concentração. Muito apelativo no aroma, com muitas sugestões florais, fruto bem maduro, algumas notas vegetais e uma barrica muito bem integrada. Com tempo aparecem também sugestões de fruto silvestre, framboesas e morangos.
Na boca todo ele é sabor, tem estrutura, tem largura, mas também é elegante. Os taninos estão presentes mas são redondos e mostram-se prontos. Muito equilibrado e com um final longo e saboroso. Muito bem.
Nota 17

Altas Quintas Colheita 2007

É o novo colheita do produtor Altas Quintas. Enquanto regiões como o Douro já lançaram alguns vinhos da colheita de 2009, e os topos serão-no em breve, no Alentejo, alguns produtores ainda lançam colheitas anteriores de 2007 e 2008.

Altas Quintas é um produtor que se desenvolve na região de Portalegre, bem na Serra de São Mamede. É uma zona Alentejana que confere frescura aos seus vinhos, cujas vinhas estão em altitudes superiores a 500m, por via da referida Serra. Quando bem há pouco tempo visitei a Serra de São Mamede deu para perceber que ali não há um Alentejo como de imediato nos vem à ideia. Ali, o terreno é rugoso, de altos e baixos. Lá de cima da serra, percebe-se um clima diferente que se transmite nos seus vinhos. Um Alentejo diferente. Mas vamos ao Vinho:


Altas Quintas 2007
Feito a partir das castas Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet, este vinho fermentou em balseiros de carvalho francês e por fim estagiou por 18 meses em barricas.
Com uma côr de boa concentração, apresentou-se muito bem no aroma. Para já é o Alicante que comanda, com sugestões de fruto preto, notas licoradas e uma boa dose de profundidade a não querer mostrar tudo de rompante. As notas de barrica estão já muito bem integradas, com ligeira percepção de notas tostadas.
Na boca mostra volume, robustez a que se junta uma excelente acidez do conjunto. Fresco e muito equilibrado, apesar dos seus 14º. Um vinho gastronómico que acompanha pratos robustos.
Nota 17

sábado, 3 de setembro de 2011

Portugal Tour - O Final

Em jeito de resumo, apenas umas ideias acerca do que poderão esperar, de uma forma, generalizada das colheitas de 2009 em tintos e 2010 em brancos.
Isto não será propriamente futurologia, nem sequer serão umas conclusões. São sim impressões de alguém que teve a oportunidade de provar uma boa amostra de vinhos, mais de 1000 garrafas foram abertas, com especial destaque nas regiões do Douro e Alentejo.

É fácil estar duas semanas a provar vinhos, intensamente de manhã à noite a provar vinhos, quando estes pertencem a produtores que são considerados os melhores de cada região que representam. É fácil, pois à partida sabemos que o que provamos terá sempre uma qualidade média bastante elevada, e em alguns casos, tudo o que é feito é mesmo bom. Mas a verdade é que esta viagem também se centrou em produtores menos representativos e menos conhecidos, o que também serviu para perceber o que se anda a passar fora das luzes da ribalta do mundo vínico. Foram também provados "grandes" e "pequenos", ou seja, desde as grandes empresas produtoras, até ao mais singelo e nobre produtor que apenas faz uns poucos milhares de garrafas.


A ano de 2010
Depois das excelentes colheitas de 2007, 2008 e 2009 (apenas em Tintos), chega-nos a colheita de 2010. Se bem me lembro, foi um ano bastante diferente dos anteriores, que foram bastante secos, sendo 2009 o mais quente de todos. Em 2010 o que não faltou foi água, pelo menos até Julho, quando simplesmente parou de chover. Pelo meio de tanta chuva, algum míldio, e mais tratamentos que o "normal". Setembro e Outubro, novamente sem grandes percalços, pouca chuva e já só em Outubro, quando já não traria grandes dissabores. O resultado foi acabou por ser bem melhor do que se esperaria e os enólogos acabaram por ter excelentes uvas a entrarem dentro de casa.



Brancos 2010
Gostei bastante do que provei. Alguns produtores conseguiram, no meu entender, fazer os seus melhores brancos de sempre, também por cada vez conhecerem melhor as suas vinha, mas porque conseguiram fazer vinhos finos, com excelente acidez e frescura. No meu entender, estes brancos conseguem ser o oposto de 2009, que são volumosos e com falta de acidez em muitos dos casos. Os brancos de topo de 2010 começarão a sair em breve e vale mesmo a pena apostar neles, sobretudo nas regiões mais a norte, como o Dão, Douro e Vinho Verde. Estão excelentes, com excelente acidez e muito equilibrados.


Tintos 2009
Belíssima colheita esta de 2009, em tintos. Fiquei agradavelmente surpreendido com a qualidade geral dos vinhos e em vários casos, transversais a todas as regiões que visitámos, alguns produtores excederam-se mesmo, no bom sentido. São vinhos com excelente concentração, saborosos, largos, no entanto não perderam frescura e tensão. Muito bons. No Vinho do Porto, polémicas à parte, também uma excelente colheita com Vintage muito sérios e austeros. São 3 anos seguidos, 2007, 2008 e 2009, em que se fizeram grandes tintos por Portugal inteiro.

Numa época difícil, de contenção, e onde provavelmente o mercado interno abrandará, falta gerar reconhecimento internacional aos vinhos portugueses. Metade do trabalho está feito, ou seja, os vinhos têm qualidade, os vinhos portugueses estão cada vez melhores. Falta agora o empenho de cada produtor, de cada organismo promotor, na promoção de Portugal como um país com vinhos de excelência, de vinhos com carácter e diferenciados. Falta evangelizar lá fora, as nossas castas e as nossas regiões.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Portugal Tour IV

Continuando, desta feita pelas planícies Alentejanas. Foi uma viagem muito interessante, na sua esmagadora maioria por excelentes produtores, com excelentes vinhos, no entanto houve para mim uma mão cheia de produtores, o "Quinteto Maravilha", que se destacaram dos demais pela sua enorme qualidade e em alguns deles, pela mudança de estilo que operaram. Difícil foi mesmo escolher entre tantos bons produtores, mas adiante.


Herdade da Malhadinha
Este produtor, aliás, esta família sempre teve tudo para colocar sucesso na fabulosa Herdade que adquiriram. Podíamos começar por falar na idílica Herdade, no seu excelente projecto de Enoturismo ou na sua Country House, onde nada foi deixado ao acaso, no sentido de proporcionar o maior conforto aos seus clientes. No vinho, e desde o início, tem sido colocado um enorme esforço para trazer o melhor que as suas vinha dão, aos seus clientes. O objectivo tem sido amplamente conseguido, e graças a alguma afinação de perfil, no meu entender, nesta ultima colheita foi mesmo superado. A verdade é que por vezes parecerá algo fútil dizer que este, ou aquele, produtor conseguiram fazer o melhor vinho de sempre, mas, nunca esta afirmação foi tão verdadeira para esta produtor.
Tudo isto para dizer que o Malhadinha Tinto 2009 é, no meu entender, o melhor vinho que foi feito até hoje na Herdade. O vinho impressiona pela sua precisão e enorme profundidade. Remete-nos para algo misterioso, obrigando-nos a incessantemente procurar nas profundidades dos seu aroma. Por outro lado, a grande concentração de aromas e na boca, tornam-no no mais opulento Malhadinha, e isto sem perder, também um grande feito, a sua frescura e taninos. Adorei.
Ainda assim, isto não completa o cenário, uma vez que os brancos também são de especial interesse falar neles, uma vez que foi nestes, com destaque para o Malhadinha Branco 2010, que foi operada a grande mudança de perfil na casa. Quem costuma seguir atentamente os vinhos desta casa, certo reparou que o Malhadinha Branco sempre foi um branco muito bom, mas que sempre teve na sua juventude uma madeira que demorava a integrar (o 2008, recentemente bebido, mostra precisamente um branco ainda muito pouco evoluído, mas também ainda com a madeira por integrar), no entanto, 2010 é exactamente o contrário, um vinho cuja madeira aparece desde já muito bem integrada, e por isso mesmo torna-o mais fino, mais elegante. Excelente branco. De ressalvar ainda a qualidade apresentada, também, nos Peceguina, que se perfilam como uma excelente escolha para a gama/preço onde se inserem, apoiando-se na fruta e na frescura para darem enorme prazer. Finalmente, a recente gama de varietais da casa e o Pequeno João, que deixou de ser o vinho mais extraído da casa, para também ele, se tornar mais elegante. No varietais, fico sempre com um "sensação agridoce", pois se por um lado são vinhos muito bons, todos eles, por outro, não se destacam dos demais. Ainda assim, de entre eles, o meu destaque vai mesmo para o Alicante Bouschet, por ser um fiel depositário do perfil da casta, sem exagerar na extracção.
Os meus sinceros parabéns pelos belos vinhos que apresentaram.


Quinta do Mouro
O "Enfant Terrible" do Alentejo está no seu auge de forma, e é no meu entender o produtor que mais se destaca na região, muito por culpa do carácter e individualidade que imprime nos seus vinhos, tornando-os em vinhos que se desmarcam do Alentejo, com o seu estilo muito próprio.
Tivemos oportunidade de provar os Rótulo Dourado 2005/06/07/08, que pura e simplesmente deixaram-me siderado, de tão bons que são. Todos eles atingiam patamares de excelência, sendo que o 2005 e 2007, extrapolavam-se para grandiosos vinhos que estão ao alcance de muito poucos produtores atingirem. São vinhos profundos, que depositam na sua acidez e taninos, associados a uma textura invulgar, todo o seu esplendor. Mas é enganador pensar que apenas o RD é o que se faz na casa, com enorme qualidade, nada disso, os colheita e mesmo os Casa de Zagalos também impressionam pela sua qualidade, e no primeiro caso, as colheitas de 2007 e 2008, mostraram vinhos irrepreensíveis no sabor e nos deliciosos taninos. Um must, conhecer este produtor.


Dona Maria
Tenho mesmo por começar pelo magnífico Château que é a Quinta do Carmo, não confundir com a marca Quinta do Carmo que se encontra na posse da Bacalhôa Vinhos, o lindíssimo palácio de onde nascem os vinhos Dona Maria. Andar dentro de casa é remontar a tempos idos do Séc. XIX. Magnífico.
No que aos vinhos diz respeito, este é o produtor, a par do anterior e da Quinta de Zambujeiro, que lidera a região de Estremoz. Em toda a sua gama podemos encontrar vinhos excelentes. Começando pelo Rosé, um dos melhores do Alentejo, onde a secura e frescura o tornam numa excelente escolha de verão, podendo eventualmente integrar-se na meia estação. Bom Rosé.
No brancos da casta Viognier, o Dona Maria e o Amantis, a diferença entre o Inox e a Barrica. Se por um lado a frescura assenta no primeiro, no segundo a mineralidade, associada às notas de barrica. Não sendo uma casta que admiro, tenho a consciência que os apreciadores desta, irão encontrar o que pretendem nestes vinhos.
No tintos, dois colossos foram-nos foram apresentados, o Dona Maria Reserva 2007 e o JB 2007. Nestes, a capacidade de envelhecimento é evidente, pelos taninos que apresentam. São ainda muito jovens e vão precisar de muito tempo para chegarem ao seu auge, no entanto garanto-vos que são tão, mas tão bons. Adorei estes dois vinhos, que infelizmente parecem estar a dar que fazer ao Júlio Bastos, que pondera se os deve ou não lançar. Por mim era já, que eu quero-os na minha garrafeira.
Tive ainda a oportunidade de estar perante a difícil escolha dos lotes para o Amantis Tinto 2009, mas garanto-vos que está delicioso, cheio de sabor e com taninos redondinhos. Fácil de gostar e muito difícil de resistir.


Herdade do Esporão
Um dos maiores produtores portugueses mas cuja consistência dos seus vinhos, sejam ele o Monte Velho ou o Private Selection, é levada ao limite. Não se provou tudo desta casa, mas o que se provou, dá excelentes indicações do que são as próximas colheitas.
Impressiona-me sempre a qualidade dos Esporão Reserva, onde a qualidade notável, face à quantidade de vinho produzido. Atenção ao Esporão Reserva tinto 2009, que está excelente e é uma excelente RQP. Nos Private Selection, de destacar a cremosidade e amplitude aromática do branco 2010 e a densidade do fruto maduro e a estrutura de boca, aliada à elegância, no tinto. São sempre um porto seguro para quem procura um grande vinho. Excelentes.
Finalmente o novo Torre, de 2007, com aroma muito compacto de fruto negro, denso e profundo, grande amplitude na prova de boca, com toneladas de taninos, muito potente e longo. Um "Vin de Guarde" sem tirar nem pôr. Muito bem.


Zambujeiro
Um produtor "estranho", no sentido de infelizmente ser pouco conhecido, apesar da qualidade que apresenta nos seus vinhos. A verdade é que os seus vinhos, na minha humilde opinião, estão entre os melhores do Alentejo e mesmo de Portugal. Não são vinhos baratos, é certo, e será provavelmente essa a razão deste aparente desconhecimento. Outra razão poderá ser encontrada na sua enorme percentagem de exportação a que são sujeitos, em virtude do proprietário ser suiço. Os Terra do Zambujeiro são vinhos muito bons, com capacidade de guarda mas os tesouros deste produtor são mesmo os Zambujeiro, que atingem facilmente em todas as colheitas um patamar de excelência. São belíssimos vinhos que envelhecem muito bem. Enorme o Zambujeiro 2007, um caso sério de vinho, onde a Touriga Nacional mostra toda a sua arte, como componente de um lote, e onde a estrutura de boca e taninos mostra um vinho que precisará ainda de tempo em garrafa. Grande vinho, com carácter e enorme frescura. Adorei.




Continua......

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