sábado, 23 de agosto de 2008

Vinhos e Paganini na Quinta do Monte D'Oiro


Ao ler o titulo deste artigo, muitos pensarão, o que tem Paganini a ver com Vinho e com a Quinta do Monte D'Oiro (QMD)? Pois, eu também nunca tinha feito essa associação mas o que é certo é que, no dia 28 de Julho, na QMD, tive o enorme prazer de provar os vinhos deste Produtor, acompanhados de musica.

Foi no passado dia 28 de Julho, por um duplo convite da QMD e da Tasca do Joel, que fui visitar este Produtor da Estremadura. Confesso que o principal atractivo, pelo menos para mim, desta visita era mesmo a possibilidade de conhecer pessoalmente o Engº José Bento dos Santos. Não sabia que me esperava uma tarde tão fantástica e uma apresentação de vinhos, tão singular.

Eram 15h quando chegamos à Quinta, situada em Freixiais de Cima. Fomos recebidos pela sempre simpática Sophie Mrjen, que é como se fosse todos os membros do Engº Bento dos Santos, na Quinta e também por um vento bem forte, como é habitual naquelas paragens.
Não tardou a chegar junto de nós o Anfitrião, e reparei que de imediato todos nós nos colocamos em "ponto de escuta" como se esperássemos uma palestra.
Começamos então a visita, falando das vinhas, da casta Syrah e de um projecto que irá somente no próximo ano dar os seus frutos. Este projecto, uma Joint-Venture, ou se quiserem uma experiência, entre a QMD e o Sr. Chaputier, consiste numa pequena parcela de vinha, plantada na QMD, com a casta Syrah. A curiosidade é o facto de as videiras não serem clones mas sim originais, vindas do vale do Rhône, onde a casta é nativa. Aguardemos então pelo resultado dessa experiência.

A conversa continuava interessante e animada. Já conhecia a paixão dos Engº Bento dos Santos pelos vinhos do Rhône, mais propriamente, pelos vinhos de Côte-Rotie e sempre pensei que o encepamento espelhava essa paixão, que tudo o que tinha sido feito, tinha sido pensado com o coração, nada mais longe da verdade. A realidade é que apesar da sua paixão, foram factos científicos, que sustentaram a decisão de plantar as castas francesas. Foram feitas inúmeras análises para sustentar a decisão, no entanto a coincidência, estou certo, deve ter deixado o apaixonado bem feliz.

Feita uma passagem breve pela adega, no sentido de nos dar a conhecer a área de vinificação e intervenção do enólogo, neste caso uma enóloga. Da adega ressalvo a limpeza com que se apresentava e a qualidade da maquinaria utilizada. Ali a uva e o vinho, são tratados com máxima deferência.

Estava na hora de passar à acção e provar os vinhos da QMD. Fomos encaminhados para a sala de provas, onde o que se iria segui, iria marcar a minha memoria para sempre.
Há algum tempo atrás relembro a noticia veiculada pelas revistas da especialidade, que davam conta da apresentação dos novos vinhos com o recurso à musica, mas uma coisa é ler, outra é estar lá. Garanto-vos que foi uma experiência única e enriquecedora.

Os vinhos e a musica:

QMD Madrigal 2007
Apesar de não ter tido direito a Paganini, foi um vinho que gostei bastante, mercê da sua frescura. Para um vinho de 13,5% vol, mostrou-se muito fresco, muito fino e cheio de mineralidade. Tendo provado as versões anteriores, confesso que me sinto corajoso ao dizer que será na minha opinião o melhor Madrigal de sempre.


QMD Vinha da Nora 2005 (Acompanhado por Capricho 24 de Paganini)
O Vinha da Nora mostrou-se muito bem, com sugestões minerais, associadas a algum especiaria e com uma boca equilibrada e com taninos bem saborosos.
Confesso que gostei. Uma excelente RPQ.


QMD Reserva 2004 (Concerto para piano e orquestra, sobre um tema de Pagagini, por Rachmaninov)
Tal como a música do próprio Rachmaninov, este vinho, este grande vinho, ondulou entre apontamentos de potência, de brutalidade e nuances de elegância e de serenidade. Aroma rico, cheio de especiaria, de fruto maduro e muita mineralidade.
Boca muito jovem, com muito por onde evoluir, taninos muito jovesn mas promissores.
Palavras para quê? Grande vinho


QMD Lybra 2006 (Song and Dance from Andrew Lloyd Webber)
Novamente uma perfeita associação entre o vinho e a musica. O Lybra é suposto ser um vinho descomplexado, alegre, um vinho fútil. Confesso que apesar de todos esses objectivos, foi o vinho que menos me convenceu, mas por ter sido há tão pouco tempo engarrafado, reservo a minha apreciação.

QMD Têmpera 2004
Este vinho foi para mim uma grande e agradável surpresa. Muito bem no aroma, com notas de fruto maduro, muitas sugestões balsâmicas e uma boca plena de sabor e intensidade.

QMD Aurius 2003
Está muito bem e recomenda-se. Elegante, sedutor, este vinho parece ganhar qualidades com o passar dos anos. Nada de excessos, a Touriga mantém, no meu entender, a dianteira e mostra-se cheia de esplendor.
Outro belo vinho.

Uma bela tarde, onde ainda tivemos tempo para ver outros cantos da casa, como uma cozinha que qualquer profissional gostava de ter ou uma garrafeira pessoal invejável.

À Equipa da Quinta do Monte D'Oiro os meus agradecimentos pela recepção. Foi uma experiência enriquecedora. Bem Hajam


quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Vindouro 2008


A Vila de São João da Pesqueira vai uma vez mais acolher o Vindouro, na edição de 2008. Este evento, que terá lugar de 5 a 7 de Setembro no Salão de Exposições de SJP, organizado pela Câmara Municipal de São João da Pesqueira e com a organização técnica da Essência do Vinho, irá este ano contar com a presença de cerca de 60 produtores durienses.
Além da presença dos produtores da região, o evento contará ainda com inúmeros atractivos:

Sessões de cozinha ao vivo
Jogos a cavalo
Cortejo da época
Jantar pombalino no majestoso Palácio de Cidrô
Concerto de André Sardet
Leilão de Vinhos
Etc

Estas são mais que boas razões para não ficar em casa e divertir-se na companhia de bom vinho, boa comida e boa musica.


quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Pinote

Os vinhos Pinote tiveram a sua apresentação no passado dia 17 do mês de Junho, onde estive presente, na Casa de Mogofores e resultam de uma parceria entre a GR Consultores (Rui Cunha e Gonçalo Sousa Lopes) e o Produtor Campolargo. Desta parceria resultaram um tinto e um branco do Douro e da Bairrada, respectivamente. A curiosidade é que o lote duriense foi aprovado pelo produtor Bairradino e o vice-versa. Estes vinhos serão comercializados apenas em caixas de 6 unidades, com 3 garrafas de cada um dos vinhos, pelo preço aproximado de 70€.


Pinote Branco 2007
Produtor - GR Consultores/Campolargo
Região - Bairrada
Grau - 13% vol
Feito a partir das castas Viognier, Verdelho, Arinto, Sauvignon Blanc e Bical
Cor palha com amarelada.
Aroma muito rico, ligeiramente marcado pela madeira. Perfumado, apresentou-se com aromas diversos onde se contavam notas anisadas, fruto tropical, ligeiro vegetal, hortelã, ananás e sensações minerais.
Boca de boa cremosidade, com notas de barrica a acompanharem todo um pendor frutado. Perfeita acidez num final prolongado.
Um vinho sério que pautou pela frescura e excelente acidez. A prova de que cada vez melhores vinhos se estão a fazer pelo nosso país. Claramente a mostrar a apetência da Bairrada para os brancos. Muito bem.
Nota 17



Pinote Tinto 2007
Produtor - GR Consultores/Campolargo
Região - Douro
Grau - 13% vol

Feito a partir das castas tradicionais do Douro.
Cor Rubi.
Muito bem no aroma, a denotas fruto maduro como cassis, ameixas e mirtilos que se associam a notas florais e notas de barrica.
Boca de boa intensidade e curiosamente de muita frescura apesar de notas de caramelo e especiarias que se intrometem nesta parte da prova. Termina com final de boa persistência.
Numa altura em que muitas vezes, no Douro, se optam por vinhos com demasiada extracção e até certo ponto, algo brutos, este vinho apresenta-se marcadamente fresco e muito prazenteiro.
Nota 16,5

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Tasca do Joel em destaque, na Blue Wine

Ao folhear a Revista Blue Wine deste mês, dei pela avaliação do serviço de vinhos da Tasca do Joel, na secção de restaurantes.
Não sendo bem uma surpresa assim tão grande para mim, pois bem sei a qualidade e o esforço que vem sendo desenvolvido em prol do Vinho, ou não fosse eu também um dos responsáveis pelas mudanças efectuadas, mas fiquei extremamente contente pela apreciação que foi feita e pela classificação atribuida, que permitiu à Tasca situar-se no Top 20 da revista.
Ao Joel e a toda a sua equipa, os meus sinceros parabéns, pois bem merecem este reconhecimento que não é mais que o fruto do muito trabalho que se tem vindo a desenvolver neste ultimos 2 anos.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Georg Riedel em Portugal



Para muitos o titulo pode não lembrar nada em especial, mas para todos aqueles que gostam do vinho e se preocupam pelas condições em que é servido, Georg Riedel é um nome incontornável no mundo Viníco.

A Riedel é provavelmente a lider mundial de "Glassware" destinada a vinho e bebidas espirituosas. Esta empresa familiar Austriaca já vai na 11ª geração de "Glassmakers" e conta com Georg Riedel, pertencente à 10ª geração, à frente dos destinos da companhia desde a decada de 70. Georg tem sido responsável pelo desenvolvimento da marca e da tecnologia dos copos da Riedel. Foi responsável pela criação das gamas Vinum, Vinum Extreme e Overture e é hoje em dia CEO da empresa.

No proximo dia 13 de Agosto a UVA, importadora em Portugal da Riedel, organiza um evento, ou melhor, uma prova com os copos Riedel da gama Grape.
Esta prova terá lugar no Hotel Ritz, pelas 17h e contará obviamente com a presença de Georg Riedel.
Existe um custo de participação de 35€ mas que permite acesso à oferta do tasting set da Riedel, utilizado na prova, no valor de 75€.
Incrições: 229364360 ou rosa.teixeira@uvaportugal .com



Pessoalmente lá estarei e obviamente que recomendo vivamente a todos os enófilos e apreciadores de vinho.

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