quarta-feira, 13 de julho de 2011

Portugal Tour

Foram 2 semanas intensas, foram cerca de 3.000 Kms percorridos e mais de 1000 vinhos provados. Uma semana muito elucidativa quanto à colheita 2009 que se apresta, na maioria dos casos, para ser lançada no mercado. Serviu também para revisitar e consolidar a minha opinião pessoal acerca de alguns produtores e regiões, com destaque para os Vinhos Verdes, Douro e Alentejo.
Em suma, os Vinhos Portugueses estão muito bem e recomendam-se. A trilogia de excelentes colheitas, 2007, 2008 e 2009 veio mesmo demonstrar inequivocamente que este final de década acabou por beneficiar os nossos vinhos, no entanto, lá fora, continua-se a desconhecer este país vitivinícola.
Finalmente, obviamente que não vou escrever sobre todos os vinhos que provei e sobre todos os produtores que visitei, apenas me irei restringir aos produtores que mais me entusiasmaram. Que acabaram por ser bastantes.

1º Dia (27 de Junho de 2011)

Começou-se pela Região Lisboa, e com a visita a 2 produtores, Quinta de Sant'Ana e Quinta do Monte D'Oiro.

Quinta de Sant'Ana
Foi a minha primeira a este produtor. James Frost é o proprietário da casa, muito bonita, onde nascem estes vinhos. O encepamento passa por castas estrangeiras, onde se contam Riesling, Sauvignon, Merlot ou Pinot Noir e castas nacionais, Alvarinho, Verdelho, Touriga Nacional ou Aragonez (Tinta Roriz). Acabei por achar os vinhos francamente interessantes, destacando os Riesling, nomeadamente o 2009, o Pinot Noir 2009, e os Reserva. A seguir com atenção.

Quinta do Monte D'Oiro
Não podia ser mais diferente que a anterior visita. Em relação a este produtor apenas a confirmação da sua excelência. A verdade é que me parece que cada vez estão melhores os seus vinhos e alguma inflexão de estilo, no meu entender muito bem vinda, trouxe vinhos mais finos e elegantes, sem no entanto prejudicar a longevidade que aparentam. Por outro lado parece-me que a relação com Michel Chapoutier tem dado os seus frutos. Todos os vinhos apresentam estilos diferentes mas apresentam uma homogeneidade qualitativa impressionante. Para mim acaba por ser difícil destacar este ou aquele vinhos mas achei que o Lybra Branco muito bem feito e ajustado ao preço que vai apresentar. Por outro lado, os Reserva, o Syrah 24 e o Ex-Aequo, são vinhos que impressionam. Atenção, que as novas colheitas que se apresentaram são ainda muito jovens e precisam de algum tempo em garrafa e paciência, o que é difícil hoje em dia. Muito bem


2º Dia (28 de Junho de 2011)

Começou-se a odisseia pelo Douro. Este dia foi dedicado aos Douro Boys, Wine & Soul, Passadouro e Chocapalha


Quinta do Crasto
É sempre difícil escrever sobre este produtor, uma vez que já disse tudo sobre ele. A ideia que me fica sempre que provo os seus vinhos é a qualidade extrema e sobretudo uma consistência ímpar. Colheita após colheita estão entre os produtores de maior sucesso. A legião de fãs, eu incluído, continua e continuará a crescer. Por certo saberão do pedestal em que coloco o Vinha da Ponte e de certo modo fico triste quando não é produzido. Adoro a profundidade desse vinho. A colheita de 2009 apenas trará o Vinha Maria Teresa que está igual a si mesmo, sumarento, delicioso e balsâmico, apesar da juventude com que o provei, em amostra de casco. A qualidade está toda lá, como sempre.
Mas, é o Reserva Vinhas Velhas que mais impressiona pela sua consistência e qualidade, ano após ano, e se consideramos a quantidade de garrafas produzidas, então ainda mais. A verdade é que a preocupação com a qualidade é transversal a toda a gama deste produtor. Podemos encontra-la também no Crasto, branco e tinto, que são difíceis de não gostar e no Crasto Superior, que agora começa a dar os seus primeiros passos mas que promete. 2009 voltou a ser um belíssimo ano para a Quinta do Crasto.


Quinta do Vale Meão
Outro produtor de exceção, outro produtor ao qual não podemos apontar um vinho menos conseguido, um vinhos com desvio de qualidade. Impressionante que estes vinhos venham do Douro Superior. Tem de ser graças a um Terroir de exceção e a uma família talentosa que este vinho é o que é. Não conheço nenhum vinho no Douro com a textura aveludada que o Vale Meão tem, mesmo quando jovem. Os taninos aristocráticos são outra marca muito particular deste vinho. Se o Vale Meão já é por si só um "blockbuster", que dizer do excelente Meandro do Vale Meão, que perfila-se como um dos líderes no seu segmento de preço e onde ano a pós ano continua a encurtar a distância de qualidade para o seu irmão mais velho. Impressionante.
Nesta visita, tudo na mesma, ou seja, ambos excelentes os vinhos da colheita de 2009, onde o Vale Meão se destaca pela excelente concentração, sem perder a frescura e elegância. Ainda se revisitou o Quinta do Vale Meão 2005, que se mostrou enorme no seu potencial de guarda pois ainda está muito novo. Felizardo quem ainda tenha garrafas guardadas. Grande Vinho.

Quinta do Vallado
Tal como a Quinta do Vale Meão, esta é uma das quintas que pertenceu à da Dona Antónia, a Ferreirinha. Este produtor tem sido uma agradável surpresa nos últimos anos, onde saiu de uma situação monótona, um pouco inconstante, para a ribalta. A verdade é que em tempos fiz uma vertical dos seus Reserva e fiquei absolutamente rendido à qualidade e longevidade dos vinhos. Desde essa altura, fiquei sempre atento à evolução dos seus vinhos e à apresentação das suas novas colheitas. Penso que a mais valia deste produtor está nos seus vinhos de topo. Não quero dizer com isto que todos os restantes sejam maus, muito pelo contrário. A verdade é que os Reserva e o Adelaide são vinhos fantásticos e que se destacam dos demais. O produtor também faz alguns varietais e ainda brancos. Atenção ao Adelaide 2009, Reserva Field Blend 2009 e Sousão 2009. São todos eles vinhos fantásticos, no meu entender. Apesar de falar pouco dos brancos da casa, considero-os muito bons, mas penso que os tintos são os mais interessantes.


Quinta do Vale Dona Maria
Este produtor, cuja alma está sediada no Cristiano Vanzeller e mais umas quantas lindíssimas senhoras, é quem produz um dos vinhos mais sexy do Douro, talvez pela forte presença feminina, que é o Quinta do Vale Dona Maria. Como eu adoro este vinho de volúpia, elegância, feminino. A verdade é que enquanto o CV, o topo da casa, é habitualmente um vinho mais fechado, mais austero, em novo, este Vale Dona Maria é pura diversão.
A Casa ainda produz a gama Van Zellers, que nasce de uvas provenientes do Douro mas que são compradas a lavradores. Na prova foram apresentadas também as novidade em vinho do Porto, com a integração de tawny 10 e 20 anos, que garanto-vos são muito bons, com especial destaque para o 20 Anos. Também aqui pareceu-me que a colheita de 2009 deu bons frutos. O Rufo pareceu-me mais saboroso que em anos anteriores, o Vale Dona Maria é o Vale Dona Maria, que nunca deixa ficar mal, está estupendo, e o CV que será um senhor vinho daqui a uns anos. A gama Van Zellers mantém a sua qualidade/preço muito correta. Uma nota especial para os brancos deste produtor, que têm vindo a melhorar significativamente. Vale a pena apostar no VZ 2010.


A segunda parte do dia contemplou os vinhos do Jorge Borges e da Sandra Tavares da Silva e que compreenderam os Chocapalha, Passadouro e os seus próprios vinhos Pintas e a recente entrada Quinta da Manuela.


Wine & Soul
"Vinho e Alma" é o nome da empresa de Jorge Borges e Sandra Tavares da Silva e de onde nascem vinhos como os Pintas, Guru, Pintas Character e agora o novíssimo Quinta da Manoella VV (sim, passou de Manuela para Manoella). É sobre este projeto que gostaria de falar pois este Quinta da Manoella VV 2009 é um vinhão. A proveniência é a já conhecida Quinta da Manuela, que em tempos andava pelas prateleiras nacionais, e que agora, por herança, passa para a família Wine & Soul. Tive oportunidade de colocar frente a frente o Quinta da Manuela 2001 e este novo vinho. A comparação não é possível sob vários aspetos mas afianço-vos que este Manuela 2001 estava cheio de vigor, de vida, de complexidade. Está um senhor vinho. Por outro lado, o Manoella VV é realmente um belo vinho, ainda muito jovem, quase imbatível, onde os taninos ainda muito jovens e empertigados dominam o conjunto. Habemus Vinum
Quanto aos restantes, mais do mesmo.... Continuamos a ter um Pintas 2009, que alia a concentração à elegância, tornando-se num vinho sumptuoso e irresistível, continuamos a ter um Pintas Character 2009 que parece ter um pouco mais de nervo e de tensão associada à concentração da colheita, ao mesmo tempo que encurta a distância para o seu "irmão". Está muito bom este Character 2009.

Continua........




sábado, 11 de junho de 2011

Altas Quintas RESERVA-DO

Há muito que não saía nada do Altas Quintas. Esta afirmação pode ser estranha pois este produtor tem os seus vinhos a saírem todos os anos, mas, o que queria mesmo dizer é este produtor tem sempre algo escondido na manga, tem tido sempre um vinho que coloca a envelhecer e o lança quando acha que está pronto. Este ano chama-se RESERVA-DO e é da colheita de 2005. Vamos a ele:



Altas Quintas RESERVA-DO 2005
Cor de boa concentração, ainda com toda a sua juventude. Profundidade de aroma, com muitas sugestões de alcaçuz e aniz a que se associam o fruto maduro, as notas florais e as sugestões minerais. Boa frescura do conjunto.
Muito bem na boca, que mostra o volume e a tensão da acidez. Mostra um final longo ainda com taninos impertigados a mostrarem que o seu melhor ainda está para vir. Muito bem, gostei muito.
Nota 17

Esporão no Douro - Assobio e Murças

A noticia oficial foi dada há 3 anos, mas há muito se falava que o esporão queria ir para o Douro. A verdade é que fazia todo o sentido que o Esporão, à semelhança das outras empresas da sua envergadura, começasse a alargar os seus horizontes. Com o seu enólogo a conhecer tão bem a região foi uma questão de tempo até o Esporão assentar praça no Douro.
A escolha recaiu sobre a Quinta dos Murças, em Covelinhas. Organizaram-se as vinhas velhas, plantaram-se vinhas novas e saíram para o mercado os frutos deste trabalho, que aqui estão:

Esporão Assobio Douro 2009
Cor de boa concentração. Feito a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, 20% deste vinho estagiou em barricas novas e usadas.
Aroma de frutos vermelhos e maduros, algum vegetal seco e ligeira tosta. Fresco.
Melhor na boca com bom volume, taninos presentes, muito finos e final de boa persistência. Um bom vinho, que não precisa de ser bebido no ano de lançamento. Aliás, ao contrario da maioria dos vinhos desta gama, este pode ser mesmo guardado por um par de anos antes de começas a ser bebido.
Nota 15,5

Quinta dos Murças Reserva 2008
Cor de excelente concentração. Vinho feito a partir das vinhas velhas dos Murças, fermentação em lagares tradicionais e estágio por 12 meses em barricas novas de carvalho francês e americano.
Comparando com o Assobio, entramos numa outra dimensão. Algo fechado de inicio mas com muitas sugestões minerais, flores, fruto maduro e uma barrica muito bem integrada. Profundidade no aroma.
Boca volumosa, texturada. Final longo com taninos jovens e secos a mostrarem que este vinho melhorará em garrafa. Muito bem.
Nota 17


Quinta do Murças Tawny 10 Anos
Bonita cor âmbar, este vinho mostra algumas notas queimadas, café, caramelo.
Na boca gostei do volume e retrogosto cheio de notas de caramelo. Final medio/longo. Esperava mais deste 10 anos. Excelente apresentação do produto.
Nota 16

sábado, 21 de maio de 2011

Les Coufis de Paille de L'Ardèche

Os Vin de Paille são saberes antigos da zona do Rhône Norte, verdadeiras pérolas. Raros, pois apenas alguns produtores os produzem. Michel Chapoutier é um desses produtores que por consideração a seu pai, ainda utiliza algumas das suas preciosas uvas de Marsanne de Hermitage para fazer o seu Vin de Paille. Este Coufis de Paille é também ele um Vin de Paille mas feito a partir da casta Viognier. São sempre vinhos feitos em quantidade muito pequenas sendo o de Hermitage, muito raro mesmo.
Como o próprio nome indica, o "Vinho de Palha" é um vinho doce natural onde as uvas são desidratadas ao sol, em esteiras de palha.

M. Chapoutier Les Coufis de Paille de L'Ardèche 2001
Bonita cor doirada. Aroma de fruto tropical a que se associam notas de mel e especiadas. Boa percepção de frescura..
Boca com volume, glicerinada. Docura mediana e acidez mediana. Mantém-se fresco mas sem a intensidade e explosão do "verdadeiro" Vin de Paille. Falta um pouco mais de acidez e de doçura para ser muito mais sério. Ainda assim não deixa de ser muito bom e de dar enorme prazer a ser bebido.
Nota 16,5

Chateau Pichon Longueville Comtesse de Lalande

A generosidade de amigos é sempre bem vinda. Foi num amigo que voltei a beber este mítico vinho e que esteve à altura de todas as expectativas.



Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande 1982
Decantado 4 horas antes. Impressionante a juventude de um vinho que faz agora 29 anos e que provem de uma colheita mítica, extremamente conhecida por ter trazido ao mundo o Astro maior da crítica de vinho, Robert Parker. Ao decantar as garrafas percebi que o vinho estava inicialmente, como previsível, algo preso e fechado. Após 4 horas no decanter mostrou então todo o seu esplendor com uma enorme complexidade de aromas, muitos dos quais não os conseguia identificar. A precisão e pureza nos aromas é assinalável, com muitas sugestões de pimento verde, ameixas, cassis e depois cedro, tabaco, especiarias, terra. Excelente frescura e equilibrio.
Na boca é enorme, mostra concentração, tensão e volume. Mostra frescura, precisão e amplitude. Final longuíssimo ainda com taninos e muito finos. Soberba textura. Impressionante sob qualquer ponto de vista. Inesquecível.
Nota 20

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Quinta do Soque

Já por várias vezes escrevi acerca desta Quinta, deste produtor e do caminho que vem fazendo no Douro. Agora, importa falar de uma constatação, que a mim muito me agrada e que é a revolução que tem vindo a ser lavada a cabo por parte da equipa de enologia, DuploPR (2PR), neste e em todos os seus produtores. A verdade é que os vinhos mudaram radicalmente de perfil, tornando-se muito mais elegantes, mais frescos, mais "puros", o que no meu entender veio a beneficiar estes vinhos, especialmente as entradas de gama e média gama.

Quinta do Soque Colheita 2008
75% do lote, estagiou em barricas usadas (500l) de carvalho francês, sendo que os restantes 25% foram estagiados em inox. As castas utilizadas são a Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca.
Apresenta uma cor granada de moderada concentração. Aroma fino de frutos vermelhos e silvestres, algum floral e boa frescura.
Boca cordata, redonda e cheia de sabor. Um vinho bem feito e prazenteiro.
Nota 15

Quinta do Soque Reserva 2008
Estagiou em barricas novas e usadas (500l) de carvalho francês. As castas utilizadas são a Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca.
Apresenta uma cor granada de moderada concentração. Muito bem no aroma, com frutos vermelhos, citrinos, muita frescura, associada a sugestões balsâmicas e especiadas.
Fino e elegante na boca, cheio de frescura e sabor. Final médio/Longo. Muito bem.
Nota 16,5

Quinta do Soque Vinhas Velhas 2008
Estagiou em barricas novas (500l) de carvalho francês por 18 meses. Existem cerca de 20 castas tradicionais, nesta vinha com cerca de 80 anos.
Cor violácea com boa concentração. Aroma cheio de profundidade, musculado mas ao mesmo tempo subtil. O fruto aparece mais tarde no copo, perfumado. Sugestões terrosas. Barrica muito bem integrada.
Excelente a elegância na prova, taninos muito vinhos, excelente textura. Final longo e muito assertivo. Belo vinho. A beber em copos largos.
Nota 17,5

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Vertical Quinta do Crasto Vinhas Velhas

Uma vertical de um vinho é sempre um momento de emoção, de grande expectativa. Neste tipo de provas temos sempre a possibilidade de provar alguns vinhos que não provamos à muito, mas, mais que uma prova onde provamos um numero considerável de vinhos, uma vertical é uma prova bastante didática, que nos ensina sempre algo sobre o produtor, o perfil dos seus vinhos e sobre as perspetivas de evolução dos mesmo.
Desta feita foi sobre um dos vinhos de referência para muitos consumidores e provavelmente o estandarte da Quinta do Crasto, pois é um vinho com uma considerável produção e de enorme qualidade, como pudemos comprovar.

A qualidade dos vinhos, apenas com a exceção do 1995, que se mostrou aquém do esperado, foi realmente muito uniforme, e com os vinhos a ficarem sempre em patamares de qualidade muito elevados.
A prova deu grandes indicações quanto à longevidade dos Vinhas Velhas. Por esta amostra, pareceu-me que estes vinhos começam a entrar numa fase distinta, após os 10 anos de vida, altura em que começam a perder o seu perfil habitual, a fruta densa e as notas balsâmicas muito características. Mesmo os mais "velhos", apesar de resolvidos em termos de taninos, pareceram-me não estar a evoluir muito depressa.
Também, e facilmente chegámos a essa conclusão, consideramos que estamos perante uma grande Casa e um grande Vinho. Obrigado




Quinta do Crasto Vinhas Velhas 1994
Alguma evolução na côr, sem no entanto perder a sua côr avermelhada. Aroma distinto, de pó talco, frutos silvestres como a cereja e framboesa, fresco. Aroma muito fino e suave.
Boca resolvida, com taninos redondos mas com muito sabor. Evoluiu muito bem e está pronto a ser bebido.
Nota 17


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 1995
Ligeira evolução na côr. Aroma de tomate confitado, fruto silvestre, ligeiro couro e aniz.
Muito descontrolado na boca, com uma acidez descompensada. Desequilibrado. Uma pena, pois o aroma sugeria algo diferente. A beber desde já.
Nota 15,5


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 1997
Pouca evolução na côr. Aroma com ligeiro volátil, ligeiro desvio alcoólico mas ainda cheio de fruto denso, especiarias e notas balsâmicas.
Muito bem na prova de boca, a mostrar que ainda está cheio de força, com taninos ainda presentes e muito finos. Muito bem.
Nota 17


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 1999
Excelente concentração na Cõr, para um vinho com cerca de 12 anos. Foram poucas as vezes que um vinho se portou como este 1999. Começou com um aroma cheio de força, mas sem definição, algo sujo e com sugestões de naftalina e armário velho. Na boca mostrava algum desequilíbrio, quer ao nível do álcool, quer ao nível da acidez. Mais tarde, no final de todos os vinhos provados, um vinho completamente novo com um aroma cheio de precisão, fruto e notas balsâmicas, numa toada de frescura e finesse.
A boca parece que ganhou equilíbrio e volume. Tudo se conjugou, tudo se harmonizou. Valeu pela 2ª prova.
Nota 17


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2000
Muito jovem na côr. Aroma cheio de complexidade, com muitas notas de café, fruto bem maduro, ainda uma barrica por integrar na totalidade. Sugestões balsâmicas, algum floral.
Boca com estrutura e acidez no ponto, final longo e nervoso. Jovem e excelente.
Nota 17,5


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2001
Muito jovem na côr, com excelente concentração. Muitas sugestões minerais, fruto compotado, ervas aromáticas e notas especiadas. Algum calor mas sem prejudicar o aroma.
Excelente textura na boca, encorpado e guloso. Longo
Nota 17


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2002
Uma boa surpresa, de um ano considerado menor. Aroma muito delicado, com notas de café, fruto silvestre e especiarias. Tudo muito fino e com boa frescura.
Alguma falta de concentração na boca, neste vinho que é delgado e que só perde para os anteriores com a falta de sabor e força na prova de boca. Ainda assim, esteve muito bem.
Nota 16,5


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2003
Muito jovem na côr, com grande concentração. A antítese do anterior.Aroma muito compotado, fruto denso e opulento, notas balsâmicas.
Boca com volume, robustez e cheia de concentração. Final mediano, em que os taninos envolvem-se com o corpo do vinho.
Nota 16


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2004
Muito jovem na côr. Ainda a ganhar complexidade, muitas notas de café, notas balsâmicas, fruto denso. Aroma cheio de profundidade e tensão. É um vinho nervoso, mas ao mesmo tempo com austeridade. Cheio de frescura. Ainda quer ser criança.
Emoção na prova de boca, ainda jovem, com taninos muito presentes e uma acidez vibrante. Final muito longo, num equilíbrio impressionante.
Nota 18


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2005
Muito jovem na côr. Não tem a decadência do anterior, no entanto mostra-se um vinho com maior austeridade. É um vinho mais preciso e rigoroso, sem perder complexidade para o 2004. Está fenomenal no aroma, cheio de frescura.
Grande prova de boca com taninos ainda muito jovens. Excelente final, cheio de sabor e muito longo. Outro grande vinhas velhas.
Nota 18


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2006
Outro VV com muita concentração. Notas compotadas, sugestões florais e balsâmicas. Algum desvio alcoólico, algo quente.
Boca jovem com muita concentração, final compotado mas longo. Não tendo a frescura dos anteriores, este 2006, parece-me que ainda merece ser guardado e consumido a uma temperatura ligeiramente inferior aos restantes. Não deixa de ser muito bom.
Nota 16,5


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2007
Ainda muito jovem. Aroma muito floral, com notas de fruto maduro a que se associam sugestões de bagas frescas pisadas. Sugestões balsâmicas, ligeiras notas de côco e baunilha. Aroma muito fresco
Grande toada de frescura na prova de boca. Muito jovem, com taninos muito presentes mas muito finos. Final Longo e muito fresco.
Nota 17,5


Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2008
Mantém o mesmo perfil que as anteriores notas de prova. Mantém ainda as notas de barricas usuais neste vinho, auxiliadas por notas de grafite, café, Fruto Negro e Giz. Muito sedutor. Equilibrado.
Boca com volume, sumarenta, taninos finos ainda muito presentes. Final longo. Excelente vinho, que mostrará todo o seu esplendor daqui a uma mão cheia de anos.
Nota 17,5

segunda-feira, 2 de maio de 2011

David Lopes Ramos

Conheci o David à mesa e com ele fui privando algumas vezes. Lembro-me que era nas mesas mais singelas, com simples boa comida e bom vinho, fora do seu trabalho habitual, que se sentia bem e que nos fazia ainda sentir melhor.
Lembro-o sempre com aquela feição meiga e carinhosa, bonacheirona, que me cativou logo que o conheci. Gostava muito dele e sempre que o via, fazia questão de lhe "sacar" uma palavras. Grande Homem e Grande Profissional, que deixará um vazio enorme por onde passou e onde trabalhava.
Eu vou sentir a tua falta David. E tal como tu não assinavas os teus artigos com uma fotografia, que sempre disseste que nunca ias colocar, um sinal de enorme profissionalismo, eu aqui também não vou colocar.
Até sempre David.

sábado, 23 de abril de 2011

Taylor, Fonseca e Croft Declaram Vintage 2009


As casas Taylor, Fonseca e Croft anunciaram intenção de declarar vintage clássico de 2009. A Taylor irá também engarrafar uma pequena quantidade de vintage Quinta de Vargellas Vinha Velha.

Relativamente à declaração, Adrian Bridge, director-geral da Fladgate, comenta: “Ao longo dos nossos mais de três séculos de produção de grandes vinhos do Porto, é muito raro sucederem-se quatro vintages excepcionais na mesma década.” E acrescenta: “À semelhança dos grandes vinhos do Porto vintage do início do século 20, os vintage de 2009 são vinhos de longa guarda.”
No Douro o ano de 2009 foi marcado pela baixa fertilidade das videiras e por uma época de maturação muito seca. Os rendimentos foram muito baixos e os mostos excepcionalmente densos e concentrados, com grande intensidade de cor e elevados teores de taninos e açúcar.
É num ano como este que a pisa tradicional revela as suas verdadeiras vantagens qualitativas, conferindo aos vinhos maior densidade mas assegurando uma extracção muito equilibrada”, refere Adrian Bridge.

Como é habitual, o lote do vintage Taylor’s tem por base os vinhos das quintas de Vargellas e Terra Feita. Desde 2000 que a quinta do Junco também contribui, em menor proporção, para os lotes de vintage Taylor, é também o caso do 2009.

O Fonseca 2009 é constituído por vinhos das quintas do Panascal e do Cruzeiro, entrando também no lote uma pequena quantidade de vinho da quinta de Santo António, convertida recentemente para a viticultura biológica.

O 2009 da Croft provém inteiramente da quinta da Roêda.
David Guimaraens, enólogo do grupo, comenta: “Há mais de vinte anos que não vemos uma intensidade de cor e um índice fenólico como este. Para mais, a qualidade da fruta é excepcional e os vinhos apresentam uma acidez excelente.
Seguindo a tradição das três casas, a declaração do novo vintage é anunciada no dia da São Jorge, dia 23 de Abril.

O vintage de 2009 tem a particularidade de ser o primeiro terminado em nove, a ser declarado por qualquer uma das três casas desde o século XIX.
Devido aos baixos rendimentos na vindima, as quantidades a engarrafar são significativamente inferiores às dos últimos três vintages declarados, sendo de prever que tenham de ser rigorosamente rateadas.

Os 2009 da Taylor, Fonseca e Croft estarão disponíveis no mercado a partir do Outono, altura em que também será lançada uma quantidade limitada do Quinta de Vargellas Vinha Velha 2009.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Provas

Aproveito para lançar aqui algumas notas de provas que tenho pendentes. São as novidades recentes da Fiuza (Tejo), Altas Quintas (Alentejo), Quinta das Bajancas e Quinta do Soque (Douro).


Brancos

Fiuza 3 castas Branco 2010
São 3 castas, como o nome indica, que fazem parte do lote que deu origem a este vinhos. São elas a Chardonnay, Arinto e Vital, que fermentaram e estagiaram em cubas de inox.
Cor palha. Aroma frutado com sugestões de ananás, limão a toranja. Fresco.
Boca assertiva, frutada e redonda, com um final mediano mas saboroso.
Nota 14


Altas Quintas 600 Branco 2010
Feito a partir das castas Verdelho, Arinto e Fernão Pires, com fermentação e estágio em inox.
Pouco expressivo no aroma, com sugestões de fruto em calda e ligeira tropicalidade. Fresco mas esperava maior frescura.
Excelente acidez a marcar o palato, trazendo mais raça ao vinho. final saboroso e frutado.
Nota 14,5


Tintos


Fiuza 3 castas Tinto 2010
Novamente 3 castas, Syrah, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional. Fermentação em Inox, com 3 meses de estágio em barrica nova e 3 meses em barrica usada.
Cor Ruby de pouca concentração. Aroma de bagas frescas, e ligeiro vegetal.
Boca com maior interesse, fresco, tudo muito redondo mas pleno de sabor, Final mediano e acidez correcta.
Nota 14,5


Bajancas Tinto 2008
Feito a partir das castas Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca.
São as notas fumadas que conduzem a prova de início, escondendo de certa forma o fruto. Pouco depois aparecem as sugestões de ameixa e amoras, que se associam a alguma mineralidade.
Boca com volume e taninos finos. Pareceu-me algo curto mas ainda assim está muito bem.
Nota 15,5


Bajancas Reserva 2008
Feito a partir das castas Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca.
Ligeiramente fechado de início. Alguma austeridade. Fruto maduro, groselhas e amoras, notas fumadas e sugestões minerais.
Muito fino na boca. Parece mais redondo que o colheita, apesar dos taninos que tem. Excelente na acidez que acompanha o final médio/longo.
Nota 16


Quinta do Soque 2008
Feito a partir das castas Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca.
Aroma de fruto maduro a complementar-se com sugestões silvestres. Algum fumado e ligeiro calor.
Mais fresco na boca com muito boa acidez e taninos redondos.
Nota 15

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Prova Garrafeira Nacional

Para quem gosta do vinho, por certo já esteve em várias provas, vários encontros, vários eventos. Nunca é demais uma oportunidade para provar os vinhos deste ou daquele produtor pelo qual nutrimos um gosto especial.
Hoje em dia, é quase obrigatório para uma boa Garrafeira, ter no seu espaço provas mensais, em alguns casos semanais, com produtores conhecidos, com o intento de poder escoar o seu stock e dar a oportunidade de dar a conhecer esses mesmos produtores e seus vinhos. Ora, apesar do advento das redes sociais, e da sua capacidade de contactar com as mais diversas pessoas, chamando a atenção para estas provas, acho que na maioria das vezes, talvez por serem tantas as provas que se anunciam, as garrafeiras não chegam a ter mais que uma dezena ou duas de interessados a marcar presença.

Ora, já há algum tempo que achava que a Garrafeira Nacional tinha todo o potencial para começar a trazer os seus clientes à Rua de Santa Justa em Lisboa, sob o pretexto de uma prova de vinhos. Após ter recebido o convite via Facebook e SMS, decidi então ver como seria uma prova destas na Garrafeira Nacional. Pois não estão bem a ver, mas é que estiveram cerca de 60/70 pessoas nesta prova, o que sinceramente não me lembra nenhuma, onde eu tenha estado, e que tenha sido tão participada. Só por este motivo, por si só, já é algo a destacar, no entanto, foi mesmo o ambiente informal, jovem, despretensioso e de cavaqueira, que mais me marcou. Ambiente muito jovem, com muitas caras bonitas, muitas mesmo, descomplexado e descontraído, onde se alia um copo de vinho a uma boa conversa.
Não se ouvia falar em barricas, em descritores, em estágio, nada disso, uma conversa de fim de dia onde também entravam os gostos pessoais pelos vinhos que estavam a ser provados.
Os Vinhos em prova, estavam a cargo da Colinas de São Lourenço, que me pareceu agradarem aos convivas. Eu já os tinha provado aqui
Apenas um reparo, que merece ser revisto. As temperaturas dos vinhos com especial destaque para os tintos, neste caso não era a mais adequada.
Em suma, uma excelente casa onde ainda agora começaram as provas de vinhos e já tem uma legião de assíduos. A próxima é já na próxima Quinta, dia 7 de Abril, com os vinhos Pedro Cancela. É só aparecer....

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Da Garrafeira

Foi num almoço entre amigos, em Peniche, na Tasca do Joel, onde confesso passar muitos dos meus fins de semana. O Cos Estournel 85 já aguardava há muito na minha garrafeira, esperando o dia D e o motivo para este almoço terá sido mesmo esse, abri-lo com bons amigos. Entretanto abriram-se mais uns vinhos:


Raúl Perez Ultreia La Claudina Godello 2008
Vem da região de Bierzo, onde o magnífico Raúl Pérez faz uma boa parte dos seus vinhos, com especial destaque para os Ultreia. Este vinho é feito a partir da casta Godello, e estagia em duas barricas de 700l e uma de 225l, por um período de 11 meses.
Aroma com evolução, sensação doce por vezes a lembrar um colheita tardia. Aroma de mel, ananás em calda, limão. Estava à espera de maior frescura. Ia melhorando no copo.
Boca bom volume, rico, muito saboroso e persistente.
Nota 16,5



Château Tayac Margaux 1976
Monocórdico no aroma com as notas herbácias e de pimento. Já perdeu a sua fruta, mas é ainda assim um vinho fresco e intenso.
Na boca um Bordéus evoluído, tudo muito soft, muito redondo e algo delgado, mas sem perder o interesse. Do alto dos seus 35 anos, está jeitoso, especialmente para um Cru Bourgeois.
Nota 16




Château Cos Estournel 1985
Enorme concentração na côr. Novamente um vinho que engana, pois parece bem mais jovem.
Grande concentração no aroma, com notas de fruto negro, pimento, especiarias, algum couro. Tudo muito sincronizado e muito fresco.
Fantástico na boca, a mostrar que ainda quer mais anos pela frente. Nervoso, poderoso , ainda com taninos férteis e voluntariosos. Excelente acidez num final médio/longo. Grande vinho, que acredito ainda aperfeiçoará por mais anos.
Nota 18,5



Grou 2004 Rótulo Cinzento
Grande surpresa na jovialidade deste vinho.
Os anos não passaram por ele. Ainda mantém fruto decadente, muita intensidade, fruto caloroso, muitas notas compotadas, algum floral e ainda notas de fumo..
Boca poderosa com taninos ainda muito presentes a mostrar que precisa ainda de tempo, precisa de garrafa. Confesso que não será o estilo de vinho que mais me comove, e até terá muitos adeptos, mas não deixa de ser muitíssimo bom e uma bela surpresa.
Nota 17

terça-feira, 29 de março de 2011

Pinhal da Torre presta homenagem à fauna da região do Tejo

O Charroco, a Popa e o Lince-Ibérico são os protagonistas dos novos rótulos dos vinhos Quinta do Alqueve da Pinhal da Torre, numa homenagem da produtora de vinhos de excelência do Tejo à fauna regional.

Estes três animais da região do Tejo – um peixe, uma ave e um mamífero ameaçado pelo fantasma da extinção – foram imortalizados nos rótulos dos novos vinhos da Pinhal da Torre (Tradicional, Chardonnay e Fernão Pires) pela mão do premiado ilustrador e pintor russo Eugene Ivanov.

A sua história é depois contada em jeito de fábula no contra-rótulo: o fabuloso destino de um peixe de aspecto bizarro e assustador, que vive a maior parte do tempo enterrado nas profundezas do Tejo, mas cuja espécie até já integrou missões espaciais da NASA; ou a lenda de uma ave de beleza rara, que percorre a mitologia grega, a Bíblia e o Alcorão, mas que também pode ser encontrada nas vinhas da Pinhal da Torre, em Alpiarça. Por fim, a lenda de um felino notável, que recebe o seu nome de um herói mitológico e que, outrora, antes da ameaça real de extinção, se passeava pela bacia do Tejo, imponente, com as suas características barbas e pêlos em forma de pincel na ponta das orelhas.

A Pinhal da Torre pretende com o lançamento destes novos rótulos, cuja concepção gráfica é da responsabilidade da agência Hortelã Magenta, promover a beleza e riqueza natural da região vitivinícola na qual se insere, incorporando também as preocupações ambientais, de sustentabilidade e de defesa da biodiversidade que fazem parte da sua filosofia e missão, enquanto produtor de vinhos de excelência.

Os novos vinhos Quinta do Alqueve da Pinhal da Torre vão estar disponíveis a partir do final do mês de Abril, nas melhores garrafeiras nacionais, nos supermercados El Corte Inglés, e na cadeia Recheio.

Eis os rótulos dos novos vinhos:

quinta-feira, 24 de março de 2011

A Nova Colinas de São Lourenço


Foi com entusiasmo que recebi o convite para a apresentação dos novos vinhos, aliás do novo projecto, do produtor Colinas de São Lourenço. Obviamente que aceitei de imediato, no entanto tentei saber quem seria o novo proprietário e qual a sua ligação com o Vinho. Bom, a história é bastante interessante e desde logo me aguçou o apetite para esta prova, que teve lugar no Restaurante DOP do Rui Paula.



As Colinas de São Lourenço estão hoje em dia associadas a Carlos Dias. O nome deste Bairradino não nos dirá muito, pelo menos a mim não me dizia, no entanto trata-se de um Português de enorme sucesso, e que fez fortuna entre vários negócios, com destaque para a criação dos ultra requintados relógios Roger Dubois (http://www.rogerdubuis.com). O que é certo é que, embora não precisando de grandes investimentos em Portugal, veio à sua região e investiu na compra desta quinta, com o intuito de fazer o melhor vinho do Mundo. Esta afirmação pode parecer uma voz de arrogância, no entanto, espelha um pouco a personalidade deste compatriota, que onde coloca as mão, quer ser o melhor do mundo. Um personalidade à Mourinho?

Para ser sincero, depois de conhecer estes detalhes, fiquei inicialmente algo incomodado pela afirmação perentória atrás descrita e a bem da verdade fiquei sem esperar muito dos seus vinhos. Agora, após os ter provado, tenho de me retrair, pois os vinhos foram uma grande surpresa e penso que nos próximos tempos, já com os vinhos a serem feitos de raiz por esta nova equipa, virão a dar que falar. Assim o espero, pois é sempre bom ver grandes vinhos a nascer em Portugal e na Região da Bairrada.





Colina de São Lourenço Principal Branco 2009
Aroma ainda algo contido, fruto branco, muito fino e mineral.
Novamente elegante na boca, apresentando ainda assim uma cremosidade que é muito muito bem vinda, pois trás maior volume de boca. Termina com excelente acidez e final longo e saboroso.
Nota 17

Colina de São Lourenço Rosé "Tête de Cuvée" 2009
Cor salmonada a fazer lembrar um Champagne. Aroma muito fino, com frescura, excelentes notas de morangos e Framboesas. Tudo muito fino e equilibrado
Boca plena de sabor, excelente no volume, pouco habitual nos nossos rosés, e final ácido e prazenteiro. Um Rosé muito sério.
Nota 17

Royal Palmeira "Sur Lies Fines" Loureiro 2009
Aroma limonado, ananás, vegetal, mineral. Aroma fresco e exuberante.
Boca com excelente volume, final muito fresco e mediano.
Nota 16,5


Colina de São Lourenço Principal Reserva 2007
Quando o bebi, sem saber de que castas era feito, fez-me de imediato lembrar um Bordéus, com boa complexidade. Nota de tabaco, chocolate, cogumelos e algum vegetal.
Excelente na boca, com belíssima textura e taninos muito finos e persistentes. Um vinho muito focado. Belo Tinto.
Nota 17


O que mais gostei, em todos os vinhos foi realmente o equilíbrio que os vinhos transmitiam, o exemplar trabalho com as barricas. Não vi vinhos amadeirados, em que a madeira suplantasse os aromas. Muito bem neste aspecto. Um produtor a seguir de perto. Falta agora é saber os preços de cada um deles.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Da Garrafeira

A ocasião, solene ou nem por isso, era a passagem e a celebração de mais um ano de vida, coisa muito importante e de assinalar dos dias que correm. Junta-se um pequeno grupo de amigos e toca a abrir uma garrafas valentes pela noite dentro. O que gosto nestas ocasiões é quando se abrem vinhos particularmente especiais numa mesa onde todos comungam da mesma paixão, o Vinho. Enquanto se janta falam-se sobre os vinhos que estamos a beber. Nesta casa, por hábito, aparece sempre tudo às cegas, o que se propicia a erros grosseiros mas também a momentos de pura diversão. A prova cega é mesmo assim, como uma espada de dois gumes, de um lado a suposta verdade do que achamos da qualidade do que bebemos, e no outro a possibilidade de não compreender um vinho por não estarmos na posse de todos os dados para que este ou aquele produtor de filosofia diferente possa ser identificado. Ainda assim, é sempre um excelente exemplo de conduzir uma prova, aliás um jantar, por menos formal que seja.



Deste jantar destaco como é óbvio a qualidade dos vinhos que foram chegando à mesa, praticamente todos estrangeiros e de nomes sobejamente reconhecidos. Mas no meio de todos estes vinhos não posso que houve um Vinho Português, da Bairrada, que se bateu de igual para igual com todos eles, e no meu entender, melhor que alguns deles.
Os vinhos foram todos bebidos às cegas e alguns vieram em parelha, numa espécie de duelo.


Etienne Sauzet Bienvenues-Bâtard-Montrachet Grand Cru 1997
A Maison Sauzet está sediada em Puligny-Montrachet, que é a village-estandarte, na produção de vinhos brancos da Borgônha, talvez para muitos, a par com a Village de Mersault. Nesta Appelation podemos encontrar as célebres vinhas Grand Cru de brancos, como a Le Montrachet, Chevalier-Montrachet, Bâtard-Montrachet e a Bienvenues, de onde provém este vinho. A única casta utilizada na produção destes brancos é a Chardonnay.
A cor já entra em uma espécie doirado, sem ser ainda carregado. Aroma com alguma oxidação, a lembrar algumas notas de mel. Muitas notas minerais e sugestões etéreas. Muito fino de aroma.
Na boca, um registo muito cordial, com o vinho a mostrar-se redondo, elegante, com uma textura fantástica e um final médio/longo. Estava à espera de mais nervo.
Nota 17


Vega Sicilia Único 1964
Completamente estoirado. Impróprio para consumo.
S/N



Duelo 1 - Bruno Giacosa Barbaresco Santo Stefano di Nieve 1998 vs Chateau Rayas Resérve Chateauneuf du Pape 1998


Bruno Giacosa Barbaresco Santo Stefano di Nieve 1998
Giacosa é um dos nomes mais sonantes da região Italiana do Piedmonte, de onde saem os Barolo e Barbaresco e também um "Old School" da região. A casta utilizada é a Nebbiolo.
Cor muito carregada, quase opaca, que sugere pouca evolução neste vinho. O oposto do Rayas, em termos de cor mas novamente um vinho com enorme carácter. A concentração na côr não é correspondida nos aromas, que se ficam por aromas de frutos silvestres, flores, ligeiro couro e tabaco.
A boca é massiva na concentração de taninos e acidez. muito jovem mas cheio de nervo. Final muito longo. Belo vinho.
Nota 18


Chateau Rayas Resérve Chateauneuf du Pape 1998
É o nome mítico de Chateauneuf du pape, o vinho que todos querem alcançar. A "sede" pelos vinhos deste produtor foi tanta, que hoje em dia custam um pequeno balúrdio. Quanto ao estilo, este produtor é simplesmente o mais tradicionalista de todos da região, e para além de tradicionalista eu quase diria que obscuro.
O vinho acabou, no meu entender de ganhar o duelo, pelo carácter do vinho. A cor tem muito pouca concentração, a lembrar um borgonha. Apesar da cor, este vinho é tudo menos frágil. Aroma muito rico, perfumado, com notas de morangos, framboesas, tudo muito fresco, tudo muito equilibrado e sobretudo com uma limpidez deslumbrante.
Na boca, o vinho é fino mas com enorme concentração de sabor, quase uma sensação carnal que não consigo explicar, alguns notas fumadas e vegetais. Final muito longo com taninos de veludo. Adorei este vinho pelo seu carácter, pela sua diferença.
Nota 18,5


Gonçalves Faria Tonel Especial 3 Reserva 1991
Feito de Baga, no coração da Bairrada, este é um dos produtores que infelizmente saiu de cena precocemente, deixando-nos um legado vivo através do seus vinhos. Infelizmente, poucos poderão ter acesso a estes vinhos, pelo que alguma vez passarem por eles não hesitem em batalhar por eles.
Ora, este vinho deixou-me emocionado pela simples razão de se ter batido de igual com todos estes nomes mundiais. Ninguém conseguiu sequer se aproximar da colheita. Ninguém baixou de 2001 nas suas previsões. O vinho tinha uma cor absolutamente impressionante para um vinho com 20 anos. Aroma a lembrar a Baga, com notas de eucalipto, notas mentoladas, vegetal seco, fruto ainda presente e maduro. Profundo, fresco e equilibrado.
Boca cheia de sabor, de vinosidade, final ainda cheio de taninos firmes e acidez. A prova que os vinhos portugueses podem envelhecer tanto quanto os restantes e que a Baga, e a Bairrada, pode e deve dar grandes vinhos. Entre este e o Garrafeira Tonel 5 1990, fiquei com sérias dúvidas de qual gostei mais.
Nota 18



Chateau Fonsalette Côtes du Rhône 1998
Grande concentração na côr. Aroma algo confuso, pouco limpo. Notas de fruto maduro, carne assada e vegetal.
Boca aguerrida, jovem, com boa acidez num final médio/longo. Esperava mais deste vinho.
Nota 16



Duelo 2 - Domaine Fourrier Gevrey Chambertin 1er Cru Clos St Jacques 1999 vs Domaine de la Romanée Conti La Tâche 1999

Domaine Fourrier Gevrey Chambertin 1er Cru Clos St Jacques 1999
Adoro este produtor. Sempre que proveis os seus vinhos, achei sempre que este é um perfil que mexe comigo. E mais uma vez, este vinho não se fez rogar, pela sua leveza, pelo aroma perfumado que nos prende, pela frescura que emana.
Tudo nele é fino, sem ser fraco, delgado, mas com potência. Tudo arrumado, tudo direitinho, tudo preciso. Adoro vinhos assim.
Nota 17,5



Domaine de la Romanée Conti La Tâche Grand Cru 1999
Penso que este produtor dispensará apresentação, ou não fosse o produtor mais conhecido e requisitado em todo o mundo.
Na cor nem parecia um borgonha, pela concentração que apresentava. No nariz disse logo tudo, mas este vinho é mesmo especial. Como mostrar um aroma tão fino, tão expressivo, mas ao mesmo tempo mostrar densidade, profundidade. Como mostra toda uma fineza num vinho de músculo, de potência desmedida. Tenho bebidos muito vinhos ao longo desta minha ainda curta viagem, mas é quando estamos perante um vinho destes que nos desarmamos e achamos que a natureza é tão preciosa. É obra fazer isto. Um gigante com luvas de cetim.
Nota 20



Croft Vintage 1955
Apesar do rótulo ser uma fotocopia, a rolha confirmava o vinho. Aroma complexo com muitas notas de frutos silvestres, cravinho, canela, notas licoradas e frutos secos. Equilibrado, com o espírito integrado e fresco.
Boca elegante, com doçura proeminente. No copo ia ganhando volume. Excelente acidez num final muito, mas muito, longo.
Nota 18,5

quinta-feira, 17 de março de 2011

40 Anos de Krohn Colheita


Foi com enorme satisfação que tive a oportunidade de poder fazer esta vertical de Colheitas Krohn. Enquanto nos preparávamos para iniciar, lembrei-me da qualidade que esperava destes vinho, uma vez que muitos deles já tinha tido a oportunidade de beber, e a falta de conhecimento relativamente a esta Casa. A verdade é que a maioria daqueles que usualmente consomem Vinho do Porto, não terão na sua primeira ideia, este produtor. O que é certo é que a prova veio-se a revelar, esperadamente, magnífica.

A Krohn foi fundada em 1865 por Theodor Wiese e Dankert Krohn, ambos de origem Norueguesa. Hoje em dia é a 3ª geração da família Falcão Carneiro que se encontra ao leme da empresa. Tal como tinha escrito anteriormente, fico com pena de estes vinhos não serem tão (re)conhecidos, mas ao questionar um membro da família proprietária, que nos conduziu na prova, percebi que provavelmente terá a ver com a massiva exportação destes vinhos, relegando para segundo lugar o mercado nacional. Também é verdade que em termos de distribuição nacional, graças à Decante Vinhos que os representa, o reconhecimento tem vindo a melhorar.

Como nota final, gostaria de deixar aqui um alerta para o facto dos vinhos terem sido provados todos em garrafas de amostra, ou seja, vinhos que no próprio dia foram retirados das barricas. Isto poderá dizer que os vinhos que se encontram no mercado poderão ser algo diferentes. Acho que no entanto dará para ter uma ideia do que vos espera.



Wiese & Krohn Porto 10 Anos Tawny
Apresentou uma cor âmbar. Aroma com boa complexidade a sugerir notas de casca de laranja, limão e café.
Boca de volume mediano, doçura controlada e final longo.
Nota 16,5


Wiese & Krohn Porto 2001 Colheita
Apresentou uma cor a tender mais para o ruby, com arestas alaranjadas. No aroma ainda podemos encontrar algumas notas de frutos silvestres com frutos secos.
Excelente na boca, com uma textura e volume muito atraentes, final longo com excelente acidez. Conjunto muito equilibrado. Muito bom colheita
Nota 17


Wiese & Krohn Porto 1995 Colheita
Muito parecido na cor , com o colheita anterior e não muito diferente no estilo, no entanto apresenta-se com maior perceção da acidez no seu final longo. Também muito bom.
Nota 17


Wiese & Krohn Porto 20 Anos Tawny
Uau. Esta amostra estava monumental. Aroma com percepção de vinagrinho (Volátil), notas de caramelo, frutos secos, figos.
Tão saboroso na boca. Cheio e glicerinado, termina longo com acidez simplesmente perfeita. Yummm....
Nota 17,5


Wiese & Krohn Porto 1983 Colheita
Cor âmbar. Aroma muito rico com sugestões de leite condensado cozido, especiarias, bolo inglês e tofee.
Fantástica concentração na boca, enorme acidez e final muito longo. Belo colheita
Nota 17,5


Wiese & Krohn Porto 1976 Colheita
Não tendo a concentração do anterior, fica-se pela enorme complexidade e fineza.
Enorme na boca, com acidez, volume e enorme persistência a tornarem este colheita num equilíbrio de precisão. Adorei
Nota 18,5


Wiese & Krohn Porto 30 Anos Tawny
Foi talvez o único vinho que me desapontou, pela dificuldade da prova que deu. Ora bem, o vinho tem complexidade e nota-se que se pretendem aromas a idade. Mas o conjunto em si não ofereceu a complexidade esperada.
Na boca, apesar do volume e da perceção da acidez, o álcool não esta integrado e interfere na prova. Não deixa de ser muito bom por isso, mas não está ao nível de um 30 Anos.
Nota 16,5


Wiese & Krohn Porto 1961 Colheita
Fabuloso. Enorme complexidade, que nos chega em camadas de frutos secos, especiaria, ranço e vinagrinho.
Na boca um portento de untuosidade, mastigável, doce e com uma acidez monumental. Termina eterno. Um conjunto que ainda assim apresenta frescura suficiente para mostrar um equilíbrio notável. Monumental
Nota 19

quarta-feira, 16 de março de 2011

Dr. Loosen Erdener Pralat Riesling Auslese 1976

Riesling. Se há casta que nos últimos anos me tenha dado tantas alegrias, esta foi com certeza uma delas. Tem sido uma felicidade poder acompanhar os mais diversos vinhos destas castas, sejam eles doces ou secos, e com especial relevo nas regiões, Alemãs e Austríacas, onde expressa todo o seu esplendor.
Dr. Loosen é "Ernie" Loosen, actual proprietário da Casa, que se encontra na sua família há mais de 200 anos. Com o seu ar rebelde, quiça com algo de "maluco", conseguiu fazer do nome da sua Casa, um nome sobejamente conhecido na Alemanha, e em todo o Mundo. É na região do Mosel, apesar de ter uma Joint Venture nos "States" com o Chateau Ste Michelle, que opera e onde consegue fazer os seus maravilhosos Riesling.
A Antecipação por beber este vinho era muita por duas razões. A Primeira, porque o tinha comprado no Ebay, e apesar de até hoje não ter tido nenhuma desagradável surpresa, é sempre uma incógnita e um risco. A segunda, porque gosto de beber Rieslings "Velhos" e não se encontram à mão de semear, especialmente destes produtores muito procurados. Assim, coloquei mãos à obra, aliás copos à obra...




Dr. Loosen Erdener Pralat Riesling Auslese 1976
O ano de 76 foi um ano com muita botrytis, pelo se esperava que este vinho tivesse na sua composição, uvas afectadas por este maravilhoso Fungo. Ao primeiríssimo impacto e pronto, sou desarmado de imediato e largo um sorriso enorme. Com uma cor dourada, apresentava um aroma intenso com muitas notas de mel, sugestões petroladas, especiarias e ainda notas de citrinos. O aroma mostrava que o vinho não estava demasiado evoluído, aliás, pareceu-me ainda bastante jovial para um vinho com 35 anos.
Na boca tudo se passa em tom apoteótico. Glicerinado, sem perder fineza, doçura controlada por uma acidez enervante. Final muito longo e de perdição. Que belo vinho.
É por esta razão que muitas vezes, ao abrir um jovem Auslese, que me encho de nostalgia por acabar com algo que se guardado me dará tanto mais prazer.
Nota 18,5

terça-feira, 15 de março de 2011

Léoville las Cases 1982

Este é um dos meus produtores preferidos no que respeita a vinhos de Bordéus. É considerado um "Super Second" como forma de afirmar que em muitas colheitas se comporta como um "First Growth". Este facto deve-se à consistência deste produtor, onde mesmo em colheitas pouco favoráveis, consegue fazer grandes vinhos.
Léoville Las Cases, está inserido na pequena Appelattion de St Julien, na margem esquerda do Rio Gironde, onde terá poucos rivais, no que respeita à consistência, colheita após colheita.
A colheita de 1982 terá sido uma das mais importantes do século passado e por várias razões, sendo as mais importantes o facto de ter sido uma colheita que trouxe novamente Bordéus para a ribalta no mercado Norte Americano, após uma década de 70, cheia de sobressaltos e com colheitas absolutamente desastrosas, mas principalmente por ser a colheita que deu a conhecer ao mundo um tal de Robert Parker, que sozinho, contra tudo e contra todos, mudou o mundo do vinho, o negócio de Bordéus de forma radical e iniciou a travessia até ao que conhecemos hoje em dia.




Léoville las Cases Clos du Maquis St Julien1982 (Magnum)
Decantado por 4 horas antes. Bebido às cegas. Excelente no aroma, limpo, cheio de notas de pimento, folhas de chá, fruto maduro, menta, cedro, tabaco e ervas aromáticas. Tudo muito fino, absolutamente equilibrado e fresco. Impressionante.
Na boca eleva-nos o espírito, a potência aliada à elegância. O Equilíbrio é notável, os taninos a dizerem que ainda continua no seu ascendente e o seu final ainda longe, muito longe. Que vinho enorme, que nos puxa, puxa para mais um trago, para mais uma viagem ao seu mundo.
Nota 19,5

segunda-feira, 14 de março de 2011

Crasto, Mouchão e Roda apresentam os seus vinhos




O dia estava perfeito, em Gaia, para mais uma prova de vinhos. Após alguns dias de chuva e frio intenso, parece que um dia com algum sol vinha mesmo a calhar. E assim foi, pois quando cheguei ao local da prova, o novíssimo e muito badalado, Hotel Yeatman, já o sol queria descobrir.



Antes de irmos aos vinhos, saliento o local onde foi conduzida a prova. Integrado no meio das centenárias caves, ergue-se este imponente hotel, que pese embora não fira a paisagem onde se encontra integrado, pareceu-me também não sair disfarçado. A verdade é que o hotel é grande e moderno no seu exterior. No interior a coisa muda de figura, e a influência inglesa faz-se de imediato notar. Muito bonito, aliás, tudo muito bonito. Apetece entrar e usufruir.
Os quartos como provavelmente saberão, são patrocinados por produtores de vinhos e ostentam os seus nomes. Dentro de cada um deles, entramos suavemente no mundo do seu "sponsor", com alusões ao produtor e seus vinhos.

Já depois de ter passado e bisbilhotado um pouco enquanto esperava, fui então levado para o local da prova. Bem, o impacto não se podia deixar de fazer sentir. A sala de provas é absolutamente genial. Virada para a fabulosa vista do Rio Douro e da Cidade Invicta, através de um vidro enorme que acompanha toda a frente da sala, esta terá sido uma das mais relaxantes salas que conheci. Uma vista deslumbrante.

A ocasião chegou-nos através da Distribuidora de Vinhos, detida pelo Grupo Fladgate, para a apresentação dos vinhos da Quinta do Crasto, Herdade do Mouchão e Bodegas Roda (Espanha). Ainda antes de se iniciar a prova, já nos havia sido informado, que também teria lugar uma prova comparativa de Portos Vintage, da Colheita de 2001, do Grupo Fladgate Partnership.


Tomás Roquette, Director de Enologia da Quinta do Crasto


Quinta do Crasto

Por inúmeras ocasiões tive oportunidade de escrever sobre este produtor, que hoje em dia dispensa qualquer tipo de apresentações. Qualquer pessoa, por mais distraída que esteja, conhece ou já ouviu falar desta Quinta, deste Produtor ou dos seus Vinhos. A Quinta do Crasto atingiu em Portugal, e no mundo, um estatuto que a muito poucos está destinado. Em Portugal está, no meu entender, num merecido lugar de topo, apenas acompanhada por um punhado de outros produtores. O segredo? Esse reduz-se às fantásticas vinhas que detêm e ao soberbo trabalho de Viticultura, Enologia e Gestão de toda a Equipa da Quinta do Crasto.



Crasto Branco 2010
Tudo muito fresco, muito equilibrado de aroma, com notas limonadas e vegetais. Se por um lado mantém o perfil aromático das anteriores edições, na boca, vem sendo afinado, ano após ano. Esta edição ganhou mais volume, mais untuosidade, mais tensão na acidez. Um excelente feito, numa vindima difícil. Este branco, perfila-se com um dos melhores, senão o melhor branco sem estágio em barrica. Muitíssimo bem.
Nota 16,5


Crasto 2009
Um aroma maduro e intenso, é panache deste vinho. No entanto não perde o seu equilíbrio nem mostra que sabe ter frescura no seu conjunto. Floral
Na boca tem textura, densidade e sobretudo sabor, num conjunto redondo, com alguns taninos a mostrarem que poderá ser guardado por uns bons pares de anos. No entanto, foi pensado para ser bebido desde já.
Nota 16

Quinta do Crasto Superior 2009
Algo fechado de início. Demorou a mostrar toda a sua profundidade. Decadente no fruto, consegue mostrar um veio de frescura sempre que alcançamos o copo. Muito bem
Boca de excelente concentração, numa toada de finura e firmeza de taninos. Final intenso e longo. Precisa de garrafa.
Nota 17

Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2008
Ganha complexidade cada vez que o provo. Mantém ainda as notas de barricas usuais neste vinho, auxiliadas por notas de grafite, café, Fruto Negro e Giz. Muito sedutor. Equilibrado.
Boca com volume, sumarenta, taninos finos ainda muito presentes. Final longo. Excelente vinho, que mostrará todo o seu esplendor daqui a uma mão cheia de anos.
Nota 17,5

Herdade do Mouchão

Será por ventura o mais interessante produtor do Alentejo. Na sua história, em certas alturas atribulada, contou sempre com vinhos enormes, de grande longevidade. Quem provou vinhos com o 1954, 1963, 1970, 1974 e outros, conseguirá certamente perceber o que pretendo dizer. Numa zona que tem vindo ao longo dos anos a dar mostras da enorme capacidade para a produção de grandes Tintos, os Mouchão serão porventura as suas estrelas mais cintilantes.


John Forsythe, a cara dos vinhos Mouchão


Dom Rafael Branco 2009
Aroma muito Novo Mundo, com com sugestões de Alperce, Relva Cortada, a fazer lembra um Sauvignon.
Boca assertiva, com sabor e alguma sensação de doçura. Ainda assim com alguma frescura e uma boa acidez.
Nota 15,5

Dom Rafael 2009
Aroma de fruto maduro, notas de licor. Intenso mas algo quente.
Boca com sabor e equilíbrio. Final de boa persistência.
Nota 15,5

Ponte da Canas 2008
Aroma com profundidade, sugestões de barrica, bacon, fumo, e fruto negro. Intenso
Rebelde na boca, largo e denso. Final cheio de vida, firme e com taninos ainda muito jovens. Precisa de tempo.
Nota 17

Mouchão 2006
Aí está o estilo Mouchão, já a mostrar alguma borracha queimada, fruto denso e mato seco. Tudo num estilo concentrado e cheio de vigor.
Grande concentração na boca, vigoroso. Taninos finos mas muito empertigados a mostrarem que precisam de garrafa para acalmar. Um conjunto de belo efeito, que por certo melhorará daqui a uns anos.
Nota 17,5


Bodegas Roda (Espanha)

Apesar de relativamente recente, este tem sido um projecto que começou por dar nas vistas mal se instalou na Rioja. A razão poderá parecer simples mas baseia-se sobretudo na filosofia das vinhas velhas e nas castas autóctones.



Corimbo 2008
Perfumado, com fruto silvestre.
Boa frescura de conjunto mas com taninos demasiado evidentes, que prejudicam de certo modo o equilíbrio deste vinho. Uma pena.
Nota 15


Roda 2006
Aroma com alguma complexidade, que oscila entre o fruto maduro, as sugestões de tabaco, ligeiro couro e baunilha.
Melhor na boca, com alguma elegância num conjunto que termina longo e com taninos bem secos.
Nota 16,5

Roda I Reserva 2004
Excelente no aroma. Sem vestígios de evolução, este vinho ainda se mantém primário. Por esta altura a barrica já integrou, ficando penas alguns vestígios da mesma, que dão carácter ao vinho. Equilibrado e com frescura.
Boca assertiva. Fino mas com volume e potência. Taninos muito finos e final bem longo.
Nota 17,5

Cirsion 2007
Aroma muito rico, opulência e profundidade em pessoa. Complexo, cheio de camadas de aromas, que se entregam num vai e vem. Sugestões de ameixas, amoras, menta, eucalipto e notas licoradas.
Boca de excelente envergadura e profundidade. Tudo ainda muito compacto, muito preso. Muito tenso, num final cheio de taninos que seguram-nos ao vinho. Impressiona desde já mas é um exercício inglório perante esta capacidade de evolução em garrafa.
Nota 18,5


Portos Vintage 2001

Para o final estava guardada uma prova de enorme carácter didáctico, ainda para mais quando esta seria conduzida pelo David Guimaraens, que é a pedra Basilar de todos os Vinho do Porto do Grupo.
O ideia foi colocar frente a frente três Vintage da Colheita de 2001, um ano Single Quinta, e tentar perceber as suas diferenças, no conjunto em prova.





Fonseca Quinta do Panascal Vintage 2001
Num momento fantástico de consumo. É o vinho que mais se mostra neste momento, pela jovialidade da fruta, com muitas notas de framboesa, melancia.
A boca apresenta-se com doçura e volume. Tudo num registo de equilíbrio. Esta perfeito para ser consumido desde já, mas irá manter-se assim por mais anos.
Nota 16,5

Taylor's Quinta de Vargellas Vintage 2001
Muito mais austero e reserva do que o anterior. Mostra-se ainda algo tímido.
Na prova de boca, mostrou-se muito bem com muitos taninos envoltos no corpo do vinho. Final muito longo.
Nota 17,5

Fonseca Guimaraens Vintage 2001
Um pequeno jovem que ainda não deixou o seu lado químico.
Boca ainda com o espírito por integrar. Taninos muito presentes ainda. Um Vintage cheio de vida e com muita vida pela frente.
Nota 18


Nota final para o almoço que nos foi servido no restaurante do Hotel Yeatman, que pura e simplesmente deslumbrou. Mas disso falarei mais tarde.
Nesse almoço acabámos por abrir alguns vinhos especiais, nomeadamente a primeira garrafa Double Magnum de Maria Teresa 2005 que foi aberta em Portugal, que estava tão jovem que me deu pena de ter sido aberta. Um Mouchão Tonel 3-4 2005 que já me tinha deliciado no Jantar da revista de Vinhos. Estava em grande. E ainda um dos meus Vintage preferidos, o Fonseca 1985, que apesar de estar muito bom, não se mostrou ao nível do que já tenho bebido em outras ocasiões.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Esporão lança primeiros vinhos do Douro

O Esporão apresentou ontem, ao mercado, os vinhos da Quinta dos Murças, Reserva 2008, Assobio 2009 e Tawny 10 anos, marcando o início de um projecto onde pretende contribuir para a realização do enorme potencial daquela região vitivinícola. Todos os vinhos têm origem na Quinta dos Murças, propriedade emblemática com 156 hectares situada perto da aldeia de Covelinhas, no coração da região vitivinícola, com 60 hectares de vinha e propriedade da empresa desde 2008.

Para João Roquette, Administrador Delegado do Grupo Esporão, “apesar de ser a região demarcada mais antiga do mundo, o Douro tem ainda um enorme potencial de crescimento e espaço para inovação”. Sobre a abordagem diferenciadora que dita a entrada do Esporão na região, João Roquette salienta que “todas as fases deste projecto foram pensadas e trabalhadas para que a nossa chegada a esta magnífica região contribua com algo de verdadeiramente novo e relevante. Acredito que os primeiros vinhos que agora apresentamos são o reflexo dessa vontade”.

Quinta dos Murças: Os vinhos



Produzido com base nas castas nativas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, provenientes de solos xistosos característicos desta região, este o Assobio 2009 fez estágio parcial em barricas de carvalho antes de ser engarrafado em Novembro de 2010. A colheita de 2009 é a primeira a ser engarrafada com a marca Assobio, nome de uma encosta da propriedade, onde se encontram as vinhas de maior altitude. Todos os anos convidaremos um fotógrafo para ilustrar o rótulo deste vinho.




O Quinta dos Murças Reserva 2008 nasceu nas nossas vinhas velhas a 100 m e 380 m de altitude, viradas a sul e sudoeste, em solos xistosos, respeitando a natureza e seguindo uma agricultura sustentável. Na nossa adega, as uvas foram escolhidas manualmente, pisadas a pé em lagares de granito e prensadas numa antiga prensa vertical. Depois do estágio em barricas de carvalho, o vinho foi engarrafado em Fevereiro de 2010.

Graças à frescura do seu microclima, Covelinhas tem tradição na produção de tawnies de grande qualidade. O Quinta dos Murças Tawny 10 Anos é o exemplo do prestígio acumulado nos Portos envelhecidos em madeira, uma vez que se trata de um vinho elegante, denso, de acidez equilibrada e boas notas de fruta. Este tawny foi produzido com uvas de qualidade superior (letra A), colhidas na Quinta dos Murças.

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