domingo, 1 de novembro de 2009

European Wine Bloggers Conference


Terminou hoje um périplo de 3 dias à volta do vinho e dos Wine Bloggers.
Foram muitos que responderam à chamada deste evento, aliás, foram bem mais do que se estava à espera. Estavam presentes muitos Blogs de Vinho (obviamente), produtores, distribuidores, Entidades responsáveis pela promoção do Vinho, Traders e até mesmo responsáveis por Portais associados ao sector. Muitas ideias diferentes e maneiras de pensar diferentes. O que ajudou e bastante a discussão.

Hoje muita conversa em torno do Vinho, muitas conversas em torno da comunidade Wine Blogger. Foram boas conversas. Fiquei a perceber um pouco melhor como são vistos os blogs lá fora e até mesmo cá dentro.

Ora bem, mas então do que é que se falou? Além das sessões tecnológicas, que não presenciei, uma vez que funcionavam ao mesmo tempo que as relacionadas com a comunidade, houve muita conversa em torno da comunidade Wine Blogger e a sua relação com o consumidor e com os produtores. Foi nestas sessões, que pecaram por ser pouco longas, que saíram ideias bem interessantes, nomeadamente, a ideia de que os produtores, distribuidores e entidades dos sector que estavam presentes, consideram os Blogs como Crítica e Jornalismo de Vinho. A ideia era de que se alguém que escreve sobre um vinho, está a dizer se é bom ou se é mau, está a criticá-lo, ou a questão amostras, a eterna questão das amostras, onde fiquei com a ideia de que a maioria dos produtores não percebe bem como chegar a um blog, no sentido de enviar amostras. Ou seja, os produtores ainda não percebem se podem/devem enviar amostras para os diversos blogs, uma vez que também não percebem quem quer receber amostras e quem quer apenas falar sobre vinhos que consome. Interessante esta dualidade de blogs que pode existir.


Mas falou-se muito mais, falou-se da necessidade de um blog trabalhar muito mais, de bloggar mais, de criar uma união internacional com outros blogs, de se acercar de entidades e de se relacionar com produtores, sob o pretexto de obter uma melhor qualidade no que escreve, uma melhor audiência e sobretudo uma melhor reputação junto de quem o lê e sobre o que escreve.

Houve ainda tempo para várias provas. Houve a prova dos Douro Boys, houve prova livre com algumas dezenas de produtores que quiseram estar presentes. Houve prova comentada pelo Charles Metcalfe, e vários vinhos que acompanharam as refeições. Ao todo foram umas largas dezenas de vinhos que todos tiveram oportunidade de provar. Assim de repente, além dos Douro Boys, passaram por lá o Esporão, José Maria da Fonseca, Cortes de Cima, Quevedo, Sogrape, Luis Pato, Covela, àlvaro Castro, Quinta dos Termos, Provam, Borges, Vale d'Algares, Lagar de Darei, Quinta dos Roques, etc.

Acabei por falar com a maioria dos produtores e a todos perguntei o que fazim por ali, e o que pensavam deste tipo de comuniação. As respostam foram sempre positivas, mas fiquei sempre com a sensação de que uma boa parte dos produtores estaria ali para verificar como funcionava a coisa. Acredito que sairam com excelente opinião, pois todos encontraram uma comunidade muito interessada, muito proactiva e muito aberta.

Também se notou muito a esmagadora ausência da comunidade Wine Blogger Nacional, ainda por cima, por parte de alguns produtores nacionais. Enfim, não ve a pena falar muito mais sobre essa questão. Mas fiquei com imensa pena de não poder contar com eles.

Foi um excelente evento, um evento divertido, conheceram-se outras pessoas com os mesmos gostos que nós, conheceram-se outros produtores. Foi muito proveitoso e espero poder estar na próxima.
A organização esteve impecável, especialmente no timming, com praticamente nenhum atraso. O suporte tecnológico, que esteve a cargo dos Addega, esteve ao nível de qualquer outra conferência.

Algumas imagens:

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Grande Prova Porto Vintage 2007

Está será uma das raras oportunidades de se provarem tantos Porto Vintage, cerca de 40 casas vão estar representadas, num só espaço.
O Instituto do Vinho do Douro e Porto (IVDP), a Associação de Empresas do Vinho do Porto (AEVP) e a Essência do Vinho, organizam esta Grande Prova de Vintage Porto, no dia 23 de Outubro, a partir das 17h, no Palácio da Bolsa, no Porto.
Uma excelente oportunidade para provar os vinhos desta fantástica colheita.
A não perder.....


A entrada tem um valor de 5€, que inclui um copo Siza Vieira de Vinho do Porto.


Ver notícia original aqui

domingo, 11 de outubro de 2009

Obsessão

Começou por ter o nome provável de Garrafeira, mas acabou por ser Obsessão. A equipa da Altas Quintas, lança agora um vinho muito especial, da colheita de 2004, um vinho que se pretende que seja o topo de gama da casa, apenas feito em anos considerados superiores.



Altas Quintas Obsessão 2004
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço - A partir dos 48€
Feito a partir das castas Alicante Bouschet e Trincadeira, este vinho estagiou em barricas novas de carvalho francês, por 22 meses, sendo a meio de 2006 engarrafado e prepara-se agora para ser lançado.
Opaco na cor. Apresenta de inicio sugestões de fruto maduro, bacon e apontamentos minerais. O Aroma mostra profundidade e densidade. Curiosa a frescura e as notas de barrica que ainda vão aparecendo.
Na boca mostra-se um vinho muito cheio, encorpado e novamente profundo. Na boca mostra-se mais e potente, mas sem na minha opinião cair num exagero. Achei o vinho bastante equilibrado. O corpo do vinho sustenta quer a acidez proeminente e quer os taninos abundantes mas finos. O final é seco e longo. Um vinho muito sério.
Prepara-se agora para ser lançado após mais de 3 anos de estágio em garrafa. O vinho obviamente que ganhou com isso, e penso que esteja numa boa altura para ser bebido, apesar da juventude mostrada. Recomenda-se comida por perto, pois este vinho, no meu entender, não serve para se beber a solo.
Nota 17,5

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Quinta das Marias, os Tintos

Volto à Quinta da Marias, desta feita com os tintos. O produtor continua a apostar no trio de ataque da casa, um Touriga Nacional, um Alfrocheiro e um blend de Touriga Nacional e Tinta Roriz, de seu nome Cuveé TT, que aliás acabou por ser a maior estrela nesta prova que fiz.



Quinta das Marias Reserva Cuveé TT 2007
Produtor - Quinta das Marias
Região - Dão
Grau - 13,5% vol
Preço - a partir de 12€
Feito a partir das castas Tinta Roriz (60%) e Touriga Nacional (40%), este vinho estagiou em barricas de carvalho francês e americano, de primeiro e segundo ano, por 12 meses.
Uma guerra entre 2 mundos, entre duas castas. Nenhuma sai vencedora. O vinho começa por mostrar as notas florais da touriga, depois, o fruto denso da Tinta Roriz. Aqui está tudo em equilíbrio. Para já nenhuma das "artistas" se sobrepõe à outra. Aparecem depois as notas licoradas, as notas de barrica, mas tudo num apontamento com frescura.
Na boca o volume não é exagerado, como a côr opaca o poderia sugerir. Ao invés, toda prova de boca deste vinho tem um pendor de elegância, de fineza, de requinte e de frescura.
Muitíssimo bem, fantástico vinho.
Nota 17,5



Quinta das Marias Reserva Touriga Nacional 2007
Produtor - Quinta das Marias
Região - Dão
Grau - 13,5% vol
Preço - a partir de 15€
Tal como indica o rótulo, este vinho é um monocasta de Touriga Nacional. Estagiou por 12 meses em barricas novas de carvalho francês.
Aroma muito limpo, muito definido, com notas de fruto preto, flores e ligeiros apontamentos de chocolate. Parece-me uma Touriga muito bem desenhada, não caindo em quaisquer exageros. Está um pouco longe da colheita 2005, e neste caso podemos dizer que está longe em termos de exuberância, mas também no grau alcoólico que ostenta. Ganha em frescura. A barrica esta muito bem integrada, não incomoda.
Na boca mostra-se denso, profundo e robusto. Os taninos estão presentes mas são muito finos, não ferem e a acidez muito correcta e um final longo com apontamentos vegetais. Precisa de tempo, pois estou em crer que que resultará daqui um belo vinho.
Nota 17

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Quinta das Marias, os brancos

Volto novamente à prova dos vinhos da Quinta das Marias, no Dão. Após uma série de sucessos, que confirmaram a Quinta das Marias como um dos grandes produtores na região do Dão, volto novamente a provar os vinhos desta casa. Para já só os brancos, de seguida voltarei com os tintos, que novamente me impressionaram pela frescura, e neste ano pela acidez. A filosofia e o perfil da casa já foram achados e parecem-me que são para manter. Nos brancos, que agora provo, continuo a verificar a qualidade com que nos vêm habituando e a reiterar o enorme potencial do Dão.


Quinta das Marias Encruzado 2008
Produtor - Quinta das Marias
Região - Dão
Grau - 14% vol
Preço - 10€
Feito a partir da casta Encruzado, este vinho fermentou e estagiou em inox.
Aroma contido, perdeu toda aquela exuberância que de certo modo caracterizava o "sem barricas" no inicio do engarrafamento. Está muito bem nos aromas, com notas citrinas, vegetais, e muita frescura.
Boca de belo efeito com a acidez a comandar toda a prova, alguma frescura e sensação de cremosidade. Muito bom.
Um bom exemplo da versatilidade dos vinhos feitos de encruzado. Pessoalmente prefiro quando têm passagem por madeira, pois, se bem feitos, não perdem a frescura e ganham maior complexidade. Ainda assim, este é um excelente exemplo do que se pode fazer com um encruzado que só passa por inox. Um vinho fresco, ainda que com grau alcoólico elevado, subtil e irresistível. Muito bem.
Nota 16


Quinta das Marias Encruzado "Fermentado em Barricas" 2008
Produtor - Quinta das Marias
Região - Dão
Grau - 13,5% vol
Preço - 14€
Feito a partir da casta Encruzado, este vinho fermentou e estagiou em barricas novas de carvalho francês, durante 6 meses.
Aroma marcado pela madeira mas sem exagero. Notas fumadas, raspas de Coco, ananás em calda, fruto de caroço, vegetal e um conjunto de enorme frescura.
Assim que o metemos na boca, verificamos uma acidez proeminente. O vinho ganha nervo e tensão, mas ao mesmo tempo frescura. Muito saboroso, mostra que a barrica aqui está melhor integrada. A acidez vincada faz-nos salivar e ansiar pelo próximo trago. Excelente na sensação cremosa e com final longo e nervoso. Muito bem.
Novamente um belíssimo branco do dão. Frescura, complexidade e sabor. Que mais se pode querer? Bem, talvez um pouco mais de produção pois 1800 garrafas tornam este belo vinho num dos chamados "vinhos de garagem". A não perder
Nota 17,5

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Hoje despedi-me de um Amigo




Foi com muito pesar que nos despedimos hoje de António Carvalho.
Uns conhecerão a sua obra, seus vinhos, na sua querida Casal Figueira, outros conhecerão o Homem e o seu carácter, e alguns, conhecerão porventura a Obra e o Homem. Eu tive o privilégio de conhecer ambas.
Na sua obra, ou seja, nos seus vinhos conheci vinhos impressionantes, na singularidade, na irreverência e no carácter. Sempre espelharam o seu criador.
No Homem, conheci um dos seres humanos mais apaixonados, pela terra, pelo seu fruto, pela família, enfim, pela sua vida. Pois foi por ironia do destino que, a fazer o que mais amava, sucumbiu. Perdeu-se um amigo, uma obra e finalmente um grande Homem.

Nunca lhe vi tristeza, nunca lhe vi desilusão, nunca lhe vi qualquer espécie de desânimo. O António não era desses. Sempre de cabeça levantada, sempre risonho e sempre amigo. Lembro-me que desde que o conheci, que cada vez que me ligava, antes mesmo de um cumprimento verbal, soltava sempre uma gargalhada que invariavelmente acabava por ser o nosso inicio de conversa.
Tenho óptimas lembranças dele nos nossos jantares, almoços ou lanches, que duravam horas e horas e sempre cheios de boa disposição. Era contagiante para todos os que privavam com ele.

Tudo boas recordações do António, mas sempre houve algo com que me deleitava quando estava com ele. A sua paixão pelos seus vinhos. É certo que nunca fez os melhores vinhos do mundo, pois não existem, mas para ele eram tudo. Na sua simplicidade, outra grande virtude dele, sempre afirmou que adorava os seus vinhos, e no seu coração sei que eram enormes.
Pois eu digo-te amigo que fui tocado por eles e que sinto muito que não possas continuar a tocar-me.
Haveria tanto para dizer sobre o António, tanta coisa boa, mas acabam-se por me faltar palavras.
Já sinto imenso a sua falta. Mas creio que aquilo que fez, aquilo que nos deixou, jamais será esquecido.

A ti António, o meu profundo agradecimento pela Amizade, pelo enorme sorriso, pela irreverência, pela simplicidade, pela verdade. Como disse ontem, e muitíssimo bem, Luís Ramos Lopes, o Vinhos em Portugal, sem ti, fica muito mais igual. Todos irão nós, amantes do vinho, iremos sentir a tua falta. Até sempre.....

Algumas imagens que espelham bem os momentos que passámos juntos.










segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O carismático Petrvs

Não é nada fácil ter um vinho destes, que por pura sorte cacei, na garrafeira e não sentir-se tentado a abrir a única e preciosa garrafa que lá mora. A pressão é diária, abre-se todos os dias a cave climatizada, coloca-se a mão em cima e diz-se para dentro, é hoje, para logo de seguida vir o bom senso que nos diz, espera, guarda-a mais um pouco. Foram assim os meus dias durante duas semanas, o tempo que consegui resistir à tentação imediata. Para isso também contribuiu um bom amigo, que não parava de dizer, traz isso pá.


E assim lá foi o dia de "São Petrvs". Éramos seis amigos para o desvendar, seis almas ansiosas por sentir a transformação . Poder-se-à afirmar que isto são só manias à volta de um vinho, que nem merece o preço que dão por ele, mas, todos aqueles que gostam de vinho, que conhecem um pouco de vinho, gostariam de um dia provar um destes monstros sagrados. Eu afirmo, sem qualquer demagogia, que faço parte daqueles que procuram o "Santo Graal".

A colheita era de 96, um dos grandes anos no Médoc, mas nada mau em Pomerol. Os mais conceituados críticos internacionais, afirmam que apesar de não se tratar de um clássico, a esses nunca chegarei, é daqueles que perdurará por muitos e muitos anos. Robert Parker chamou-lhe de Mamute. Infelizmente lá tive de o "matar" ainda muito jovem, mas sem qualquer arrependimento. O vinho estava soberbo. Amor à primeira vista e à primeira cheiradela. Complexo, bruto e profundo. Confesso que esperava algo mais exótico, mas não, nada disso, este vinho é precisão e nervo. Fechado de início, desenvolveu mais tarde aromas de terra, sugestões minerais, de flores e de ervas aromáticas. Na boca "caiu o Carmo e a Trindade." Poderosíssimo, muito jovem, os taninos são impressionantes, absolutamente impressionantes, firmes mas muito fineza e precisão incríveis. Estava mesmo muito bom este vinho, e a julgar pelo que bebi, parece que só agora começa a dar os seus primeiros passos.

Não bebemos o vinho todo e guardámos um pouco para ver a evolução no dia seguinte. Maldita hora o fizemos. O vinho estava muito mau, oxidado, desconjuntado, nem parecia a madrinha. Um aviso à navegação, não deixem para amanhã, o que podem fazer hoje. Lição aprendida.



terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um oásis em Albernoa




Estavam chegadas as férias e como em todos os anos, pelo menos ultimamente, começo a tentar convencer a família a ir para um lugar, onde haja piscina, praia, sol, calor e no meu caso pricipalmente, vinho. Esta é uma tarefa àrdua pois a atenção que é desviada da familía em muitos fins de semana, durante um ano quase inteiro, é reclamada na sua totalidade agora em férias.
Este ano, até que foi fácil. Bastou ir ao site da Malhadinha, e...pimba, já estavam convencidos. O site da desta Herdade é de tal maneira "guloso", que se torna difícil resistir.

O caminho para a Malhadinha, pelo IC2 que liga a A2 a Beja, é bem alentejano. Quase, e só, a dourada planície de pasto repleta de sobreiros, e aqui e ali, pincelada por pequenas manadas e populações. Após umas dezenas de quilómetros e já ansiava pelo verde das vinhas. Alguns minutos antes de Albernoa, eis que se vislumbra o oásis de verde, a contrastar completamente com a paisagem a que estávamos habituados pelo caminho.

O Herdade da Malhadinha é composta por duas realidades bem distintas, a do Vinho, onde se conta a adega, e a do Country House & SPA. Comecemos pois pela segunda:




O Country House & SPA, é simplesmente uma delicia. Tudo pensado ao pormenor para agradar que lá passa uns calmos e revigorantes dias. Dá para pensar, olhando para os limites dos montes, dá para ler os inúmeros livros dedicados ao Vinho, que por lá clamam quem lhes pegue. Dá para adormecer, numas das camas ao ar livre. Ali, tudo tem como único propósito, agradar os clientes. Tudo é pensado para o nosso conforto. Um Show.


A Piscina, que me fez lembrar de certa maneira a da Quinta do Crasto, é um ex-libris. Debruça-se sobre as vinhas e tem uma temperatura controlada, que nos dias de mais calor refresca sobremaneira e nos dias mais frios torna-se acolhedora.


O staff é incansável e atencioso. O pequeno almoço é genial, com recurso a excelentes produtos feitos na casa. Conta-se o pão, a fruta sempre fresca, as compotas, os enchidos e imagine-se, o presunto Sanchez Romero, que é simplesmente um vício.
Nas horas de menos calor, nomeadamente logo pela manhã, existem inúmeras actividades como, passeios de bicicleta ou de jipe, pela Herdade e ainda acções mais variadas como Workshops de cozinha, dança do ventre ou mesmo de trabalhos em barro. Todas as semanas é diferente, o que diz bem do dinamismo que imprimem neste "Hotel de Charme".


À noite começa a magia e o mágico de serviço é o Chef Vitor Claro, que com a simplicidade que lhe é característica e com a excelente matéria prima de que dispõe, consegue manter junto de si, todos os clientes alojados no Country House. Cheguei a pensar inúmeras vezes como era possível, com tal simplicidade, ter uma cozinha tão arrebatadora. O Chef Vitor Claro foi feito para este lugar e este lugar para ele. Brilhante na cozinha, sem grande protagonismos e excessos desnecessários, podemos ter a certeza de que cada jantar será diferente, mas repleto de sabor. Aconselho vivamente.

Não há muitas palavras que possam descrever fielmente os dias que por ali passei, mas fica aqui a sugestão para que, quem possa, assim a carteira o permita, ir deliciar-se "in loco" com este idílico lugar, bem no meio do Alentejo. Fabuloso.




Quando lá estive, a meio de Agosto, já se vindimava forte e feio. O calor abrasador, e a consequente escalada nas maturações, ditou que as vindimas começassem mais cedo. Quando lá cheguei já os brancos já estavam na sua maioria dentro da adega e começavam a chegar os tintos em força. Provei algumas uvas, que me pareceram muito bem de saúde. A ver vamos o resultado desta vindima de 2009.

Mas estas duas vertentes são apenas as principais que compõem a Herdade da Malhadinha. Existem ainda mais áreas de negócio, como o Porco Preto, que é na sua totalidade adquirido pela Sanchez Romero Carvajal, com excepção de uma quantidade residual que serve o Restaurante da Casa. As Vacas Alentejanas e ainda a velha paixão, mas ainda um pequeno e recente negócio, da família Soares, que é a criação de Cavalos Lusitanos.

Em conversa com João Soares cheguei a perguntar-lhe como tinha chegado até aqui? Poderia dizer que foi o destino, que foi a paixão, mas na realidade o João e seu irmão Paulo já conheciam bem esta herdade deste muito jovens. Contou-me que era ali mesmo que com 15 anos vinham caçar, outra paixão dos irmão Soares. Na altura, esta Herdade, que já tinha o nome de Malhadinha, estava completamente abandonada, com apenas a lembrança do que em tempos foi uma casa, e desde que se lembram, uma ruína que por ali teimava em permanecer. Quando procuravam um local para assentar arrais, voltaram ao mesmo local onde sempre caçaram, que sempre conheceram, e, mesmo sem quaisquer vinhedos como referência nas imediações (curiosamente bem pertinho, e ao mesmo tempo, nasceu um projecto de vinho e enoturismo)., iniciaram um projecto de vida. Um tiro no escuro? Não, nada disso. Acercaram-se, aliás, convenceram o Enólogo Luís Duarte, fizeram análises aos solos e meteram de imediato mãos à obra. Como sempre, e tendo como referência o próspero negócio de sempre, das Garrafeiras Soares, conseguiram levar a cabo mais um projecto de enorme sucesso.

Como é óbvio, não podia deixar de falar dos vinhos, que acabei por beber no Restaurante. Fiquei com excelente impressão dos brancos de 2008 e dos tintos de 2007.

O Peceguina branco 2008
Está imbatível na relação qualidade/preço. Ganhou alguma complexidade, mercê da inclusão de Viognier no lote, mostra notas anisadas, citrinas e vegetais, mas é na frescura que tem o maior aliado. Na boca tem tem bom volume, frescura e equilíbrio.
Nota 16

O Malhadinha 2008 branco
Ganhou mais frescura, maior profundidade e está um senhor branco.
Aroma muito fresco, com notas vegetais reconfortantes. Fruto delicado e definido. Mineral e com as notas de barrica muito bem integradas. Aqui houve trabalho. Na boca mostra-se com excelente volume e alguma contenção. Acidez perfeita e equilíbrio excelente. Belo branco.
Nota 17,5

Malhadinha 2007
Pareceu muito mais intenso que nos anos anteriores, mercê de uma Touriga Nacional de enorme qualidade. É fresco, de fruto bem maduro. É preciso e bem desenhado.
Enorme no sabor e na persistência. Muito bem.
Nota 17

Ainda bebi o Malhadinha 2003, que esteve muito bem e achei que estava num momento excelente para se beber e o Marias da Malhadinha 2004, que junta o exotismo e o carácter com uma enorme complexidade. Estava soberbo no nariz. Na boca, ainda jovem e algo quente, a mostrar que pode muito bem aguentar mais uns anos em cave.


Resumindo, um local maravilhoso para se passarem uns dias, para relaxar e ser literalmente servido do melhor. Para quem gosta de vinho, uma adega e uns vinhos de enorme categoria. Que mais se pode querer? Fiquei com enorme vontade de voltar ao Country House e também à adega pois provei boas coisas nas barricas.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Crise? Qual Crise?

Optimas notícias que vêm da Inglaterra. Segundo a conhecida publicação de vinhos Inglesa, Decanter, o vinho do Porto Vintage 2007 está a "furar" a crise financeira no UK.
Segundo a mesma, e com os afirmações dos responsáveis das maiores empresas de Vinho do Porto, a demanda pelos seus Vintage 2007 é tal que os seus stocks alocados à campanha "en primeur" já esgotaram, ou tiveram de ser reforçados.
Ainda segundo esta publicação, no mercado Norte Americano, as vendas de Vintage 2007, encontram-se ainda estagnadas, justificando o facto com o cautelismo dos compradores Norte Americanos.
Ver notícia original aqui

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

12 Alentejanos de Topo

Foi numa prova realizada na CVR do Alentejo, que tive oportunidade de rever alguns vinhos e provar algumas novidades de vinhos Alentejanos. A ideia era mostrar o que de melhor se faz no Alentejo, sendo obviamente uma amostra reduzida, uma vez que decerto o Alentejo tem mais vinhos de topo para mostrar.Por ordem de prova:

Herdade de Esporão Private Selection 2005
Marcado pelas notas de barrica, sem ferirem demasiado o conjunto. Cheio de intensidade, com notas de fruto maduro, notas minerais e de especiarias.
Encorpado na boca, com taninos muito finos e já muito bem integrados. Final muito longo.
Curiosamente o nariz sugere alguma paciência com o vinho, mas já se encontra bem resolvido na boca. Belo Vinho.
Nota 17,5


Paulo Laureano Alicante Bouschet 2005
É daqueles vinhos em que tudo está em excesso. O fruto é muito maduro, com notas de ginja e de cereja preta, parece tudo muito levado ao extremo. Aparece também com pendor muito mineral.
Muito poderoso na boca, encorpado com taninos firmes e poderosos. Final longo e pujante.
É daqueles vinhos que, não indo de encontro às minhas preferências pessoais, não podemos desconsiderar. É bom vinho, não haja dúvidas, mas para quem gosta de emoções mais fortes. Finalmente, tenho algumas reticências quanto a uma guarda prolongada.
Nota 16,5


Casa Santa Vitória Reserva 2005
Aroma muito floral a marcar o inicio da prova, coadjuvado com o fruto maduro e alguma sensação de frescura. Muito equilibrado e cativante.
Muito bem, na boca, a mostrar equilíbrio, com taninos sedosos e resolvidos, com um final longo.
Nota 17


Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2005
Na minha opinião, o melhor da prova. Este vinho impressiona em todos os aspectos. Belo no aroma, com extrema definição e precisão. Fruto maduro, licor, especiaria. Intensidade, profundidade e densidade.
Na boca ainda muito jovem, robusto e imponente apesar de mostrar um conjunto cheio de fineza e classe. Final muito longo.
Nota 18,5


Herdade da Malhadinha "Malhadinha" 2006
Vinho muito perfumado, com algumas notas de barrica, notas florais e licoradas. O vinho em si é algo quente, mas mostrava bafos de frescura bem curiosos.
Na boca todo ele é sabor e sedução. Apresenta-se com os taninos redondos e sedosos, que acompanham um final ligeiramente vegetal e longo. Está num momento fantástico para se beber.
Nota 17


Dona Maria Reserva 2005
Intenso no aroma, com notas de fruto negro, notas minerais e com algum tempo notas florais. Equilibrado e enormemente sedutor no nariz.
Saboroso na boca, novamente intenso. Fino e muito expressivo. Final longo. Belíssimo vinho.
Nota 17,5


Herdade do Zambujeiro "Zambujeiro" 2004
Ainda muito jovem. Na nariz mostra a tal vertente especiada e com alcaçuz, que sempre encontro neste vinho. Aparece o fruto negro e ainda a presença de algumas notas de barrica por integrar. O conjunto é profundo.
Ainda mais jovem na prova de boca. Potente, encorpado e com taninos ainda muito presentes.
Ainda precisa de tempo.
Nota 17,5


Quinta do Carmo Reserva 2004
Muito fechado no nariz. Pouco dialogante e expressivo. Lá se arrancavam umas notas de fruto.
Muito melhor na boca, mas ainda assim, os taninos eram demasiado marcantes. Pareceu-me madurão. Não se mostrou nada bem.
Nota 15,5


Herdade do Monte da Cal Vinha de Saturno 2004
Aroma muito estranho. Fechado, algumas notas minerais e de resto tudo tapado com notas de aromas animais.
Boca com muito sabor, mas condicionada pelo retrogosto com as lembranças animais. Gostei dos taninos do vinho. Finos e expressivos. Final longo
Deste vinho foram abertas 2 garrafas, que se mostraram na mesma condição.
Nota 16


Vale do Ancho 2004
Rico no aroma, com notas de fruto maduro, torrefacção e mina de lápis. O vinho é equilibrado, algo quente, mas pouco sedutor.
Boca com taninos redondos, bom volume e densidade. Muito bom vinho, mas falta-lhe alguma garra e excitação.
Nota 16,5


Cortes de Cima Reserva 2004
Muito complexo. Delicioso na fruta, nas notas de especiaria e no completo equilíbrio na madeira. Este é daqueles vinhos que têm tanto sabor, que é difícil não ficarmos apaixonados. No entanto fico sempre com a sensação de que a linha que divide um vinho de muito sabor a um vinho enjoativo é muito ténue.
Não sendo tão rico, como a versão de 2003, este acaba por ser mais equilibrado e mais fino.
Boca novamente cheia de sabor que assenta na riqueza do fruto e na expressividade do conjunto. Final longo.
Nota 17,5


Herdade do Mouchão "Mouchão" 2003
Começou muito discreto. Com o tempo abriu para um vinho cheio de intensidade, denso no fruto, nos aromas da barrica e nos aroma vegetais. Aroma cheio de profundidade.
Apresentou-se delicioso na boca, cheio, rebelde mas equilibrado. Taninos ainda presentes mas com carácter e fineza. Final muito longo e equilibrado.
Nota 17,5


Assim foi uma prova dos chamados topos de gama da Região do Alentejo. Existem grandes vinhos a nascer no alentejo. Uns com melhor relação Qualidade/Preço que outros mas o que é certo é que a maioria dos topos do Alentejo, nem todos como se pude observar, estão muito bem e recomendam-se.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

E foi assim há 214 anos......


Já contava as semanas, os dias, as horas para o chegar deste dia. Cheguei a sonhar com o momento. A ansiedade, o nervosismo, a antecipação, tomavam conta de mim. Não era caso para menos, pois ia satisfazer um sonho de há muito. Beber um madeira do Séc. 18.
Ainda mesmo antes do evento, para mim solene, de beber um vinho histórico, pesquisei o que se passou pelo ano de 1795, o ano em que nasceu este vinho, um Real Vinícola da Madeira Terrantez 1795.
Em Portugal era D. João VI, O Clemente, que como regente, em virtude da doença de Sua Alteza Real D. Maria I, governava Portugal. Na Europa fervilhavam as revoluções, e em França, morria Luís XVII, filho de Maria Antonieta, com apenas 10 anos. Em breve iniciaria-se a era Napoleão Bonaparte. Enfim, foi há 214 que nasceu este vinho.
Estava chegado o dia. Cada um dos presentes, todos amigos, tinha a missão de trazer algo especial, que pudesse acompanhar o actor principal da noite, também ele trazido por um dos presentes. Uma noite inesquecível....





Começávamos, ainda com luz solar, com o Champagne da praxe. O eleito foi um Billecart Salmon Blanc de Blancs 1998. Que bela maneira de começar. O vinho nem parece já ter 11 anos. Jovem, muito jovem, ainda muito primário e explosivo na boca. É bom que se farta, mas precisa de tempo para ganhar muito mais.
Sem mais demoras, e já com o primeiro prato às mãos, veio um duelo, às cegas. Leoville las Cases 92 vs Chateau Montelena Cabernet Sauvignon 92. Apontámos quase todos, no caso do Leoville, para anos 80. O vinho estava algo evoluído, mas mostrava uma fineza, uma precisão invejável. Já o Montelena, menos evoluído na cor, mostrava-se um vinho quente, algo bruto, mas ainda assim, equilibrado, vivo e com enorme potencial. Gostei mais do Leoville, pelo momento perfeito em que se encontra para ser bebido, no entanto o Montelena, pareceu-me que terá um futuro mais brilhante.



Chegava um Foie Gras, e com ele o primeiro fortificado da noite. Uma entrada triunfal do grande Noval 1880. Impressionante a jovialidade, o sabor, o final quase eterno num vinho fino, delicado, mas cheio de nervo e profundidade. Foi simplesmente mágico beber este vinho.



Após algum tempo de conversa e deleite pelo vinho anterior, chegava a altura dos brancos. A ideia era começar com um Champagne Perrier Jouet de 64, mas este, estava completamente imbebível. Assim, partimos para os brancos secos. Às cegas, chegou o primeiro. Um Domaine Gauby Vieilles Vignes 2004. Que bela surpresa. Apostei na Borgonha. O vinho tinha um equilibrio notavel, uma mineralidade evidente e algo de etéreo, apesar de ainda estar muito jovem e fechado. Muito bom. De seguida, dois brancos de renome. Um Coche-Dury Mersault 2000 e um Roulot Mersault-Perriéres 2001. Se por um lado o Coche-Dury apresentou uma má garrafa, muito evoluída, com notas caramelizadas e uma boca chata, que evidenciava um problema, comparativamente às anteriores que provei, o Roulot, encheu-me as medidas. O vinho tem tudo: tem elegância, tem intensidade, tem mineralidade, tem precisão, tem charme, tem profundidade, tem sabor e tem nervo. Impressionante este vinho.



Três tintos se seguiam na continuação da noite. Vieram os dois primeiros, um Chateau Le Gay 88 e um Domaine Dujac Charmes Chambertin 95. O Le Gay, foi o vinho que mais conversas gerou. No primeiro impacto exclamei que se tratada de novo de um Bordéus. De repente, fecha-se em copas, e começamos a divagar a sua origem. Não me impressionou especialmente, este vinho, mercê de alguma falta de profundidade, de intensidade. O oposto do Dujac. Mais uma vez, a emoção de provar um grande vinho. Sinto alguma vaidade por ter acertado no produtor. O seu perfume é inconfundível (já tinha bebido este mesmo vinho 2 meses antes). Ligeiro volátil no nariz e uma sensação de confusão, marcam o de inicio, o aroma deste vinho. O vinho começa então a desabrochar, a tornar-se cada vez mais limpo, cada vez mais preciso, cada vez mais expressivo. Podia passar horas e horas a cheirá-lo. Elegante, profundo e sedutor. Que mais se pode querer num só vinho. Melhor que isto só mesmo......:). A terminar a série veio um Batuta 2001. Em forma, e para mim, o melhor Batuta.




Port time.....Aqui tivemos um frente a frente, em espécie de tira teimas. Já por várias ocasiões se falava neste confronto, por muitas vezes se "encostou o enólogo à parede" a fim de tirar satisfações. No mínimo foi elucidativo. Ora aqui tínhamos um Fonseca Guimaraens Vintage 76 e um Fonseca Vintage 77. O Fonseca 76 é um dos grandes portos que já tive oportunidade de beber e não consigo ficar indiferente a este vinho cada vez que o bebo. O Fonseca 77, de um ano clássico, de um ano maior, sempre foi também um vinho que adorei, sem no entanto alguma vez o ter provado junto com o seu rival de hoje. Não foram fáceis as conclusões, no entanto, para mim, acabou por, "ganhar" o 77. É quase a história da Bela e do Monstro entre um vinho delicado, fino, elegante, expressivo e profundo contra um outro possante, denso e volumoso. Duas versões distintas, de dois grandes vinhos.



Decantado há cerca de 5 horas, esperava por nós o Rei da festa. falava-se muito e de muita coisa, parecendo que ninguém se sentia com coragem para o chamar. O anfitrião deu a palavra de ordem. Um simples "vá"!!! E já se corria para escorrer o precioso liquido para os copos. Aquando da sua abertura, todos o provámos, ficando desde logo uma total ideia de que teríamos algo grande. Para mim, que estava ansioso, sem saber o que esperar, apenas almejando ter a fortuna que outros já tiveram em vinhos tão antigos, a minha primeira impressão foi de alívio. Reconhecia-lhe pedigree, mas já estava decantado há 5 horas. Teria-se desmoronado? Era a altura de ver como estava. O primeiro impacto caía que nem uma bomba. O vinho estava mais expressivo, mostrava enorme exotismo e frescura. Sem pensar levei-o à boca. Monumental. Tornou-se mais espesso, mais saboroso, mais vivo e fresco. Faltavam-me palavras e sorria de alegria, para não chorar. Um episódio que jamais esquecerei. Estava perante um vinho monumental, que nasceu há 214 anos, e que ainda por cima nasceu no meu país. Inesquecível.

Foi uma noite única, pelo alinhamento dos vinhos, uma noite de sonho, por ter tido finalmente a honra de beber alguns deles, mas sinceramente que todos estes sentimentos, todas estas emoções, tiveram um sabor muito maior, muito mais especial, por tê-los partilhado à mesa com amigos, de quem gosto muito. O vinho é mesmo isto, partilha de emoções. Novamente..... Inesquecível.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Volta a Portugal em 3 dias - Quinta de La Rosa




Ainda não estávamos refeitos da noite anterior, que terminou já depois das 3h da manhã, e já estávamos de saída do Hotel Vintage House, no Pinhão, a caminho da Quinta de La Rosa. Com algum atraso, mesmo, assim, lá chegamos à quinta, que se situa apenas a 3Km do Pinhão.
Para nos receber, estava já pronta a Sophia Bergqvist, que é nada mais nada menos, que a actual administradora da Quinta e bisneta do fundador da mesma. O Douro estava lindo, sem pinga de nuvem, com um calor matinal a prometer. A Sophia parecia também ela estar radiosa e bem disposta, pois recebeu-nos com uma enorme simpatia, que aliás lhe é característica. Tudo nos conformes para uma visita de sucesso e plena de interesse.


Começámos com a história da Quinta, onde fomos-nos apercebendo dos altos e baixos da família Bergqvist e os altos e baixos da Quinta, que quase sempre coincidiam com as graves crises económicas pelo qual o mundo passou. A meninice de Sophia foi passada ali, naquele lugar, que tem uma enorme magia, mercê da história que respira, basta ver o museu que é a Quinta de la Rosa, e também da vista exclusiva, como poucas quintas poderão alguma vez ter. Na altura, o que hoje é asfalto, era poeira, o que hoje é limpo, era sujo, no entanto, tal como nos confidenciou, havia sempre algo que a chamava para o Douro, havia já o chamamento para o seu destino, que já estava traçado há muito. Uma Consultora, que ganhava muito dinheiro, acabou por ser chamada para gerir a quinta da família. Não deve ter sido decisão nada fácil, pois por um lado o apelo forte do dinheiro, a vida já feita e prospera, mas por outro o coração, a paixão e o dever para com os seus antepassados. Começou obviamente por ser difícil, mas a sua paixão por aquela Quinta, por aquele Rio, e por aqueles vales, acabou por falar mais alto.
Bem haja, pois hoje é uma das poucas mulheres, de "Barba Rija", que governam os destinos de casas emblemáticas no Douro.

Um autentico museu é o que poderíamos chamar ao interior das habitações da Quinta de la Rosa. Cada canto, cada divisão está repleta de história da família. Ali, tudo é guardado com o maior carinho e devoção, desde a colecção de livros, passando pela mobília histórica e terminando na extraordinária varanda de cortiça, com uma incrível vista para o douro, que o avô de Sophia ofereceu à sua mulher. Cada passo que se percorre nestas casas, confunde-se com a própria história do Douro Vinhateiro. O meu primeiro apelo é realmente, para que quem nunca visitou, não hesite em entrar no espaço histórico da Quinta de la Rosa. Monumental.
A adega ainda mantém os traços dos tempos idos, onde se contam os velhos tonéis de vinho do Porto, o espaço reduzido de trabalho, mas que vai chegando para a encomendas e os lagares entretanto já adaptados a novas eras.
Muito bonita esta Quinta de La Rosa, que curiosamente já lá tinha estado, mas não tinha tido a oportunidade de a varrer a pente fino. Deslumbrante.

Passámos aos vinhos, obviamente, que a vontade já apertava. Acabámos por provar as novidades da casa, da ultima colheita.
A Quinta de la Rosa é daquelas quintas que tem uma matéria prima invejável, no entanto nada se faz sozinho, e no caso da la Rosa, existe um maestro, de seu nome, Jorge Moreira, que conduz, o destino dos vinhos desta casa.
Começámos pelos brancos, onde o Dourosa 2007 se mostrava bem fresco, bem apetecível, com notas vegetais e de citrinos. Por outro lado o Quinta de la Rosa 2008, mostrava-se fresco mas com uma excelente estrutura e equilíbrio. É um vinho mais sério, um vinho onde a barrica está cada vez mais afinada e cuja frescura e acidez mostram um vinho com possível guarda para os próximos anos. Muito bem feito e saboroso. Gostei bastante.

Nos tintos, o Pó de Poeira 2006, do Jorge Moreira, abria o caminho. Um vinho com um aroma fantástico e cada vez mais bem definido, onde sobressaem as notas florais, de frutos maduros e apontamentos minerais. Um vinho intenso, quanto rebelde. Mostra a natureza das vinhas mais jovens. Um vinho de irresistível sabor, um pouco quente, mas que não belisca o conjunto.
De volta aos vinhos da Quinta, foi a vez do La Rosa Reserve 2007. Mostrava-se um pouco fechado ainda, no entanto, as notas minerais, o fruto maduro e as notas de barrica mostravam o que nos vai aparecer dentro de alguns meses. Um belo vinho. O equilíbrio já é notório, e o final longo afiança a qualidade. Excelente.

Nos portos, o Vintage 2007, era o que mais aplausos agarrava. Está muito bem, com as suas notas de fruto preto bem maduro, licor, notas florais e as invocações minerais. Pareceu-me um perfil mais doce, mas equilibrado.
Parece estar já bem disponível para a prova, mas tem austeridade, taninos e estrutura para as próximas décadas. Muito bem.

sábado, 1 de agosto de 2009

Volta a Portugal em 3 dias - Parte 1

Não, não se trata da conhecida volta a Portugal em Bicicleta. Tratou-se sim, de uma viagem com principal tema, os vinhos Portugueses. Conseguimos em 3 dias visitar quase todas as regiões vitivinícolas Portuguesas e provar os vinhos destas. A comitiva era internacional, composta por 3 Portugueses, 2 Ingleses (Tamlyn Currin e Richard Siddle, da Jancis Robinson Team e Harper's Magazine, respectivamente) e 1 Brasileiro (Guilherme Rodrigues da Revista Gosto). Foi uma experiência alucinante, frenética e divertida. Para mim ainda teve uma dose mais de stress, uma vez que fui quem estruturou e organizou o programa das visitas e tinha de andar sempre preocupado com os horários. No entanto, acabou por ser uma experiência divertida, cheia de humor, de ocasionais gargalhadas (ahhh grande humor britânico) e obviamente de cansaço à mistura.
A ideia foi de mostrar um pouco do melhor que se faz por Portugal. Obviamente que tantos produtores teríamos de visitar, tantos vinhos teríamos de provar, para que a amostra do que de melhor se faz por cá, fosse completa. Missão impossível em apenas 3 dias.
Ainda antes de iniciarr-mos o periplo, foi-me perguntado, pelos Ingleses, o que eu esperava deles nesta visita. Eu respondi apenas, que se divirtam, que abram a mente e recebam os nossos vinhos. Não quis reportagens, não quis notas de prova, apesar de saber que afinal e-lhes impossivel não o fazer, apenas que se divertissem com os nossos vinhos, com as nossas paisagens. É assim que deve ser o vinho, um motivo de alegria, de bem estar. Foi mesmo assim que passamos todos estes dias. Cansados mas alegres e felizes.

Começámos no dia 27 de Julho, pelo Norte, mais propriamente pelo Douro. Saídos pelo final da tarde, a nosso destino, e único neste dia, seria a Quinta do Crasto. Atraso para aqui e para ali, acabámos por chegar à Quinta, já perto das 23h. Coitados dos anfitriões, que esperavam por nós. Infelizmente as viagens em grupo têm destas coisas, quase incontroláveis. No entanto lá estavam o Pedro Almeida e o Tomás Roquette, à nossa espera, com um sorriso para nos receber. A noite estava óptima, calorosa e amena, o breu já espalhado totalmente, circundava o Crasto e não permitia vislumbrar aquela vista maravilhosa. Os escassos reflexos do Rio Douro e a sombras da habituação da nossa vista ao escuro só permitiam ver os contornos das curvas do Douro. Melancólico mas ao mesmo tempo uma sensação de algo imponente, pela nossa frente.
A visita começou com uma prova, nocturna, das ultimas colheitas. Provaram-se os vinhos que estão no mercado e os que se aprestam a sair em breve. Crasto 2008, Crasto Vinhas Velhas 2007, Maria Teresa 2007, Vinha da Ponte 2007, Crasto LBV 2005 e Crasto Vintage 2007.
Foi uma bela maneira de começar, por uma casa onde tudo o que se faz, faz-se muito bem. Voltei a provar os vinhos de 2007 (escrevi há pouco tempo aqui) e mantenho a minha percepção da altura. No entanto, ao voltar a provar o Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2007 reparei que já estava menos floral, apresentando já alguns vestígios das notas de café, que tanto o caracterizam. Impressionante a maneira como os vinhos evoluem, são realmente algo vivo.
Dos que não tinha provado, destaque para o Crasto 2008, que está em forma. Apresentava um aroma sedutor de frutos maduros, mirtilhos, laranja e prestações florais. Redondo, saboroso, com taninos macios. Pelo preço, e pela quantidade é caso para dizer, "Melhor é Impossível".
Nos Portos, o Vintage 2007 surpreendia. Um Vintage com um aroma maduro, de passas, de ameixas pretas, com notas florais. Fresco. Depois uma boa concentração, taninos muito presentes mas saborosos e um final bem seco. Muito bem, belo Vintage
Por fim o LBV 2005, num registo diferente, com um perfil aromático também ele maduro, redondo mas cheio de sabor e intensidade. Um vinho bem guloso que está pronto para ser "devorado".
Acabava a prova e era servido o jantar tardio, qual ceia, com uma volta por colheitas antigas, em garrafas magnum. Voltei a provar o Touriga Nacional 2005, que se mostrou novamente mágico. Uma das excepções que me levam a pensar na Touriga a "solo". Veio o Maria Teresa 2005, que acaba sempre por arrebatar os presentes, eu incluido. É a "Claudia Schiffer" dos vinhos portugueses. Passámos pelo grande Vinha da Ponte 2004 e terminámos com o fabuloso Colheita de 1970. Terminámos pelas 3 da manhã, mas ainda havia vida, ainda havia vontade de ficar mais um pouco de volta dos vinhos e dos anfitriões. Belíssima noite.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Carrocel 2007

O que dizer de Álvaro Castro? Na verdade, para nos portugueses, é sobejamente conhecido o seu nome, e o que tem feito pelo relançamento da região do Dão.
O Álvaro Castro é daqueles produtores experimentalistas que não tem qualquer dificuldade em arriscar, em tentar fazer vinhos no limite do desastre. No entanto, é este génio irrequieto, este viver no perigo, que nos tem dado vinhos belíssimos.
Tudo começou em 1989, com a sua primeira colheita do seu Quinta de Saes, que aliás tive a oportunidade de ontem também provar. O vinho mantinha-se vivo, apesar de acusar um pouco os anos que passaram. Apesar desse vinho, que marca o inicio da era Álvaro Castro, no Dão, foi o novíssimo Carrocel 2007, que me fez escrever sobre mais uma colheita deste vinho especial.


Quinta da Pellada Carrocel 2007
Produtor - Álvaro Castro
Região - Dão
Grau - 13% vol
Preço - A partir dos 40€
Esta é uma novidade, que apenas estará no mercado já depois de o verão ter passado por nós, e eventualmente já bem dentro do Natal, ou mesmo no inicio do próximo ano. Feito a partir da Casta Touriga Nacional, este vinho tem uma vinificação muito especial. Passa 2 Invernos a estagiar em barricas, passa de lagar para lagar, sofre transfegas sucessivas de 3 em 3 meses. Realmente algo que apenas o Álvaro Castro podia pensar. Um colosso de confusão.
Sempre que bebi as edições anteriores, quando foram lançadas, fiquei sempre com a sensação de um vinho muito bruto, um diamante por lapidar, no entanto, o Carrocel que bebi ontem era mesmo a antítese dos anteriores.
Mal desencarcerava a rolha, libertava-se a "marca" da Touriga do Álvaro Castro, até aqui o costume. O vinho apresentava um aroma tão afinado, tão preciso. Mantém o mesmo perfil aromático é certo, com toda a exuberância floral, as notas de barrica, o fruto maduro, e algum vegetal, no entanto, tudo estava muito bem delineado, muito bem definido, qual relógio suíço. Uma jóia de aroma.
Na boca a confirmação de um vinho novamente afinado demais para o costume. Os taninos de uma fineza incrível, cheios de sabor, o corpo, aveludado a envolver-nos na profundidade deste, o vinho, encorpado, permitia afirmar que estava "prontinho", mercê de uma afinação, de uma precisão profundamente inesperada, que a boca apresentava. Longo e seco no final, com uma acidez preponderante, transforma, para já, e na minha humilde opinião, o melhor Carrocel que bebi.
Não é um vinho que possa recomendar peremptoriamente, pois o preço assim não permite, no entanto, deixou a aqui a seguinte afirmação que resulta de uma convicção pessoal: Quem tiver a fortuna de ter pela frente este vinho, beberá sem margem para dúvida um dos grandes vinhos que Portugal viu nascer.
Nota 18-18,5

sábado, 18 de julho de 2009

Herdade do Rocim

Trata-se de um dos recentes projectos no Alentejo, em termos de produção de vinhos. A Herdade do Rocim já existia e já tinha vinha há muito tempo, no entanto, foi em 2000 que o grupo movicortes, de Leiria, liderado José Ribeiro Vieira, a adquiriu. Liderando um Grupo sem ligação ao vinho, tive de perceber que José Vieira quis voltar a ter de volta um pouco dos seus tempos de menino, onde acompanhava seus pais nas vindimas da casa, em Cortes (Leiria). Outra razão será a de sua filha, Catarina Vieira, estar intimamente ligada ao vinho pela formação que detém. "Os bons filhos à casa retornam".
A escolha recaiu sobre o baixo Alentejo, mais propriamente na zona da Vidigueira. Partiu-se então para a construção de uma adega moderna, de um complexo enoturistico. Não se pouparam a pormenores de qualidade, mercê de capitais próprios do Grupo Movicortes. Mas não se pense que se criou um projecto megalómano sem alicerces, não, tudo foi pensado, cada passo foi dado sabendo que ia assentar em terra firme. Trabalho árduo, que entretanto começou a dar os seus frutos. Os cerca de 60 hectares de vinha, nem toda a produzir por ser muito nova, são suficientes, para já, ao projecto que abraçaram e que é liderado por Catarina Vieira.
Provei então os vinhos hoje e fiquei muito agradado e num dos casos bastante surpreso. Estão-se a fazer vinhos com muita qualidade na Herdade do Rocim.


Olho de Mocho Reserva branco 2008
Produtor - Herdade do Rocim
Região - Alentejo
Grau - 13% vol
Preço - Apartir dos 9€
Apesar de ser considerado monovarietal de Antão Vaz, este vinho conta com 10% de Arinto, para poder conferir mais acidez ao conjunto. 25% do Antão Vaz fermentou e estagiou, por 6 meses em barricas novas de carvalho francês.
Aroma contido, sem propensão à exuberância. Mais sóbrio, que exuberante, o que não belisca em nada o vinho em si. São aromas de citrinos, de fruto de caroço e de algum vegetal, que se manifestam em primeiro lugar. Passados alguns minutos as marcas do estágio na madeira, com algumas notas fumadas, que conferem brilhantismo ao conjunto. Muito fresco no aroma.
Muito bem na boca, a mostrar-se um vinho de bom porte, glicerinado, untuoso, onde se mostram novamente algumas notas de barrica. Apesar do seu perfil, mostra-se fresco, virtude esta ganha pela excelente acidez que apresenta. O final está muito bem, com excelente persistência a terminar com ligeiro amargor.
Muito bom branco, mais um branco a provar que a colheita de 2008 no Alentejo foi profícua em excelentes brancos. Um vinho muito versátil pelo carácter que apresenta e pela frescura que detém. Uma boa relação da qualidade e preço. Mais um vinho que recomendo e que deverá ser equacionado.
Nota 16,5


Olho de Mocho Reserva 2007
Produtor - Herdade do Rocim
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço - Apartir dos 16€
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Syrah, este vinho fermentou e estagiou, por 11 meses, em barricas novas de carvalho francês, e uma pequena quantidade em carvalho americano.
Que agradável surpresa, este vinho. Muito intenso nos aromas , que de inicio oscilam entre notas de violetas, os frutos maduros e os aromas balsâmicos, que de imediato indicam a grande presença da Touriga, que parece comandar nesta fase. O aroma está muito bem desenhado, com o perfil floral, com as notas tostadas muito bem integradas e com algumas notas curiosas de castanhas. e côco Após algum tempo, o Alicante finca o pé, e mostra que também quer protagonismo, também ele quer mostrar as suas notas de exotismo, os aromas de alcaçuz. Belo aroma.
Também muito bem no aroma, mas ainda a precisar de afinação com o tempo em garrafa. Ainda muito marcado pelas notas de barrica. Ainda assim, mostra-se um vinho com corpo e sensação de frescura. Apetece mais um copo. Termina longo e pleno de sabor. Muito bom vinho.
Um vinho que recomendo vivamente. Muito bem feito e na minha opinião ainda por melhorar se mantido por mais uns meses na garrafa.
Nota 17



Rocim 2006
Produtor - Herdade do Rocim
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço - Apartir dos 8€
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Syrah. 50% estagiou em barricas de 2º ano de carvalho francês.
Aroma de boa intensidade, parece que neste caso é o Alicante a mostrar-se mais. O aroma esta muito bem, embora a fruta não seja o seu forte principal. Os aromas tostados são evidentes e a fruta pareceu-me esconder-se um pouco. No entanto não deixa de ser um vinho interessante, até pela frescura que aparenta.
Na boca esta melhor, apresenta-se com fruta, com volume médio e com taninos redondos. O final até tem boa persistência e termina com muitos fumados.
Considero, também face ao preço, que se trata de um bom vinho, no entanto alerto que pode não ser ao gosto de todos. Nada como provar para confirmar. Estou curioso com a futura saída do 2007.
Nota 15

Fiquei com a percepção de que se continua a melhorar na Herdade do Rocim. Começam-se a conhecer melhor os solos, as vinhas e as castas, percebe-se melhor o clima, e com o talento na adega, não há porque não melhorar. Continuem......

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Espanha - Dia 4 - Grupo Yllera


Foi a vez de visitar um produtor já com uma estrutura muito maior. Foi na DO Rueda que fomos ao encontro do Grupo Yllera.
Foi uma visita muito interessante, não pela sua grandeza, pela sua estrutura, mas sim, e não é pouco, pela vida que conseguiram dar ao local de visita obrigatória de que dispõem, que são as antigas adegas subterrâneas do século 15. Mas a elas vamos daqui a nada.

Apesar da sua considerável grandeza, a empresa é gerida pela família, que deu o seu nome a este projecto. Já a contar com quase 30 anos de existência, este produtor incide a sua produção em várias DO's como Rueda, Ribera del Duero, Toro, Rioja e ainda os Tierra de Castilla e León.



Começamos por uma breve visita à adega principal, uma vez que dispões de mais duas, e ouvimos um pouco as explicações normais de como funciona a adega e o seu método de trabalho. Até aqui nada de novo, e às vezes fico a pensar que uma adega é uma adega, só muda a dimensão e este ou aquele pormenor, mas ainda assim acabo sempre por ver algo diferente e gosto sempre de as visitar.



Passámos para o enorme parque de barricas, que parecia não acabar. Na maioria dos produtores que visitámos, notei que usam sempre as barricas empilhadas em enormes estruturas. Pouco se vê por cá.




Passámos então para a sala de provas, muito interessante, com a sua invocação de "taberna" à moda espanhola, e com uma pequena garrafeira familiar, logo ao lado. O pormenor mais interessante, além dos vinhos obviamente, foi que a mesma garrafeira servia para manter os presuntos. Muito à Espanhol.....




Hora de ir para o almoço, onde íamos não só provar os vinhos mas também ver a estrutura enoturística, o chamariz se quisermos, que têm à disposição dos seus visitantes.
Entramos e começa uma pequena visita à parte térrea, onde encontramos muitas mais barricas, presumo de algum vinho mais especial, de pouca produção. O que estava em baixo de nós era o tesouro da casa, o ai jesus do director financeiro da empresa, a maior fonte de investimento do grupo.
Por baixo de nós estava um labirinto, isso mesmo, um labirinto de adegas, de corredores que nunca mais acabava e a que os proprietários deram o nome de "El Hilo de Ariadna",.
Os Yllera transformaram, e digo-vos que muito bem, este legado histórico, num pólo de atracção para quem quer visitar estruturas ligadas ao vinho, mas com uma enorme componente histórica e cultural.
Este labirinto, que aliás, cada vez mais vai aumentando a sua extensão, mercê do facto de todos os dias descobrirem mais galerias, nos seus trabalhos, quase diários de perfuração, já conta com 3 km de extensão.
Se já de si o facto de estarmos algumas dezenas debaixo de terra, num labirinto com mais de quinhentos anos, já é de si algo que posso considerar de muito interesse, o produtor ainda teve a fantástica ideia de lhe dar vida, de lhe associar uma história, neste caso da mitologia grega, associando este labirinto ao labirinto mais famoso, o labitinto do Minotauro. Aliás, o próprio nome indica esta ideia, uma vez que "El Hilo de Ariadna", em Português significa o "Fio de Ariadne", é segundo a mitologia Grega, o fio que esta ofereceu a Teseu para que este, depois de matar o Minotauro, pudesse voltar para fora do labirinto.
Toda a estrutura está então ornamentada com alusões à história de Ariadne, de seu pai Rei Minos, de Teseu e do próprio Minotauro.
Obviamente que vimos muito pouco, pois muito existe para ver e penso que nem toda a extensão é visitável. Mas o que deu para ver, foi realmente muito interessante, muito compensador. Estava-se bem ali em baixo. Deixo-vos algumas imagens do local, que são bem mais interessantes que a minha escrita.


O almoço acabou por chegar e decorreu numa das galerias. Ai tivemos oportunidade de conhecer um pouco mais da história da casa e confraternizar com os seus responsáveis. Bela sopa e maravilhosas as "chuletas".

~

Os vinhos, estiveram em bom plano durante o almoço. Começámos com as bolhinhas da casa, um Cantosan, que se mostrou bem fresco, franco e prazenteiro.

Os tintos eram mais interessantes, mesmo os de entrada de gama, os Bracamonte, com maior tiragem, mostravam-se muito bem feitos, cumpridores e saborosos. Nos vinhos com maior estágio, tinham maior complexidade e mostravam algum potencial de guarda.
Não provámos nenhum dos vinhos de topo naquela altura, mas acabei por os provar mais tarde na Vinexpo, e confesso que tive alguma surpresa no que provei. Os vinhos eram mesmo bons. Algo duros e potentes em jovens, mas com enorme potencial de guarda.

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