domingo, 11 de outubro de 2009

Obsessão

Começou por ter o nome provável de Garrafeira, mas acabou por ser Obsessão. A equipa da Altas Quintas, lança agora um vinho muito especial, da colheita de 2004, um vinho que se pretende que seja o topo de gama da casa, apenas feito em anos considerados superiores.



Altas Quintas Obsessão 2004
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço - A partir dos 48€
Feito a partir das castas Alicante Bouschet e Trincadeira, este vinho estagiou em barricas novas de carvalho francês, por 22 meses, sendo a meio de 2006 engarrafado e prepara-se agora para ser lançado.
Opaco na cor. Apresenta de inicio sugestões de fruto maduro, bacon e apontamentos minerais. O Aroma mostra profundidade e densidade. Curiosa a frescura e as notas de barrica que ainda vão aparecendo.
Na boca mostra-se um vinho muito cheio, encorpado e novamente profundo. Na boca mostra-se mais e potente, mas sem na minha opinião cair num exagero. Achei o vinho bastante equilibrado. O corpo do vinho sustenta quer a acidez proeminente e quer os taninos abundantes mas finos. O final é seco e longo. Um vinho muito sério.
Prepara-se agora para ser lançado após mais de 3 anos de estágio em garrafa. O vinho obviamente que ganhou com isso, e penso que esteja numa boa altura para ser bebido, apesar da juventude mostrada. Recomenda-se comida por perto, pois este vinho, no meu entender, não serve para se beber a solo.
Nota 17,5

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Quinta das Marias, os Tintos

Volto à Quinta da Marias, desta feita com os tintos. O produtor continua a apostar no trio de ataque da casa, um Touriga Nacional, um Alfrocheiro e um blend de Touriga Nacional e Tinta Roriz, de seu nome Cuveé TT, que aliás acabou por ser a maior estrela nesta prova que fiz.



Quinta das Marias Reserva Cuveé TT 2007
Produtor - Quinta das Marias
Região - Dão
Grau - 13,5% vol
Preço - a partir de 12€
Feito a partir das castas Tinta Roriz (60%) e Touriga Nacional (40%), este vinho estagiou em barricas de carvalho francês e americano, de primeiro e segundo ano, por 12 meses.
Uma guerra entre 2 mundos, entre duas castas. Nenhuma sai vencedora. O vinho começa por mostrar as notas florais da touriga, depois, o fruto denso da Tinta Roriz. Aqui está tudo em equilíbrio. Para já nenhuma das "artistas" se sobrepõe à outra. Aparecem depois as notas licoradas, as notas de barrica, mas tudo num apontamento com frescura.
Na boca o volume não é exagerado, como a côr opaca o poderia sugerir. Ao invés, toda prova de boca deste vinho tem um pendor de elegância, de fineza, de requinte e de frescura.
Muitíssimo bem, fantástico vinho.
Nota 17,5



Quinta das Marias Reserva Touriga Nacional 2007
Produtor - Quinta das Marias
Região - Dão
Grau - 13,5% vol
Preço - a partir de 15€
Tal como indica o rótulo, este vinho é um monocasta de Touriga Nacional. Estagiou por 12 meses em barricas novas de carvalho francês.
Aroma muito limpo, muito definido, com notas de fruto preto, flores e ligeiros apontamentos de chocolate. Parece-me uma Touriga muito bem desenhada, não caindo em quaisquer exageros. Está um pouco longe da colheita 2005, e neste caso podemos dizer que está longe em termos de exuberância, mas também no grau alcoólico que ostenta. Ganha em frescura. A barrica esta muito bem integrada, não incomoda.
Na boca mostra-se denso, profundo e robusto. Os taninos estão presentes mas são muito finos, não ferem e a acidez muito correcta e um final longo com apontamentos vegetais. Precisa de tempo, pois estou em crer que que resultará daqui um belo vinho.
Nota 17

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Quinta das Marias, os brancos

Volto novamente à prova dos vinhos da Quinta das Marias, no Dão. Após uma série de sucessos, que confirmaram a Quinta das Marias como um dos grandes produtores na região do Dão, volto novamente a provar os vinhos desta casa. Para já só os brancos, de seguida voltarei com os tintos, que novamente me impressionaram pela frescura, e neste ano pela acidez. A filosofia e o perfil da casa já foram achados e parecem-me que são para manter. Nos brancos, que agora provo, continuo a verificar a qualidade com que nos vêm habituando e a reiterar o enorme potencial do Dão.


Quinta das Marias Encruzado 2008
Produtor - Quinta das Marias
Região - Dão
Grau - 14% vol
Preço - 10€
Feito a partir da casta Encruzado, este vinho fermentou e estagiou em inox.
Aroma contido, perdeu toda aquela exuberância que de certo modo caracterizava o "sem barricas" no inicio do engarrafamento. Está muito bem nos aromas, com notas citrinas, vegetais, e muita frescura.
Boca de belo efeito com a acidez a comandar toda a prova, alguma frescura e sensação de cremosidade. Muito bom.
Um bom exemplo da versatilidade dos vinhos feitos de encruzado. Pessoalmente prefiro quando têm passagem por madeira, pois, se bem feitos, não perdem a frescura e ganham maior complexidade. Ainda assim, este é um excelente exemplo do que se pode fazer com um encruzado que só passa por inox. Um vinho fresco, ainda que com grau alcoólico elevado, subtil e irresistível. Muito bem.
Nota 16


Quinta das Marias Encruzado "Fermentado em Barricas" 2008
Produtor - Quinta das Marias
Região - Dão
Grau - 13,5% vol
Preço - 14€
Feito a partir da casta Encruzado, este vinho fermentou e estagiou em barricas novas de carvalho francês, durante 6 meses.
Aroma marcado pela madeira mas sem exagero. Notas fumadas, raspas de Coco, ananás em calda, fruto de caroço, vegetal e um conjunto de enorme frescura.
Assim que o metemos na boca, verificamos uma acidez proeminente. O vinho ganha nervo e tensão, mas ao mesmo tempo frescura. Muito saboroso, mostra que a barrica aqui está melhor integrada. A acidez vincada faz-nos salivar e ansiar pelo próximo trago. Excelente na sensação cremosa e com final longo e nervoso. Muito bem.
Novamente um belíssimo branco do dão. Frescura, complexidade e sabor. Que mais se pode querer? Bem, talvez um pouco mais de produção pois 1800 garrafas tornam este belo vinho num dos chamados "vinhos de garagem". A não perder
Nota 17,5

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Hoje despedi-me de um Amigo




Foi com muito pesar que nos despedimos hoje de António Carvalho.
Uns conhecerão a sua obra, seus vinhos, na sua querida Casal Figueira, outros conhecerão o Homem e o seu carácter, e alguns, conhecerão porventura a Obra e o Homem. Eu tive o privilégio de conhecer ambas.
Na sua obra, ou seja, nos seus vinhos conheci vinhos impressionantes, na singularidade, na irreverência e no carácter. Sempre espelharam o seu criador.
No Homem, conheci um dos seres humanos mais apaixonados, pela terra, pelo seu fruto, pela família, enfim, pela sua vida. Pois foi por ironia do destino que, a fazer o que mais amava, sucumbiu. Perdeu-se um amigo, uma obra e finalmente um grande Homem.

Nunca lhe vi tristeza, nunca lhe vi desilusão, nunca lhe vi qualquer espécie de desânimo. O António não era desses. Sempre de cabeça levantada, sempre risonho e sempre amigo. Lembro-me que desde que o conheci, que cada vez que me ligava, antes mesmo de um cumprimento verbal, soltava sempre uma gargalhada que invariavelmente acabava por ser o nosso inicio de conversa.
Tenho óptimas lembranças dele nos nossos jantares, almoços ou lanches, que duravam horas e horas e sempre cheios de boa disposição. Era contagiante para todos os que privavam com ele.

Tudo boas recordações do António, mas sempre houve algo com que me deleitava quando estava com ele. A sua paixão pelos seus vinhos. É certo que nunca fez os melhores vinhos do mundo, pois não existem, mas para ele eram tudo. Na sua simplicidade, outra grande virtude dele, sempre afirmou que adorava os seus vinhos, e no seu coração sei que eram enormes.
Pois eu digo-te amigo que fui tocado por eles e que sinto muito que não possas continuar a tocar-me.
Haveria tanto para dizer sobre o António, tanta coisa boa, mas acabam-se por me faltar palavras.
Já sinto imenso a sua falta. Mas creio que aquilo que fez, aquilo que nos deixou, jamais será esquecido.

A ti António, o meu profundo agradecimento pela Amizade, pelo enorme sorriso, pela irreverência, pela simplicidade, pela verdade. Como disse ontem, e muitíssimo bem, Luís Ramos Lopes, o Vinhos em Portugal, sem ti, fica muito mais igual. Todos irão nós, amantes do vinho, iremos sentir a tua falta. Até sempre.....

Algumas imagens que espelham bem os momentos que passámos juntos.










segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O carismático Petrvs

Não é nada fácil ter um vinho destes, que por pura sorte cacei, na garrafeira e não sentir-se tentado a abrir a única e preciosa garrafa que lá mora. A pressão é diária, abre-se todos os dias a cave climatizada, coloca-se a mão em cima e diz-se para dentro, é hoje, para logo de seguida vir o bom senso que nos diz, espera, guarda-a mais um pouco. Foram assim os meus dias durante duas semanas, o tempo que consegui resistir à tentação imediata. Para isso também contribuiu um bom amigo, que não parava de dizer, traz isso pá.


E assim lá foi o dia de "São Petrvs". Éramos seis amigos para o desvendar, seis almas ansiosas por sentir a transformação . Poder-se-à afirmar que isto são só manias à volta de um vinho, que nem merece o preço que dão por ele, mas, todos aqueles que gostam de vinho, que conhecem um pouco de vinho, gostariam de um dia provar um destes monstros sagrados. Eu afirmo, sem qualquer demagogia, que faço parte daqueles que procuram o "Santo Graal".

A colheita era de 96, um dos grandes anos no Médoc, mas nada mau em Pomerol. Os mais conceituados críticos internacionais, afirmam que apesar de não se tratar de um clássico, a esses nunca chegarei, é daqueles que perdurará por muitos e muitos anos. Robert Parker chamou-lhe de Mamute. Infelizmente lá tive de o "matar" ainda muito jovem, mas sem qualquer arrependimento. O vinho estava soberbo. Amor à primeira vista e à primeira cheiradela. Complexo, bruto e profundo. Confesso que esperava algo mais exótico, mas não, nada disso, este vinho é precisão e nervo. Fechado de início, desenvolveu mais tarde aromas de terra, sugestões minerais, de flores e de ervas aromáticas. Na boca "caiu o Carmo e a Trindade." Poderosíssimo, muito jovem, os taninos são impressionantes, absolutamente impressionantes, firmes mas muito fineza e precisão incríveis. Estava mesmo muito bom este vinho, e a julgar pelo que bebi, parece que só agora começa a dar os seus primeiros passos.

Não bebemos o vinho todo e guardámos um pouco para ver a evolução no dia seguinte. Maldita hora o fizemos. O vinho estava muito mau, oxidado, desconjuntado, nem parecia a madrinha. Um aviso à navegação, não deixem para amanhã, o que podem fazer hoje. Lição aprendida.



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