quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O Verão Alentejano

O vinho branco, felizmente, está a ganhar terreno entre os portugueses, cada vez há mais pessoas a considerarem um bom branco, nas suas escolhas de dia a dia, ou mesmo em ocasiões especiais. É nesta época estival, que notoriamente se consome mais vinho branco, especialmente em dias de calor intenso. Eles querem-se frescos, assertivos, de boa acidez e, num dia de "caldo", conseguem fazer maravilhas. Eis algumas sugestões, na minha opinião, muito válidas, sobretudo na relação qualidade/preço:





Esporão 2 Castas Semillon/Viosinho 2011
Cor palha. Muito bem no aroma, perfumado, com sugestões minerais de inicio, laivos de frescura, e a passos, sugestões doces do Semillon. Com a subida de temperatura surgem as "notas de Sauternes".
Bom volume na boca, cremoso e ligeira sensação de doçura. Fresco e intenso. Muito bem desenhado
Nota 16


João Portugal Ramos Marquês de Borba branco 2011
Feito a partir das Castas Arinto, Antão Vaz, Verdelho e Viognier, fermentadas em inox, apresenta uma cor palha. Aroma frutado, de boa intensidade, com sugestões vegetais, de boa frescura.
Muito bem na boca, com frescura, e acidez alta. Gastronómico.
Nota 15,5

João Portugal Ramos Vila Santa Reserva branco 2011
Feito a partir das Castas Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc, parcialmente fermentado em barricas novas de carvalho francês, apresenta uma cor palha, com laivos esverdeados. Rico de aromas, com sugestões de citrinos, ligeiro vegetal, café e mineral. Muito fresco e de carácter vincado.
Muito saboroso na boca, com acidez penetrante e final nervoso. Muito bem, de belo efeito. Bom para acompanhar uma refeição. Muito bem
Nota 17

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Chegou o novo Barca Velha

Aí está a 17ª edição do mítico Barca Velha, da colheita de 2004, que foi apresentada no dia 16 de Maio, efeméride celebrada também lá em casa e a razão por não ter estado "in loco" nesta apresentação.
Tudo começou em 1952, com o lançamento da primeira edição, pela mão de Fernando Nicolau de Almeida, o grande mentor deste projecto. Certo é que este vinho acabou por se tornar o ícone maior, o grande estandarte, dos vinhos portugueses, durante estes 60 anos que passaram, desde o primeiro lançamento do Barca Velha.

Algum sururu foi criado em torno deste lançamento, no sentido de tentar adivinhar qual seria então a colheita escolhida para ser lançada. A escolha acabou por recair sobre a colheita de 2004, uma colheita que aprecio bastante. Portanto, se pensarmos bem, seria previsível que fosse mesmo o 2004.

Seja então bem vindo o novo Barca Velha, que muitos já esfregarão as mãos de contentamento enquanto esperam que tome o seu lugar nas prateleiras.

© Sogrape Vinhos, SA

domingo, 13 de maio de 2012

Duelos

Tenho imenso prazer nestes "duelos" vínicos, entre vinhos que tanto diferem na sua condição, e sobretudo no seu perfil. Estas diferenças automaticamente sugerem um debate aceso sobre a qualidade dos vinhos, sobre o seu perfil e sobre os gostos particulares de cada individualidade.
O certo é que um almoço sem grande preparação, se tornou num fantástico debate entre amigos. Até dá gosto assim.

Obviamente que para isto contribuíram, e muito, a qualidade geral dos vinhos, a fabulosa comida e a boa disposição, apesar de uma noite em cheio no dia anterior com um jantar vínico na Tasca do Joel. Assim ontem acabámos por rumar novamente para este "nosso" santuário, onde invariavelmente somos tratados como Reis.

Começámos com as entradas. Búzios gratinados, lulinhas e o habitual presunto, que harmonizámos com o único Borgonha do almoço, um sempre impecável Etienne Sauzet Puligny-Montrachet 2008. "Enrolaram-se" na Perfeição entre si.

Nas carnes, a escolha foi um excelente misto de carnes, que continha a novíssima carne maturada da tasca, Barrosã, Porco Preto, etc. Simplesmente divinal e no ponto. Acompanharam os vinhos tintos na Perfeição.


Quanto aos vinhos:


Etienne Sauzet Puligny Montrachet 2008
Muito fino, demorou algum tempo até começar a abrir. De repente, um Puligny generoso, puro e mineral.
Na boca contava com maior acidez, com mais nervo, mas adorei a sua largura, elegância e viscosidade.


Luciano Sandrone Barolo "Le Vigne" 1999
Fantástico na pureza. Um Barolo puro e duro. Estilo tradicional, rústico, de cor aberta e com sugestões de terra, alcatrão e especiarias.
Fino mas de taninos empertigados. Adorei


Penfolds Grange 1999
Colossal, muito jovem. Muito denso, profundo e mesmo austero ainda. Tudo muito primário, com fruto muito preto, tosta e especiarias. Impressiona em todos os aspectos. Másculo, generoso, envolvente. Grande vinho, grande Syrah. A guardar.


Château Léoville las Cases 1989
Que garrafa tão perfeita. Muito jovem na côr e nos aromas ainda bem marcantes de frutos maduros, de pimento e mineralidade. Muita profundidade. Denso
Intenso, saboroso, muito fino mas marcadamente largo. Final muito longo. Perfeito


Château Lafite Rothschild 1991
De um ano bem menor em Bordéus. Aparentava ter bem mais idade que os 21 anos de vida. Cor já muito marcada pelo tempo, ou por uma guarda pouco exemplar. Ainda subiu muito no copo, mas comparando com os vinhos anteriores, apenas deu prazer.


M. Chapoutier Hermitage Vin de Paille 1994
Aromáticamente muito complexo, com muitas notas de tangerina, de mel, canela.
Grande controlo no açúcar. Viscoso mas ao mesmo tempo elegante. Muito longo. Excelente


Olaszliszkai Borászati Emerencia Selection Tokaji Aszúeszencia 1995
Grande concentração, complexidade e frescura neste vinho. Muito doce, sem ser de maneira nenhuma enjoativo. Notas de mel, caramelo, nougat e especiarias.
Grande concentração na boca, viscoso, bom equilíbrio entre o açúcar e a acidez, apesar das cerca de 200g de açúcar residual. Fantástico

Dr Loosen Erdener Pralat Riesling Auslese 1976
Muito fino, complexo e fresco. Perdeu muito da sua doçura e é agora um espelho do equilíbrio e da longevidade destes rieslings. Fantástico como sempre.


Artur Barros e Sousa Terrantez 1980
Um dos meus produtores preferidos. Côr muito clara mas enorme complexidade do nariz. Este Terrantez é muito elegante, o que alguns até considerariam de magro. Acidez marcante e final muito longo. Adoro










quarta-feira, 9 de maio de 2012

Infowine Forum




É já no final deste mês de Maio, nos dias 30 e 31, em Vila Real, que terá lugar a 3ª edição do Fórum Infowine.
Com este evento, voltam novamente ao palco grandes nomes do sector vitivinícola como, Adrian Bridge da Fladgate Partnership, Joshua Greene Jornalista da Revista Wine and Spirits Magazine, Denis Dubourdieu um produtor, investigador e considerado uma das pessoas mais influentes no mundo, e ainda nomes como o sommelier Bruno Quenioux, Álvaro Van Zeller, e outros mais. Razões de sobra para dar um salto a Vila Real, em pleno Douro e ouvir as ideias a escorrer durante dois dias.

 Mais informações e inscrições aqui

sábado, 14 de abril de 2012

Entre os Grandes, emergiu um dos nossos

Provavelmente já se aperceberam que apesar de gostar bastante dos nossos vinhos, que em vários casos ombreiam com o que de melhor se faz além fronteiras, tenho uma predilecção também por vinhos que não são feitos em Portugal. Um das minhas regiões de eleição é a Borgonha, que me fascina pela sua complexidade, que me fascina sobretudo pelo estilo de vinhos.
Na verdade tenho sido abençoado com a possibilidade rara de poder beber alguns dos grandes vinhos desta região, aliás, para ser sincero tenho sido sobejamente afortunado por beber os grandes vinhos de várias regiões, alguns dos quais suspeito que nunca repetirei a façanha.

Há umas semanas tive novamente o prazer de deambular durante uma semana pela Borgonha, onde tive a honra de ser convidado para jantar, por uma família de amigos, que sempre tão bem me recebem em sua casa. A condição é apenas uma! Beber vinhos da Borgonha. Já estão provavelmente a ver a minha cara de sacrifício. Este ano preparei uma surpresa, e acabei por trazer um vinho Português, que acabou por ser o vinho que mais suscitou o espanto dos presentes, onde se incluíam os anfitriões, um produtor de Chassagne-Montrachet, o Jean Marc Pillot e Directores da Maison Delas, no Rhône.

Este vinho que levei, era um Vinho da Madeira, um Boal, 18?? (presumidamente 1895), da Companhia Vinícola da Madeira. Pois entre alguns titãs da borgonha, o nosso Madeira acabou por ser o vinho que maior distinção teve, ao ser considerado pelos presentes como o grande vinho. Enche-me o peito de orgulho quando isto acontece com um vinho que é nosso, e deixa-me um calor especial, por ser um Vinho da Madeira. Em vinhos fortificados, podemos gritar bem alto. Somos os melhores do Mundo.




Os vinhos:


Domaine Ramonet Chassagne-Montrachet 1er Cru Morgeot 2009
Apesar do ano não ser de grande frescura e acidez, este Ramonet mostrou-se de enorme mineralidade e frescura. Na boca muito fino, mas incisivo. Pureza e elegância. Adorei

Domaine Coche-Dury Meursault 2004
Sempre que me coloco em frente dos vinhos deste produtor, fico sempre sem palavras. Coche-Dury é muito especial, encerra em si um estilo muito próprio, inimitável. Seja em que ano for, quente ou fresco, os seus vinhos mostram enorme rigor na frescura, na acidez abundante. Complexo e preciso é um hino à arte de fazer grandes vinhos. Pouco mais a dizer.

Joseph Drouhin Beaune Clos des Mouches Blanc 2001
Excepcionalmente muito jovem na cor. Muito fino, apesar do seu perfil gordo e volumoso. Mostra algumas notas de evolução positiva. Estará provavelmente ao seu melhor, mas ainda permanecerá nesta condição por muitos mais anos. Um surpresa de elevado nível.

Jean Noel Gagnard Chassagne-Montrachet 1er Cru Les Caillerets 2003
Evoluiu precocemente, o que tendo em conta a colheita seria de esperar. Ainda bebe-se com prazer, sendo no entanto o vinho menos interessante do jantar. 

Domaine des Comtes Lafon 1er Cru Volnay-Champans 2007
A precisar de tempo. Bem austero, um pouco diferente do que seria de esperar de vinhos desta colheita, que são mais abertos. Mostrou muito pouco, ainda muito fechado. Pareceu-me precisar de tempo.

Domaine des Lambrays Clos de Lambrays Grand Cru 2007
A perfeição num jovem borgonha. Muito perfumado, terrivelmente sedutor. Fino, muito fino, mas sempre com um estilo sumarento, de concentração. Adorei. Que momento fantástico

Domaine de la Romanée-Conti Richebourg Grand Cru  2002
Um colosso de vinho. Muito perfumado, cheio de sugestões de flores e especiarias. Ainda muito primário no aroma.
Muito fino, textura de cetim mas potente, num estilo musculado. Taninos ainda algo presentes. Um infanticídio, mas que me aconchegou o coração. São efectivamente vinhos muito especiais.

Domaine Tollot-Beaut Corton Bressandes Grand Cru 2003
Especialmente depois do anterior vinho, este surgiu algo "fora do baralho". Muito concentrado, muito maduro. A fruta é muito densa, sem ser compotada. Todo ele é redondo, carnudo e opulento. É muito saboroso efectivamente, mas o estilo é pouco transparente e puro.
Terá alguns adeptos, com toda a certeza, mas não é certamente o meu estilo.


Companhia de Vinhos da Madeira Boal 1895
A apoteose para todos os presentes, e um peito inchado para mim. A generosidade de um Vinho da Madeira, que mostra que apesar de tantos anos passados, ainda se ergue com raça e firmeza, que mostra uma complexidade indecifrável. O perfeito resultado da simbiose entre o que a natureza dá e o que o homem constrói.



terça-feira, 10 de abril de 2012

Foi Você que pediu uma experiência inesquecivel?


Como já o afirmei, por diversas vezes, o Vinho, o Mundo do Vinho, tem coisas fabulosas. Tem uma capacidade de desembaraço social enorme. Junta pessoas que se conhecem, que não se conhecem, tudo na mesma mesa e coloca-os a falar, alegremente, como se de velhos amigos se tratassem. Esta capacidade será porventura apenas verificada no desporto e pouco mais. Por vezes, no meu estádio de futebol, do Sporting de Clube de Portugal, dou por mim a conversar animadamente com pessoas que nunca conheci, pessoas com quem nunca me cruzei. Obviamente que esta conversa tanto melhor é, consoante o resultado nos favoreça. Futebol à parte, no vinho, quer ele seja bom, quer seja mau, ou menos bom, dá sempre tema de conversa. Ora, agora imaginem um jantar, onde todos os vinhos têm algo a acrescentar à nossa vida, imaginem um jantar onde passamos por alguns vinhos que muito certamente nunca mais os beberemos. Uma grande honra. Agora, juntemos a isto amigos, bons amigos, que comungam connosco esta paixão, esta "loucura". Que se prostram silenciosos quando chega cada um dos vinhos, que se emocionam, e que sobretudo partilham entre si estes mágicos momentos, aqui e ali bafejados com risos e gargalhadas de lembranças de outros tempos, de outras passagens com outros vinhos e outras epopeias vínicas. Temos a perfeita receita para um jantar inesquecível, e sobretudo uma experiência enriquecedora.

Ora, foi neste fim de semana passado, um pouco maior por sinal, de Páscoa. Que voltei a ter o privilégio de um grande jantar, um enorme jantar onde os vinhos foram o mote, reis e senhores da noite. Uma singela homenagem a todos eles, que cumpriram o propósito da sua criação, dando um enorme prazer a nós meros mortais e sobretudo privilegiados, por termos cruzado caminho com estes.
 

1995 Pol Roger Cuvée Sir Winston Churchill
Brilhante e ainda jovem. Cremoso e fino. Adorei

1952 Lafite Rothschild
Ano mau para bordéus. A lembrar o 56 bebido no ano novo. Bebe-se com prazer, mas é magro e sem grande complexidade. Vale como curiosidade.

1931 Niepoort Porto
Nunca comercializado nem declarado. Novamente às cegas embirrei com a década de 60, engana-me sempre este vinho, de tão jovem que parece.

1979 Pernod-Fourrier Gevrey Chambertin Clos St Jacques
Hoje em dia chama-se Domaine Fourrier, um dos mais procurados na Borgonha. Provavelmente pouca gente deve saber disto e comprei por uma bagatela.
F-A-B-U-L-O-S-O, incrivelmente fino, mas ao mesmo tempo com volume e textura. Verdadeiro na expressão do terroir de Gevrey.

1964 R. López de Heredia Rioja Gran Reserva Viña Tondonia
Vem depois de um vinho memorável e perdeu um pouco isso. Discutiu-se muito as preferências. Eu preferi o anterior. Obviamente que discutir a este nível Muito jovem na cor, fino, mas ao mesmo tempo potente. Estilo velho Rioja em definido. Adorei

1962 Domaine Armand Rousseau Père et Fils Chambertin
Pois, de uma garrafa com nível baixo, saiu um Borgonha de Antologia, com a vida, com a plenitude, que muitos poucos vinhos poderão ter aos 50 anos. Incrivelmente complexo, doce, generoso e por incrível que pareça, uma garrafa muito bem guardada, terá de certeza muitos anos pela frente. Inesquecível

1993 Bonneau du Martray Corton-Charlemagne
Ahh, nada de premox aqui. Excelente, e muito jovem na cor. Muito fino no nariz, viscoso na boca, com volume e largura. "Fantástique"

1997 Bruno Giacosa Barolo
Ficou mesmo nas covas no confronto geral. Aroma inicialmente pouco definido. Deveria ter tido mais tempo. Se fosse bebido sozinho, seria excelente, mas no meio disto tudo....é a vida.

1985 Château Ausone
Outro vinho fantástico. Tão jovem, tão equilibrado. Tem tudo o que um grande vinho deve ter, a fruta, a concentração, a patine, a acidez, os taninos, e em equilíbrio perfeito. Maravilha.

1993 Domaine de la Romanée-Conti Richebourg
Muito jovem ainda. Incrivelmente perfumado, denso e profundo. Um mimo. Um Richebourg cheio de nervo. Ainda com taninos jovens. Precisa de tempo.

1927 JMF Moscatel de Setúbal Superior
Outro vinho de antologia. A complexidade, o vinagrinho, a doçura e depois de isto tudo o equilíbrio. Longo, longo, longo. Que maravilha de vinhos. Grande Moscatel.

2003 Quinta da Pellada
Muito bem e ainda a precisar de garrafa. Nota-se o ano quente, notamos a concentração, mas este vinho está cheio de vida, perfumado e sobretudo cheio de sabor. A Guardar ainda

2004 Quinta do Vale Meão
Uns furitos acima do anterior, mas também ainda muito jovem para ser aberto. Muito fino no nariz, austero na boca. Precisa de tempo, pois tem margem para melhorar e muito. Adorei

domingo, 27 de novembro de 2011

Velhos são os trapos

São inúmeras as vezes que me encontro perante a situação de estar a agarrar numa garrafa de um vinho velho, numa loja, e logo aparecer um individuo a exclamar; Ahhh isso já está vinagre!!!!!!
Se há preconceito que mais me dói, é esse mesmo. Para o português em geral, apenas o Vinho do Porto, graças ao ditado, quanto mais velho melhor, é reconhecido como o único vinho capaz de ser bebido em velho. Nem mesmo o eterno Vinho da Madeira, é reconhecido com essa capacidade e não poucas vezes as pessoas se intrigam como é possível já ter bebido um vinho do Séc. XIX ou mesmo XVIII, ficam atónitas, desconfiando sempre do que lhes digo. Se por um lado nos fortificados ainda ficam desconfiadas, nos vinhos de mesa, com especial relevo nos Vinhos Brancos, a possibilidade de um vinho, digamos que com 10 anos, estar bom é algo que nem sequer colocam em questão. Está vinagre e pronto!!!!!

Pois eu, adoro vinhos velhos. Adoro a complexidade e a plenitude de um vinho que esperou dezenas de anos dentro de uma garrafa, à espera daquela pessoa a quem estava destinado. E quando essa pessoa gosta de vinhos velhos, parece uma electrizante mística que envolve este dueto Vinho/Bebedor.
Há umas semanas agendei com amigos, bons amigos, que gostam tanto de vinhos velhos como eu, uma "limpeza de garrafeira" (não é bem limpeza de garrafeira, mas sim uma desculpa para estar com os amigos e abrir vinhos que sei que irei gostar, aliás, que iremos gostar) dos vinhos velhos que andam cá por casa. A ideia foi de pegar em vinhos de várias décadas, começando pela década de 50 e chegar aos anos 90.
A prova foi emocionante, muito graças aos vinhos que estavam em fantásticas condições, muitos deles em patamares de excelência, estando apenas um prejudicado pela presença de TCA. As vezes pergunto-me se não poderia ter um rasgo de ganância e beber uma destas garrafas sozinho. Poder, podia, mas não era a mesma coisa. Estas tardes assim passadas, aprendendo, dissertando, e sobretudo bebendo belos vinhos velhos, tem muito mais interesse, se for num ambiente de partilha e de amizade.

Como já disse, os vinhos, eram 21, estavam em magníficas condições, na sua maioria e souberam deixar uma grande certeza; Há belíssimos vinhos velhos Portugueses, ou se quiserem, existem garrafas magníficas de vinhos velhos Portugueses.

O alinhamento e respectivas notas que tomei:

Pommery Millesime 1955
Evoluído, com notas de caramelo. Excelente acidez e percepção ténue do gás. Muito bom

Pommery Millesime 1962
Muito menos evoluído, com notas resinosas. Complexo. Excelente frescura e soberba acidez. Fantástico.

Caves são João 1967
Uma garrafa de antologia. Simplesmente perfeito, equilibrado e no auge máximo.

Tinto velho Cartaxo 1966
Vivo, ainda a mostrar fruto ligeiro. Demorou muito pouco no copo até desintegrar-se. Uma pena.

José Rosado Fernandes Tinto velho 1975
Muito bem, no estilo Rosado Fernandes, apesar da volátil alta. Grande concentração e pujança.

Centro de Estudos de Nelas Dão 1975
Espectacular. Foi bebido ao lado do tinto velho e mostrou a antítese deste. Complexidade, elegância no seu expoente máximo. Um dos vinhos da noite, para mim.

José Rosado Fernandes Tinto velho 1980
Pareceu-me com menos volátil que o 75 mas também com menos concentração. Num estilo mais fino, numa prova onde mostrou-se estar no limite.

Cooperativa do Vilarinho do Bairro Garrafeira Bairrada 1980
Soberbo e para mim o vinho da noite. Esta é a segunda garrafa que bebi deste vinho, anteriormente já o tinha sido o vinho da noite entre vinhos como Gruaud Larose 92, Latour Martillac 81, e em ambas foi considerado o melhor. Impressiona pela juventude, pela complexidade, pela elegância. Um vinho magnifico.

Herdade do Mouchão 1985
O estilo não engana ninguém, e apesar de não ser dos melhores exemplares, está lá tudo o que estou á espera. A potência do Alentejo

Quinta do Carmo Garrafeira 1987
Soberbo. Um grande Carmo, cheio de fruto, muito eloquente no aroma. Cheio e vigoroso na boca. Delicioso.

Valdarcos 1985
Pena que o TCA estivesse a esconder o grande vinho que estava por baixo.

Gonçalves Faria Tonel Especial 5 Garrafeira 1990
Como sempre, magistral, delicioso, potente mas elegante, austero mas redondo.

Quinta da Dôna 1991
Um caso serio de um vinho que ainda agora começou a levantar voo. Um vinho que poderá muito bem sobreviver todos os anteriores. Magnifico.

Romeira Garrafeira 1976 (Magnum)
Muito bem no aroma mas algo metálico na boca.

Borgogno Barolo 1993
Ligeiramente turvo, floral, fruto Silvestre. Alguma evolução. Taninos empertigados. Muito bom.

Quinta do Todão Vinho Velho
Um colheita sem indicação de data. Muito complexo no aroma, doçura controlada. Muito fino. Muito bom.

A.J da Silva 1880 (Quinta do Noval)
Novamente Magistral. Complexidade, frescura, volúpia.
Boca com enorme frescura, acidez magistral a pedir copo atrás de copo. Longo, longo, longo. Ligeiro desvio alcoólico. Quase perfeito.

Laurent Perrier Grand Siécle
Evoluído mas com muita complexidade. Enorme acidez. Muito bem. Ao nível do Pommery Millesime 1962.

1º Prémio da Confraria dos Enófilos Alentejo Branco 1991
Grande surpresa num branco cheio de vida, com notas de resinas, notas petroladas. Boca assertiva e nervosa. Excelente.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Taylor's, Fonseca & Croft Vintage - Trilogia Fladgate


Foram muitas as dissertações que decorreram, simplesmente do facto da Fladgate ter declarado os seus "Vintage Clássico", quando o que se esperava seria um ano de Single Quinta. A verdade é que esta suposição estava confirmada pela tradição de três "Vintages Clássico" por década e nesta já terem sido declarados 2000, 2003 e 2007. Alguns autores chegaram mesmo a criticar esta decisão, no entanto, o que terá levado a Fladgate a colocar no mercado estes 3 vintages? Bem, segundo me pareceu, e tendo em conta o prestigio imaculado desta casa, terá mesmo sido a qualidade do "líquido" que encerra cada uma destas garrafas.

A colheita de 2009, quente, correu de feição para o Vinho do Porto e neste caso para os Vintage. Lembro-me de na altura das vindimas vários produtores a exaltarem com a cor e concentração das massas que tinham na adega. Lembro-me também dos primeiros vintage 2009 que provei, num périplo já neste blog relatado, no qual constatei que algumas casas, em meu entender, conseguiram melhorar a qualidade dos seus Vintage, em relação aos que tinham declarado em 2007. Confesso que vi uma qualidade excepcional no que ia provando.

Croft Vintage Porto 2009
Muito concentrado na cor. No aroma o fruto é intenso, maduro, de figos e ameixa preta a que se juntam sugestões florais. Ligeiro desvio alcoólico.
Boa concentração na boca, com volume, algo quente. Final longo e saboroso. É o vinho mais cordato e mais disponível de todos. Um Vintage que poderá guardar, mas que não poderá ser esquecido na garrafeira.
Nota 17

Fonseca Vintage Porto 2009
Concentrado na cor, opaco. Compacto, uma bomba de fruto preto, negro. Ainda muito pouco dialogante. Algumas sugestões vegetais. Austero e químico.
Longo e poderoso na boca mas com taninos muito finos. Adorei. Este sim, o vinho com enorme futuro e para ser esquecido na garrafeira.
Nota 18,5


Taylor's Vintage Porto 2009
Cor de grande concentração. Também muito compacto no aroma, com muito ainda dizer, ainda por ser desvendado. Para já muitas notas de fruto preto, denso, e sugestões florais.
Na boca, mais doce que o Fonseca, um misto de vigor com suplesse, de potência com elegância. Taninos sedosos e final muito, mas muito longo.
Nota 18,5

Difícil escolher entre os dois últimos da prova. É certo que são estilos bem diferentes, mas não deixam de ser dois belos exemplos de Porto Vintage. O tempo encarrega-se das razões mas para já confesso que me agradou esta decisão. Parabéns.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Esporão Syrah 2008 vs Esporão Petit Verdot 2008



Continuando com os novos monocasta do esporão, desta feita com a prova em simultâneo do Syrah e Petit Verdot, ambos da colheita de 2008.


Esporão Syrah 2008
Este 100% Syrah, fermentou em cubas de inox, estagiando depois 12 meses em barricas de carvalho americano, e ainda mais 12 meses de estágio em garrafa.
Cor rubi de grande concentração. Começa muito bem, com sugestões de fruto preto denso, a que se associam notas de carne assada e chocolate. Boa frescura.
Pleno de sabor, na boca, com o fruto preto, doce, a dominar toda a prova. Muito guloso, excelente na acidez e no seu final redondo e longo. Um vinho feito para agradar a todos, e principalmente aos que gostam deste "estilo australiano". Muito bem, um Syrah muito bom.
Nota 17


Esporão Petit Verdot 2008
Este 100% Petit Verdot, fermentou em cubas de inox, estagiando depois 12 meses em barricas de carvalho francês e ainda 12 meses em garrafa.
Cor rubi de boa concentração. Alguma austeridade no aroma, com muitas sugestões de vegetal seco, mineral e de couro. A fruta, madura, fica relegada para segundo plano, num vinho de grande carácter e com boa frescura.
Excelente na boca, nervoso, com taninos muito jovens, excelente acidez e final longo. Poderá não ser do gosto de todos, tenho a plena consciência que não será, mas este Petit Verdot, merece sem dúvida ser conhecido e apreciado, pelo carácter que demonstra em toda a prova. Poderá ser guardado por mais uns anos até acalmar os seus taninos e atingir a sua forma ideal.
Nota 17,5

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Altas Quintas Branco 2010

Do alentejo, a nova colheita do Altas Quintas branco 2010.


Altas Quintas branco 2010
Da Serra de São Mamede nasce este vinho, feito a partir das castas Verdelho e Arinto, que fermentam em barricas novas de carvalho francês e nelas estagiam por 4 meses.
Cor palha esverdeada, aromas de citrinos, laranjas, a que se juntam sugestões de mel e alguma especiaria. Barrica bem integrada.
Boca com volume, encorpado, branco de inverno, mas onde falta alguma frescura de conjunto, apesar mesmo da acidez excelente que tem. Final Longo. Vai precisar de comida por perto. Pessoalmente estava à espera de outro estilo.
Nota 16

Bétula 2010

Chega-nos a nova colheita deste Bétula 2010, um branco feito pelo enólogo Francisco Montenegro (Aneto e Quinta Nova), que colocou em cima da mesa alguma polémica relativamente às castas utilizadas.



Bétula 2010 Branco
Feito a partir de duas castas pouco usuais no douro, Viognier e Sauvignon Blanc. Em percentagem idêntica, o Viognier fermentou em barricas e o Sauvignon em inox.
Cor palha carregada. O vinho apresentou-se muito bem de aroma, muito ao estilo Sauvignon, com sugestões de relva cortada e muita frescura. Do Viognier chegam também as sugestões de barrica e com o aumentar da temperatura no copo, as inevitáveis sugestões anisadas.
Na boca temos um vinho com volume e excelente acidez, numa toada de elegância e equilíbrio. Final médio-Longo com muito sabor.
Nota 16,5

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Garrafeira GN Cellar

Foi apenas há uns dias, mais propriamente no dia 26 de Setembro, que inaugurou a nova garrafeira de Lisboa, a GN Cellar, cujo proprietário Jaime Vaz, é o mesmo que já detém a melhor Garrafeira de Portugal, a Garrafeira Nacional.
Se por um lado fiquei contente por mais este projecto, na Baixa Lisboeta, que anda a precisar de um "face lift", por outro lado, senti-me um felizardo por ter estado nesta inauguração.
Em verdade vos digo que foram preciso apenas 3 vinhos para me deixarem num estado de êxtase completa, ao ponto de passados 4 dias, ainda sonhar com cada um deles. Por certo esta terá sido a primeira e ultima vez que tive a honra de os beber, mas anseio pela oportunidade de os ver mais uma vez, quando quer que seja.




Os vinhos foram um Ramos Pinto Vintage 1931, José Maria da Fonseca Moscatél Supeior 1955 e Barbeito Malvazia 1875, servidos por esta ordem.
Começámos pelo Vintage 31, que foi apresentado pelo Engº João Nicolau de Almeida, que começou por falar um pouco da célebre colheita de 31, que deu origem ao mais raro e misterioso Vintage da história, o Noval Nacional 31. Como tive o privilégio de abrir e decantar este Vintage, desde logo percebi que ali se encerrava um vinho maravilhoso. Na abertura mostrava uma cor muito aberta, mas cheia de intensidade aromática, a lembrar ainda muita cereja. No evento já mostrava mais cor e mais corpo, ganhava nova vida, sempre elegante e com um final muito longo. Belo Vintage.


De seguida, o grande vinho da noite, apresentado pelo Engº Domingos Soares Franco, o Moscatel Superior 1955 (que irá a leilão no próximo dia 8 de Novembro). É-me tão difícil escrever, ou descrever, este vinho simplesmente incrível. A cor acastanhada escura, com laivos esverdeados, remete-nos de imediato para um espesso liquido assim que o envolvemos no copo. A soberba complexidade e frescura, a textura, o corpo, a absolutamente magnífica acidez e o final explosivo, fazem deste moscatel, o melhor que bebi até hoje e um dos grandes vinhos da minha vida. Simplesmente inesquecível. Os meus sinceros parabéns à José Maria da Fonseca, pelo monumento que criou, e que esta ultima geração soube manter. Uma obra prima.

Ainda não refeito do vinho anterior, chega-nos o madeira, um Barbeito Malvazia de 1875, que tinha sido engarrafado, especialmente para este evento, no dia 19 de Setembro, apenas uma semana antes. Seria sempre necessário um enorme vinho para ser servido depois do anterior, no entanto, este Madeira, cumpriu a sua parte e manteve intacta a necessidade de os madeiras serem sempre servidos por ultimo. Soberbo pela sua complexidade aromática, soberbo pela sua frescura e soberbo pela sua acidez penetrante. Outro hino aos vinhos Portugueses e aos Vinhos da Madeira.

Se por um lado eu, e todos os demais presentes, ficaram deliciados com tamanha grandeza de vinhos, por outro lado custa-me pensar que por exemplo, o Moscatel de Setúbal, continua a ser um eterno desconhecido lá fora. Poderíamos pensar que está bem assim, pois ficam cá dentro, mas por outro lado, qualquer um destes vinhos, em qualquer mesa, em qualquer parte do mundo, elevariam bem alto o nome dos Vinhos Portugueses. Que grandes vinhos se fazem em Portugal, que grandes vinhos nos foram deixados pelos nossos antepassados, a quem deixo a minha singela homenagem.

Se este evento, pelo vinhos apresentados foi um estrondoso sucesso, falta também dizer que a GN Cellar é uma bonita, bem iluminada e bem desenhada garrafeira. É um novo espaço, com um target de clientela bem específico e numa zona que precisa de reabilitação e investimento. Tendo a chancela da Garrafeira Nacional, o sucesso é mais que certo.

Um sincero muito obrigado pela noite mágica que me foi proporcionada. Bem hajam

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

No dia 8 de Novembro a José Maria da Fonseca irá colocar no mercado o Moscatel de Setúbal Superior de 1955.
Este lançamento será feito através de um Leilão a realizar nas Caves da empresa, em Vila Nogueira de Azeitão.
A colheita de Moscatel de Setúbal de 1955 sempre foi considerada por António e Fernando Soares Franco, a 5ª geração da família, como a melhor colheita de Moscatel de Setúbal do séc. XX. Em relação a outras colheitas de Moscatel sempre se destacou pela sua qualidade global, sendo um vinho muito complexo e equilibrado em termos de estrutura, doçura e acidez.
Por ser tão completo é um vinho que não é/era habitualmente utilizado em lotes de outros Moscatéis da José Maria da Fonseca, como o Alambre 20 Anos ou o Trilogia.
O que Domingos Soares Franco mais destaca neste vinho, para além de toda a sua complexidade aromática e gustativa, é a sua extraordinária frescura na boca, que equilibra toda a doçura natural e concentração que o vinho tem.
Deste vinho foram produzidas apenas 150 garrafas de meio litro, das quais 100 garrafas irão a Leilão no próximo dia 8 de Novembro. O remanescente permanecerá na colecção da José Maria da Fonseca.


Dado o carácter único deste lançamento, a ideia foi a de reunir neste Leilão não só os especialistas do sector e apreciadores, mas também verdadeiros apaixonados por este tipo de vinhos e coleccionadores.
Para enriquecer o Leilão, para além das garrafas de Moscatel de Setúbal Superior de 1955, farão parte dos lotes outros vinhos da José Maria da Fonseca. O destaque vai para alguns Moscatéis de Setúbal e Moscatéis Roxos mais antigos, como colheitas de 1880, 1902, 1904 ou 1911, uma garrafa de Moscatel de Setúbal TornaViagem, garrafas de Periquita de outros tempos e o famoso José de Sousa de 1940 (a colheita esquecida durante anos debaixo de uma pilha de carvão).

O Leilão do Moscatel de Setúbal Superior de 1955 terá lugar no dia 8 de Novembro, pelas 19:30, nas Caves da José Maria da Fonseca, na Quinta da Bassaqueira, em Vila Nogueira de Azeitão, sendo antecedido por um jantar onde reconhecidos vinhos da José Maria da Fonseca estarão em harmonia com a cozinha da região, a cargo do Chefe Hélder Chagas.
O Leilão estará a cargo do Palácio do Correio Velho e será um leilão puro, ou seja, não haverá uma base de licitação para os lotes. A participação no Leilão será limitada e deverá ser feita mediante inscrição.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Vinhos do Alentejo em Lisboa

É a terceira edição do evento, organizado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), que traz a Lisboa os Vinhos Alentejanos.

Os Vinhos do Alentejo vão estar em prova no Centro Cultural de Belém (CCB), nos próximos dias 30 de Setembro e 1 de Outubro, num evento que é dirigido a todos os consumidores.
Neste evento estarão em prova, mais de 300 vinhos desta região. Face à possibilidade que terá, de provar uma boa parte dos mais emblemáticos Vinhos Alentejanos, este evento é imperdível.

domingo, 4 de setembro de 2011

Varietais Esporão

Há bem pouco tempo estive na Herdade do Esporão e ao provar alguns dos seus vinhos que em breve serão lançados, fiquei a pensar que por vezes esquecemo-nos das "grandes" empresas produtoras e do que elas fazem. É verdade que a quantidade é inimiga da qualidade, é verdade que um vinho como, por exemplo,o Monte Velho, nunca poderá ser considerado como um grande vinho, um vinho especial, até porque nem sequer foi feito a pensar nessa possibilidade. No entanto, e se olharmos para o Esporão, vemos uma gama bem definida, e sobretudo, a máxima de fazer o melhor possível com cada uva que entre na adega. Este trabalho dá os seus frutos e hoje teremos de considerar o Esporão como um produtor de solidez e consistência, muitas vezes ao nível do pequeno produtor de vinhos de pequenas produções. É obra.

No esporão sempre houve lugar à criatividade, à ousadia e à experimentação. Os varietais, agora com nove imagem, são o exemplo desta ultima. Embora não seja, em Portugal, o maior fã dos vinhos varietais, salvo honrosas excepções, também compreendo o porquê de existirem. Penso que poderão ser bastante importantes no conhecimento das castas, importantes para saber como se comportam em determinados anos e como evoluirão na garrafa. No entanto, na minha opinião, deveriam servir um propósito maior de ajudar à melhoria dos vinhos de lote. Ora, ainda assim, o vinho não pode ficar nas adegas, só por se tratar de experiências, e tem de ser vendido. A verdade é que também a nós, estes vinhos, podem ensinar um pouco mais sobre as castas.
Para a colheita de 2008 foram apresentados os varietais de Touriga Nacional, Petit Verdot, Alicante Bouschet e Syrah, por serem as que melhor se apresentaram. Vamos então começar pelo Touriga Nacional.


Esporão Touriga Nacional 2008
Feito exclusivamente a partir da casta Touriga Nacional, este vinho fermentou em cubas de inox, passando depois por um estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês e 12 meses em garrafa.
Côr violácea de grande concentração. Muito apelativo no aroma, com muitas sugestões florais, fruto bem maduro, algumas notas vegetais e uma barrica muito bem integrada. Com tempo aparecem também sugestões de fruto silvestre, framboesas e morangos.
Na boca todo ele é sabor, tem estrutura, tem largura, mas também é elegante. Os taninos estão presentes mas são redondos e mostram-se prontos. Muito equilibrado e com um final longo e saboroso. Muito bem.
Nota 17

Altas Quintas Colheita 2007

É o novo colheita do produtor Altas Quintas. Enquanto regiões como o Douro já lançaram alguns vinhos da colheita de 2009, e os topos serão-no em breve, no Alentejo, alguns produtores ainda lançam colheitas anteriores de 2007 e 2008.

Altas Quintas é um produtor que se desenvolve na região de Portalegre, bem na Serra de São Mamede. É uma zona Alentejana que confere frescura aos seus vinhos, cujas vinhas estão em altitudes superiores a 500m, por via da referida Serra. Quando bem há pouco tempo visitei a Serra de São Mamede deu para perceber que ali não há um Alentejo como de imediato nos vem à ideia. Ali, o terreno é rugoso, de altos e baixos. Lá de cima da serra, percebe-se um clima diferente que se transmite nos seus vinhos. Um Alentejo diferente. Mas vamos ao Vinho:


Altas Quintas 2007
Feito a partir das castas Trincadeira, Aragonez e Alicante Bouschet, este vinho fermentou em balseiros de carvalho francês e por fim estagiou por 18 meses em barricas.
Com uma côr de boa concentração, apresentou-se muito bem no aroma. Para já é o Alicante que comanda, com sugestões de fruto preto, notas licoradas e uma boa dose de profundidade a não querer mostrar tudo de rompante. As notas de barrica estão já muito bem integradas, com ligeira percepção de notas tostadas.
Na boca mostra volume, robustez a que se junta uma excelente acidez do conjunto. Fresco e muito equilibrado, apesar dos seus 14º. Um vinho gastronómico que acompanha pratos robustos.
Nota 17

sábado, 3 de setembro de 2011

Portugal Tour - O Final

Em jeito de resumo, apenas umas ideias acerca do que poderão esperar, de uma forma, generalizada das colheitas de 2009 em tintos e 2010 em brancos.
Isto não será propriamente futurologia, nem sequer serão umas conclusões. São sim impressões de alguém que teve a oportunidade de provar uma boa amostra de vinhos, mais de 1000 garrafas foram abertas, com especial destaque nas regiões do Douro e Alentejo.

É fácil estar duas semanas a provar vinhos, intensamente de manhã à noite a provar vinhos, quando estes pertencem a produtores que são considerados os melhores de cada região que representam. É fácil, pois à partida sabemos que o que provamos terá sempre uma qualidade média bastante elevada, e em alguns casos, tudo o que é feito é mesmo bom. Mas a verdade é que esta viagem também se centrou em produtores menos representativos e menos conhecidos, o que também serviu para perceber o que se anda a passar fora das luzes da ribalta do mundo vínico. Foram também provados "grandes" e "pequenos", ou seja, desde as grandes empresas produtoras, até ao mais singelo e nobre produtor que apenas faz uns poucos milhares de garrafas.


A ano de 2010
Depois das excelentes colheitas de 2007, 2008 e 2009 (apenas em Tintos), chega-nos a colheita de 2010. Se bem me lembro, foi um ano bastante diferente dos anteriores, que foram bastante secos, sendo 2009 o mais quente de todos. Em 2010 o que não faltou foi água, pelo menos até Julho, quando simplesmente parou de chover. Pelo meio de tanta chuva, algum míldio, e mais tratamentos que o "normal". Setembro e Outubro, novamente sem grandes percalços, pouca chuva e já só em Outubro, quando já não traria grandes dissabores. O resultado foi acabou por ser bem melhor do que se esperaria e os enólogos acabaram por ter excelentes uvas a entrarem dentro de casa.



Brancos 2010
Gostei bastante do que provei. Alguns produtores conseguiram, no meu entender, fazer os seus melhores brancos de sempre, também por cada vez conhecerem melhor as suas vinha, mas porque conseguiram fazer vinhos finos, com excelente acidez e frescura. No meu entender, estes brancos conseguem ser o oposto de 2009, que são volumosos e com falta de acidez em muitos dos casos. Os brancos de topo de 2010 começarão a sair em breve e vale mesmo a pena apostar neles, sobretudo nas regiões mais a norte, como o Dão, Douro e Vinho Verde. Estão excelentes, com excelente acidez e muito equilibrados.


Tintos 2009
Belíssima colheita esta de 2009, em tintos. Fiquei agradavelmente surpreendido com a qualidade geral dos vinhos e em vários casos, transversais a todas as regiões que visitámos, alguns produtores excederam-se mesmo, no bom sentido. São vinhos com excelente concentração, saborosos, largos, no entanto não perderam frescura e tensão. Muito bons. No Vinho do Porto, polémicas à parte, também uma excelente colheita com Vintage muito sérios e austeros. São 3 anos seguidos, 2007, 2008 e 2009, em que se fizeram grandes tintos por Portugal inteiro.

Numa época difícil, de contenção, e onde provavelmente o mercado interno abrandará, falta gerar reconhecimento internacional aos vinhos portugueses. Metade do trabalho está feito, ou seja, os vinhos têm qualidade, os vinhos portugueses estão cada vez melhores. Falta agora o empenho de cada produtor, de cada organismo promotor, na promoção de Portugal como um país com vinhos de excelência, de vinhos com carácter e diferenciados. Falta evangelizar lá fora, as nossas castas e as nossas regiões.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Portugal Tour IV

Continuando, desta feita pelas planícies Alentejanas. Foi uma viagem muito interessante, na sua esmagadora maioria por excelentes produtores, com excelentes vinhos, no entanto houve para mim uma mão cheia de produtores, o "Quinteto Maravilha", que se destacaram dos demais pela sua enorme qualidade e em alguns deles, pela mudança de estilo que operaram. Difícil foi mesmo escolher entre tantos bons produtores, mas adiante.


Herdade da Malhadinha
Este produtor, aliás, esta família sempre teve tudo para colocar sucesso na fabulosa Herdade que adquiriram. Podíamos começar por falar na idílica Herdade, no seu excelente projecto de Enoturismo ou na sua Country House, onde nada foi deixado ao acaso, no sentido de proporcionar o maior conforto aos seus clientes. No vinho, e desde o início, tem sido colocado um enorme esforço para trazer o melhor que as suas vinha dão, aos seus clientes. O objectivo tem sido amplamente conseguido, e graças a alguma afinação de perfil, no meu entender, nesta ultima colheita foi mesmo superado. A verdade é que por vezes parecerá algo fútil dizer que este, ou aquele, produtor conseguiram fazer o melhor vinho de sempre, mas, nunca esta afirmação foi tão verdadeira para esta produtor.
Tudo isto para dizer que o Malhadinha Tinto 2009 é, no meu entender, o melhor vinho que foi feito até hoje na Herdade. O vinho impressiona pela sua precisão e enorme profundidade. Remete-nos para algo misterioso, obrigando-nos a incessantemente procurar nas profundidades dos seu aroma. Por outro lado, a grande concentração de aromas e na boca, tornam-no no mais opulento Malhadinha, e isto sem perder, também um grande feito, a sua frescura e taninos. Adorei.
Ainda assim, isto não completa o cenário, uma vez que os brancos também são de especial interesse falar neles, uma vez que foi nestes, com destaque para o Malhadinha Branco 2010, que foi operada a grande mudança de perfil na casa. Quem costuma seguir atentamente os vinhos desta casa, certo reparou que o Malhadinha Branco sempre foi um branco muito bom, mas que sempre teve na sua juventude uma madeira que demorava a integrar (o 2008, recentemente bebido, mostra precisamente um branco ainda muito pouco evoluído, mas também ainda com a madeira por integrar), no entanto, 2010 é exactamente o contrário, um vinho cuja madeira aparece desde já muito bem integrada, e por isso mesmo torna-o mais fino, mais elegante. Excelente branco. De ressalvar ainda a qualidade apresentada, também, nos Peceguina, que se perfilam como uma excelente escolha para a gama/preço onde se inserem, apoiando-se na fruta e na frescura para darem enorme prazer. Finalmente, a recente gama de varietais da casa e o Pequeno João, que deixou de ser o vinho mais extraído da casa, para também ele, se tornar mais elegante. No varietais, fico sempre com um "sensação agridoce", pois se por um lado são vinhos muito bons, todos eles, por outro, não se destacam dos demais. Ainda assim, de entre eles, o meu destaque vai mesmo para o Alicante Bouschet, por ser um fiel depositário do perfil da casta, sem exagerar na extracção.
Os meus sinceros parabéns pelos belos vinhos que apresentaram.


Quinta do Mouro
O "Enfant Terrible" do Alentejo está no seu auge de forma, e é no meu entender o produtor que mais se destaca na região, muito por culpa do carácter e individualidade que imprime nos seus vinhos, tornando-os em vinhos que se desmarcam do Alentejo, com o seu estilo muito próprio.
Tivemos oportunidade de provar os Rótulo Dourado 2005/06/07/08, que pura e simplesmente deixaram-me siderado, de tão bons que são. Todos eles atingiam patamares de excelência, sendo que o 2005 e 2007, extrapolavam-se para grandiosos vinhos que estão ao alcance de muito poucos produtores atingirem. São vinhos profundos, que depositam na sua acidez e taninos, associados a uma textura invulgar, todo o seu esplendor. Mas é enganador pensar que apenas o RD é o que se faz na casa, com enorme qualidade, nada disso, os colheita e mesmo os Casa de Zagalos também impressionam pela sua qualidade, e no primeiro caso, as colheitas de 2007 e 2008, mostraram vinhos irrepreensíveis no sabor e nos deliciosos taninos. Um must, conhecer este produtor.


Dona Maria
Tenho mesmo por começar pelo magnífico Château que é a Quinta do Carmo, não confundir com a marca Quinta do Carmo que se encontra na posse da Bacalhôa Vinhos, o lindíssimo palácio de onde nascem os vinhos Dona Maria. Andar dentro de casa é remontar a tempos idos do Séc. XIX. Magnífico.
No que aos vinhos diz respeito, este é o produtor, a par do anterior e da Quinta de Zambujeiro, que lidera a região de Estremoz. Em toda a sua gama podemos encontrar vinhos excelentes. Começando pelo Rosé, um dos melhores do Alentejo, onde a secura e frescura o tornam numa excelente escolha de verão, podendo eventualmente integrar-se na meia estação. Bom Rosé.
No brancos da casta Viognier, o Dona Maria e o Amantis, a diferença entre o Inox e a Barrica. Se por um lado a frescura assenta no primeiro, no segundo a mineralidade, associada às notas de barrica. Não sendo uma casta que admiro, tenho a consciência que os apreciadores desta, irão encontrar o que pretendem nestes vinhos.
No tintos, dois colossos foram-nos foram apresentados, o Dona Maria Reserva 2007 e o JB 2007. Nestes, a capacidade de envelhecimento é evidente, pelos taninos que apresentam. São ainda muito jovens e vão precisar de muito tempo para chegarem ao seu auge, no entanto garanto-vos que são tão, mas tão bons. Adorei estes dois vinhos, que infelizmente parecem estar a dar que fazer ao Júlio Bastos, que pondera se os deve ou não lançar. Por mim era já, que eu quero-os na minha garrafeira.
Tive ainda a oportunidade de estar perante a difícil escolha dos lotes para o Amantis Tinto 2009, mas garanto-vos que está delicioso, cheio de sabor e com taninos redondinhos. Fácil de gostar e muito difícil de resistir.


Herdade do Esporão
Um dos maiores produtores portugueses mas cuja consistência dos seus vinhos, sejam ele o Monte Velho ou o Private Selection, é levada ao limite. Não se provou tudo desta casa, mas o que se provou, dá excelentes indicações do que são as próximas colheitas.
Impressiona-me sempre a qualidade dos Esporão Reserva, onde a qualidade notável, face à quantidade de vinho produzido. Atenção ao Esporão Reserva tinto 2009, que está excelente e é uma excelente RQP. Nos Private Selection, de destacar a cremosidade e amplitude aromática do branco 2010 e a densidade do fruto maduro e a estrutura de boca, aliada à elegância, no tinto. São sempre um porto seguro para quem procura um grande vinho. Excelentes.
Finalmente o novo Torre, de 2007, com aroma muito compacto de fruto negro, denso e profundo, grande amplitude na prova de boca, com toneladas de taninos, muito potente e longo. Um "Vin de Guarde" sem tirar nem pôr. Muito bem.


Zambujeiro
Um produtor "estranho", no sentido de infelizmente ser pouco conhecido, apesar da qualidade que apresenta nos seus vinhos. A verdade é que os seus vinhos, na minha humilde opinião, estão entre os melhores do Alentejo e mesmo de Portugal. Não são vinhos baratos, é certo, e será provavelmente essa a razão deste aparente desconhecimento. Outra razão poderá ser encontrada na sua enorme percentagem de exportação a que são sujeitos, em virtude do proprietário ser suiço. Os Terra do Zambujeiro são vinhos muito bons, com capacidade de guarda mas os tesouros deste produtor são mesmo os Zambujeiro, que atingem facilmente em todas as colheitas um patamar de excelência. São belíssimos vinhos que envelhecem muito bem. Enorme o Zambujeiro 2007, um caso sério de vinho, onde a Touriga Nacional mostra toda a sua arte, como componente de um lote, e onde a estrutura de boca e taninos mostra um vinho que precisará ainda de tempo em garrafa. Grande vinho, com carácter e enorme frescura. Adorei.




Continua......

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Portugal Tour III

Continuando pelo Douro......


Alves de Sousa
Outro dos meus produtores preferidos. Difícil sempre de avaliar e conseguir perceber qual o melhor vinho, tal a consistência que apresenta em todos os vinhos, com especial destaque para os seus topos de gama. O portefólio é extenso, no entanto, o vinho que mais me encanta, invariavelmente, é o Quinta da Gaivosa. Provámos a edição de 2008 que se mostrou, no meu entender, o mais aristocrático de sempre. Talvez o mais elegante de todos, mas explosivo na prova de boca. Maravilhoso.
Em excelente nível também se mostraram o Tapadinha TTT 2008, a mostrar que merece tempo em garrafa, o expansivo e largo Sousão 2008 (Uma reedição do 1999?), o sedutor Vinha do Lordelo 2009 que mostrou todo o seu perfume e finalmente o presumível Abandonado 2009, com uma profundidade e nervo ímpares a fazer lembrar o 2004. Um grande produtor duriense.


Quinta do Noval e Romaneira
Provavelmente, a prova mais impressionante da visita ao Douro. Porquê? Bem, se retirar da equação o sublime Noval Nacional 1970 e o fantástico Noval Colheita 1971, tive a oportunidade de provar em verticais os Quinta do Noval, Cedro do Noval, Labrador e Quinta do Noval Touriga Nacional, R de Romaneira, Romaneira e Romaneira Reserva. Que prova maravilhosa esta. No entanto, contrariamente ao que se pode pensar, a razão de toda esta euforia foi mesmo por causa da qualidade que apresentaram os Cedro do Noval. Imagine-se que todos as colheitas estavam pura e simplesmente ainda longe do seu auge, e com um destaque mais que merecido para as colheitas de 2007, 2008 e 2009. Fantásticos vinhos e soberbas relação qualidade/preço.
Começámos com os Romaneira, talvez a vertente mais elegante da prova, menos estruturados, mais finos e elegantes. os "R" a mostrarem-se muito prazenteiros, sem no entanto impressionarem. O Quinta da Romaneira, muito melhores, a mostrarem-se de grande nível nas versões de 2007 e 2008. Curiosamente, ambos os vinhos eram parecidos, não se notando a diferença do ano. Ambos a mostrarem que a guarda será boa conselheira.
Do alinhamento do Noval, começámos com os Labrador Syrah, que se mostraram muito bem, todos ainda jovens, mas com o 2009 a mostrar-se o mais fiel nas sugestões florais da casta, muito encontradas no Rhône.
Nos Quinta do Noval, outro excelente alinhamento. O 2005 ainda está jovem, apesar de se ter mostrado algo maduro. A seguir, 2007/8/9, a mostrarem-se muito jovens ainda mas com um enorme destaque para o 2008 que está um portento de vinhos. Impressiona na potência e na profundidade. Soberbo. Na senda deste, o 2009, ainda se mostrava algo fechado no nariz, apesar de dar uma lição na prova de boca. Excelente volume e potência aliada a uma sensação de elegância. Acidez penetrante. Um must para uma guarda prolongada.
Finalmente os Noval Touriga Nacional. Se tivesse que eleger a melhor Touriga Nacional do Douro, sem grandes dificuldades elegeria a da Quinta do Noval. Se tivesse que eleger o melhor Touriga Nacional que bebi até hoje, provavelmente em paridade com os Touriga do Álvaro Castro, seria mesmo o Quinta do Noval Touriga Nacional 2004. Esqueçam a vertente floral da casta, esqueçam a sedução quase enjoativa que por vezes ela representa e pensem numa Touriga cheia de profundidade, quase austera, cheia de tensão e de enorme precisão, para chegarem ao perfil destes Tourigas. São um exemplo fenomenal do que esta casta também pode ser.


Duorum
Outra excelente prova. Se eu tivesse que eleger o produtor do Douro que na colheita de 2009 terá dado o maior salto qualitativo, tinha de ser este. É que todas as garrafas que abrimos da colheita de 2009 estavam muito acima da média, e se considerarmos o Duorum colheita 2009, então, a diferença é abismal. Este vinho está simplesmente fantástico, com uma densidade e sedução abismais. Belíssimo vinho, que pelo seu preço é imperdível, nesta colheita.
Se já tinha ficado "gago" com o vinho anterior, o Reserva veio ainda trazer um novo patamar de excelência. O Duorum Reserva Vinhas Velhas 2009 apresentou-se muito jovem, profundo, denso, mas cheio de frescura (repare-se que estou a falar do 2009, uma colheita bem quente), mas, o que mais me impressionou foi mesmo a textura tão sedosa, num vinho com um final de taninos muito jovens. Apresentaram-se ainda duas grandes novidades, que não sei bem o que serão, mas que prometem e muito. Grande colheita para este produtor.


Symington
Ia com enorme expectativa para a visita a este gigante, pelo simples facto de ir visitar a lindíssima Quinta de Roriz, e pela primeira vez ir provar, lado a lado, todos os seus vinhos. Desta visita retive a qualidade que os Altano começam a apresentar em relação ao preço a que são comercializados. Seria de esperar vinhos simples, de consumo diário, mas, estiveram perante mim vinhos muito bons, com raça, muito bem feitos e cheios de sabor. Muito bem, Muito bem mesmo.
Noutra vertente, a qualidade da colheita de 2009, nos seus vinhos intermédios e com isto quero dizer que o PS 2009 e o Prazo de Roriz 2009 estão mesmo muito bons. Destes, o PS ganha pontos pela sua mineralidade, acidez e enorme sedução aromática. Vai ser difícil resistir a este vinho. Também no Chryseia 2009 um salto em relação à anterior colheita, este mostra-se mais amplo, com fruto decadente, bem ao estilo deste vinho. Está muito bem.
De notar ainda a excelente forma em que se encontram os Quinta do Vesúvio 2007 e 2008.

Continua.....

terça-feira, 19 de julho de 2011

Portugal Tour II

Continuando........


Dia 3 (29 de Junho de 2011)


Valle Pradinhos
Começámos muito cedo a provar. Eram 9h da manhã e já estávamos prontos. Começámos muito bem. Para mim, uma alegria pelo facto do branco de 2010 ter deixado aquele estilo "enjoativo", que ,e fez abandonar os brancos da casa. Parece-me uma reedição da colheita 2005, que aponta mais para o lado mineral do vinho. Muito bem.
Nos tintos um excelente Pradinhos 1990, ainda cheio de força e vigor, e um Pradinhos 2007 que se mantém fiel ao estilo da casa, muito terroso. É bom, quando as coisas ainda são o que eram, ou pelo menos aproximam.se disso.


Quinta das Apegadas
Para esta Quinta, um sonho de um casal, era a minha primeira prova a sério. Não me desiludiu, é certo, mas fiquei ainda com a sensação que há lugar a melhorar. Convenceu-me um estilo de branco de entrada de gama, muito fresco e muito descomprometido. Também precisamos de vinhos assim. No branco Reserva, a colheita 2010 pareceu-me muito melhor que a anterior, que já apresentava alguns traços de oxidação. Convenceu-me ainda um vinho, com o nome de código D60, que será o topo da casa. Muita profundidade e muita força num registo muito duriense.
Um produtor a seguir de perto.


Aneto
Não é para mim muito difícil provar vinhos que há partida sei que vou gostar. Eu sempre gostei dos Aneto quer fossem brancos quer fossem tintos. Ora, 2009 pareceu-me ter sido um grande ano para o Francisco Montenegro, o seu branco reserva está fantástico e a pedir mais alguma garrafa, o Aneto tinto está excelente, com tudo no seu sitio e também ele a pedir garrafa por mais uns meses pois vai ainda melhorar.
No final, os Grande Reserva 2008 e 2009 acabaram por me convencer. São vinhos no limite mas não podem deixar de ser considerados excelentes vinhos. Nenhum quis mostrar que está para beber e devem ser guardados por um par de anos. Os taninos ainda são colossais. Gosto deste produtor


Quinta Nova
Outro grande projeto do Francisco Montenegro. Esta foi uma prova muito iluminadora para mim. Em primeiro lugar porque fizémos duas verticais, de Touriga Nacional e de Grande Reserva, onde estes últimos mostraram-se todos excelentes. Desde a sua primeira colheita, a de 2005, os Grande Reserva mostraram-se ainda cheios de vigor, com taninos ainda jovens e muito saborosos. Todos em excelente forma. O 2007 mostrou-se diferente dos demais, com muito carácter no perfil aromático e o 2009 promete ser um dos grandes vinhos do Douro. Os Touriga são também muito bons, no entanto, não mostram a complexidade e os taninos dos grande Reserva. Nestes, também o 2009 se mostrou num nível muito bem. Excelente prova e um produtor que está a dar cartas no Douro. Muito bem.


Durante a tarde, visitámos a Quinta de la Rosa, onde tivemos oportunidade de provar os vinhos da Casa, os Poeira, os Real Companhia Velha e ainda os Lavradores de Feitoria. Em suma, uma tarde em cheio.


Lavradores de Feitoria
Ainda me lembro dos vários vinhos lançados por esta marca, que compreende mais de 20 produtores, que se associaram. Sempre gostei dos seus vinhos e agora fez algumas alterações no estilo de alguns dos seus vinhos. Nos brancos, excita-me a qualidade dos seus 3 bagos, que apesar de serem bastante baratos, são vinhos que dão enorme prazer e são muitíssimo bem feitos. Grandes RPQ. O Meruge 2007, está um vinho completamente diferente no estilo que o viu nascer. Apresenta-se super fino, super elegante, mas cheio de sabor e decadência. Irresistível.
Num estilo mais austero, apresenta-se o Quinta da Costa das Aguaneiras 2008, que quer ser um vinho que mostra de certo modo a dureza do Douro, as suas dificuldades. Está um vinhão, que precisa de tempo. Por fim o Grande Escolha, que me pareceu neste edição, a de 2008, muito completo, aliando a elegância à profundidade, à opulência e à largura de boca. Belo vinho. Uma prova muito consistente.


Poeira
É-me difícil falar deste produtor, sem me entusiasmar. Não é por mero acaso que se trata de um dos meus produtores preferidos no Douro, e tudo por causa do fabuloso Poeira. Por falar nele, um "aviso à navegação", o Poeira 2009 é enorme e imperdível.
Feito o aviso anterior, segue aqui um outro, o Pó de Poeira branco 2010 é provavelmente o melhor que o Jorge Moreira fez até à data e como tal vai entrar diretamente para os meus preferidos. Na versão tinto, o 2009, mostrou-se também ele de nível superior, encurtando um pouco a distância para o seu "irmão", o que no meu entender não é nada fácil. Magistral trabalho nestas novas colheitas.


Quinta de la Rosa
Mais uma emblemática Quinta no Douro. Associado a um enoturismo de charme, os seus vinhos continuam a melhorar ano após ano, e a sua colheita de 2009 está melhor que nunca. O Quinta de la Rosa Reserva 2009 é um vinhão, que alia a concentração e os taninos muito jovens, a uma frescura pouco habitual neste vinho. Pareceu-me muito bem mesmo. O La Rosa 2009 está delicioso, a mostrar que não será necessário gastar muito para termos à nossa frente um vinho que nos dá imenso prazer. Nos brancos a coisa é diferente e acabei por não ficar tão entusiasmado, apesar de se terem apresentado muito bem.


Real Companhia Velha
Ora aqui está uma das provas que aguardava com maior ansiedade, para sentir o pulso a este gigante do Douro, ainda para mais já com o Jorge Moreira (Poeira, La Rosa) à frente da enologia da Casa. A prova acabou por ser um pouco ensombrada com alguma peripécias mas de uma forma geral deu para perceber que existe muita vontade e talento para melhorar. Alguns vinhos, nomeadamente nas gamas de entrada, como os Murça ou Evel, estavam muitíssimo bons e a mostrarem que vale a pena gastar o pouco que pedem por eles. Nos topos, os taninos jovens indicavam que são vinhos de guarda, vinhos que ainda o tempo os terá de amaciar. A Companhia parece estar a querer voltar aos seus tempos áureos. A seguir de bem perto.


Continua.....

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