sábado, 31 de maio de 2008

Dia 1 (17 de Maio) - Parte 3 de 3

O próximo e ultimo cliente estava apenas a 5 minutos da adega de Luís Pato. Se por um lado estão bem perto um do outro, em termos de visão, uma enorme distância os separa. Deixamos então o reino da Baga e passámos para a nova Bairrada. A bairrada de Carlos Campolargo.
Chegados a uma magnifica e imponente adega, iniciamos a visita pela mega estrutura. Tudo pensado ao pormenor, ali o objectivo é um tratamento especial desde a chegada da uma até ao ultimo minuto em que se deitam as garrafas para serem comercializadas. Com uma fantástica vista sobre algumas das vinhas, lá fomos subindo andares até chegar ao local da prova de vinhos:

Os vinhos de Campolargo:


Brancos


Entre II Santos 2007
Muito aromático. Nariz do Sauvignon que se encontra em esmagadora percentagem. Muito fresco e de bom equilíbrio. Para o preço pedido por ele....muito bom

Campolargo Bical 2004
Ainda mostra muita baunilha mas já esta complementado com notas petroladas, e sensações vegetais. Boca de bom volume com curiosa sensação de salinidade. que me achei no minimo interessante. Gostei

Campolargo Arinto 2007
Ainda se encontra algo marcado pela madeira onde estagiou. Precisa de tempo para melhor integração, aliás só há bem pouco tempo foi engarrafado. Ainda que possa ter predominância da madeira, na boca mostrou-se bem mais fresco e de boa acidez. Esperemos por ele.

Campolargo Verdelho 2007
Um novidade deste produtor. Quase uma experiencia dado que a produção vai ser quase inexistente. Ainda sofria pelo engarrafamento. Muito fechado, teimava em libertar tudo o que ele parece ter. Boca com belissima acidez e frescura. Será bem melhor. Eu vou querer provar mais tarde.

Pinote 2007
Outra novidade. Feito de Bical, Arinto, Verdelho e Viognier. Muito aromático e frutado, com a Viognier a marcar o ritmo.
Fresco, intenso e com final longo. Boa acidez. Espero por ele


Tintos

Entre II Santos 2004
Aroma de fruto maduro e com algumas notas de armário.
Boca redonda com taninos ligeiramente eriçados, no final.

Entre II Santos 2006
Fruto Silvestre, Especiaria. Jovem na boca. Vinho que pede para já alguma comida para o acompanhar. Boas RPQ

Vinha do Putto 2005
Aroma marcado pelo Cabernet Sauvignon. Notas de pimento e de fruto vermelho. Bem na boca. Redondo e frutado. Gostei

Termeão Pássaro Branco 2005
Aroma frutado acompanhado com flores e especiarias. Boca quente com taninos bem presentes.

Termeão Pássaro Branco 2006
Tal como o anterior mas deste feita muito mais floral e com maior intensidade aromática. Boca algo rebelde, com taninos muito presentes. Virá a melhorar.

Termeão Pássaro Vermelho 2002
Apresenta já alguma evolução. O Cabernet parece marcar o conjunto. Muito bem na boca, apresenta-se cheio de vigor ainda. Taninos ainda por polir.

Termeão Pássaro Vermelho 2006
Intenso, muito intenso. Notas florais, fruto muito maduro. Boca de grande intensidade com notas especiadas e de fruto. Final longo. Muito bom

Campolargo 2005
Feito de Pinot Noir (90%) e de Baga (10%). Aroma muito discreto. Elegante este vinho, mostra notas de fruto silvestre que acompanham alguma especiaria.
Boca muito delicada e elegante com notas de fruto confitado.

Campolargo 2004
Feito apenas de Pinot Noir. Muito elegante, este vinho mostra as mesmas tendencias aromáticas que o vinho anteriormente descrito.
Na boca é mais elegante e mais delicado. Como já tive oportunidade de verificar, este vinho muda muito desde que se coloca no copo. É complexo e muito interessante. Eu gosto muito deste vinho

Vinha da Costa 2005
Uma aroma rico é o que distingue este vinho. Fruto Maduro, Especiaria e notas de boa barrica. Vinho com bom equilibrio no nariz e na boca. Elegante.

Vinha da Costa 2001
Ainda com muita intensidade. Não parece mostrar notas de evolução precoce e parece estar a evoluir em sentido positivo.

Rol de Coisas Antigas 2005
Este é sempre um dos meus preferidos. Não consigo deixar de gostar deste vinho, prova após prova. O seu lema é a complexidade que apresenta no nariz e uma certa potencia e rusticidade na boca. Um belo vinho no meu entender.

CC 2004
Muito intenso no aroma, com notas de fruto maduro, algum vegetal e especiaria. Boca de bom porte e com taninos bem integrados e polidos. Gostei

Diga? 2006
Aroma de fruto maduro, fumo e sensações minerais. Boca de excelente porte, cheia, intensa e com interessante frescura. Belo vinho

Diga? 2004
Mantém o perfil do anterior mas penso que será bem mais potente. Não me parece ainda estar no ponto óptimo de consumo. Mostra uma boca ainda muito jovem

Calda Bordaleza 2006
Um portento de vinho. Notas de fruto muito maduro, muito mineral. Tudo é muito intenso neste vinho. Precisa de ser decantado e sobretudo precisa é de tempo em garrafa. Belo vinho

Calda Bordaleza 2004
Mantém de certo modo a intensidade que tinha quando "nasceu". no meu entender ainda não perdeu toda aquela extracção que o caracterizava. precisa ainda de algum tempo para conjugar tudo. Na boca pareceu-me muito bem, apesar de tudo.


Esta prova foi a prova de que a bairrada não é só Baga, a prova de que muitas castas podem ter resultados fantásticos onde menos se espera. No meu entender, este postura de experimentação é de todo saudável a uma região como a Bairrada. Há espaço para a Baga mas também para todas as castas que tenham bons resultados. Aqui invoco mais uma vez a capacidade dos vinhos brancos bairradinos. Quanto a Campolargo, que se mantenha firme nas suas convicções, pois é autor de belos vinhos e sobretudo de belas relações entre o preço e a qualidade. E isso meus amigo, é muito importante nos dias que correm





quarta-feira, 28 de maio de 2008

Dia 1 (17 de Maio) - Parte 2 de 3

Já longe de Arouce, era a vez de iniciarmos a visita à região da Bairrada. A primeira adega a que visitaríamos iria ser em Ribeira de Gândara, o Quartel-General do Sr Baga, Luís Pato. Uma vez que por esta ocasião poderiamos fazer uma dupla visita, estava também, obviamente, presente a jovem talentosa, Filipa Pato.
Após uma pequena visita ao interior da adega, fomos brindados com uma prova fantástica e extremamente didáctica. O que se fez, o que se faz, e o que se pensa fazer, poderia ser o titulo de introdução deste magnifico alinhamento. Estavam presentes os seguintes vinhos:

Brancos


Luís Pato Vinhas Velhas 2007

Já o tinha provado em outra ocasião neste Blog. Está neste momento a melhorar a olhos vistos. Parece tender para uma certa elegância. A acidez garante frescura e é a sua maior aliada. Muito equilibrado.

Luís Pato Maria Gomes 2007
Também este parece estar bem melhor. Não foi um vinho que me tivesse agradado muito da primeira vez que o provei, mas pelo preço que se pede por ele, trata-se de uma grande RPQ. Não é isso mesmo que todos procuramos dia a dia?

Luís Pato Vinha Formal 2007
Não me canso de adorar este vinho. Acredito piamente nos brancos Bairradinos. Este Formal 2007 é absolutamente fantás
tico. Está ainda algo fechado mas garanto que o potencial que encerra parece-me ser enorme. Frescura e equilibrio são a "espinha dorsal" deste vinho.

Luís Pato Vinha Formal 1998
Aromas de oxidação dominam inicialmente o aroma deste vinho. Já são 10 anos de Vinha Formal e este foi o primeiro deles. Com algum arejamento desvanece um pouco o cariz oxidado. A boca segue de perto o que se encontrou no nariz, no entanto garanto-vos que consigo retirar ainda muito prazer deste vinho.


A vez da Filipa Pato:



Nossa 2007
É uma novidade e uma uma surpresa. Este é um vinho feito a dois entre Filipa Pato e William Woulters (Escanção e Proprietário do Restaurante/Winebar Pazzo, em Antuérpia). Feito a partir das Castas Encruzado e Bical. Para já pareceu-me ser o Encruzado a comandar as operações, no nariz. Notas vegetais e anisadas emanavam de um aroma bastante interessante. A boca tem excelente acidez. e um fantástico sabor. Adorei este "Nossa".


Filipa Pato Ensaios 2001
Já com bastantes aromas de oxidação. São as notas de caramelo que dominam por completo o aroma deste vinho. A Filipa Pato quis mostrar, espero que orgulhosamente, o seu primeiro Ensaios branco. Serviu para vermos o quanto ela vem melhorando desde essa altura.


Tintos


Luís Pato Qta do Ribeirinho Pé Franco 2005
Muito jovem este vinho, no nariz. Aroma complexo com notas de fruto maduro, muita especiaria e intenso herbáceo.
Na boca curiosamente não é o "monstro" que o nariz queria fazer anunciar, no entanto parece-me longe, muito longe, do momento ideal de consumo. Belo Vinho.

Luís Pato Vinha Pan 2001
Intensidade de no fruto e na Especiaria que a
presenta. Boca ainda muito jovem e com bastante adstringência.

Luís Pato Vinha Barrosa 2001
Intensidade aromática incrivel. Complexidade estrutura, joventude, e um vinho com um final excepcional. Grande vinho. Para mim, do melhor.

Luís Pato Qta do Ribeirinho Pé Franco 2001
Não me pareceu ter a intensidade do Barrosa. Também muito jovem e com um belo final. Está ainda longe do seu melhor ponto. Belo vinho também.


Luís Pato Vinha Barrosa 1997
Ao contrário dos Barrosas anteriores, este 97 pareceu-me já estar bem pronto para ser consumido. Aliás, considerando o vinho em questão pareceu-me pronto demais. A altura de deixar a juventude e iniciar o envelhecimento parece estar a dar-se num ritmo acelarado. Em breve estará na plenitude pois os taninos parecem ainda querer aguentar-se.


Luís Pato Vinha Barrosa 1995
Já está no seu melhor, ou em alguns casos, se a guarda não tiver sido a melhor, poderá já estar a ficar longo do ponto óptimo de consumo. É sem duvida um belo vinho mas iniciará depressa a sua curva descendente.

Luís Pato Vinha Pan 1995
Pareceu-me ter ainda mais vida pela frente que o barrosa. Está neste momento mais intenso e com menos notas oxidativas.


Luís Pato Qta do Ribeirinho Pé Franco 1995
Bem, este é o primeiro Pá Franco produzido. E que estreia....Um vinho enorme este 95. Complexo que baste, apresentou doses decadentges de muito fruto maduro, azeitonas, eucalipto. Boca com alguma adstringencia mas de um final monumental. Com algum arejamento iria com toda a certeza melhorar e melhorar. Fantástico

Luis Pato 1988 Vinhas Velhas
Não me pareceu muito exuberante nem intenso. Talvez a abertura da garrafa tivesse libertado muitos anos de garrafa. No entanto, para um vinho com 20 anos, pareceu bastante jovem na boca.

Luís Pato 1985
Mais fresco que o 88, este vinho parece ter uma vivacidade fantástica. São notas de verniz e notas mentoladas que se destacam. Um vinho já há muito que está feito, mas penso dar boa conta de si.

Luís Pato 1980
É para mim um momento sempre de alguma nostalgia quando provo o primeiro vinho de um produtor. A no caso do Luis Pato, quando tem Quase 30 anos de carreira, sinto-me ainda mais honrado. Este primeiro Luis Pato apresentou-se cheio de vivacidade, um vinho com inegável frescura, aromaticamente muitissimo interessante. É bom quando se recordam os velhos tempos. Gostei muito de o ter provado.



A sensação com que fiquei foi, que os vinhos do Luís Pato são essencialmente vinhos que merecem e podem ser guardados por muitos anos. São excelentes vinhos, disso não tenho a menor dúvida, mas que precisam de uma aproximação muito cuidada para quem não conhece a casta Baga. Vinhos bons à mesa, que necessitam sempre de decantação prévia.


Apòs uma prova destas, aliás uma retrospectiva de uma carreira, fomos brindados por um belissimo almoço. O almoço foi obra de um Chefe que até há data desconhecia mas que nos presenteou com um almoço fantástico.
O autor foi o Chef Jorge Fernandes que lecciona na Escola de Hotelaria de Mirandela, e que apresentou-nos a sua visão de um almoço tradicional mas com fantástica dose de criatividade. Espero ouvir falar dele mais vezes e muito em breve.

Aqui ficam algumas imagens do almoço:



Em Cima: Uns Amuse Bouche, uma Versão de Caldo Verde e Sardinha Marinada


Um Fantástico Bacalhau à Brás. Yummm


Como não podia deixar de ser, um Leitão da Bairrada. Molto Buono

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Dia1 (17 de Maio) - Parte 1 de 3

As visitas começaram neste dia e foram compostas sempre por 3 produtores por dia. Tirei notas sobre os vinhos que provei, mas são notas pequenas de modo a traçar um perfil dos mesmos. Obviamente que gostei mais de uns do que de outros mas não colocarei qualquer pontuação nos vinhos.

Quinta de Foz de Arouce


Já há alguns dias que ansiava por iniciar esta aventura. Na noite anterior a esta visita nem tinha dormido. Acordei em Peniche, bem cedinho e lá me coloquei em marcha para Coimbra, a fim de ir buscar o Mark Squires.
A caminho para Foz de Arouce, um caminho de muitas curvas de estrada em bom estado, fui descobrindo uma zona por onde nunca tinha estado.
Se por um lado , hoje em dia, é bem mais fácil encontrar determinada localidade, graças à tecnologia GPS, por outro, será sempre mais difícil, sem coordenadas, encontrar o local propriamente dito. Mas na pequena Foz de Arouce, existe um casa, um palácio, que se destaca entre os demais e de imediato percebi que seria naquele edificio antigo e de fachada nobre, que seria o local onde deveriamos estar.
Chegados ao local, fomos recebidos pela dona da casa, que nos encaminhou para o local da prova. Uma vez no local, já dentro de casa, fomos recebidos pelo Conde de Foz de Arouce, João Filipe Osório, por seu Genro, Luis de Castro e pelo enólogo da casa, João Vidal.
Feitas as apresentações, de imediato passamos às provas dos vinhos:

Brancos


Quinta de Foz de Arouce Branco 2005
Um branco de respeito. Cheio de notas petroladas, muito mineral e fresco. Boca com bela acidez e final longo. Já tinha provado em várias ocasiões e parece-me que ainda tem bons anos pela frente.

Quinta de Foz de Arouce Branco 2006
Mantém o perfil do seu antecessor, mas talvez com um pouco menos frescura e intensidade. Pareceu-me manter a mesma capacidade de envelhecimento.

Quinta de Foz de Arouce Branco 2007
Uma amostra de uma vinho que ainda se está a fazer. Muito fresco, muito citrino, muito mineral. Parece-me que vem ai coisa muito boa. Aguardemos....


Tintos

Quinta de Foz de Arouce 1989
Uma estreia para mim. Ainda com muita fruta, complexo e com uma invocação óbvia a bordéus. Boca elegante e ainda com bons taninos. Fantástico

Quinta de Foz de Arouce 1991
Está muitíssimo bem. Fresco, com certa jovialidade e interesse. Um dos melhores.

Quinta de Foz de Arouce 1992
Pareceu-me fugir um pouco da qualidade dos anteriores. Parece que a fruta irá desaparecer primeiro que os seus taninos algo agressivos.

Quinta de Foz de Arouce 1995
Na senda do 1992, também me pareceu uns furos abaixo dos 2 primeiros vinhos. Muito vegetal e com um final algo agressivo, destoa da elegância e frescura de todos os anteriores. Para mim o menos conseguido.

Quinta de Foz de Arouce Vinhas Santa Maria 2001
Já em tempos tinha dito que esperava muito deste vinho, tal a potencia e vivacidade deste. Muito intenso no nariz e na boca, não quer mostrar sinais de acalmar toda a "brutalidade". Não me parece que ainda tenha chegado o seu melhor momento e pergunto-me quando chegará. Para mim, do melhor...

Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas Santa Maria 2003
Ora bem, com esta colheita mudou-se o perfil dos vinhos, introduzindo uma nova variável, a Touriga Nacional. Os vinhos passaram a ser mais interessantes em jovens, mas mantendo ainda assim toda a longevidade da casta Baga.
Muito floral, licorado, muito fruto maduro. Intenso. Boca pastosa e com taninos ainda muito jovens. Está para durar.

Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas Santa Maria 2005
Ainda muito fechado, mostrou muitas notas florais. Boca de potência mas muitissimo jovem. Estes são vinhos de guarda que só com um prato muito intenso e com uma prévia decantação, poderão mostrar o que têm de melhor.

Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas Santa Maria 2007
Um vinho que ainda não está sequer feito. Uma amostra de barrica que indicia um vinho muito exuberante.



Em jeito de resumo, uma belíssima prova de vinhos, de belos vinhos, que permitiu ao Mark Squires, e a mim obviamente, ter uma visão diferente da casta Baga e do seu blend com a Touriga Nacional. Conhecemos de perto, uma maneira diferente de trabalhar a Baga, num terroir completamente diferente.
Para mim foi realmente uma honra, pois são vinhos que admiro e que tenho como o que de melhor se fez, e se vem fazendo, na Região das Beiras e em Portugal.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Diário de uma viagem inesquecivel

Por vezes andamos para trás e para a frente à procura de novos vinhos, de novas provas, de novas sensações. Invariávelmente encontramo-nos em feiras e certames, no entanto nada substitui a visita a uma adega, a um produtor. Nessas visitas encontramos pessoas fantásticas.
Estive desde o dia 17 de maio, até hoje, a acompanhar o Critico de Vinhos Mark Squires na sua visita ao Dão, Bairrada e algum Douro (ele ainda lá continua e depois vai para o Alentejo). Foram os dias mais intensos e gratificantes da minha vida de enófilo. Os lugares que conheci, as pessoas e obviamente os vinhos foram absolutamente impressionantes.
Em breve começarei a relatar a minha visão particular das visitas, mas deixo desde já um "teaser":

Ser recebido pelo Conde de Arouce, almoçar ao lado da Condessa de Santar, beber um Touriga Nacional de 1963 do Centro de Estudos de Nelas, um Noval Nacional 1963 e um Niepoort Garrafeira 1952, foram uma das muitas aventuras que contribuiram para toda a intensidade de uma semana que em breve começarei a relatar.

domingo, 11 de maio de 2008

Quintas das Marias TT e Garrafeira 2005

Volto novamente aos Vinhos da Quinta das Marias, após uma ausencia prolongada aqui pelo blog. Desta feita a atenção volta-se mais uma vez pelo Cuvée TT 2005 e pela novidade, um Garrafeira 2005 desta casa:

Quinta das Marias Garrafeira 2005
Produtor - Quinta das Marias
Região - Dão
Grau - 15% Vol
Preço - A partir de 11€
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz e Jaen, este vinho estagiou em barricas.
Cor rubi de boa concentração.
Tudo muito intenso no aroma. De inicio somos inundados por um "bloco" de aromas, onde contamos as notas de fruto m
aduro, as especiarias, alguma sensação balsâmica e algum vegetal que formam conjunto com as notas de barricas que evidenciam um vinho jovem.
Muito bem na boca , estamos perante um vinho cheio e potente que apesar de se sentir algo pesado, detem uma certa frescura. Termina longo e cheio de fruta e especiaria.
Há algo neste produtor que me deixa perplexo. Sabendo que é um produtor com poucas colheitas, face a muitos outros do Dão, nota-se uma certeza do que se pretende com os vinhos que faz. Este Garrafeira é um exemplo disso. Um vinho que se quer cheio, algo pesado e austero. Um garrafeira à moda do Dão que necessita de tempo.
Nota 17


Quinta das Marias Cuvée TT 2005
Produtor - Quinta das Marias
Região - Dão
Grau - 15% Vol
Preço - A partir de 11€

Feito a partir das Castas Touriga Nacional e Tinta Roriz, daí o nome Cuvée TT, este vinho estagiou em barricas novas e usadas de carvalho francês e americano.
Cor rubi.
Já começa a ser a imagem de marca dos vinhos onde entra a Touriga Nacional. Inicialmente são os aromas de fruto que se libertam do copo para depois sermos inundados com notas florais. Ainda que seja a Touriga a marcar este conjunto, as notas de barrica também dão um certo complemento ao aroma.
Na boca, onde entra o domínio da Tinta Roriz, ficamos com um vinho de boa intensidade, cheio, mas ao mesmo tempo delicado. Nesta fase apresenta-se bem macio, bem redondo mas muito saboroso.
Não tão exuberante como o Extreme da Touriga, desta casa, este vinho pareceu realmente aproveitar o melhor das duas castas. Parece estar dividido em duas partes mas em que ambas se ligam na perfeição. Um vinho muito fino.
Nota 16,5




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