segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Da Garrafeira

Por vezes é isto mesmo que apetece. Ir à garrafeira, humilde é certo, e trazer algumas coisas que estão religiosamente guardadas. Ao mesmo tempo aproveitar a garrafeira de um ou outro a migo, e em torno do vinho fazer um almoço simples mas de enorme satisfação. Foi o que aconteceu nesta Sábado, como de costume, na Tasca do Joel.



Sem grandes preparações, sem vaguear num mar de incertezas, até porque não há assim tanto por onde escolher, sobre que vinho levar. Assim que olhei para uma das garrafas de Gonçalves Faria Garrafeira Tonel Especial 5 1990, foi imediata a certeza de que era mesmo isto que me apetecia beber. Voltar a ver como está este vinho que sempre me trouxe boas novas, ano após ano. Ora esta garrafa esta simplesmente sublime, não sendo de esperar outra coisa, face à sua guarda exemplar.
Ainda cheio de vida, de concentração e de inicio quase opulento no vigor. Decantado, acabou a mostrar um nervo de quem ainda quer estar por aqui mais uns anos. Um Bairrada, um Baga, perfeito.

Ainda havia de levar outro vinho, quase como descarga de consciência, não fosse o vinho faltar. Foi um Campo al Mare Bolgheri 2005. Das 3 garrafas que tinha, sendo esta a ultima, todas apresentaram o mesmo estilo. Um vinho que apresenta sempre notas lácteas de inicio, deixando depois um pendor compotado, opulento. Não aprecio na totalidade este tipo de vinhos. São excessivos. Apesar deste meu desabafo em termos de gosto, creio que este vinho terá sempre adeptos. O vinho mantém-se muito jovem.

Para a mesa veio uma Magnum de um Joseph Drouhin Clos de Vougeot 2000. Este sim, estava fantástico. Fino, expressivo, elegante, delicado e fresco. Fantástico vinho, que apesar de nem parecer um Vougeot, pela falta de estrutura que geralmente apresentam, esteve à altura de 4 amigos que com a maior das facilidades a "despacharam", sem olhar para trás. Belo vinho.



Terminámos com dois hinos aos vinhos de sobremesa. Primeiro, um Weingut Eduard Haut-Herpen Graacher Domprobst Riesling Auslese 1976, que apesar de não conhecer o produtor, acabou por se cifrar num dos melhores Mosel que bebi na vida. Muito botrytis no aroma, associado a intensas notas petroladas. O aroma é inesquecível. Ainda com doçura apesar de um equilíbrio e frescura notáveis. Que grande vinho.

Para o final estava reservado um madeira muito especial. Um F.M.A Bual 1964. Um madeira de grande classe e qualidade. Grande complexidade de aromas num vinho onde a "sua boca" é portento. Acidez vincada mas que nos prende ao vinho. Doçura equilibrada com a acidez, funcionando num conjunto perfeito. Enorme final, longo e vibrante. Excelente

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Adega Borba apresenta Premium


Dando seguimento à sua política de internacionalização, a Adega de Borba mostra-se nos mercados Angolano, Americano, Brasileiro e Chinês. Com efeito, nos últimos meses de 2010 realizaram-se alguns eventos de apresentação do vinho da Adega de Borba nestes mercados.

A Adega de Borba decidiu apostar no lançamento e apresentação do novo vinho Adega de Borba Premium no Brasil, China, EUA, Suíça, França, Alemanha e Luxemburgo que são já alguns dos mercados de sucesso para os vinhos desta região alentejana. Angola, o último país a ser visitado, é hoje um passo natural na afirmação do território de exportação da Adega de Borba.

No início do mês de Novembro, a Adega de Borba apresentou oficialmente o vinho Adega de Borba Premium ao mercado chinês, tendo obtido muito boa aceitação do mercado e ouvido as melhores críticas tanto do importador local como de alguns clientes e jornalistas chineses convidados para a ocasião. Seguiu-se a apresentação ao mercado americano, a 17 de Novembro no restaurante Aldea, detentor de uma estrela Michelin, em Nova Iorque, dos vinhos Adega de Borba Premium e Grande Reserva “Rótulo de Cortiça” Gold que contou com a apresentação da reconhecida sommelier americana Stephanie Frederick.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Bétula 2009

É a segunda colheita deste novo branco do Douro.
O vinho chega-nos do Douro, mais propriamente da Quinta do Torgal, na Freguesia do Barrô. É um vinho resultante de umas vinhas situadas em solos graníticos e feito a partir de duas castas internacionais, Viognier e Sauvignon Blanc. O enólogo é o sobejamente conhecido, e reconhecido, Francisco Montenegro, que perpetua os vinhos Aneto e Quinta Nova.


Bétula Branco 2009
Produtor - Catarina Montenegro Santos
Região - Douro (Vinho Regional Duriense)
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir dos 12€
Feito equitativamente a partir das castas Viognier, que fermentou e estagiou em barricas de carvalho francês, e Sauvignon Blanc, que fermentou e estagiou em inox.
Mais nervoso que no ano anterior, o que de certa forma é um contra-senso em face da tipicidade dos anos, no entanto poderá significar que o Francisco Montenegro afinou o perfil que queria com este vinho. O certo é que gosto bastante mais desta edição. Apesar de ter ganho um pouco mais de volume, encontrei mais nervo, mais sugestões minerais e uma acidez vincada e muito refrescante. Parece-me mais equilibrado que a anterior versão, apesar de ligeiros apontamentos da barrica em que o Viognier fermentou. Muito bem.
Nota 17

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Oliveira Ramos - Azeite e Vinagre de João Portugal Ramos


João Portugal Ramos entra agora num segmento que começa a despertar interesse nos produtores de vinho. Estou a referir-me aos azeites e vinagres que começam agora a andar de mãos dadas com os produtores de vinho. Conhecendo a filosofia deste grande enólogo e de toda a sua equipa, mais não se pode esperar que o Azeite e Vinagre Oliveira Ramos não sejam nada menos que dois produtos de excelência.

Segundo João Portugal Ramos, "O azeite já estava pensado na nossa gama de produtos há algum tempo mas queríamos ter a certeza que oferecíamos ao consumidor um azeite diferente, com um sabor único e que mantivesse o mesmo nível de qualidade dos nossos vinhos. É com enorme satisfação que voltei a produzir azeite ao fim de 28 anos, quando em Moura me dediquei também a esta actividade, com o mesmo empenho e dedicação que sempre me orientou na produção de vinhos".

O azeite e o vinagre estão disponíveis para venda nas principais lojas gourmet, ao preço de 8,90€ e de 6,50€ respectivamente.

sábado, 28 de agosto de 2010

Wines of Portugal Conference


Esta será a primeira Conferencia Internacional sobre Vinhos Portugueses, de seu nome Wines of Portugal Conference, cujo tema principal dará o destaque à Touriga Nacional. A Conferência irá realizar-se nos dias 9. 10 e 11 de Dezembro de 2010, no Centro de Congressos da Alfandega do Porto.

Esta será uma iniciativa da Viniportugal, e contará com a presença de um grande leque de individualidade internacionais e nacionais, bem como uma séries de acções de elevado interesse, que vão desde discussões sobre a Touriga Nacional, Provas de Vinhos, Visitas a Quintas, Fórum de Enólogos e muito mais.
Serão 3 dias a falar de Vinhos Portugueses, com especial destaque para a Casta Touriga Nacional que é o tema desta primeira conferência.

Todas as informações aqui

Vindouro 2010


É já na próxima semana que chega a Festa Pombalina Vindouro. Esta festa terá lugar, como habitualmente, em São João da Pesqueira, nos dias 2, 3, 4 e 5 de Setembro de 2010.
Esta será a 5ª edição de uma festa que inclui um programa variadíssimo de actividades de onde se destacam inúmeras acções relacionadas com os vinhos.

Poderão ver o programa aqui

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Bajancas Private Selection 2008

A Quinta das Bajancas, pertença de António Alfredo Lamas, é um projecto Duriense que começou a ser delineado em 1993, quando por iniciativa própria, o proprietário decidiu partir na aventura de fazer vinho. Escolheram-se as castas a plantar, e em 1994 iniciaram-se as plantações. Em 2004 tem lugar a primeira colheita, nesta Quinta, já com a consultoria da 2PR.
A Quinta das Bajancas apresenta agora o seu mais recente projecto, da responsabilidade enológica da 2PR, o novíssimo Bajancas Private Selection 2009, que integrará o topo da casa em matéria de brancos.


Bajancas Private Selection Branco 2008
Produtor - Alfredo Lamas
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Preço - 15€
AVIN -
AVIN9772511879864
Feito a partir das castas Rabigato, Gouveio e Códega do Larinho, este vinho fermentou em inox, para depois estagiar em barricas usadas de carvalho.
Apresentou uma brilhante côr palha.
Aroma rico e complexo, o primeiro impacto é fantástico, com notas de citrinos, pêras e algum vegetal, a que se juntam sugestões de anis, ervas aromáticas, amêndoas e massapan. Excelente conjunto, onde a barrica surge perfeitamente integrada, mal se dando por ela.
Também se mostrou num excelente registo na prova de boca, com volume e untuosidade, suportados por uma excelente acidez e final longo.
Não é um vinho imediato, de aroma fácil, não, mas precisamos que seja sempre tudo facilitado? E então a criatividade, o carácter e a originalidade? Poderá não agradar a tudo e todos, mas eu gostei muito. Belo Branco.
Nota 17,5



Vale D'algares Guarda Rios e Selection

É a vez dos brancos, Guarda Rios e Selections, ambos da colheita de 2009.




Guarda Rios Branco 2009
Produtor - Vale D'Algares
Região - Tejo
Grau - 13%vol
Preço - A partir de 7€
AVIN - AVIN8039719441165
Feito a partir das castas Chardonnay, Sauvignon Blanc, Alvarinho e Arinto, este vinho fermentou em cubas de inox a baixas temperaturas, com a excepção de 35% do lote, que fermentou em barricas novas de carvalho francês.
Apresentou uma cor palha com laivos esverdeados.
Aroma franco e demasiado contido, com sugestões de fruto de caroço e laranjas a que se juntam notas vegetais e leves sugestões fumadas.
Boca com volume e alguma cremosidade num final com sabor, de boa acidez e final mediano. Novamente, à semelhança do rosé, denota a necessidade de uma maior frescura.
É um bom branco, que terá de certa maneira sofrido com a tipicidade da colheita, ainda assim considero uma boa aposta para os meses que se seguem, quando não queremos gastar muito.
Nota 15


Vale D'algares selection Branco 2009
Produtor - Vale D'Algares
Região - Tejo
Grau - 14%vol
Preço - a partir de 13€
AVIN - AVIN5443022400499
Feito a partir das castas Viognier, Alvarinho e Verdelho, este vinho fermentou em barricas novas de carvalho francês.
Apresentou uma cor palha.
Aroma ainda algo tímido mas já a mostrar boa profundidade. Neste momento apresenta algumas notas de barrica mas ainda assim é harmonioso no aroma, não é exuberante nem é fechado, é misterioso. Surgem entretanto sugestões de citrinos e mineralidade.
Na boca está muito bem. Muito saboroso, com volume e cremosidade num final longo e de bela acidez.
Um passo enorme acima dos restantes brancos da casa. Novamente não consideraria um vinho que se preza pela enorme frescura, mas este selection tem muito mais, muitos mais argumentos. No meu entender, para já não tenha pressa em abri-lo, até porque notei algum sulfuroso, sendo certo que caso o abra irá decerto gostar.
Nota 16,5

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Guarda Rios Rosé 2009

Voltamos a provar o Guarda Rios Rosé, desta feita na versão de 2009.

Guarda Rios Rosé 2009
Produtor - Vale d'Algares
Região - Tejo
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 6€
AVIN - AVIN4771527529812
Feito a partir das castas Syrah, Touriga Nacional e Aragonêz, este vinho fermentou em inox, sendo de imediato engarrafado.
Côr rosada com alguma concentração.
Aromas iniciais a mina de lápis. Seguiram sugestões de ameixas, groselhas e pequenos apontamentos vegetais. Apesar de ter alguma frescura, um ligeiro desvio alcoólico consegue comandar o aroma.
Na boca mantém-se o perfil "morno", quente e fresco, num conjunto de bom volume e boa acidez. Final mediano mas saboroso.
É um rosé, no meu entender, a prestar-se à meia estação. Não sendo muito pesado, nem sendo muito quente, no meu entender, beneficiava com maior frescura. Ainda assim, e pelo preço sugerido, não deixa de ser um bom rosé.
Nota 14,5

domingo, 1 de agosto de 2010

Altas Quintas Crescendo

A Altas Quintas apresenta as novidades relativas aos seus vinhos intermédios, os Altas Quintas Crescendo, nas versões 2007 e 2009, respectivamente tinto e branco.


Altas Quintas Crescendo branco 2009
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 13% vol
Preço - A partir de 8€
AVIN - AVIN5826633781315
Feito a partir das castas Verdelho, Arinto e Fernão Pires, este vinho fermentou e estagiou em Inox.
Apresenta uma cor palha carregada.
Aroma franco, onde predomina a sensação de frescura. Surgem notas de citrinos, vegetal e anisadas.
Muito bem na boca, a mostrar muita frescura, muito sabor e ligeira sensação adocicada. Apresenta-se com volume, untuosidade, boa acidez e final mediano/longo.
Esta muito bem neste momento e promete agradar a "Gregos e Troianos". Excelente aposta neste verão.
Nota 15,5






Altas Quintas Crescendo 2007
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço - A partir de 8€
AVIN - AVIN4319392022337
Feito a partir das castas Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet, que fermentou em balseiros e estagiou por 12 meses em barricas de carvalho francês.
Cor rubi de grande concentração.
Aroma ainda comandado pelas notas fumadas, que aparecem em primeiro plano. Em segundo, aromas de fruto preto e alguma grafite. Fresco.
Melhor na boca, a mostrar-se amplo, com notas de fruto maduro, e final com taninos finos e presentes. Termina com excelente persistência.
Bela surpresa neste tinto que se mostrou muito saboroso, com taninos e acidez a despertarem para mais um trago. Muito bem.
Nota 16

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Esporão Monte Velho 2009

Monte Velho 2009
Produtor - Esporão
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço - A partir de 2.90€
AVIN - AVIN7608038256432
Este vinho foi feito a partir das castas Aragonês, Trincadeira e Castelão, com fermentação em Inox e estágio em carvalho americano.
Apresentou-se com uma côr ruby de média concentração. Aroma franco, com sugestões de fumadas e de frutos silvestres.
Boca harmoniosa, ligeira e redonda com final mediano.
Muito bem, para um vinho do qual se fazem cerca de 6 milhões de litros. Para o preço a que se vende, achei bastante bem feito e bastante agradável. É obviamente um vinho que se pretende de consumo diário e neste aspecto, o Monte Velho 2009, cumpre todas as expectativas e é bastante recomendável.
Nota 14

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Douro4u



Assim nasceu mais um "agrupamento" de produtores durienses, cuja apresentação teve lugar no passado dia 13 de Julho, no Porto.

Os Douro4u são a união de 5 produtores Durienses (Aneto, Esmero, Quinta da Prelada, Quinta de Tourais e Terrus) cuja ideia é a união de esforços para a promoção, dentro e fora de portas, dos vinhos de cada produtor.

Fica assim apresentado este grupo, que a meu ver, e pela qualidade dos intervenientes, tem todas as condições para um enorme sucesso. Mais informações acerca dos Douro4u, podem ser retiradas do site.

sábado, 3 de julho de 2010

Esporão Private Selection Tinto 2007




Esporão Private Selection Tinto 2007 recebe medalha de ouro no International Wine Challenge


O Esporão Private Selection Tinto 2007 acaba de receber a medalha de ouro no International Wine Challenge 2010, um dos mais prestigiados concursos de vinho a nível mundial. Na edição deste ano, os Vinhos do Esporão arrecadaram 12 das 35 medalhas atribuídas a Portugal.

Para além da medalha de ouro, aos Vinhos do Esporão foram ainda atribuídas quatro medalhas de prata, incluindo o Esporão Private Selection branco 2008, o Alicante Bouschet 2007, o 4 Castas 2008 e o Verdelho 2009, e ainda, mais cinco medalhas de bronze e dois louvores.
Produzido na Herdade do Esporão, na adega de lagares especialmente concebida para pequenos volumes, o Private Selection Tinto 2007 foi vinificado com maceração prolongada, a partir das castas nobres do Alentejo, maioritariamente Alicante Bouschet e Aragonês. Após um estágio de 12 meses em barricas de Carvalho Francês, resultou um vinho de cor grená intensa, quase impenetrável e mostra aroma fino com sugestões a fruta madura, envolvida em subtis notas de tabaco e ligeiro tostado. Na boca é denso, e a componente balsâmica sobressai. Os taninos estão cheios de vigor, garantindo estrutura e prometendo grande longevidade em garrafa.
O Esporão Private Selection Tinto já recebeu 14 distinções nacionais e internacionais, como a Great Gold Medal no Concours Mondial de Bruxelles, Prémio de Excelência da Revista de Vinhos, e o 1º Prémio no Concurso Vinhos Engarrafados do Alentejo 2008.
International Wine Challenge é considerada a melhor e maior prova cega do mundo e recebeu nesta edição mais de 10 mil vinhos a concurso. O júri é composto por 370 especialistas de renome no sector do vinho, entre produtores de vinho, comerciantes e escritores.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Concerto de Verão em Cortes de Cima


Há dias que perduram na nossa memória para sempre, dias que nos levam ao limite da emoção, que farão parte das histórias que contamos aos nossos filhos, aos nossos netos. O vinho tem destas coisas e felizmente tenho na minha memória, ainda em plenas capacidades, de dias em que uma apenas uma garrafa de vinho, um jantar ou um evento que me emocionaram de tal maneira que estarão para sempre na minha lembrança.
Este 8º Concerto de Verão de Cortes de Cima, que teve lugar no passado dia 18 de Junho, foi um desses eventos. Foi um fim de tarde magnifico, em que Cortes de Cima se engalanou para um evento ímpar e cheio de glamour, associando vinhos, música, uma Quinta muito bonita e um grupo de pessoas bem dispostas.
Mas vamos por partes:

(Da esquerda para a direita: Hans, Ulla, Mats, Thomas e Carrie)

A Música
Confesso que nunca fui a uma opera e que salvo erro nunca tinha presenciado ao vivo, um concerto de música erudita, acompanhada ao piano. Os artistas eram a Sra Ulla Kudst Jensen, que todos os anos marca presença neste evento, o Tenor Thomas Praestegard, acompanhados ao piano por Mats Knudsson. Acreditem que passei o concerto inteiro com "pele de galinha". Que grandes artistas, todos eles. O repertório era leve, passando pelas pequenas operas, a musicais (My Fairlady, por exemplo), e até a algum improviso e humor. Numa palavra, soberbo.




Cortes de Cima
Grande organização da Carrie do Hans e de toda a sua equipa, que decerto tiveram bastante trabalho em montar este evento. O dia estava fantástico e a Quinta é muito bonita, toda muito bem tratada, com as vinhas a cercarem todo o perímetro da adega, um lago que serve de habitat a umas dezenas de patos e os caminhos ladeados por vinha e pinheiros.


Os Vinhos
Foram servidas as recentes colheitas da casa, como o Chaminé 2009, Syrah 2007, Aragonês 2005, Touriga Nacional 2005, Reserva 2004 e ainda Reserva 2003 e Touriga Nacional 2003 ao Jantar. Não houve tempo, nem seria suposto, de tirar grandes notas, mas dos que bebi, destaco 0 Cortes de Cima Syrah 2007 pela sua genuinidade à casta e à região, o Cortes de Cima 2004 e 2003, que não sendo o meu estilo de vinho preferido, é impossível não os considerar grandes vinhos e entre os melhores dos melhores Alentejanos. Deixo para o final um grande vinho. que ainda quase ninguém conhece. Trata-se de um Cortes de Cima Petit Verdot 2008, que acabou de ser engarrafado e que me surpreendeu muito. Um vinho cheio de tensão e potência mas num apontamento contido e profundo, o tempo que passar em garrafa vai torná-lo num caso sério. Teremos de esperar ainda vários meses até lhe colocarmos a vista em cima, no entanto, face à reduzida quantidade, sugiro que se mantenham atentos.

O Jantar
Como é habitual, o Chef Bjarne Otto foi o responsável pelo repasto no final do concerto. Os jantares são como são, cheios de boa disposição, neste caso cheio de bons vinhos e boa comida comida e excelente companhia. Mas este jantar teve uma particularidade para mim por ter sido nele que comi o melhor Rosbife de toda a minha vida. Não consegui comer de mais nada.
Este pequeno texto não é mais do que uma desculpa para deixar aqui a minha singela homenagem a Bjarne Otto.

E assim, cravei na minha memória mais um grande evento no qual tive a enorme honra de participar. Bem hajam a Família Jorgensen e a Equipa Cortes de Cima que honraram sobremaneira a casa que representam. Muito obrigado.

Termino com mais algumas imagens do evento:



sábado, 26 de junho de 2010

Chateau D'Yquem

Voltamos a mais uma prova de um vinhos que encanta tudo e todos. O caso não é para menos, pois estamos a falar de um dos grandes vinhos do mundo, que quando atinge a plenitude, que quando o ano assim o permite, torna-se extremamente procurado por todos os que podem comprar uma simples garrafa a preços astronómicos.
A verdade é que a dificuldade para chegar ao produto final é tanta, que realmente este vinho só poderia ser caro.


Château D'Yquem 1976
Produtor - Château d'Yquem
Região - Sauternes (França)
Grau - N/D
Preço - "Escandaloso"
Feito a partir das castas Sémillon e Sauvignon Blanc, atacadas pelo fungo Botrytis Cinerea.
Cor âmbar/cobre. Se tivesse de caracterizar numa palavra este vinho, bastava apenas perfume. Nariz absurdamente complexo onde consegui vislumbrar notas de mel, pêssego, côco, baunilha, caramelo e especiarias. Cada vez que o levava ao nariz o vinho estava diferente. Enorme complexidade numa toada sempre fresca. Impressiona.
Na boca, o céu. É difícil de explicar a riqueza e intensidade deste vinho na boca. Volumoso, sedoso, untuoso, doce, fresco, de enorme acidez e com um final que nunca mais acaba. Tudo isto num vinho completamente equilibrado. É obra.
A volúpia numa só garrafa. Um pecado.
Nota 19

Cistus Reserva 2007

A Quinta do Vale da Perdiz situa-se no coração do Douro Superior nas proximidades de Torre de Moncorvo. Os quatorze hectares de vinha da Quinta encontram-se dispostos em socalcos de ambos os lados do vale que lhe dá o nome. Na vinha, plantada em terreno xistoso, com exposição a sul, norte e nascente, encontram-se as castas nobres tradicionais da região demarcada do Douro: Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz e Tinta Barroca. As vinhas da Quinta do Vale da Perdiz têm uma idade média superior a 13 anos.
Informação retirada do site do Produtor. Para mais informações sobre o Produtor e a Quinta, ver aqui


Cistus Reserva 2007
Produtor - Quinta do Vale da Perdiz
Região - Douro
Grau - 14,5% vol
Preço - 9.99€
AVIN - AVIN3083422626321
Este vinho foi feito a partir das castas Tinta Roriz (40%), Touriga Franca (40%) e Touriga Nacional (20%) e estagiou em barricas de carvalho americano, francês e húngaro, por um período de 15 meses.
Opaco na côr. Para já é a Touriga Nacional que marca o compasso com muitas notas de esteva e de violetas, a que se associam sugestões de fruto maduro, ameixas e amoras, e morangos. Algumas notas de baunilha, madeira muito bem integrada.
Mais carácter na prova de boca. O vinho é encorpado, com boa acidez e taninos presentes. Mantém as sugestões de fruto vermelho e algum vegetal. Madeira bem integrada. Termina com boa persistência.
Nota 16

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Billecart-Salmon



Foi no passado dia 14 de Junho que a oportunidade de estar presente numa prova dos Champagnes Billecart-Salmon, conduzida por um dos proprietários e descendente da família, o Sr Antoine Billecart.
Tenho que confessar que sempre gostei dos Champagnes desta casa. São vinhos muito precisos, de carácter vincado e sempre com grande acidez. Esta prova, mais que um prova, foi uma lição, foi um passar a pente fino pela filosofia da casa, pelas técnicas de vinificação, pelas castas e pela região.



A Maison Billecart-Salmon, sediada em Mareuil-Sur-Aÿ, foi fundada em 1818 e vai hoje na 7ª geração da família à frente dos destinos da Casa. O saber foi passado de geração em geração, criando uma dinastia e um nome de peso na região e no mundo. Estamos perante um pequeno produtor, à escala de Champagne, que tem uma produção a rondar as cerca de 2 milhões de garrafas. A Billecart-Salmon possui cerca de 22ha de vinha própria, onde se inclui a vinha de onde nasce o Clos Saint-Hilaire, e comprando ainda uvas de um total de 240ha.
Todo o vinho é feito com o único propósito da qualidade, desde os vinhos base até ao engarrafamento. Muitas técnicas ancestrais se juntam a pequenas particularidades exclusivas da casa, que vão desde as tardias e invulgares longas fermentações, até à selecção criteriosa das leveduras indígenas, que apenas são utilizadas na 2ªa fermentação, para mim uma novidade.
Bom, mas poderão consultar o site do produtor aqui, para obterem muitas mais informações.

Passemos então à prova comentada, onde se provaram os seguintes vinhos:



Billecart-Salmon Reservée
Representa cerca de 65% da produção da casa. A indicação reservée provem do facto de serem utilizados vinhos de reserva, com estágio em barricas, no blend, que no caso desta garrafa foram utilizados vinhos de 2004, 2005 e 2006.
O vinho apresentou-se com enorme frescura, muitas notas de maçã, ligeira tosta e alguma evolução positiva, que provavelmente provém de alguns dos vinhos mais antigos do lote.
Na boca, alguma intensidade na acidez e no final algo austero. Excelente para a mesa.
Nota 16.5



Billecart-Salmon Extra Brut
Este vinho foi feito com os mesmos lotes do anterior, apenas se tratando da versão extra brut, ou seja, menor açúcar residual.
Muito vincado e austero no aroma. Causa impacte quando o provamos. Muito seco, mas mineral e quase obtuso.
A austeridade mantém-se na boca quer pela acidez quer pela secura. Perde um pouco na persistência face ao anterior. Excelente com um presunto ou enchidos.
Nota 16



Billecart-Salmon Vintage 2004
Neste vinho, colheita de 2004, foram usados 70% de Pinot Noir e 30% de Chardonnay. Do lote, apenas 25% foi estagiado em barrica usada, que provém da Borgonha.
Bolha fina e persistente.Muitas notas vegetais, alguma salinidade, pão e aromas de baunilha. Um aroma muito completo e de bela intensidade.
Mantém-se um perfil ácido e seco, com um final muito nervoso.
Nota 17



Billecart-Salmon Nicolas François 1998
Vinho com cerca de 60% Pinot Noir e 40% de Chardonnay.
Bolha muito fina e persistente. Aromas iniciais a lembrarem um queijo intenso que desde logo dão lugar a notas citrinas de maças, laranjas e lima. Muito mineral e algumas sugestões tostadas e amendoadas. Muito fino nos aromas.
Na boca mantém-se uma postura de fineza, de complexidade que associa a uma acidez judiciosa e um final longo. Belo Champagne.
Nota 17,5


Billecart-Salmon Brut Rosé
No blend entram vinhos base de 2006 e 2007, com maior percentagem do último.
Não consigo esconder a predilecção por este Champagne Rosé. Foram tantas as vezes que o bebi, sem nunca se desviar da excelência.
Bolha fina e persistente com bastante efervescência. muito intenso nos aromas de framboesa, cereja, ameixa branca, mineralidade e algumas tosta.
Na boca, uma explosão inicial dá lugar a uma cremosidade divinal, com notas de leveduras, acidez franca e um final longo e saboroso. Fabuloso.
Nota 18



Billecart-Salmon Blanc de Blancs 1986 (Magnum)
E para o fim estava guardado o "bom bocado". Um hino aqueles que possam ter dúvidas que Champagne pode ser fenomenal com alguma idade, que se pode guardar perfeitamente, desde que observadas as condições ideais de guarda.
Ainda pouco ou nada oxidado na côr, a mostrar um esverdeado carregado. Ainda com bastante efervescência e bolha muito fina e persistente.
Uma explosão, contida, de aromas a gás, maçãs, mineral e sugestões petroladas. Muito fresco.
Muito vivo, cremoso e com acidez nervosa. Inesquecível.
Nota 19

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Indepdendent Winegrowers Association

Foi no passado dia 1 de Junho que os Independent Winegrowers Association (IWA) apresentaram as suas novas colheitas.
Tal como nos anos anteriores, esta apresentação teve lugar no Hotel Ritz, e contou com todos os seus representantes. De notar a triste ausência do projecto Covela, que terminou no inicio deste ano. Assim, os IWA contam agora com os produtores Quinta do Ameal, Casa de Cello, Alves de Sousa, Luís Pato e Quinta dos Roques.
Este é um grupo muito especial, por integrar 5 produtores, que então entre os melhores em cada uma das suas regiões e mesmo em Portugal. É um projecto assente em bases bem sólidas, mas sobretudo assente na amizade entre cada um dos intervenientes. Esta amizade, visível por onde quer que andem, será porventura uma das mais valias deste agrupamento de produtores. Não se consideram concorrentes mas criaram uma simbiose entre si, que permite que mesmo cá dentro, em Portugal, se possam juntar para promover os seus vinhos. É uma raridade nos dias que correm, mas um projecto que deveria ser seguido por muitos mais produtores portugueses. Um exemplo a seguir.



Casa de Cello

Quinta de Sanjoanne Vinho Verde 2009
Um vinho muito bem feito, com muitas notas vegetais, de hortelã. Elegante e com acidez vibrante.
Nota15


Quinta de Sanjoanne Escolha 2004
Que prazer voltar a provar e ver como tem evoluído este vinho. Apresentava-se com ligeira oxidação positiva, muitas notas petroladas e sugestões de menta.
Excelente a acidez e cremosidade. Quem disse que o Vinho Verde não envelhece bem?
Nota 17


Quinta de Sanjoanne Superior 2007
Excelente no aroma. Não é muito exuberante e nem precisa de ser. Apresenta muitos aromas anizados, sugestões minerais e uma excelente concentração do fruto.
Excelente acidez, vibrante e muito longo.
Nota 17


Quinta de Sanjoanne Passi 2008
É o vinho doce da casa. Muito original nos aromas, cheirar este vinho leva-me aos meus tempos passados no Pinhal, quando as árvores eram sangradas para aqueles pequenos vazos de recolha da seiva. é a isso mesmo que cheira, a seiva de pinheiro, resina e ainda sugestões de frutos em compota.
Na boca não é pesado, não é muito doce, mas sim, fresco e longo. Estreia Auspiciosa.
Nota 16,5


Vegia 2008
Muito bem recebida a substituição do antigo "Porta Fronha", por este Vegia. Dá uma melhor integração deste vinho na própria gama da Marca.
Todo ele assenta sobre a fruta, de excelente densidade e concentração. Não precisa de mais.
Muito saboroso na boca, equilibrado, redondo, e com taninos dóceis. Muito bom
Nota 16


Quinta da Vegia 2006
Muito difícil no aroma. Aroma algo sujo, a sugestionar alguma arejamento. Estranho
Muito melhor na boca com raça, taninos presentes mas que não endurecem a prova. Gostei bem mais do anterior.
Nota 15


Quinta da Vegia Reserva 2007
Belo Vinho. Grande concentração de aromas. Denso, nas notas de fruto, notas florais e sugestões de barrica.
Poderoso, mas ao mesmo tempo fino. Expressivo, mas ao mesmo tempo profundo. Termina longo e com taninos muito jovens. Precisa de algum tempo.
Nota 17,5





Alves de Sousa

Branco da Gaivosa 2009
Foi o único branco seco apresentado pelo produtor. Ligeira percepção de doçura no aroma, notas vegetais e de fruto branco.
Boca de bom amplitude, acidez correcta e final médio.
Nota 15


Quinta do Vale da Raposa Touriga Nacional 2007
Muito maduro e denso, a sugerir alguma extracção. Amoras, cassis, sugestões minerais e notas de barrica.
Boca de grande volume e porte. Não é agressivo mas aguerrido. Termina com persistência média.
Nota 16


Tapadinha Grande Reserva 2007
Excelente na profundidade dos aromas. Muitas notas florais, de fruto maduro.
Energético, com taninos muito presentes, mas finos. Termina longo
Nota 17

Quinta da Gaivosa 2005
A austeridade do Douro. Aromas de fruto maduro, notas vegetais, mato seco, tudo numa toada de austeridade.
Delicioso na boca, com taninos ainda por resolver, mas finos, vivos e final longo. Continuo a achar este, um dos grandes vinhos portugueses.
Nota 18


Alves de Sousa Reserva Pessoal 2005
O tempo trouxe-lhe algum bonança. Acalmou-lhe o nervo inicial, deixou de ser espevitado, para ser um vinho com taninos mais resolvidos e finos. Está num momento excelente para ser bebido.
Nota 17


Quinta da Gaivosa Vinha do Lordelo 2007
Um pequeno Jovem que ainda precisa de muito tempo na garrafa para acalmar toda a sua impetuosidade. Tem volume, tem profundidade e um final longo.
Nota 17,5


Abandonado 2007
Impressiona pela concentração, aroma singular, denso, profundo. O frtudo é maduro, com sugestões de amoras, groselhas e ameixas. Boa integração da barrica.
Na boca tem bom porte, é sumarento e concentrado. Termina muito longo. Um vinho muito especial
Nota 18





Luís Pato

Espumante Maria Gomes 2009
Sugestões adocicadas a fazer lembrar o branco seco da mesma casta. Notas de maçãs e algum vegetal. Cremoso e muito agradável.
Nota 15


Espumante Baga 2009
Aroma de Morangos e Framboesas.
Seco e mais fino mas muito saboroso.
Nota 15,5


Espumante Formal 2009
Continua a ser um espumante muito especial, pela diferença. Aromas minerais, notas de maça, limão.
Excelente no volume de boca, na explosão de toda a mousse envolvente. Excelente na acidez e na persistência final
Nota 17


Vinhas Velhas 2009
Como curiosidade, este vinho fermentou e estagiou em inox, ao contrário dos seus antecessores. Aromas de laranja, algum herbáceo. Fresco, muito fresco.
Bom volume de boca, acidez e boa persistência final.
Nota 15,5


Vinha Pan 2008
Apresentou-se muito bem no aroma, com muito fruto maduro, notas de pinho, sugestões de barrica e alguma frescura.
Muita raça na prova de boca, taninos muito finos mas muito persistentes.
Nota 17


Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2008
Grande concentração de aromas, já a mostrar complexidade com notas de fruto maduro, notas minerais, e vegetais e perfeita integração de barrica.
Muito jovem na boca, denso, com volume, taninos ainda muito jovens mas finos e aristocráticos. Adorei. Grande Vinho.
Nota 18,5





Quinta do Ameal


Quinta do Ameal Loureiro 2009
Muito fresco, com aromas de vegetais e de lima. Tudo muito fino, muito preciso.
Boca de grande fineza. Acidez presente e boa persistência.
Nota 16


Quinta do Ameal Escolha Loureiro 2008
Toada de frescura. Excelente o trabalho de barrica, perfeitamente integrada. Intenso nos aromas.
Boca cremosa com volume mas muito fina e elegante. Final muito saboroso.
Nota 17


Quinta do Ameal Loureiro 2003
Aromas de mel, queijo e vegetal.
Boca com poucos sinais de oxidação mas ainda assim com um final algo "aguado".
Nota 15


Quinta do Ameal Escolha 2003
Curiosamente mantém o mesmo perfil aromático que o vinho anterior, no entanto oferece mais volume de boca e maior persistência final. É muito mais saboroso.
Nota 16


Quinta do Ameal Special Harvest 2007
Vinho doce, feito a partir de uvas que se colocaram ao sol a secar.
Muito figo no aroma, muita especiaria e gengibre. Muito intenso e a sugerir um vinho muito doce.
Boca com doçura acentuada, untuoso e final longuíssimo.
Nota 17,5





Quinta dos Roques

Quinta das Maias Malvasia Fina 2009
Muito fresco no aroma, com maior substância que a versão de 2008. Sugestões anisadas, vegetais.
Muito fino, apesar de ter bom volume. boa intensidade, saboroso. Boa persistência.
Nota 16


Quinta das Maias Verdelho 2009
Já há algum tempo que não aparecia um Verdelho nas Maias.
Muito bonito de aroma, com notas vegetais minerais e citrinas. Tudo muito fresco e fino.
Boca de muita fineza e excelente persistência.
Nota 16


Quinta dos Roques Encruzado 2009
Ainda algo fechado, sugestões minerais, algumas notas de barrica.
Fino e elegante na boca, final repleto de sabor. Longo e final intenso com notas de barrica. Um vinho à minha maneira.
Nota 17,5


Quinta das Maias Jaen 2007
A lembrar um Borgonha. Fruto silvestre, muita elegância, mas muito sabor. Gostei muito deste Jaen.
Nota 16,5


Quinta dos Roques Alfrocheiro 2007
Maior concentração que no vinho anterior, sobretudo na concentração do fruto. Mantém uma toada de fineza e elegância mas não tem desta feita o equilíbrio e sabor do primeiro.
Nota 16


Quinta dos Roques Touriga Nacional 2007
Ainda me lembro quando provei este vinho há uns largos meses. Quase imberbe pela força de taninos. Hoje, está mais calmo. Mudou muito e para melhor.
Aroma com alguma austeridade, mas muita profundidade. Não é exuberante, mas sim profundo. Barrica de classe.
Boca muito jovem ainda, a sugerir que este vinho precisa de tempo em garrafa. Muito longo. Grande Touriga.
Nota 18


Flor das Maias 2007
Este sim, tem um perfil mais exuberante, com muitas notas de violetas e fruto muito maduro.
Ainda muito jovem na boca e a precisar de tempo em garrafa, no entanto já se conseguirá beber com comidas fortes. O vinho é muito saboroso e tem um final muito longo.
Nota 17

terça-feira, 25 de maio de 2010

Fiuza Rosé 2009

A Fiuza & Bright acaba de lançar no mercado a sua nova colheita de Rosé. Esta é uma proposta de verão e para o verão..


Fiuza Touriga Nacional/Cabernet Rosé 2009
Produtor - Fiuza & Bright
Região - Do Tejo
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 4,50€
Este Rosé foi feito a partir das castas Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, que fermentaram ambas em inox e a temperaturas baixa.
Cor rosada/vermelha muito viva.
Muita sensação de frescura associada a notas de morangos, framboesas e algum vegetal. Bem fresco, não sugere a presença de álcool. Equilibrado.
Na boca tem um bom volume, uma boa largura. Ligeiro amargor final.
Não será o cúmulo da complexidade e não será um vinho que nos prenda durante minutos e minutos de volta dele, no entanto, a questão é que não foi desenhado para ser assim. Mas tem pontos a seu favor. O preço, muito certo. A frescura, é o que se pede no verão, nas esplanadas, nas férias, nas piscinas. A qualidade geral, que associada aos dois últimos pontos, fazem deste rosé uma escolha segura para o seu vinho de verão. Um bom Rosé.
Nota 14,5

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Borgonha

Cruz na Vinha La Tâche


Após uma aventura, chuvosa e fria, de 5 dias pela Borgonha.....

A Borgonha é um dilema. Assim de repente não estou a ver nenhuma outra região vitivinícola com as características e a complexidade da Borgonha. A Borgonha é realmente paradoxal mas no meu entender, é daí que vem todo o seu charme.
Mas de onde vem toda essa complexidade? Bom, pelo que vi e no meu entender, de várias situações:
A primeira pode começar nas vinhas. Imagine-se uma imensidão de vinhas, separada por pequenos caminhos e estradas, cada uma com seu nome, cada uma a resultar em vinhos com perfis completamente distintos. Parece-me uma tarefa impossível saber os nomes de todas as vinhas e conhecer o perfil de vinhos que cada uma dá.
Depois, imagine-se que cada uma dessas vinhas é detida, com a óbvia excepção dos monopólios, por um punhado de "vignerons" onde cada qual tem uma filosofia própria. Por exemplo, o Clos de Vogeot, está fragmentado em 82 pequenas parcelas detidas pelo mesmo numero de produtores. Ou seja, podemos organizar uma prova de uma só vinha, neste caso do Clos Vogeot, e ter 82 vinhos no alinhamento. É obra....
Os produtores também não facilitam a coisa, uma vez que cada produtor, para poder ter um negócio rentável, tem de ter na sua posse várias vinhas, de Regional a Grand Cru, de várias proveniências. Ora se contarmos os largos milhares de produtores que existem na Borgonha, cada um a deter várias parcelas de vinha, isto dá uma enorme e complexa teia.
Finalmente há ainda a diferença entre colheitas que de certo modo condicionam também o estilo dos vinhos, pois temos anos de grande estrutura e opulência, para uma guarda longa, como o 2005, anos de vinhos absolutamente irresistíveis para serem bebidos em novos como o 2007 ou anos em que todos afirmam que são os anos para os verdadeiros amantes da Borgonha, como o 2008. E isto só para relembrar as três ultimas colheitas.

Como disse anteriormente, toda esta complexidade, todas estas possibilidades revestem a Borgonha de um carácter muito especial. Todas estas nuances, podem de certo modo afastar muitas pessoas na hora de escolher, na prateleira, um vinho da borgonha, no entanto, para os mais insistentes, a recompensa é enorme, quando em frente a um grande vinho Borgonhês.

Adega Domaine Anne Gros


As adegas/caves

Entrar nas adegas da Borgonha é entrar num mundo completamente à parte. Se viermos de Portugal então, é a plena antítese do que temos por cá. Quer seja no Douro, quer seja no Alentejo, Algarve, Tejo, etc, uma coisa que vamos ver são as edificações das nossas adegas, quase sempre rodeadas pelas vinhas da própria casa, adegas modernas, por gravidade, com grandes tecnologias, etc, etc. Ora, na Borgonha, a grande maioria dos produtores tem a sua adega e cave, exactamente por baixo das suas casas. Uma delícia. Lembro-me do grande Emmanuel Rouget, quando chegamos ao seu reduto, olhámos para uma vivenda familiar, normalíssima, com uma garagem e um armazém. Entrámos exactamente pelo que parecia ser a garagem, com muitas ferramentas e uma ligação à casa do produtor, e de repente, uma zona escura onde existiam duas câmaras por baixo da casa, e onde estavam todas as barricas ali expostas. Na Borgonha, é basicamente tudo assim. Quem olha de fora, não consegue imaginar o que se passa por baixo. Outro do charme da Borgonha.


Vinhas Montrachet, junto, lá no alto Chevalier-Montrachet

As vinhas
A estrutura complexa de vinhas que existe na borgonha pareceu-me de certo modo um pouco simplificada, pelo menos da maneira que se apresentam no terreno. De um modo geral, junto às vilas, encontramos as vinhas que dão origem aos "Regional" e "Villages", à medida que nos afastamos para junto do topo dos montes, aparecem os "Premier Cru", e lá bem em cima, num certo pedestal, as vinhas de "Grand Cru", como que se olhassem de sombreio para todas as outras vinhas. É realmente aqui que a exposição solar favorece em maior quantidade estas vinhas. Existem em alguns casos algumas vinhas Premier Cru, que estão lado a lado com vinhas de Grand Cru. Essas são as tais grande vinhas de Premier Cru, e que em determinadas condições podem, em alguns anos, dar vinhos que ombreiam com os vizinhos Grand Cru. E aqui lembro-me de mais um paradoxo da Borgonha, pois por exemplo, um Village de determinada apelação, pode muito bem ser superior, em qualidade, a um Premier de uma apelação menos conhecida. Ou seja, provei por exemplo, um village de Vosne-Romanée que no meu entender era superior a Premiers de Pommard. Mais uma acha para a fogueira da complexidade.

Resumindo, a Borgonha é mágica pelas vinhas, pelos seus nomes e localizações, pelos seus intervenientes, os produtores, uns com estilo mais aberto, outros extremamente difíceis de lidar, pelos seus vinhos que podem ser intensos, elegantes, austeros, minerais, vibrantes, etc, mas no final, toda esta charmosa complexidade é apelativa, desconcertante, mas apelativa. A questão é aprender, provar, e, sobretudo para quem tiver a oportunidade de a visitar, sair de lá com a certeza de que se aprendeu, mas que continuamos sem saber nada.

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