sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Dois Séculos de Vinho Português



"Velhos são os Trapos"!!!!!
Esta é daquelas afirmações corriqueiras que se podem adaptar perfeitamente a alguns vinhos, aqueles vinhos, considerados velhos, mas que de idade só têm mesmo o tempo que já passaram dentro da sua garrafa.
Esta prova, foi uma excelente oportunidade para provar, ou voltar a provar, os tais vinhos que envelheceram bem, vinhos que apesar da sua idade avançada, ainda se perfilam como jovens de espírito, jovens de alma. Esta prova consistia em provar vinhos Portugueses, tranquilos e fortificados, anteriores a 1990. Na realidade estiveram três vinhos que eram a excepção à condição. Portanto, vinhos com mais de 20 anos.
Neste prova acabei por não provar nas melhores condições, uma vez que não estava sentado, como os restantes. A minha função de "organizador" desta prova, apenas me entregou a função de abrir as garrafas que iam saindo para os participantes da prova. No entanto, acabei por provar todos os vinhos que seguiram para a sala de provas.

Eis os vinhos:

Flight 1 (Brancos)
1 - CEVD (Nelas) Branco 1964
2 - CEVD (Nelas) Branco 1971
3 - CEVD (Nelas) Branco 1980
4 - Fundação Eugénio de Almeida Cartuxa Branco 1987 (Fermentado em Barricas)
5 - Quinta das Bágeiras Branco 1989
6 - CEVD (Nelas) 1992


Flight 2 (Tintos)
1 - Tinto Velho José Rosado Fernandes 1945
2 - Quinta da Falorca 1963
3 - CEVD (Nelas) 1963
4 - CEVD (Nelas) 1963 Touriga Nacional
5 - Caves São João Frei João 1966
6 - CEVD (Nelas) 1970


Flight 3 (Tintos)
1 - CEVD (Nelas) 1971
2 - Reserva 1971 ACB – Rótulo de Cortiça
3 - Mouchão 1974
4 - Sogrape Dão Pipas 1975
5 - Caves São João Frei João 1980
6 - Reserva 1982 ACB – Rótulo de Cortiça


Flight 4 (Tintos)
1 - Quinta do Côtto Grande Escolha 1982
2 - Mouchão 1984
3 - Tinto da Ânfora 1985
4 - Quinta do Côtto Grande Escolha 1985
5 - Ferreirinha Reserva Especial 1986
6 - Quinta das Bágeiras 1987


Flight 5 (Tintos)
1 - Quinta do Carmo 1988
2 - Niepoort Robustus 1990


Flight 6 (Vinho do Porto Vintage)
1 - Taylor's Vintage 1970
2 - Niepoort Vintage 1970
3 - Ferreira Vintage 1978
4 - Ramos Pinto Vintage 1983
5 - Fonseca Vintage 1985


Flight 7 (Vinho do Porto Colheita)
1 - Barros Colheita 1941
2 - Niepoort Colheita 1957
3 - Wiese & Krohn Colheita 1968
4 - Poças Colheita 1976
5 - Dalva Colheita 1985

Flight 8
1 – Real Companhia Velha Grandjó 1925


Flight 9 (Moscatel de Setúbal)
1 - Alambre 20 Anos
2 - HMS Moscatél de Setúbal Superior 1993
3 – Tiagos Moscatél de Setúbal Superior 1993

Flight 10 (Vinho da Madeira)
1 - D’Oliveiras VERDELHO 1890
2 - Blandy's Bual 1920
3 - Justinos Verdelho 1954
4 - Henriques & Henriques Terrantez 1976
5 - HMBorges Bual 1977


Não vou acabar por falar dos vinhos um a um, no entanto não posso deixar de falar daqueles que mais me impressionaram.
Em primeiro lugar o destaque especial, para um vinho, absolutamente fantástico. O Grandjó 1925. Não creio que ninguém que o tenha provado neste dia, lhe tenha ficado indiferente. Já o tinha provado em uma outra ocasião, mas desta vez, roçou o sublime.
Depois, os vinhos de Nelas, nomeadamente o 71 tinto e os 63. São grandes vinhos em qualquer parte do mundo, mas neste dia, o 71 tinto, excedeu-se a si mesmo. Grandioso.
Os 63, Touriga e Blend, já nos habituaram a serem imponentes, de uma côr impressionante, mas neste dia o 71, no meu entender, arrecadou toda a glória para si.
Houve ainda um outro vinho do dão que esteve primoroso. O Falorca 63. Já tinha provado este vinho noutra ocasião. Parecia um palhete de côr muito esbatida, salmonada quase. Mas esta garrafa, apresentou um vinho com uma côr muito mais carregada, com centro violáceo. Estava muito bom.
O Tinto Velho 1945. Há vinhos assim. Vinhos que numa altura da vida passam por nós e dos quais nunca mais nos esquecemos. Este foi um vinho do qual tive 3 garrafas, aliás, 3 sublimes garrafas e que foi dos vinhos mais impressionantes que tive a honra de poder beber. Vinho de classe mundial seja ao lado de quem fôr. Aliás, aproveito dizer que os vinhos do Alentejo estiveram num plano fantástico. Todos sem excepção mostram excelente capacidade de envelhecimento. Não foi fácil escolher entre eles, os que mais me impressionaram, uma vez que todos eles estiveram em excelente forma. Mouchão 74, Carmo 88 e Ânfora 85 estavam magistrais.

Da Bairrada, vieram 4 vinhos. Frei João Reserva 66, 80 e 90 (todos em Magnum) e ainda um Bágeiras 87. Aqui, o 66 e 80 acabaram por ser os meus preferidos, com especial destaque para o 80, belo ano na região.

O douro veio um pouco tímido, apenas com 4 referências. Gostei muito do Reserva Especial 86, num estilo mais aveludado mas encorpado, o Quinta do Côtto Grande Escolha 1982, num estilo carregado, mais austero, mas ainda jovem, e finalmente um Robustus 1990, num estilo completamente invulgar, mas que me tem a mim como adepto fervoroso, sempre que o provo. 3 vertentes muito diferentes, mas que numa só região são bem possíveis. Hinos à singularidade e ao carácter.



No Portos, nos Moscatéis e nos Madeiras, a prova de que temos os melhores fortificados do mundo. Um duelo fantástico de 70's. Um Niepoort mais fino, mais delicado e um Taylor's mais austero e mais generoso de formas. Um Fonseca 85, que mais não fez do que parar no tempo, com uma côr absolutamente impressionante para a idade do vinho. Jovem, muito jovem, e com um futuro enorme pela frente. Nos Colheitas, foram 3 os vinhos que mais me encantaram. O Barros 41, o Niepoort 57 e o Krohn 68. Cada um no seu estilo, mas cada um com excelentes predicados.

Os Moscatéis acabaram por ser os menos representados em número, mercê da condição que foi imposta. É que na região, apenas 2 produtores se podem gabar de ter vinhos anteriores a 1990. A José Maria da Fonseca acabou por enviar um Alambre 20 anos (O vinho mais jovem do lote tem precisamente 20 anos). Se calhar é mesmo a melhor relação qualidade/preço que existe nos moscatéis.
Depois duas novidades, dois vinhos ainda pouco falados, mas que brevemente darão que falar. O JMS Superior 1993 e o Tiagos Superior 1993. Ambos os vinhos têm como base José Saramago, um Senhor dos Moscatéis, que nos dá a conhecer dois belíssimos moscatel superior, da colheita de 1993.
Terminou-se com os Madeiras. Nos madeiras a coisa não estava para brincadeiras, pois vieram excelentes representantes de cinco Casas bem conhecidas, dos quais destaco o D'Oliveiras Verdelho 1890, Blandy Boal 1920 e Henriques & Henriques Terrantez 1976.

"Velhos são os trapos"!!!!!!!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Esporão Espumante

Esporão Espumante Bruto 2007
Produtor - Esporão
Região - Alentejo
Grau - 13% vol
Preço - a partir de 11€
Feito a partir das castas Verdelho e Antão Vaz, fermentou em inox, e depois em garrafa, durante 9 meses, seguido de 1 ano em borras finas até ao degorgement.
Côr amarelo palha.
Não é muito aromático, mostrando para já apenas alguns apontamentos de citrinos, de maçã verde e sugestões minerais. A bolha é média e de média persistência.
Está melhor na boca, tem volume, tem bastante sabor, uma curiosa sugestão tostada e novamente notas minerais É um espumante com excelente acidez, equilibrado, mas pouco entusiasmante. Servirá muito bem para ser apreciado com mariscos e até mesmo um peixe grelhado. Acho que esperava um pouco mais deste espumante, que não desilude quem o comprar, mas que também não entusiasma. É aquele espumante certinho, eficaz, mas do qual não devemos esperar grandes façanhas.
Nota 14.5

sábado, 9 de janeiro de 2010

Quinta da Sequeira




Estive numa prova com os vinhos deste produtor que vou seguindo há algum tempo, apesar de não ser desde a sua primeira colheita, em 2001. A quinta começou em 1899, dedicada exclusivamente ao comercio do Vinho do Porto. Foram gerações que por ali passaram, sem que se vinificassem vinho tranquilos, até que em 2001, Mário Cardoso e a Esposa, decidiram inverter totalmente a posição, e dedicarem-se na totalidade a vinhos DOC Douro.
A Quinta da Sequeira situa-se no Douro Superior, a poucos quilómetros do apeadeiro do Vesúvio. São cerca de 15ha de vinha, alguma muito velha, a passar dos 100 anos, onde se podem encontrar as castas tradicionais do douro como a Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, entre outras, no tintos e a Malvasia Fina, Gouveio, Códega e Rabigato, nos brancos.
Os vinhos começaram muito bem, com boas indicações por parte da critica especializada, e têm vindo gradualmente a subir de reconhecimento. A verdade é que uma marca não se faz de um dia para o outro e é necessário um trabalho firme, preciso e recorrente, para a manter ou subir de notoriedade. Aqui, nesta quinta, tudo é feito com verdadeiro sentido de grandeza. Faz-se o que se pode e com o que se tem, não há cá planos diabólicos de crescimento, custe o que custar, nada que possa deitar por terra um trabalho que já vem sendo feito por gerações.
A única possibilidade de crescimento poderá acontecer com a inclusão de Vinho do Porto no Portefólio, o que é de todo normal e previsível.


Os vinhos:


Quinta da Sequeira Branco 2008
Produtor - Quinta da Sequeira
Região - Douro
Preço - 9€
De uma bonita côr dourada, este vinho provem das castas Malvazia Fina, Gouveio, Códega e Rabigato que fermentou e estagiou em cubas de inox. No nariz não é muito exuberante mostrando apontamentos de fruta, alguma mineralidade e apontamentos de frescura que se associam a uma ligeira sensação de doçura.
Na boca é mais intenso, mostra cremosidade e uma acidez bem colocada. Nesta vertente da prova, mostra mais a sensação de doçura.
Não sendo um fervoroso adepto dos brancos com açúcar residual, confesso que este me agradou, talvez pelo contraponto que a acidez lhe dá. É um vinho equilibrado e que terá muitos adeptos.
Nota 15,5




Quinta da Sequeira Reserva Branco 2008
Produtor - Quinta da Sequeira
Região - Douro
Preço - 16€
De uma bonita côr dourada, este vinho provem de vinhas muito velhas, com cerca de 100 anos, e é feito a partir das castas Malvazia Fina, Gouveio, Códega e Rabigato que fermentaram e estagiaram em barricas de carvalho francês.
Muito bem no nariz, com intensidade. As notas de barrica são as primeiras a aparecer, mas sem qualquer exagero, Há aqui um bom trabalho com a madeira usada. Depois começas a aparecer algumas notas citrinas, de fruto em calda, baunilha e apontamentos minerais. Um conjunto de belo efeito e muito cativante. Com toda esta riqueza, ainda mostra frescura.
Na boca é volumoso e glicerinado, sugere novamente as notas de baunilha e minerais. Notável na acidez, que confere frescura ao conjunto e também no equilíbrio, apesar dos seus 14,5% vol. Se comprar com a versão anterior, que tinha a inscrição de Vinhas Velhas, está bem mais interessante, mantém o perfil musculado, mas parece ser mais fresco, mais equilibrado e mais trabalhado. Muito bem.
Nota 17


Quinta da Sequeira Grande Reserva Tinto 2005
Produtor - Quinta da Sequeira
Região - Douro
Preço - 35€
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Amarela, este vinho fermentou e estagiou em barricas novas de carvalho francês.
Opaco na côr. Provei-o logo após o seu engarrafamento e os dois anos em garrafa fizeram-lhe muito bem. O vinho mantém um perfil algo vigoroso e tenso mas muito mais . Já não está tão marcado pela madeira, aliás, pareceu-me que a madeira já estava muito bem integrada, não se dando muito pela sua presença. É a Touriga que marca passo, com notas violetas e folhas secas. A fruta aparece com sugestões a fruto preto maduro e ainda notas de especiaria.
Na boca é irrepreensivelmente um vinho viçoso, encorpado, num conjunto que reclama por comida, que esteja à sua altura. Pareceu-me bem identificativo do que é um Douro, do que é um vinho do Douro Superior. A acidez é vibrante e curiosamente, algo inesperado, possui um final longo, mas fino. Um vinho de muito sabor e equilíbrio, apesar do ímpeto.
Excelente, apesar do preço.
Nota 17,5

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Campolargo Reserva da Nação 2005

Hoje foi lançado um vinho muito especial, um vinho cuja data de lançamento e a efeméride a que está ligada, acabou por ser o mote para a criação deste mesmo vinho, que penso que já estivesse "na manga" há já algum tempo.
Carlos Campolargo, um dos nomes mais sonantes da Bairrada lançou hoje o Reserva da Nação 2005 tinto, neste ano de comemoração 100 anos da implantação da República. Curioso, ou não, foi o lançamento coincidir com o dia de Reis e no próprio rótulo encontrar-se a alusão à bandeira da Monarquia. Uma pequena "maldade" deste dinâmico e destemido produtor.



Trata-se de um vinho tinto da colheita de 2005, estagiado em garrafa por dois anos após igual período de permanência em madeira nova e usada (barricas de trezentos litros de carvalho francês). As castas Baga, Touriga Nacional, Tinta Barroca e Trincadeira da Bairrada, parcialmente fermentadas em conjunto e provenientes da nossa Quinta de Valle d'Azar, compõem o lote apresentado.
Deste vinho foram feitas apenas 3222 garrafas, que serão vendidas à porta da adega por um preço a rondar os 10€. Boas notícias portanto.

Bom, só falta mesmo é provar o vinho, e isso conto fazê-lo em breve.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Esporão Aragonês 2007

Continuando com os vinhos dos Esporão.....
É a vez de nos voltarmos para os monocastas da casa. Tal como os restantes vinhos da empresa, também os monocastas receberam uma "lavagem" na imagem. São agora rótulos minimalistas, de muito bom gosto. Anunciam com pompa e circunstância as iniciais de cada casta, e algumas informações muito úteis, como a localização GPS da Herdade. Muito apelativo, no meu entender.
O Aragonês, vinho que agora provamos, provém de umas vinhas com mais de 35 anos, num local chamado "Canto do Zé Cruz".

Esporão Aragonês 2007
Produtor - Esporão
Região - Alentejo
Grau - 14,5 % vol
Preço -nd
Feito exclusivamente a partir da casta Aragonês, este vinho fermentou em lagares de inox e estagiou por 12 meses, em barricas novas de carvalho francês e americano.
Côr carregada, quase retinta.
Inicialmente são os aromas fumados que marcam a prova. Só após algum tempo começam a surgir notas de fruto bem maduro, como ameixas e amoras. Algum vegetal e mineral completam este aroma de boa intensidade.
Robusto, vincado, viril. Não esconde a sua potência. Tem taninos bem presentes e um final seco de boa persistência.
Um vinho que não é fácil mas que mostra carácter. Pede comida por perto pois a solo só mesmo para os amantes de emoções fortes.
Nota 16

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