quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Seara D'Ordens - Brancos e Rosé

Ora aqui está um produtor pelo qual tenho ansiado por provar os seus vinhos. Mas antes um pouco de história, por sinal deliciosa:
Estávamos nos finais do Séc XVIII quando a família Leite adquiriu uma grande extensão de terreno perto de Seara de Poiares.
O seu proprietário, fascinado com a beleza do local e com sua localização, prontamente investiu nos acessos à propriedade e na plantação de vinha, oliveiras e amendoeiras.
Anos mais tarde seu filho, apesar de militar de carreira, nunca deixou de se preocupar com a propriedade e sua evolução.
Chegou a Comandante do quartel de Lamego, mas mesmo assim passava muito tempo na sua propriedade de Seara. Durante a sua ausência no quartel eram enviados Soldados à Seara para receber ordens de seu Comandante. Os populares, admirados pela passagem dos Soldados a cavalo perguntavam:
Para onde vão?
Ao que os Soldados respondiam: Vamos à Seara receber ordens do Comandante.
E então a partir dessa altura o local passou a chamar-se de:

Quinta da Seara D'Ordens

(informação retirada de www.quintasearadordens.pa-net.pt)




Quinta da Seara d'Ordens Reserva Branco 2006
Produtor -
Quinta da Seara d'Ordens
Região - Douro
Grau - 13% vol
Feito a partir das Castas Malvasia Fina, Rabigato e Fernão Pires, este vinho fermentou em barricas de carvalho francês por 6 meses.
Apresentou uma cor bonita cor citrina.
Muito bem no nariz. Delicado e amplo este nariz mostrou uma belíssima performance onde se apresentaram notas de algum fruto, amêndoa e algum vegetal que se enquadravam num sedutor fundo baunilhado.
Na boca também muito bem. Gordo, fresco e macio, este vinho manteve o seu pendor vegetal e frutado com perfeita integração das notas de barrica.
Confesso que gostei muito deste vinho. Tem tudo o que precisa para ser apreciado, incluindo um preço maravilhoso (menos de 10€). Ainda que seja um branco mais de inverno, pareceu-me ter frescura suficiente para ser apreciado na meia estação. Muito bem.
Nota 16


Quinta do Carqueijal Branco 2007
Produtor -
Quinta da Seara d'Ordens
Região - Douro
Grau - 13% vol
Feito a partir das castas Malvasia Fina, Cerceal e Fernão Pires, este vinho passou 3 meses em cubas de inox e 2 meses em garrafa.
Cor palha.
Realmente provar vinho assim tão novos reveste-se de algum interesse face à exuberância que estes apresentam. Nariz intenso de hortelã que quase que tapa qualquer aroma citrino que lá atrás se esconde.
Na boca é muito fresco, mostra "substância" e descortina mais um pouco de fruta.
Ainda está muito vegetal e penso que poderá "amainar" estes ânimos. Voltarei mais lá para o verão, a ele. No entanto....quem quer um branco para o seu dia a dia de verão? Nem mais...aqui está.
Nota 14



Quinta do Carqueijal Rosé 2006
Produtor -
Quinta da Seara d'Ordens
Região - Douro
Grau - 12,5% vol
Feito a partir das castas Touriga Franca, Tinta Roriz e Touriga Nacional, este rosé estagiou por 4 meses em cubas de inox e 2 meses em garrafa.
Bonita cor rosada.
Intenso no nariz, encontramos um vinho com belíssimas notas de morango e framboesa que se misturam com sensações florais e vegetais.
Na boca tem dimensão, tem frescura e acima de de tudo tem forma de agradar. Termina com boa persistência e bastante saboroso.
Para mim um dos melhores rosés. Bem feito, muito fresco e com cativante exuberância. Um must

Nota 15

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Luis Pato e Vinhas Velhas


Luís Pato é sem margem para qualquer dúvida um nome incontornável do panorama vínico Nacional e particularmente da Bairrada, ainda que por determinadas vissicitudes ostente nos seus rótulos a denominação Regional Beiras.
Situada no coração da Bairrada, toda a máquina de produção de Luís Pato conta com uma bonita , e acima de tudo funcional, adega bem como toda uma panóplia de castas plantadas, onde se contam as castas Baga, Touriga Nacional, Maria Gomes, Arinto, etc.
Luís Pato foi, é e será sempre, o que mais "puxará" pela aceitação universal da Casta Baga, uma casta bem difícil mas que pode resultar em vinhos extraordinários se tivermos paciencia e "vistas Largas". No entanto este produtor é bem mais que isso e nos brancos terá também uma palavra a dizer.



Luís Pato Vinhas Velhas Branco 2007
Produtor - Luís Pato

Região - Beiras

Grau - 12% vol

Feito a partir das castas Bical, Cerceal e Sercialinho este fermentou em cubas de inox e em pipos de castanho por 4 meses.
Apresenta uma brilhante cor amarelo palha.
Aroma intenso e com alguma complexidade que nos brinda com excelentes notas de citrinos, e vegetais que se associam a notas de baunilha muito bem integradas no conjunto.
Na boca está muitíssimo bem. Mostra untuosidade que baste, excelente acidez e assinalável frescura que acompanha com boa persistência final.
Um branco bem mais sério que o Maria Gomes, que se apresenta muito bem desenhado e com uma frescura e baixo grau assinaláveis. A não perder.
Nota 16



Luís Pato Maria Gomes 2007
Produtor - Luís Pato
Região: Beiras
Grau - 12% vol
Feito, maioritariamente, a partir de casta Maria Gomes (Fernão Pires) e com algum Arinto, este vinho fermentou em cubas de inox.
Apresenta uma brilhante cor amarelo palha.
Aroma exuberante e intenso onde de imiscuem notas de fruto em calda, algum citrino sob ligeiro pendor vegetal. Curiosamente ainda lhe encontrei notas anisadas.
Na boca é bem macio, directo e extremamente fácil de beber. Sem defeitos.
Um vinho bem feito, que no meu entender peca pela falta de alguma acidez que garantisse ainda mais frescura ao conjunto, no entanto face à baixa percentagem de álcool podemos afirmar que este é um branco para o verão e ainda por cima nosso amigo.
Nota 14,5

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Porto Tawny Graham's 40 Anos

É para mim sempre um desafio provar um Vinho do Porto, uma vez que não consigo separar a grande paixão que tenho por estes vinho. Ainda assim provo-o sempre com o devido respeito, para mais quando provo um vinho algo raro e que poucas vezes se tem a possibilidade de o beber.
O Graham’s 40 anos é produzido a partir de vinhos da mais alta qualidade que, após cuidadosa selecção, são envelhecidos em cascos de carvalho de 534 litros até ser atingido o pico de maturação. Estes vinhos encontram-se entre os mais exigentes e desafiantes estilos de Porto. Produzi-lo requer do enólogo grande perícia e anos de experiência, quer na vinificação quer na elaboração de lotes. É essencial encontrar o equilíbrio correcto entre a delicadeza e a elegância que resultam do prolongado envelhecimento em casco, e simultaneamente preservar a qualidade da fruta, que empresta a este Tawny envelhecido a sua estrutura e longevidade. (2º Paragrafo retirado de http://www.grahams-port.com).



Porto Tawny Graham's 40 Anos
Produtor - Syminton Family
Região - Porto
Grau - 20% vol
De lindíssima cor âmbar com rebordos esverdeados.
Aroma muitissimo complexo com curiosas notas de citrinos, algum pessego, caramelo, baunilha e toffee que fazem deste 40 anos um vinho muito sedutor.
Na boca é denso, untuoso, aveludado mas ainda assim que impressiona pela sua frescura. O seu final é de pura classe pois prepare-se para ficar com ele durante muito, mas muito tempo.
Os Tawny's de 40 Anos na generalidade contam-se entre os melhores Vinhos do Porto. Obviamente respeitando os perfis de cada casa podemos gostar mais de uns que de outros, no entanto este Graham's é pura e simplesmente um vinho do tamanho do Mundo. Um vinho maravilhoso.
Nota 18,5

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Herdade da Malhadinha Nova - Brancos

Estou de volta a este produtor, mas desta feita com a prova de brancos.


Malhadinha Branco 2006
Produtor - Herdade da Malhadinha Nova
Região - Alentejo
Grau - 14,5% vol
Feito a partir das castas Antão Vaz (60%), Arinto (20%) e Chardonnay (20%), este vinho estagiou por 5 meses em barricas novas de carvalho francês.
Apresentou uma brilhante cor dourada.
Nariz amplo, rico e complexo, onde encontramos a notas de fruta branca, algum citrino, sensação vegetal e subtis fumados da barrica. O Aroma por si não é exuberante mas cativa pela frescura que apresenta.
Na boca é cheio e gordo, com notas de barrica muito bem integradas e onde se destaca uma acidez muito bem colocada sobre um final longo e prazenteiro.
Um belíssimo branco alentejano que peca apenas por algum "calor" evidente. De todas as vezes que o provei, esta foi a melhor prova, o que me faz supor que tem vindo a ganhar qualidades e que me permitirá afirmar que ainda tem potencial.
Nota 17



Antão Vaz da Peceguina
Produtor - Herdade da Malhadinha Nova
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Feito a partir da Casta Antão Vaz, este extreme apresentou uma cor palha carregada.
Nariz com alguma exuberância a mostrar que não é esta a sua estação. Predominam os aromas de fruto e alguma frescura que tornam o vinho bastante agradável.
Na boca mostra boa dose de corpo remetendo-nos para um vinho cheio de final mediano.
Um bom Antão Vaz, bem feito e que proporciona bons momentos. Acho que a primavera poderá ser a sua altura de ouro.
Nota 14,5

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Herdade da Malhadinha Nova - Tintos

A Herdade da Malhadinha é para mim sinónimo de inovação, empreendedorismo, bom gosto e sobretudo muita paixão. É curioso verificar como começou e no que está transformada agora.
Nesta Herdade nem tudo é vinho, mas praticamente tudo gira à volta desta paixão pelo vinho. Encontramos criações de animais com certificação, Enoturismo e inserido neste, a perola do Baixo Alentejo, um Country House e Spa.
Fruto da paixão da Família Soares (Garrafeira Soares), a Herdade da Malhadinha surge em Albernôa, a escassos 20 quilómetros a sul de Beja. Nesta herdade com os seus 200 hectares e com uma adega extremamente funcional, são vinificados 150 000 litros ao ano. Os seus solos são xistosos, onde foram plantadas as castas tintas de Touriga Nacional, Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Syrah, Cabernet Sauvignon e Alfrocheiro, sendo que nas brancas temos Arinto, Antão Vaz, Roupeiro e Chardonnay.


Malhadinha 2005
Produtor - Herdade da Malhadinha Nova
Região - Alentejo
Grau - 14,5% vol
Este vinho foi feito a partir das castas, Alicante Bouschet, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional e estagiou por 14 meses em barricas novas de carvalho francês, de 225 Llts.
Apresentou uma bonita cor Rubi.
Longe de grandes extracções que apresentam alguns vinhos de topo alentejanos, este Malhadinha apresenta um aroma bem sóbrio e vincado, com fruta madura, as sempre bem vindas especiarias, algum vegetal e excelentes notas de barrica que introduzem intensidade ao conjunto aromático.
Na boca ainda que o pendor se mantenha frutado, este vinho é bem mais que isso e apresenta-se no seu conjunto um vinho pleno de frescura, com corpo e com excelente acidez e taninos.
Penso sinceramente que estamos na presença de um belo vinho que está mais elegante que as edições anteriores mas que precisa ainda de alguma definição e consistência nas suas colheitas. Face às pessoas envolvidas neste projecto, não tenho duvidas que em breve será alcançado.
Nota 17


Monte da Peceguina 2006
Produtor - Herdade da Malhadinha Nova
Região - Alentejo

Grau - 14% vol

Este vinho foi feito a partir das castas, Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Trincadeira e Syrah, e estagiou parcialmente por 6 meses em barricas de carvalho francês, de 225 Llts.
Apresentou-se com uma cor rubi.
No nariz esta um vinho muito intenso onde predominam as notas de fruto vermelho maduro e onde se apresentam notas especiadas sob um fundo de sensação de café. No entanto, toda esta intensidade também mostra algum do seu "calor" alcoólico, tornando este nariz algo quente.
Na boca está um vinho muito macio, redondo e bastante agradável que termina com sabor e novamente algum calor.
Ainda que seja algo quente este vinho pareceu-me muito bem feito e com boa intensidade, pelo que o recomendo para acompanhar refeições.
Nota 15

Blogues Recomendados

Blogues Recomendados

  • Prova - *Solstício. 2 Barricas (t) 2010* Diga-se desde já que conhecemos bem o homem por detrás deste vinho - isto é uma declaração de interesses (apesar de todo o...

Arquivo do blogue

  © Blogger template 'External' by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP