quinta-feira, 3 de abril de 2008

Morgadio da Calçada

Como não há duas sem três, desta vez passo aos fortificados:


Morgadio da Calçada Porto LBV 2003
Produtor - Niepoort Vinhos
Região - Porto
Grau - 20% vol
Preço - A partir de 15€
Os LBV são Vinhos do Porto pertencentes às chamadas Categorias Especiais. São envelhecidos em grandes tonéis de madeira durante os primeiros 3 a 6 anos, sendo depois engarrafados.
Este LBV foi feito a partir das castas tradicionais do Douro, cuja média de idade da vinha é superior a 70 anos.
Cor rubi.
Aroma muito frutado, muito cativante pela própria fruta madura que apresenta. São ainda aromas de chocolate e de açúcar queimado que encerram esta aroma bem interessante.
Muito bem também na boca, onde se sente um vinho ainda muito jovem mas t
odo ele pensado para agradar desde já. Tem taninos bem presentes de boa qualidade. Termina com óptima persistência.
É verdade que muitos pensam que um LBV é como que o "padrinho pobre" dos Vintages, no entanto alerto para o prazer que encerram estes vinhos, e particularmente este que aqui apresento.
Nota 16,5


Morgadio da Calçada Tawny Reserve
Produtor - Niepoort Vinhos
Região - Porto
Grau - 20% vol
Preço - A partir de 12€
São vinhos de lote, onde a sabedoria do lote delinea o perfil da casa. Este vinho foi envelhecido em tonéis de 600 litros durante 7 anos e então feito o blend final.
Bonita cor ambar.
Be
líssimo de aroma. A notas de cereja e de passas são aliadas sugestões de caramelo e de torrefacção que se sobrepõem entre alguma especiaria e interessante percepção de licor.
Na boca é bem macio, guloso e de certo modo quente. Tem um final de boa persistência aliado a uma acidez muitíssimo bem colocada.
Surpreendente a qualidade deste Tawny Reserve. Plena satisfação
Nota 16



Morgadio da Calçada Ruby Reserve
Produtor - Niepoort Vinhos
Região - Porto
Grau - 20% vol
Preço - A partir de 11€
As uvas destes vinho vêm de várias parcelas espalhadas pelo Douro. Após a vinificação, o seu resultado é envelhecido em madeira por 3 a 4 anos até se efectuar o blend final.
C
or rubi.
Muito franco de aroma. Fruta madura com boa intensidade, algum, onde encontramos as sugestões de amoras, ameixas e figos.
A boca, toda ela redonda, mantém o mesmo perfil frutado, dando a entender um vinho de fácil trato e de fácil gostar.
Por vezes pode ser uma excelente sugestão para um Porto que diariamente bebemos um pouco, por durar bem mais tempo aberto que um LBV ou um Vintage. Pode ser mais directo mas não deixa de ser interessante e bom.
Nota 15




Morgadio da Calçada Dry White
Produtor - Niepoort Vinhos
Região - Porto
Grau - 20% vol
Preço - A partir de 10€
Aqui está uma categoria esquecida por muitos, eu incluido, e das poucas vezes que tive oportunidade de provar, sempre me deixaram satisfeito.
Este Porto Branco é envelhecido em pequenas pipas de carvalho no mínimo por 3 anos.
Cor amarela dourada.
Os aromas pouco diferem da gama presente num Tawny. Estão presentes os aromas de laranja, de frutos secos, de algum mel e mesmo algum caramelizado.
A boca é bem interessante, a sensação é de muita frescura, de equilibrio e de alguma untuosidade.
O Porto para o inicio da refeição, para chamar o apetite, e no meu entender para ser bebido por si mesmo, sem qualquer adição de tónico. É que a qualidade já justifica uma pequena conversa com este vinho.
Nota 15

Morgadio da Calçada

Já tive a oportunidade de provar os tintos desta casa aqui, que me surpreenderam pela positiva. Agora é chegada a vez do branco:

Morgadio da Calçada Branco 2006
Produtor - Niepoort Vinhos
Região - Douro
Grau - 14% vol
Preço - A partir de 9€
Feito a partir das castas Códega, Rabigato, Viosinho, Arinto e Malvasia que pertencem a vinhas cujas idade oscilam entre os 20 e 70 anos, este vinho estagiou parcialmente em barricas de carvalho francês por 7 meses.
Cor Amarelo Palha com nuances esverdeadas.
Nariz rico e amplo, onde encontramos com facilidades aromas de citrinos, de fruta branca, algum vegetal e sensações minerais, tais como o giz e pedras molhadas. A barrica está bem presente com as suas notas tostadas.
Na boca mostra-se bastante equilibrado. É macio, redondo e mostra um bom porte. Termina com boa persistência.
Mais um bom branco duriense. A prova de que o Douro pode e sabe fazer bons brancos e mais um vinho da mestria de Dirk Niepoort. Pretendo voltar a ver como evolui na integração da madeira.
É de certo modo, um vinho de estação mais fria mas tem um preço muitíssimo bom para a qualidade que apresenta.
Nota 16

terça-feira, 1 de abril de 2008

Dona Berta

Hernâni Verdelho, na sua Quinta do Carrenho em Freixo do Numão, iniciou há já alguns anos o engarrafamento da sua produção. Na altura teve de restruturar a vinha, com plantação de vinha nova mas sempre guardando alguma vinha velha, pois qual será o duriense que não acredita na vinha velha?
Feito o investimento na vinha, sairam um branco e um tinto, que agora provo na edição de 2006 e 2005, respectivamente.


Dona Berta Rabigato Branco 2006
Produtor - Hernâni Verdelho
Região - Douro
Grau -
13% vol
Preço - A partir de 11€
Vindo de Freixo do Numão, no Douro Superior, este é um vinho branco feito apenas de uma casta, a Rabigato. Tem como curiosidade o facto de se terem aliado vinhas novas a vinhas com mais de 150 anos. Passou apenas por inox.
Cor amarela Palha.
À semelhança da anterior edição, está novamente muito bem no nariz. Inicialmente podemos sempre contar com o fruto tropical, Flores e a sempre refrescante sensação vegetal, de relva.
Na Boca também muito bem. O vinho tem corpo, tem uma estrutura invulgar e acidez sápida. Termina com excelente persistência e com vontade de ir novamente ao copo.
Mais uma vez muito bem este Rabigato. Nada distante do seu antecessor. Parece que o Engº Hernâni Verdelho já decorou a formula. Aconselho vivamente guardar algumas garrafas e ir verificando a sua evolução, no entanto bem sei o quanto é difícil conseguir guarda-las.
Nota 16,5



Dona Berta Reserva 2005
Produtor - Hernâni Verdelho
Região - Douro
Grau - 13% vol
Preço - A partir de 16€
Feito a partir das Castas Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Amarela e Tinto Cão, este vinho estagiou em madeira nova de carvalho francês e americano.
Cor rubi de boa concentração.
Pleno de aroma com notas de fruto maduro, muito mato seco e sugestões vegetais que se enquadram num conjunto que integra ainda notas mentoladas e de boa barrica.
Melhor na boca, apresenta-se-nos um vinho de bom porte, com taninos muito bem integrados, mas ainda muito presentes. Ainda está para chegar o perfeito entrosamento das partes. Termina com boa persistência.
Melhorou bastante desde a ultima vez que o provei, no entanto apesar de dar uma boa prova, penso que o melhor poderá ainda estar por vir.
Nota 16

sábado, 29 de março de 2008

Campolargo

Acabei inevitavelmente por voltar aos vinhos da Casa Campolargo, para mais umas dissertações sobre alguns deles:


Calda Bordaleza 2005
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 24€
Feito a partir da conjunção de castas usuais no Médoc, em Bordéus, Merlot, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot, este vinho estagiou em barricas novas de carvalho francês por 13 meses.
Opaco na cor.
Tal como na cor, este vinho começa com uma fruta muito densa e muito madura que se encontram aliadas a notas vegetais, cacau e café. Este vinho apresenta uma desenvoltura de aromas enorme, aguentando largo tempo no copo com a mesma linha aromática.
Muito bem na boca. Um vinho com profundidade e com corpo a que se complementam boas notas de barrica que se apresentam perfeitamente integradas durante toda a prova de boca.Termina com um final muito longo e bem saboroso.
Não consigo esconder uma certa predilecção por este vinho, não pela sua invocação a Médoc, mas pela sua energia e pela sua excelente vertente gastronómica.
Nota 17,5


Campolargo 2004
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada

Grau - 14% vol

Preço - A partir de 15€
Feito a partir da casta Pinot Noir, vindimada a 16 de Agosto, estagiou em madeira usada.
Como panóplia dos vinhos desta casta, apresentou uma cor bem aberta.
Aroma muito amplo e rico. Inicia com notas de frutos silvestres, algumas notas caramelizadas, depois passa para uma componente mentolada e termina com intensidade de notas de especiarias, às quais se associam finalmente algumas notas de barrica. Tudo muito em finesse, tudo muito elegante.
Na boca a "pauta" mantém-se pelo mesmo ritmo. Elegância, classe e delicadeza. Um vinho pouco encorpado, mas muito fértil em emoção. Termina longo e com subtilezas.
Aqui está um vinho que poderá fugir ao nossos parâmetros usuais e que por ai poderá perder alguns adeptos. Começa logo na cor. No entanto este vinho r
eserva, aos mais audazes, uma série de surpresas. Elegância qb, complexidade (basta saber esperar e "espreitar" de vez em quando ao copo) e uma classe notável. Do melhor que se faz, com esta casta, por cá.
Nota 17




Rol de Coisas Antigas 2005
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada

Grau - 13,5% vol

Preço - A partir de 10€
Este Rol de Coisas Antigas, é nada mais nada menos que uma selecção do que antigamente, muito antigamente, existia bem disseminado na região.
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Sousão, Tinta Pinheira, Bastardo, Alicante e Baga. A fermentação deu-se em pequenos lagares de granito, com tudo em conjunto, e depois o vinho e
stagiou por 10 meses em barricas de carvalho.
Quase opaco na cor.
Dos aromas mais particulares que tive oportunidade de sentir. Uma mão cheia de emoções são desvendadas de imediato com notas de fruto, muita especiaria com destaque para o cravinho, ligeiras notas licoradas e ainda notas florais. Tudo isto a alternar de minuto a minuto, durante uma noite inteira. Um aroma "camaleão".
Na boca alguma rusticidade volta a surpreender e a dar ânimo à prova. Tudo muito bem integrado e equilibrado.Termina com intensa e notável persistência.
Um hino à singularidade. Numa altura em que tudo se parece standarizar, este vinho aparece como uma lufada de ar fresco, para aqueles que procuram em cada garrafa um rol de sensações singulares. Muito bom e muito bem. A não perder
Nota 17


Campolargo Espumante Bruto Rosé 2006
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada

Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 10€
Feito a partir da casta Pinot Noir.
Vermelho vivo na cor, e com bolha fina e persistente.
Aroma muito exuberante com notas de morango, framboesa que são apoiadas por interessantes notas florais.
Na boca apresenta estrutura, boa acidez como garante de alguma frescura e final de boa persistência.
Mais um espumante que se apresenta na senda dos bons espumantes da Bairrada. Uma boa solução para acompanhar uma refeição bem como uma sobremesa.
Nota 15,5


Entre II Santos branco 2006
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada

Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 3€
Feito a partir das Castas Sauvignon Blanc (90%) e Chardonnay (10%), este vinho apenas em uma pequena parte (penso que no Chardonnay) teve estágio em barricas.
Cor citrina.
Aroma fresco de citrinos e vegetal. Á medida que a temperatura sobe, tenderá em mostrar o resultado do tal pequeno estágio em madeira, conferindo uma ligeira sensação tostada.
Na boca tem bom volume e boa frescura. Termina com final mediano mas saboroso.
Um branco de entrada de gama que se admite como sendo um branco de dia a dia. Penso que poderá ter o seu auge na altura do Verão.
Nota 14,5

segunda-feira, 24 de março de 2008

Azamor

O origem dos vinhos Azamor situa-se entre Borba e Elvas, com 2 herdades, a do Rego e a do Zambujal, que ambas possuem 260 Hectares.
Aqui encontramos as vinhas, olival e ainda uma paixão, do homem da casa, os Cavalos de raça Lusitana.
Alison Luiz Gomes é a alma do projecto vínico e é auxiliada pelo enólogo David Baverstock.
Este produtor era para mim, até há pouco tempo, um desconhecido e foi graças a um evento de um amigo Blogger, o Vinum Calipolle, em Vila Viçosa que me foi dado a conhecer o projecto e seus vinhos.
Na altura bem me lembro que fiquei agradavelmente surpreendido com a qualidade dos vinhos. Hoje volto novamente a um deles:

Azamor 2004
Produtor - Azamor Wines
Região - Alentejo
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir dos 7€
Provado em prova cega.
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Syrah e Merlot, este vinho estagiou ainda em barricas de carvalho francês e americano.
Cor de boa concentração.
Nariz de grande intensidade com incessante de sugestões de café. Foi necessário esperar um pouco para que começassem a evidenciarem-se notas de fruto maduro, de especiaria, de caramelo e de tosta.
Na boca novamente alguma intensidade com notas fumadas, no entanto aqui o trato começa a ser mais dócil. O vinho tem boa estrutura, tem taninos redondos mas bem presentes. Termina com boa intensidade e persistência.
Aqui está mais um vinho com muita qualidade e a um preço comedido. Ainda que um pouco marcado pela madeira, considero que estamos perante um bom vinho para começar a beber desde já, no entanto face a toda esta intensidade e a alguns taninos presentes no final, penso que ainda "andará pelas curvas" nos próximos 2 anos.
Nota 16


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