sábado, 9 de janeiro de 2010

Quinta da Sequeira




Estive numa prova com os vinhos deste produtor que vou seguindo há algum tempo, apesar de não ser desde a sua primeira colheita, em 2001. A quinta começou em 1899, dedicada exclusivamente ao comercio do Vinho do Porto. Foram gerações que por ali passaram, sem que se vinificassem vinho tranquilos, até que em 2001, Mário Cardoso e a Esposa, decidiram inverter totalmente a posição, e dedicarem-se na totalidade a vinhos DOC Douro.
A Quinta da Sequeira situa-se no Douro Superior, a poucos quilómetros do apeadeiro do Vesúvio. São cerca de 15ha de vinha, alguma muito velha, a passar dos 100 anos, onde se podem encontrar as castas tradicionais do douro como a Touriga Nacional, Tinta Roriz e Touriga Franca, entre outras, no tintos e a Malvasia Fina, Gouveio, Códega e Rabigato, nos brancos.
Os vinhos começaram muito bem, com boas indicações por parte da critica especializada, e têm vindo gradualmente a subir de reconhecimento. A verdade é que uma marca não se faz de um dia para o outro e é necessário um trabalho firme, preciso e recorrente, para a manter ou subir de notoriedade. Aqui, nesta quinta, tudo é feito com verdadeiro sentido de grandeza. Faz-se o que se pode e com o que se tem, não há cá planos diabólicos de crescimento, custe o que custar, nada que possa deitar por terra um trabalho que já vem sendo feito por gerações.
A única possibilidade de crescimento poderá acontecer com a inclusão de Vinho do Porto no Portefólio, o que é de todo normal e previsível.


Os vinhos:


Quinta da Sequeira Branco 2008
Produtor - Quinta da Sequeira
Região - Douro
Preço - 9€
De uma bonita côr dourada, este vinho provem das castas Malvazia Fina, Gouveio, Códega e Rabigato que fermentou e estagiou em cubas de inox. No nariz não é muito exuberante mostrando apontamentos de fruta, alguma mineralidade e apontamentos de frescura que se associam a uma ligeira sensação de doçura.
Na boca é mais intenso, mostra cremosidade e uma acidez bem colocada. Nesta vertente da prova, mostra mais a sensação de doçura.
Não sendo um fervoroso adepto dos brancos com açúcar residual, confesso que este me agradou, talvez pelo contraponto que a acidez lhe dá. É um vinho equilibrado e que terá muitos adeptos.
Nota 15,5




Quinta da Sequeira Reserva Branco 2008
Produtor - Quinta da Sequeira
Região - Douro
Preço - 16€
De uma bonita côr dourada, este vinho provem de vinhas muito velhas, com cerca de 100 anos, e é feito a partir das castas Malvazia Fina, Gouveio, Códega e Rabigato que fermentaram e estagiaram em barricas de carvalho francês.
Muito bem no nariz, com intensidade. As notas de barrica são as primeiras a aparecer, mas sem qualquer exagero, Há aqui um bom trabalho com a madeira usada. Depois começas a aparecer algumas notas citrinas, de fruto em calda, baunilha e apontamentos minerais. Um conjunto de belo efeito e muito cativante. Com toda esta riqueza, ainda mostra frescura.
Na boca é volumoso e glicerinado, sugere novamente as notas de baunilha e minerais. Notável na acidez, que confere frescura ao conjunto e também no equilíbrio, apesar dos seus 14,5% vol. Se comprar com a versão anterior, que tinha a inscrição de Vinhas Velhas, está bem mais interessante, mantém o perfil musculado, mas parece ser mais fresco, mais equilibrado e mais trabalhado. Muito bem.
Nota 17


Quinta da Sequeira Grande Reserva Tinto 2005
Produtor - Quinta da Sequeira
Região - Douro
Preço - 35€
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Amarela, este vinho fermentou e estagiou em barricas novas de carvalho francês.
Opaco na côr. Provei-o logo após o seu engarrafamento e os dois anos em garrafa fizeram-lhe muito bem. O vinho mantém um perfil algo vigoroso e tenso mas muito mais . Já não está tão marcado pela madeira, aliás, pareceu-me que a madeira já estava muito bem integrada, não se dando muito pela sua presença. É a Touriga que marca passo, com notas violetas e folhas secas. A fruta aparece com sugestões a fruto preto maduro e ainda notas de especiaria.
Na boca é irrepreensivelmente um vinho viçoso, encorpado, num conjunto que reclama por comida, que esteja à sua altura. Pareceu-me bem identificativo do que é um Douro, do que é um vinho do Douro Superior. A acidez é vibrante e curiosamente, algo inesperado, possui um final longo, mas fino. Um vinho de muito sabor e equilíbrio, apesar do ímpeto.
Excelente, apesar do preço.
Nota 17,5

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Campolargo Reserva da Nação 2005

Hoje foi lançado um vinho muito especial, um vinho cuja data de lançamento e a efeméride a que está ligada, acabou por ser o mote para a criação deste mesmo vinho, que penso que já estivesse "na manga" há já algum tempo.
Carlos Campolargo, um dos nomes mais sonantes da Bairrada lançou hoje o Reserva da Nação 2005 tinto, neste ano de comemoração 100 anos da implantação da República. Curioso, ou não, foi o lançamento coincidir com o dia de Reis e no próprio rótulo encontrar-se a alusão à bandeira da Monarquia. Uma pequena "maldade" deste dinâmico e destemido produtor.



Trata-se de um vinho tinto da colheita de 2005, estagiado em garrafa por dois anos após igual período de permanência em madeira nova e usada (barricas de trezentos litros de carvalho francês). As castas Baga, Touriga Nacional, Tinta Barroca e Trincadeira da Bairrada, parcialmente fermentadas em conjunto e provenientes da nossa Quinta de Valle d'Azar, compõem o lote apresentado.
Deste vinho foram feitas apenas 3222 garrafas, que serão vendidas à porta da adega por um preço a rondar os 10€. Boas notícias portanto.

Bom, só falta mesmo é provar o vinho, e isso conto fazê-lo em breve.

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