terça-feira, 8 de abril de 2008

Azamor

Volto aos vinhos Alentejanos de Azamor, com uma novidade e uma repetição. Comecemos pela novidade:


Azamor Petit Verdot 2005
Produtor - Azamor Wines
Região - Alentejo
Grau - 14,5% vol
Preço -
Feito unicamente a partir da casta Petit Verdot, este vinho estagiou por 12 meses em barricas novas de carvalho francês.
Cor rubi de boa concentração.
Muito rico no aroma. Muito jovem, apresenta-se intenso com notas de fruta madura, muita grafite (mina de Lápis), alguma especiaria e notas fumadas.
N
a boca todo ele é pujança, vincando bem o facto de ser um jovem. Denota um bom porte, uma boa textura e uns taninos ainda muito jovens e rebeldes. Termina com excelente persistência.
Obviamente comparando com a versão anterior que provei aqui, considero que melhorou bastante. Está mais vinho, no entanto ainda precisa de acalmar toda a sua juventude e integrar os seus taninos. Um belo vinho na minha opinião.
Nota 17



Azamor Selected Vines 2004
Produtor - Azamor Wines
Região - Alentejo
Grau - 13,5% vol
Preço -
Feito a partir das castas Syrah (33%), Touriga Franca (33%), Alicante Bouschet (19%) e Trincadeira (15%), este vinho estagiou em barricas de carvalho francês e americano.
Cor rubi.
Passados 6 meses desde a ultima vez que provei este vinho, noto algumas alterações. No nariz mantém sensivelmente o mesmo crivo com as notas de fruta madura, a especiaria e mesmo as notas de barrica. O que me altera o perfil é novamente uma presença de aromas minerais, que sinceramente me aprazem.
Na boa, as notas tostadas dão o mote a um vinho macio e redondo com taninos perfeitamente integrados a terminarem num conjunto de boa persistência.
Parece-me ser um vinho que está em boa altura de ser consumido e que gastronomicamente terá boas hipóteses. Mantenho a minha apreciação anterior e deixo uma nota mais para as invocações minerais dos vinhos de Azamor.
Nota 16,5

sábado, 5 de abril de 2008

Seara D'Ordens

Quinta de Seara D'Ordens Porto Vintage 2005
Produtor - Seara D'Ordens
Região - Porto
Grau - 19,5% vol
Preço - A partir de 20€
Feito a partir das castas tradicionais do Douro, este vintage reporta unicamente a uma colheita e foi engarrafado 2 anos após a mesma.
Cor rubi de boa concentração.
Começa com a fruta densa e madura, onde podemos retirar associações a amoras, framboesas e ameixas. Com algum arejamento no copo aparecem as notas florais, algum vegetal, algum tostado e baunilha.
Muito saboroso na boca, este vintage mostra frescura, uma boa dose de taninos algo arredondados e um final bem compensador.
A ano de 2005 não foi o que se pode chamar de Vintage Clássico e por isso
mesmo, muitos produtores lançaram os seus Single Quinta Vintage. Este vintage está já neste momento com uma excelente prova não retirando obviamente a sua capacidade de guarda. São estes anos e que permitem uma proximidade aos vintages novos. Gostei bastante deste vintage pela sua abertura à prova bem como pelo seu lado potente e rústico.
Nota 17


Quinta de Seara D'Ordens LBV 2003
Produtor - Seara D'Ordens
Região - Porto
Grau - 19,5% vol
Preço - A partir de 13€
Neste momento sairam os LBV's de 2003 para o mercado, uma vez que são engarrafados a partir do 4º ano.
Feito a partir das castas tradicionais do Douro este LBV estagiou em madeira atá ao seu engarrafamento.
Cor rubi.
Não tem desde logo a percepção de complexidade do Vintage, aliás nem é o que se pretende. Bem mais directo, mais frutado este LBV apresenta notas de fruto maduro que se associam a notas de barrica.
Na boca apresenta uma boa dose de frescura e uma boa evolução na boca com notas vegetais no retrogosto. Os taninos aqui são bem selvagens e curiosamente bem menos redondos que no vintage, o que penso darem uma indicação firme que precisará de garrafa. Termina com boa persistência.
Já alertei para a qualidade que apresentam os LBV's nos dias que correm. Este é mais um LBV que agrada e que pede ainda de mais um pouco de tempo em garrafa.
Nota 15,5



quinta-feira, 3 de abril de 2008

Morgadio da Calçada

Como não há duas sem três, desta vez passo aos fortificados:


Morgadio da Calçada Porto LBV 2003
Produtor - Niepoort Vinhos
Região - Porto
Grau - 20% vol
Preço - A partir de 15€
Os LBV são Vinhos do Porto pertencentes às chamadas Categorias Especiais. São envelhecidos em grandes tonéis de madeira durante os primeiros 3 a 6 anos, sendo depois engarrafados.
Este LBV foi feito a partir das castas tradicionais do Douro, cuja média de idade da vinha é superior a 70 anos.
Cor rubi.
Aroma muito frutado, muito cativante pela própria fruta madura que apresenta. São ainda aromas de chocolate e de açúcar queimado que encerram esta aroma bem interessante.
Muito bem também na boca, onde se sente um vinho ainda muito jovem mas t
odo ele pensado para agradar desde já. Tem taninos bem presentes de boa qualidade. Termina com óptima persistência.
É verdade que muitos pensam que um LBV é como que o "padrinho pobre" dos Vintages, no entanto alerto para o prazer que encerram estes vinhos, e particularmente este que aqui apresento.
Nota 16,5


Morgadio da Calçada Tawny Reserve
Produtor - Niepoort Vinhos
Região - Porto
Grau - 20% vol
Preço - A partir de 12€
São vinhos de lote, onde a sabedoria do lote delinea o perfil da casa. Este vinho foi envelhecido em tonéis de 600 litros durante 7 anos e então feito o blend final.
Bonita cor ambar.
Be
líssimo de aroma. A notas de cereja e de passas são aliadas sugestões de caramelo e de torrefacção que se sobrepõem entre alguma especiaria e interessante percepção de licor.
Na boca é bem macio, guloso e de certo modo quente. Tem um final de boa persistência aliado a uma acidez muitíssimo bem colocada.
Surpreendente a qualidade deste Tawny Reserve. Plena satisfação
Nota 16



Morgadio da Calçada Ruby Reserve
Produtor - Niepoort Vinhos
Região - Porto
Grau - 20% vol
Preço - A partir de 11€
As uvas destes vinho vêm de várias parcelas espalhadas pelo Douro. Após a vinificação, o seu resultado é envelhecido em madeira por 3 a 4 anos até se efectuar o blend final.
C
or rubi.
Muito franco de aroma. Fruta madura com boa intensidade, algum, onde encontramos as sugestões de amoras, ameixas e figos.
A boca, toda ela redonda, mantém o mesmo perfil frutado, dando a entender um vinho de fácil trato e de fácil gostar.
Por vezes pode ser uma excelente sugestão para um Porto que diariamente bebemos um pouco, por durar bem mais tempo aberto que um LBV ou um Vintage. Pode ser mais directo mas não deixa de ser interessante e bom.
Nota 15




Morgadio da Calçada Dry White
Produtor - Niepoort Vinhos
Região - Porto
Grau - 20% vol
Preço - A partir de 10€
Aqui está uma categoria esquecida por muitos, eu incluido, e das poucas vezes que tive oportunidade de provar, sempre me deixaram satisfeito.
Este Porto Branco é envelhecido em pequenas pipas de carvalho no mínimo por 3 anos.
Cor amarela dourada.
Os aromas pouco diferem da gama presente num Tawny. Estão presentes os aromas de laranja, de frutos secos, de algum mel e mesmo algum caramelizado.
A boca é bem interessante, a sensação é de muita frescura, de equilibrio e de alguma untuosidade.
O Porto para o inicio da refeição, para chamar o apetite, e no meu entender para ser bebido por si mesmo, sem qualquer adição de tónico. É que a qualidade já justifica uma pequena conversa com este vinho.
Nota 15

Morgadio da Calçada

Já tive a oportunidade de provar os tintos desta casa aqui, que me surpreenderam pela positiva. Agora é chegada a vez do branco:

Morgadio da Calçada Branco 2006
Produtor - Niepoort Vinhos
Região - Douro
Grau - 14% vol
Preço - A partir de 9€
Feito a partir das castas Códega, Rabigato, Viosinho, Arinto e Malvasia que pertencem a vinhas cujas idade oscilam entre os 20 e 70 anos, este vinho estagiou parcialmente em barricas de carvalho francês por 7 meses.
Cor Amarelo Palha com nuances esverdeadas.
Nariz rico e amplo, onde encontramos com facilidades aromas de citrinos, de fruta branca, algum vegetal e sensações minerais, tais como o giz e pedras molhadas. A barrica está bem presente com as suas notas tostadas.
Na boca mostra-se bastante equilibrado. É macio, redondo e mostra um bom porte. Termina com boa persistência.
Mais um bom branco duriense. A prova de que o Douro pode e sabe fazer bons brancos e mais um vinho da mestria de Dirk Niepoort. Pretendo voltar a ver como evolui na integração da madeira.
É de certo modo, um vinho de estação mais fria mas tem um preço muitíssimo bom para a qualidade que apresenta.
Nota 16

terça-feira, 1 de abril de 2008

Dona Berta

Hernâni Verdelho, na sua Quinta do Carrenho em Freixo do Numão, iniciou há já alguns anos o engarrafamento da sua produção. Na altura teve de restruturar a vinha, com plantação de vinha nova mas sempre guardando alguma vinha velha, pois qual será o duriense que não acredita na vinha velha?
Feito o investimento na vinha, sairam um branco e um tinto, que agora provo na edição de 2006 e 2005, respectivamente.


Dona Berta Rabigato Branco 2006
Produtor - Hernâni Verdelho
Região - Douro
Grau -
13% vol
Preço - A partir de 11€
Vindo de Freixo do Numão, no Douro Superior, este é um vinho branco feito apenas de uma casta, a Rabigato. Tem como curiosidade o facto de se terem aliado vinhas novas a vinhas com mais de 150 anos. Passou apenas por inox.
Cor amarela Palha.
À semelhança da anterior edição, está novamente muito bem no nariz. Inicialmente podemos sempre contar com o fruto tropical, Flores e a sempre refrescante sensação vegetal, de relva.
Na Boca também muito bem. O vinho tem corpo, tem uma estrutura invulgar e acidez sápida. Termina com excelente persistência e com vontade de ir novamente ao copo.
Mais uma vez muito bem este Rabigato. Nada distante do seu antecessor. Parece que o Engº Hernâni Verdelho já decorou a formula. Aconselho vivamente guardar algumas garrafas e ir verificando a sua evolução, no entanto bem sei o quanto é difícil conseguir guarda-las.
Nota 16,5



Dona Berta Reserva 2005
Produtor - Hernâni Verdelho
Região - Douro
Grau - 13% vol
Preço - A partir de 16€
Feito a partir das Castas Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Amarela e Tinto Cão, este vinho estagiou em madeira nova de carvalho francês e americano.
Cor rubi de boa concentração.
Pleno de aroma com notas de fruto maduro, muito mato seco e sugestões vegetais que se enquadram num conjunto que integra ainda notas mentoladas e de boa barrica.
Melhor na boca, apresenta-se-nos um vinho de bom porte, com taninos muito bem integrados, mas ainda muito presentes. Ainda está para chegar o perfeito entrosamento das partes. Termina com boa persistência.
Melhorou bastante desde a ultima vez que o provei, no entanto apesar de dar uma boa prova, penso que o melhor poderá ainda estar por vir.
Nota 16

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