terça-feira, 4 de agosto de 2009

Volta a Portugal em 3 dias - Quinta de La Rosa




Ainda não estávamos refeitos da noite anterior, que terminou já depois das 3h da manhã, e já estávamos de saída do Hotel Vintage House, no Pinhão, a caminho da Quinta de La Rosa. Com algum atraso, mesmo, assim, lá chegamos à quinta, que se situa apenas a 3Km do Pinhão.
Para nos receber, estava já pronta a Sophia Bergqvist, que é nada mais nada menos, que a actual administradora da Quinta e bisneta do fundador da mesma. O Douro estava lindo, sem pinga de nuvem, com um calor matinal a prometer. A Sophia parecia também ela estar radiosa e bem disposta, pois recebeu-nos com uma enorme simpatia, que aliás lhe é característica. Tudo nos conformes para uma visita de sucesso e plena de interesse.


Começámos com a história da Quinta, onde fomos-nos apercebendo dos altos e baixos da família Bergqvist e os altos e baixos da Quinta, que quase sempre coincidiam com as graves crises económicas pelo qual o mundo passou. A meninice de Sophia foi passada ali, naquele lugar, que tem uma enorme magia, mercê da história que respira, basta ver o museu que é a Quinta de la Rosa, e também da vista exclusiva, como poucas quintas poderão alguma vez ter. Na altura, o que hoje é asfalto, era poeira, o que hoje é limpo, era sujo, no entanto, tal como nos confidenciou, havia sempre algo que a chamava para o Douro, havia já o chamamento para o seu destino, que já estava traçado há muito. Uma Consultora, que ganhava muito dinheiro, acabou por ser chamada para gerir a quinta da família. Não deve ter sido decisão nada fácil, pois por um lado o apelo forte do dinheiro, a vida já feita e prospera, mas por outro o coração, a paixão e o dever para com os seus antepassados. Começou obviamente por ser difícil, mas a sua paixão por aquela Quinta, por aquele Rio, e por aqueles vales, acabou por falar mais alto.
Bem haja, pois hoje é uma das poucas mulheres, de "Barba Rija", que governam os destinos de casas emblemáticas no Douro.

Um autentico museu é o que poderíamos chamar ao interior das habitações da Quinta de la Rosa. Cada canto, cada divisão está repleta de história da família. Ali, tudo é guardado com o maior carinho e devoção, desde a colecção de livros, passando pela mobília histórica e terminando na extraordinária varanda de cortiça, com uma incrível vista para o douro, que o avô de Sophia ofereceu à sua mulher. Cada passo que se percorre nestas casas, confunde-se com a própria história do Douro Vinhateiro. O meu primeiro apelo é realmente, para que quem nunca visitou, não hesite em entrar no espaço histórico da Quinta de la Rosa. Monumental.
A adega ainda mantém os traços dos tempos idos, onde se contam os velhos tonéis de vinho do Porto, o espaço reduzido de trabalho, mas que vai chegando para a encomendas e os lagares entretanto já adaptados a novas eras.
Muito bonita esta Quinta de La Rosa, que curiosamente já lá tinha estado, mas não tinha tido a oportunidade de a varrer a pente fino. Deslumbrante.

Passámos aos vinhos, obviamente, que a vontade já apertava. Acabámos por provar as novidades da casa, da ultima colheita.
A Quinta de la Rosa é daquelas quintas que tem uma matéria prima invejável, no entanto nada se faz sozinho, e no caso da la Rosa, existe um maestro, de seu nome, Jorge Moreira, que conduz, o destino dos vinhos desta casa.
Começámos pelos brancos, onde o Dourosa 2007 se mostrava bem fresco, bem apetecível, com notas vegetais e de citrinos. Por outro lado o Quinta de la Rosa 2008, mostrava-se fresco mas com uma excelente estrutura e equilíbrio. É um vinho mais sério, um vinho onde a barrica está cada vez mais afinada e cuja frescura e acidez mostram um vinho com possível guarda para os próximos anos. Muito bem feito e saboroso. Gostei bastante.

Nos tintos, o Pó de Poeira 2006, do Jorge Moreira, abria o caminho. Um vinho com um aroma fantástico e cada vez mais bem definido, onde sobressaem as notas florais, de frutos maduros e apontamentos minerais. Um vinho intenso, quanto rebelde. Mostra a natureza das vinhas mais jovens. Um vinho de irresistível sabor, um pouco quente, mas que não belisca o conjunto.
De volta aos vinhos da Quinta, foi a vez do La Rosa Reserve 2007. Mostrava-se um pouco fechado ainda, no entanto, as notas minerais, o fruto maduro e as notas de barrica mostravam o que nos vai aparecer dentro de alguns meses. Um belo vinho. O equilíbrio já é notório, e o final longo afiança a qualidade. Excelente.

Nos portos, o Vintage 2007, era o que mais aplausos agarrava. Está muito bem, com as suas notas de fruto preto bem maduro, licor, notas florais e as invocações minerais. Pareceu-me um perfil mais doce, mas equilibrado.
Parece estar já bem disponível para a prova, mas tem austeridade, taninos e estrutura para as próximas décadas. Muito bem.

sábado, 1 de agosto de 2009

Volta a Portugal em 3 dias - Parte 1

Não, não se trata da conhecida volta a Portugal em Bicicleta. Tratou-se sim, de uma viagem com principal tema, os vinhos Portugueses. Conseguimos em 3 dias visitar quase todas as regiões vitivinícolas Portuguesas e provar os vinhos destas. A comitiva era internacional, composta por 3 Portugueses, 2 Ingleses (Tamlyn Currin e Richard Siddle, da Jancis Robinson Team e Harper's Magazine, respectivamente) e 1 Brasileiro (Guilherme Rodrigues da Revista Gosto). Foi uma experiência alucinante, frenética e divertida. Para mim ainda teve uma dose mais de stress, uma vez que fui quem estruturou e organizou o programa das visitas e tinha de andar sempre preocupado com os horários. No entanto, acabou por ser uma experiência divertida, cheia de humor, de ocasionais gargalhadas (ahhh grande humor britânico) e obviamente de cansaço à mistura.
A ideia foi de mostrar um pouco do melhor que se faz por Portugal. Obviamente que tantos produtores teríamos de visitar, tantos vinhos teríamos de provar, para que a amostra do que de melhor se faz por cá, fosse completa. Missão impossível em apenas 3 dias.
Ainda antes de iniciarr-mos o periplo, foi-me perguntado, pelos Ingleses, o que eu esperava deles nesta visita. Eu respondi apenas, que se divirtam, que abram a mente e recebam os nossos vinhos. Não quis reportagens, não quis notas de prova, apesar de saber que afinal e-lhes impossivel não o fazer, apenas que se divertissem com os nossos vinhos, com as nossas paisagens. É assim que deve ser o vinho, um motivo de alegria, de bem estar. Foi mesmo assim que passamos todos estes dias. Cansados mas alegres e felizes.

Começámos no dia 27 de Julho, pelo Norte, mais propriamente pelo Douro. Saídos pelo final da tarde, a nosso destino, e único neste dia, seria a Quinta do Crasto. Atraso para aqui e para ali, acabámos por chegar à Quinta, já perto das 23h. Coitados dos anfitriões, que esperavam por nós. Infelizmente as viagens em grupo têm destas coisas, quase incontroláveis. No entanto lá estavam o Pedro Almeida e o Tomás Roquette, à nossa espera, com um sorriso para nos receber. A noite estava óptima, calorosa e amena, o breu já espalhado totalmente, circundava o Crasto e não permitia vislumbrar aquela vista maravilhosa. Os escassos reflexos do Rio Douro e a sombras da habituação da nossa vista ao escuro só permitiam ver os contornos das curvas do Douro. Melancólico mas ao mesmo tempo uma sensação de algo imponente, pela nossa frente.
A visita começou com uma prova, nocturna, das ultimas colheitas. Provaram-se os vinhos que estão no mercado e os que se aprestam a sair em breve. Crasto 2008, Crasto Vinhas Velhas 2007, Maria Teresa 2007, Vinha da Ponte 2007, Crasto LBV 2005 e Crasto Vintage 2007.
Foi uma bela maneira de começar, por uma casa onde tudo o que se faz, faz-se muito bem. Voltei a provar os vinhos de 2007 (escrevi há pouco tempo aqui) e mantenho a minha percepção da altura. No entanto, ao voltar a provar o Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2007 reparei que já estava menos floral, apresentando já alguns vestígios das notas de café, que tanto o caracterizam. Impressionante a maneira como os vinhos evoluem, são realmente algo vivo.
Dos que não tinha provado, destaque para o Crasto 2008, que está em forma. Apresentava um aroma sedutor de frutos maduros, mirtilhos, laranja e prestações florais. Redondo, saboroso, com taninos macios. Pelo preço, e pela quantidade é caso para dizer, "Melhor é Impossível".
Nos Portos, o Vintage 2007 surpreendia. Um Vintage com um aroma maduro, de passas, de ameixas pretas, com notas florais. Fresco. Depois uma boa concentração, taninos muito presentes mas saborosos e um final bem seco. Muito bem, belo Vintage
Por fim o LBV 2005, num registo diferente, com um perfil aromático também ele maduro, redondo mas cheio de sabor e intensidade. Um vinho bem guloso que está pronto para ser "devorado".
Acabava a prova e era servido o jantar tardio, qual ceia, com uma volta por colheitas antigas, em garrafas magnum. Voltei a provar o Touriga Nacional 2005, que se mostrou novamente mágico. Uma das excepções que me levam a pensar na Touriga a "solo". Veio o Maria Teresa 2005, que acaba sempre por arrebatar os presentes, eu incluido. É a "Claudia Schiffer" dos vinhos portugueses. Passámos pelo grande Vinha da Ponte 2004 e terminámos com o fabuloso Colheita de 1970. Terminámos pelas 3 da manhã, mas ainda havia vida, ainda havia vontade de ficar mais um pouco de volta dos vinhos e dos anfitriões. Belíssima noite.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Carrocel 2007

O que dizer de Álvaro Castro? Na verdade, para nos portugueses, é sobejamente conhecido o seu nome, e o que tem feito pelo relançamento da região do Dão.
O Álvaro Castro é daqueles produtores experimentalistas que não tem qualquer dificuldade em arriscar, em tentar fazer vinhos no limite do desastre. No entanto, é este génio irrequieto, este viver no perigo, que nos tem dado vinhos belíssimos.
Tudo começou em 1989, com a sua primeira colheita do seu Quinta de Saes, que aliás tive a oportunidade de ontem também provar. O vinho mantinha-se vivo, apesar de acusar um pouco os anos que passaram. Apesar desse vinho, que marca o inicio da era Álvaro Castro, no Dão, foi o novíssimo Carrocel 2007, que me fez escrever sobre mais uma colheita deste vinho especial.


Quinta da Pellada Carrocel 2007
Produtor - Álvaro Castro
Região - Dão
Grau - 13% vol
Preço - A partir dos 40€
Esta é uma novidade, que apenas estará no mercado já depois de o verão ter passado por nós, e eventualmente já bem dentro do Natal, ou mesmo no inicio do próximo ano. Feito a partir da Casta Touriga Nacional, este vinho tem uma vinificação muito especial. Passa 2 Invernos a estagiar em barricas, passa de lagar para lagar, sofre transfegas sucessivas de 3 em 3 meses. Realmente algo que apenas o Álvaro Castro podia pensar. Um colosso de confusão.
Sempre que bebi as edições anteriores, quando foram lançadas, fiquei sempre com a sensação de um vinho muito bruto, um diamante por lapidar, no entanto, o Carrocel que bebi ontem era mesmo a antítese dos anteriores.
Mal desencarcerava a rolha, libertava-se a "marca" da Touriga do Álvaro Castro, até aqui o costume. O vinho apresentava um aroma tão afinado, tão preciso. Mantém o mesmo perfil aromático é certo, com toda a exuberância floral, as notas de barrica, o fruto maduro, e algum vegetal, no entanto, tudo estava muito bem delineado, muito bem definido, qual relógio suíço. Uma jóia de aroma.
Na boca a confirmação de um vinho novamente afinado demais para o costume. Os taninos de uma fineza incrível, cheios de sabor, o corpo, aveludado a envolver-nos na profundidade deste, o vinho, encorpado, permitia afirmar que estava "prontinho", mercê de uma afinação, de uma precisão profundamente inesperada, que a boca apresentava. Longo e seco no final, com uma acidez preponderante, transforma, para já, e na minha humilde opinião, o melhor Carrocel que bebi.
Não é um vinho que possa recomendar peremptoriamente, pois o preço assim não permite, no entanto, deixou a aqui a seguinte afirmação que resulta de uma convicção pessoal: Quem tiver a fortuna de ter pela frente este vinho, beberá sem margem para dúvida um dos grandes vinhos que Portugal viu nascer.
Nota 18-18,5

sábado, 18 de julho de 2009

Herdade do Rocim

Trata-se de um dos recentes projectos no Alentejo, em termos de produção de vinhos. A Herdade do Rocim já existia e já tinha vinha há muito tempo, no entanto, foi em 2000 que o grupo movicortes, de Leiria, liderado José Ribeiro Vieira, a adquiriu. Liderando um Grupo sem ligação ao vinho, tive de perceber que José Vieira quis voltar a ter de volta um pouco dos seus tempos de menino, onde acompanhava seus pais nas vindimas da casa, em Cortes (Leiria). Outra razão será a de sua filha, Catarina Vieira, estar intimamente ligada ao vinho pela formação que detém. "Os bons filhos à casa retornam".
A escolha recaiu sobre o baixo Alentejo, mais propriamente na zona da Vidigueira. Partiu-se então para a construção de uma adega moderna, de um complexo enoturistico. Não se pouparam a pormenores de qualidade, mercê de capitais próprios do Grupo Movicortes. Mas não se pense que se criou um projecto megalómano sem alicerces, não, tudo foi pensado, cada passo foi dado sabendo que ia assentar em terra firme. Trabalho árduo, que entretanto começou a dar os seus frutos. Os cerca de 60 hectares de vinha, nem toda a produzir por ser muito nova, são suficientes, para já, ao projecto que abraçaram e que é liderado por Catarina Vieira.
Provei então os vinhos hoje e fiquei muito agradado e num dos casos bastante surpreso. Estão-se a fazer vinhos com muita qualidade na Herdade do Rocim.


Olho de Mocho Reserva branco 2008
Produtor - Herdade do Rocim
Região - Alentejo
Grau - 13% vol
Preço - Apartir dos 9€
Apesar de ser considerado monovarietal de Antão Vaz, este vinho conta com 10% de Arinto, para poder conferir mais acidez ao conjunto. 25% do Antão Vaz fermentou e estagiou, por 6 meses em barricas novas de carvalho francês.
Aroma contido, sem propensão à exuberância. Mais sóbrio, que exuberante, o que não belisca em nada o vinho em si. São aromas de citrinos, de fruto de caroço e de algum vegetal, que se manifestam em primeiro lugar. Passados alguns minutos as marcas do estágio na madeira, com algumas notas fumadas, que conferem brilhantismo ao conjunto. Muito fresco no aroma.
Muito bem na boca, a mostrar-se um vinho de bom porte, glicerinado, untuoso, onde se mostram novamente algumas notas de barrica. Apesar do seu perfil, mostra-se fresco, virtude esta ganha pela excelente acidez que apresenta. O final está muito bem, com excelente persistência a terminar com ligeiro amargor.
Muito bom branco, mais um branco a provar que a colheita de 2008 no Alentejo foi profícua em excelentes brancos. Um vinho muito versátil pelo carácter que apresenta e pela frescura que detém. Uma boa relação da qualidade e preço. Mais um vinho que recomendo e que deverá ser equacionado.
Nota 16,5


Olho de Mocho Reserva 2007
Produtor - Herdade do Rocim
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço - Apartir dos 16€
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Syrah, este vinho fermentou e estagiou, por 11 meses, em barricas novas de carvalho francês, e uma pequena quantidade em carvalho americano.
Que agradável surpresa, este vinho. Muito intenso nos aromas , que de inicio oscilam entre notas de violetas, os frutos maduros e os aromas balsâmicos, que de imediato indicam a grande presença da Touriga, que parece comandar nesta fase. O aroma está muito bem desenhado, com o perfil floral, com as notas tostadas muito bem integradas e com algumas notas curiosas de castanhas. e côco Após algum tempo, o Alicante finca o pé, e mostra que também quer protagonismo, também ele quer mostrar as suas notas de exotismo, os aromas de alcaçuz. Belo aroma.
Também muito bem no aroma, mas ainda a precisar de afinação com o tempo em garrafa. Ainda muito marcado pelas notas de barrica. Ainda assim, mostra-se um vinho com corpo e sensação de frescura. Apetece mais um copo. Termina longo e pleno de sabor. Muito bom vinho.
Um vinho que recomendo vivamente. Muito bem feito e na minha opinião ainda por melhorar se mantido por mais uns meses na garrafa.
Nota 17



Rocim 2006
Produtor - Herdade do Rocim
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço - Apartir dos 8€
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Syrah. 50% estagiou em barricas de 2º ano de carvalho francês.
Aroma de boa intensidade, parece que neste caso é o Alicante a mostrar-se mais. O aroma esta muito bem, embora a fruta não seja o seu forte principal. Os aromas tostados são evidentes e a fruta pareceu-me esconder-se um pouco. No entanto não deixa de ser um vinho interessante, até pela frescura que aparenta.
Na boca esta melhor, apresenta-se com fruta, com volume médio e com taninos redondos. O final até tem boa persistência e termina com muitos fumados.
Considero, também face ao preço, que se trata de um bom vinho, no entanto alerto que pode não ser ao gosto de todos. Nada como provar para confirmar. Estou curioso com a futura saída do 2007.
Nota 15

Fiquei com a percepção de que se continua a melhorar na Herdade do Rocim. Começam-se a conhecer melhor os solos, as vinhas e as castas, percebe-se melhor o clima, e com o talento na adega, não há porque não melhorar. Continuem......

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Espanha - Dia 4 - Grupo Yllera


Foi a vez de visitar um produtor já com uma estrutura muito maior. Foi na DO Rueda que fomos ao encontro do Grupo Yllera.
Foi uma visita muito interessante, não pela sua grandeza, pela sua estrutura, mas sim, e não é pouco, pela vida que conseguiram dar ao local de visita obrigatória de que dispõem, que são as antigas adegas subterrâneas do século 15. Mas a elas vamos daqui a nada.

Apesar da sua considerável grandeza, a empresa é gerida pela família, que deu o seu nome a este projecto. Já a contar com quase 30 anos de existência, este produtor incide a sua produção em várias DO's como Rueda, Ribera del Duero, Toro, Rioja e ainda os Tierra de Castilla e León.



Começamos por uma breve visita à adega principal, uma vez que dispões de mais duas, e ouvimos um pouco as explicações normais de como funciona a adega e o seu método de trabalho. Até aqui nada de novo, e às vezes fico a pensar que uma adega é uma adega, só muda a dimensão e este ou aquele pormenor, mas ainda assim acabo sempre por ver algo diferente e gosto sempre de as visitar.



Passámos para o enorme parque de barricas, que parecia não acabar. Na maioria dos produtores que visitámos, notei que usam sempre as barricas empilhadas em enormes estruturas. Pouco se vê por cá.




Passámos então para a sala de provas, muito interessante, com a sua invocação de "taberna" à moda espanhola, e com uma pequena garrafeira familiar, logo ao lado. O pormenor mais interessante, além dos vinhos obviamente, foi que a mesma garrafeira servia para manter os presuntos. Muito à Espanhol.....




Hora de ir para o almoço, onde íamos não só provar os vinhos mas também ver a estrutura enoturística, o chamariz se quisermos, que têm à disposição dos seus visitantes.
Entramos e começa uma pequena visita à parte térrea, onde encontramos muitas mais barricas, presumo de algum vinho mais especial, de pouca produção. O que estava em baixo de nós era o tesouro da casa, o ai jesus do director financeiro da empresa, a maior fonte de investimento do grupo.
Por baixo de nós estava um labirinto, isso mesmo, um labirinto de adegas, de corredores que nunca mais acabava e a que os proprietários deram o nome de "El Hilo de Ariadna",.
Os Yllera transformaram, e digo-vos que muito bem, este legado histórico, num pólo de atracção para quem quer visitar estruturas ligadas ao vinho, mas com uma enorme componente histórica e cultural.
Este labirinto, que aliás, cada vez mais vai aumentando a sua extensão, mercê do facto de todos os dias descobrirem mais galerias, nos seus trabalhos, quase diários de perfuração, já conta com 3 km de extensão.
Se já de si o facto de estarmos algumas dezenas debaixo de terra, num labirinto com mais de quinhentos anos, já é de si algo que posso considerar de muito interesse, o produtor ainda teve a fantástica ideia de lhe dar vida, de lhe associar uma história, neste caso da mitologia grega, associando este labirinto ao labirinto mais famoso, o labitinto do Minotauro. Aliás, o próprio nome indica esta ideia, uma vez que "El Hilo de Ariadna", em Português significa o "Fio de Ariadne", é segundo a mitologia Grega, o fio que esta ofereceu a Teseu para que este, depois de matar o Minotauro, pudesse voltar para fora do labirinto.
Toda a estrutura está então ornamentada com alusões à história de Ariadne, de seu pai Rei Minos, de Teseu e do próprio Minotauro.
Obviamente que vimos muito pouco, pois muito existe para ver e penso que nem toda a extensão é visitável. Mas o que deu para ver, foi realmente muito interessante, muito compensador. Estava-se bem ali em baixo. Deixo-vos algumas imagens do local, que são bem mais interessantes que a minha escrita.


O almoço acabou por chegar e decorreu numa das galerias. Ai tivemos oportunidade de conhecer um pouco mais da história da casa e confraternizar com os seus responsáveis. Bela sopa e maravilhosas as "chuletas".

~

Os vinhos, estiveram em bom plano durante o almoço. Começámos com as bolhinhas da casa, um Cantosan, que se mostrou bem fresco, franco e prazenteiro.

Os tintos eram mais interessantes, mesmo os de entrada de gama, os Bracamonte, com maior tiragem, mostravam-se muito bem feitos, cumpridores e saborosos. Nos vinhos com maior estágio, tinham maior complexidade e mostravam algum potencial de guarda.
Não provámos nenhum dos vinhos de topo naquela altura, mas acabei por os provar mais tarde na Vinexpo, e confesso que tive alguma surpresa no que provei. Os vinhos eram mesmo bons. Algo duros e potentes em jovens, mas com enorme potencial de guarda.

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