sábado, 29 de março de 2008

Campolargo

Acabei inevitavelmente por voltar aos vinhos da Casa Campolargo, para mais umas dissertações sobre alguns deles:


Calda Bordaleza 2005
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 24€
Feito a partir da conjunção de castas usuais no Médoc, em Bordéus, Merlot, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot, este vinho estagiou em barricas novas de carvalho francês por 13 meses.
Opaco na cor.
Tal como na cor, este vinho começa com uma fruta muito densa e muito madura que se encontram aliadas a notas vegetais, cacau e café. Este vinho apresenta uma desenvoltura de aromas enorme, aguentando largo tempo no copo com a mesma linha aromática.
Muito bem na boca. Um vinho com profundidade e com corpo a que se complementam boas notas de barrica que se apresentam perfeitamente integradas durante toda a prova de boca.Termina com um final muito longo e bem saboroso.
Não consigo esconder uma certa predilecção por este vinho, não pela sua invocação a Médoc, mas pela sua energia e pela sua excelente vertente gastronómica.
Nota 17,5


Campolargo 2004
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada

Grau - 14% vol

Preço - A partir de 15€
Feito a partir da casta Pinot Noir, vindimada a 16 de Agosto, estagiou em madeira usada.
Como panóplia dos vinhos desta casta, apresentou uma cor bem aberta.
Aroma muito amplo e rico. Inicia com notas de frutos silvestres, algumas notas caramelizadas, depois passa para uma componente mentolada e termina com intensidade de notas de especiarias, às quais se associam finalmente algumas notas de barrica. Tudo muito em finesse, tudo muito elegante.
Na boca a "pauta" mantém-se pelo mesmo ritmo. Elegância, classe e delicadeza. Um vinho pouco encorpado, mas muito fértil em emoção. Termina longo e com subtilezas.
Aqui está um vinho que poderá fugir ao nossos parâmetros usuais e que por ai poderá perder alguns adeptos. Começa logo na cor. No entanto este vinho r
eserva, aos mais audazes, uma série de surpresas. Elegância qb, complexidade (basta saber esperar e "espreitar" de vez em quando ao copo) e uma classe notável. Do melhor que se faz, com esta casta, por cá.
Nota 17




Rol de Coisas Antigas 2005
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada

Grau - 13,5% vol

Preço - A partir de 10€
Este Rol de Coisas Antigas, é nada mais nada menos que uma selecção do que antigamente, muito antigamente, existia bem disseminado na região.
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Sousão, Tinta Pinheira, Bastardo, Alicante e Baga. A fermentação deu-se em pequenos lagares de granito, com tudo em conjunto, e depois o vinho e
stagiou por 10 meses em barricas de carvalho.
Quase opaco na cor.
Dos aromas mais particulares que tive oportunidade de sentir. Uma mão cheia de emoções são desvendadas de imediato com notas de fruto, muita especiaria com destaque para o cravinho, ligeiras notas licoradas e ainda notas florais. Tudo isto a alternar de minuto a minuto, durante uma noite inteira. Um aroma "camaleão".
Na boca alguma rusticidade volta a surpreender e a dar ânimo à prova. Tudo muito bem integrado e equilibrado.Termina com intensa e notável persistência.
Um hino à singularidade. Numa altura em que tudo se parece standarizar, este vinho aparece como uma lufada de ar fresco, para aqueles que procuram em cada garrafa um rol de sensações singulares. Muito bom e muito bem. A não perder
Nota 17


Campolargo Espumante Bruto Rosé 2006
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada

Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 10€
Feito a partir da casta Pinot Noir.
Vermelho vivo na cor, e com bolha fina e persistente.
Aroma muito exuberante com notas de morango, framboesa que são apoiadas por interessantes notas florais.
Na boca apresenta estrutura, boa acidez como garante de alguma frescura e final de boa persistência.
Mais um espumante que se apresenta na senda dos bons espumantes da Bairrada. Uma boa solução para acompanhar uma refeição bem como uma sobremesa.
Nota 15,5


Entre II Santos branco 2006
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região - Bairrada

Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 3€
Feito a partir das Castas Sauvignon Blanc (90%) e Chardonnay (10%), este vinho apenas em uma pequena parte (penso que no Chardonnay) teve estágio em barricas.
Cor citrina.
Aroma fresco de citrinos e vegetal. Á medida que a temperatura sobe, tenderá em mostrar o resultado do tal pequeno estágio em madeira, conferindo uma ligeira sensação tostada.
Na boca tem bom volume e boa frescura. Termina com final mediano mas saboroso.
Um branco de entrada de gama que se admite como sendo um branco de dia a dia. Penso que poderá ter o seu auge na altura do Verão.
Nota 14,5

segunda-feira, 24 de março de 2008

Azamor

O origem dos vinhos Azamor situa-se entre Borba e Elvas, com 2 herdades, a do Rego e a do Zambujal, que ambas possuem 260 Hectares.
Aqui encontramos as vinhas, olival e ainda uma paixão, do homem da casa, os Cavalos de raça Lusitana.
Alison Luiz Gomes é a alma do projecto vínico e é auxiliada pelo enólogo David Baverstock.
Este produtor era para mim, até há pouco tempo, um desconhecido e foi graças a um evento de um amigo Blogger, o Vinum Calipolle, em Vila Viçosa que me foi dado a conhecer o projecto e seus vinhos.
Na altura bem me lembro que fiquei agradavelmente surpreendido com a qualidade dos vinhos. Hoje volto novamente a um deles:

Azamor 2004
Produtor - Azamor Wines
Região - Alentejo
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir dos 7€
Provado em prova cega.
Feito a partir das castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Syrah e Merlot, este vinho estagiou ainda em barricas de carvalho francês e americano.
Cor de boa concentração.
Nariz de grande intensidade com incessante de sugestões de café. Foi necessário esperar um pouco para que começassem a evidenciarem-se notas de fruto maduro, de especiaria, de caramelo e de tosta.
Na boca novamente alguma intensidade com notas fumadas, no entanto aqui o trato começa a ser mais dócil. O vinho tem boa estrutura, tem taninos redondos mas bem presentes. Termina com boa intensidade e persistência.
Aqui está mais um vinho com muita qualidade e a um preço comedido. Ainda que um pouco marcado pela madeira, considero que estamos perante um bom vinho para começar a beber desde já, no entanto face a toda esta intensidade e a alguns taninos presentes no final, penso que ainda "andará pelas curvas" nos próximos 2 anos.
Nota 16


domingo, 23 de março de 2008

Lavradores de Feitoria

Esta empresa, será eventualmente uma das mais inovadoras, em termos de conceito, no nosso país vinícola. Fundada em 2000, por alguns das melhores quintas do Douro, esta empresa não é mais que um unir de esforço e de amor pelo vinho e pelo Douro para fazer vinhos de excepção. O conceito reside da união de várias quintas do Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior, com o propósito de em conjunto fazerem o melhor vinho possível, aproveitando caracteristicas unicas de cada uma das quintas. (Informação compilada a partir de http://www.lavradoresdefeitoria.pt/)
Em 2001, sob a supervisão enológica de João Brito e Cunha, nasce o Grande Escolha da casa e passados 7 anos, volto para ver como se encontra:


Lavradores de Feitoria Grande Escolha 2001
Produtor - Lavradores de Feitoria
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 30€
Feito a partir das Castas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca e Tinta Amarela, cujas vinhas têm mais de 60 anos, este vinho estagiou por 16 meses em barricas novas de carvalho francês e ainda 1 ano em garrafa.
Impressiona pela cor, que não parece ser de um vinho de 2001, por se encontrar sem grandes sinais de evolução
No nariz um vinho com densidade e potência que mostra aromas ainda muito intensos de ameixas, de grafite, fumo e sobretudo um pendor vegetal que confere frescura e complexidade neste conjunto.
Na boca está ainda melhor. É raçudo e potente, sem nunca entrar em excessos. Nunca há a mínima vontade de que abandonemos o liquido da língua de tão intenso e saboroso que é. Equilibrado, não mostra sinais de pontas soltas, pois aqui tudo já está em harmonia completa. Cheio e denso ainda tem gabarito para terminar muito longo.
Em tempos, quando este vinho me foi apresentado, por uma "Lavradora", foi-me confidenciado que este vinho tinha sido feito para ganhar prémios, agora pergunto-me se não será muito mais que isso? Este vinho foi feito para agradar, para durar. Um vinhaço, que se não fosse o preço, seria a alegria de muita gente. Assim, mesmo que possa ter apenas uma única oportunidade, se tiver este vinho na sua frente, não hesite, pois este é grandioso.
Nota 18

segunda-feira, 17 de março de 2008

Manuel Campolargo - Termeão

Deste produtor bairradino, provo agora os vinhos que provêem da vinha homónima, vinha do Termeão.
No Termeão estão plantadas as castas Touriga Nacional, Castelão Nacional e Sousão (que substituiu o Cabernet Sauvignon) que não mais contará entre as castas que fazem os vinhos Termeão.
Os vinhos:


Termeão Pássaro Vermelho 2006
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região -Bairrada
Grau - 12,5% vol
Preço - A partir de 15€
Nasce a partir das castas Touriga Nacional, Castelão Nacional e Cabernet Sauvignon e estagiou por 14 meses em barricas de carvalho francês de 2º ano.
Cor rubi de boa concentração.
Aroma muito fechado e sisudo. Ainda que tenha demorado, acabou por mostrar fruto maduro, alguma sugestão de aparas de lápis, notas florais e vegetais.
Na boca bem equilibrado, com acidez aguerrida e taninos algo rebeldes mas gulosos.
Ainda que fechado, este vinho mostrou ter garra e força que lhe permitirão continuar a subir de forma. O seu tempo ainda está para vir e como tal penso ser um vinho a guardar. Se o beber desde já decante-o e acompanhe com comida forte.
Nota 16,5



Termeão Pássaro Branco 2006
Produtor - Manuel dos Santos Campolargo
Região -Bairrada
Grau - 12,5% vol
Preço - A partir de 6€
Tal como o seu "irmão" este vinho é resultante das castas Touriga Nacional, Castelão Nacional e Cabernet Sauvignon e estagiou por cerca 12 meses em barricas usadas de carvalho francês.
Cor rubi de boa concentração.
Novamente um Termeão algo fechado. Alguns minutos, muitos, depois começam a aparecer as notas de fruto maduro, sugestões mentoladas e vegetais.
Na boca, bem mais fácil e redondo que o "vermelho". Aqui a coisa já esta bem mais integrada e resulta num conjunto mais apetecível, pelo menos para já.
As mesmas castas, estágio diferente e resultado algo diferente. Talvez em melhores condições de ser consumido desde já, mas penso que não virará costas a alguma guarda. Para todos os efeitos, mais uma excelente relação entre a qualidade e o preço.
Nota 16

domingo, 9 de março de 2008

A Hora do Adeus

É com enorme tristeza que anuncio o fim do projecto, de um amigo, Casal Figueira.
António Carvalho coloca assim um ponto final em Casal Figueira ao fim de mais uma década de peripécias, de alto e baixos, mas sobretudo de belos vinhos, vinhos de "Terroir", vinhos de Biodinâmica.
Não se pense que António Carvalho encerra aqui a sua ligação ao Vinho, uma vez que este partirá em breve para o novo projecto, e bem seu.



Ainda assim, cumpre-me informar, que estão todos convidados, todos mesmo, para no dia 22 de Março "dizer" o adeus a Casal Figueira, na companhia de suas vinhas, de sua adega e obviamente de seus vinhos.
Neste dia, que se quer de festa, iremos ter a oportunidade de almoçar, conhecer o António e ter a possibilidade de adquirir alguns dos seus vinhos.
Até dia 22, meu amigo....

Prova Internacional "TOP 10 de Vinhos Portugueses"

Como é costume, durante a Essência do Vinho 2008, é escolhido o Top 10 dos vinhos Portugueses.
Escolhidos por um painel internacional de 25 provadores, onde se contam Críticos, Bloggers e Wine Writers, este ano as escolhas recairam sob:

Brancos:

1º Quinta de Covela Escolha 2006

Tintos:

1º Chocapalha Reserva 2005
2º Herdade dos Grous Reserva 2005
3º Cortes de Cima Incógnito 2005
4º Quinta dos Carvalhais Único2005
5º Quinta do Vale Dona Maria 2005
6º Quinta do Vale Meão 2005
7º Quinta da Touriga Chã 2005
8º Quinta do Couquinho Reserva 2005

Vinho do Porto Vintage

1º Taylor's Quinta de Vargellas 2005

sábado, 1 de março de 2008

Morgadio da Calçada - Tintos

Os vinhos Morgadio da Calçada são resultantes de uma parceria entre a Família Vilas-Boas e o sobejamente conhecido Dirk Niepoort.
A quinta, situada em Provezende, possui vinhas velhas com mais de 60 anos de idade e onde se contam muitas das castas habituais do Douro.
Como curiosidade, os magnificos rótulos são da autoria do Arquitecto Siza Vieira.
(Informação retirada em www.morgadiodacalcada.com)





Morgadio da Calçada Grande Escolha 2005
Produtor - Niepoort Vinhos
Região - Douro
Grau - 13,5% vol
Preço - A partir de 25€
Elaborado a partir de vinha velha com mais de 60 anos e onde das castas presentes apenas se parece conhecer a Touriga Franca, este vinho estagiou por 16 meses em barricas de carvalho francês.
Cor rubi de média concentração.
Aroma rico e complexo onde perduram os aromas de fruta madura, as flores, as especiarias e algum vegetal. Todo este aroma está perfeitamente integrado com as notas tostadas da barrica, formando um relação simbiótica.
A boca prima pela frescura, pela elegância e por taninos nobres mas muito bem integrados, neste vinho de bom porte. Termina longo e com predominância das notas tostadas.
Mais um vinho sob a chancela de Dirk Niepoort. Elegância é o principal adjectivo que encontraremos neste belo Douro. A complexidade da vinha velha e de quem a sabe trabalhar. Muito bem.
Nota 17



Morgadio da Calçada 2005
Produtor - Niepoort Vinhos
Região - Douro
Grau - 13% vol
Preço - A partir de 10€
Elaborado a partir de vinha com mais de 20 anos e onde das castas presentes apenas se parece conhecer a Touriga Franca, este vinho estagiou por 15 meses em barricas de carvalho francês.
Cor rubi de concentração.
Aroma de boa intensidade com notas de fruto maduro, especiaria e algum vegetal que se associam na perfeição às notas tostadas.
Na boca é afinado, e com taninos bem redondos mas gostosos. Termina com boa intensidade e com prazer.
Ainda que não tenha a subtileza do seu "irmão" esta vinha já dá fruto muito interessante e de muito boa qualidade. Para o preço apresentado, nada melhor que a correspondência de um belo vinho. Gostei
Nota 16

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