segunda-feira, 10 de maio de 2010

Borgonha

Cruz na Vinha La Tâche


Após uma aventura, chuvosa e fria, de 5 dias pela Borgonha.....

A Borgonha é um dilema. Assim de repente não estou a ver nenhuma outra região vitivinícola com as características e a complexidade da Borgonha. A Borgonha é realmente paradoxal mas no meu entender, é daí que vem todo o seu charme.
Mas de onde vem toda essa complexidade? Bom, pelo que vi e no meu entender, de várias situações:
A primeira pode começar nas vinhas. Imagine-se uma imensidão de vinhas, separada por pequenos caminhos e estradas, cada uma com seu nome, cada uma a resultar em vinhos com perfis completamente distintos. Parece-me uma tarefa impossível saber os nomes de todas as vinhas e conhecer o perfil de vinhos que cada uma dá.
Depois, imagine-se que cada uma dessas vinhas é detida, com a óbvia excepção dos monopólios, por um punhado de "vignerons" onde cada qual tem uma filosofia própria. Por exemplo, o Clos de Vogeot, está fragmentado em 82 pequenas parcelas detidas pelo mesmo numero de produtores. Ou seja, podemos organizar uma prova de uma só vinha, neste caso do Clos Vogeot, e ter 82 vinhos no alinhamento. É obra....
Os produtores também não facilitam a coisa, uma vez que cada produtor, para poder ter um negócio rentável, tem de ter na sua posse várias vinhas, de Regional a Grand Cru, de várias proveniências. Ora se contarmos os largos milhares de produtores que existem na Borgonha, cada um a deter várias parcelas de vinha, isto dá uma enorme e complexa teia.
Finalmente há ainda a diferença entre colheitas que de certo modo condicionam também o estilo dos vinhos, pois temos anos de grande estrutura e opulência, para uma guarda longa, como o 2005, anos de vinhos absolutamente irresistíveis para serem bebidos em novos como o 2007 ou anos em que todos afirmam que são os anos para os verdadeiros amantes da Borgonha, como o 2008. E isto só para relembrar as três ultimas colheitas.

Como disse anteriormente, toda esta complexidade, todas estas possibilidades revestem a Borgonha de um carácter muito especial. Todas estas nuances, podem de certo modo afastar muitas pessoas na hora de escolher, na prateleira, um vinho da borgonha, no entanto, para os mais insistentes, a recompensa é enorme, quando em frente a um grande vinho Borgonhês.

Adega Domaine Anne Gros


As adegas/caves

Entrar nas adegas da Borgonha é entrar num mundo completamente à parte. Se viermos de Portugal então, é a plena antítese do que temos por cá. Quer seja no Douro, quer seja no Alentejo, Algarve, Tejo, etc, uma coisa que vamos ver são as edificações das nossas adegas, quase sempre rodeadas pelas vinhas da própria casa, adegas modernas, por gravidade, com grandes tecnologias, etc, etc. Ora, na Borgonha, a grande maioria dos produtores tem a sua adega e cave, exactamente por baixo das suas casas. Uma delícia. Lembro-me do grande Emmanuel Rouget, quando chegamos ao seu reduto, olhámos para uma vivenda familiar, normalíssima, com uma garagem e um armazém. Entrámos exactamente pelo que parecia ser a garagem, com muitas ferramentas e uma ligação à casa do produtor, e de repente, uma zona escura onde existiam duas câmaras por baixo da casa, e onde estavam todas as barricas ali expostas. Na Borgonha, é basicamente tudo assim. Quem olha de fora, não consegue imaginar o que se passa por baixo. Outro do charme da Borgonha.


Vinhas Montrachet, junto, lá no alto Chevalier-Montrachet

As vinhas
A estrutura complexa de vinhas que existe na borgonha pareceu-me de certo modo um pouco simplificada, pelo menos da maneira que se apresentam no terreno. De um modo geral, junto às vilas, encontramos as vinhas que dão origem aos "Regional" e "Villages", à medida que nos afastamos para junto do topo dos montes, aparecem os "Premier Cru", e lá bem em cima, num certo pedestal, as vinhas de "Grand Cru", como que se olhassem de sombreio para todas as outras vinhas. É realmente aqui que a exposição solar favorece em maior quantidade estas vinhas. Existem em alguns casos algumas vinhas Premier Cru, que estão lado a lado com vinhas de Grand Cru. Essas são as tais grande vinhas de Premier Cru, e que em determinadas condições podem, em alguns anos, dar vinhos que ombreiam com os vizinhos Grand Cru. E aqui lembro-me de mais um paradoxo da Borgonha, pois por exemplo, um Village de determinada apelação, pode muito bem ser superior, em qualidade, a um Premier de uma apelação menos conhecida. Ou seja, provei por exemplo, um village de Vosne-Romanée que no meu entender era superior a Premiers de Pommard. Mais uma acha para a fogueira da complexidade.

Resumindo, a Borgonha é mágica pelas vinhas, pelos seus nomes e localizações, pelos seus intervenientes, os produtores, uns com estilo mais aberto, outros extremamente difíceis de lidar, pelos seus vinhos que podem ser intensos, elegantes, austeros, minerais, vibrantes, etc, mas no final, toda esta charmosa complexidade é apelativa, desconcertante, mas apelativa. A questão é aprender, provar, e, sobretudo para quem tiver a oportunidade de a visitar, sair de lá com a certeza de que se aprendeu, mas que continuamos sem saber nada.

domingo, 9 de maio de 2010

Esporão Quatro Castas 2008

À semelhança do 4 castas, a filosofia é a de fazer um blend de castas que se evidenciaram na colheita, neste caso, de 2008. As castas são o Alicante Bouschet, Alfrocheiro, Syrah e Petit Verdot. Todas as castas foram vinificadas em separado.


Quatro Castas 2008
Produtor - Herdade do Esporão
Região - Alentejo
Grau - 14,5% vol
Preço - A partir de 9,5€
Este vinho foi feito a partir das castas Alicante Bouschet, Alfrocheiro, Syrah e Petit Verdot, que foram vinificadas em separado. As castas Alicate Bouschet e Alfrocheiro fermentaram em inox e estagiaram durante 12 meses em barricas de carvalho americano. A Syrah fermentou em cubas e estagiou por 12 meses em barricas de carvalho americano, finalmente a Petit Verdot fermentou em cuba de inox seguindo um estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Cor de enorme concentração, quase opaca.
O aroma está neste momento muito marcado pelas notas tostadas. Em segundo plano fruto maduro e algum alcaçuz. Um aroma quente e com algum desvio alcoólico.
Na boca, algo diferente do que sugeria à partida o aroma, o vinho pareceu-me mostrar-se mais em elegância que em potência. Os taninos são redondos e termina com boa persistência e sugestões tostadas.
Nota 15, 5

Esporão Duas Castas

A Herdade do Esporão acaba de lançar este Duas Castas 2009, com intuito de combinar duas castas, neste caso o Viosinho e o Verdelho, que de certo modo se destacaram, na vindima de 2009. As castas foram vinificadas em separado.


Duas Castas Viosinho/Verdelho 2009
Produtor - Herdade do Esporão
Região - Alentejo
Grau - 14,5% Vol
Preço - A partir de 5,5€
Vinho feito a partir de duas castas, Viosinho e Verdelho, que foram vinificadas separadamente e que fermentaram em inox, a temperaturas baixas.
Côr palha.
Muito fresco de aromas, com notas de laranja intensas, e ligeiras sugestões de menta e hortelã. Aroma bem desenhado.
Na boca um vinho de corpo mediado, alguma untuosidade, frescura e acidez correcta. Não parece ter 14, 5% vol, pois o vinho mostra-se equilibrado e com boa frescura. Um vinho versátil, e com um preço muito justo, que pode acompanhar na perfeição as habituais confecções de verão. A sua frescura e equilíbrio, de certo modo que escondem o elevado grau alcoólico, por isso terá que ter algum cuidado para não de distrair.
Nota 15

quinta-feira, 29 de abril de 2010

De partida para a Borgonha


Pois é, já só faltam 2 dias para iniciar a minha peregrinação, de 6 dias, à Borgonha. Uma semana de sonho, numa região de sonho. Desde há um mês, altura em que comecei a preparar esta visita, que não penso noutra coisa. Têm sido horas infindáveis a imaginar cenários, a imaginar as paisagens, os vinhos, as pessoas, o tempo, etc, etc. Não tem sido fácil todo este tempo de ansiedade.
Espero voltar, isto se voltar :), com umas boas reportagens do que vi, do que provei, de quem conheci, mas, sobretudo voltar com um pouco da Borgonha, cujos vinhos me encantam sobremaneira.
Até breve.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Brites de Aguiar


Foi no passado dia 16 que fui à apresentação das novas colheitas da Casa Brites de Aguiar, que detém as marcas Brites de Aguiar e Bafarela. Para esta apresentação, o produtor, trouxe as colheitas antigas de cada uma das suas marcas, mostrando assim a evolução dos seus vinhos.

Situada no Douro, mais propriamente no Concelho de S. João da Pesqueira, esta é uma empresa familiar pertencente a três irmãos (Lúcia, Paulo e Tomy).
A Enologia está a cargo da 2PR (Pedro Sequeira e António Rosas)

Mais informações aqui


Os vinhos:


Bafarela Colheita. Foram os primeiros a serem servidos, numa vertical do vinho de entrada da casa. Acabou por ser uma prova mais didáctica, mostrando que são vinhos para um consumo a curto prazo.


Bafarela colheita 2003
13% vol
Aroma da frutos maduros, terroso, ligeiras notas de evolução e estranhas notas de sabão. Tendo em conta o ano, esperava um conjunto mais quente.
Na boca está delgado, com algumas características de um Porto. A mostrar sinais que já começou a sua fase descendente.
Nota 13


Bafarela Colheita 2004
14% vol
O vinho não esteve em condições.
Sem Nota


Bafarela Colheita 2005
13%vol
Muitos aromas de oxidação ao qual se juntavam notas de mofo. Numa segunda garrafa, manteve-se com aroma indefinido, sujo.
Na boca, desequilibrado e sem grande interesse. O seu tempo já passou, a ver pelas garrafas que foram disponibilizadas.
Nota 11


Bafarela Colheita 2006
13%vol
O mais novo e o mais interessante do conjunto. Aroma com notas de frutos silvestres, morangos, framboesas, e ainda algumas sugestões florais a conferirem alguma frescura ao conjunto.
Na boca alguma frescura, acidez correcta e taninos redondos.
Nota 14


Bafarela Reserva. Um passo à frente dos anteriores, especialmente na colheita de 2007


Bafarela Reserva 2006
13,5% vol
Cor ruby de media concentração.
Aroma de frutos silvestres, notas florais e alguma sugestão de barrica.
Boca com corpo médio, taninos redondos e final de média persistência com sugestões tostadas. Pronto a ser bebido.
Nota 14


Bafarela Reserva 2007
14% vol
Cor ruby de boa concentração.
Ainda algo marcado pelas notas de barrica. Bastam alguns minutos para aparecerem as notas florais, de esteva e o fruto maduro.
Boca de bom porte e desenho, boa acidez e taninos redondos. Um vinho que mostrou mais garra e frescura. Final médio com sugestões de café.
Nota 15


Bafarela Reserva 2008
14% vol
Cor ruby de boa concentração.
Algo primário e jovem, com algumas notas de iogurte. Logo aparecem as notas de fruto maduro, muitas notas florais. Um conjunto com boa dose de frescura.
Muito bem na boca. Ainda a mostrar muitas notas de barrica, é o único Bafarela Reserva que contactou com barricas novas. Ganhou estrutura, e garra. Final saboroso, com taninos empertigados. A beber ou guardar por mais um ano
Nota 15,5


Brites de Aguiar. Foram os vinhos que mais gostei, e onde inclusive esteve o melhor vinho da prova, no meu entender. Atenção pois estes vinhos precisam de algum rigor na temperatura a que são servidos.


Brites de Aguiar 2004
15,5% vol
Cor de excelente concentração, sem denotar grande evolução.
Complexo no aroma, quente, aconchegador. Sugestões de café fresco, fruto maduro, cogumelos e terra.
Boca envolvente, com excelente densidade e sabor. Final longo ainda com taninos bem presentes. Muito bem e no meu entender, o vinho da prova por estar num excelente momento para ser bebido, sem no entanto parecer que poderá ser guardado por mais una anos em cave.
Nota 17


Brites de Aguiar 2006
15,5% vol
Cor de excelente concentração.
Ganhou alguma complexidade no aroma desde a última vez que o provei. O aroma assenta agora mais sobre as notas florais, de alcaçuz e ainda sugestões mentoladas e de barrica.
Na boca todo ele é quente, com notas de café torrado. O final tem boa persistência mas é dominado pelo álcool.
Nota 16


Brites de Aguiar 2007
Cor de excelente concentração.
Será porventura o Brites de Aguiar com o perfil menos quente de todos mas também, para já, o menos complexo.
Para já apresenta-se com muitas notas florais e de fruto maduro. A barrica está bem integrada , sem exageros. Um conjunto com boa dose de frescura.
A boca confirma alguma frescura. Taninos envolventes, acidez excelente e um final longo, com sugestões tostadas. Muito bem.
Nota 17


Bafarela 17 (Grande Escolha e Grande Reserva). Os vinhos com 17% vol. Um enorme sucesso, entre os fieis clientes da Casa. Se nos Brites de Aguiar existe a necessidade de rigor na temperatura de serviço, nestes, é imperioso que o vinho seja servido a cerca de 15-15,5 ºC. sob pena de mostrarem todo o seu álcool.


Bafarela 17 Grande Escolha 2004
17%vol
Acho que não me lembro de alguma vez ter provado um vinho sem rigorosamente nenhum aroma. Com algum aumento de temperatura, fez-me lembrar um Vinho do Porto sem açúcar, sem a fortificação.
Muito alcoólico na boca.
Nota 12,5


Bafarela 17 2006
17%vol
Muitos aromas florais, de fruto maduro e especiaria. Graças a uma boa temperatura de serviço, não existe uma percepção exagerada do álcool.
Boca glicerinada, doce e redonda. Final com grande desvio alcoólico mas muito mais interessante que o anterior.
Nota 14,5


Bafarela 17 2008
17%vol
Um vinho cheio de intensidade, com fruto maduro e muita especiaria. Quer nos aromas, quer na boca, todo ele lembra um estilo "Vinho do Porto".
Nota 15


Bafarela 17 Grande Reserva 2006
17%vol
Aroma algo confuso, pouco definido. Para já, são apenas as notas de barrica a a sugestão de álcool que comandam no aroma.
Na boca existe muita percepção alcoólica, tornando o vinho redondo e adocicado.
Nota 14


Bafarela 17 Grande Reserva 2008
17%vol
Muito carregado na cor.
Ainda algo fechado e para já só a apresentar um fruto muito maduro e muitas notas florais.
Na boca aparecem taninos finos, excelente persistência e uma percepção alcoólica menos evidente. O melhor Bafarela no meu entender, no entanto continua a necessitar de rigor na temperatura de serviço.
Nota 16

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