quinta-feira, 10 de julho de 2008

Quinta das Bajancas e Quinta do Soque apresentam novidades

Foi no passado dia 3 de Julho, no restaurante 100 maneiras, que teve lugar a apresentação de dois novos vinhos da Quinta das Bajancas e da Quinta do Soque, Trilho branco 2007 e Quinta do Soque Reserva 2005, respectivamente.
A apresentação contou com a presença dos produtores e da equipa de enologia, a 2PR (Duplo PR), comum a ambos os projectos.

A Quinta das Bajancas, pertença de António Alfredo Lamas, é um projecto Duriense que começou a ser delineado em 1993, quando por iniciativa própria, o proprietário decidiu partir na aventura de fazer vinho. Escolheram-se as castas a plantar, e em 1
994 iniciaram-se as plantações. Em 2004 tem lugar a primeira colheita, nesta Quinta, já com a consultoria da 2PR.
A Quinta das Bajancas possui hoje no seu portefólio três vinhos DOC Douro, um tinto e um branco de marca Bajancas e ainda mais um branco, de seu nome Trilho, que foi a
presentado nesta ocasião.


Trilho branco 2007
Produtor - António Alfredo Lamas
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Preço - Recomendado 15€
Feito a partir das castas Rabigato, Gouveio e C
ódega-de-Larinho, este vinho estagiou por 6 meses em barricas novas de carvalho francês.
Cor palha com reflexos esverdeados.
Aroma bem desenhado, fresco e muito intenso, com notas de fruta branca, ananás, sensação vegetal, alguns anisados e ligeira sensação tostada. A madeira esta muito bem trabalhada neste vinho.
Boca com um equilíbrio fantástico, onde não se faz notar a barrica em demasia, a presença de álcool é esquecida, e uma acidez perfeita assenta como uma luva num vinho que termina cheio de frescura, sabor e interessante sensação de secura.
Muito bem desenhado este branco. Madeira bem trabalhada a mostrar que se sabe o que está a fazer. Um vinho complexo, cheio de vida e frescura. A não perder este jovem, mas excelente, branco.
Nota 17




A Quinta do Soque situa-se na margem esquerda do Rio Torto, no Concelho de São João da Pesqueira.
A propriedade possui cerca de 20ha dos quais 17 são ocupados por vinha. A família Vicente, proprietária há mais de 20 anos, decidiu modernizar a Quinta, em 1990, com o intuito de produzir vinho de qualidade. Após um estudo exaustivo das condições edafo-climáticas, foram iniciadas as plantações das castas que se acharam com possibilidade de garantir melhores condições. Esta tarefa terminou em 1996 com a total plantação dos 17ha que hoje subsistem.
Na Quinta do Soque são produzidos vinhos DOC Douro, brancos e tintos, coma preciosa ajuda da equipa 2PR.


Quinta do Soque Reserva 2005
Produtor - António Carlos Vicente
Região - Douro
Grau - 14% vol
Preço - Recomendado 19€
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, este vinho estagiou em barricas de carvalho francês.
Cor rubi, de boa concentração.
Aroma ligeiramente maduro, onde predominam notas de frutos pretos como a ameixa e a cereja preta que são acompanhadas por sugestões de especiarias, chocolate e algumas notas florais. A este conjunto ainda se juntam algumas notas tostadas.
Na boca existe intensidade, e uma certa bonança nos taninos, que se mostram redondos, dóceis. O vinho termina com sugestões tostadas.
Um vinho muito bem feito que não vira as costas a comida. No meu entender, está num ponto óptimo de consumo.
Nota 16


Como pequena nota, destaco a capacidade de conjugação destes vinhos com a comida, que foi elevada a um patamar superior, pela fantástica performance da equipa do 100 Maneiras, em Cascais.

domingo, 6 de julho de 2008

IWA apresentam novas colheitas




Os IWA (Independente Winegrowers Association), apresentaram, no passado dia 2 de julho de 2008, as suas novas colheitas à imprensa e a amigos.
Este evento teve lugar no Hotel Ritz Four Seasons, em Lisboa, e contou com a presença de representantes das várias revistas das especialidades, bloggers e amigos.

Com o Lema "União pela Força da Promoção" foi criada em Janeiro de 2004, a Independent Winegrowers Association.
A IWA é uma associação estratégica entre 6 produtores portugueses, de regiões distintas, que decidiram unir esforços com o intuito de assim poderem criar condições propicias à promoção de seus vinhos pelo estrangeiro. Fazem parte desta Associação, os produtores da Quinta do Ameal (Vinho Verde), Casa de Cello (Vinho Verde/Dão), Quinta dos Roques (Dão), Alves de Sousa (Douro), Luis Pato (Bairrada/Beiras) e Quinta de Covela (Minho).
Site dos IWA



Os vinhos:



Casa de Cello

A Casa de Cello é uma empresa familiar que se dedica à produção de vinho desde a década de 80. Composta pela Quinta da Vegia, no Dão, e pela Quinta de Sanjoanne, nos Verdes, esta empresa dedica-se de coração e alma à produção de vinhos de qualidade.
Embora não consiga esconder, pessoalmente, uma certa predilecção pelos fantásticos vinhos da Quinta da Vegia, têm sido os Sanjoanne a despertarem enorme atenção pela sua frescura, intensidade e fantástica acidez.


Espumante Sanjoanne Reserva Bruto 2002
Feito a partir das castas Arinto e Avesso.
Aromático, com muitas notas de casca de marisco, maçãs e ligeiras notas oxidativas.
Boca volumosa, cremosa. Bolha fina e muito persistente. Muito fresco e ainda com excelente acidez. Gosto muito deste espumante.

Quinta de Sanjoanne 2007
Feito de Avesso e Loureiro.
Muito aromático este vinho. Vegetal, muito fresco. Com alguma descida de temperatura são notas anisadas e de fruto de caroço que vêm ao nosso encontro.
Na boca todo ele é frescura a par de uma acidez bem presente.

Quinta de Sanjoanne Escolha 2004
Feito a partir das castas Avesso, Alvarinho e Chadonnay.
Denota uma leve sensação de oxidação, que contribui como uma mais valia ao conjunto. Notas vegetais, notas de fruto e alguns florais.
Boca cremosa mas cheia de frescura. Acidez perfeita a que se junta um final bem persistente. Muito bom.

Porta Fronha 2006
Feito a partir das Castas Tinta Roriz e Touriga Nacional.
Aroma jovem e repleto de notas de fruto maduro, ligeiros florais e alguma sensação especiada.
Boca igualmente jovem com tanino a mostrar-se. Fantástica relação Preço/Qualidade

Quinta da Vegia 2005
Fantástico no aroma, a mostrar bem os seus dotes florais, fruto maduro e enorme sensação de baga fresca esmagada.
Boca jovem e firme. Denota frescura mas mostra ainda muito tanino jovem mas gostoso.

Quinta da Vegia Reserva 2005
Conjunto aromático pleno de intensidade. Inicia-se com muitas notas florais, fruto maduro, especiarias e notas de barrica.
Ainda é um jovem na boca mas mostra toda a sua pujança graças aos taninos vigorosos. Termina com notas especiadas mas cheio de prazer. Ainda que tenha muito para vir a mostrar, é no meu entender um belíssimo vinho.


Alves de Sousa

Cedo mostrou que possuia matéria prima. Entregava, como a maioria, uva às grandes casas durienses, até que chegou a altura de colocar um ponto final nessa situação e arrancar com um projecto que só tinha condições para vencer. Nem tudo foram rosas mas penso que terá valido a pena. Alves de Sousa goza hoje de uma boa reputação, ganha a pulso, e hoje em dia com seu filho Tiago e o enólogo Anselmo Mendes atingiram um patamar de excelência.
Este produtor cria alguns dos vinhos mais emblemáticos e cobiçados em Portugal.

Branco da Gaivosa Reserva 2006
Feito a partir das castas Malvasia Fina, Arinto e Gouveio
Ainda se encontra algo marcado por notas da madeira onde estagiou. Ligeiras sugestões anisadas, vegetais e ligeira amendoa amarga.
Boca com boa dose de untuosidade, glicerinada com excelente persistência final. Belo branco

Alves de Sousa Reserva Pessoal Branco 2004
Castas tradicionais do Douro.
De inicio a sensação que me alertou foi a presença de notas de fosforo a que se seguiram notas de fruto cozido. Não me pareceu muito pesado mas sim um aroma original.
Na boca todo ele é volume, que até se parece colar nas paredes bucais, no entanto dei por mim a sentir alguma frescura no conjunto. Termina longuíssimo.
Como me disse o produtor, "este vinho, ou se adora ou se odeia". Concordo com essa afirmação mas aqui entre nós, eu ADORO.

Quinta da Gaivosa 2003
Feito a partir das castas tradicionais do Douro.
Aroma muito aguerrido, mineral, pejado de notas de fruto maduro e de notas de barrica.
Muito equilibrado na boca, cheio de intensidade e com taninos nobres. Belo vinho e um dos meus preferidos.

Alves de Sousa Vinha do Lordelo 2005
Feito a partir das castas tradicionais do Douro.
Aroma muito intenso, com notas de fruto maduro, especiarias e notas tostadas. É um vinho de excessos, no bom sentido.
Boca potente, vigorosa, com taninos firmes.


Luís Pato

O que dizer de um homem que revolucionou uma região por completo? Tudo começou em 1980, quando Luís Pato decidiu tomar as rédeas do negócio do vinho da família, e logo nesse ano faz um vinho muito especial, mesmo para a altura. Estava dado o mote para toda uma fantástica carreira que se seguiu até aos dias de hoje. Depois desse sucesso, surgem inovações como o uso de barricas e o uso de temperaturas controladas nas fermentações, que espelhavam o espírito pioneiro e inconformista deste produtor.
É hoje em dia um dos grandes Senhores do Vinho e um produtor com créditos firmados em Portugal e no Mundo. A ele devemos grandes vinhos, que há bem pouco tive a imensa felicidade de provar.


Luís Pato Maria Gomes 2007
No nariz mostra-se muito aromático, cheio de notas adocicadas e algum citrino.
Boca assertiva, com intensidade.
Um branco muito bem feito, com um propósito apenas, o de agradar.

Luís Pato Vinhas Velhas 2007
Feito a partir das castas Bical, Cerceal e Cercealinho.
Tem vindo a melhorar, e bem. Aroma da boa intensidade, com notas de anisadas, vegetais e algum tostado.
Boca com volume, fresco e repleto de intensidade e final persistente.
Continua a melhorar de dia para dia. Um vinho sério

Luís Pato Vinha Formal 2007
Feito a partir da casta Bical.
Aroma já a mostrar intensidade mas ainda algo jovem pois são as notas vegetais que comandam o conjunto. Mineral e algum fruto.
Na boca mostra uma frescura incessante, uma belíssima acidez e final longo.
Um dos "meus" brancos da Bairrada. Obrigatório.

Quinta do Ribeirinho Pé-Franco 2005
Feito a partir da casta Baga.
Já o tinha provado quando se formava, nas barricas. Na altura achei que estaria demasiado acessível e achei que se estaria a rumar num caminho paralelo aos anteriores. Mantenho a mesma opinião pois acho que está desde já bastante atraente ainda que jovem. O conjunto mostra fruto bem sensual e notas herbáceas que se aliam a notas de barricas. Certa elegância e equilíbrio num vinho ainda por lapidar.
Boca aristocrática e cheia de classe. Taninos bem presentes mas quase tímidos a não quererem interferir no conjunto. Final longo e cheio de intensidade.
Um Quinta do Ribeirinho que mostre já uma possibilidade de aproximação tão dócil pode ser novidade, no entanto o que não é novidade é que este é um grande vinho. Ainda precisa de "apurar" e complexar-se. Fantástico Sr Luís Pato. Pena realmente o preço



Quinta do Ameal

Este é um produtor com o qual ainda não tinha mantido um contacto sério uma vez que não tinha ainda provado nenhum dos seus vinhos. O que é certo é que foi o que mais me impressionou em toda esta prova. Talvez por conhecer todos os outros, que são grandes produtores, não esperasse grande surpresa na Quinta do Ameal mas a verdade é que fiquei rendido ao carácter dos seus vinhos. Encontrei vinhos de uma pureza e uma personalidade fantásticas.
Pedro Araújo é o homem do leme nesta aventura que neste momento se encontra a transitar para uma agricultura biológica.


Quinta do Ameal Loureiro 2007
Aromas muito exuberantes, com notas de hortelã, de relva molhada, ananás e algum pêssego.
Boca de bom volume com notas de fruto. Muito fresco e intenso novamente.
Fantástico este vinho, face ao preço pedido por ele. Um vinho de entrada de gama mas cheio de seriedade e vontade de agradar. A não perder.

Quinta do Ameal Escolha 2007
Feito a partir da casta Loureiro
Aroma cheio de intensidade onde o fruto encontra-se perfeitamente integrado num belo trabalho com a madeira. Ainda que sendo um vinho que estagiou em barricas, mostra-se cheio de frescura, cheio de intensidade e absolutamente vibrante.
Boca de uma intensidade incontrolável. Acidez perfeita num vinho complexo e profundo. Um final longo e puro tornam este vinho num caso sério.
Aconselho vivamente todos a experimentarem, e mesmo guardarem, este delicioso vinho. Para mim do melhor que já provei nesta Região.

Quinta do Ameal Loureiro 2001
Uma absoluta surpresa. Aromas rico e complexo, cheio de notas petroladas, notas de azeite e notas de mel. A fruta mantém-se ainda presente e cheia de vida.
Na boca um vinho sensacional graças a uma acidez bem viva que em quase nada desvaneceu com o tempo. Fresco e calibrado, este vinho mostra a capacidade de envelhecimento de um Loureiro.
Absolutamente fantástico. pena é que já não se consiga encontrar, pelo menos com facilidade.

Nota: este produtor ainda apresentou duas novidades que poderão em breve estar no mercado. Primeiro um espumante de 2002, que se mostrou bem sério, encorpado, mas pleno de intensidade e sabor, segundo, um vinho de sobremesa que pura e simplesmente arrebatou a maioria dos presentes. Muito exuberante e exótico, equilibrou na perfeição a acidez e o açúcar. Dois vinhos de belo efeito que me vão fazer esperar pela sua saída para o mercado.




Quinta de Covela

É para mim muito grato estar a falar desta Quinta, uma vez que tive o enorme prazer de visitar e de confraternizar de bem perto com o proprietário e mentor, Nuno Araújo.
Foi dos episódios mais gratificantes que tive nesta minha curta vida vínica. É que quer quer que seja, não conseguirá ficar indiferente ao que se passa nesta lindíssima quinta e ao orador Nuno Araújo.
A Quinta de Covela situa-se encostada ao limite exterior da Região Demarcada do Douro, sendo que por isso ostenta em seus vinhos a designação de Regional Minho.
Ao chegar ao local ficamos siderados por um magnifico anfiteatro, onde se encontra todo um clima de frescura, de limpeza e de vida. A Quinta de Covela está certificada em Agricultura Biológica e Biodinâmica e como tal é um deleita ver a vinha cheia de vida a seu lado. Nada existe ao acaso e tudo tem o seu propósito num ecossistema vivo.


Quinta de Covela Escolha branco 2006
Feito a partir das castas Avesso, Chardonnay e Gewurztraminer.
Aroma repleto de notas anisadas, sugestão de rosas e algum fruto tropical.
Boca de bom volume, muito fresca e com excelente acidez.
É um daqueles brancos que é fácil se gostar. Mas não pensem que encontrarão um vinho directo e fácil, pois estamos perante um vinho bem sério que tem muito para nos mostrar.

Quinta de Covela Colheita Seleccionada branco 2005
Feito a partir das castas Avesso e Chardonnay.
Curiosamente jovem para um branco de 2005. O tempo não beliscou em nada a sua juventude. Mostra-se bem mineral, frutado e com notas tostadas.
Boca em pleno equilíbrio onde se integram na perfeição algumas notas de barrica. Final bem longo.
Está de perfeita saúde e recomenda-se, este vinho.



Quinta do Roques

Apesar de já há mais de um século se produzir vinho na Quinta dos Roques, foi na década de 80 que se sentiu uma obrigação de se iniciar um projecto mais sério tendo em vista a produção de vinho ao mais alto nível.
A verdade é que essa intenção passou a ser uma realidade e a Quinta dos Roques e Quinta das Maias fazem parte de um projecto de reconhecida qualidade no Dão.
Hoje em dia é inegavelmente um dos mais prestigiados produtores do Dão e de Portugal, muito graças ao espírito jovem e combativo de Luís Lourenço que conduz os destinos das Quintas.


Quinta dos Roques Encruzado 2007
É sempre uma felicidade quando provo este vinho, ou não fosse um dos meus encruzados preferidos. Apesar de o preferir quando tem mais algum tempo em garrafa, para que integre bem a madeira, este 2007 tem sido para mim uma surpresa exactamente pelo perfeito equilíbrio que a madeira já tem neste conjunto.
Muito mineral e fresco, este vinho apareceu algo tímido mas não tardou a mostrar as habituais notas anisadas, notas vegetais e de limão.
Boca com excelente acidez e frescura num final longo e cheio de intensidade.
O que dizer? É um grande Encruzado e no meu entender um grande vinho.

Quinta dos Roques Malvasia-Fina 2007
Acheio-o para já muito tímido, pouco aromático mesmo. Do pouco que consegui sentir, foram algumas notas de pêra que se aliavam a uma frescura intensa.
Boca com bela acidez e ligeiras notas adocicadas.
Prognóstico reservado para já.

Quinta dos Roques Touriga Nacional 2005
Complexo e rico nos aromas. Muito jovem no aroma, com notas florais e vegetais que se associam a um fruto maduro de qualidade.
Boca muito aguerrida, jovem e com taninos rebeldes.
Ainda não está no seu tempo mas dá para ver grandeza neste vinho.

Quinta das Maias Jaen 2006
Um vinho algo contrário aos restantes vinhos da mesma casta que se encontram espalhados pelo Dão. Este vinho mostrou-se cheio de nervo, aguerrido e contido.
Na boca muito jovem e com taninos algo rebeldes a precisarem de tempo para acalmar.

Flor das Maias 2005
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Jaen e Alfrocheiro.
Aromas florais, muito fruto maduro e algumas notas mentoladas e umas excelentemente integradas notas de barrica.
Boca cheia de jovialidade mas com uma curiosa sensação refrescante. Final longo e intenso.
Provavelmente o vinho que mais me cativou em toda a prova e uma certeza de que estamos perante um grande vinho. Aguardo ansiosamente.



Terminada a sessão de provas, iniciamos uma refeição que foi magnificamente conduzida e elaborada pelo Hotel Ritz. Não estava à espera de nada e afinal recebi uma refeição fantástica em termos de pratos.

Os meus sinceros agradecimentos aos IWA pelo convite que me fizeram. Deixo aqui os meus votos de sucesso dentro e fora de portas e que mantenham-se sempre no sentido de levar os nossos vinhos a todos os cantos do Mundo. Bem Hajam

terça-feira, 1 de julho de 2008

Quatro Âncoras - Guarda Rios

Penso que seja o projecto vínico mais badalado do momento. Não há garrafeira ou Restaurante onde eu vá, que não me perguntem se já conheço os vinhos de Vale D'Algares ou se já visitei a magnifica adega deste produtor. Na realidade tem sido difícil conseguir uma visita à adega mas os vinhos já estão provados.

Vale D'Algares é um projecto completamente novo, mas um projecto com visão.
Um projecto destes no Ribatejo? Esta será a pergunta de muitos, mas para quem conhece bem a região, sabe que a mesma pode dar belos vinhos. Aliás, no meu entender já os dá. Existe boa matéria prima e só faltam mesmo mais alguns projectos de excelência para começar a puxar pela região.
Vale D'Algares integra um projecto sem par na Região e quiçá no resto do nosso país. Este projecto nasce de um enorme, mas criterioso, investimento numa adega e nas vinhas de Vale D'Algares e Quinta da Faia. Contempla ainda a vertente de enoturismo e Turismo Equestre.
U
m projecto a seguir de perto em www.valedalgares.com.

Os vinhos Guarda Rios, que agora comento, são a entrada de gama do produtor, que colocam sobre a marca Vale D'Algares os seus vinhos mais emblemáticos.


Guarda Rios 2006
Produtor - Quatro Âncoras
Região - Ribatejo
Grau - 14% vol
Preço - A partir de 11€
Feito a partir das castas Syrah (50%), Touriga Nacional (20%), Aragonês (15%) e Merlot (15%), este vinho alvo de fermentação e estágio em barricas novas de carvalho francês por 9 meses sendo que após 6 meses de estagio em garrafa, foi lançado no mercado.
Cor rubi de boa concentração.
Aroma muito intenso a mostras notas de frutos preto (cassis e amoras) brotam de imediato do copo. Seguem-se notas florais e especiadas que se complementam com notas de tosta e de baunilha. Um conjunto aromático de belo efeito.
Na boca, um vinho equilibrado, com taninos redondos e gostosos. Uma boa acidez e um final de boa intensidade com sugestões de caramelo e chocolate.
Uma bela surpresa este vinho. Muito bem no aroma, muito cativante e bem equilibrado na boca. Recomendo vivamente.
Nota 16


Guarda Rios Branco 2006
Produtor - Quatro Âncoras
Região - Ribatejo
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 9€

Feito a partir das castas Chardonnay (34%), Sauvignon Blanc (26%), Fernão Pires (24%) e Alvarinho (16%) este branco fez a fermentação em inox, com 30% em barricas de carvalho francês com batonnage durante 3 meses. 25% do total da Chardonnay fermentou parcialmente em barricas novas de carvalho francês.
Cor palha com reflexos esverdeados.
Aroma algo tímido de inicio. Com algum tempo mostrou notas de fruto de caroço e notas vegetais que se associam a notas tostadas. Alguma percepção mineral embeleza o conjunto.
Boca com belo volume e intensidade coadjuvada com uma boa acidez e final persistente com notas tostadas.
Um branco que penso ainda não ter mostrado tudo o que pode mostrar. Não deixando ainda assim de ser um bom branco.
Nota 15,5


Guarda Rios Rosé 2006
Produtor - Quatro Âncoras
Região - Ribatejo
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 9€
Feito a partir das castas Aragonês (80%), Syrah (10%) e Touriga Nacional (10%), este vinho fermentou e estagiou em inox apenas.
Cor vermelha brilhante.
Aroma de boa intensidade com notas de framboesas e morangos. Leve sensação adocicada.
Boca indiciando frescura e leveza apesar de um final com notas adocicadas novamente.
Um rosé de baixo teor alcoólico a garantir frescura ao conjunto. Não sendo ao meu gosto pessoal, a sensação adocicada, por certo terá os seus seguidores.
Nota 14,5

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Altas Quintas - Os Crescendo

Ainda me lembro quando se começou a falar de um produtor que produzia um vinho chamado Altas Quintas. Haviam 2 aspectos, entre muitos, que despertavam a atenção de todos e dos quais todos falavam. Eram eles, as vinhas a 600m de altitude em plena serra de S. Mamede, no alentejo, e a qualidade que apresentava o vinho Altas Quintas. Penso que foi isto mesmo que João Lourenço idealizou para este projecto quando chamou para junto de si Paulo Laureano. Ambos tiveram muito trabalho, muita paciência, muitas horas de sono perdidas para que assim que se festejasse a primeira colheita, viesse desde logo um vinho muito especial. Foi assim desde o inicio e esperemos que continue por muito mais tempo.
De toda esta envolvente especial nasceu a gama Altas Quintas Crescendo que veio colmatar a ausência deste produtor num segmento muito próprio e cheio de adeptos. Os Altas Quintas Crescendo:


Altas Quintas Crescendo Branco 2007
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 13,5% vol
Preço -
Feito a partir das castas Verdelho, Arinto e Fernão Pires, este vinho estagiou, após fermentação a baixas temperaturas, em inox sendo posteriormente engarrafado.
Apresentou uma bonita e brilhante cor palha.
Todo o aroma deste vinho parece deambular entre notas vegetais, notas de hortelã e curiosamente sugestões de pinheiro. É muito exuberante e muito jovem no aroma. Todo este vegetal dá uma frescura incessante ao vinho. A fruta existe mas neste momento está algo escondida e não tardará em aparecer. Com algum tempo no copo apareceram notas ananás.
Boca de bom volume, muito fresca com acidez bem colocada e final de boa persistência.
Bonito este branco. Muito fresco e exuberante. É mesmo o perfil que este verão já está a pedir. Guarde uma ou outra garrafa para ver o que vai mostrar depois do verão.
Nota 15,5


Altas Quintas Crescendo Rosé 2007
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 13,5% vol
Preço -

Este Rosé, na colheita inaugural, deu muito que falar. Feito a partir da casta Aragonês este vinho estagiou em inox por 3 meses e sendo depois engarrafado.
Cor vermelha viva.
Em equipa que ganha não se mexe e como seria de esperar, esta 2007 mantém o perfil do seu antecessor. Logo no ataque, uma explosão de notas de café e mesmo de capucino. Só de tempo a tempo aparecem algumas notas de fruto silvestre.
Boca com boa estrutura sem que se torne muito pesada. Final de boa persistência.
Um Rosé diferente. Se me perguntassem com que beber este Rosé, de imediato a minha resposta seria com comida. Este será no meu entender um vinho mais gastronómico. Ainda assim tenho que dizer que não me ficou mal de todo.
Nota 14,5


Altas Quintas Crescendo Tinto 2005
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço -
Feito a partir das castas Aragonês e Trincadeira, este vinho estagiou por 12 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Belíssimo da sua cor carregada, quase opaca.
Muito bem no aroma. Cheio de intensidade. Aromas de fruto maduro e de muita especiaria são a imagem de marca que se integram com boas sugestões de barrica.
Boca com estrutura e sensação de frescura. Taninos redondos, num conjunto bem atractivo e dócil, que termina com um final de boa persistência com notas de chocolate amargo.
Muito atractivo este vinho. Nada pesado e no meu entender a mostra uma certa frescura. Acho que será muito boa altura para ser começado a beber pois para já satisfaz plenamente.
Nota 15,5


quarta-feira, 18 de junho de 2008

Dia 5 (21 de Maio)

Era o meu ultimo dia no Douro. Só iria estar em visita a um produtor, e que produtor, no entanto foi um dia fantástico por ter realizado 2 sonhos meus. Eu sou uma pessoa com muitos sonhos no mundo dos vinhos, e na vida. Quem não os tiver, provavelmente já não terá também a paixão. Dos vários sonhos que vou tendo, e criando à medida que outros se vão realizando, existiam 2 que para mim teriam sempre uma sensação de conquista associada. Eram eles, provar o Quinta do Noval Nacional 1963, que é O Vintage, e um garrafeira da Niepoort. Acreditem que os realizei num só dia.
Mas vamos então à visita. O único produtor que iria visitar nesse dia seria a Niepoort. Já por várias vezes tive o privilégio de visitar aquela magnifica adega, mas não estava de maneira nenhuma preparado para o que me iria ser apresentado:

Brancos

Redoma 2002
Aroma com ligeira oxidação, que trás alguma mais valia ao conjunto. Notas de petroladas e de fruto que se associam a sensações de mel.
Boca redonda e de boa textura. Parece-me que vem vindo a melhorar mas também me parece que está pronto.

Redoma 2006
Nariz de excelente intensidade. Este sim, vem a melhorar e muito.
Muito sabor e intensidade na boca. Gostei

Redoma 2007
Muito mineral, muito fresco.
Boca cheia de frescura e acidez. Fantástico

Redoma Reserva 2005
A profundidade deste vinho é impressionante. Elegante e com um equilíbrio notável da madeira.
Gordo, muito gordo na boca com final longuíssimo. Acreditem que me pareceu estar agora na fase de definição do que está para vir. Espero muito deste vinho.

Redoma Reserva 2006
O que inicialmente, quando o provei pela primeira vez, me parecia ser o "Patinho Feio", acabou por se tornar realmente num Cisne. O vinho melhorou drasticamente e apresenta-se cheio de intensidade, com muitas notas de fruto, notas florais e sensações anisadas.
Boca cheia, elegante e intensa. Final longo.

Redoma Reserva 2007
Um reserva de belíssima intensidade. Muito mineral, muito fresco. Equilibrado e com notável trabalho com a madeira.
Boca com acidez notável. Corpo e frescura incessante. Uma reedição do 2005? Humm, senão não me enganar, penso que estará para melhor ou pelo menos terá igualmente fantásticos adjectivos. A seguir de muito perto.


Tintos

Redoma 1999
Ainda que se achasse que estaria "esquisito", eu até achei nele bons argumentos para ter gostado do que estava a provar. Aroma de fruto vermelho, especiaria e alguma torrefacção e caramelo. A oxidação parecia estar algo presente mas no meu entender sem prejudicar a prova.
Melhor na boca, mostrava intensidade e final persistente.

Redoma 2001
Aroma algo afastado do que eu estava à espera. Encontrei-o algo "verde" ou se quiserem, muito vegetal.
Melhor na boca, apresentava-se encorpado e cheio de sabor.

Redoma 2004
Aroma de grande intensidade e profundidade. Poderoso no aroma, dava mostras de fruto maduro e de notas especiadas.
Boca enorme, com final em grande. Fantástico

Redoma 2005
Aroma algo fechado ainda. Com alguns minutos começou a "disparar" aromas de fruto maduro de especiarias e mentolados.
Muito intenso na prova de boca, com uma certa elegância. Novamente fantástico.

Batuta 2005
Aroma muito fechado e duro.
Elegantérrimo na boca e com um final de intensidade incrível. Ainda está a meio gás, mas como tive oportunidade de comprovar esta mesma garrafa, 2 dias após a abertura, posso dizer-vos que acabei por apanhar um vinho monstruoso. Complexo, rico, denso, profundo. Um vinho de top.

Batuta 2004
Que carmoso o aroma deste vinho. Todo ele é elegância e finesse. Um vinho sem excessos, sem qualquer ponta solta e onde tudo esta equilibrado.
Boca novamente elegante. Intenso, saboroso e com final apoteótico. Um batuta com tudo no sitio. Genial.

Charme 2004
Começou algo discreto com notas vegetais, alguma sensação de fosforo e fruto silvestre.
Boca com elegãncia, sossego e plenitude de um vinho que tem um final intenso e longo.

Charme 2005
Nariz de boa intensidade. São notas de fruto vermelho, de algum vegetal, indelével coco, ervas secas e ligeiras notas florais que compõem o complexo aroma deste vinho.
Na boca não me pareceu ter tanta "calma" como o anterior. Aliás até o achei com uma certa pujança num conjunto ainda assim elegante.

Charme 2006
Fechado no aroma. Elegante. Apenas conseguiu mostrar algumas notas de groselha fresca e ligeiras sensações florais.
Boca também ela elegante. Difícil de avaliar nesta fase.

Robustus 2004
Fantástica a intensidade deste vinho. Aroma muito denso com muito fruto preto, floral e notas tostadas.
Encorpado, rijo e com potência pronunciada. Muito jovem ainda mas com um final muito longo. Este é para guardar.







Uma bela prova de um produtor que dispensa apresentações. A Niepoort tem entre o seu portefólio alguns dos melhores vinhos portugueses, no entanto não dorme à sombra da bananeira e ainda tem tempo para pequenas experiências, vinhos de garagem ou pequenos projectos. Não se fazem vinhos para outrem gostar. Fazem-se vinhos de acordo com a filosofia e perfil pretendidos. Provavelmente, aliás invariavelmente, quando se fala em Niepoort, fala-se em Dirk Niepoort, mas deixe-me dizer que apesar da importância de Dirk Niepoort, ou não fosse ele que iniciou em 1990 uma fabulosa viragem para os vinhos tranquilos do Douro, a Niepoort vale com uma equipa. Vale pelo Luis Seabra, vale pela gabriela, vale por todos os que diariamente trabalham afincadamente para que a maquina funcione.


Agora os vinhos que não pertenciam à prova mas que durante o dia e noite tive oportunidade de provar:

Quinta do Noval Vintage Nacional 1963
Impressiona logo na cor que apresenta. Sinceramente que pensaria num vintage de 85 ou superior. Aroma distinto, nobre, complexo e surpreendentemente fresco e vivo.
Boca untuosa de uma riqueza indescritível e impar. Senti algo de solene a medida que ia passando este vinho por toda a boca. Aqui tudo está magnificamente integrado, tal qual um puzzle. A acidez e o açúcar envolvem-se entre si resultando numa magnifica sensação de frescura em final doce e intenso. Soberbo

Quinta do Noval Colheita 1964
Se por um lado o vintage já me tinha "deixado de rastos", este colheita foi o fim da picada. Intenso, intenso e intenso. Não me lembro de muitos vinhos assim. Notas de tabaco, torrefacção e até mesmo alguma especiaria, eram apenas alguns dos aromas identificáveis que passavam pelo meu nariz.
Boca glicerinada, quase mastigável. Completamente decadente, este colheita. Puro deleite. Soberbo

Niepoort Garrafeira 1952
Foi decantado em 1974. Aroma rico e complexo, com notas de cereja, carvão, torrefacção e especiaria.
Fantástico na boca. Muito elegante, delicado, fino e com final longuíssimo. Puramente delicioso. Nunca tinha bebido nada com este perfil. Magnifico

Niepoort Colheita 1957
Engarrafado em 1977. Aromas que deambulavam entre notas de farripas de laranja, torrefacção, caramelo, nougat e amendoim.
Boca aveludada e untuosa com final longo. Belo colheita



E foi assim um dia cheio de intensidade e sensações magnificas. Estava na hora de voltar e no dia seguinte lé regressei à realidade do dia a dia. Abraço a todos e principalmente o meu sincero obrigado a todos os produtores que amavelmente me incluiam na visita e que nos receberam como reis. Abraço ao Mark e ao Bob, pois foram eles que permitiram que eu pudesse estar nesta fantástica aventura.

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