quarta-feira, 26 de agosto de 2009

12 Alentejanos de Topo

Foi numa prova realizada na CVR do Alentejo, que tive oportunidade de rever alguns vinhos e provar algumas novidades de vinhos Alentejanos. A ideia era mostrar o que de melhor se faz no Alentejo, sendo obviamente uma amostra reduzida, uma vez que decerto o Alentejo tem mais vinhos de topo para mostrar.Por ordem de prova:

Herdade de Esporão Private Selection 2005
Marcado pelas notas de barrica, sem ferirem demasiado o conjunto. Cheio de intensidade, com notas de fruto maduro, notas minerais e de especiarias.
Encorpado na boca, com taninos muito finos e já muito bem integrados. Final muito longo.
Curiosamente o nariz sugere alguma paciência com o vinho, mas já se encontra bem resolvido na boca. Belo Vinho.
Nota 17,5


Paulo Laureano Alicante Bouschet 2005
É daqueles vinhos em que tudo está em excesso. O fruto é muito maduro, com notas de ginja e de cereja preta, parece tudo muito levado ao extremo. Aparece também com pendor muito mineral.
Muito poderoso na boca, encorpado com taninos firmes e poderosos. Final longo e pujante.
É daqueles vinhos que, não indo de encontro às minhas preferências pessoais, não podemos desconsiderar. É bom vinho, não haja dúvidas, mas para quem gosta de emoções mais fortes. Finalmente, tenho algumas reticências quanto a uma guarda prolongada.
Nota 16,5


Casa Santa Vitória Reserva 2005
Aroma muito floral a marcar o inicio da prova, coadjuvado com o fruto maduro e alguma sensação de frescura. Muito equilibrado e cativante.
Muito bem, na boca, a mostrar equilíbrio, com taninos sedosos e resolvidos, com um final longo.
Nota 17


Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2005
Na minha opinião, o melhor da prova. Este vinho impressiona em todos os aspectos. Belo no aroma, com extrema definição e precisão. Fruto maduro, licor, especiaria. Intensidade, profundidade e densidade.
Na boca ainda muito jovem, robusto e imponente apesar de mostrar um conjunto cheio de fineza e classe. Final muito longo.
Nota 18,5


Herdade da Malhadinha "Malhadinha" 2006
Vinho muito perfumado, com algumas notas de barrica, notas florais e licoradas. O vinho em si é algo quente, mas mostrava bafos de frescura bem curiosos.
Na boca todo ele é sabor e sedução. Apresenta-se com os taninos redondos e sedosos, que acompanham um final ligeiramente vegetal e longo. Está num momento fantástico para se beber.
Nota 17


Dona Maria Reserva 2005
Intenso no aroma, com notas de fruto negro, notas minerais e com algum tempo notas florais. Equilibrado e enormemente sedutor no nariz.
Saboroso na boca, novamente intenso. Fino e muito expressivo. Final longo. Belíssimo vinho.
Nota 17,5


Herdade do Zambujeiro "Zambujeiro" 2004
Ainda muito jovem. Na nariz mostra a tal vertente especiada e com alcaçuz, que sempre encontro neste vinho. Aparece o fruto negro e ainda a presença de algumas notas de barrica por integrar. O conjunto é profundo.
Ainda mais jovem na prova de boca. Potente, encorpado e com taninos ainda muito presentes.
Ainda precisa de tempo.
Nota 17,5


Quinta do Carmo Reserva 2004
Muito fechado no nariz. Pouco dialogante e expressivo. Lá se arrancavam umas notas de fruto.
Muito melhor na boca, mas ainda assim, os taninos eram demasiado marcantes. Pareceu-me madurão. Não se mostrou nada bem.
Nota 15,5


Herdade do Monte da Cal Vinha de Saturno 2004
Aroma muito estranho. Fechado, algumas notas minerais e de resto tudo tapado com notas de aromas animais.
Boca com muito sabor, mas condicionada pelo retrogosto com as lembranças animais. Gostei dos taninos do vinho. Finos e expressivos. Final longo
Deste vinho foram abertas 2 garrafas, que se mostraram na mesma condição.
Nota 16


Vale do Ancho 2004
Rico no aroma, com notas de fruto maduro, torrefacção e mina de lápis. O vinho é equilibrado, algo quente, mas pouco sedutor.
Boca com taninos redondos, bom volume e densidade. Muito bom vinho, mas falta-lhe alguma garra e excitação.
Nota 16,5


Cortes de Cima Reserva 2004
Muito complexo. Delicioso na fruta, nas notas de especiaria e no completo equilíbrio na madeira. Este é daqueles vinhos que têm tanto sabor, que é difícil não ficarmos apaixonados. No entanto fico sempre com a sensação de que a linha que divide um vinho de muito sabor a um vinho enjoativo é muito ténue.
Não sendo tão rico, como a versão de 2003, este acaba por ser mais equilibrado e mais fino.
Boca novamente cheia de sabor que assenta na riqueza do fruto e na expressividade do conjunto. Final longo.
Nota 17,5


Herdade do Mouchão "Mouchão" 2003
Começou muito discreto. Com o tempo abriu para um vinho cheio de intensidade, denso no fruto, nos aromas da barrica e nos aroma vegetais. Aroma cheio de profundidade.
Apresentou-se delicioso na boca, cheio, rebelde mas equilibrado. Taninos ainda presentes mas com carácter e fineza. Final muito longo e equilibrado.
Nota 17,5


Assim foi uma prova dos chamados topos de gama da Região do Alentejo. Existem grandes vinhos a nascer no alentejo. Uns com melhor relação Qualidade/Preço que outros mas o que é certo é que a maioria dos topos do Alentejo, nem todos como se pude observar, estão muito bem e recomendam-se.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

E foi assim há 214 anos......


Já contava as semanas, os dias, as horas para o chegar deste dia. Cheguei a sonhar com o momento. A ansiedade, o nervosismo, a antecipação, tomavam conta de mim. Não era caso para menos, pois ia satisfazer um sonho de há muito. Beber um madeira do Séc. 18.
Ainda mesmo antes do evento, para mim solene, de beber um vinho histórico, pesquisei o que se passou pelo ano de 1795, o ano em que nasceu este vinho, um Real Vinícola da Madeira Terrantez 1795.
Em Portugal era D. João VI, O Clemente, que como regente, em virtude da doença de Sua Alteza Real D. Maria I, governava Portugal. Na Europa fervilhavam as revoluções, e em França, morria Luís XVII, filho de Maria Antonieta, com apenas 10 anos. Em breve iniciaria-se a era Napoleão Bonaparte. Enfim, foi há 214 que nasceu este vinho.
Estava chegado o dia. Cada um dos presentes, todos amigos, tinha a missão de trazer algo especial, que pudesse acompanhar o actor principal da noite, também ele trazido por um dos presentes. Uma noite inesquecível....





Começávamos, ainda com luz solar, com o Champagne da praxe. O eleito foi um Billecart Salmon Blanc de Blancs 1998. Que bela maneira de começar. O vinho nem parece já ter 11 anos. Jovem, muito jovem, ainda muito primário e explosivo na boca. É bom que se farta, mas precisa de tempo para ganhar muito mais.
Sem mais demoras, e já com o primeiro prato às mãos, veio um duelo, às cegas. Leoville las Cases 92 vs Chateau Montelena Cabernet Sauvignon 92. Apontámos quase todos, no caso do Leoville, para anos 80. O vinho estava algo evoluído, mas mostrava uma fineza, uma precisão invejável. Já o Montelena, menos evoluído na cor, mostrava-se um vinho quente, algo bruto, mas ainda assim, equilibrado, vivo e com enorme potencial. Gostei mais do Leoville, pelo momento perfeito em que se encontra para ser bebido, no entanto o Montelena, pareceu-me que terá um futuro mais brilhante.



Chegava um Foie Gras, e com ele o primeiro fortificado da noite. Uma entrada triunfal do grande Noval 1880. Impressionante a jovialidade, o sabor, o final quase eterno num vinho fino, delicado, mas cheio de nervo e profundidade. Foi simplesmente mágico beber este vinho.



Após algum tempo de conversa e deleite pelo vinho anterior, chegava a altura dos brancos. A ideia era começar com um Champagne Perrier Jouet de 64, mas este, estava completamente imbebível. Assim, partimos para os brancos secos. Às cegas, chegou o primeiro. Um Domaine Gauby Vieilles Vignes 2004. Que bela surpresa. Apostei na Borgonha. O vinho tinha um equilibrio notavel, uma mineralidade evidente e algo de etéreo, apesar de ainda estar muito jovem e fechado. Muito bom. De seguida, dois brancos de renome. Um Coche-Dury Mersault 2000 e um Roulot Mersault-Perriéres 2001. Se por um lado o Coche-Dury apresentou uma má garrafa, muito evoluída, com notas caramelizadas e uma boca chata, que evidenciava um problema, comparativamente às anteriores que provei, o Roulot, encheu-me as medidas. O vinho tem tudo: tem elegância, tem intensidade, tem mineralidade, tem precisão, tem charme, tem profundidade, tem sabor e tem nervo. Impressionante este vinho.



Três tintos se seguiam na continuação da noite. Vieram os dois primeiros, um Chateau Le Gay 88 e um Domaine Dujac Charmes Chambertin 95. O Le Gay, foi o vinho que mais conversas gerou. No primeiro impacto exclamei que se tratada de novo de um Bordéus. De repente, fecha-se em copas, e começamos a divagar a sua origem. Não me impressionou especialmente, este vinho, mercê de alguma falta de profundidade, de intensidade. O oposto do Dujac. Mais uma vez, a emoção de provar um grande vinho. Sinto alguma vaidade por ter acertado no produtor. O seu perfume é inconfundível (já tinha bebido este mesmo vinho 2 meses antes). Ligeiro volátil no nariz e uma sensação de confusão, marcam o de inicio, o aroma deste vinho. O vinho começa então a desabrochar, a tornar-se cada vez mais limpo, cada vez mais preciso, cada vez mais expressivo. Podia passar horas e horas a cheirá-lo. Elegante, profundo e sedutor. Que mais se pode querer num só vinho. Melhor que isto só mesmo......:). A terminar a série veio um Batuta 2001. Em forma, e para mim, o melhor Batuta.




Port time.....Aqui tivemos um frente a frente, em espécie de tira teimas. Já por várias ocasiões se falava neste confronto, por muitas vezes se "encostou o enólogo à parede" a fim de tirar satisfações. No mínimo foi elucidativo. Ora aqui tínhamos um Fonseca Guimaraens Vintage 76 e um Fonseca Vintage 77. O Fonseca 76 é um dos grandes portos que já tive oportunidade de beber e não consigo ficar indiferente a este vinho cada vez que o bebo. O Fonseca 77, de um ano clássico, de um ano maior, sempre foi também um vinho que adorei, sem no entanto alguma vez o ter provado junto com o seu rival de hoje. Não foram fáceis as conclusões, no entanto, para mim, acabou por, "ganhar" o 77. É quase a história da Bela e do Monstro entre um vinho delicado, fino, elegante, expressivo e profundo contra um outro possante, denso e volumoso. Duas versões distintas, de dois grandes vinhos.



Decantado há cerca de 5 horas, esperava por nós o Rei da festa. falava-se muito e de muita coisa, parecendo que ninguém se sentia com coragem para o chamar. O anfitrião deu a palavra de ordem. Um simples "vá"!!! E já se corria para escorrer o precioso liquido para os copos. Aquando da sua abertura, todos o provámos, ficando desde logo uma total ideia de que teríamos algo grande. Para mim, que estava ansioso, sem saber o que esperar, apenas almejando ter a fortuna que outros já tiveram em vinhos tão antigos, a minha primeira impressão foi de alívio. Reconhecia-lhe pedigree, mas já estava decantado há 5 horas. Teria-se desmoronado? Era a altura de ver como estava. O primeiro impacto caía que nem uma bomba. O vinho estava mais expressivo, mostrava enorme exotismo e frescura. Sem pensar levei-o à boca. Monumental. Tornou-se mais espesso, mais saboroso, mais vivo e fresco. Faltavam-me palavras e sorria de alegria, para não chorar. Um episódio que jamais esquecerei. Estava perante um vinho monumental, que nasceu há 214 anos, e que ainda por cima nasceu no meu país. Inesquecível.

Foi uma noite única, pelo alinhamento dos vinhos, uma noite de sonho, por ter tido finalmente a honra de beber alguns deles, mas sinceramente que todos estes sentimentos, todas estas emoções, tiveram um sabor muito maior, muito mais especial, por tê-los partilhado à mesa com amigos, de quem gosto muito. O vinho é mesmo isto, partilha de emoções. Novamente..... Inesquecível.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Volta a Portugal em 3 dias - Quinta de La Rosa




Ainda não estávamos refeitos da noite anterior, que terminou já depois das 3h da manhã, e já estávamos de saída do Hotel Vintage House, no Pinhão, a caminho da Quinta de La Rosa. Com algum atraso, mesmo, assim, lá chegamos à quinta, que se situa apenas a 3Km do Pinhão.
Para nos receber, estava já pronta a Sophia Bergqvist, que é nada mais nada menos, que a actual administradora da Quinta e bisneta do fundador da mesma. O Douro estava lindo, sem pinga de nuvem, com um calor matinal a prometer. A Sophia parecia também ela estar radiosa e bem disposta, pois recebeu-nos com uma enorme simpatia, que aliás lhe é característica. Tudo nos conformes para uma visita de sucesso e plena de interesse.


Começámos com a história da Quinta, onde fomos-nos apercebendo dos altos e baixos da família Bergqvist e os altos e baixos da Quinta, que quase sempre coincidiam com as graves crises económicas pelo qual o mundo passou. A meninice de Sophia foi passada ali, naquele lugar, que tem uma enorme magia, mercê da história que respira, basta ver o museu que é a Quinta de la Rosa, e também da vista exclusiva, como poucas quintas poderão alguma vez ter. Na altura, o que hoje é asfalto, era poeira, o que hoje é limpo, era sujo, no entanto, tal como nos confidenciou, havia sempre algo que a chamava para o Douro, havia já o chamamento para o seu destino, que já estava traçado há muito. Uma Consultora, que ganhava muito dinheiro, acabou por ser chamada para gerir a quinta da família. Não deve ter sido decisão nada fácil, pois por um lado o apelo forte do dinheiro, a vida já feita e prospera, mas por outro o coração, a paixão e o dever para com os seus antepassados. Começou obviamente por ser difícil, mas a sua paixão por aquela Quinta, por aquele Rio, e por aqueles vales, acabou por falar mais alto.
Bem haja, pois hoje é uma das poucas mulheres, de "Barba Rija", que governam os destinos de casas emblemáticas no Douro.

Um autentico museu é o que poderíamos chamar ao interior das habitações da Quinta de la Rosa. Cada canto, cada divisão está repleta de história da família. Ali, tudo é guardado com o maior carinho e devoção, desde a colecção de livros, passando pela mobília histórica e terminando na extraordinária varanda de cortiça, com uma incrível vista para o douro, que o avô de Sophia ofereceu à sua mulher. Cada passo que se percorre nestas casas, confunde-se com a própria história do Douro Vinhateiro. O meu primeiro apelo é realmente, para que quem nunca visitou, não hesite em entrar no espaço histórico da Quinta de la Rosa. Monumental.
A adega ainda mantém os traços dos tempos idos, onde se contam os velhos tonéis de vinho do Porto, o espaço reduzido de trabalho, mas que vai chegando para a encomendas e os lagares entretanto já adaptados a novas eras.
Muito bonita esta Quinta de La Rosa, que curiosamente já lá tinha estado, mas não tinha tido a oportunidade de a varrer a pente fino. Deslumbrante.

Passámos aos vinhos, obviamente, que a vontade já apertava. Acabámos por provar as novidades da casa, da ultima colheita.
A Quinta de la Rosa é daquelas quintas que tem uma matéria prima invejável, no entanto nada se faz sozinho, e no caso da la Rosa, existe um maestro, de seu nome, Jorge Moreira, que conduz, o destino dos vinhos desta casa.
Começámos pelos brancos, onde o Dourosa 2007 se mostrava bem fresco, bem apetecível, com notas vegetais e de citrinos. Por outro lado o Quinta de la Rosa 2008, mostrava-se fresco mas com uma excelente estrutura e equilíbrio. É um vinho mais sério, um vinho onde a barrica está cada vez mais afinada e cuja frescura e acidez mostram um vinho com possível guarda para os próximos anos. Muito bem feito e saboroso. Gostei bastante.

Nos tintos, o Pó de Poeira 2006, do Jorge Moreira, abria o caminho. Um vinho com um aroma fantástico e cada vez mais bem definido, onde sobressaem as notas florais, de frutos maduros e apontamentos minerais. Um vinho intenso, quanto rebelde. Mostra a natureza das vinhas mais jovens. Um vinho de irresistível sabor, um pouco quente, mas que não belisca o conjunto.
De volta aos vinhos da Quinta, foi a vez do La Rosa Reserve 2007. Mostrava-se um pouco fechado ainda, no entanto, as notas minerais, o fruto maduro e as notas de barrica mostravam o que nos vai aparecer dentro de alguns meses. Um belo vinho. O equilíbrio já é notório, e o final longo afiança a qualidade. Excelente.

Nos portos, o Vintage 2007, era o que mais aplausos agarrava. Está muito bem, com as suas notas de fruto preto bem maduro, licor, notas florais e as invocações minerais. Pareceu-me um perfil mais doce, mas equilibrado.
Parece estar já bem disponível para a prova, mas tem austeridade, taninos e estrutura para as próximas décadas. Muito bem.

sábado, 1 de agosto de 2009

Volta a Portugal em 3 dias - Parte 1

Não, não se trata da conhecida volta a Portugal em Bicicleta. Tratou-se sim, de uma viagem com principal tema, os vinhos Portugueses. Conseguimos em 3 dias visitar quase todas as regiões vitivinícolas Portuguesas e provar os vinhos destas. A comitiva era internacional, composta por 3 Portugueses, 2 Ingleses (Tamlyn Currin e Richard Siddle, da Jancis Robinson Team e Harper's Magazine, respectivamente) e 1 Brasileiro (Guilherme Rodrigues da Revista Gosto). Foi uma experiência alucinante, frenética e divertida. Para mim ainda teve uma dose mais de stress, uma vez que fui quem estruturou e organizou o programa das visitas e tinha de andar sempre preocupado com os horários. No entanto, acabou por ser uma experiência divertida, cheia de humor, de ocasionais gargalhadas (ahhh grande humor britânico) e obviamente de cansaço à mistura.
A ideia foi de mostrar um pouco do melhor que se faz por Portugal. Obviamente que tantos produtores teríamos de visitar, tantos vinhos teríamos de provar, para que a amostra do que de melhor se faz por cá, fosse completa. Missão impossível em apenas 3 dias.
Ainda antes de iniciarr-mos o periplo, foi-me perguntado, pelos Ingleses, o que eu esperava deles nesta visita. Eu respondi apenas, que se divirtam, que abram a mente e recebam os nossos vinhos. Não quis reportagens, não quis notas de prova, apesar de saber que afinal e-lhes impossivel não o fazer, apenas que se divertissem com os nossos vinhos, com as nossas paisagens. É assim que deve ser o vinho, um motivo de alegria, de bem estar. Foi mesmo assim que passamos todos estes dias. Cansados mas alegres e felizes.

Começámos no dia 27 de Julho, pelo Norte, mais propriamente pelo Douro. Saídos pelo final da tarde, a nosso destino, e único neste dia, seria a Quinta do Crasto. Atraso para aqui e para ali, acabámos por chegar à Quinta, já perto das 23h. Coitados dos anfitriões, que esperavam por nós. Infelizmente as viagens em grupo têm destas coisas, quase incontroláveis. No entanto lá estavam o Pedro Almeida e o Tomás Roquette, à nossa espera, com um sorriso para nos receber. A noite estava óptima, calorosa e amena, o breu já espalhado totalmente, circundava o Crasto e não permitia vislumbrar aquela vista maravilhosa. Os escassos reflexos do Rio Douro e a sombras da habituação da nossa vista ao escuro só permitiam ver os contornos das curvas do Douro. Melancólico mas ao mesmo tempo uma sensação de algo imponente, pela nossa frente.
A visita começou com uma prova, nocturna, das ultimas colheitas. Provaram-se os vinhos que estão no mercado e os que se aprestam a sair em breve. Crasto 2008, Crasto Vinhas Velhas 2007, Maria Teresa 2007, Vinha da Ponte 2007, Crasto LBV 2005 e Crasto Vintage 2007.
Foi uma bela maneira de começar, por uma casa onde tudo o que se faz, faz-se muito bem. Voltei a provar os vinhos de 2007 (escrevi há pouco tempo aqui) e mantenho a minha percepção da altura. No entanto, ao voltar a provar o Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2007 reparei que já estava menos floral, apresentando já alguns vestígios das notas de café, que tanto o caracterizam. Impressionante a maneira como os vinhos evoluem, são realmente algo vivo.
Dos que não tinha provado, destaque para o Crasto 2008, que está em forma. Apresentava um aroma sedutor de frutos maduros, mirtilhos, laranja e prestações florais. Redondo, saboroso, com taninos macios. Pelo preço, e pela quantidade é caso para dizer, "Melhor é Impossível".
Nos Portos, o Vintage 2007 surpreendia. Um Vintage com um aroma maduro, de passas, de ameixas pretas, com notas florais. Fresco. Depois uma boa concentração, taninos muito presentes mas saborosos e um final bem seco. Muito bem, belo Vintage
Por fim o LBV 2005, num registo diferente, com um perfil aromático também ele maduro, redondo mas cheio de sabor e intensidade. Um vinho bem guloso que está pronto para ser "devorado".
Acabava a prova e era servido o jantar tardio, qual ceia, com uma volta por colheitas antigas, em garrafas magnum. Voltei a provar o Touriga Nacional 2005, que se mostrou novamente mágico. Uma das excepções que me levam a pensar na Touriga a "solo". Veio o Maria Teresa 2005, que acaba sempre por arrebatar os presentes, eu incluido. É a "Claudia Schiffer" dos vinhos portugueses. Passámos pelo grande Vinha da Ponte 2004 e terminámos com o fabuloso Colheita de 1970. Terminámos pelas 3 da manhã, mas ainda havia vida, ainda havia vontade de ficar mais um pouco de volta dos vinhos e dos anfitriões. Belíssima noite.

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