sábado, 20 de dezembro de 2008

A Prova de uma Vida - 100 Anos do Dão


Foi no passado dia 13 de Dezembro que teve lugar uma prova única, uma prova impressionante, onde estive a provar vinhos velhos do Dão.
Estive neste prova em duas vertentes. A primeira, a de ajudar na logística do evento, estava lá para servir os vinhos a todos os que tinham sido chamados a estarem presentes, a segunda, obviamente a de provar todos os vinhos que iam sendo servidos.
O evento tinha como finalidade a prova de vinhos velhos do Dão mas com um especial enfoque nos vinhos do Centro de Estudos de Nelas (CEN). A razão da minha da minha ansiedade prendia-se pelo facto de já ter provado em uma outra situação, alguns vinhos do CEN (1963 Touriga Nacional, 1987 e ainda 1994, este ultimo branco) que me tinham deixado completamente delirante pela condição que apresentavam.
A ideia deste evento partiu de Álvaro Castro, produtor na Dão e mais propriamente na Quinta da Pellada, que se apressou a encetar junto de Dirk Niepoort um esforço conjunto para concretizar este evento. Estava dado o mote para ser proporcionado a todos os presentes, um dia fantástico.
O evento decorreu na Quinta de Nápoles, centro operacional da Casa Niepoort, e estiveram presentes um punhado de Jornalistas/Críticos de vinhos estrangeiros, a maioria da nossa crítica especializada de vinhos, alguns produtores e ainda um a mão cheia de enófilos.

















O dia não estava para brincadeiras, pois o frio e a chuva teimaram em fazer-se sentir, mas era lá dentro, em uma sala bem composta e com boas condições de prova que estavam alguns vinhos que nos iriam aquecer os corações.

Os vinhos que estiveram em prova:


Brancos

CEN 1992
Porta Cavaleiros 1984
CEN 1980
Real Vinicola 1980
CEN 1978
Porta Cavaleiros 1975
CEN 1974
CEN 1971
Porta Cavaleiros 1964
CEN 1964
CEN 1963
CEN 1959


Tintos

CEN 1987
Adega Cooperativa Penalva do Castelo Reserva 1985
Grão Vasco Garrafeira 1982
Caves São Domingos 1983
CEN 1983
Federação Vinícola do Dão 1980
Dão Pipas 1980
Dão Serra 1980
Caves Velhas 1979
Real Vinícola 1982
Porta Cavaleiros 1975
Caves Fundação 1975
Real Vinícola Dona Maria 1978
Real Vinícola 1977
Porta Cavaleiros 1974
Real Vinícola 1973
CEN 1971
Federação Vinícola do Dão 1971
UDACA 1970
CEN 1970
Federação Vinícola do Dão 1970
Real Vinícola Cabido 1967
Porta Cavaleiros 1966
UDACA Reserva 1964
Quinta da Falorca 1963
CEN Touriga Nacional 1963
CEN 1963
CEN 1958
Vinhos Desconhecido 1950 (trazido Por Álvaro Castro)


















Resumo:

Nem sei por onde começar, pois ainda hoje acordei a pensar neste prova. A primeira palavra vai para os vinhos brancos do Dão, com especial relevo para os Brancos do CEN, estes últimos, são vinhos de classe mundial. Tenho a certeza que ninguém fico indiferente aos CEN 59, 64 e 63. Únicos pela frescura, elegância e personalidade. No dia do evento, à noite, voltei a provar estes brancos e ainda se mantinham firmes, perdendo apenas alguma frescura. Os brancos mais jovens pareceram-me ter condições de encetar uma vida longa pela frente.
Nos tintos a distinção entre os vinhos do CEN e os restantes era por demasiado óbvia, com a excepção de um grande vinho que por lá apareceu, o Quinta da Falorca 1963. Um vinho estrondoso, estilo Clarete, com uma elegância ímpar. Dos participantes haviam vários a pedir uma repetição. Os CEN 87, 71, 70 e os tremendos 1963 Touriga e 1963 Blend, fizeram as maravilhas dos participantes que tenho a certeza que tal como eu fizeram mais uma prova de uma vida.

As questões e constações que me assolaram ao longo da prova:

Obviamente que a questão da capacidade de envelhecimento me surgiu de imediato. Os vinhos do Dão provaram ter capacidade de envelhecimento mas, e os vinhos que estão hoje em dia a ser feitos?

Numa altura em que falamos muito dos vinhos alcoólicos, tenho de vos dizer que os melhores vinhos que apareceram nesta prova, e dirijo-me aos vinhos do CEN, são vinhos que que o grau alcoólico é sempre superior a 13,5% vol e chegando em algumas situações, perto dos 15% vol.

O Dão, os produtores do Dão, têm a capacidade e obrigação de fazer mais e melhor vinho. Especialmente nos brancos, o Dão é para mim uma região com potencial único em Portugal.



Nota Final: As imagens foram gentilmente cedidas pelo Produtor Duriense João Roseira (Quinta do Infantado, Gouvyas)

sábado, 13 de setembro de 2008

Masterclass (as Fotos)

Bom, gostava de colocar algumas imagens do evento. Não esperem muito do fotógrafo pois não é grande tiro de espingarda.

O dia começava nesta entrada. Por ali, entramos no maravilhoso universo do Aquapura, no entanto, só tinha tempo de deixar as malas e seguir para a Quinta de Nápoles.












Já em Nápoles, começavam a chegar os convidados, enquanto eu provava as uvas que estavam prontas e dar entrada na adega.



Já de copo de Porto Branco na mão a maior parte dos presentes punha a conversa em dia, no entanto ainda havia muito trabalho a ser feito. Que o diga a Dona Maria José...





Era então dada a partida para a prova Masterclass Douro Boys:




Os Douro Boys e os provadores......





Passada que estava a prova, deu-se inicio a uma festa, pela noite dentro. Nesta festa além de alguns dos vinhos que já tinham sido provados, iriam estar presentes , em magnum, algumas colheitas anteriores dos Douro Boys, e nestes, vejo-me obrigado a destacar o Vale Dona Maria 2004, que está pura e simplesmente um vinho ENORME e o Crasto Vinhas Velhas 2004 que está num momento fantástico.

As ostras estavam fantásticas e arranjaram logo companhia.


O primeiro prato da autoria do Chef Vitor Claro, um robalo, estava divinal.


Após o repasto deu-se continuidade à boa disposição, e, numa discoteca improvisada, com direito a DJ e tudo, esgotaram-se os restos da energia que ainda tinhamos. Um dia fantástico, em torno do vinho.




O dia seguinte era para recarregar as baterias e aproveitar o lugar idílico onde pernoitei, o Aquapura Douro Valley




quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Douro Boys Masterclass


Era finalmente o dia 3 e eu ansiosamente deixava para trás Peniche, e rumava ao Douro. Desde há algum tempo que aquela região faz-me palpitar o coração e é impressionante o sentimento que se apodera de mim à medida que vou palmilhando quilómetros e quilómetros em sua direcção. A prova era apenas às 17h e já fervilhava de antecipação por provar todos aqueles vinhos mas também por desta vez ir ficar 5 dias pelo Douro.
Nem imaginam a dificuldade em arranjar lugar onde ficar, no Douro, por estas alturas. Estando garantida a primeira noite, no Aquapura Douro Valley, o que importava era la chegar que depois logo se haveria de arranjar qualquer lugar onde descansar.

Deixando então a prosa, estava chegada a hora de rumar à Quinta de Nápoles, onde se iria realizar o evento. O tempo não ajudava em nada. Chuva e algum frio, não condiziam com a minha postura de turista, com pólo e calções. Fui enganado mas estava completamente abstraído do tempo que fazia. Adiante, vamos então à prova.

A Masterclass Douro Boys é nada mais que a apresentação das novas colheitas dos produtores que integram este grupo, Quinta do Vallado, Niepoort, Quinta do Crasto, Quinta do Vale Dona Maria e Quinta do Vale Meão.
A prova iniciou-se com uma introdução, feita por Cristiano Van Zeller, às colheitas que se iriam apresentar, 2006 nos tintos e 2007 nos brancos. A convicção de um grande 2007, no brancos e a de um ano dificil de 2006 mas repleto de bons vinhos, veio ao encontro da minha opinião. Mas vamos aos vinhos:



A apresentação dos vinhos foi separada entre brancos, tintos e depois fortificados, mas aqui, para mais fácil leitura, vou colocar por produtor.


Quinta do Vallado

Brancos

Quinta do Vallado 2007
Feito a partir das castas Viosinho, Verdelho, Rabigato e Arinto, este vinho mostrou-se muito citrino, vegetal, muito fresco e mineral e com ligeira sensação de mel.
Boca a mostrar-se muito equilibrada, com excelente acidez , algum volume e ligeira secura final.


Quinta do Vallado Reserva 2007
As mesmas castas do vinho anterior fazem parte deste lote. A madeira, ainda que não prejudicando o conjunto, mostrava-se algo visivel. O aroma apresentou notas de fruto branco, notas tostadas e algum vegetal.
Muito bem na boca, mostrava volume e untuosidade numa sensação amendoada a que se juntava excelente acidez e final longo.


Vallado Moscatel 2007
Uma curiosa surpresa esta que foi apresentada pelo Vallado. Um vinho feito, em extreme, da casta Moscatel.
Muito aromático, este vinho espelhava na perfeição as propriedades desta casta, no entanto algo neste vinho lembrava-me um pouco a Gewurztraminer. Não se tornava enjoativo, como podem alguns vinhos feitoa a partir da casta Moscatel, se podem, tornar, mas um certa frescura pairava no aroma , desviando-nos de tais sensações.
Na boca apresentava acidez firme e perfeito equilibrio. Muito interessante e um belo ensaio.


Tintos

Vallado 2006
Feito das castas Tinta Roriz, Touriga Nacional e Touriga Franca. O aroma dava mostras de fruto maduro, notas florais e ligeiro caramelo.
Boca com frescura, nada pesada e com ligeira sensação de amargor no final. Terminava com sabor em final de media intensidade e duração.

Vallado Touriga Nacional 2006
Aroma sem grandes exuberâncias, marcado por algumas notas de tosta, fruto maduro, sugestões florais e algum vegetal.
Boca com alguma falta de vigor, pareceu-me faltar ali algo para preencher um vazio, mas ainda assim fino, elegante e redondo.

Quinta do Vallado Reserva 2006
Aroma rico e amplo, profundo, com muitas sugestões de fruto preto a que se associavam notas florais e especiarias.
Na boca tudo muito diferente do anterior. Um vinho de porte, muito sugestivo, com taninos bem presentes mas cooperantes, acidez vincada num final longo. Assim, sim.


Niepoort

Brancos

Tiara 2007
No primeiro impacto, a mineralidade toda. A sugestão evidente de flores e de alguma relva cortada.
A delicadeza e a finura na boca. Um equilíbrio perfeito, novamente a sugestão mineral em conjunto com uma acidez crocante, tornam este vinho, no meu entender, no melhor Tiara de sempre. Muito bem

Redoma 2007
No nariz são ligeiras as notas da madeira. Está bem trabalhada. Os apontamentos minerais estão presentes em conjunto com alguma pêra e baunilha.
Boca cheia, forte sem excesso, excelente acidez e equilíbrio num final longo e ligeiramente amendoado.

Redoma Reserva 2007
Aroma complexo, mesmo à redoma reserva, muitas notas de fruto branco, mineral, tudo muito delicado.
Boca cremosa, de perfeito equilíbrio, onde a madeira efectua um papel secundário e fugaz. Excelente acidez a conferir frescura e um final de classe. Um remake do 2005? Na minha opinião, poderá mesmo vir a ter mais potencial.


Tintos

Vertente 2006
Aroma muito interessante e intenso com notas de erva doce, algum alcaçuz, fruto maduro e sugestões de cacau.
Boca com intensidade, taninos redondos mas cheios de sabor num final com sugestões picantes. Está guloso este Vertente.

Redoma 2006
Não tendo sido engarrafado o Batuta, todo o potencial da vinha velha veio parar a este redoma. Aroma muito diferente do costume mas cheio de nuances interessantes. Muitas são as sugestões balsâmicas que se enquadram num conjunto com notas especiadas, de fruto maduro, folhas secas e notas tostadas.
Curiosamente mostrou frescura num conjunto de volume, de raça e com final longo.

Charme 2006
De inicio pairam sobre este vinho muitas notas mentoladas. Depois é a vez de um fruto silvestre, um morango, algumas ervas aromáticas e notas tostadas se juntarem ao conjunto.
Muito fino, cheio de notas silvestres e de algum verde. Muito delicado, aveludado e sedoso. Final longo e elegantérrimo. Um Charme à Charme


Quinta do Crasto

Brancos

Crasto 2007
A estreia da Quinta do Crasto em vinhos brancos. Intenso e exuberante no aroma, este vinhos mostra muitas notas de citrino, muitas notas vegetais e sugestões minerais. Todo ele transpira frescura.
Na boca mostra plenitude, equilíbrio, sensação crocante, mineral e manifestamente pouco álcool.


Tintos

Crasto 2007
Aroma de muita fruta onde alguns apontamentos florais vão timidamente aparecendo.
Na boca é redondo, frutado e com frescura assinalável. Um vinho bem divertido

Quinta do Crasto Reserva "Vinhas Velhas" 2006
Ainda precisa de tempo para mostrar o seu potencial, no entanto, para já dá-nos mostras de fruto muito maduro, café, tosta, especiaria e algumas notas florais.
Boca de belo efeito com vigor e muita estrutura. Taninos finos e final bem longo.

Quinta do Crasto Touriga Nacional 2006
Muito sóbrio, ou seja, nada de exuberâncias extremas e cansativas. Notas florais, bergamota, fruta copiosa e baunilha.
Excelente na boca a mostrar calor, raça, vigor no tanino e intensidade num final bem longo mas muito jovem.

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2006
É difícil chegar a um vinho deste calibre e não ficar completamente perdido, inebriado com o seu perfume, com o seu chamamento. Moka, fruto muito maduro, ligeira especiaria, violetas, ligeiras notas de barrica.
Boca acetinada, intensa, inebriante. Vinho profundo, vinho tremendo.


Quinta do Vale Dona Maria

Nota: Os vinhos desta Quinta tinham sido engarrafados há bem pouco tempo, 1 mês, e como tal ainda apareciam algo fechados e com algumas questões relacionadas com engarrafamento.

Brancos

VZ 2007
Este VZ mostrou-se complexo, no aroma, com muitas notas de algum citrino, baunilha, algum vegetal, flores brancas, sério.
Na boca, era um vinho sério, de porte mas até certo ponto um vinho delicado e com acidez muito presente. Terminava com notas tostadas e de excelente persistência. Acabei por o voltar a provar, depois no jantar, e constatei que melhorava muito, mas muito. Belo vinho

Tintos

Casal de Loivos 2006
A fruta ainda estava muito escondida, ao passo que as notas de barrica ainda dominavam de certa maneira o conjunto.
Na boca, muito jovem, com tanino raçudo e bem presente. Precisa de tempo mas deu já boas indicações.

Quinta do Vale Dona Maria 2006
Aroma muito sedutor. Era para já o vinho deste produtor, que se mostrava mais esclarecido. Complexidade, mas muita intensidade nos aromas. O fruto era negro, quente, mas de uma expressão muito limpa. As notas de barrica muito bem integradas no conjunto, sugeriam tosta a tabaco.
Boca muito jovem ainda, gulosa. Taninos muito presentes mas muito bem integrados, acidez marcante e final longo. É dificil ficar indiferente a este vinho.

CV 2006
Muito fechado no aroma, aliás muito fechado mesmo. A elegância deste vinho era ainda a unica mostra que dava da sua qualidade. O fruto maduro, ainda algo timido, andava de braço dado com notas de barrica que também não se mostravam muito.
Na boca, tudo diferente. O vinho mostrava-se vibrante, a elegância marcava pontos e os taninos ainda muito presentes e muito jovens, marcavam ainda toda esta prova de boca. O seu tempo ainda chegará, com a possibilidade de se beber um vinho de grande categoria.

Quinta do Vale Meão

Tintos

Meandro do Vale Meão 2006
O Meandro pareceu-me algo diferente do que estamos acostumados. A sua bela intensidade mostrava um vinho mais pronto, de fácil aproximação. O fruto era bem maduro, por vezes silvestre, alguma especiaria e notas fumadas completavam um conjunto que era de vez enquanto assolado com curiosas notas florais.
Na boca um vinho que mostrava ligeira frescura, mais aberto, mais apetecivel. Os taninos estavam lá mas eram dóceis e em nada mostravam protagonismo. Gostei muito deste Meandro.

Quinta do Vale Meão 2006
Este era o vinho, que até à data de prova, não sabia se iria ser lançado. Curiosamente achava que este produtor estava lá para mostrar apenas o Meandro. Ainda bem que não o fez.
O Vale Meão mostrou a raça do costume, a delicadeza, associada a uma potência a uma indicação de complexidade. Os aromas mostravam-me "low profile" mas estavam lá. O Fruto, as violetas, a especiaria fazim parte de todo o conjunto, onde predominava a densidade e a profundidade.
Na Boca toda a finura de um grande Vale Meão. Vinho cheio de sabor de intensidade e com um final fantástico. A estrutura, aliada à finesse. Grande Vale Meão.


Fortificados


Niepoort LBV 2004
Muito intenso no aroma, este LBV, mostrou muita capacidade de agradar. Fruto muito maduro, caramelo, algumas notas florais e de chocolate.
Boca de muito boa estrutura, fresco e muito equilibrado. Muito guloso.


Niepoort Vintage 2005
Aroma a mostrar bastante exuberância, com muito fruto maduro, muitas notas florais e minerias. A Elegância em vez da potência.
Na boca, nada de super bomba. Neste Vintage tudo esta equilibrado, tudo se mostra com delicadeza e finura. Um vintage de perfil diferente mas que de certo modo aprecio pela sua fácil prova em todos os momentos, no entanto, penso que terá muita vida pela frente. De belo efeito.


Quinta do Crasto Vintage 2005
Mostrou-se muito aberto para a prova, muita doçura, flores, especiaria.
Redondo na boca e a dar provas de estar dentro do seu espectro de consumo. Dá uma prova fantástica desde já.


Quinta do Vale Meão 2004
Maduro no aroma, cheio de notas de fruto preto, especiaria e chocolate.
Boca harmoniosa, densa, gulosa. Um Vintage de fácil aproximação. Para ser bebido em novo mas com alguma potencialidade para uns anos em garrafa.


Quinta do Vale Dona Maria 2004
Aromas de muito fruto maduro, cerejas, chocolate.
Boca plena de frescura, cheia de equilibrio e extremamente gulosa. De belo efeito.


Em jeito de resumo, foi uma prova de belo efeito, uma fim de tarde bem passado, sempre na companhia de bons vinhos. Provavelmente repararão que gostei da esmagadora maioria dos vinhos, o que é perfeitamente compreensivel face ao produtores envolvidos. Fiquei, aliás, continuei com duas ideias em relação aos vinhos. Os brancos de 2007 mantém-se muito frescos com bela acidez. Os tintos de 2006, apesar de muitos apregoarem um ano mau, pelo menos aqui mostraram ter carácter, ter vigor e em muitas situações ter frescura.


De seguida comentarei o jantar e a festa final, uma vez que os vinhos que se beberam, mais antigos, dos produtors, deram-me algumas indicações que quero partilhar com vocês.


Até já.

sábado, 23 de agosto de 2008

Vinhos e Paganini na Quinta do Monte D'Oiro


Ao ler o titulo deste artigo, muitos pensarão, o que tem Paganini a ver com Vinho e com a Quinta do Monte D'Oiro (QMD)? Pois, eu também nunca tinha feito essa associação mas o que é certo é que, no dia 28 de Julho, na QMD, tive o enorme prazer de provar os vinhos deste Produtor, acompanhados de musica.

Foi no passado dia 28 de Julho, por um duplo convite da QMD e da Tasca do Joel, que fui visitar este Produtor da Estremadura. Confesso que o principal atractivo, pelo menos para mim, desta visita era mesmo a possibilidade de conhecer pessoalmente o Engº José Bento dos Santos. Não sabia que me esperava uma tarde tão fantástica e uma apresentação de vinhos, tão singular.

Eram 15h quando chegamos à Quinta, situada em Freixiais de Cima. Fomos recebidos pela sempre simpática Sophie Mrjen, que é como se fosse todos os membros do Engº Bento dos Santos, na Quinta e também por um vento bem forte, como é habitual naquelas paragens.
Não tardou a chegar junto de nós o Anfitrião, e reparei que de imediato todos nós nos colocamos em "ponto de escuta" como se esperássemos uma palestra.
Começamos então a visita, falando das vinhas, da casta Syrah e de um projecto que irá somente no próximo ano dar os seus frutos. Este projecto, uma Joint-Venture, ou se quiserem uma experiência, entre a QMD e o Sr. Chaputier, consiste numa pequena parcela de vinha, plantada na QMD, com a casta Syrah. A curiosidade é o facto de as videiras não serem clones mas sim originais, vindas do vale do Rhône, onde a casta é nativa. Aguardemos então pelo resultado dessa experiência.

A conversa continuava interessante e animada. Já conhecia a paixão dos Engº Bento dos Santos pelos vinhos do Rhône, mais propriamente, pelos vinhos de Côte-Rotie e sempre pensei que o encepamento espelhava essa paixão, que tudo o que tinha sido feito, tinha sido pensado com o coração, nada mais longe da verdade. A realidade é que apesar da sua paixão, foram factos científicos, que sustentaram a decisão de plantar as castas francesas. Foram feitas inúmeras análises para sustentar a decisão, no entanto a coincidência, estou certo, deve ter deixado o apaixonado bem feliz.

Feita uma passagem breve pela adega, no sentido de nos dar a conhecer a área de vinificação e intervenção do enólogo, neste caso uma enóloga. Da adega ressalvo a limpeza com que se apresentava e a qualidade da maquinaria utilizada. Ali a uva e o vinho, são tratados com máxima deferência.

Estava na hora de passar à acção e provar os vinhos da QMD. Fomos encaminhados para a sala de provas, onde o que se iria segui, iria marcar a minha memoria para sempre.
Há algum tempo atrás relembro a noticia veiculada pelas revistas da especialidade, que davam conta da apresentação dos novos vinhos com o recurso à musica, mas uma coisa é ler, outra é estar lá. Garanto-vos que foi uma experiência única e enriquecedora.

Os vinhos e a musica:

QMD Madrigal 2007
Apesar de não ter tido direito a Paganini, foi um vinho que gostei bastante, mercê da sua frescura. Para um vinho de 13,5% vol, mostrou-se muito fresco, muito fino e cheio de mineralidade. Tendo provado as versões anteriores, confesso que me sinto corajoso ao dizer que será na minha opinião o melhor Madrigal de sempre.


QMD Vinha da Nora 2005 (Acompanhado por Capricho 24 de Paganini)
O Vinha da Nora mostrou-se muito bem, com sugestões minerais, associadas a algum especiaria e com uma boca equilibrada e com taninos bem saborosos.
Confesso que gostei. Uma excelente RPQ.


QMD Reserva 2004 (Concerto para piano e orquestra, sobre um tema de Pagagini, por Rachmaninov)
Tal como a música do próprio Rachmaninov, este vinho, este grande vinho, ondulou entre apontamentos de potência, de brutalidade e nuances de elegância e de serenidade. Aroma rico, cheio de especiaria, de fruto maduro e muita mineralidade.
Boca muito jovem, com muito por onde evoluir, taninos muito jovesn mas promissores.
Palavras para quê? Grande vinho


QMD Lybra 2006 (Song and Dance from Andrew Lloyd Webber)
Novamente uma perfeita associação entre o vinho e a musica. O Lybra é suposto ser um vinho descomplexado, alegre, um vinho fútil. Confesso que apesar de todos esses objectivos, foi o vinho que menos me convenceu, mas por ter sido há tão pouco tempo engarrafado, reservo a minha apreciação.

QMD Têmpera 2004
Este vinho foi para mim uma grande e agradável surpresa. Muito bem no aroma, com notas de fruto maduro, muitas sugestões balsâmicas e uma boca plena de sabor e intensidade.

QMD Aurius 2003
Está muito bem e recomenda-se. Elegante, sedutor, este vinho parece ganhar qualidades com o passar dos anos. Nada de excessos, a Touriga mantém, no meu entender, a dianteira e mostra-se cheia de esplendor.
Outro belo vinho.

Uma bela tarde, onde ainda tivemos tempo para ver outros cantos da casa, como uma cozinha que qualquer profissional gostava de ter ou uma garrafeira pessoal invejável.

À Equipa da Quinta do Monte D'Oiro os meus agradecimentos pela recepção. Foi uma experiência enriquecedora. Bem Hajam


quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Vindouro 2008


A Vila de São João da Pesqueira vai uma vez mais acolher o Vindouro, na edição de 2008. Este evento, que terá lugar de 5 a 7 de Setembro no Salão de Exposições de SJP, organizado pela Câmara Municipal de São João da Pesqueira e com a organização técnica da Essência do Vinho, irá este ano contar com a presença de cerca de 60 produtores durienses.
Além da presença dos produtores da região, o evento contará ainda com inúmeros atractivos:

Sessões de cozinha ao vivo
Jogos a cavalo
Cortejo da época
Jantar pombalino no majestoso Palácio de Cidrô
Concerto de André Sardet
Leilão de Vinhos
Etc

Estas são mais que boas razões para não ficar em casa e divertir-se na companhia de bom vinho, boa comida e boa musica.


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