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sábado, 9 de janeiro de 2010

Quinta da Sequeira




Estive numa prova com os vinhos deste produtor que vou seguindo há algum tempo, apesar de não ser desde a sua primeira colheita, em 2001. A quinta começou em 1899, dedicada exclusivamente ao comercio do Vinho do Porto. Foram gerações que por ali passaram, sem que se vinificassem vinho tranquilos, até que em 2001, Mário Cardoso e a Esposa, decidiram inverter totalmente a posição, e dedicarem-se na totalidade a vinhos DOC Douro.
A Quinta da Sequeira situa-se no Douro Superior, a poucos quilómetros do apeadeiro do Vesúvio. São cerca de 15ha de vinha, alguma muito velha, a passar dos 100 anos, onde se podem encontrar as castas tradicionais do douro como a Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, entre outras, no tintos e a Malvasia Fina, Gouveio, Códega e Rabigato, nos brancos.
Os vinhos começaram muito bem, com boas indicações por parte da critica especializada, e têm vindo gradualmente a subir de reconhecimento. A verdade é que uma marca não se faz de um dia para o outro e é necessário um trabalho firme, preciso e recorrente, para a manter ou subir de notoriedade. Aqui, nesta quinta, tudo é feito com verdadeiro sentido de grandeza. Faz-se o que se pode e com o que se tem, não há cá planos diabólicos de crescimento, custe o que custar, nada que possa deitar por terra um trabalho que já vem sendo feito por gerações.
A única possibilidade de crescimento poderá acontecer com a inclusão de Vinho do Porto no Portefólio, o que é de todo normal e previsível.


Os vinhos:


Quinta da Sequeira Branco 2008
Produtor - Quinta da Sequeira
Região - Douro
Preço - 9€
De uma bonita côr dourada, este vinho provem das castas Malvazia Fina, Gouveio, Códega e Rabigato que fermentou e estagiou em cubas de inox. No nariz não é muito exuberante mostrando apontamentos de fruta, alguma mineralidade e apontamentos de frescura que se associam a uma ligeira sensação de doçura.
Na boca é mais intenso, mostra cremosidade e uma acidez bem colocada. Nesta vertente da prova, mostra mais a sensação de doçura.
Não sendo um fervoroso adepto dos brancos com açúcar residual, confesso que este me agradou, talvez pelo contraponto que a acidez lhe dá. É um vinho equilibrado e que terá muitos adeptos.
Nota 15,5




Quinta da Sequeira Reserva Branco 2008
Produtor - Quinta da Sequeira
Região - Douro
Preço - 16€
De uma bonita côr dourada, este vinho provem de vinhas muito velhas, com cerca de 100 anos, e é feito a partir das castas Malvazia Fina, Gouveio, Códega e Rabigato que fermentaram e estagiaram em barricas de carvalho francês.
Muito bem no nariz, com intensidade. As notas de barrica são as primeiras a aparecer, mas sem qualquer exagero, Há aqui um bom trabalho com a madeira usada. Depois começas a aparecer algumas notas citrinas, de fruto em calda, baunilha e apontamentos minerais. Um conjunto de belo efeito e muito cativante. Com toda esta riqueza, ainda mostra frescura.
Na boca é volumoso e glicerinado, sugere novamente as notas de baunilha e minerais. Notável na acidez, que confere frescura ao conjunto e também no equilíbrio, apesar dos seus 14,5% vol. Se comprar com a versão anterior, que tinha a inscrição de Vinhas Velhas, está bem mais interessante, mantém o perfil musculado, mas parece ser mais fresco, mais equilibrado e mais trabalhado. Muito bem.
Nota 17


Quinta da Sequeira Grande Reserva Tinto 2005
Produtor - Quinta da Sequeira
Região - Douro
Preço - 35€
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Amarela, este vinho fermentou e estagiou em barricas novas de carvalho francês.
Opaco na côr. Provei-o logo após o seu engarrafamento e os dois anos em garrafa fizeram-lhe muito bem. O vinho mantém um perfil algo vigoroso e tenso mas muito mais . Já não está tão marcado pela madeira, aliás, pareceu-me que a madeira já estava muito bem integrada, não se dando muito pela sua presença. É a Touriga que marca passo, com notas violetas e folhas secas. A fruta aparece com sugestões a fruto preto maduro e ainda notas de especiaria.
Na boca é irrepreensivelmente um vinho viçoso, encorpado, num conjunto que reclama por comida, que esteja à sua altura. Pareceu-me bem identificativo do que é um Douro, do que é um vinho do Douro Superior. A acidez é vibrante e curiosamente, algo inesperado, possui um final longo, mas fino. Um vinho de muito sabor e equilíbrio, apesar do ímpeto.
Excelente, apesar do preço.
Nota 17,5

sábado, 5 de dezembro de 2009

Bétula

Mais uma novidade a chegar ao mercado. Desta feita um curioso branco, com um curioso nome (bétula é um género de árvores) e rótulo.
O vinho chega-nos do Douro, mais propriamente da Quinta do Torgal, na Freguesia do Barrô. É um vinho resultante de umas vinhas situadas em solos graniticos e feito a partir de duas castas internacionais, Viognier e Sauvignon Blanc. O enólogo é o sobejamente conhecido, e reconhecido, Francisco Montenegro, que perpetua os vinhos Aneto e Quinta Nova.

Bétula Branco 2008
Produtor - Catarina Montenegro Santos
Região - Douro (Vinho Regional Duriense)
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir dos 12€
Feito equitativamente a partir das castas Viognier, que fermentou e estagiou em barricas de carvalho francês, e Sauvignon Blanc, que fermentou e estagiou em inox.
É um vinho algo desconcertante no aroma, parece que as duas castas se querem afirmar. O aroma é muito rico, com notas de muito fruto, fruto de caroço, fruto exótico, a que se associam notas minerais, algum fumado e algum vegetal. É um vinho com um aroma muito interessante e sobretudo fresco.
Na boca ganha algum peso, mercê da casta Viognier e do tratamento com a barrica. O vinho é untuoso, com sensação glicerinada. Mantém a frescura, a barrica está bem integrada e tem uma excelente acidez, o que aliás me cativou mais na prova de boca. Termina com excelente persistência.
Muito bom para uma estreia. Obviamente que questiono a utilização destas castas no Douro, e sobretudo em solos que poderiam ser excelentes com castas bem nossas. Ainda assim, não se pode dizer que seja um caminho proibido, e a ver pelo resultado, temos um vinho diferente, com um estilo pouco usual nessas paragens, mas que só comprova a versatilidade do Douro.
Estreia auspiciosa que a ver pelo preço, vale bem a pena conhecer.
Nota 16


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

As novas tecnologias dão dores de cabeça

Sim é verdade, quantas vezes não damos por nós a coçar a cabeça para por a trabalhar este ou aquele aparelho, quantas vezes nos apetece partir tudo porque andamos horas para resolver qualquer situação relacionada com a utilização de um determinado aparelho.
Bem, eu pensava que tinha tudo controlado. Confiança no telemóvel/pda, para colocar todas as minha notas de prova, resumos de visita, enfim, tudo o que tinha sobre as minhas experiências vinícas estava no meu PDA (Samsung Omnia). Deixei a minha Moleskine, já ia na terceira, e passei a colocar tudo no PDA, sobre forma de notas. Poupava assim, dinheiro, também escusava de estar muitas vezes a escrever em pé numa letra quase ilegível para depois ter de chegar a casa e andar a decifrar os gatafunhos que tinha escrito.
Mas o pior acabou por acontecer. A minha confiança no equipamento, que levou a que não fizesse sincronizações regulares, acabou por ser a minha "morte". Com uma série de notas de prova por colocar e sobretudo com umas verticais e visitas a alguns produtores, o meu telemóvel acabou por "fritar". Com alguma esperança, ainda dei voltas e voltas para ver se mesmo avariado, conseguia sincronizar uma ultima vez. Tudo em vão. Foi para arranjar e logo me teceram aquelas palavras, que degluti em seco, "atenção que vai perder todos os dados que tem no equipamento", fiquei cá com uma azia......
Enfim, a vida continua, mas acho mesmo que vou voltar à Moleskine ou então sincronizar o equipamento assim que chegue de uma prova ou viagem.
Tal como referi, tinha no telemóvel as minhas impressões sobre 3 Verticais de vinhos do Douro, a saber, Quinta do Crasto Vinhas Velhas (2001 a 2007), Quinta do Vallado Reserva (1999 a 2007) e Quinta do Vale Dona Maria (2001 a 2007) e que vou acabar por não escrever sobre elas, no entanto, queria aqui referir as impressões que ficaram na minha memória:


Quinta do Crasto Vinhas Velhas
Foi uma prova fantástica, mesmo no meio das cubas de fermentação, por se ter podido verificar a coerência na qualidade, quase independente do ano de colheita. Lembro de um 2001, ainda cheio de vigor, numa fase excelente de consumo, um 2002, que estava muito bom, mas que acabava por não entusiasmar (aconteceu em todos os produtores), um 2003 a dar excelente prova apesar do perfil mais maduro, um 2004 simplesmente fantástico, o meu preferido de sempre, e com muito tempo pela frente. Ficaram 2005, 2006, e 2007, como vinhos muito jovens, a precisarem de tempo e de arejamento quando abertos. O 2007, muda cada vez que o provo, mas ainda lhe falta mostrar alguns predicados, que o tempo se encarregará de desvendar.


Quinta do Vallado Reserva
Esta foi uma prova muito reveladora para mim, pois na generalidade quase todos os vinhos apresentados, note-se que foi uma vertical completa, e com algumas colheitas a serem apresentadas em magnum, mostraram-se muito jovens e em alguns casos a mostrarem manifestamente necessidade de descanso na garrafeira. 2005 e 2007 foram os que mais gostei. Belíssimos vinhos.
2003 e 2006 a mostrarem-se em muito boa forma, 2003 numa toada mais quente, mais "jammy", mas a mostrar um equilíbrio notável. Estava muito bom. 1999 e 2000, ainda que algo diferentes, tinham em comum o facto de estarem muito bons para ser bebidos agora, não querendo com isso dizer que há pressa em consumi-los.
Fiquei bem impressionado com os Vallado Reserva. Notam-se algumas mudanças, no perfil dos vinhos, com o aumento substancial de Touriga Nacional no lote, mas creio que neste caso trouxe alguma mais valia aos vinhos.


Quinta do Vale Dona Maria
Não consigo esconder uma certa predilecção por este vinho. O Vale Dona Maria, costuma ser um vinho muito guloso, muito apelativo, e nesta vertical foi essa mesma a percepção que retirei.
2004 e 2005 continuam a ser os meus preferidos, com alguma vantagem para 2004, no entanto, 2007 esta tão perfeito, tão saboroso, que me leva a contar com ele para o futuro. Belos vinhos.
2003, continua a ser o vinho que não deverá evoluir como os restantes, mas, cada vez que o provo dá uma excelente prova. Está muito bem e recomenda-se.
2002, é muito bom vinho, mas falta-lhe a alma dos companheiros de anos seguintes e mesmo anteriores, pois 2001 estava absolutamente divinal. Belíssimo vinho, a mostrar que evoluiu bem, mas que ainda aguenta muito mais tempo.
Resumindo, são realmente vinhos muito saborosos, apelativos, sexy, se quiserem, têm aquele toque feminino, aquela sensação de luxuria.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Quinta do Vale Meão


Após o termino da European Wine Bloggers Conference, ainda houve tempo, para 30 felizardos, apanharem um autocarro de visita aos Douro Boys, no Douro.
Eu fui um dos sortudos que passou 2 dias no Douro, numa altura em que as vinhas começas a despir-se para enfrentar o inverno.
Já fui muitas vezes ao Douro, mas desta feita haviam 3 razões para não faltar a esta oportunidade. Em primeiro, poder pela primeira vez visitar a Quinta do Vale Meão, em segundo, andar pela primeira vez de comboio no Douro e fazendo o percurso bem junto ao Rio, e terceiro, o facto de o douro estar repleto das mais variadas côres nas vinhas.

E assim foi que, após uma longa, mas gratificante viagem, chegámos à Quinta do Vale Meão. Saídos das estradas principais, em direcção à quinta, passamos por caminhos bem estreitos, que não são mais que um teste à capacidade de atenção do condutor do nosso autocarro. A entrada na quinta apresenta-se numa placa de pedra.

Para nos receber estavam o Francisco "Vito" Olazabal e seu filho, o enólogo da casa, Francisco "Xito" Olazabal. Dois dos quatro pilares da casa. O terceiro, acabou por se juntar a nós, já na casa, a Luisa Olazabal. É ela quem trata logistica e da parte comercial dos vinhos do Vale Meão.

Mal chegamos e fomo-nos dirigindo para a adega. Esta, a ultima a ser construida, pois existe ainda uma outra adega, que o tempo disponível acabou por não permitir visitar, é uma adega de humildes dimensões, mas que permite ao produtor vir fazendo em condições perfeitas todo o vinho que produz. Estou muito habituado a ver adegas e pode parecer que são sempre a mesma coisa, mas cada uma é sempre diferente da vizinha. Nesta, nasce um vinho chamado Vale Meão, que nenhuma outra, em lugar algum do mundo o faz. E assim, fico sempre contente quando tenho a oportunidade visitar mais uma adega.
Do pouco tempo que passámos na adega, ouvimos as explicações do Xito, explicando um pouco a filosofia da casa e dos seus vinhos. Interessantes as explicações do trabalho de barricas, que me fizeram todo o sentido. Aqui, pretende-se o uso de barricas para trazer algo mais aos vinhos, mas não se pretendem vinhos marcados pelas mesmas.

Saídos da adega, acabamos por entra numa camionete. Fez-me lembrar os meus tempos de Militar, onde por inumeras vezes entrava, acompanhado pelo pelotão que dirigia, para de seguida avançar para o mato. Boas recordações. Curiosamente, mais tarde, no Crasto, acabámos por novamente entrar numa destas camionetes, mas desta feita de caixa aberta.

Chegavamos à casa que pertenceu a Dona Antónia Ferreira, a Ferreirinha. Esta foi a ultima casa a ser construída, e a unica que acabaou por ser construida de raiz. Na altura, nada havia por estes lados. Não havias estradas, não haviam construções. Nada. Um deserto. Foram 10 anos que levou a Ferreirinha a construir estradas e casas para os seus trabalhadores. Hoje, a casa pertencente aos Olazabal, Vito é descendente directo da Ferreirinha, é um recanto de história relacionada com a Grande Senhora do Douro. Nesta casa ainda se mantêm todas as mobilias originais que a Dona antónia ali colocou. É uma casa senhorial lindissima, de traços rectos mas generosos, onde hoje em dia, tem como comandante a Maria Luísa "Zinha" Olazabal, o quarto pilar da Quinta do Vale Meão, e esposa de Vito. Quis os destino que duas enormes familias do Douro e do Vinho do Porto, se unissem. Vito é, como já escrevi, descendente da linhagem de Dona Antónia, e Zinha apenas e só, como se não bastasse, filha do criador do Barca Velha, Fernando Nicolao de Almeida e simultâneamente uma Ramos Pinto.
Poderá estar explicada então a ligação, que todos conhecem, do Barca Velha à Quinta do Vale Meão.

Embora estivesse ansioso por entrar na Casa que pertenceu à Grande Senhora, não consegui, mal cheguei, desviar a vista de toda a vinha que está em frente da casa. Uma sensação de conforto, de nostalgia, de sossego, me assolava. A visão era linda, apenas um pouco perturbada pelos postes de alta tensão. Mas todo este lugar me transmitia calma e serenidade. Lindo.

Após umas entradas, onde se contavam umas Bolas de Carne, uns frutos secos e uns enchidos assados voltamos à casa para um almoço que se veio a tornar revelador para mim. Sentámos-nos à mesa e a acompanhar um belíssimo repasto, iam chegando os vinhos:

O primeiro foi o Meandro do Vale Meão 2006. O vinho apresentou-se em boa forma, pouco evidenciando um vinho de um ano mais difícil. Repleto de fruto maduro, muitas sugestões florais e especiadas, este vinho mostrava-se quente nos aromas. Na boca mostrava potência mas sem abusar. Ainda vislumbrei fineza no conjunto. Estava equilibrado, a mostrar que estava a dar uma excelente prova. Na boca mostra uma vertente compotada e com taninos muito sumarentos e redondos. Não sendo o cumulo da complexidade, é muito bom vinho.
Nota 16,5

O primeiro Vale Meão a chegar, em garrafa Double Magnum (3l), foi o 2004. Estava fantástico. Muito jovem na côr, sem mostrar qualquer indicio do peso da idade, este Meão mostrava um nariz cheio de fruto maduro (amoras, ameixas), sugestões de cogumelos, ervas aromáticas e ainda algumas especiarias.
Na boca mostrava toda a sua juventude, com taninos muito presentes, mas muito finos. e arstocráticos. Excelente na acidez, Terminava longo e cheio de vigor. Ainda com muitoas anos pela frente. Grande Vinho.
Nota 18,5

Para o fim estava guardado outro "bom bocado". Servido em Magnum, chegava o Vale Meão 2000. Delirante no aroma. Complexo, muitas notas de cogumelos e de trufas a sobreporem-se à fruta densa e madura, cabedal e ainda alguma confitura. Dá lembranças de um Porto, sem a aguardente. Impressiona.
Na boca é pura seda, puro veludo. Os taninos são dóceis, aveludados e sedosos. O vinho tem corpo, tem taninos, tem acidez, mas tudo se conjunga para o enorme prazer de quem tem a oportunidade de o beber. Termina longo e cheio de sabor. Belo vinho.
Nota 18,5

Acabou-se com um vintage. Mas acreditem que me fixei de tal maneira numa tarde de Limão merengada, que quando já tinha saído é que reparei que nem o tinha bebido. Enfim, nem só de vinho vive o Homem. Grande visita e sobretudo grande recepção por parta da família Olazabal.

Ficaram para o caminho, e para o combóio, as castanhas assadas, no Meão.......



terça-feira, 4 de agosto de 2009

Volta a Portugal em 3 dias - Quinta de La Rosa




Ainda não estávamos refeitos da noite anterior, que terminou já depois das 3h da manhã, e já estávamos de saída do Hotel Vintage House, no Pinhão, a caminho da Quinta de La Rosa. Com algum atraso, mesmo, assim, lá chegamos à quinta, que se situa apenas a 3Km do Pinhão.
Para nos receber, estava já pronta a Sophia Bergqvist, que é nada mais nada menos, que a actual administradora da Quinta e bisneta do fundador da mesma. O Douro estava lindo, sem pinga de nuvem, com um calor matinal a prometer. A Sophia parecia também ela estar radiosa e bem disposta, pois recebeu-nos com uma enorme simpatia, que aliás lhe é característica. Tudo nos conformes para uma visita de sucesso e plena de interesse.


Começámos com a história da Quinta, onde fomos-nos apercebendo dos altos e baixos da família Bergqvist e os altos e baixos da Quinta, que quase sempre coincidiam com as graves crises económicas pelo qual o mundo passou. A meninice de Sophia foi passada ali, naquele lugar, que tem uma enorme magia, mercê da história que respira, basta ver o museu que é a Quinta de la Rosa, e também da vista exclusiva, como poucas quintas poderão alguma vez ter. Na altura, o que hoje é asfalto, era poeira, o que hoje é limpo, era sujo, no entanto, tal como nos confidenciou, havia sempre algo que a chamava para o Douro, havia já o chamamento para o seu destino, que já estava traçado há muito. Uma Consultora, que ganhava muito dinheiro, acabou por ser chamada para gerir a quinta da família. Não deve ter sido decisão nada fácil, pois por um lado o apelo forte do dinheiro, a vida já feita e prospera, mas por outro o coração, a paixão e o dever para com os seus antepassados. Começou obviamente por ser difícil, mas a sua paixão por aquela Quinta, por aquele Rio, e por aqueles vales, acabou por falar mais alto.
Bem haja, pois hoje é uma das poucas mulheres, de "Barba Rija", que governam os destinos de casas emblemáticas no Douro.

Um autentico museu é o que poderíamos chamar ao interior das habitações da Quinta de la Rosa. Cada canto, cada divisão está repleta de história da família. Ali, tudo é guardado com o maior carinho e devoção, desde a colecção de livros, passando pela mobília histórica e terminando na extraordinária varanda de cortiça, com uma incrível vista para o douro, que o avô de Sophia ofereceu à sua mulher. Cada passo que se percorre nestas casas, confunde-se com a própria história do Douro Vinhateiro. O meu primeiro apelo é realmente, para que quem nunca visitou, não hesite em entrar no espaço histórico da Quinta de la Rosa. Monumental.
A adega ainda mantém os traços dos tempos idos, onde se contam os velhos tonéis de vinho do Porto, o espaço reduzido de trabalho, mas que vai chegando para a encomendas e os lagares entretanto já adaptados a novas eras.
Muito bonita esta Quinta de La Rosa, que curiosamente já lá tinha estado, mas não tinha tido a oportunidade de a varrer a pente fino. Deslumbrante.

Passámos aos vinhos, obviamente, que a vontade já apertava. Acabámos por provar as novidades da casa, da ultima colheita.
A Quinta de la Rosa é daquelas quintas que tem uma matéria prima invejável, no entanto nada se faz sozinho, e no caso da la Rosa, existe um maestro, de seu nome, Jorge Moreira, que conduz, o destino dos vinhos desta casa.
Começámos pelos brancos, onde o Dourosa 2007 se mostrava bem fresco, bem apetecível, com notas vegetais e de citrinos. Por outro lado o Quinta de la Rosa 2008, mostrava-se fresco mas com uma excelente estrutura e equilíbrio. É um vinho mais sério, um vinho onde a barrica está cada vez mais afinada e cuja frescura e acidez mostram um vinho com possível guarda para os próximos anos. Muito bem feito e saboroso. Gostei bastante.

Nos tintos, o Pó de Poeira 2006, do Jorge Moreira, abria o caminho. Um vinho com um aroma fantástico e cada vez mais bem definido, onde sobressaem as notas florais, de frutos maduros e apontamentos minerais. Um vinho intenso, quanto rebelde. Mostra a natureza das vinhas mais jovens. Um vinho de irresistível sabor, um pouco quente, mas que não belisca o conjunto.
De volta aos vinhos da Quinta, foi a vez do La Rosa Reserve 2007. Mostrava-se um pouco fechado ainda, no entanto, as notas minerais, o fruto maduro e as notas de barrica mostravam o que nos vai aparecer dentro de alguns meses. Um belo vinho. O equilíbrio já é notório, e o final longo afiança a qualidade. Excelente.

Nos portos, o Vintage 2007, era o que mais aplausos agarrava. Está muito bem, com as suas notas de fruto preto bem maduro, licor, notas florais e as invocações minerais. Pareceu-me um perfil mais doce, mas equilibrado.
Parece estar já bem disponível para a prova, mas tem austeridade, taninos e estrutura para as próximas décadas. Muito bem.

sábado, 1 de agosto de 2009

Volta a Portugal em 3 dias - Parte 1

Não, não se trata da conhecida volta a Portugal em Bicicleta. Tratou-se sim, de uma viagem com principal tema, os vinhos Portugueses. Conseguimos em 3 dias visitar quase todas as regiões vitivinícolas Portuguesas e provar os vinhos destas. A comitiva era internacional, composta por 3 Portugueses, 2 Ingleses (Tamlyn Currin e Richard Siddle, da Jancis Robinson Team e Harper's Magazine, respectivamente) e 1 Brasileiro (Guilherme Rodrigues da Revista Gosto). Foi uma experiência alucinante, frenética e divertida. Para mim ainda teve uma dose mais de stress, uma vez que fui quem estruturou e organizou o programa das visitas e tinha de andar sempre preocupado com os horários. No entanto, acabou por ser uma experiência divertida, cheia de humor, de ocasionais gargalhadas (ahhh grande humor britânico) e obviamente de cansaço à mistura.
A ideia foi de mostrar um pouco do melhor que se faz por Portugal. Obviamente que tantos produtores teríamos de visitar, tantos vinhos teríamos de provar, para que a amostra do que de melhor se faz por cá, fosse completa. Missão impossível em apenas 3 dias.
Ainda antes de iniciarr-mos o periplo, foi-me perguntado, pelos Ingleses, o que eu esperava deles nesta visita. Eu respondi apenas, que se divirtam, que abram a mente e recebam os nossos vinhos. Não quis reportagens, não quis notas de prova, apesar de saber que afinal e-lhes impossivel não o fazer, apenas que se divertissem com os nossos vinhos, com as nossas paisagens. É assim que deve ser o vinho, um motivo de alegria, de bem estar. Foi mesmo assim que passamos todos estes dias. Cansados mas alegres e felizes.

Começámos no dia 27 de Julho, pelo Norte, mais propriamente pelo Douro. Saídos pelo final da tarde, a nosso destino, e único neste dia, seria a Quinta do Crasto. Atraso para aqui e para ali, acabámos por chegar à Quinta, já perto das 23h. Coitados dos anfitriões, que esperavam por nós. Infelizmente as viagens em grupo têm destas coisas, quase incontroláveis. No entanto lá estavam o Pedro Almeida e o Tomás Roquette, à nossa espera, com um sorriso para nos receber. A noite estava óptima, calorosa e amena, o breu já espalhado totalmente, circundava o Crasto e não permitia vislumbrar aquela vista maravilhosa. Os escassos reflexos do Rio Douro e a sombras da habituação da nossa vista ao escuro só permitiam ver os contornos das curvas do Douro. Melancólico mas ao mesmo tempo uma sensação de algo imponente, pela nossa frente.
A visita começou com uma prova, nocturna, das ultimas colheitas. Provaram-se os vinhos que estão no mercado e os que se aprestam a sair em breve. Crasto 2008, Crasto Vinhas Velhas 2007, Maria Teresa 2007, Vinha da Ponte 2007, Crasto LBV 2005 e Crasto Vintage 2007.
Foi uma bela maneira de começar, por uma casa onde tudo o que se faz, faz-se muito bem. Voltei a provar os vinhos de 2007 (escrevi há pouco tempo aqui) e mantenho a minha percepção da altura. No entanto, ao voltar a provar o Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2007 reparei que já estava menos floral, apresentando já alguns vestígios das notas de café, que tanto o caracterizam. Impressionante a maneira como os vinhos evoluem, são realmente algo vivo.
Dos que não tinha provado, destaque para o Crasto 2008, que está em forma. Apresentava um aroma sedutor de frutos maduros, mirtilhos, laranja e prestações florais. Redondo, saboroso, com taninos macios. Pelo preço, e pela quantidade é caso para dizer, "Melhor é Impossível".
Nos Portos, o Vintage 2007 surpreendia. Um Vintage com um aroma maduro, de passas, de ameixas pretas, com notas florais. Fresco. Depois uma boa concentração, taninos muito presentes mas saborosos e um final bem seco. Muito bem, belo Vintage
Por fim o LBV 2005, num registo diferente, com um perfil aromático também ele maduro, redondo mas cheio de sabor e intensidade. Um vinho bem guloso que está pronto para ser "devorado".
Acabava a prova e era servido o jantar tardio, qual ceia, com uma volta por colheitas antigas, em garrafas magnum. Voltei a provar o Touriga Nacional 2005, que se mostrou novamente mágico. Uma das excepções que me levam a pensar na Touriga a "solo". Veio o Maria Teresa 2005, que acaba sempre por arrebatar os presentes, eu incluido. É a "Claudia Schiffer" dos vinhos portugueses. Passámos pelo grande Vinha da Ponte 2004 e terminámos com o fabuloso Colheita de 1970. Terminámos pelas 3 da manhã, mas ainda havia vida, ainda havia vontade de ficar mais um pouco de volta dos vinhos e dos anfitriões. Belíssima noite.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Um dia na Quinta do Crasto

Resolvi passar uns dias pelo Douro, as saudades apertam. O motivo férias depressa se desvaneceu pela proximidade de tantas quintas fabulosas que se podem visitar. O motivo da visita à Quinta do Crasto era bastante informal mas havia uma razão que me deixava ansioso por esta visita em particular. Uma vertical completa de Maria Teresa e Vinha da Ponte. É certo que já tinha provado quase todas as colheitas destes vinhos mas nunca os tinha provado lado a lado.

Assim, na passada sexta-feira, lá rumei à Quinta do Crasto. O dia começou em Peniche a adivinhar chuva, mercê das previsões meteorológicas, mas depressa me apercebi que não passava de uma previsão, pois o sol brilhava lá no alto e emanava um calor abrasador.
Chegava perto da régua e já sentia a antecipação, no entanto um trajecto sinuoso e cheio de curvas aguardava por mim. Era curva e mais curva, subidas e descidas, bem pelo coração do Douro. Ainda não se vislumbrava aquele maravilhoso Rio Douro, que tem tanto de beleza como de mistério.
Chagámos. Cansados da viagem, mas chegámos. Mal saía do carro e já se entranhavam os cheiros do Douro, da flores. O calor apertava, mas não incomodava. Estava ali para fazer duas verticais do que de melhor se faz por Portugal. Vinhos raros, das colheitas anteriores, vinhos de tal modo cobiçados que sempre arranjam problemas a quem os vende e a quem os quer vender. Produções pequenas a quanto obrigam....

Falando do produtor, este é provavelmente um dos produtores mais em voga actualmente. Não é por acaso, pois os seus vinhos falam por si, no entanto recentemente, o facto do Crasto Vinhas Velhas ter chegado ao terceiro lugar do top 100 da Winespectator, ainda consolidou mais a ideia e veio trazer uma avalanche de novos admiradores do vinho em questão, e por arrasto, de todos os vinhos da casa. Até mesmo o Crasto 2007 acabou por ser nomeado "wine of the week", pela prestigiada critica de vinhos Jancis Robinson. Só boas notícias, no entanto volto a frisar que nada vem ao acaso. É que neste Quinta muito se trabalha pela qualidade dos vinhos. A vinha, com destaque para as vinhas velhas, é tratada com todos os mimos, o enólogo, o Manuel Lobo, é um poço de trabalho, raras foram as vezes que visitei esta quinta, em que ele não estava a trabalhar, e olhem que quase sempre lá fui ao fim de semana.



Não vou discorrer sobre a história da casa, quem pretender saber um pouco mais da história da quinta, pode visita-la em http://www.quintadocrasto.pt.
Alerto ainda para a beleza do local onde se encontra edificada a Quinta do Crasto. O local é de uma beleza inebriante. Bem lá no cimo, com uma vista fenomenal e privilegiada para o Rio Douro. Uma bonita capela marca um local, onde ao pôr-do-sol tudo se torna mágico. A piscina, que serve a família, tem uma vista fantástica, e por fim as duas vinhas, a Maria Teresa, e a Ponte com os seus terraços, completam todo um cenário idílico.
Para terminar, apenas uma curiosidade que sinceramente não tinha conhecimento. Sabias que a Dona Maria Teresa, a mesma senhora que deu o nome à famosa vinha e ao vinho ainda é viva? É verdade, esta senhora que conta 94 fantásticos anos ainda se encontra entre nós. Presumo que já tenha bebido do vinho que a honra, e espero que por mais anos fique por cá. Que pormenor delicioso.

E é com esta deliciosa curiosidade que sigo para os vinhos:


Antes de ter iniciado as verticais, quis provar as novidades:



Crasto Branco 2008
Na senda da colheita anterior, mostra-se um branco que todo ele é frescura. O fruto transmite alegria, as notas vegetais ajudam na frescura e na vontade de puxar de mais um copo. A boca tem um equilíbrio fantástico, com a acidez a manter enorme frescura na boca. A boca traz citrinos e novamente sugestões vegetais. Curiosamente este 2008, ainda que na senda da anterior colheita pareceu-me ainda mais afinado, mais equilibrado e ainda mais fresco. Não há que enganar com este vinho. Como escrevi anteriormente, um branco de verão e para o verão, apesar de que por vezes, nas outras estações não me enjeitar em tê-lo à mesa. Parece-me um vinho com versatilidade na cozinha.
Nota 16

Crasto Vinhas Velhas 2007
Como pequena nota, este vinho tinha sido engarrafado há muito pouco tempo e como tal pareceu-me estar ainda a sofrer da "operação".
Pareceu-me algo diferente de todas as versões anteriores. O vinho ainda me parecia timido, no entanto mostrava já um fruto maduro, notas florais, pendor vegetal e por sinal muita frescura. Muito longe das notas fumadas, de tabaco, de café, que as versões anteriores sempre mostraram. A não ser do engarrafamento, confesso que esta mudança não me desagradaria mas seria uma certa inflexão no perfil. Na boca estava muito bem, tinha grande estrutura, acidez vincada e os taninos presentes mas já muito bem integrados. Só agora sentia as subtis notas de barrica aparecerem no final, que era muito persistente. Apesar de estar muito bem delineado na boca, acabei por achar que ainda faltam algumas arestas por limar, que o tempo em garrafa se encarregará de as resolver. Precisa mesmo de tempo este vinho.
Nota 16,5-18


A vertical de Vinha da Ponte




Vinha da Ponte 1998

Foi a primeira vez que provei este vinho. A cor mostrava alguma evolução. O nariz impressionava, com notas de frutos silvestres, tomate, vegetação seca e café. Foi o Ponte que mostrou mais finesse, delicadeza. Na boca estava muito bem, nada cansado, mas manteve a delicadeza que o nariz fazia supor. Estava muito saboroso, com taninos domesticados, redondos mas de classe. O final era longo mas com ligeiras notas amargas, que pessoalmente me agradam. Para um vinho com 11 anos, esteve muito bem. Fiquei com a sensação de estar no ponto para ser bebido.
Nota 17,5

Vinha da Ponte 2000
O meu "Wine of the Day". Impressionante em todos os aspectos. Muito pouca ou nenhuma evolução na cor. Impressionante no aroma, na complexidade, este vinho ainda mostrava austeridade, densidade e profundidade. Misterioso.
Na boca um portento de vinho, vivaço, de enorme porte e recorte. Um senhor vinho. O puzzle da acidez, do corpo e do álcool complementavam-se na perfeição. Sem arestas, perfeito . Final longo, muito longo e seco. Numa palavra apenas, enorme. Com muitos anos pela frente, pareceu-me mesmo ser o que maior potencial tem para enfrentar os muitos anos vindouros.
Nota 19

Vinha da Ponte 2003
Também muito bem na cor pouco evoluída. O mais quente de todos. Intenso de aromas, denso no fruto maduro, cheio de notas de especiaria e de baunilha.
Muito melhor na boca, explosivo, com notas de café e um final longo, longo, longo e quente. Ainda está a evoluir, a melhorar. Pode ser guardado, não há pressas.
Nota 18

Vinha da Ponte 2004
O mais discreto dos aromas. Mostra pouca intensidade mas mostra sobretudo complexidade. Muito mineral, fruto maduro, cheio de raça, profundo e novamente misterioso. É o mais discreto de todos mas o que poderá vir a ser maior. Boca de enorme porte, vigoroso, robusto, com notável equilíbrio e com final apoteótico. Impressiona pela juventude, pelo mistério e pelo equilíbrio. No mesmo patamar do 2000, mas ainda não quer mostrar aquilo de que é capaz. A guardar sem qualquer receio.
Nota 19

Vinha da Ponte 2007 (amostra de casco)
Ainda um projecto, ainda um bebé, mas já mostra o quão grande virá a ser. Muito jovem, cheio de nuances, cheio de particularidades, no fruto, nas notas florais. Mostra já profundidade, as notas de barrica ainda estão à solta mas nada fere neste harmoniosos conjunto. Marcante. Cheio de estrutura, de taninos ainda arrebitados que não ferem e com final longo. Muito de tudo, ainda por delinear, mas a promessa de grandeza está bem patente neste vinho aristocrático. Vai ser grande e confesso que me encheu as medidas.
Nota 18-19


A vertical de Vinha Maria Teresa



Vinha Maria Teresa 1998
Tinha provado há cerca de um mês atras um Maria Teresa desta colheita, que me deixou completamente embeiçado pela jovialidade, pela cor e pela profundidade. Neste dia provei um Maria Teresa bem mais discreto, quer na côr, quer nos aromas. Ainda assim, mostrou alguns predicados. O vinho estava aberto desde a manhã e eram já 15h quando iniciamos a prova. Ainda assim a cor esbatida a mostrar evolução, contrariava o que tinha bebido anteriormente.
Notava-se maior evolução nos aromas, com o vinho a mostrar mais fruto silvestre, notas minerais e vegetais. A boca era saborosa, com notas de menta, de côco, equilibrada e tinha um final muito longo.
Nota 17

Vinha Maria Teresa 2001
Muito intenso nos aromas. Perfil muito "Maria Teresa", muito perfumado com notas de fruto maduro, côco, notas de licôr e de feijão. Decadente e elegante. Boca repleta de taninos finos, aristocráticos, mas ainda a mostrarem vigor. É um vinho muito harmonioso, eloquente e com um final bem longo e cheio de sabor. Excelente.
Nota 18

Vinha Maria Teresa 2003
Estranho. Parece desmarcar-se dos demais. Não é perfumado, pelo contrario, é algo sisudo. Dificil aproximação. Notas de figos, de ameixa preta, de café. Muito melhor na boca, a mostrar harmonia, intensidade, sabor. Taninos finos mas muito presentes. Parece ainda estar a dar os primeiros passos. Salva o final muito longo.
Nota 17

Vinha Maria Teresa 2005
Ora ai está novamente um grande Maria Teresa. Incansável no perfume. Apetece estar horas de copo ao nariz. São os frutos maduros, as notas licoradas, o café, o côco, Depois há as notas florais, vegetais. Tudo em intensidade. Aroma distinto, fino.
Boca explosiva com tanto, mas tanto sabor e frescura. taninos muito finos e elegantes. Fantástico.
Nota 18,5

Vinha Maria Teresa 2006
Sempre me questionei se seria pertinente engarrafar um Maria Teresa num ano tão difícil e proclamado pelos produtores com sendo péssimo. Sem medo, a Quinta do Crasto decidiu engarrafar um vinho muito elegante. Um vinho que perde na intensidade para o 2005, mas ganha na fineza, ganha na elegância. O vinho é fresco, mantém o cunho Maria Teresa. Muitíssimo bem na boca, com taninos delicados, presentes, final longo cheio de prazer e de sabor. Quem faz assim num ano "mau", não merece castigo. Belo Vinho
Nota 18

Vinha Maria Teresa 2007 (Amostra de Casco)
Fez-me logo lembrar o 2005, mas com maior frescura. Cheio de notas de flores, de fruto maduro, nuances silvestres. Na boca todo ele é sabor, todo ele é fineza e aristocracia. O final longo não me deixou indiferente, de tão bom e intenso que era. Outro grande vinho que se está por delinear. Vai ser fantástico, mas o Ponte......
Nota 17,5-18,5

Resumo: Não é fácil beber estes vinhos todos "uns contra os outros", a comparação é inevitável. Obviamente que se estivesse a beber qualquer um deles a solo, as percepções seriam diferentes e andaria a vangloriar-me por ter bebido este ou aquele, no entanto estava convicto de estar a provar vinhos fantásticos, vinhos que impressionam por vários pormenores que cada um nos mostra. Em ultima análise serviu esta prova para confirmar a grandiosidade dos Vinha da Ponte. Enormes vinhos.

A surpresa:



Quinta do Crasto Colheita 1970
Nem sabia que existia. Nunca foi nem será comercializado. Apenas para consumo interno.
Não sabia o que esperar deste colheita. Superou todas as expectativas.
Que belo colheita. Bonita cor acobreada. Cheira a idade, é sedutor. Mostra notas de mel, laranja, caramelo e frutos secos. Que boca....Delicioso, uma acidez vibrante e um final longo. Muito bom



Resta-me agradecer a oportunidade, o privilégio, de ter sido tão bem recebido e em tão boa hora pela Família Crasto. O meu sincero agradecimento.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Brites Aguiar e 2PR apresentam novidades

Foi no passado dia 10 de Julho que o produtor de vinhos, Brites Aguiar apresentou a nova colheita do seu vinho homónimo, Brites Aguiar 2006.
Ainda neste evento, foi também apresentada uma novidade e surpresa, pela equipa 2PR, que aliás também é responsável técnica pelos vinhos Brites Aguiar.
A apresentação teve lugar no Gemelli, que elaborou um menu de acordo com os vinhos que iriam ser provados.


A Casa Brites Aguiar é uma empresa familiar, composta por 3 irmãos, Lucia, Paulo e Tomy. Localizada no Cima Corgo, no Douro, esta empresa possui 45ha de vinha, com cota entre os 230 e 450m, dos quais resultam os vinhos Bafarela e Brites de Aguiar.
Pode encontrar mais Informações em www.britesaguiar.com
O vinho Brites Aguiar é o vinho mais emblemático da empresa, e o também o que foi apresentado, na sua versão de 2006:

Brites Aguiar 2006
Produtor - Brites Aguiar
Região - Douro
Grau - 15% vol
Preço - Recomendado 28€
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, este vinho estagiou por 18 meses em barricas novas, de 500l, de carvalho francês.
Muito concentrado na cor.
A sugestão de um vinho com aromas algo concentrados, algo maduros, é óbvia e como tal, apresentam-se aromas de fruto muito maduro, chocolate, caramelo a que se associam algumas notas florais e de barrica.
Na boca, muito mineral. Contrariamente ao que pressupunha a prova de nariz, este vinho apresenta rasgos de frescura e esconde bem todo o seu volume alcoólico. Os seus taninos são dóceis, maduros mas estão presentes. Termina com boa persistência com subtil ligeiro amargor.
Tive a oportunidade de dizer que gostei muito deste vinho. Tem personalidade, tem taninos muito agradáveis. Penso que no patamar de preço onde se situa, a originalidade seria muito mas premiada, ainda assim considero-o como muito bom vinho.
Nota 16



A 2PR (Duplo PR) é uma empresa de consultoria enológica que desenvolve todo o seu trabalho na Região do Douro. Neste momento lideram projectos como Brites Aguiar, Bajancas, Quita do Soque e ainda têm tempo para fazer vinhos por sua conta e risco.
Os mentores desta empresa são Pedro Sequeira e António Rosas, que alem de partilharem amizade, partilham da paixão pelo vinho.
A apresentação de um vinho branco muito especial, trouxe-nos neste dia ao Gemelli, uma vez que este vinho é obra deste trio de amigos.
O Vinho, 2PR Vinho Branco Unfiltered Gemelli, é nada mais nada menos que um encontro de amigos e resultou de um desafio lançado por Augusto Gemelli, aos 2PR, para a execução de um branco que não sofresse qualquer filtração nem estabilização. A ideia parece de loucos, e inclusive quando o Pedro Sequeira me disse o que seria apresentado, olhei para ele com algum cepticismo.


2PR Vinho Branco Unfiltered Gemelli 2007
Produtor - 2PR e Augusto Gemelli
Região - Vinho de Mesa
Grau - 12% vol
Preço - Apenas à venda na Galeria Gemelli
Feito a partir das castas Rabigato, Códega do Larinho e Gouveio, este vinho, sem sofrer qualquer filtração ou estabilização, estagiou por 6 meses em barricas novas de carvalho francês.
Na cor está tudo dito. Turvo e mesmo com algumas partículas em suspensão.
Muito bem no aroma. Intensidade e sobretudo muita frescura e originalidade. Aroma de fruto branco, vegetal, muito mineral e citrino a que se associam algumas de baunilha.
Boca com boa dose de cremosidade ou untusidade, vibrante graças a uma fantástica acidez e muita fruta no final. Curiosamente, e apesar do seu pouco álcool, este vinho apresentou um final algo quente, mas persistente, que quase desmanchou todo o prazer.
Uma experiência? Vontade de alterar algo? Bem, isto é o que chamo de novidades. Na realidade mantenho algumas reservar quanto ao sucesso de um vinho destes numa prateleira de uma garrafeira. Ainda que esteticamente, aliás visualmente, possa parecer algo repugnante a ideia, este vinho é um belíssimo vinho e isso a mim bastou para ser convencido. Bonito no aroma e electrizante na boca, só mesmo um final algo quente borrou a pintura. Para já, terá de se deslocar à Galeria Gemelli para o provar. No futuro......quem sabe?
Nota 17

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Quinta das Bajancas e Quinta do Soque apresentam novidades

Foi no passado dia 3 de Julho, no restaurante 100 maneiras, que teve lugar a apresentação de dois novos vinhos da Quinta das Bajancas e da Quinta do Soque, Trilho branco 2007 e Quinta do Soque Reserva 2005, respectivamente.
A apresentação contou com a presença dos produtores e da equipa de enologia, a 2PR (Duplo PR), comum a ambos os projectos.

A Quinta das Bajancas, pertença de António Alfredo Lamas, é um projecto Duriense que começou a ser delineado em 1993, quando por iniciativa própria, o proprietário decidiu partir na aventura de fazer vinho. Escolheram-se as castas a plantar, e em 1
994 iniciaram-se as plantações. Em 2004 tem lugar a primeira colheita, nesta Quinta, já com a consultoria da 2PR.
A Quinta das Bajancas possui hoje no seu portefólio três vinhos DOC Douro, um tinto e um branco de marca Bajancas e ainda mais um branco, de seu nome Trilho, que foi a
presentado nesta ocasião.


Trilho branco 2007
Produtor - António Alfredo Lamas
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Preço - Recomendado 15€
Feito a partir das castas Rabigato, Gouveio e C
ódega-de-Larinho, este vinho estagiou por 6 meses em barricas novas de carvalho francês.
Cor palha com reflexos esverdeados.
Aroma bem desenhado, fresco e muito intenso, com notas de fruta branca, ananás, sensação vegetal, alguns anisados e ligeira sensação tostada. A madeira esta muito bem trabalhada neste vinho.
Boca com um equilíbrio fantástico, onde não se faz notar a barrica em demasia, a presença de álcool é esquecida, e uma acidez perfeita assenta como uma luva num vinho que termina cheio de frescura, sabor e interessante sensação de secura.
Muito bem desenhado este branco. Madeira bem trabalhada a mostrar que se sabe o que está a fazer. Um vinho complexo, cheio de vida e frescura. A não perder este jovem, mas excelente, branco.
Nota 17




A Quinta do Soque situa-se na margem esquerda do Rio Torto, no Concelho de São João da Pesqueira.
A propriedade possui cerca de 20ha dos quais 17 são ocupados por vinha. A família Vicente, proprietária há mais de 20 anos, decidiu modernizar a Quinta, em 1990, com o intuito de produzir vinho de qualidade. Após um estudo exaustivo das condições edafo-climáticas, foram iniciadas as plantações das castas que se acharam com possibilidade de garantir melhores condições. Esta tarefa terminou em 1996 com a total plantação dos 17ha que hoje subsistem.
Na Quinta do Soque são produzidos vinhos DOC Douro, brancos e tintos, coma preciosa ajuda da equipa 2PR.


Quinta do Soque Reserva 2005
Produtor - António Carlos Vicente
Região - Douro
Grau - 14% vol
Preço - Recomendado 19€
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz, este vinho estagiou em barricas de carvalho francês.
Cor rubi, de boa concentração.
Aroma ligeiramente maduro, onde predominam notas de frutos pretos como a ameixa e a cereja preta que são acompanhadas por sugestões de especiarias, chocolate e algumas notas florais. A este conjunto ainda se juntam algumas notas tostadas.
Na boca existe intensidade, e uma certa bonança nos taninos, que se mostram redondos, dóceis. O vinho termina com sugestões tostadas.
Um vinho muito bem feito que não vira as costas a comida. No meu entender, está num ponto óptimo de consumo.
Nota 16


Como pequena nota, destaco a capacidade de conjugação destes vinhos com a comida, que foi elevada a um patamar superior, pela fantástica performance da equipa do 100 Maneiras, em Cascais.

sábado, 19 de abril de 2008

Dona Berta Rabigato 2007

Novamente o Rabigato de Hernâni Verdelho, desta feita na versão de 2007. Como já disse anteriormente, na minha opinião, os brancos de 2007 estão a aparecer algo cedo no mercado. Aparecem com muita exuberância, mas algo marcados por notas vegetais e herbáceas. Vamos a ver então como está este ultimo Dona Berta:


Dona Berta Reserva Rabigato "Vinhas Velhas"
Produtor - Hernâni Verdelho
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 11€
Vindo de Freixo do Numão, no Douro Superior, este é um vinho branco feito apenas de uma casta, a Rabigato. Tem como curiosidade o facto de se terem aliado vinhas novas a vinhas velhas, com mais de 150 anos. Passou apenas por inox.
Cor amarelo palha com nuances esverdeadas.
Intenso e rico no aroma e muito exuberante no ataque. Tudo começa com aromas de tangerina e aromas florais, aos quais se abraçam intensas sensações minerais. Como se não bastasse, todo este conjunto é abrilhantado pela passagem das sugestões vegetais, de relva.
Está excelente na boca. A primeira sensação que se me destaca é mesmo a frescura deste conjunto, que não é mais que o resultado de um vinho com uma acidez enervante. Para que não seja acidez a mais, o corpo redondo deste vinho ampara toda esse vigor, garantindo um vinho fresco, cheio e com um final intenso e duradouro.
No meu entender o melhor e mais completo Dona Berta Rabigato. Está desde já um belíssimo vinho que mal saia para o mercado e comece a ser provado, desconfio que desaparece num ápice.
Nota 17

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Morgadio da Calçada

Já tive a oportunidade de provar os tintos desta casa aqui, que me surpreenderam pela positiva. Agora é chegada a vez do branco:

Morgadio da Calçada Branco 2006
Produtor - Niepoort Vinhos
Região - Douro
Grau - 14% vol
Preço - A partir de 9€
Feito a partir das castas Códega, Rabigato, Viosinho, Arinto e Malvasia que pertencem a vinhas cujas idade oscilam entre os 20 e 70 anos, este vinho estagiou parcialmente em barricas de carvalho francês por 7 meses.
Cor Amarelo Palha com nuances esverdeadas.
Nariz rico e amplo, onde encontramos com facilidades aromas de citrinos, de fruta branca, algum vegetal e sensações minerais, tais como o giz e pedras molhadas. A barrica está bem presente com as suas notas tostadas.
Na boca mostra-se bastante equilibrado. É macio, redondo e mostra um bom porte. Termina com boa persistência.
Mais um bom branco duriense. A prova de que o Douro pode e sabe fazer bons brancos e mais um vinho da mestria de Dirk Niepoort. Pretendo voltar a ver como evolui na integração da madeira.
É de certo modo, um vinho de estação mais fria mas tem um preço muitíssimo bom para a qualidade que apresenta.
Nota 16

terça-feira, 1 de abril de 2008

Dona Berta

Hernâni Verdelho, na sua Quinta do Carrenho em Freixo do Numão, iniciou há já alguns anos o engarrafamento da sua produção. Na altura teve de restruturar a vinha, com plantação de vinha nova mas sempre guardando alguma vinha velha, pois qual será o duriense que não acredita na vinha velha?
Feito o investimento na vinha, sairam um branco e um tinto, que agora provo na edição de 2006 e 2005, respectivamente.


Dona Berta Rabigato Branco 2006
Produtor - Hernâni Verdelho
Região - Douro
Grau -
13% vol
Preço - A partir de 11€
Vindo de Freixo do Numão, no Douro Superior, este é um vinho branco feito apenas de uma casta, a Rabigato. Tem como curiosidade o facto de se terem aliado vinhas novas a vinhas com mais de 150 anos. Passou apenas por inox.
Cor amarela Palha.
À semelhança da anterior edição, está novamente muito bem no nariz. Inicialmente podemos sempre contar com o fruto tropical, Flores e a sempre refrescante sensação vegetal, de relva.
Na Boca também muito bem. O vinho tem corpo, tem uma estrutura invulgar e acidez sápida. Termina com excelente persistência e com vontade de ir novamente ao copo.
Mais uma vez muito bem este Rabigato. Nada distante do seu antecessor. Parece que o Engº Hernâni Verdelho já decorou a formula. Aconselho vivamente guardar algumas garrafas e ir verificando a sua evolução, no entanto bem sei o quanto é difícil conseguir guarda-las.
Nota 16,5



Dona Berta Reserva 2005
Produtor - Hernâni Verdelho
Região - Douro
Grau - 13% vol
Preço - A partir de 16€
Feito a partir das Castas Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Amarela e Tinto Cão, este vinho estagiou em madeira nova de carvalho francês e americano.
Cor rubi de boa concentração.
Pleno de aroma com notas de fruto maduro, muito mato seco e sugestões vegetais que se enquadram num conjunto que integra ainda notas mentoladas e de boa barrica.
Melhor na boca, apresenta-se-nos um vinho de bom porte, com taninos muito bem integrados, mas ainda muito presentes. Ainda está para chegar o perfeito entrosamento das partes. Termina com boa persistência.
Melhorou bastante desde a ultima vez que o provei, no entanto apesar de dar uma boa prova, penso que o melhor poderá ainda estar por vir.
Nota 16

domingo, 23 de março de 2008

Lavradores de Feitoria

Esta empresa, será eventualmente uma das mais inovadoras, em termos de conceito, no nosso país vinícola. Fundada em 2000, por alguns das melhores quintas do Douro, esta empresa não é mais que um unir de esforço e de amor pelo vinho e pelo Douro para fazer vinhos de excepção. O conceito reside da união de várias quintas do Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior, com o propósito de em conjunto fazerem o melhor vinho possível, aproveitando caracteristicas unicas de cada uma das quintas. (Informação compilada a partir de http://www.lavradoresdefeitoria.pt/)
Em 2001, sob a supervisão enológica de João Brito e Cunha, nasce o Grande Escolha da casa e passados 7 anos, volto para ver como se encontra:


Lavradores de Feitoria Grande Escolha 2001
Produtor - Lavradores de Feitoria
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 30€
Feito a partir das Castas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Amarela, cujas vinhas têm mais de 60 anos, este vinho estagiou por 16 meses em barricas novas de carvalho francês e ainda 1 ano em garrafa.
Impressiona pela cor, que não parece ser de um vinho de 2001, por se encontrar sem grandes sinais de evolução
No nariz um vinho com densidade e potência que mostra aromas ainda muito intensos de ameixas, de grafite, fumo e sobretudo um pendor vegetal que confere frescura e complexidade neste conjunto.
Na boca está ainda melhor. É raçudo e potente, sem nunca entrar em excessos. Nunca há a mínima vontade de que abandonemos o liquido da língua de tão intenso e saboroso que é. Equilibrado, não mostra sinais de pontas soltas, pois aqui tudo já está em harmonia completa. Cheio e denso ainda tem gabarito para terminar muito longo.
Em tempos, quando este vinho me foi apresentado, por uma "Lavradora", foi-me confidenciado que este vinho tinha sido feito para ganhar prémios, agora pergunto-me se não será muito mais que isso? Este vinho foi feito para agradar, para durar. Um vinhaço, que se não fosse o preço, seria a alegria de muita gente. Assim, mesmo que possa ter apenas uma única oportunidade, se tiver este vinho na sua frente, não hesite, pois este é grandioso.
Nota 18

sábado, 1 de março de 2008

Morgadio da Calçada - Tintos

Os vinhos Morgadio da Calçada são resultantes de uma parceria entre a Família Vilas-Boas e o sobejamente conhecido Dirk Niepoort.
A quinta, situada em Provezende, possui vinhas velhas com mais de 60 anos de idade e onde se contam muitas das castas habituais do Douro.
Como curiosidade, os magnificos rótulos são da autoria do Arquitecto Siza Vieira.
(Informação retirada em www.morgadiodacalcada.com)





Morgadio da Calçada Grande Escolha 2005
Produtor - Niepoort Vinhos
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 25€
Elaborado a partir de vinha velha com mais de 60 anos e onde das castas presentes apenas se parece conhecer a Touriga Franca, este vinho estagiou por 16 meses em barricas de carvalho francês.
Cor rubi de média concentração.
Aroma rico e complexo onde perduram os aromas de fruta madura, as flores, as especiarias e algum vegetal. Todo este aroma está perfeitamente integrado com as notas tostadas da barrica, formando um relação simbiótica.
A boca prima pela frescura, pela elegância e por taninos nobres mas muito bem integrados, neste vinho de bom porte. Termina longo e com predominância das notas tostadas.
Mais um vinho sob a chancela de Dirk Niepoort. Elegância é o principal adjectivo que encontraremos neste belo Douro. A complexidade da vinha velha e de quem a sabe trabalhar. Muito bem.
Nota 17



Morgadio da Calçada 2005
Produtor - Niepoort Vinhos
Região - Douro
Grau - 13% vol
Preço - A partir de 10€
Elaborado a partir de vinha com mais de 20 anos e onde das castas presentes apenas se parece conhecer a Touriga Franca, este vinho estagiou por 15 meses em barricas de carvalho francês.
Cor rubi de concentração.
Aroma de boa intensidade com notas de fruto maduro, especiaria e algum vegetal que se associam na perfeição às notas tostadas.
Na boca é afinado, e com taninos bem redondos mas gostosos. Termina com boa intensidade e com prazer.
Ainda que não tenha a subtileza do seu "irmão" esta vinha já dá fruto muito interessante e de muito boa qualidade. Para o preço apresentado, nada melhor que a correspondência de um belo vinho. Gostei
Nota 16

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Seara D'Ordens - Tintos

Volto novamente a Seara D'Ordens mas desta feita com os tintos.


Quinta Seara D'Ordens Reserva 2005
Produtor - Quinta Seara D'Ordens
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, este vinho estagiou por 12 meses em barricas de carvalho francês.
Cor rubi.
Ainda que entre algo fechado, este vinho inicia uma abertura para um vinho com excelente intensidade onde predominam notas de fruto maduro, especiarias, algum vegetal e baunilha.
Na boca encontramos um vinho equilibrado e vigoroso que ainda assim tem frescura, boa intensidade, taninos bem presentes mas bem integrados num final de boa persistência.
Bem melhor que o seu "irmão" este Reserva irá necessitar de algum tempo para se mostrar, no entanto dá desde já excelente prova e enjeitará a parceria com uma boa comida. Para que possa usufruir da sua plenitude, decante-o.

Nota 16,5


Quinta Seara D'Ordens 2005
Produtor - Quinta Seara D'Ordens
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, este vinho estagiou por 10 meses em barricas de carvalho francês e 10 meses em garrafa.
Cor rubi.
Aroma com boa intensidade, notas de fruto maduro, especiaria e boas notas de barrica.
Na boca é macio, com alma e com taninos presentes mas redondos.
Ainda que possa parecer repetitivo, este é um vinho que considero mais uma boa escolha para um vinho diário. É moderno, é frutado, mostra alguma complexidade e sobretudo uma capacidade de se juntar com facilidade numa refeição. Pelo preço que se pede por ele, acho que estamos perante uma boa RPQ.
Nota 15



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Seara D'Ordens - Brancos e Rosé

Ora aqui está um produtor pelo qual tenho ansiado por provar os seus vinhos. Mas antes um pouco de história, por sinal deliciosa:
Estávamos nos finais do Séc XVIII quando a família Leite adquiriu uma grande extensão de terreno perto de Seara de Poiares.
O seu proprietário, fascinado com a beleza do local e com sua localização, prontamente investiu nos acessos à propriedade e na plantação de vinha, oliveiras e amendoeiras.
Anos mais tarde seu filho, apesar de militar de carreira, nunca deixou de se preocupar com a propriedade e sua evolução.
Chegou a Comandante do quartel de Lamego, mas mesmo assim passava muito tempo na sua propriedade de Seara. Durante a sua ausência no quartel eram enviados Soldados à Seara para receber ordens de seu Comandante. Os populares, admirados pela passagem dos Soldados a cavalo perguntavam:
Para onde vão?
Ao que os Soldados respondiam: Vamos à Seara receber ordens do Comandante.
E então a partir dessa altura o local passou a chamar-se de:

Quinta da Seara D'Ordens

(informação retirada de www.quintasearadordens.pa-net.pt)




Quinta da Seara d'Ordens Reserva Branco 2006
Produtor -
Quinta da Seara d'Ordens
Região - Douro
Grau - 13% vol
Feito a partir das Castas Malvasia Fina, Rabigato e Fernão Pires, este vinho fermentou em barricas de carvalho francês por 6 meses.
Apresentou uma cor bonita cor citrina.
Muito bem no nariz. Delicado e amplo este nariz mostrou uma belíssima performance onde se apresentaram notas de algum fruto, amêndoa e algum vegetal que se enquadravam num sedutor fundo baunilhado.
Na boca também muito bem. Gordo, fresco e macio, este vinho manteve o seu pendor vegetal e frutado com perfeita integração das notas de barrica.
Confesso que gostei muito deste vinho. Tem tudo o que precisa para ser apreciado, incluindo um preço maravilhoso (menos de 10€). Ainda que seja um branco mais de inverno, pareceu-me ter frescura suficiente para ser apreciado na meia estação. Muito bem.
Nota 16


Quinta do Carqueijal Branco 2007
Produtor -
Quinta da Seara d'Ordens
Região - Douro
Grau - 13% vol
Feito a partir das castas Malvasia Fina, Cerceal e Fernão Pires, este vinho passou 3 meses em cubas de inox e 2 meses em garrafa.
Cor palha.
Realmente provar vinho assim tão novos reveste-se de algum interesse face à exuberância que estes apresentam. Nariz intenso de hortelã que quase que tapa qualquer aroma citrino que lá atrás se esconde.
Na boca é muito fresco, mostra "substância" e descortina mais um pouco de fruta.
Ainda está muito vegetal e penso que poderá "amainar" estes ânimos. Voltarei mais lá para o verão, a ele. No entanto....quem quer um branco para o seu dia a dia de verão? Nem mais...aqui está.
Nota 14



Quinta do Carqueijal Rosé 2006
Produtor -
Quinta da Seara d'Ordens
Região - Douro
Grau - 12,5% vol
Feito a partir das castas Touriga Franca, Tinta Roriz e Touriga Nacional, este rosé estagiou por 4 meses em cubas de inox e 2 meses em garrafa.
Bonita cor rosada.
Intenso no nariz, encontramos um vinho com belíssimas notas de morango e framboesa que se misturam com sensações florais e vegetais.
Na boca tem dimensão, tem frescura e acima de de tudo tem forma de agradar. Termina com boa persistência e bastante saboroso.
Para mim um dos melhores rosés. Bem feito, muito fresco e com cativante exuberância. Um must

Nota 15

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Em 2002 Jorge Roquette (Quinta do Crasto) e Jean-Michel Cazes (Château Lynch Bages), decidiram criar uma joint venture vínica para poderem fazer um grande vinho no douro. O que se pretendia era fazer um vinho a partir das castas do Douro mas com a experiência da Casa Cazes. Nasce então, em 2003, uma estrela no Douro.......o Xisto.


Xisto 2004
Produtor - Roquette e Cazes
Região - Douro
Grau - 14% vol
Este vinho teve a participação dos enólogos de cada uma das casas, Susana Esteban pelo Crasto e Daniel Llose por Lynch Bages. Feito a partir das castas Touriga Nacional (60%), Touriga Franca (15%) e Tinta Roriz (25%), este vinho estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês (60% novas e 40% com 1 ano).
Apresenta uma cor carregada. Intenso no nariz, este vinho apresenta aromas de fruta muito madura, onde se destacam a ameixa e a amora, o eterno pendente floral e sugestões de café.
Na boca o mote é a elegância como aliado de uma certa potência. O vinho é extremamente equilibrado e macio e dá desde já uma prova em pleno. Termina longo e com classe.
Um vinho arrebatador que não me deixou indiferente. Um grande vinho que permite-nos dizer que assim, venham mais parcerias destas.
Nota 18

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

O Mitico Barca Velha

O nome Barca Velha é conhecido pelos quatro cantos do nosso país, e não só, como sendo o nosso vinho estandarte. Produzido pela Casa Ferreirinha, agora pertença da Sogrape, o Barca Velha já era considerado assim, ainda quase não existiam vinhos tranquilos no Douro.
Este nobre vinho deverá ter estado presente em algumas das maiores tomadas de decisão em Portugal e nas mais importantes recepções que cá ocorreram e é hoje em dia símbolo de prestigio e alvo de cobiça.
Foi criado em 1952 e até ao dia de hoje foram lançadas apenas 15 edições deste vinho. Em 1952, 1953, 1954, 1957, 1964, 1965, 1966, 1978, 1981, 1982, 1983, 1985, 1991, 1995 e, o mais recente, e que agora provo, o 1999.


Barca Velha 1999
Produtor - Casa Ferreirinha
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Feito a partir das castas Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinto Cão, provenientes da Quinta da Lêda e de outras quintas. Estagiam em barricas novas de carvalho francês por 12 a 18 meses, em Vila Nova de Gaia.
Lindíssima cor rubi carregada, onde não mostra sinais de evolução. No nariz mostra todo o esplendor da fruta madura onde descortinamos a cereja preta, o cassis e a amora que são complementados com notas de especiaria, apontamentos florais e com algum arejamento, intensas notas de boa barrica.
Na boca, um jovenzinho de contrastes, assim como o Douro que o viu nascer. Aguerrido mas suave, elegante mas estruturado, este vinho apresenta-se sedoso e incrivelmente intenso no seu final.
Um vinho com 8 anos que ainda nem sequer tem todos os seus componentes integrados na perfeição. Ainda assim sinto-me feliz por o ter conhecido nesta fase de jovialidade e rebeldia. Se por um lado, alguns dos Barca Velha anteriores me deixaram de certa maneira algo indeciso, este por seu lado não me deixa margem para dúvidas pois, é um Grande Barca Velha, um Grande vinho e um Grande Douro.
Nota 18,5

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