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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Esporão Aragonês 2007

Continuando com os vinhos dos Esporão.....
É a vez de nos voltarmos para os monocastas da casa. Tal como os restantes vinhos da empresa, também os monocastas receberam uma "lavagem" na imagem. São agora rótulos minimalistas, de muito bom gosto. Anunciam com pompa e circunstância as iniciais de cada casta, e algumas informações muito úteis, como a localização GPS da Herdade. Muito apelativo, no meu entender.
O Aragonês, vinho que agora provamos, provém de umas vinhas com mais de 35 anos, num local chamado "Canto do Zé Cruz".

Esporão Aragonês 2007
Produtor - Esporão
Região - Alentejo
Grau - 14,5 % vol
Preço -nd
Feito exclusivamente a partir da casta Aragonês, este vinho fermentou em lagares de inox e estagiou por 12 meses, em barricas novas de carvalho francês e americano.
Côr carregada, quase retinta.
Inicialmente são os aromas fumados que marcam a prova. Só após algum tempo começam a surgir notas de fruto bem maduro, como ameixas e amoras. Algum vegetal e mineral completam este aroma de boa intensidade.
Robusto, vincado, viril. Não esconde a sua potência. Tem taninos bem presentes e um final seco de boa persistência.
Um vinho que não é fácil mas que mostra carácter. Pede comida por perto pois a solo só mesmo para os amantes de emoções fortes.
Nota 16

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Esporão Reserva 2007

Voltamos novamente à prova de vinhos do Esporão. Desta feita, é a vez de provar o Esporão Reserva Tinto, da colheita de 2007.
Este é um dos vinhos mais vendidos do produtor, mercê de uma produção de cerca de 500.000 garrafas, a alcançar sucessivamente rasgados elogios por toda a parte. Esta garrafa, já possui a nova imagem, que o produtor imprimiu a todos os seus novos vinhos, cujo rótulo foi idealizado por José Pedro Croft.

Esporão Reserva Tinto 2007
Produtor - Esporão, SA
Região - Alentejo
Grau - 14.5% vol
Preço - a partir dos 14€
Feito a partir das castas Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet, este vinho fez fermentação em inox, e estagiou por 12 meses em barricas de carvalho americano (70%) e francês (30%).
Cor muito brilhante e carregada.
Muito bem no nariz, a mostrar riqueza, com notas de fruto preto, apontamentos minerais e sugestões vegetais. Com algum tempo surgem apontamentos de café, e especiarias.
Na boca está resolvido, é fresco, redondo, com ligeira predominância do álcool, mas que no entanto não desequilibra de todo, o conjunto. O final é de média persistência, mas com enorme sabor.
Não há muito que possa dizer sobre este vinho, que já não saibam. Na verdade, este é provavelmente um dos "Portos" mais seguros do vinho alentejano e nacional. Com este vinho, não há que enganar, e tem sido assim ano após ano, tornando este vinho num enorme caso de sucesso. Continuem....
Nota 15,5

domingo, 29 de novembro de 2009

Altas Quintas Branco 2008



Já seria de esperar que, mais tarde ou mais cedo, a Altas Quintas quisesse dar o passo seguinte na criação de um branco, ou seja que enveredasse por brancos de topo. Aproveitando toda a envolvente, e sobretudo altitude, que oferece a Serra de São Mamede, eis o novo Altas Quintas Branco 2008.
As uvas provêem de vinhas de Verdelho e de Arinto, situadas a 600 metros na Serra de São Mamede.



Altas Quintas 2008 Branco
Produtor: Altas Quintas
Região: Alentejo
Grau: 13.5% vol
Preço: N/D
Feito a partir das castas Verdelho e Arinto, o vinho fermentou em barricas novas de carvalho francês, para depois estagiar durante 6 meses, nas mesmas barricas.
Apresenta um brilhante côr palha. A primeira sensação que no aparece de imediato é mesmo a frescura do vinho. Depois, são notas de fruto tropical, ligeiro citrino, as notas de barrica, fumo, côco e mel. A barrica parece ainda um pouco presente, mas integrará muito em breve, pois é harmoniosa. Por entre cada uma destas notas, vão aparecendo muitos rasgos de frescura.
Na boca, apesar de mostrar uma certa untuosidade, um certo porte, encontramos um vinho mais numa vertente de fineza e frescura, do que propriamente de corpo e volume. Existe um compromisso entre o volume e a finesse. Tem uma acidez preponderante e termina com média/longa persistência em notas de mel.
O vinho assenta sobretudo sobre uma frescura refrescante, passe a redundância, em toda a prova. Tem volume, mas parece-me mais fino, que volumoso. Um branco para o Inverno/Meia Estação. Pegue em peixes com alguma gordura e delicie-se.
Nota 16,5

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

1º Prémio Confraria dos Enófilos do Alentejo

Já lá vão 18 anos desde que a Confraria dos Enófilos do Alentejo, testa todos os anos o melhor que se faz na região. Este ano, e pela terceira vez, como já tinha sido em 1998 e em 200, foi um vinho da Herdade do Esporão que arrecadou o primeiro prémio. Este 1º Prémio da Confraria de Enófilos do Alentejo, tal e qual como é indicado no rótulo, será um vinho de colecção, com 2 rótulos diferentes, produzidos por Ana Jotta e inspirados em rótulos antigos da Herdade do Esporão.
Mas vamos ao vinho:


Esporão 2007 1º Prémio da Confraria dos Enófilos do Alentejo
Produtor - Herdade do Esporão
Região - Alentejo
Grau - 15% vol
Preço - a partir de 39€
Este vinho é feito a partir das castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Touriga Franca. As castas foram vinificadas em separado e estagiou por 6 meses em barricas novas de carvalho americano.
Denso na côr, quase impenetrável. Grande impacto de profundidade no nariz. Rico e denso, este vinho mostra notas de groselha preta e amora, a que se juntam notas de mina de lápis, alcacuz e especiarias. Com algum tempo surgem notas florais e bafos de frescura, que o aroma inicial não sugeria de modo algum. Excelente trabalho na barrica, com esta muito bem integrada, sem se mostrar, desconcertando o conjunto.
Na boca a continuação de profundidade e densidade, com o vinho a mostrar-se poderoso, cheio, mas de muita classe. Num final cuja acidez e taninos estão envolvidos no corpo, este vinho parece aveludado, mas sempre numa toada de concentração, novamente bafejada por sugestões de frescura. O final de boa persistência e com sugestões de chocolate, termina um episódio de um vinho de emoções fortes.
É realmente um vinho que nos inflige emoção, pela densidade, pela estrutura, mas ao mesmo tempo pela toada fresca, apesar dos 15 graus de álcool, com que se apresenta. Pede comida? Sem dúvida.......
Nota 17,5

domingo, 11 de outubro de 2009

Obsessão

Começou por ter o nome provável de Garrafeira, mas acabou por ser Obsessão. A equipa da Altas Quintas, lança agora um vinho muito especial, da colheita de 2004, um vinho que se pretende que seja o topo de gama da casa, apenas feito em anos considerados superiores.



Altas Quintas Obsessão 2004
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço - A partir dos 48€
Feito a partir das castas Alicante Bouschet e Trincadeira, este vinho estagiou em barricas novas de carvalho francês, por 22 meses, sendo a meio de 2006 engarrafado e prepara-se agora para ser lançado.
Opaco na cor. Apresenta de inicio sugestões de fruto maduro, bacon e apontamentos minerais. O Aroma mostra profundidade e densidade. Curiosa a frescura e as notas de barrica que ainda vão aparecendo.
Na boca mostra-se um vinho muito cheio, encorpado e novamente profundo. Na boca mostra-se mais e potente, mas sem na minha opinião cair num exagero. Achei o vinho bastante equilibrado. O corpo do vinho sustenta quer a acidez proeminente e quer os taninos abundantes mas finos. O final é seco e longo. Um vinho muito sério.
Prepara-se agora para ser lançado após mais de 3 anos de estágio em garrafa. O vinho obviamente que ganhou com isso, e penso que esteja numa boa altura para ser bebido, apesar da juventude mostrada. Recomenda-se comida por perto, pois este vinho, no meu entender, não serve para se beber a solo.
Nota 17,5

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Um oásis em Albernoa




Estavam chegadas as férias e como em todos os anos, pelo menos ultimamente, começo a tentar convencer a família a ir para um lugar, onde haja piscina, praia, sol, calor e no meu caso pricipalmente, vinho. Esta é uma tarefa àrdua pois a atenção que é desviada da familía em muitos fins de semana, durante um ano quase inteiro, é reclamada na sua totalidade agora em férias.
Este ano, até que foi fácil. Bastou ir ao site da Malhadinha, e...pimba, já estavam convencidos. O site da desta Herdade é de tal maneira "guloso", que se torna difícil resistir.

O caminho para a Malhadinha, pelo IC2 que liga a A2 a Beja, é bem alentejano. Quase, e só, a dourada planície de pasto repleta de sobreiros, e aqui e ali, pincelada por pequenas manadas e populações. Após umas dezenas de quilómetros e já ansiava pelo verde das vinhas. Alguns minutos antes de Albernoa, eis que se vislumbra o oásis de verde, a contrastar completamente com a paisagem a que estávamos habituados pelo caminho.

O Herdade da Malhadinha é composta por duas realidades bem distintas, a do Vinho, onde se conta a adega, e a do Country House & SPA. Comecemos pois pela segunda:




O Country House & SPA, é simplesmente uma delicia. Tudo pensado ao pormenor para agradar que lá passa uns calmos e revigorantes dias. Dá para pensar, olhando para os limites dos montes, dá para ler os inúmeros livros dedicados ao Vinho, que por lá clamam quem lhes pegue. Dá para adormecer, numas das camas ao ar livre. Ali, tudo tem como único propósito, agradar os clientes. Tudo é pensado para o nosso conforto. Um Show.


A Piscina, que me fez lembrar de certa maneira a da Quinta do Crasto, é um ex-libris. Debruça-se sobre as vinhas e tem uma temperatura controlada, que nos dias de mais calor refresca sobremaneira e nos dias mais frios torna-se acolhedora.


O staff é incansável e atencioso. O pequeno almoço é genial, com recurso a excelentes produtos feitos na casa. Conta-se o pão, a fruta sempre fresca, as compotas, os enchidos e imagine-se, o presunto Sanchez Romero, que é simplesmente um vício.
Nas horas de menos calor, nomeadamente logo pela manhã, existem inúmeras actividades como, passeios de bicicleta ou de jipe, pela Herdade e ainda acções mais variadas como Workshops de cozinha, dança do ventre ou mesmo de trabalhos em barro. Todas as semanas é diferente, o que diz bem do dinamismo que imprimem neste "Hotel de Charme".


À noite começa a magia e o mágico de serviço é o Chef Vitor Claro, que com a simplicidade que lhe é característica e com a excelente matéria prima de que dispõe, consegue manter junto de si, todos os clientes alojados no Country House. Cheguei a pensar inúmeras vezes como era possível, com tal simplicidade, ter uma cozinha tão arrebatadora. O Chef Vitor Claro foi feito para este lugar e este lugar para ele. Brilhante na cozinha, sem grande protagonismos e excessos desnecessários, podemos ter a certeza de que cada jantar será diferente, mas repleto de sabor. Aconselho vivamente.

Não há muitas palavras que possam descrever fielmente os dias que por ali passei, mas fica aqui a sugestão para que, quem possa, assim a carteira o permita, ir deliciar-se "in loco" com este idílico lugar, bem no meio do Alentejo. Fabuloso.




Quando lá estive, a meio de Agosto, já se vindimava forte e feio. O calor abrasador, e a consequente escalada nas maturações, ditou que as vindimas começassem mais cedo. Quando lá cheguei já os brancos já estavam na sua maioria dentro da adega e começavam a chegar os tintos em força. Provei algumas uvas, que me pareceram muito bem de saúde. A ver vamos o resultado desta vindima de 2009.

Mas estas duas vertentes são apenas as principais que compõem a Herdade da Malhadinha. Existem ainda mais áreas de negócio, como o Porco Preto, que é na sua totalidade adquirido pela Sanchez Romero Carvajal, com excepção de uma quantidade residual que serve o Restaurante da Casa. As Vacas Alentejanas e ainda a velha paixão, mas ainda um pequeno e recente negócio, da família Soares, que é a criação de Cavalos Lusitanos.

Em conversa com João Soares cheguei a perguntar-lhe como tinha chegado até aqui? Poderia dizer que foi o destino, que foi a paixão, mas na realidade o João e seu irmão Paulo já conheciam bem esta herdade deste muito jovens. Contou-me que era ali mesmo que com 15 anos vinham caçar, outra paixão dos irmão Soares. Na altura, esta Herdade, que já tinha o nome de Malhadinha, estava completamente abandonada, com apenas a lembrança do que em tempos foi uma casa, e desde que se lembram, uma ruína que por ali teimava em permanecer. Quando procuravam um local para assentar arrais, voltaram ao mesmo local onde sempre caçaram, que sempre conheceram, e, mesmo sem quaisquer vinhedos como referência nas imediações (curiosamente bem pertinho, e ao mesmo tempo, nasceu um projecto de vinho e enoturismo)., iniciaram um projecto de vida. Um tiro no escuro? Não, nada disso. Acercaram-se, aliás, convenceram o Enólogo Luís Duarte, fizeram análises aos solos e meteram de imediato mãos à obra. Como sempre, e tendo como referência o próspero negócio de sempre, das Garrafeiras Soares, conseguiram levar a cabo mais um projecto de enorme sucesso.

Como é óbvio, não podia deixar de falar dos vinhos, que acabei por beber no Restaurante. Fiquei com excelente impressão dos brancos de 2008 e dos tintos de 2007.

O Peceguina branco 2008
Está imbatível na relação qualidade/preço. Ganhou alguma complexidade, mercê da inclusão de Viognier no lote, mostra notas anisadas, citrinas e vegetais, mas é na frescura que tem o maior aliado. Na boca tem tem bom volume, frescura e equilíbrio.
Nota 16

O Malhadinha 2008 branco
Ganhou mais frescura, maior profundidade e está um senhor branco.
Aroma muito fresco, com notas vegetais reconfortantes. Fruto delicado e definido. Mineral e com as notas de barrica muito bem integradas. Aqui houve trabalho. Na boca mostra-se com excelente volume e alguma contenção. Acidez perfeita e equilíbrio excelente. Belo branco.
Nota 17,5

Malhadinha 2007
Pareceu muito mais intenso que nos anos anteriores, mercê de uma Touriga Nacional de enorme qualidade. É fresco, de fruto bem maduro. É preciso e bem desenhado.
Enorme no sabor e na persistência. Muito bem.
Nota 17

Ainda bebi o Malhadinha 2003, que esteve muito bem e achei que estava num momento excelente para se beber e o Marias da Malhadinha 2004, que junta o exotismo e o carácter com uma enorme complexidade. Estava soberbo no nariz. Na boca, ainda jovem e algo quente, a mostrar que pode muito bem aguentar mais uns anos em cave.


Resumindo, um local maravilhoso para se passarem uns dias, para relaxar e ser literalmente servido do melhor. Para quem gosta de vinho, uma adega e uns vinhos de enorme categoria. Que mais se pode querer? Fiquei com enorme vontade de voltar ao Country House e também à adega pois provei boas coisas nas barricas.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

12 Alentejanos de Topo

Foi numa prova realizada na CVR do Alentejo, que tive oportunidade de rever alguns vinhos e provar algumas novidades de vinhos Alentejanos. A ideia era mostrar o que de melhor se faz no Alentejo, sendo obviamente uma amostra reduzida, uma vez que decerto o Alentejo tem mais vinhos de topo para mostrar.Por ordem de prova:

Herdade de Esporão Private Selection 2005
Marcado pelas notas de barrica, sem ferirem demasiado o conjunto. Cheio de intensidade, com notas de fruto maduro, notas minerais e de especiarias.
Encorpado na boca, com taninos muito finos e já muito bem integrados. Final muito longo.
Curiosamente o nariz sugere alguma paciência com o vinho, mas já se encontra bem resolvido na boca. Belo Vinho.
Nota 17,5


Paulo Laureano Alicante Bouschet 2005
É daqueles vinhos em que tudo está em excesso. O fruto é muito maduro, com notas de ginja e de cereja preta, parece tudo muito levado ao extremo. Aparece também com pendor muito mineral.
Muito poderoso na boca, encorpado com taninos firmes e poderosos. Final longo e pujante.
É daqueles vinhos que, não indo de encontro às minhas preferências pessoais, não podemos desconsiderar. É bom vinho, não haja dúvidas, mas para quem gosta de emoções mais fortes. Finalmente, tenho algumas reticências quanto a uma guarda prolongada.
Nota 16,5


Casa Santa Vitória Reserva 2005
Aroma muito floral a marcar o inicio da prova, coadjuvado com o fruto maduro e alguma sensação de frescura. Muito equilibrado e cativante.
Muito bem, na boca, a mostrar equilíbrio, com taninos sedosos e resolvidos, com um final longo.
Nota 17


Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2005
Na minha opinião, o melhor da prova. Este vinho impressiona em todos os aspectos. Belo no aroma, com extrema definição e precisão. Fruto maduro, licor, especiaria. Intensidade, profundidade e densidade.
Na boca ainda muito jovem, robusto e imponente apesar de mostrar um conjunto cheio de fineza e classe. Final muito longo.
Nota 18,5


Herdade da Malhadinha "Malhadinha" 2006
Vinho muito perfumado, com algumas notas de barrica, notas florais e licoradas. O vinho em si é algo quente, mas mostrava bafos de frescura bem curiosos.
Na boca todo ele é sabor e sedução. Apresenta-se com os taninos redondos e sedosos, que acompanham um final ligeiramente vegetal e longo. Está num momento fantástico para se beber.
Nota 17


Dona Maria Reserva 2005
Intenso no aroma, com notas de fruto negro, notas minerais e com algum tempo notas florais. Equilibrado e enormemente sedutor no nariz.
Saboroso na boca, novamente intenso. Fino e muito expressivo. Final longo. Belíssimo vinho.
Nota 17,5


Herdade do Zambujeiro "Zambujeiro" 2004
Ainda muito jovem. Na nariz mostra a tal vertente especiada e com alcaçuz, que sempre encontro neste vinho. Aparece o fruto negro e ainda a presença de algumas notas de barrica por integrar. O conjunto é profundo.
Ainda mais jovem na prova de boca. Potente, encorpado e com taninos ainda muito presentes.
Ainda precisa de tempo.
Nota 17,5


Quinta do Carmo Reserva 2004
Muito fechado no nariz. Pouco dialogante e expressivo. Lá se arrancavam umas notas de fruto.
Muito melhor na boca, mas ainda assim, os taninos eram demasiado marcantes. Pareceu-me madurão. Não se mostrou nada bem.
Nota 15,5


Herdade do Monte da Cal Vinha de Saturno 2004
Aroma muito estranho. Fechado, algumas notas minerais e de resto tudo tapado com notas de aromas animais.
Boca com muito sabor, mas condicionada pelo retrogosto com as lembranças animais. Gostei dos taninos do vinho. Finos e expressivos. Final longo
Deste vinho foram abertas 2 garrafas, que se mostraram na mesma condição.
Nota 16


Vale do Ancho 2004
Rico no aroma, com notas de fruto maduro, torrefacção e mina de lápis. O vinho é equilibrado, algo quente, mas pouco sedutor.
Boca com taninos redondos, bom volume e densidade. Muito bom vinho, mas falta-lhe alguma garra e excitação.
Nota 16,5


Cortes de Cima Reserva 2004
Muito complexo. Delicioso na fruta, nas notas de especiaria e no completo equilíbrio na madeira. Este é daqueles vinhos que têm tanto sabor, que é difícil não ficarmos apaixonados. No entanto fico sempre com a sensação de que a linha que divide um vinho de muito sabor a um vinho enjoativo é muito ténue.
Não sendo tão rico, como a versão de 2003, este acaba por ser mais equilibrado e mais fino.
Boca novamente cheia de sabor que assenta na riqueza do fruto e na expressividade do conjunto. Final longo.
Nota 17,5


Herdade do Mouchão "Mouchão" 2003
Começou muito discreto. Com o tempo abriu para um vinho cheio de intensidade, denso no fruto, nos aromas da barrica e nos aroma vegetais. Aroma cheio de profundidade.
Apresentou-se delicioso na boca, cheio, rebelde mas equilibrado. Taninos ainda presentes mas com carácter e fineza. Final muito longo e equilibrado.
Nota 17,5


Assim foi uma prova dos chamados topos de gama da Região do Alentejo. Existem grandes vinhos a nascer no alentejo. Uns com melhor relação Qualidade/Preço que outros mas o que é certo é que a maioria dos topos do Alentejo, nem todos como se pude observar, estão muito bem e recomendam-se.

sábado, 18 de julho de 2009

Herdade do Rocim

Trata-se de um dos recentes projectos no Alentejo, em termos de produção de vinhos. A Herdade do Rocim já existia e já tinha vinha há muito tempo, no entanto, foi em 2000 que o grupo movicortes, de Leiria, liderado José Ribeiro Vieira, a adquiriu. Liderando um Grupo sem ligação ao vinho, tive de perceber que José Vieira quis voltar a ter de volta um pouco dos seus tempos de menino, onde acompanhava seus pais nas vindimas da casa, em Cortes (Leiria). Outra razão será a de sua filha, Catarina Vieira, estar intimamente ligada ao vinho pela formação que detém. "Os bons filhos à casa retornam".
A escolha recaiu sobre o baixo Alentejo, mais propriamente na zona da Vidigueira. Partiu-se então para a construção de uma adega moderna, de um complexo enoturistico. Não se pouparam a pormenores de qualidade, mercê de capitais próprios do Grupo Movicortes. Mas não se pense que se criou um projecto megalómano sem alicerces, não, tudo foi pensado, cada passo foi dado sabendo que ia assentar em terra firme. Trabalho árduo, que entretanto começou a dar os seus frutos. Os cerca de 60 hectares de vinha, nem toda a produzir por ser muito nova, são suficientes, para já, ao projecto que abraçaram e que é liderado por Catarina Vieira.
Provei então os vinhos hoje e fiquei muito agradado e num dos casos bastante surpreso. Estão-se a fazer vinhos com muita qualidade na Herdade do Rocim.


Olho de Mocho Reserva branco 2008
Produtor - Herdade do Rocim
Região - Alentejo
Grau - 13% vol
Preço - Apartir dos 9€
Apesar de ser considerado monovarietal de Antão Vaz, este vinho conta com 10% de Arinto, para poder conferir mais acidez ao conjunto. 25% do Antão Vaz fermentou e estagiou, por 6 meses em barricas novas de carvalho francês.
Aroma contido, sem propensão à exuberância. Mais sóbrio, que exuberante, o que não belisca em nada o vinho em si. São aromas de citrinos, de fruto de caroço e de algum vegetal, que se manifestam em primeiro lugar. Passados alguns minutos as marcas do estágio na madeira, com algumas notas fumadas, que conferem brilhantismo ao conjunto. Muito fresco no aroma.
Muito bem na boca, a mostrar-se um vinho de bom porte, glicerinado, untuoso, onde se mostram novamente algumas notas de barrica. Apesar do seu perfil, mostra-se fresco, virtude esta ganha pela excelente acidez que apresenta. O final está muito bem, com excelente persistência a terminar com ligeiro amargor.
Muito bom branco, mais um branco a provar que a colheita de 2008 no Alentejo foi profícua em excelentes brancos. Um vinho muito versátil pelo carácter que apresenta e pela frescura que detém. Uma boa relação da qualidade e preço. Mais um vinho que recomendo e que deverá ser equacionado.
Nota 16,5


Olho de Mocho Reserva 2007
Produtor - Herdade do Rocim
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço - Apartir dos 16€
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Syrah, este vinho fermentou e estagiou, por 11 meses, em barricas novas de carvalho francês, e uma pequena quantidade em carvalho americano.
Que agradável surpresa, este vinho. Muito intenso nos aromas , que de inicio oscilam entre notas de violetas, os frutos maduros e os aromas balsâmicos, que de imediato indicam a grande presença da Touriga, que parece comandar nesta fase. O aroma está muito bem desenhado, com o perfil floral, com as notas tostadas muito bem integradas e com algumas notas curiosas de castanhas. e côco Após algum tempo, o Alicante finca o pé, e mostra que também quer protagonismo, também ele quer mostrar as suas notas de exotismo, os aromas de alcaçuz. Belo aroma.
Também muito bem no aroma, mas ainda a precisar de afinação com o tempo em garrafa. Ainda muito marcado pelas notas de barrica. Ainda assim, mostra-se um vinho com corpo e sensação de frescura. Apetece mais um copo. Termina longo e pleno de sabor. Muito bom vinho.
Um vinho que recomendo vivamente. Muito bem feito e na minha opinião ainda por melhorar se mantido por mais uns meses na garrafa.
Nota 17



Rocim 2006
Produtor - Herdade do Rocim
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço - Apartir dos 8€
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Syrah. 50% estagiou em barricas de 2º ano de carvalho francês.
Aroma de boa intensidade, parece que neste caso é o Alicante a mostrar-se mais. O aroma esta muito bem, embora a fruta não seja o seu forte principal. Os aromas tostados são evidentes e a fruta pareceu-me esconder-se um pouco. No entanto não deixa de ser um vinho interessante, até pela frescura que aparenta.
Na boca esta melhor, apresenta-se com fruta, com volume médio e com taninos redondos. O final até tem boa persistência e termina com muitos fumados.
Considero, também face ao preço, que se trata de um bom vinho, no entanto alerto que pode não ser ao gosto de todos. Nada como provar para confirmar. Estou curioso com a futura saída do 2007.
Nota 15

Fiquei com a percepção de que se continua a melhorar na Herdade do Rocim. Começam-se a conhecer melhor os solos, as vinhas e as castas, percebe-se melhor o clima, e com o talento na adega, não há porque não melhorar. Continuem......

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Esporão Reserva Branco 2008

Há bem pouco tinha começado por provar o Vinha da Defesa Branco da colheita de 2008, e acabei por saudar a nova imagem ilustrada no rótulo do mesmo. Acabei por receber este Reserva Branco 2008 e novamente um rótulo moderno, ainda de melhor efeito. Sinceramente que não sou daqueles que quando se muda o rótulo, cai o Carmo e a Trindade, no entanto sei que por muitas vezes, os novos rótulos acabam por ser versões demasiadamente infelizes e pouco compensadoras. Gostei destes novos rótulos do Esporão, pois dão jovialidade e modernidade à empresa. No entanto, considero que o liquído, o vinho, seja mesmo a razão principal deste enredo, não podendo ser esquecido.

Vamos então ao vinho:


Esporão Reserva Branco 2008
Produtor - Esporão
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço - A apartir dos 9€
Feito a partir das castas Antão Vaz, Arinto e Roupeiro, que fermentaram e estagiaram parcialmente em barricas novas de carvalho francês, este vinho apresentou uma cor palha carregada.
No nariz apresentou-se um vinho rico de aromas, com alguma complexidade, dada pelas notas de mel, de anis e de frutos exóticos, como a toranja e as curiosas notas de lichias. Mostrou-se, apesar de tantas notas "quentes", um vinho com frescura e já com a barrica já com toques indeléveis.
Na boca tem volume, tem fruto e tem notas de barrica ainda presentes. A acidez é correcta e confere frescura ao conjunto, apesar do grau alcoólico que este vinho tem. Termina com boa persistência.
Acabei por gostar bastante deste vinho. O conjunto está muito bem, é equilibrado, tem frescura, tem complexidade para nos agarrar ao copo e tem volume. Parece que a colheita de 2008, nos brancos, trouxe coisas boas para o esporão. Dos que já provei, dos reserva Branco, este foi o que mais gostei, e como tal recomendo vivamente.
Nota 16,5

domingo, 13 de julho de 2008

Os Altas Quintas

Uma vez provados os Altas Quintas Crescendo, que deram muito boa conta de si, é chegada a vez de provar a gama alta da casa. O Altas Quintas Reserva 2005, Altas Quintas Colheita 2005 e a novidade, Altas Quintas Mensagem de Aragonês 2005.


Altas Quintas Reserva 2005
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 14,5% vol
Preço - Desde 26€
O topo da casa foi feito a partir das castas Trincadeira, Aragonêz e Alicante Bouschet, de vinhas que se encontram a cerca de 600m de altitude, na serra de São Mamede, Região de Portalegre. Estagiou por 16 meses em barricas novas de carvalho francês e americano e após um estagio em garrafa foi lançado no mercado.
Cor rubi de boa concentração.
Inicialmente muito fechado. Parei a prova, decantei o vinho e esperei cerca de uma hora, sempre estando de olho nele. Evoluiu muito, mesmo muito. De repente apresentava um aroma cheio de intensidade, com notas de especiaria, compotas, pão, capuccino, refrescante vegetal e muito mineral. Barrica muito bem integrada no conjunto aromático.
Boca de porte, muito equilibrada com taninos de muita classe mas ainda muito jovens. Nesta parte da prova, muitas sugestões compotadas e especiadas se colaram numa acidez fantástica. Terminou muito longo e cheio de sabor.
Grande, mas grande, vinho este, que tem de tudo. Intensidade, sabor, equilíbrio e uma margem de progressão enorme. São vinhos como este que puxam por nós. A não perder sobre qualquer pretexto. Para já, decante-o com alguma antecedência para poder apreciar-se totalmente.
Nota 18


Altas Quintas Mensagem de Aragonês 2005
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 14,5% vol
Preço - Desde 22€
Esta é a novidade que este produtor reservou para nós. A Mensagem que os quer fazer passar é a de todos os anos, sempre que possível, mostrar a casta que melhor se deu durante o ano. Consideremos pois estes vinhos, como uma vertente didáctica.
Este ano o Mensagem é feito da casta Aragonês, que estagiou em barricas novas de carvalho francês.
Cor rubi de boa concentração.
Nariz de grande intensidade, onde as sugestões iniciam-se por notas muito minerais e balsâmicas, a que se juntam sugestões de fruto silvestre, algumas notas tostadas.
Muito bem na prova de boca, a mostrar-se um vinho com frescura, taninos dóceis, redondos mas bem presentes. Final muito gostoso e persistente com notas de fruto e de alguma tosta.
Uma mensagem muito bem transmitida, com o vinho a mostrar a dualidade da casta com o local de onde provêm. Interessante na sua vertente mineral e balsâmica que se associam a uma pureza de fruto. Belo vinho. Destes Mensagem, que venham mais.
Nota 17

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Altas Quintas - Os Crescendo

Ainda me lembro quando se começou a falar de um produtor que produzia um vinho chamado Altas Quintas. Haviam 2 aspectos, entre muitos, que despertavam a atenção de todos e dos quais todos falavam. Eram eles, as vinhas a 600m de altitude em plena serra de S. Mamede, no alentejo, e a qualidade que apresentava o vinho Altas Quintas. Penso que foi isto mesmo que João Lourenço idealizou para este projecto quando chamou para junto de si Paulo Laureano. Ambos tiveram muito trabalho, muita paciência, muitas horas de sono perdidas para que assim que se festejasse a primeira colheita, viesse desde logo um vinho muito especial. Foi assim desde o inicio e esperemos que continue por muito mais tempo.
De toda esta envolvente especial nasceu a gama Altas Quintas Crescendo que veio colmatar a ausência deste produtor num segmento muito próprio e cheio de adeptos. Os Altas Quintas Crescendo:


Altas Quintas Crescendo Branco 2007
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 13,5% vol
Preço -
Feito a partir das castas Verdelho, Arinto e Fernão Pires, este vinho estagiou, após fermentação a baixas temperaturas, em inox sendo posteriormente engarrafado.
Apresentou uma bonita e brilhante cor palha.
Todo o aroma deste vinho parece deambular entre notas vegetais, notas de hortelã e curiosamente sugestões de pinheiro. É muito exuberante e muito jovem no aroma. Todo este vegetal dá uma frescura incessante ao vinho. A fruta existe mas neste momento está algo escondida e não tardará em aparecer. Com algum tempo no copo apareceram notas ananás.
Boca de bom volume, muito fresca com acidez bem colocada e final de boa persistência.
Bonito este branco. Muito fresco e exuberante. É mesmo o perfil que este verão já está a pedir. Guarde uma ou outra garrafa para ver o que vai mostrar depois do verão.
Nota 15,5


Altas Quintas Crescendo Rosé 2007
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 13,5% vol
Preço -

Este Rosé, na colheita inaugural, deu muito que falar. Feito a partir da casta Aragonês este vinho estagiou em inox por 3 meses e sendo depois engarrafado.
Cor vermelha viva.
Em equipa que ganha não se mexe e como seria de esperar, esta 2007 mantém o perfil do seu antecessor. Logo no ataque, uma explosão de notas de café e mesmo de capucino. Só de tempo a tempo aparecem algumas notas de fruto silvestre.
Boca com boa estrutura sem que se torne muito pesada. Final de boa persistência.
Um Rosé diferente. Se me perguntassem com que beber este Rosé, de imediato a minha resposta seria com comida. Este será no meu entender um vinho mais gastronómico. Ainda assim tenho que dizer que não me ficou mal de todo.
Nota 14,5


Altas Quintas Crescendo Tinto 2005
Produtor - Altas Quintas
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Preço -
Feito a partir das castas Aragonês e Trincadeira, este vinho estagiou por 12 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Belíssimo da sua cor carregada, quase opaca.
Muito bem no aroma. Cheio de intensidade. Aromas de fruto maduro e de muita especiaria são a imagem de marca que se integram com boas sugestões de barrica.
Boca com estrutura e sensação de frescura. Taninos redondos, num conjunto bem atractivo e dócil, que termina com um final de boa persistência com notas de chocolate amargo.
Muito atractivo este vinho. Nada pesado e no meu entender a mostra uma certa frescura. Acho que será muito boa altura para ser começado a beber pois para já satisfaz plenamente.
Nota 15,5


terça-feira, 8 de abril de 2008

Azamor

Volto aos vinhos Alentejanos de Azamor, com uma novidade e uma repetição. Comecemos pela novidade:


Azamor Petit Verdot 2005
Produtor - Azamor Wines
Região - Alentejo
Grau - 14,5% vol
Preço -
Feito unicamente a partir da casta Petit Verdot, este vinho estagiou por 12 meses em barricas novas de carvalho francês.
Cor rubi de boa concentração.
Muito rico no aroma. Muito jovem, apresenta-se intenso com notas de fruta madura, muita grafite (mina de Lápis), alguma especiaria e notas fumadas.
N
a boca todo ele é pujança, vincando bem o facto de ser um jovem. Denota um bom porte, uma boa textura e uns taninos ainda muito jovens e rebeldes. Termina com excelente persistência.
Obviamente comparando com a versão anterior que provei aqui, considero que melhorou bastante. Está mais vinho, no entanto ainda precisa de acalmar toda a sua juventude e integrar os seus taninos. Um belo vinho na minha opinião.
Nota 17



Azamor Selected Vines 2004
Produtor - Azamor Wines
Região - Alentejo
Grau - 13,5% vol
Preço -
Feito a partir das castas Syrah (33%), Touriga Franca (33%), Alicante Bouschet (19%) e Trincadeira (15%), este vinho estagiou em barricas de carvalho francês e americano.
Cor rubi.
Passados 6 meses desde a ultima vez que provei este vinho, noto algumas alterações. No nariz mantém sensivelmente o mesmo crivo com as notas de fruta madura, a especiaria e mesmo as notas de barrica. O que me altera o perfil é novamente uma presença de aromas minerais, que sinceramente me aprazem.
Na boa, as notas tostadas dão o mote a um vinho macio e redondo com taninos perfeitamente integrados a terminarem num conjunto de boa persistência.
Parece-me ser um vinho que está em boa altura de ser consumido e que gastronomicamente terá boas hipóteses. Mantenho a minha apreciação anterior e deixo uma nota mais para as invocações minerais dos vinhos de Azamor.
Nota 16,5

segunda-feira, 24 de março de 2008

Azamor

O origem dos vinhos Azamor situa-se entre Borba e Elvas, com 2 herdades, a do Rego e a do Zambujal, que ambas possuem 260 Hectares.
Aqui encontramos as vinhas, olival e ainda uma paixão, do homem da casa, os Cavalos de raça Lusitana.
Alison Luiz Gomes é a alma do projecto vínico e é auxiliada pelo enólogo David Baverstock.
Este produtor era para mim, até há pouco tempo, um desconhecido e foi graças a um evento de um amigo Blogger, o Vinum Calipolle, em Vila Viçosa que me foi dado a conhecer o projecto e seus vinhos.
Na altura bem me lembro que fiquei agradavelmente surpreendido com a qualidade dos vinhos. Hoje volto novamente a um deles:

Azamor 2004
Produtor - Azamor Wines
Região - Alentejo
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir dos 7€
Provado em prova cega.
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Syrah e Merlot, este vinho estagiou ainda em barricas de carvalho francês e americano.
Cor de boa concentração.
Nariz de grande intensidade com incessante de sugestões de café. Foi necessário esperar um pouco para que começassem a evidenciarem-se notas de fruto maduro, de especiaria, de caramelo e de tosta.
Na boca novamente alguma intensidade com notas fumadas, no entanto aqui o trato começa a ser mais dócil. O vinho tem boa estrutura, tem taninos redondos mas bem presentes. Termina com boa intensidade e persistência.
Aqui está mais um vinho com muita qualidade e a um preço comedido. Ainda que um pouco marcado pela madeira, considero que estamos perante um bom vinho para começar a beber desde já, no entanto face a toda esta intensidade e a alguns taninos presentes no final, penso que ainda "andará pelas curvas" nos próximos 2 anos.
Nota 16


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Herdade da Malhadinha Nova - Brancos

Estou de volta a este produtor, mas desta feita com a prova de brancos.


Malhadinha Branco 2006
Produtor - Herdade da Malhadinha Nova
Região - Alentejo
Grau - 14,5% vol
Feito a partir das castas Antão Vaz (60%), Arinto (20%) e Chardonnay (20%), este vinho estagiou por 5 meses em barricas novas de carvalho francês.
Apresentou uma brilhante cor dourada.
Nariz amplo, rico e complexo, onde encontramos a notas de fruta branca, algum citrino, sensação vegetal e subtis fumados da barrica. O Aroma por si não é exuberante mas cativa pela frescura que apresenta.
Na boca é cheio e gordo, com notas de barrica muito bem integradas e onde se destaca uma acidez muito bem colocada sobre um final longo e prazenteiro.
Um belíssimo branco alentejano que peca apenas por algum "calor" evidente. De todas as vezes que o provei, esta foi a melhor prova, o que me faz supor que tem vindo a ganhar qualidades e que me permitirá afirmar que ainda tem potencial.
Nota 17



Antão Vaz da Peceguina
Produtor - Herdade da Malhadinha Nova
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Feito a partir da Casta Antão Vaz, este extreme apresentou uma cor palha carregada.
Nariz com alguma exuberância a mostrar que não é esta a sua estação. Predominam os aromas de fruto e alguma frescura que tornam o vinho bastante agradável.
Na boca mostra boa dose de corpo remetendo-nos para um vinho cheio de final mediano.
Um bom Antão Vaz, bem feito e que proporciona bons momentos. Acho que a primavera poderá ser a sua altura de ouro.
Nota 14,5

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Herdade da Malhadinha Nova - Tintos

A Herdade da Malhadinha é para mim sinónimo de inovação, empreendedorismo, bom gosto e sobretudo muita paixão. É curioso verificar como começou e no que está transformada agora.
Nesta Herdade nem tudo é vinho, mas praticamente tudo gira à volta desta paixão pelo vinho. Encontramos criações de animais com certificação, Enoturismo e inserido neste, a perola do Baixo Alentejo, um Country House e Spa.
Fruto da paixão da Família Soares (Garrafeira Soares), a Herdade da Malhadinha surge em Albernôa, a escassos 20 quilómetros a sul de Beja. Nesta herdade com os seus 200 hectares e com uma adega extremamente funcional, são vinificados 150 000 litros ao ano. Os seus solos são xistosos, onde foram plantadas as castas tintas de Touriga Nacional, Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Syrah, Cabernet Sauvignon e Alfrocheiro, sendo que nas brancas temos Arinto, Antão Vaz, Roupeiro e Chardonnay.


Malhadinha 2005
Produtor - Herdade da Malhadinha Nova
Região - Alentejo
Grau - 14,5% vol
Este vinho foi feito a partir das castas, Alicante Bouschet, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Syrah e Touriga Nacional e estagiou por 14 meses em barricas novas de carvalho francês, de 225 Llts.
Apresentou uma bonita cor Rubi.
Longe de grandes extracções que apresentam alguns vinhos de topo alentejanos, este Malhadinha apresenta um aroma bem sóbrio e vincado, com fruta madura, as sempre bem vindas especiarias, algum vegetal e excelentes notas de barrica que introduzem intensidade ao conjunto aromático.
Na boca ainda que o pendor se mantenha frutado, este vinho é bem mais que isso e apresenta-se no seu conjunto um vinho pleno de frescura, com corpo e com excelente acidez e taninos.
Penso sinceramente que estamos na presença de um belo vinho que está mais elegante que as edições anteriores mas que precisa ainda de alguma definição e consistência nas suas colheitas. Face às pessoas envolvidas neste projecto, não tenho duvidas que em breve será alcançado.
Nota 17


Monte da Peceguina 2006
Produtor - Herdade da Malhadinha Nova
Região - Alentejo

Grau - 14% vol

Este vinho foi feito a partir das castas, Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Trincadeira e Syrah, e estagiou parcialmente por 6 meses em barricas de carvalho francês, de 225 Llts.
Apresentou-se com uma cor rubi.
No nariz esta um vinho muito intenso onde predominam as notas de fruto vermelho maduro e onde se apresentam notas especiadas sob um fundo de sensação de café. No entanto, toda esta intensidade também mostra algum do seu "calor" alcoólico, tornando este nariz algo quente.
Na boca está um vinho muito macio, redondo e bastante agradável que termina com sabor e novamente algum calor.
Ainda que seja algo quente este vinho pareceu-me muito bem feito e com boa intensidade, pelo que o recomendo para acompanhar refeições.
Nota 15

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Subsídio

Esta Casa possui a sua Quinta no Alto Alentejo, Distrito de Portalegre e concelho de Monforte. Com relevo suave e solos graníticos é em grande parte revestida por um montado de azinho e sobro, com alguns afloramentos rochosos. É limitada por duas ribeiras, que para além de contribuirem com recursos hídricos para a vinha, conferem também beleza paisagística.
Na vinha estão plantadas as castas, Syrah, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Alicante Bouschet. (Informação retirada de www.limamayer.com)
Como Informação suplementar, no seu site, por sinal muito bem feito, já tem o desenho da loja online do produtor.


Subsídio 2006
Produtor Lima Mayer e Companhia
Região - Alentejo
Grau - 14& vol
Feito a partir das castas, Syrah, Aragonês, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet, este vinho estagiou por 8 meses em inox e ainda 2 meses em garrafa.
Apresentou uma cor rubi de boa concentração.
De inicio, tudo muito escondido, inclusive tive que esperar cerca de 15 minutos até que começassem-se a desembrulhar aromas. Aberto o caminho, os aromas compotados são os primeiros a chegar sendo de seguida acompanhados por notas de leite condensado cozido.
Na boca uma boa estrutura permite que este vinho nos envolva as paredes bucais com seu liquido macio e redondo.

Irmão mais novo e mais simples, este subsidio não o deixará ficar mal, aliás tendo em conta que o seu preço rondará os 5€, tem todas as condições para ser o seu parceiro do dia a dia.
Nota 15

Lima Mayer

Esta Casa possui a sua Quinta no Alto Alentejo, Distrito de Portalegre e concelho de Monforte. Com relevo suave e solos graníticos é em grande parte revestida por um montado de azinho e sobro, com alguns afloramentos rochosos. É limitada por duas ribeiras, que para além de contribuirem com recursos hídricos para a vinha, conferem também beleza paisagística.
Na vinha estão plantadas as castas, Syrah, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Alicante Bouschet. (Informação retirada de www.limamayer.com)
Como Informação suplementar, no seu site, por sinal muito bem feito, já tem o desenho da loja online do produtor.


Lima Mayer 2005
Produtor - Lima Mayer e Companhia
Região - Alentejo
Grau - 14% vol
Feito a partir das castas Syrah, Aragonês, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Alicante Bouschet, este vinho estagiou por 12 meses em barricas de carvalho francês.
Apresenta-se com uma cor rubi carregada, quase opaca.
No ataque a sugestão da presença do Alicante é inolvidável e passa o testemunho para um aroma intenso e quente onde se sobressaem as notas de fruta madura e algum morango, que se aliam a notas interessantes de noz moscada e de boa barrica.
Na boca está muitíssimo bem. Mostra estrutura, está muito equilibrado e apresenta uns jovens taninos nobres que antecedem um final bem gostoso.

Ora aqui está um belíssimo vinho Alentejano de que gostei muito. O preço andará entre os 11 e 15€, que se ajustam na perfeição à qualidade que apresentou. Decante-o antes das refeições pois este, no segundo dia ainda estava a melhorar. Guarde algumas garrafas pelo menos nos próximos 2 anos.
Nota 16

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Há dias assim

Apenas para dizer que hoje mais um vinho me emocionou ao ponto de me deixar feliz. O responsável foi um Mouchão 1963.
Um vinho que me calou sem qualquer hesitação, um vinho com melhor no nariz que muitos com apenas 10 anitos, um vinho que apesar de mal guardado conseguiu garantir toda esta integridade, acidez viva e cor jovem. Foi decantado e passadas duas horas estava no seu auge. Há dias assim...

Perdoem-me este desabafo, mas são vinhos assim que me deixam de bem com a vida.


Boas festas a todos,

João Rico

sábado, 17 de novembro de 2007

1º Jantar Viníco na Tasca do Joel em Peniche

Foi com um enorme prazer que estive ontem presente neste jantar vínico da Tasca. Existiram três razões para que não pudesse faltar. O Vinho, a Comida e a companhia durante este evento. Os vinhos que se estavam a apresentar era os alentejanos da Herdade dos Grous e posso desde já adiantar que estiveram à altura dos convivas e da comida. A comida esteve na minha opinião impecável e a maior contribuição veio pelo bacalhau que estava simplesmente no ponto (os meus parabéns para o Chef da casa e para a excelente qualidade do bacalhau do "Sr Bacalhau"). Os cerca de 34 convivas estiveram à altura e foram no fim os que mais beneficiaram deste evento. Principalmente os que tiveram a honra de ter como companhia na sua mesa, o enólogo da Herdade dos Grous, Luís Duarte e que decerto aprenderam um pouco mais sobre vinhos com ele.
Um reparo que tenho de fazer é para a temperatura dos vinhos durante o evento, estavam altas de mais. Principalmente a dos vinhos (Branco 2007, Moon Harvested e Reserva 2005) que vieram com o Luís Duarte, uma hora antes do evento. Esta é uma situação a melhorar no próximo evento.
Mas vamos lá então aos vinhos:


Herdade dos Grous Branco 2007
Produtor - Herdade dos Grous
Região - Alentejo
Grau - 13% vol
Feito a partir das castas Arinto, Roupeiro e em menor quantidade, Antão Vaz. Não passou por madeira. Apresentou uma bonita cor citrina e com uma aroma muito, mas muito, exuberante. No nariz lembrava à primeira um Sauvignon Blanc e mostrou notas de fruta citrina a lembrar ananás e limão, muita banana(de gomas) e um fundo amendoado e vegetal. Na boca mostrava-se muito fresco e com vibrante acidez.
Acompanhou bem uns Carapaus "alimados" e as ovas de Bacalhau. Um vinho que pede para ser consumido muito jovem pois é esta fruta toda o melhor que nos tem para oferecer.
Nota 15


Herdade dos Grous Reserva Branco 2006
Produtor - Herdade dos Grous

Região - Alentejo

Grau - 13,5% vol

Um 100% Antão Vaz que fermentou em barricas de carvalho francês e húngaro com batonage.
De cor dourada, apresentou-se algo fechado de início para passados minutos começar a abrir. Presentes estavam as notas de fumados e tosta, alguma fruta em calda e final anisado. Muitíssimo bem na boca mostrou um vinho cheio, guloso e com notas de barrica presentes sem se anteciparem ao conjunto. Boa persistência final.Uma surpresa.
Acompanhou divinamente o Bacalhau à Lagareiro. Parece que foi feito mesmo para este prato, mas a qualidade da confecção e do bacalhau também ajudaram. Um belíssimo branco que pode ser guardado por mais tempo apesar de no meu entender estar excelente desde já.
Nota 16,5


Herdade dos Grous 2006
Produtor - Herdade dos Grous

Região - Alentejo

Grau - 14% vol

Feito a partir das castas Alicante Bouschet, Aragonêz, Syrah e Touriga Nacional este vinho estagiou por 9 meses em barricas de carvalho francês e americano.
Cor Ruby. Aroma algo quente com muito fruto maduro a lembrar amoras, ameixas e alguma uva em passa que se enquadram com notas de ligeiro caramelo, chocolate e alguma especiaria.
Na boca volta a mostrar uma sensação alcoólica através de uma certa doçura mas que ainda assim não desagrada e inclusive terá os seus adeptos, é um vinho redondo, macio e até mesmo algo enjoativo no final de boca. Pronto a consumir nesta fase sem hesitações.
Acompanhou muito bem uns hamburgueres de carne Maronesa.
Nota 15,5



Herdade dos Grous Moon Harvested 2006
Produtor - Herdade dos Grous

Região - Alentejo

Grau - 14,5% vol

Esta foi digamos que a curiosidade da noite para mim. Uma breve explicação por parte do enólogo deixou no ar que este vinho foi feito numa base experimental. A herdade dos Grous em conjunto com alguns estudiosos vindimaram a casta Alicante Bouschet em consonância com os Ciclos Lunares e das Marés. Assim, no cálculo do melhor dia e nesse dia, da melhor hora foram vindimados, fileira sim e fileira não, o encepamento da casta que compõe este vinho. Estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês.
Côr ruby muito carregado. No nariz mostra complexidade e equilíbrio. A fruta é madura, a especiaria é muito presente e oferece exotismo ao conjunto que termina com sugestões de cacau, flores e ligeiro licor. Com arejamento começa por mostrar alguma torrefacção.
Na boca mostra-se estruturado, equilibrado e com taninos muito finos que terminam num final persistente. Belo vinho
Foi com uns belos secretos de porco preto que se provou este vinho. Este é também um bom vinho para este tipo de carnes mas penso que acompanhará também carnes vermelhas.
Nota 16,5



Herdade dos Grous Reserva 2005
Produtor - Herdade dos Grous

Região - Alentejo

Grau - 14,5% vol

Provado em Magnum. Este vinho conta na sua composição as castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Syrah que estagiaram durante 12 meses em barricas novas de carvalho francês.
Opaco na cor mostra-se muito fechado ainda e sem qualquer sinal de envelhecimento. São para já as notas de fruto muito maduro e de muita especiaria que dominam o aroma deste vinho. Lá no fundo ainda podemos encontrar algum cacau e mais tarde alguma torrefacção.
Na boca é poderoso, robusto, encorpado e mostra taninos ainda por domar mas que têm a marca da nobreza. Belíssimo vinho que ainda precisa de tempo para se mostrar mais e para sobretudo melhorar. Foi o remate, e que remate, final para um evento que no meu entender esteve muito bem.
Nota 17,5


Houve ainda lugar a um vinho de sobremesa. Um ATS Cuveé da Royal Tokaji, mas com o Reserva 2005 à minha frente acham que ia prestar atenção a este vinho? Fica para uma próxima.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Quinta do Carmo

Quinta do Carmo 1998
Produtor - Domaines Baron de Rothchild & Joe Berardo
Região - Alentejo
Grau - 13% vol
Tinha alguma curiosidade na prova deste vinho que há bem pouco me tinham oferecido. As coisas mudaram um pouco desde a compra da Quinta do Carmo, em 1992, por esta joint-venture, à familia Bastos. Nos vinhos foram introduzidas castas novas (a partir de 2000) e com estas mudanças também o perfil dos vinhos. Este vinho, o 4º da nova dinastia, ainda terá sido feito com as castas que já existiam. O ano de 1998 "foi marcado por excesso de chuva na Primavera que provocaram fortes desavinhos e por 4 meses de seca estival"- in Quinta do Carmo website.
Este vinho apresenta uma cor muito evoluida com fortes notas de caramelo queimado e muita torrefacção sob um ténue fundo de fruta. Na boca mantém o registo de sensação a queimados e mostra um vinho algo "cansado" e totalmente amaciado. Indica que o seu melhor tempo já terá passado, no entanto não deixa de ser interessante provar um vinho com quase 10 anos.
Nota 15

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