sábado, 5 de dezembro de 2009

Bétula

Mais uma novidade a chegar ao mercado. Desta feita um curioso branco, com um curioso nome (bétula é um género de árvores) e rótulo.
O vinho chega-nos do Douro, mais propriamente da Quinta do Torgal, na Freguesia do Barrô. É um vinho resultante de umas vinhas situadas em solos graniticos e feito a partir de duas castas internacionais, Viognier e Sauvignon Blanc. O enólogo é o sobejamente conhecido, e reconhecido, Francisco Montenegro, que perpetua os vinhos Aneto e Quinta Nova.

Bétula Branco 2008
Produtor - Catarina Montenegro Santos
Região - Douro (Vinho Regional Duriense)
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir dos 12€
Feito equitativamente a partir das castas Viognier, que fermentou e estagiou em barricas de carvalho francês, e Sauvignon Blanc, que fermentou e estagiou em inox.
É um vinho algo desconcertante no aroma, parece que as duas castas se querem afirmar. O aroma é muito rico, com notas de muito fruto, fruto de caroço, fruto exótico, a que se associam notas minerais, algum fumado e algum vegetal. É um vinho com um aroma muito interessante e sobretudo fresco.
Na boca ganha algum peso, mercê da casta Viognier e do tratamento com a barrica. O vinho é untuoso, com sensação glicerinada. Mantém a frescura, a barrica está bem integrada e tem uma excelente acidez, o que aliás me cativou mais na prova de boca. Termina com excelente persistência.
Muito bom para uma estreia. Obviamente que questiono a utilização destas castas no Douro, e sobretudo em solos que poderiam ser excelentes com castas bem nossas. Ainda assim, não se pode dizer que seja um caminho proibido, e a ver pelo resultado, temos um vinho diferente, com um estilo pouco usual nessas paragens, mas que só comprova a versatilidade do Douro.
Estreia auspiciosa que a ver pelo preço, vale bem a pena conhecer.
Nota 16


domingo, 29 de novembro de 2009

Altas Quintas Branco 2008



Já seria de esperar que, mais tarde ou mais cedo, a Altas Quintas quisesse dar o passo seguinte na criação de um branco, ou seja que enveredasse por brancos de topo. Aproveitando toda a envolvente, e sobretudo altitude, que oferece a Serra de São Mamede, eis o novo Altas Quintas Branco 2008.
As uvas provêem de vinhas de Verdelho e de Arinto, situadas a 600 metros na Serra de São Mamede.



Altas Quintas 2008 Branco
Produtor: Altas Quintas
Região: Alentejo
Grau: 13.5% vol
Preço: N/D
Feito a partir das castas Verdelho e Arinto, o vinho fermentou em barricas novas de carvalho francês, para depois estagiar durante 6 meses, nas mesmas barricas.
Apresenta um brilhante côr palha. A primeira sensação que no aparece de imediato é mesmo a frescura do vinho. Depois, são notas de fruto tropical, ligeiro citrino, as notas de barrica, fumo, côco e mel. A barrica parece ainda um pouco presente, mas integrará muito em breve, pois é harmoniosa. Por entre cada uma destas notas, vão aparecendo muitos rasgos de frescura.
Na boca, apesar de mostrar uma certa untuosidade, um certo porte, encontramos um vinho mais numa vertente de fineza e frescura, do que propriamente de corpo e volume. Existe um compromisso entre o volume e a finesse. Tem uma acidez preponderante e termina com média/longa persistência em notas de mel.
O vinho assenta sobretudo sobre uma frescura refrescante, passe a redundância, em toda a prova. Tem volume, mas parece-me mais fino, que volumoso. Um branco para o Inverno/Meia Estação. Pegue em peixes com alguma gordura e delicie-se.
Nota 16,5

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

As novas tecnologias dão dores de cabeça

Sim é verdade, quantas vezes não damos por nós a coçar a cabeça para por a trabalhar este ou aquele aparelho, quantas vezes nos apetece partir tudo porque andamos horas para resolver qualquer situação relacionada com a utilização de um determinado aparelho.
Bem, eu pensava que tinha tudo controlado. Confiança no telemóvel/pda, para colocar todas as minha notas de prova, resumos de visita, enfim, tudo o que tinha sobre as minhas experiências vinícas estava no meu PDA (Samsung Omnia). Deixei a minha Moleskine, já ia na terceira, e passei a colocar tudo no PDA, sobre forma de notas. Poupava assim, dinheiro, também escusava de estar muitas vezes a escrever em pé numa letra quase ilegível para depois ter de chegar a casa e andar a decifrar os gatafunhos que tinha escrito.
Mas o pior acabou por acontecer. A minha confiança no equipamento, que levou a que não fizesse sincronizações regulares, acabou por ser a minha "morte". Com uma série de notas de prova por colocar e sobretudo com umas verticais e visitas a alguns produtores, o meu telemóvel acabou por "fritar". Com alguma esperança, ainda dei voltas e voltas para ver se mesmo avariado, conseguia sincronizar uma ultima vez. Tudo em vão. Foi para arranjar e logo me teceram aquelas palavras, que degluti em seco, "atenção que vai perder todos os dados que tem no equipamento", fiquei cá com uma azia......
Enfim, a vida continua, mas acho mesmo que vou voltar à Moleskine ou então sincronizar o equipamento assim que chegue de uma prova ou viagem.
Tal como referi, tinha no telemóvel as minhas impressões sobre 3 Verticais de vinhos do Douro, a saber, Quinta do Crasto Vinhas Velhas (2001 a 2007), Quinta do Vallado Reserva (1999 a 2007) e Quinta do Vale Dona Maria (2001 a 2007) e que vou acabar por não escrever sobre elas, no entanto, queria aqui referir as impressões que ficaram na minha memória:


Quinta do Crasto Vinhas Velhas
Foi uma prova fantástica, mesmo no meio das cubas de fermentação, por se ter podido verificar a coerência na qualidade, quase independente do ano de colheita. Lembro de um 2001, ainda cheio de vigor, numa fase excelente de consumo, um 2002, que estava muito bom, mas que acabava por não entusiasmar (aconteceu em todos os produtores), um 2003 a dar excelente prova apesar do perfil mais maduro, um 2004 simplesmente fantástico, o meu preferido de sempre, e com muito tempo pela frente. Ficaram 2005, 2006, e 2007, como vinhos muito jovens, a precisarem de tempo e de arejamento quando abertos. O 2007, muda cada vez que o provo, mas ainda lhe falta mostrar alguns predicados, que o tempo se encarregará de desvendar.


Quinta do Vallado Reserva
Esta foi uma prova muito reveladora para mim, pois na generalidade quase todos os vinhos apresentados, note-se que foi uma vertical completa, e com algumas colheitas a serem apresentadas em magnum, mostraram-se muito jovens e em alguns casos a mostrarem manifestamente necessidade de descanso na garrafeira. 2005 e 2007 foram os que mais gostei. Belíssimos vinhos.
2003 e 2006 a mostrarem-se em muito boa forma, 2003 numa toada mais quente, mais "jammy", mas a mostrar um equilíbrio notável. Estava muito bom. 1999 e 2000, ainda que algo diferentes, tinham em comum o facto de estarem muito bons para ser bebidos agora, não querendo com isso dizer que há pressa em consumi-los.
Fiquei bem impressionado com os Vallado Reserva. Notam-se algumas mudanças, no perfil dos vinhos, com o aumento substancial de Touriga Nacional no lote, mas creio que neste caso trouxe alguma mais valia aos vinhos.


Quinta do Vale Dona Maria
Não consigo esconder uma certa predilecção por este vinho. O Vale Dona Maria, costuma ser um vinho muito guloso, muito apelativo, e nesta vertical foi essa mesma a percepção que retirei.
2004 e 2005 continuam a ser os meus preferidos, com alguma vantagem para 2004, no entanto, 2007 esta tão perfeito, tão saboroso, que me leva a contar com ele para o futuro. Belos vinhos.
2003, continua a ser o vinho que não deverá evoluir como os restantes, mas, cada vez que o provo dá uma excelente prova. Está muito bem e recomenda-se.
2002, é muito bom vinho, mas falta-lhe a alma dos companheiros de anos seguintes e mesmo anteriores, pois 2001 estava absolutamente divinal. Belíssimo vinho, a mostrar que evoluiu bem, mas que ainda aguenta muito mais tempo.
Resumindo, são realmente vinhos muito saborosos, apelativos, sexy, se quiserem, têm aquele toque feminino, aquela sensação de luxuria.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

1º Prémio Confraria dos Enófilos do Alentejo

Já lá vão 18 anos desde que a Confraria dos Enófilos do Alentejo, testa todos os anos o melhor que se faz na região. Este ano, e pela terceira vez, como já tinha sido em 1998 e em 200, foi um vinho da Herdade do Esporão que arrecadou o primeiro prémio. Este 1º Prémio da Confraria de Enófilos do Alentejo, tal e qual como é indicado no rótulo, será um vinho de colecção, com 2 rótulos diferentes, produzidos por Ana Jotta e inspirados em rótulos antigos da Herdade do Esporão.
Mas vamos ao vinho:


Esporão 2007 1º Prémio da Confraria dos Enófilos do Alentejo
Produtor - Herdade do Esporão
Região - Alentejo
Grau - 15% vol
Preço - a partir de 39€
Este vinho é feito a partir das castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Touriga Franca. As castas foram vinificadas em separado e estagiou por 6 meses em barricas novas de carvalho americano.
Denso na côr, quase impenetrável. Grande impacto de profundidade no nariz. Rico e denso, este vinho mostra notas de groselha preta e amora, a que se juntam notas de mina de lápis, alcacuz e especiarias. Com algum tempo surgem notas florais e bafos de frescura, que o aroma inicial não sugeria de modo algum. Excelente trabalho na barrica, com esta muito bem integrada, sem se mostrar, desconcertando o conjunto.
Na boca a continuação de profundidade e densidade, com o vinho a mostrar-se poderoso, cheio, mas de muita classe. Num final cuja acidez e taninos estão envolvidos no corpo, este vinho parece aveludado, mas sempre numa toada de concentração, novamente bafejada por sugestões de frescura. O final de boa persistência e com sugestões de chocolate, termina um episódio de um vinho de emoções fortes.
É realmente um vinho que nos inflige emoção, pela densidade, pela estrutura, mas ao mesmo tempo pela toada fresca, apesar dos 15 graus de álcool, com que se apresenta. Pede comida? Sem dúvida.......
Nota 17,5

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Quinta do Vale Meão


Após o termino da European Wine Bloggers Conference, ainda houve tempo, para 30 felizardos, apanharem um autocarro de visita aos Douro Boys, no Douro.
Eu fui um dos sortudos que passou 2 dias no Douro, numa altura em que as vinhas começas a despir-se para enfrentar o inverno.
Já fui muitas vezes ao Douro, mas desta feita haviam 3 razões para não faltar a esta oportunidade. Em primeiro, poder pela primeira vez visitar a Quinta do Vale Meão, em segundo, andar pela primeira vez de comboio no Douro e fazendo o percurso bem junto ao Rio, e terceiro, o facto de o douro estar repleto das mais variadas côres nas vinhas.

E assim foi que, após uma longa, mas gratificante viagem, chegámos à Quinta do Vale Meão. Saídos das estradas principais, em direcção à quinta, passamos por caminhos bem estreitos, que não são mais que um teste à capacidade de atenção do condutor do nosso autocarro. A entrada na quinta apresenta-se numa placa de pedra.

Para nos receber estavam o Francisco "Vito" Olazabal e seu filho, o enólogo da casa, Francisco "Xito" Olazabal. Dois dos quatro pilares da casa. O terceiro, acabou por se juntar a nós, já na casa, a Luisa Olazabal. É ela quem trata logistica e da parte comercial dos vinhos do Vale Meão.

Mal chegamos e fomo-nos dirigindo para a adega. Esta, a ultima a ser construida, pois existe ainda uma outra adega, que o tempo disponível acabou por não permitir visitar, é uma adega de humildes dimensões, mas que permite ao produtor vir fazendo em condições perfeitas todo o vinho que produz. Estou muito habituado a ver adegas e pode parecer que são sempre a mesma coisa, mas cada uma é sempre diferente da vizinha. Nesta, nasce um vinho chamado Vale Meão, que nenhuma outra, em lugar algum do mundo o faz. E assim, fico sempre contente quando tenho a oportunidade visitar mais uma adega.
Do pouco tempo que passámos na adega, ouvimos as explicações do Xito, explicando um pouco a filosofia da casa e dos seus vinhos. Interessantes as explicações do trabalho de barricas, que me fizeram todo o sentido. Aqui, pretende-se o uso de barricas para trazer algo mais aos vinhos, mas não se pretendem vinhos marcados pelas mesmas.

Saídos da adega, acabamos por entra numa camionete. Fez-me lembrar os meus tempos de Militar, onde por inumeras vezes entrava, acompanhado pelo pelotão que dirigia, para de seguida avançar para o mato. Boas recordações. Curiosamente, mais tarde, no Crasto, acabámos por novamente entrar numa destas camionetes, mas desta feita de caixa aberta.

Chegavamos à casa que pertenceu a Dona Antónia Ferreira, a Ferreirinha. Esta foi a ultima casa a ser construída, e a unica que acabaou por ser construida de raiz. Na altura, nada havia por estes lados. Não havias estradas, não haviam construções. Nada. Um deserto. Foram 10 anos que levou a Ferreirinha a construir estradas e casas para os seus trabalhadores. Hoje, a casa pertencente aos Olazabal, Vito é descendente directo da Ferreirinha, é um recanto de história relacionada com a Grande Senhora do Douro. Nesta casa ainda se mantêm todas as mobilias originais que a Dona antónia ali colocou. É uma casa senhorial lindissima, de traços rectos mas generosos, onde hoje em dia, tem como comandante a Maria Luísa "Zinha" Olazabal, o quarto pilar da Quinta do Vale Meão, e esposa de Vito. Quis os destino que duas enormes familias do Douro e do Vinho do Porto, se unissem. Vito é, como já escrevi, descendente da linhagem de Dona Antónia, e Zinha apenas e só, como se não bastasse, filha do criador do Barca Velha, Fernando Nicolao de Almeida e simultâneamente uma Ramos Pinto.
Poderá estar explicada então a ligação, que todos conhecem, do Barca Velha à Quinta do Vale Meão.

Embora estivesse ansioso por entrar na Casa que pertenceu à Grande Senhora, não consegui, mal cheguei, desviar a vista de toda a vinha que está em frente da casa. Uma sensação de conforto, de nostalgia, de sossego, me assolava. A visão era linda, apenas um pouco perturbada pelos postes de alta tensão. Mas todo este lugar me transmitia calma e serenidade. Lindo.

Após umas entradas, onde se contavam umas Bolas de Carne, uns frutos secos e uns enchidos assados voltamos à casa para um almoço que se veio a tornar revelador para mim. Sentámos-nos à mesa e a acompanhar um belíssimo repasto, iam chegando os vinhos:

O primeiro foi o Meandro do Vale Meão 2006. O vinho apresentou-se em boa forma, pouco evidenciando um vinho de um ano mais difícil. Repleto de fruto maduro, muitas sugestões florais e especiadas, este vinho mostrava-se quente nos aromas. Na boca mostrava potência mas sem abusar. Ainda vislumbrei fineza no conjunto. Estava equilibrado, a mostrar que estava a dar uma excelente prova. Na boca mostra uma vertente compotada e com taninos muito sumarentos e redondos. Não sendo o cumulo da complexidade, é muito bom vinho.
Nota 16,5

O primeiro Vale Meão a chegar, em garrafa Double Magnum (3l), foi o 2004. Estava fantástico. Muito jovem na côr, sem mostrar qualquer indicio do peso da idade, este Meão mostrava um nariz cheio de fruto maduro (amoras, ameixas), sugestões de cogumelos, ervas aromáticas e ainda algumas especiarias.
Na boca mostrava toda a sua juventude, com taninos muito presentes, mas muito finos. e arstocráticos. Excelente na acidez, Terminava longo e cheio de vigor. Ainda com muitoas anos pela frente. Grande Vinho.
Nota 18,5

Para o fim estava guardado outro "bom bocado". Servido em Magnum, chegava o Vale Meão 2000. Delirante no aroma. Complexo, muitas notas de cogumelos e de trufas a sobreporem-se à fruta densa e madura, cabedal e ainda alguma confitura. Dá lembranças de um Porto, sem a aguardente. Impressiona.
Na boca é pura seda, puro veludo. Os taninos são dóceis, aveludados e sedosos. O vinho tem corpo, tem taninos, tem acidez, mas tudo se conjunga para o enorme prazer de quem tem a oportunidade de o beber. Termina longo e cheio de sabor. Belo vinho.
Nota 18,5

Acabou-se com um vintage. Mas acreditem que me fixei de tal maneira numa tarde de Limão merengada, que quando já tinha saído é que reparei que nem o tinha bebido. Enfim, nem só de vinho vive o Homem. Grande visita e sobretudo grande recepção por parta da família Olazabal.

Ficaram para o caminho, e para o combóio, as castanhas assadas, no Meão.......



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