quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Quinta do Vale Meão


Após o termino da European Wine Bloggers Conference, ainda houve tempo, para 30 felizardos, apanharem um autocarro de visita aos Douro Boys, no Douro.
Eu fui um dos sortudos que passou 2 dias no Douro, numa altura em que as vinhas começas a despir-se para enfrentar o inverno.
Já fui muitas vezes ao Douro, mas desta feita haviam 3 razões para não faltar a esta oportunidade. Em primeiro, poder pela primeira vez visitar a Quinta do Vale Meão, em segundo, andar pela primeira vez de comboio no Douro e fazendo o percurso bem junto ao Rio, e terceiro, o facto de o douro estar repleto das mais variadas côres nas vinhas.

E assim foi que, após uma longa, mas gratificante viagem, chegámos à Quinta do Vale Meão. Saídos das estradas principais, em direcção à quinta, passamos por caminhos bem estreitos, que não são mais que um teste à capacidade de atenção do condutor do nosso autocarro. A entrada na quinta apresenta-se numa placa de pedra.

Para nos receber estavam o Francisco "Vito" Olazabal e seu filho, o enólogo da casa, Francisco "Xito" Olazabal. Dois dos quatro pilares da casa. O terceiro, acabou por se juntar a nós, já na casa, a Luisa Olazabal. É ela quem trata logistica e da parte comercial dos vinhos do Vale Meão.

Mal chegamos e fomo-nos dirigindo para a adega. Esta, a ultima a ser construida, pois existe ainda uma outra adega, que o tempo disponível acabou por não permitir visitar, é uma adega de humildes dimensões, mas que permite ao produtor vir fazendo em condições perfeitas todo o vinho que produz. Estou muito habituado a ver adegas e pode parecer que são sempre a mesma coisa, mas cada uma é sempre diferente da vizinha. Nesta, nasce um vinho chamado Vale Meão, que nenhuma outra, em lugar algum do mundo o faz. E assim, fico sempre contente quando tenho a oportunidade visitar mais uma adega.
Do pouco tempo que passámos na adega, ouvimos as explicações do Xito, explicando um pouco a filosofia da casa e dos seus vinhos. Interessantes as explicações do trabalho de barricas, que me fizeram todo o sentido. Aqui, pretende-se o uso de barricas para trazer algo mais aos vinhos, mas não se pretendem vinhos marcados pelas mesmas.

Saídos da adega, acabamos por entra numa camionete. Fez-me lembrar os meus tempos de Militar, onde por inumeras vezes entrava, acompanhado pelo pelotão que dirigia, para de seguida avançar para o mato. Boas recordações. Curiosamente, mais tarde, no Crasto, acabámos por novamente entrar numa destas camionetes, mas desta feita de caixa aberta.

Chegavamos à casa que pertenceu a Dona Antónia Ferreira, a Ferreirinha. Esta foi a ultima casa a ser construída, e a unica que acabaou por ser construida de raiz. Na altura, nada havia por estes lados. Não havias estradas, não haviam construções. Nada. Um deserto. Foram 10 anos que levou a Ferreirinha a construir estradas e casas para os seus trabalhadores. Hoje, a casa pertencente aos Olazabal, Vito é descendente directo da Ferreirinha, é um recanto de história relacionada com a Grande Senhora do Douro. Nesta casa ainda se mantêm todas as mobilias originais que a Dona antónia ali colocou. É uma casa senhorial lindissima, de traços rectos mas generosos, onde hoje em dia, tem como comandante a Maria Luísa "Zinha" Olazabal, o quarto pilar da Quinta do Vale Meão, e esposa de Vito. Quis os destino que duas enormes familias do Douro e do Vinho do Porto, se unissem. Vito é, como já escrevi, descendente da linhagem de Dona Antónia, e Zinha apenas e só, como se não bastasse, filha do criador do Barca Velha, Fernando Nicolao de Almeida e simultâneamente uma Ramos Pinto.
Poderá estar explicada então a ligação, que todos conhecem, do Barca Velha à Quinta do Vale Meão.

Embora estivesse ansioso por entrar na Casa que pertenceu à Grande Senhora, não consegui, mal cheguei, desviar a vista de toda a vinha que está em frente da casa. Uma sensação de conforto, de nostalgia, de sossego, me assolava. A visão era linda, apenas um pouco perturbada pelos postes de alta tensão. Mas todo este lugar me transmitia calma e serenidade. Lindo.

Após umas entradas, onde se contavam umas Bolas de Carne, uns frutos secos e uns enchidos assados voltamos à casa para um almoço que se veio a tornar revelador para mim. Sentámos-nos à mesa e a acompanhar um belíssimo repasto, iam chegando os vinhos:

O primeiro foi o Meandro do Vale Meão 2006. O vinho apresentou-se em boa forma, pouco evidenciando um vinho de um ano mais difícil. Repleto de fruto maduro, muitas sugestões florais e especiadas, este vinho mostrava-se quente nos aromas. Na boca mostrava potência mas sem abusar. Ainda vislumbrei fineza no conjunto. Estava equilibrado, a mostrar que estava a dar uma excelente prova. Na boca mostra uma vertente compotada e com taninos muito sumarentos e redondos. Não sendo o cumulo da complexidade, é muito bom vinho.
Nota 16,5

O primeiro Vale Meão a chegar, em garrafa Double Magnum (3l), foi o 2004. Estava fantástico. Muito jovem na côr, sem mostrar qualquer indicio do peso da idade, este Meão mostrava um nariz cheio de fruto maduro (amoras, ameixas), sugestões de cogumelos, ervas aromáticas e ainda algumas especiarias.
Na boca mostrava toda a sua juventude, com taninos muito presentes, mas muito finos. e arstocráticos. Excelente na acidez, Terminava longo e cheio de vigor. Ainda com muitoas anos pela frente. Grande Vinho.
Nota 18,5

Para o fim estava guardado outro "bom bocado". Servido em Magnum, chegava o Vale Meão 2000. Delirante no aroma. Complexo, muitas notas de cogumelos e de trufas a sobreporem-se à fruta densa e madura, cabedal e ainda alguma confitura. Dá lembranças de um Porto, sem a aguardente. Impressiona.
Na boca é pura seda, puro veludo. Os taninos são dóceis, aveludados e sedosos. O vinho tem corpo, tem taninos, tem acidez, mas tudo se conjunga para o enorme prazer de quem tem a oportunidade de o beber. Termina longo e cheio de sabor. Belo vinho.
Nota 18,5

Acabou-se com um vintage. Mas acreditem que me fixei de tal maneira numa tarde de Limão merengada, que quando já tinha saído é que reparei que nem o tinha bebido. Enfim, nem só de vinho vive o Homem. Grande visita e sobretudo grande recepção por parta da família Olazabal.

Ficaram para o caminho, e para o combóio, as castanhas assadas, no Meão.......



domingo, 1 de novembro de 2009

European Wine Bloggers Conference


Terminou hoje um périplo de 3 dias à volta do vinho e dos Wine Bloggers.
Foram muitos que responderam à chamada deste evento, aliás, foram bem mais do que se estava à espera. Estavam presentes muitos Blogs de Vinho (obviamente), produtores, distribuidores, Entidades responsáveis pela promoção do Vinho, Traders e até mesmo responsáveis por Portais associados ao sector. Muitas ideias diferentes e maneiras de pensar diferentes. O que ajudou e bastante a discussão.

Hoje muita conversa em torno do Vinho, muitas conversas em torno da comunidade Wine Blogger. Foram boas conversas. Fiquei a perceber um pouco melhor como são vistos os blogs lá fora e até mesmo cá dentro.

Ora bem, mas então do que é que se falou? Além das sessões tecnológicas, que não presenciei, uma vez que funcionavam ao mesmo tempo que as relacionadas com a comunidade, houve muita conversa em torno da comunidade Wine Blogger e a sua relação com o consumidor e com os produtores. Foi nestas sessões, que pecaram por ser pouco longas, que saíram ideias bem interessantes, nomeadamente, a ideia de que os produtores, distribuidores e entidades dos sector que estavam presentes, consideram os Blogs como Crítica e Jornalismo de Vinho. A ideia era de que se alguém que escreve sobre um vinho, está a dizer se é bom ou se é mau, está a criticá-lo, ou a questão amostras, a eterna questão das amostras, onde fiquei com a ideia de que a maioria dos produtores não percebe bem como chegar a um blog, no sentido de enviar amostras. Ou seja, os produtores ainda não percebem se podem/devem enviar amostras para os diversos blogs, uma vez que também não percebem quem quer receber amostras e quem quer apenas falar sobre vinhos que consome. Interessante esta dualidade de blogs que pode existir.


Mas falou-se muito mais, falou-se da necessidade de um blog trabalhar muito mais, de bloggar mais, de criar uma união internacional com outros blogs, de se acercar de entidades e de se relacionar com produtores, sob o pretexto de obter uma melhor qualidade no que escreve, uma melhor audiência e sobretudo uma melhor reputação junto de quem o lê e sobre o que escreve.

Houve ainda tempo para várias provas. Houve a prova dos Douro Boys, houve prova livre com algumas dezenas de produtores que quiseram estar presentes. Houve prova comentada pelo Charles Metcalfe, e vários vinhos que acompanharam as refeições. Ao todo foram umas largas dezenas de vinhos que todos tiveram oportunidade de provar. Assim de repente, além dos Douro Boys, passaram por lá o Esporão, José Maria da Fonseca, Cortes de Cima, Quevedo, Sogrape, Luis Pato, Covela, àlvaro Castro, Quinta dos Termos, Provam, Borges, Vale d'Algares, Lagar de Darei, Quinta dos Roques, etc.

Acabei por falar com a maioria dos produtores e a todos perguntei o que fazim por ali, e o que pensavam deste tipo de comuniação. As respostam foram sempre positivas, mas fiquei sempre com a sensação de que uma boa parte dos produtores estaria ali para verificar como funcionava a coisa. Acredito que sairam com excelente opinião, pois todos encontraram uma comunidade muito interessada, muito proactiva e muito aberta.

Também se notou muito a esmagadora ausência da comunidade Wine Blogger Nacional, ainda por cima, por parte de alguns produtores nacionais. Enfim, não ve a pena falar muito mais sobre essa questão. Mas fiquei com imensa pena de não poder contar com eles.

Foi um excelente evento, um evento divertido, conheceram-se outras pessoas com os mesmos gostos que nós, conheceram-se outros produtores. Foi muito proveitoso e espero poder estar na próxima.
A organização esteve impecável, especialmente no timming, com praticamente nenhum atraso. O suporte tecnológico, que esteve a cargo dos Addega, esteve ao nível de qualquer outra conferência.

Algumas imagens:

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Grande Prova Porto Vintage 2007

Está será uma das raras oportunidades de se provarem tantos Porto Vintage, cerca de 40 casas vão estar representadas, num só espaço.
O Instituto do Vinho do Douro e Porto (IVDP), a Associação de Empresas do Vinho do Porto (AEVP) e a Essência do Vinho, organizam esta Grande Prova de Vintage Porto, no dia 23 de Outubro, a partir das 17h, no Palácio da Bolsa, no Porto.
Uma excelente oportunidade para provar os vinhos desta fantástica colheita.
A não perder.....


A entrada tem um valor de 5€, que inclui um copo Siza Vieira de Vinho do Porto.


Ver notícia original aqui

domingo, 11 de outubro de 2009

Obsessão

Começou por ter o nome provável de Garrafeira, mas acabou por ser Obsessão. A equipa da Altas Quintas, lança agora um vinho muito especial, da colheita de 2004, um vinho que se pretende que seja o topo de gama da casa, apenas feito em anos considerados superiores.



Altas Quintas Obsessão 2004
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço - A partir dos 48€
Feito a partir das castas Alicante Bouschet e Trincadeira, este vinho estagiou em barricas novas de carvalho francês, por 22 meses, sendo a meio de 2006 engarrafado e prepara-se agora para ser lançado.
Opaco na cor. Apresenta de inicio sugestões de fruto maduro, bacon e apontamentos minerais. O Aroma mostra profundidade e densidade. Curiosa a frescura e as notas de barrica que ainda vão aparecendo.
Na boca mostra-se um vinho muito cheio, encorpado e novamente profundo. Na boca mostra-se mais e potente, mas sem na minha opinião cair num exagero. Achei o vinho bastante equilibrado. O corpo do vinho sustenta quer a acidez proeminente e quer os taninos abundantes mas finos. O final é seco e longo. Um vinho muito sério.
Prepara-se agora para ser lançado após mais de 3 anos de estágio em garrafa. O vinho obviamente que ganhou com isso, e penso que esteja numa boa altura para ser bebido, apesar da juventude mostrada. Recomenda-se comida por perto, pois este vinho, no meu entender, não serve para se beber a solo.
Nota 17,5

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Quinta das Marias, os Tintos

Volto à Quinta da Marias, desta feita com os tintos. O produtor continua a apostar no trio de ataque da casa, um Touriga Nacional, um Alfrocheiro e um blend de Touriga Nacional e Tinta Roriz, de seu nome Cuveé TT, que aliás acabou por ser a maior estrela nesta prova que fiz.



Quinta das Marias Reserva Cuveé TT 2007
Produtor - Quinta das Marias
Região - Dão
Grau - 13,5% vol
Preço - a partir de 12€
Feito a partir das castas Tinta Roriz (60%) e Touriga Nacional (40%), este vinho estagiou em barricas de carvalho francês e americano, de primeiro e segundo ano, por 12 meses.
Uma guerra entre 2 mundos, entre duas castas. Nenhuma sai vencedora. O vinho começa por mostrar as notas florais da touriga, depois, o fruto denso da Tinta Roriz. Aqui está tudo em equilíbrio. Para já nenhuma das "artistas" se sobrepõe à outra. Aparecem depois as notas licoradas, as notas de barrica, mas tudo num apontamento com frescura.
Na boca o volume não é exagerado, como a côr opaca o poderia sugerir. Ao invés, toda prova de boca deste vinho tem um pendor de elegância, de fineza, de requinte e de frescura.
Muitíssimo bem, fantástico vinho.
Nota 17,5



Quinta das Marias Reserva Touriga Nacional 2007
Produtor - Quinta das Marias
Região - Dão
Grau - 13,5% vol
Preço - a partir de 15€
Tal como indica o rótulo, este vinho é um monocasta de Touriga Nacional. Estagiou por 12 meses em barricas novas de carvalho francês.
Aroma muito limpo, muito definido, com notas de fruto preto, flores e ligeiros apontamentos de chocolate. Parece-me uma Touriga muito bem desenhada, não caindo em quaisquer exageros. Está um pouco longe da colheita 2005, e neste caso podemos dizer que está longe em termos de exuberância, mas também no grau alcoólico que ostenta. Ganha em frescura. A barrica esta muito bem integrada, não incomoda.
Na boca mostra-se denso, profundo e robusto. Os taninos estão presentes mas são muito finos, não ferem e a acidez muito correcta e um final longo com apontamentos vegetais. Precisa de tempo, pois estou em crer que que resultará daqui um belo vinho.
Nota 17

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