quinta-feira, 24 de junho de 2010

Billecart-Salmon



Foi no passado dia 14 de Junho que a oportunidade de estar presente numa prova dos Champagnes Billecart-Salmon, conduzida por um dos proprietários e descendente da família, o Sr Antoine Billecart.
Tenho que confessar que sempre gostei dos Champagnes desta casa. São vinhos muito precisos, de carácter vincado e sempre com grande acidez. Esta prova, mais que um prova, foi uma lição, foi um passar a pente fino pela filosofia da casa, pelas técnicas de vinificação, pelas castas e pela região.



A Maison Billecart-Salmon, sediada em Mareuil-Sur-Aÿ, foi fundada em 1818 e vai hoje na 7ª geração da família à frente dos destinos da Casa. O saber foi passado de geração em geração, criando uma dinastia e um nome de peso na região e no mundo. Estamos perante um pequeno produtor, à escala de Champagne, que tem uma produção a rondar as cerca de 2 milhões de garrafas. A Billecart-Salmon possui cerca de 22ha de vinha própria, onde se inclui a vinha de onde nasce o Clos Saint-Hilaire, e comprando ainda uvas de um total de 240ha.
Todo o vinho é feito com o único propósito da qualidade, desde os vinhos base até ao engarrafamento. Muitas técnicas ancestrais se juntam a pequenas particularidades exclusivas da casa, que vão desde as tardias e invulgares longas fermentações, até à selecção criteriosa das leveduras indígenas, que apenas são utilizadas na 2ªa fermentação, para mim uma novidade.
Bom, mas poderão consultar o site do produtor aqui, para obterem muitas mais informações.

Passemos então à prova comentada, onde se provaram os seguintes vinhos:



Billecart-Salmon Reservée
Representa cerca de 65% da produção da casa. A indicação reservée provem do facto de serem utilizados vinhos de reserva, com estágio em barricas, no blend, que no caso desta garrafa foram utilizados vinhos de 2004, 2005 e 2006.
O vinho apresentou-se com enorme frescura, muitas notas de maçã, ligeira tosta e alguma evolução positiva, que provavelmente provém de alguns dos vinhos mais antigos do lote.
Na boca, alguma intensidade na acidez e no final algo austero. Excelente para a mesa.
Nota 16.5



Billecart-Salmon Extra Brut
Este vinho foi feito com os mesmos lotes do anterior, apenas se tratando da versão extra brut, ou seja, menor açúcar residual.
Muito vincado e austero no aroma. Causa impacte quando o provamos. Muito seco, mas mineral e quase obtuso.
A austeridade mantém-se na boca quer pela acidez quer pela secura. Perde um pouco na persistência face ao anterior. Excelente com um presunto ou enchidos.
Nota 16



Billecart-Salmon Vintage 2004
Neste vinho, colheita de 2004, foram usados 70% de Pinot Noir e 30% de Chardonnay. Do lote, apenas 25% foi estagiado em barrica usada, que provém da Borgonha.
Bolha fina e persistente.Muitas notas vegetais, alguma salinidade, pão e aromas de baunilha. Um aroma muito completo e de bela intensidade.
Mantém-se um perfil ácido e seco, com um final muito nervoso.
Nota 17



Billecart-Salmon Nicolas François 1998
Vinho com cerca de 60% Pinot Noir e 40% de Chardonnay.
Bolha muito fina e persistente. Aromas iniciais a lembrarem um queijo intenso que desde logo dão lugar a notas citrinas de maças, laranjas e lima. Muito mineral e algumas sugestões tostadas e amendoadas. Muito fino nos aromas.
Na boca mantém-se uma postura de fineza, de complexidade que associa a uma acidez judiciosa e um final longo. Belo Champagne.
Nota 17,5


Billecart-Salmon Brut Rosé
No blend entram vinhos base de 2006 e 2007, com maior percentagem do último.
Não consigo esconder a predilecção por este Champagne Rosé. Foram tantas as vezes que o bebi, sem nunca se desviar da excelência.
Bolha fina e persistente com bastante efervescência. muito intenso nos aromas de framboesa, cereja, ameixa branca, mineralidade e algumas tosta.
Na boca, uma explosão inicial dá lugar a uma cremosidade divinal, com notas de leveduras, acidez franca e um final longo e saboroso. Fabuloso.
Nota 18



Billecart-Salmon Blanc de Blancs 1986 (Magnum)
E para o fim estava guardado o "bom bocado". Um hino aqueles que possam ter dúvidas que Champagne pode ser fenomenal com alguma idade, que se pode guardar perfeitamente, desde que observadas as condições ideais de guarda.
Ainda pouco ou nada oxidado na côr, a mostrar um esverdeado carregado. Ainda com bastante efervescência e bolha muito fina e persistente.
Uma explosão, contida, de aromas a gás, maçãs, mineral e sugestões petroladas. Muito fresco.
Muito vivo, cremoso e com acidez nervosa. Inesquecível.
Nota 19

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Indepdendent Winegrowers Association

Foi no passado dia 1 de Junho que os Independent Winegrowers Association (IWA) apresentaram as suas novas colheitas.
Tal como nos anos anteriores, esta apresentação teve lugar no Hotel Ritz, e contou com todos os seus representantes. De notar a triste ausência do projecto Covela, que terminou no inicio deste ano. Assim, os IWA contam agora com os produtores Quinta do Ameal, Casa de Cello, Alves de Sousa, Luís Pato e Quinta dos Roques.
Este é um grupo muito especial, por integrar 5 produtores, que então entre os melhores em cada uma das suas regiões e mesmo em Portugal. É um projecto assente em bases bem sólidas, mas sobretudo assente na amizade entre cada um dos intervenientes. Esta amizade, visível por onde quer que andem, será porventura uma das mais valias deste agrupamento de produtores. Não se consideram concorrentes mas criaram uma simbiose entre si, que permite que mesmo cá dentro, em Portugal, se possam juntar para promover os seus vinhos. É uma raridade nos dias que correm, mas um projecto que deveria ser seguido por muitos mais produtores portugueses. Um exemplo a seguir.



Casa de Cello

Quinta de Sanjoanne Vinho Verde 2009
Um vinho muito bem feito, com muitas notas vegetais, de hortelã. Elegante e com acidez vibrante.
Nota15


Quinta de Sanjoanne Escolha 2004
Que prazer voltar a provar e ver como tem evoluído este vinho. Apresentava-se com ligeira oxidação positiva, muitas notas petroladas e sugestões de menta.
Excelente a acidez e cremosidade. Quem disse que o Vinho Verde não envelhece bem?
Nota 17


Quinta de Sanjoanne Superior 2007
Excelente no aroma. Não é muito exuberante e nem precisa de ser. Apresenta muitos aromas anizados, sugestões minerais e uma excelente concentração do fruto.
Excelente acidez, vibrante e muito longo.
Nota 17


Quinta de Sanjoanne Passi 2008
É o vinho doce da casa. Muito original nos aromas, cheirar este vinho leva-me aos meus tempos passados no Pinhal, quando as árvores eram sangradas para aqueles pequenos vazos de recolha da seiva. é a isso mesmo que cheira, a seiva de pinheiro, resina e ainda sugestões de frutos em compota.
Na boca não é pesado, não é muito doce, mas sim, fresco e longo. Estreia Auspiciosa.
Nota 16,5


Vegia 2008
Muito bem recebida a substituição do antigo "Porta Fronha", por este Vegia. Dá uma melhor integração deste vinho na própria gama da Marca.
Todo ele assenta sobre a fruta, de excelente densidade e concentração. Não precisa de mais.
Muito saboroso na boca, equilibrado, redondo, e com taninos dóceis. Muito bom
Nota 16


Quinta da Vegia 2006
Muito difícil no aroma. Aroma algo sujo, a sugestionar alguma arejamento. Estranho
Muito melhor na boca com raça, taninos presentes mas que não endurecem a prova. Gostei bem mais do anterior.
Nota 15


Quinta da Vegia Reserva 2007
Belo Vinho. Grande concentração de aromas. Denso, nas notas de fruto, notas florais e sugestões de barrica.
Poderoso, mas ao mesmo tempo fino. Expressivo, mas ao mesmo tempo profundo. Termina longo e com taninos muito jovens. Precisa de algum tempo.
Nota 17,5





Alves de Sousa

Branco da Gaivosa 2009
Foi o único branco seco apresentado pelo produtor. Ligeira percepção de doçura no aroma, notas vegetais e de fruto branco.
Boca de bom amplitude, acidez correcta e final médio.
Nota 15


Quinta do Vale da Raposa Touriga Nacional 2007
Muito maduro e denso, a sugerir alguma extracção. Amoras, cassis, sugestões minerais e notas de barrica.
Boca de grande volume e porte. Não é agressivo mas aguerrido. Termina com persistência média.
Nota 16


Tapadinha Grande Reserva 2007
Excelente na profundidade dos aromas. Muitas notas florais, de fruto maduro.
Energético, com taninos muito presentes, mas finos. Termina longo
Nota 17

Quinta da Gaivosa 2005
A austeridade do Douro. Aromas de fruto maduro, notas vegetais, mato seco, tudo numa toada de austeridade.
Delicioso na boca, com taninos ainda por resolver, mas finos, vivos e final longo. Continuo a achar este, um dos grandes vinhos portugueses.
Nota 18


Alves de Sousa Reserva Pessoal 2005
O tempo trouxe-lhe algum bonança. Acalmou-lhe o nervo inicial, deixou de ser espevitado, para ser um vinho com taninos mais resolvidos e finos. Está num momento excelente para ser bebido.
Nota 17


Quinta da Gaivosa Vinha do Lordelo 2007
Um pequeno Jovem que ainda precisa de muito tempo na garrafa para acalmar toda a sua impetuosidade. Tem volume, tem profundidade e um final longo.
Nota 17,5


Abandonado 2007
Impressiona pela concentração, aroma singular, denso, profundo. O frtudo é maduro, com sugestões de amoras, groselhas e ameixas. Boa integração da barrica.
Na boca tem bom porte, é sumarento e concentrado. Termina muito longo. Um vinho muito especial
Nota 18





Luís Pato

Espumante Maria Gomes 2009
Sugestões adocicadas a fazer lembrar o branco seco da mesma casta. Notas de maçãs e algum vegetal. Cremoso e muito agradável.
Nota 15


Espumante Baga 2009
Aroma de Morangos e Framboesas.
Seco e mais fino mas muito saboroso.
Nota 15,5


Espumante Formal 2009
Continua a ser um espumante muito especial, pela diferença. Aromas minerais, notas de maça, limão.
Excelente no volume de boca, na explosão de toda a mousse envolvente. Excelente na acidez e na persistência final
Nota 17


Vinhas Velhas 2009
Como curiosidade, este vinho fermentou e estagiou em inox, ao contrário dos seus antecessores. Aromas de laranja, algum herbáceo. Fresco, muito fresco.
Bom volume de boca, acidez e boa persistência final.
Nota 15,5


Vinha Pan 2008
Apresentou-se muito bem no aroma, com muito fruto maduro, notas de pinho, sugestões de barrica e alguma frescura.
Muita raça na prova de boca, taninos muito finos mas muito persistentes.
Nota 17


Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2008
Grande concentração de aromas, já a mostrar complexidade com notas de fruto maduro, notas minerais, e vegetais e perfeita integração de barrica.
Muito jovem na boca, denso, com volume, taninos ainda muito jovens mas finos e aristocráticos. Adorei. Grande Vinho.
Nota 18,5





Quinta do Ameal


Quinta do Ameal Loureiro 2009
Muito fresco, com aromas de vegetais e de lima. Tudo muito fino, muito preciso.
Boca de grande fineza. Acidez presente e boa persistência.
Nota 16


Quinta do Ameal Escolha Loureiro 2008
Toada de frescura. Excelente o trabalho de barrica, perfeitamente integrada. Intenso nos aromas.
Boca cremosa com volume mas muito fina e elegante. Final muito saboroso.
Nota 17


Quinta do Ameal Loureiro 2003
Aromas de mel, queijo e vegetal.
Boca com poucos sinais de oxidação mas ainda assim com um final algo "aguado".
Nota 15


Quinta do Ameal Escolha 2003
Curiosamente mantém o mesmo perfil aromático que o vinho anterior, no entanto oferece mais volume de boca e maior persistência final. É muito mais saboroso.
Nota 16


Quinta do Ameal Special Harvest 2007
Vinho doce, feito a partir de uvas que se colocaram ao sol a secar.
Muito figo no aroma, muita especiaria e gengibre. Muito intenso e a sugerir um vinho muito doce.
Boca com doçura acentuada, untuoso e final longuíssimo.
Nota 17,5





Quinta dos Roques

Quinta das Maias Malvasia Fina 2009
Muito fresco no aroma, com maior substância que a versão de 2008. Sugestões anisadas, vegetais.
Muito fino, apesar de ter bom volume. boa intensidade, saboroso. Boa persistência.
Nota 16


Quinta das Maias Verdelho 2009
Já há algum tempo que não aparecia um Verdelho nas Maias.
Muito bonito de aroma, com notas vegetais minerais e citrinas. Tudo muito fresco e fino.
Boca de muita fineza e excelente persistência.
Nota 16


Quinta dos Roques Encruzado 2009
Ainda algo fechado, sugestões minerais, algumas notas de barrica.
Fino e elegante na boca, final repleto de sabor. Longo e final intenso com notas de barrica. Um vinho à minha maneira.
Nota 17,5


Quinta das Maias Jaen 2007
A lembrar um Borgonha. Fruto silvestre, muita elegância, mas muito sabor. Gostei muito deste Jaen.
Nota 16,5


Quinta dos Roques Alfrocheiro 2007
Maior concentração que no vinho anterior, sobretudo na concentração do fruto. Mantém uma toada de fineza e elegância mas não tem desta feita o equilíbrio e sabor do primeiro.
Nota 16


Quinta dos Roques Touriga Nacional 2007
Ainda me lembro quando provei este vinho há uns largos meses. Quase imberbe pela força de taninos. Hoje, está mais calmo. Mudou muito e para melhor.
Aroma com alguma austeridade, mas muita profundidade. Não é exuberante, mas sim profundo. Barrica de classe.
Boca muito jovem ainda, a sugerir que este vinho precisa de tempo em garrafa. Muito longo. Grande Touriga.
Nota 18


Flor das Maias 2007
Este sim, tem um perfil mais exuberante, com muitas notas de violetas e fruto muito maduro.
Ainda muito jovem na boca e a precisar de tempo em garrafa, no entanto já se conseguirá beber com comidas fortes. O vinho é muito saboroso e tem um final muito longo.
Nota 17

terça-feira, 25 de maio de 2010

Fiuza Rosé 2009

A Fiuza & Bright acaba de lançar no mercado a sua nova colheita de Rosé. Esta é uma proposta de verão e para o verão..


Fiuza Touriga Nacional/Cabernet Rosé 2009
Produtor - Fiuza & Bright
Região - Do Tejo
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 4,50€
Este Rosé foi feito a partir das castas Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, que fermentaram ambas em inox e a temperaturas baixa.
Cor rosada/vermelha muito viva.
Muita sensação de frescura associada a notas de morangos, framboesas e algum vegetal. Bem fresco, não sugere a presença de álcool. Equilibrado.
Na boca tem um bom volume, uma boa largura. Ligeiro amargor final.
Não será o cúmulo da complexidade e não será um vinho que nos prenda durante minutos e minutos de volta dele, no entanto, a questão é que não foi desenhado para ser assim. Mas tem pontos a seu favor. O preço, muito certo. A frescura, é o que se pede no verão, nas esplanadas, nas férias, nas piscinas. A qualidade geral, que associada aos dois últimos pontos, fazem deste rosé uma escolha segura para o seu vinho de verão. Um bom Rosé.
Nota 14,5

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Borgonha

Cruz na Vinha La Tâche


Após uma aventura, chuvosa e fria, de 5 dias pela Borgonha.....

A Borgonha é um dilema. Assim de repente não estou a ver nenhuma outra região vitivinícola com as características e a complexidade da Borgonha. A Borgonha é realmente paradoxal mas no meu entender, é daí que vem todo o seu charme.
Mas de onde vem toda essa complexidade? Bom, pelo que vi e no meu entender, de várias situações:
A primeira pode começar nas vinhas. Imagine-se uma imensidão de vinhas, separada por pequenos caminhos e estradas, cada uma com seu nome, cada uma a resultar em vinhos com perfis completamente distintos. Parece-me uma tarefa impossível saber os nomes de todas as vinhas e conhecer o perfil de vinhos que cada uma dá.
Depois, imagine-se que cada uma dessas vinhas é detida, com a óbvia excepção dos monopólios, por um punhado de "vignerons" onde cada qual tem uma filosofia própria. Por exemplo, o Clos de Vogeot, está fragmentado em 82 pequenas parcelas detidas pelo mesmo numero de produtores. Ou seja, podemos organizar uma prova de uma só vinha, neste caso do Clos Vogeot, e ter 82 vinhos no alinhamento. É obra....
Os produtores também não facilitam a coisa, uma vez que cada produtor, para poder ter um negócio rentável, tem de ter na sua posse várias vinhas, de Regional a Grand Cru, de várias proveniências. Ora se contarmos os largos milhares de produtores que existem na Borgonha, cada um a deter várias parcelas de vinha, isto dá uma enorme e complexa teia.
Finalmente há ainda a diferença entre colheitas que de certo modo condicionam também o estilo dos vinhos, pois temos anos de grande estrutura e opulência, para uma guarda longa, como o 2005, anos de vinhos absolutamente irresistíveis para serem bebidos em novos como o 2007 ou anos em que todos afirmam que são os anos para os verdadeiros amantes da Borgonha, como o 2008. E isto só para relembrar as três ultimas colheitas.

Como disse anteriormente, toda esta complexidade, todas estas possibilidades revestem a Borgonha de um carácter muito especial. Todas estas nuances, podem de certo modo afastar muitas pessoas na hora de escolher, na prateleira, um vinho da borgonha, no entanto, para os mais insistentes, a recompensa é enorme, quando em frente a um grande vinho Borgonhês.

Adega Domaine Anne Gros


As adegas/caves

Entrar nas adegas da Borgonha é entrar num mundo completamente à parte. Se viermos de Portugal então, é a plena antítese do que temos por cá. Quer seja no Douro, quer seja no Alentejo, Algarve, Tejo, etc, uma coisa que vamos ver são as edificações das nossas adegas, quase sempre rodeadas pelas vinhas da própria casa, adegas modernas, por gravidade, com grandes tecnologias, etc, etc. Ora, na Borgonha, a grande maioria dos produtores tem a sua adega e cave, exactamente por baixo das suas casas. Uma delícia. Lembro-me do grande Emmanuel Rouget, quando chegamos ao seu reduto, olhámos para uma vivenda familiar, normalíssima, com uma garagem e um armazém. Entrámos exactamente pelo que parecia ser a garagem, com muitas ferramentas e uma ligação à casa do produtor, e de repente, uma zona escura onde existiam duas câmaras por baixo da casa, e onde estavam todas as barricas ali expostas. Na Borgonha, é basicamente tudo assim. Quem olha de fora, não consegue imaginar o que se passa por baixo. Outro do charme da Borgonha.


Vinhas Montrachet, junto, lá no alto Chevalier-Montrachet

As vinhas
A estrutura complexa de vinhas que existe na borgonha pareceu-me de certo modo um pouco simplificada, pelo menos da maneira que se apresentam no terreno. De um modo geral, junto às vilas, encontramos as vinhas que dão origem aos "Regional" e "Villages", à medida que nos afastamos para junto do topo dos montes, aparecem os "Premier Cru", e lá bem em cima, num certo pedestal, as vinhas de "Grand Cru", como que se olhassem de sombreio para todas as outras vinhas. É realmente aqui que a exposição solar favorece em maior quantidade estas vinhas. Existem em alguns casos algumas vinhas Premier Cru, que estão lado a lado com vinhas de Grand Cru. Essas são as tais grande vinhas de Premier Cru, e que em determinadas condições podem, em alguns anos, dar vinhos que ombreiam com os vizinhos Grand Cru. E aqui lembro-me de mais um paradoxo da Borgonha, pois por exemplo, um Village de determinada apelação, pode muito bem ser superior, em qualidade, a um Premier de uma apelação menos conhecida. Ou seja, provei por exemplo, um village de Vosne-Romanée que no meu entender era superior a Premiers de Pommard. Mais uma acha para a fogueira da complexidade.

Resumindo, a Borgonha é mágica pelas vinhas, pelos seus nomes e localizações, pelos seus intervenientes, os produtores, uns com estilo mais aberto, outros extremamente difíceis de lidar, pelos seus vinhos que podem ser intensos, elegantes, austeros, minerais, vibrantes, etc, mas no final, toda esta charmosa complexidade é apelativa, desconcertante, mas apelativa. A questão é aprender, provar, e, sobretudo para quem tiver a oportunidade de a visitar, sair de lá com a certeza de que se aprendeu, mas que continuamos sem saber nada.

domingo, 9 de maio de 2010

Esporão Quatro Castas 2008

À semelhança do 4 castas, a filosofia é a de fazer um blend de castas que se evidenciaram na colheita, neste caso, de 2008. As castas são o Alicante Bouschet, Alfrocheiro, Syrah e Petit Verdot. Todas as castas foram vinificadas em separado.


Quatro Castas 2008
Produtor - Herdade do Esporão
Região - Alentejo
Grau - 14,5% vol
Preço - A partir de 9,5€
Este vinho foi feito a partir das castas Alicante Bouschet, Alfrocheiro, Syrah e Petit Verdot, que foram vinificadas em separado. As castas Alicate Bouschet e Alfrocheiro fermentaram em inox e estagiaram durante 12 meses em barricas de carvalho americano. A Syrah fermentou em cubas e estagiou por 12 meses em barricas de carvalho americano, finalmente a Petit Verdot fermentou em cuba de inox seguindo um estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Cor de enorme concentração, quase opaca.
O aroma está neste momento muito marcado pelas notas tostadas. Em segundo plano fruto maduro e algum alcaçuz. Um aroma quente e com algum desvio alcoólico.
Na boca, algo diferente do que sugeria à partida o aroma, o vinho pareceu-me mostrar-se mais em elegância que em potência. Os taninos são redondos e termina com boa persistência e sugestões tostadas.
Nota 15, 5

Blogues Recomendados

Blogues Recomendados

  • Prova - *Solstício. 2 Barricas (t) 2010* Diga-se desde já que conhecemos bem o homem por detrás deste vinho - isto é uma declaração de interesses (apesar de todo o...

Arquivo do blogue

  © Blogger template 'External' by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP