sexta-feira, 10 de julho de 2009

Espanha - Dia 4 - Estância Piedra

Logo pela manhã, e ainda pela DO Toro, fomos ao encontro de mais um produtor............


Um "Obelisco" marcava a zona de entrada e desde logo indicava que estávamos prestes a entrar no mundo Estância Piedra.
Este é um produtor recente, pois foi em 1998 que iniciou a sua actividade. Produz vinhos em duas DO, Toro e Rueda, o que aliás parece ser o habitual de muitos produtores nestas paragens. A proximidade assim o permite.
Embora estejamos perante um projecto recente, um projecto que agora dá os primeiros passos, as vinhas, essas já passaram bem para lá da terceira idade, é que este produtor tem vinhas muito velhas, que chegam a passar os 100 anos.





Inicia-se a visita, tudo muito bem cuidado, tudo muito bem arranjado, muita zona verde dentro dos limites da zona operacional, que é composta por um edifício onde fica a adega e outro bem ao estilo moderno, onde fica a zona de provas e a loja de vinhos.




Fomos novamente recebidos com muita simpatia, parece ser panóplia das gentes de Toro, com muita vontade de explicar o que faziam , como fazia e porque faziam. Parámos pelas vinhas, bem cuidadas, quase na sua totalidade Tinta de Toro, o sinónimo da casta Tempranillo, usado por estas bandas.
No lado oposto onde estávamos, talvez a 1 km de distância, estava uma vinha muito velha, com mais de 100 anos, em pé franco. Era o orgulho da casa, era a vinha que chamava a si todas a atenções, todos os carinhos e que servia para fazer o Paredinas, o vinho emblemático do produtor.



Fomos para dentro a adega. A zona das cubas era desde logo a primeira a aparecer. Até aqui nada de novo. Descemos para a sala de barricas, onde curiosamente parece ser onde os produtores espanhóis têm sempre algo de interessante para mostrar. Neste produtor, junto à barricas, estava patente uma exposição de quadros com um tema relacionado com a mitologia grega, a Ilíada, de Homero.



Passámos então à parte final, que seria uma prova de vinhos. Provámos um Verdelho, de Rueda, um Rosé, um Tinto, e ainda acabamos por provar, o tal paredinas, o vinho top, do produtor.
Gostei dos vinhos deste produtor. Muito equilibrados, muito bem feitos. O Verdelho, o Piedra Verdejo 2008, tinha um perfil de frescura encantadora, com um nariz exuberante qb, sem massacrar demasiado.
O Rosé, bem seco, mostrava equilibrio e com todo um perfil silvestre, mostrava que era pa ser tido em conta.
O Paredinas, da colheita de 2001, era realmente um vinho superior, que estava a envelhecer lindamente. Mantinha-se cheio de fruta, mas já com notas terciárias. Encorpado e com equibrio notável Belo vinho.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Espanha - Dia 3 - Liberalia Enológica


Costuma-se dizer que o "3 é a conta que deus fez", como alusão à perfeição desse mesmo numero. Pois bem, foi no nosso 3º dia, no dia 3 de Junho que também tivemos o nosso dia perfeito.
Começamos por visitar a adega Liberalia, e quando já clamávamos por simpatia, quando já clamávamos por um singelo sorriso, eis que surge Juan Fernandez, o alegre proprietário desta adega.



Juan, o "homem dos "beiços tremelicantes" (quem lá esteve sabe do que estou a falar), era dono de uma energia contagiante, de uma alegria ímpar e de um humor sagaz. Enamorado pela vida, pela musica clássica (que ouvíamos dentro da sala de barricas), pela ópera, pela pintura e pelo vinho, soube contagiar-nos a nós, que já desesperávamos por um sorriso. Que personagem esta, que deixou saudades. Era vê-lo, qual criança a mostrar o seu novo brinquedo, a chamar por cada um de nós para mostrar uma fotografia, a sua fotografia, onde pousava, com um sorriso rasgado , ao lado de Plácido Domingo. Seus olhos brilhavam de emoção ao mostrar que já teve bem perto do seu ídolo.


O seu coração dividia-se em três, em três paixões, a Pintura, que cobria as paredes da sua sala de provas, o Violino, que segundo sua filha, tocava muito bem, aliás, deu a um dos seus vinhos, um espumante, o nome de Ariane, que vem da mitologia grega, e que foi imortalizada em inúmeras operas, e finalmente o vinho, que me pareceu receber todas estas influências do seu criador.



A Liberalia é uma empresa bem familiar, que em 1996 iniciou a sua actividade. A adega pareceu-me à medida de um empreendimento desse mesmo tipo. Não tinha grandes pontos de interesse, com excepção de uma torre antiga, que se instalou muito antes desta adega existir e que vem servindo como um ponto atractivo aos que visitam.
Lá fora, as vinhas pareciam extremamente bem cuidadas, vinhas estas com cepas que chegavam aos 100 anos de idade, muito velhas portanto. O encepamento era na sua maioria, Tinta de Toro, a conhecida Tempranillo, que por cá se chama de Tinta Roriz ou Aragonês.
Na sala de barricas andava-se ao som de musica clássica, que provinha de um moderno leitor de CD's, e que transmitia uma sensação de bem estar.




Quando nos foram apresentados os produtos que a casa vende, e sim, não são só vinhos, pois a casa vende azeites, cosméticos derivados de uvas e do vinho, tais como perfumes e ainda produtos tradicionais da região, reparei num rótulo completamente familiar, o Duradero,.
Este é um vinho que resulta de uma parceria entre a Quinta do Portal e a Liberália Enológica e que facilmente encontramos nas nossas garrafeiras.
Obviamente que provámos o Duradero e confesso que esta ultima colheita, a de 2007, me pareceu a mais equilibrada de todas, que até então tinha provado. Bem desenhado no aroma e com frescura na boca, desmarcava-se de um pendor algo pesado que me pareceu indicar a edição anterior. Penso que esta melhoria se deva à excelente colheita de 2007 , no Douro.
Provámos ainda o Liberalia Tres, este produtor numera quase todos os seus vinhos, que me pareceu também ele um vinho alegre, fresco, bem desenhado, bem feito e que transmitia prazer.
Gostei do que vi e do que bebi, pelo que acabei por trazer alguns dos seus vinhos de gama alta para os provar. Assim que os abrir, postarei aqui as minha impressões.

Para já aqui fica um relato de uma passagem breve, mas que nos deixou com saudades de voltar a rever este Grande Senhor Juan Fernandez. Esta foto, em baixo, apesar de ter sido tirada logo de inicio, espelha bem a alegria com que fizemos esta visita.







domingo, 28 de junho de 2009

Vinexpo 2009

Faço uma pequena pausa nas minhas aventuras por Espanha, para falar um pouco deste evento, que se realizou entre o dia 21 e 25 de Junho de 2009, e onde estive todos os dias.
Em primeiro lugar para dizer que estas feiras, "não matam mas moem". É verdade, 10 horas sempre em pé, é obra. Ainda assim, quando acaba, sinto sempre a nostalgia de ter de vir embora e de ter de esperar 2 anos para que lá volte. Bordeaux Rocks.....

Este ano esteve-se muito bem. Esta afirmação pode ser demasiado optimista, face ao período económico que passamos, mas na realidade esteve-se mesmo muito bem, no ponto de vista de quem trabalhou. Em primeiro lugar, ao contrário da edição anterior, o ar condicionado funcionou. Sim é verdade, estava fresquinho dentro dos pavilhões, ainda que provavelmente por causa de uma menor afluência, de que falarei mais adiante. Também, por força deste fenómeno, nada de encontrões e de filas para provar vinhos. Quem foi, mesmo sendo só para provar, não deve ter dado o seu tempo por perdido. Dava tempo para tudo.
Apesar de pouca gente nos expositores e nos corredores, as provas temáticas, nomeadamente a dos Grand Crus de Bordéus, estavam apinhadas. Parece que ainda despertam muito interesse.....e eu obviamente que também lá fui.



Mas, nem tudo foi um mar de rosas, que o digam os produtores portugueses, que sobre a alçada da Viniportugal, foram relegados para um dos pavilhões mais pequenos e que mais não eram do que lugar de passagem para o pavilhão central. Lembro-me de há cerca de dois anos, no rescaldo da edição anterior, ler acerca dos queixumes por parte de várias entidades, responsáveis pela promoção dos vinhos de seus países, lançando um ultimato que jamais estariam presentes na Vinexpo, caso voltassem a esses pavilhões. Parece que surtiu efeito e esses países estavam agora no pavilhão central. Tenho em crer que esta situação só aconteceu, por força de uma dupla representação de Portugal, pelaViniportugal e IVDP. É que assim foi bem mais fácil decidir quem iria para os tais pavilhões, já que não podemos dizer que os vinhos portugueses não estiveram no pavilhão central. Há que repensar e sobretudo unir as entidades que promovem os nossos vinhos.

Ainda que a afluência tenha sido bem menor, deparei com muitos negociantes ou importadores, com vontade de investir, nomeadamente de países de leste, como a Sérvia, Cazaquistão, Rússia, Estónia ou Letónia e ainda países sul americanos como a Argentina e Chile. Pareceu-me que a afluência quase se resumia a profissionais.

Do pouco tempo que tive para "passear/provar", deu para fazer o gosto ao dedo e tirar umas fotos à nossa representação:



E para finalizar, a boa disposição do costume.....



terça-feira, 16 de junho de 2009

Espanha - Dia 2 - Bodegas Arzuaga Navarro



Saídos da Abadia Retuerta, andámos meia dúzia de quilómetros e já estávamos em Ribera del Duero, nas Bodegas Arzuaga Navarro.
O complexo enoturístico é enorme, para não dizer gigantesco.
Uma adega, uma coutada de caça ao javali e veado, um hotel & Spa de 5 estrelas, zonas verdes de passeio e um restaurante são os atractivos para o enoturista que se aventure por estas bandas São 1500ha para serem explorados.



As coutadas eram enormes. Os veados e Javalis tinham uma enorme área, onde andavam livres. Serviam para os visitantes os verem em liberdade, mas também para os que os iam caçar. Curiosamente mal se aproximava o Jipe do Patrão, também de imediato se chegavam junto das cercas limitadores dos espaços.



Depois existiam espaços verdes, uma casa de coutada, que exibia troféus de caçadas antigas. Nada do meu estilo, mas que o espaço exterior tinha uma certa beleza e quietude, lá isso tinha. Segundo o Director de Enoturismo, muitas pessoas chegavam ali no fim de semana, vindas de toda a Espanha e do países como os Estados Unidos, Brasil, etc, para passar em sossego os 2 dias de descanso semanais e umas merecidas férias.




Passámos ao Hotel, um complexo de muito bom gosto, que interiormente está dividido em 2 tipor de decoração. A zona moderna, com quartos amplos e de decoração actual e uma zona de decoração clássica, com muitos quadros, espelhos e madeiras trabalhadas. À vontade do freguês.
O Spa dividia-se por temas, com espaços diversificados consoante os tratamentos que ali se propunham.




Chegou a vez da Adega. Bom, a adega não me pareceu o local onde depositassem as maiores das inovações. Era uma adega regular, não muito grande, bem estruturada, e funcional. O suficiente para fazerem o vinho a as quantidades a que se propõem.



Provamos o Arzuaga Navarro Crianza 2007 e o branco da casa, um branco em terra de tintos, o Fan D'Oro 2007.
Confesso que ambos achei interessantes, mas especial destaque para o branco, Chardonnay, de que gostei bastante.
O tinto era um vinho carregado de aromas fumados, de aromas maduros. Com boca ampla, de bom porte e com final persistente e saboroso. Um bom vinho
O branco, feito de Chardonnay, fermentado em barricas, tinha um equilíbrio notável. Tinha notas de barrica sim, mas estavam bem integradas e o conjunto denotava uma frescura e uma acidez muito interessantes. As vinhas de onde resulta este vinho estão situadas na zona mais alta da Finca, a 900mts de altitude. Gostei muito deste vinho. Uma lufada de ar fresco até à data.










domingo, 14 de junho de 2009

Espanha - Dia 2 - Abadia Retuerta



Depois da estafa que tinha sido o dia anterior, que terminou já pela madrugada dentro com uma refeição no Restaurante Ramiro's em Valladolid, já estavamos a pé para começar o dia em Ribera del Duero. Os dias eram muito preenchidos e este não ia fugir à regra. Tinhamos 3 adegas para ver, contando ainda com as refeições e uma visita ao museu/castelo de peñafiel.
A primeira paragem suscitava-me enorme ansiedade e apreensão pois íamos visitar um produtor muito conhecido, um produtor de alto gabarito, de seu nome Abadia Retuerta.
Chegamos sobre um calor abrasador. Na parte de fora, muitas obras, sinal de restauração, de ampliações ou melhoramentos.


Iniciou-se a visita, que inesperadamente se tornou na pior visita que fizemos em todos os dias, a antipatia era de tal maneira visível, que me incomodava. Cheguei a perguntar, ao organizador, se estariam chateados connosco ou sem vontade de nos receber. Enfim, humores, ou outra situação que não estava dentro das minhas capacidades de compreensão.
O que é certo é que um produtor que podia ser interessante, acabou por passar um pouco ao lado. Ainda assim, gostei de nos terem levado a ver as vinhas.



Fomos então no final, fazer a prova dos vinhos. A Abadia por dentro é muito bonita, é um lugar que tem enorme potencial turístico, e ao que parece, será em breve aproveitado para melhorar a experiência de enoturismo da casa, com construção de um restaurante e um hotel.



Os vinhos deste produtor não ostentam a denominação Ribera de Duero, em seus rótulos, pois os vinhedos deste produtor não se encontram ainda dentro dos limites interiores da DO, mas sim rigorosamente colado aos limites exteriores da mesma. Assim, os vinhos apresentam-se como Sardon de Duero.
Provámos três vinhos, que iniciam a gama do produtor. Um Arnoldo 2008, um vinho sem qualquer passagem por madeira e também sem grandes predicados. É fresco, mas tem um aroma muito simples. Cordato será o melhor termo para apelidar este vinho.
De seguida, um Rívola 2007, um vinho com algum estágio em barrica, um vinho com 60% Tempranillo e 40% Cabernet. Achei bem interessante, já mais completo e muito saboroso.
Finalmente, um Seleccion Especial 2006. Vinho que passou 18 meses em barricas de carvalho americano e francês. Um blend de Tempranillo, Cabernet e Merlot. Foi realmente o que mais gostei, no entanto não achei muito superior ao vinho anterior, considerando que custa o dobro. Ainda assim um vinho bem interessante.
Faltaram obviamente os vinhos varietais, de vinha, ou de Pago, como lhes chamam em Espanha. São vinhos que completam a gama do produtor e que são vendido por preços muito superiores.





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