quinta-feira, 21 de abril de 2011

Provas

Aproveito para lançar aqui algumas notas de provas que tenho pendentes. São as novidades recentes da Fiuza (Tejo), Altas Quintas (Alentejo), Quinta das Bajancas e Quinta do Soque (Douro).


Brancos

Fiuza 3 castas Branco 2010
São 3 castas, como o nome indica, que fazem parte do lote que deu origem a este vinhos. São elas a Chardonnay, Arinto e Vital, que fermentaram e estagiaram em cubas de inox.
Cor palha. Aroma frutado com sugestões de ananás, limão a toranja. Fresco.
Boca assertiva, frutada e redonda, com um final mediano mas saboroso.
Nota 14


Altas Quintas 600 Branco 2010
Feito a partir das castas Verdelho, Arinto e Fernão Pires, com fermentação e estágio em inox.
Pouco expressivo no aroma, com sugestões de fruto em calda e ligeira tropicalidade. Fresco mas esperava maior frescura.
Excelente acidez a marcar o palato, trazendo mais raça ao vinho. final saboroso e frutado.
Nota 14,5


Tintos


Fiuza 3 castas Tinto 2010
Novamente 3 castas, Syrah, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional. Fermentação em Inox, com 3 meses de estágio em barrica nova e 3 meses em barrica usada.
Cor Ruby de pouca concentração. Aroma de bagas frescas, e ligeiro vegetal.
Boca com maior interesse, fresco, tudo muito redondo mas pleno de sabor, Final mediano e acidez correcta.
Nota 14,5


Bajancas Tinto 2008
Feito a partir das castas Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca.
São as notas fumadas que conduzem a prova de início, escondendo de certa forma o fruto. Pouco depois aparecem as sugestões de ameixa e amoras, que se associam a alguma mineralidade.
Boca com volume e taninos finos. Pareceu-me algo curto mas ainda assim está muito bem.
Nota 15,5


Bajancas Reserva 2008
Feito a partir das castas Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Barroca.
Ligeiramente fechado de início. Alguma austeridade. Fruto maduro, groselhas e amoras, notas fumadas e sugestões minerais.
Muito fino na boca. Parece mais redondo que o colheita, apesar dos taninos que tem. Excelente na acidez que acompanha o final médio/longo.
Nota 16


Quinta do Soque 2008
Feito a partir das castas Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca.
Aroma de fruto maduro a complementar-se com sugestões silvestres. Algum fumado e ligeiro calor.
Mais fresco na boca com muito boa acidez e taninos redondos.
Nota 15

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Prova Garrafeira Nacional

Para quem gosta do vinho, por certo já esteve em várias provas, vários encontros, vários eventos. Nunca é demais uma oportunidade para provar os vinhos deste ou daquele produtor pelo qual nutrimos um gosto especial.
Hoje em dia, é quase obrigatório para uma boa Garrafeira, ter no seu espaço provas mensais, em alguns casos semanais, com produtores conhecidos, com o intento de poder escoar o seu stock e dar a oportunidade de dar a conhecer esses mesmos produtores e seus vinhos. Ora, apesar do advento das redes sociais, e da sua capacidade de contactar com as mais diversas pessoas, chamando a atenção para estas provas, acho que na maioria das vezes, talvez por serem tantas as provas que se anunciam, as garrafeiras não chegam a ter mais que uma dezena ou duas de interessados a marcar presença.

Ora, já há algum tempo que achava que a Garrafeira Nacional tinha todo o potencial para começar a trazer os seus clientes à Rua de Santa Justa em Lisboa, sob o pretexto de uma prova de vinhos. Após ter recebido o convite via Facebook e SMS, decidi então ver como seria uma prova destas na Garrafeira Nacional. Pois não estão bem a ver, mas é que estiveram cerca de 60/70 pessoas nesta prova, o que sinceramente não me lembra nenhuma, onde eu tenha estado, e que tenha sido tão participada. Só por este motivo, por si só, já é algo a destacar, no entanto, foi mesmo o ambiente informal, jovem, despretensioso e de cavaqueira, que mais me marcou. Ambiente muito jovem, com muitas caras bonitas, muitas mesmo, descomplexado e descontraído, onde se alia um copo de vinho a uma boa conversa.
Não se ouvia falar em barricas, em descritores, em estágio, nada disso, uma conversa de fim de dia onde também entravam os gostos pessoais pelos vinhos que estavam a ser provados.
Os Vinhos em prova, estavam a cargo da Colinas de São Lourenço, que me pareceu agradarem aos convivas. Eu já os tinha provado aqui
Apenas um reparo, que merece ser revisto. As temperaturas dos vinhos com especial destaque para os tintos, neste caso não era a mais adequada.
Em suma, uma excelente casa onde ainda agora começaram as provas de vinhos e já tem uma legião de assíduos. A próxima é já na próxima Quinta, dia 7 de Abril, com os vinhos Pedro Cancela. É só aparecer....

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Da Garrafeira

Foi num almoço entre amigos, em Peniche, na Tasca do Joel, onde confesso passar muitos dos meus fins de semana. O Cos Estournel 85 já aguardava há muito na minha garrafeira, esperando o dia D e o motivo para este almoço terá sido mesmo esse, abri-lo com bons amigos. Entretanto abriram-se mais uns vinhos:


Raúl Perez Ultreia La Claudina Godello 2008
Vem da região de Bierzo, onde o magnífico Raúl Pérez faz uma boa parte dos seus vinhos, com especial destaque para os Ultreia. Este vinho é feito a partir da casta Godello, e estagia em duas barricas de 700l e uma de 225l, por um período de 11 meses.
Aroma com evolução, sensação doce por vezes a lembrar um colheita tardia. Aroma de mel, ananás em calda, limão. Estava à espera de maior frescura. Ia melhorando no copo.
Boca bom volume, rico, muito saboroso e persistente.
Nota 16,5



Château Tayac Margaux 1976
Monocórdico no aroma com as notas herbácias e de pimento. Já perdeu a sua fruta, mas é ainda assim um vinho fresco e intenso.
Na boca um Bordéus evoluído, tudo muito soft, muito redondo e algo delgado, mas sem perder o interesse. Do alto dos seus 35 anos, está jeitoso, especialmente para um Cru Bourgeois.
Nota 16




Château Cos Estournel 1985
Enorme concentração na côr. Novamente um vinho que engana, pois parece bem mais jovem.
Grande concentração no aroma, com notas de fruto negro, pimento, especiarias, algum couro. Tudo muito sincronizado e muito fresco.
Fantástico na boca, a mostrar que ainda quer mais anos pela frente. Nervoso, poderoso , ainda com taninos férteis e voluntariosos. Excelente acidez num final médio/longo. Grande vinho, que acredito ainda aperfeiçoará por mais anos.
Nota 18,5



Grou 2004 Rótulo Cinzento
Grande surpresa na jovialidade deste vinho.
Os anos não passaram por ele. Ainda mantém fruto decadente, muita intensidade, fruto caloroso, muitas notas compotadas, algum floral e ainda notas de fumo..
Boca poderosa com taninos ainda muito presentes a mostrar que precisa ainda de tempo, precisa de garrafa. Confesso que não será o estilo de vinho que mais me comove, e até terá muitos adeptos, mas não deixa de ser muitíssimo bom e uma bela surpresa.
Nota 17

terça-feira, 29 de março de 2011

Pinhal da Torre presta homenagem à fauna da região do Tejo

O Charroco, a Popa e o Lince-Ibérico são os protagonistas dos novos rótulos dos vinhos Quinta do Alqueve da Pinhal da Torre, numa homenagem da produtora de vinhos de excelência do Tejo à fauna regional.

Estes três animais da região do Tejo – um peixe, uma ave e um mamífero ameaçado pelo fantasma da extinção – foram imortalizados nos rótulos dos novos vinhos da Pinhal da Torre (Tradicional, Chardonnay e Fernão Pires) pela mão do premiado ilustrador e pintor russo Eugene Ivanov.

A sua história é depois contada em jeito de fábula no contra-rótulo: o fabuloso destino de um peixe de aspecto bizarro e assustador, que vive a maior parte do tempo enterrado nas profundezas do Tejo, mas cuja espécie até já integrou missões espaciais da NASA; ou a lenda de uma ave de beleza rara, que percorre a mitologia grega, a Bíblia e o Alcorão, mas que também pode ser encontrada nas vinhas da Pinhal da Torre, em Alpiarça. Por fim, a lenda de um felino notável, que recebe o seu nome de um herói mitológico e que, outrora, antes da ameaça real de extinção, se passeava pela bacia do Tejo, imponente, com as suas características barbas e pêlos em forma de pincel na ponta das orelhas.

A Pinhal da Torre pretende com o lançamento destes novos rótulos, cuja concepção gráfica é da responsabilidade da agência Hortelã Magenta, promover a beleza e riqueza natural da região vitivinícola na qual se insere, incorporando também as preocupações ambientais, de sustentabilidade e de defesa da biodiversidade que fazem parte da sua filosofia e missão, enquanto produtor de vinhos de excelência.

Os novos vinhos Quinta do Alqueve da Pinhal da Torre vão estar disponíveis a partir do final do mês de Abril, nas melhores garrafeiras nacionais, nos supermercados El Corte Inglés, e na cadeia Recheio.

Eis os rótulos dos novos vinhos:

quinta-feira, 24 de março de 2011

A Nova Colinas de São Lourenço


Foi com entusiasmo que recebi o convite para a apresentação dos novos vinhos, aliás do novo projecto, do produtor Colinas de São Lourenço. Obviamente que aceitei de imediato, no entanto tentei saber quem seria o novo proprietário e qual a sua ligação com o Vinho. Bom, a história é bastante interessante e desde logo me aguçou o apetite para esta prova, que teve lugar no Restaurante DOP do Rui Paula.



As Colinas de São Lourenço estão hoje em dia associadas a Carlos Dias. O nome deste Bairradino não nos dirá muito, pelo menos a mim não me dizia, no entanto trata-se de um Português de enorme sucesso, e que fez fortuna entre vários negócios, com destaque para a criação dos ultra requintados relógios Roger Dubois (http://www.rogerdubuis.com). O que é certo é que, embora não precisando de grandes investimentos em Portugal, veio à sua região e investiu na compra desta quinta, com o intuito de fazer o melhor vinho do Mundo. Esta afirmação pode parecer uma voz de arrogância, no entanto, espelha um pouco a personalidade deste compatriota, que onde coloca as mão, quer ser o melhor do mundo. Um personalidade à Mourinho?

Para ser sincero, depois de conhecer estes detalhes, fiquei inicialmente algo incomodado pela afirmação perentória atrás descrita e a bem da verdade fiquei sem esperar muito dos seus vinhos. Agora, após os ter provado, tenho de me retrair, pois os vinhos foram uma grande surpresa e penso que nos próximos tempos, já com os vinhos a serem feitos de raiz por esta nova equipa, virão a dar que falar. Assim o espero, pois é sempre bom ver grandes vinhos a nascer em Portugal e na Região da Bairrada.





Colina de São Lourenço Principal Branco 2009
Aroma ainda algo contido, fruto branco, muito fino e mineral.
Novamente elegante na boca, apresentando ainda assim uma cremosidade que é muito muito bem vinda, pois trás maior volume de boca. Termina com excelente acidez e final longo e saboroso.
Nota 17

Colina de São Lourenço Rosé "Tête de Cuvée" 2009
Cor salmonada a fazer lembrar um Champagne. Aroma muito fino, com frescura, excelentes notas de morangos e Framboesas. Tudo muito fino e equilibrado
Boca plena de sabor, excelente no volume, pouco habitual nos nossos rosés, e final ácido e prazenteiro. Um Rosé muito sério.
Nota 17

Royal Palmeira "Sur Lies Fines" Loureiro 2009
Aroma limonado, ananás, vegetal, mineral. Aroma fresco e exuberante.
Boca com excelente volume, final muito fresco e mediano.
Nota 16,5


Colina de São Lourenço Principal Reserva 2007
Quando o bebi, sem saber de que castas era feito, fez-me de imediato lembrar um Bordéus, com boa complexidade. Nota de tabaco, chocolate, cogumelos e algum vegetal.
Excelente na boca, com belíssima textura e taninos muito finos e persistentes. Um vinho muito focado. Belo Tinto.
Nota 17


O que mais gostei, em todos os vinhos foi realmente o equilíbrio que os vinhos transmitiam, o exemplar trabalho com as barricas. Não vi vinhos amadeirados, em que a madeira suplantasse os aromas. Muito bem neste aspecto. Um produtor a seguir de perto. Falta agora é saber os preços de cada um deles.

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