terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Esporão Reserva 2007

Voltamos novamente à prova de vinhos do Esporão. Desta feita, é a vez de provar o Esporão Reserva Tinto, da colheita de 2007.
Este é um dos vinhos mais vendidos do produtor, mercê de uma produção de cerca de 500.000 garrafas, a alcançar sucessivamente rasgados elogios por toda a parte. Esta garrafa, já possui a nova imagem, que o produtor imprimiu a todos os seus novos vinhos, cujo rótulo foi idealizado por José Pedro Croft.

Esporão Reserva Tinto 2007
Produtor - Esporão, SA
Região - Alentejo
Grau - 14.5% vol
Preço - a partir dos 14€
Feito a partir das castas Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet, este vinho fez fermentação em inox, e estagiou por 12 meses em barricas de carvalho americano (70%) e francês (30%).
Cor muito brilhante e carregada.
Muito bem no nariz, a mostrar riqueza, com notas de fruto preto, apontamentos minerais e sugestões vegetais. Com algum tempo surgem apontamentos de café, e especiarias.
Na boca está resolvido, é fresco, redondo, com ligeira predominância do álcool, mas que no entanto não desequilibra de todo, o conjunto. O final é de média persistência, mas com enorme sabor.
Não há muito que possa dizer sobre este vinho, que já não saibam. Na verdade, este é provavelmente um dos "Portos" mais seguros do vinho alentejano e nacional. Com este vinho, não há que enganar, e tem sido assim ano após ano, tornando este vinho num enorme caso de sucesso. Continuem....
Nota 15,5

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Fiuza Sauvignon Blanc

A Fiuza, empresa que se posiciona na Região Tejo, começou em 1985, como resultado de uma parceria entre a família Fiuza e o enólogo Australiano Peter Bright.
Cedo começaram a apostar em castas internacionais, que foram plantado à medida que a empresa ia adquirindo as suas Quintas.
Este vinho vem de uma quinta, a Granja, que se situa junto a Santarém, mais propriamente na população de Romeira. É desta Quinta, com 67 Hectares, e onde foram plantadas exclusivamente castas internacionais francesas, que nos chega o vinho que agora provo.
Uma curiosidade, este Sauvignon, é da colheita de 2009 e indicado como sendo o primeiro vinho da colheita a ser apresentado. No meu caso é o primeiro vinho, engarrafado, de 2009. Vamos então ao vinho:


Fiuza Sauvignon Blanc 2009
Produtor - Fiuza
Região - Tejo
Grau - 12,5% vol
Preço - Cerca de 4€
Feito exclusivamente da casta Sauvignon Blanc, este vinho fermentou em inox, com temperatura controlada a 14 ºC.
De bonita côr citrina, este é um caso de um vinho muito fresco, aproveitando o tipo de vinificação, associando ao lançamento precoce e às características da própria casta. O vinho mantém todo um perfil de fruto tropical, ao longo de toda a prova. Em vários momentos, aparecem sugestões herbáceas e as sensações de frescura.
Na boca o vinho até tem estrutura, ainda que mediana, para poder ir um pouco mais além do estigma de bebida de ocasião. É um vinho que acompanhará perfeitamente marisco e saladas. Continua fresco na boca, com sabor e dá prazer.
É daqueles vinhos que dá sempre jeito ter por perto. É barato, versátil, pouco alcoólico e bem feito.
Nota 14

sábado, 5 de dezembro de 2009

Bétula

Mais uma novidade a chegar ao mercado. Desta feita um curioso branco, com um curioso nome (bétula é um género de árvores) e rótulo.
O vinho chega-nos do Douro, mais propriamente da Quinta do Torgal, na Freguesia do Barrô. É um vinho resultante de umas vinhas situadas em solos graniticos e feito a partir de duas castas internacionais, Viognier e Sauvignon Blanc. O enólogo é o sobejamente conhecido, e reconhecido, Francisco Montenegro, que perpetua os vinhos Aneto e Quinta Nova.

Bétula Branco 2008
Produtor - Catarina Montenegro Santos
Região - Douro (Vinho Regional Duriense)
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir dos 12€
Feito equitativamente a partir das castas Viognier, que fermentou e estagiou em barricas de carvalho francês, e Sauvignon Blanc, que fermentou e estagiou em inox.
É um vinho algo desconcertante no aroma, parece que as duas castas se querem afirmar. O aroma é muito rico, com notas de muito fruto, fruto de caroço, fruto exótico, a que se associam notas minerais, algum fumado e algum vegetal. É um vinho com um aroma muito interessante e sobretudo fresco.
Na boca ganha algum peso, mercê da casta Viognier e do tratamento com a barrica. O vinho é untuoso, com sensação glicerinada. Mantém a frescura, a barrica está bem integrada e tem uma excelente acidez, o que aliás me cativou mais na prova de boca. Termina com excelente persistência.
Muito bom para uma estreia. Obviamente que questiono a utilização destas castas no Douro, e sobretudo em solos que poderiam ser excelentes com castas bem nossas. Ainda assim, não se pode dizer que seja um caminho proibido, e a ver pelo resultado, temos um vinho diferente, com um estilo pouco usual nessas paragens, mas que só comprova a versatilidade do Douro.
Estreia auspiciosa que a ver pelo preço, vale bem a pena conhecer.
Nota 16


domingo, 29 de novembro de 2009

Altas Quintas Branco 2008



Já seria de esperar que, mais tarde ou mais cedo, a Altas Quintas quisesse dar o passo seguinte na criação de um branco, ou seja que enveredasse por brancos de topo. Aproveitando toda a envolvente, e sobretudo altitude, que oferece a Serra de São Mamede, eis o novo Altas Quintas Branco 2008.
As uvas provêem de vinhas de Verdelho e de Arinto, situadas a 600 metros na Serra de São Mamede.



Altas Quintas 2008 Branco
Produtor: Altas Quintas
Região: Alentejo
Grau: 13.5% vol
Preço: N/D
Feito a partir das castas Verdelho e Arinto, o vinho fermentou em barricas novas de carvalho francês, para depois estagiar durante 6 meses, nas mesmas barricas.
Apresenta um brilhante côr palha. A primeira sensação que no aparece de imediato é mesmo a frescura do vinho. Depois, são notas de fruto tropical, ligeiro citrino, as notas de barrica, fumo, côco e mel. A barrica parece ainda um pouco presente, mas integrará muito em breve, pois é harmoniosa. Por entre cada uma destas notas, vão aparecendo muitos rasgos de frescura.
Na boca, apesar de mostrar uma certa untuosidade, um certo porte, encontramos um vinho mais numa vertente de fineza e frescura, do que propriamente de corpo e volume. Existe um compromisso entre o volume e a finesse. Tem uma acidez preponderante e termina com média/longa persistência em notas de mel.
O vinho assenta sobretudo sobre uma frescura refrescante, passe a redundância, em toda a prova. Tem volume, mas parece-me mais fino, que volumoso. Um branco para o Inverno/Meia Estação. Pegue em peixes com alguma gordura e delicie-se.
Nota 16,5

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

As novas tecnologias dão dores de cabeça

Sim é verdade, quantas vezes não damos por nós a coçar a cabeça para por a trabalhar este ou aquele aparelho, quantas vezes nos apetece partir tudo porque andamos horas para resolver qualquer situação relacionada com a utilização de um determinado aparelho.
Bem, eu pensava que tinha tudo controlado. Confiança no telemóvel/pda, para colocar todas as minha notas de prova, resumos de visita, enfim, tudo o que tinha sobre as minhas experiências vinícas estava no meu PDA (Samsung Omnia). Deixei a minha Moleskine, já ia na terceira, e passei a colocar tudo no PDA, sobre forma de notas. Poupava assim, dinheiro, também escusava de estar muitas vezes a escrever em pé numa letra quase ilegível para depois ter de chegar a casa e andar a decifrar os gatafunhos que tinha escrito.
Mas o pior acabou por acontecer. A minha confiança no equipamento, que levou a que não fizesse sincronizações regulares, acabou por ser a minha "morte". Com uma série de notas de prova por colocar e sobretudo com umas verticais e visitas a alguns produtores, o meu telemóvel acabou por "fritar". Com alguma esperança, ainda dei voltas e voltas para ver se mesmo avariado, conseguia sincronizar uma ultima vez. Tudo em vão. Foi para arranjar e logo me teceram aquelas palavras, que degluti em seco, "atenção que vai perder todos os dados que tem no equipamento", fiquei cá com uma azia......
Enfim, a vida continua, mas acho mesmo que vou voltar à Moleskine ou então sincronizar o equipamento assim que chegue de uma prova ou viagem.
Tal como referi, tinha no telemóvel as minhas impressões sobre 3 Verticais de vinhos do Douro, a saber, Quinta do Crasto Vinhas Velhas (2001 a 2007), Quinta do Vallado Reserva (1999 a 2007) e Quinta do Vale Dona Maria (2001 a 2007) e que vou acabar por não escrever sobre elas, no entanto, queria aqui referir as impressões que ficaram na minha memória:


Quinta do Crasto Vinhas Velhas
Foi uma prova fantástica, mesmo no meio das cubas de fermentação, por se ter podido verificar a coerência na qualidade, quase independente do ano de colheita. Lembro de um 2001, ainda cheio de vigor, numa fase excelente de consumo, um 2002, que estava muito bom, mas que acabava por não entusiasmar (aconteceu em todos os produtores), um 2003 a dar excelente prova apesar do perfil mais maduro, um 2004 simplesmente fantástico, o meu preferido de sempre, e com muito tempo pela frente. Ficaram 2005, 2006, e 2007, como vinhos muito jovens, a precisarem de tempo e de arejamento quando abertos. O 2007, muda cada vez que o provo, mas ainda lhe falta mostrar alguns predicados, que o tempo se encarregará de desvendar.


Quinta do Vallado Reserva
Esta foi uma prova muito reveladora para mim, pois na generalidade quase todos os vinhos apresentados, note-se que foi uma vertical completa, e com algumas colheitas a serem apresentadas em magnum, mostraram-se muito jovens e em alguns casos a mostrarem manifestamente necessidade de descanso na garrafeira. 2005 e 2007 foram os que mais gostei. Belíssimos vinhos.
2003 e 2006 a mostrarem-se em muito boa forma, 2003 numa toada mais quente, mais "jammy", mas a mostrar um equilíbrio notável. Estava muito bom. 1999 e 2000, ainda que algo diferentes, tinham em comum o facto de estarem muito bons para ser bebidos agora, não querendo com isso dizer que há pressa em consumi-los.
Fiquei bem impressionado com os Vallado Reserva. Notam-se algumas mudanças, no perfil dos vinhos, com o aumento substancial de Touriga Nacional no lote, mas creio que neste caso trouxe alguma mais valia aos vinhos.


Quinta do Vale Dona Maria
Não consigo esconder uma certa predilecção por este vinho. O Vale Dona Maria, costuma ser um vinho muito guloso, muito apelativo, e nesta vertical foi essa mesma a percepção que retirei.
2004 e 2005 continuam a ser os meus preferidos, com alguma vantagem para 2004, no entanto, 2007 esta tão perfeito, tão saboroso, que me leva a contar com ele para o futuro. Belos vinhos.
2003, continua a ser o vinho que não deverá evoluir como os restantes, mas, cada vez que o provo dá uma excelente prova. Está muito bem e recomenda-se.
2002, é muito bom vinho, mas falta-lhe a alma dos companheiros de anos seguintes e mesmo anteriores, pois 2001 estava absolutamente divinal. Belíssimo vinho, a mostrar que evoluiu bem, mas que ainda aguenta muito mais tempo.
Resumindo, são realmente vinhos muito saborosos, apelativos, sexy, se quiserem, têm aquele toque feminino, aquela sensação de luxuria.

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