domingo, 26 de abril de 2009

Esporão Vinha da Defesa branco 2008


A herdade do Esporão é um dos "major players" Portugueses no nosso sector do Vinho. Detentor de uma invejável reputação e consistência, consegue com elevada qualidade, manter um portefólio com uma coerência impressionante que atravessa toda a gama.


Vinha da Defesa Branco 2008
Produtor - Herdade do Esporão
Região - Vinho Regional Alentejano
Grau - 13,5% vol

Preço - Entre os 5 e os 8€
Este Vinha da Defesa, feito a partir das castas Arinto, Roupeiro e Antão Vaz, apresenta como novidade o seu novo visual. Moderno, todo ele, fez-me sentir a linha directriz que acabei por encontrar no vinho. Um vinho moderno, fresco, aliás muito fresco, um branco sem receios de mostrar tudo o que tem num primeiro impacto e depois manter todas as suas características no copo. Nele encontrei a fruta tropical , aromas de bananas, citrinos e leve pendor mineral, num registo exuberante. A boca tem untuosidade e sobretudo uma acidez que lhe remete novamente para a frescura. Vinho sem qualquer falha, muito bem feito e prazenteiro. Belo registo de um Vinha da Defesa Branco.
Está aqui tudo para a próxima estação. Frescura, fruta e acima de tudo, uma relação preço/qualidade excelente. Não há hoje em dia desculpas para não beber um bom vinho a preços comedidos e este é um belo exemplar desses vinhos.
Nota 15.5

terça-feira, 10 de março de 2009

A Essência do Vinho em Imagens

A Essência do Vinho, como sempre a ter lugar no bonito Palácio da Bolsa no Porto, preparou-se para receber os cerca de 18.000 visitantes, um novo record segundo a organização. Em 4 dias estiveram presentes algumas centenas de produtores, ávidos para poder mostrar todas as suas novidades, todos os vinhos, amostras de barrica, que ainda agora começar a desenhar-se para um produto final.
Para mim foram 4 dias de extremo cansaço, de extrema agitação. Ainda assim, vale a pena por ver tanta gente jovem, e menos jovem, com enorme vontade de provar os seus vinhos de eleição.
Aqui vos deixo algumas imagens que fui tirando assim o tempo o permitia. A maioria curiosamente foi tirada ainda com o Palácio da Bolsa completamente vazio






















domingo, 22 de fevereiro de 2009

O Vinho Português ficou hoje mais pobre

Faleceu hoje José Mendonça, produtor da Quinta dos Cozinheiros.

Ainda me lembro quando o conheci. Estava na Vinexpo 2007, em Bordéus, e já tinha provado os seus vinhos em algumas ocasiões mas nunca tinha falado com o mentor do projecto.
Incrivelmente agradado com o facto de estar ali um português que não trabalhava no sector e que apenas lá estava para provar, mostrou-me praticamente todos os seus vinhos à medida que curioso me perguntava como ali tinha chegado.

Mais tarde, sem qualquer programação, quando ia para o porto, pela A17, o meu GPS apitava com a proximidade de uma adega, em Marinha das Ondas. O nome caia que nem um relâmpago e logo me dirigi para o visitar.
Lembro que tive uma das mais fantásticas visitas. Afável, mostrou logo disponibilidade em me receber. Ainda estávamos nos cumprimentos e já ele me dizia que tínhamos de ir passear pelas vinhas. Curiosamente acho que foi o único que alguma vez me colocou essa condição, o que dizia bem do que ele sentia pelas suas estimadas vinhas.



Esse é o pormenor que mais me lembra o José Mendonça, a sua afecção pela terra e ainda lembro que não me deixou sair de Marinha das Ondas sem conhecer um pouco dessa sua terra, dando-me a conhecer ainda umas ruínas e uma capela magnifica setecentista da Nossa Senhora das Ondas.

Os seus vinhos sempre foram distintos e inspiradores, tal como o seu criador.
O Homem e seus vinhos vão deixar saudades.

As minhas sinceras condolências à família de José Mendonça.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Os "Óscares" do Vinho estiveram no Porto

Foi na passada sexta feira que teve lugar, desta feita no Porto, a cerimónia de entrega dos prémios "Os melhores do Ano", pela Revista Vinhos.
Tal como vem acontecendo em anos anteriores, este evento visa premiar os melhores vinhos, empresas e personalidades que se destacaram no ano anterior, neste caso 2008.
Como já vem sendo hábito, os vinhos são separados em três categorias, melhores compras, Melhores de cada Região e finalmente os prémios excelência. Estes ultimos são os mais aguardados e têm direito a apresentação no "palco".
Os prémios atribuidos ficaram então assim distribuidos:


PRÉMIOS ESPECIAIS

PRODUTOR REVELAÇÃO DO ANO (ex-aequo)
Vale d’Algares e Herdade do Rocim

PRODUTOR DO ANO
Soalheiro

COOPERATIVA DO ANO
Adega Cooperativa de Borba

EMPRESA DO ANO
Esporão

EMPRESA DO ANO (VINHOS GENEROSOS)
Sogevinus

ENÓLOGO DO ANO
Rui Reguinga

ENÓLOGO DO ANO (VINHOS GENEROSOS)
Pedro Sá

VITICULTURA
Jorge Böhm

ORGANIZAÇÃO VITIVINÍCOLA DO ANO
Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes

ENOTURISMO DO ANO
Paço dos Cunhas de Santar

GARRAFEIRA DO ANO
Garrafeira Nacional

LOJA GOURMET DO ANO
Club del Gourmet do El Corte Inglés

RESTAURANTE DO ANO
Tavares

RESTAURANTE DO ANO (COZINHA TRADICIONAL PORTUGUESA)
Ribamar

ESCANÇÃO DO ANO
Bruno Antunes

PRÉMIO ESPECIAL GASTRONOMIA
Gabriel e Amor Fialho

SENHOR DO VINHO
Mário Neves

CAMPANHA PUBLICITÁRIA DO ANO
Murganheira


PRÉMIOS DE EXCELÊNCIA

Espumante
Murganheira Vintage 2004

Vinhos Verdes
Alvarinho Anselmo Mendes Branco 2007
Muros de Melgaço Alvarinho 2007
Quinta do Soalheiro Alvarinho Reserva 2006

Douro
Aneto Grande Reserva Tinto 2006
Barca Velha 2000
Charme 2006
CV - Curriculum Vitae 2006
Duas Quintas Reserva Especial 2004
Poeira 2006
Quinta do Crasto Touriga Nacional 2005
Quinta do Noval 2005
Quinta das Tecedeiras Reserva 2005

Dão
Four C 2005
Quinta dos Carvalhais Único 2005
Quinta da Garrida Touriga Nacional Reserva 2005

Bairrada
Encontro 1 Branco 2007
Kompassus Private Collection Baga 2005

Península de Setúbal
Hexagon 2005

Alentejo
António Maria 2006
Avó Sabica 2004
Cortes de Cima Reserva 2004
Esporão Private Selection Garrafeira 2005
Júlio B. Bastos Alicante Bouschet 2004
Vinha de Saturno 2004

Vinhos Generosos
Burmester Vintage 2005
Burmester Tordiz +40 Anos
Kopke Colheita 1957
Offley Barão de Forrester 30 Anos
Quinta do Vesúvio Vintage 2005


Em jeito de resumo, mais uma vez a excelente organização da Revista Vinhos esteve bem patente. Mais uma vez o Chef Hélio Loureiro esmerou-se nas confecção das iaguarias que nos foram apresentados.
Durante o jantar e à medida que iam sendo apresentados os Óscares", iamos também, na mesa, bebendo os vinhos que estavam comtemplados como melhores de cada região e prémios excelência. Como é obvio, acerca destes vinhos pouco há a dizer, uma vez que fazem parte do melhor que se produz em Portugal, no entanto não poderia deixar de indicar os que mais gostei.
Não bebi todos os que estavam disponiveis, mas do pouco que bebi, ressalvo a qualidade do Hexagon 2005, Quinta dos Roques Encruzado 2007, Cortes de Cima Reserva 2004, Bágeiras Garrafeira tinto 2005 e Burmester Tordiz + de 40 Anos.

sábado, 20 de dezembro de 2008

A Prova de uma Vida - 100 Anos do Dão


Foi no passado dia 13 de Dezembro que teve lugar uma prova única, uma prova impressionante, onde estive a provar vinhos velhos do Dão.
Estive neste prova em duas vertentes. A primeira, a de ajudar na logística do evento, estava lá para servir os vinhos a todos os que tinham sido chamados a estarem presentes, a segunda, obviamente a de provar todos os vinhos que iam sendo servidos.
O evento tinha como finalidade a prova de vinhos velhos do Dão mas com um especial enfoque nos vinhos do Centro de Estudos de Nelas (CEN). A razão da minha da minha ansiedade prendia-se pelo facto de já ter provado em uma outra situação, alguns vinhos do CEN (1963 Touriga Nacional, 1987 e ainda 1994, este ultimo branco) que me tinham deixado completamente delirante pela condição que apresentavam.
A ideia deste evento partiu de Álvaro Castro, produtor na Dão e mais propriamente na Quinta da Pellada, que se apressou a encetar junto de Dirk Niepoort um esforço conjunto para concretizar este evento. Estava dado o mote para ser proporcionado a todos os presentes, um dia fantástico.
O evento decorreu na Quinta de Nápoles, centro operacional da Casa Niepoort, e estiveram presentes um punhado de Jornalistas/Críticos de vinhos estrangeiros, a maioria da nossa crítica especializada de vinhos, alguns produtores e ainda um a mão cheia de enófilos.

















O dia não estava para brincadeiras, pois o frio e a chuva teimaram em fazer-se sentir, mas era lá dentro, em uma sala bem composta e com boas condições de prova que estavam alguns vinhos que nos iriam aquecer os corações.

Os vinhos que estiveram em prova:


Brancos

CEN 1992
Porta Cavaleiros 1984
CEN 1980
Real Vinicola 1980
CEN 1978
Porta Cavaleiros 1975
CEN 1974
CEN 1971
Porta Cavaleiros 1964
CEN 1964
CEN 1963
CEN 1959


Tintos

CEN 1987
Adega Cooperativa Penalva do Castelo Reserva 1985
Grão Vasco Garrafeira 1982
Caves São Domingos 1983
CEN 1983
Federação Vinícola do Dão 1980
Dão Pipas 1980
Dão Serra 1980
Caves Velhas 1979
Real Vinícola 1982
Porta Cavaleiros 1975
Caves Fundação 1975
Real Vinícola Dona Maria 1978
Real Vinícola 1977
Porta Cavaleiros 1974
Real Vinícola 1973
CEN 1971
Federação Vinícola do Dão 1971
UDACA 1970
CEN 1970
Federação Vinícola do Dão 1970
Real Vinícola Cabido 1967
Porta Cavaleiros 1966
UDACA Reserva 1964
Quinta da Falorca 1963
CEN Touriga Nacional 1963
CEN 1963
CEN 1958
Vinhos Desconhecido 1950 (trazido Por Álvaro Castro)


















Resumo:

Nem sei por onde começar, pois ainda hoje acordei a pensar neste prova. A primeira palavra vai para os vinhos brancos do Dão, com especial relevo para os Brancos do CEN, estes últimos, são vinhos de classe mundial. Tenho a certeza que ninguém fico indiferente aos CEN 59, 64 e 63. Únicos pela frescura, elegância e personalidade. No dia do evento, à noite, voltei a provar estes brancos e ainda se mantinham firmes, perdendo apenas alguma frescura. Os brancos mais jovens pareceram-me ter condições de encetar uma vida longa pela frente.
Nos tintos a distinção entre os vinhos do CEN e os restantes era por demasiado óbvia, com a excepção de um grande vinho que por lá apareceu, o Quinta da Falorca 1963. Um vinho estrondoso, estilo Clarete, com uma elegância ímpar. Dos participantes haviam vários a pedir uma repetição. Os CEN 87, 71, 70 e os tremendos 1963 Touriga e 1963 Blend, fizeram as maravilhas dos participantes que tenho a certeza que tal como eu fizeram mais uma prova de uma vida.

As questões e constações que me assolaram ao longo da prova:

Obviamente que a questão da capacidade de envelhecimento me surgiu de imediato. Os vinhos do Dão provaram ter capacidade de envelhecimento mas, e os vinhos que estão hoje em dia a ser feitos?

Numa altura em que falamos muito dos vinhos alcoólicos, tenho de vos dizer que os melhores vinhos que apareceram nesta prova, e dirijo-me aos vinhos do CEN, são vinhos que que o grau alcoólico é sempre superior a 13,5% vol e chegando em algumas situações, perto dos 15% vol.

O Dão, os produtores do Dão, têm a capacidade e obrigação de fazer mais e melhor vinho. Especialmente nos brancos, o Dão é para mim uma região com potencial único em Portugal.



Nota Final: As imagens foram gentilmente cedidas pelo Produtor Duriense João Roseira (Quinta do Infantado, Gouvyas)

Blogues Recomendados

Blogues Recomendados

  • Prova - *Solstício. 2 Barricas (t) 2010* Diga-se desde já que conhecemos bem o homem por detrás deste vinho - isto é uma declaração de interesses (apesar de todo o...

Arquivo do blogue

  © Blogger template 'External' by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP